Horóscopo de janeiro (2023)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023 0 comentários


Miriam Julie

 ♈ ÁRIES
21/03 a 20/04

Este mês representará um novo despertar para uma conscientização acerca do que a sua vida significa. Assim será possível perceber que no passado deixou-se motivar por uma concepção de si mesma demasiado estreita, seja por necessidade de segurança, seja simplesmente por uma questão de afirmação. Procure fazer tudo o que for necessário a fim de poder viver de acordo com essa nova compreensão.

Embora não desperte especificamente seu idealismo, este período lhe permitirá ver que este mundo é um lugar bem grande e que sua participação nele é bem maior do que havia pensado. Você talvez se sinta atraída por ideais bastante místicas, embora elas só ganhem sentido na medida em que afetarem seu dia a dia.

Neste momento, tudo que você precisa é mudar sua vida de forma mais decisiva e não desse ver às voltas com mais abstrações. E você vai mudá-la! Este trânsito a fará abandonar definitivamente o passado, reorientando sua vida de acordo com a visão mais ampla que agora possui.

As diversas mudanças que ocorrerão talvez lhe pareçam um tantas amedrontadoras, mas elas serão para melhor. Você encontrará liberdade numa nova consciência sobre o modo de se relacionar afetivamente também. Mas há uma boa chance de você crescer de forma diferente da sua parceira, inclusive de vocês se separarem inesperadamente. Por mais dolorido que seja, aceitar o que não está funcionando para você, em vez de tentar colocar um curativo em tudo, ainda é a melhor saída.

♉ TOURO
21/04 a 20/5

Embora você possa estar cheia de planos e ideias, há uma tendência a negligenciar os detalhes. Talvez não se disponha a aceitar críticas, mas se ouvir e aproveitar o que lhe for dito, este pode ser um excelente momento para tomar decisões, fazer planos e negociações e finalizar contratos e acordos. Entretanto, isso apenas acontecerá se você se dispuser a ouvir a opinião dos outros.

Este período geralmente é de otimismo e sentimentos positivos. Você terá confiança em suas ideais e capacidade de transmiti-las. Todas as formas de comunicação terão importância para você, a ponto de levá-la até a escrever, por exemplo.

Contudo procure não se extenuar fazendo coisas demais. Procure ter certeza de não estar fazendo planos que estejam acima de sua capacidade.

O ritmo deste mês pode se tornar verdadeiramente frenético, com diferentes questões para se tratar ao mesmo tempo. E é justamente aí que aumenta o risco de deslizes como a precipitação.

No amor e na amizade, poderá haver conflitos se abrir espaço para outras pessoas, mas desconsiderar suas próprias necessidades. Amor e amizade são vias de mão dupla: você também merece ser vista e ouvida e experimentar o tipo de intimidade que deseja num relacionamento. Se está começando a conhecer alguém, leve as coisas um dia de cada vez. Permita que sua história de amor se desenrole sempre lembrando de que apego não é o mesmo que afeto.

♊ 
GÊMEOS
21/05 a 20/06

Durante este período, será imprescindível manter todos os seus assuntos sob controle. Há uma forte tendência a excessos, que talvez a impeça de levar em frente as coisas em que está envolvida. O fato é que ele lhe dará a sensação de que as coisas simplesmente estão além de sua capacidade.

Tome especial cuidado com as questões financeiras, por ser começo do ano com vários impostos a pagar. Cuide-se também para não embarcar em projetos que lhe exijam mais tempo do que realmente dispõe. Procure estar certa de ter o tempo e os recursos necessários para concretizar seus empreendimentos. Não superestime os recursos disponíveis.

Se conseguir evitar essa armadilha, este poderá ser um mês proveitoso que lhe dará mais confiança e otimismo, permitindo-lhe levar adiante projetos antes difíceis de aceitar. Além disso, sua atitude essencialmente positiva contribuirá para desfechos favoráveis em suas iniciativas.

Nos relacionamentos, precisa se expressar de maneira autêntica, sendo o mais honesta possível sobre seus anseios e necessidades. Se estiver solteira, é tempo de deixar as velhas feridas no passado e esquecer as coisas que não aconteceram do jeito que você gostaria porque não eram para acontecer e se abrir para novas possibilidades.

♋ CÂNCER 
21/06 a 22/07

Este período estimulará sua ambição e seu desejo de poder desproporcionalmente. Por outro lado, poderá saber exatamente do que precisa para seu sucesso e ir em busca apenas do que lhe falta, dispondo-se a fazer concessões e a partilhar seus êxitos com os outros. Esse é o rumo indicado a tomar, mas infelizmente nem sempre a transigência é encontrada.

Este mês representa um teste para sua resistência e a força com a qual definiu seu lugar no mundo. O teste pode ter diversas formas, mas, independentemente de qual seja, ele exigirá que seu senso de individualidade esteja em forma. Em outras palavras, será preciso que se conheça muito bem. Caso não se conheça bem, é provável que esta fase se faça acompanhar de crises. Também, se sua disposição de espírito for mais reservada, é possível que atravesse este trânsito de modo diferente: em vez de viver um delírio de poder, talvez se veja às voltas com alguém que o viva. Todo o cuidado

Nos relacionamentos, pare de remoer o passado, as coisas que não deram certo ou que você poderia ter feito melhor, para não ficar presa num loop. Se estiver casada, supere a insegurança de que sua parceira é mais reconhecida do que você no trabalho e nas amizades.

Talvez ela esteja apenas tendo mais tempo do que você para o trabalho e os amigos porque você está arcando com mais deveres do que direitos na relação. A reciprocidade é a chave para construir um relacionamento saudável e equilibrado. Suas necessidades são válidas e merecem ser atendidas. Se está solteira e começou a sair com alguém, o que realmente deseja do relacionamento seja uma parceria de longo prazo, um relacionamento casual ou algo intermediário.

♌ LEÃO
23/07 a 22/08

Durante este mês tente dar mais atenção aos assuntos profissionais. Esta fase traz uma influência positiva, transmite segurança e boas perspectivas em relação aos objetivos e projetos em curso. Financeiramente não terá problemas, nem dificuldades.

Na saúde, adquira o hábito de planejar suas refeições com antecedência para se adaptar a mudanças no horário de trabalho que possam atrapalhar seus hábitos alimentares. Cuidar de si, em particular de sua mente, e alimentar-se de forma saudável devem ser o lema do ano. Mantenha uma disposição ensolarada e passará por qualquer dificuldade.

Você poderá enfrentar uma situação complicada em alguma área de sua vida durante este período: poderá ser uma escolha, a ser feita rapidamente, com ajuda de pessoas experientes para dar os passos mais acertados.

No amor, poderá ter uma decepção com alguém que não é exatamente o que você imaginava, gerando raiva e alguma tristeza. Pode indicar o fim de uma relação, mas que a deixará livre para embarcar em novas relações que lhe trarão felicidade e satisfação no futuro. Deve esclarecer mal-entendidos ou situações confusas com amigos ou familiares. Mantenha uma atitude de aprendizado em relação às interações interpessoais.

♍ VIRGEM
23/08 a 22/09

Este é um mês extremamente positivo. Você se sentirá emocionalmente segura e em contato com seus sentimentos que poderá expressar com clareza e honestidade para os outros e para si mesma. Ao mesmo tempo, sentirá uma enorme generosidade, a qual lhe permitirá dar de si mais livremente e sem se sentir diminuída. Essa combinação de influências está associada a sua função afetiva, ao desejo de proteger e cuidar bem como ao de ser protegida.

Nos relacionamentos, talvez se veja beneficiada por uma mulher que queira ajudá-la ou cuidar de você de algum modo. Se já está em um relacionamento apaixonado, se sentirá preparada emocionalmente para aprofundá-lo. As relações com a família permanecerão satisfatórias.

Do ponto de vista profissional, se adotar uma mentalidade empreendedora, poderá se beneficiar de viagens e obter recompensas financeira por seus empreendimentos. Com sua perspectiva otimista, em breve você desfrutará de melhores condições de trabalho em sua posição atual.

Neste período, o potencial de efeitos adversos à saúde justifica cautela nos comes e bebes. Atente para possíveis problemas respiratórios. 

♎ LIBRA
23/09 a 22/10

Este é um mês extremamente conflitivo, pois representa um embate entre poderosas forças íntimas de mudança e grandes resistências do mundo exterior. Você tentará fugir da rotina e de todos os aspectos banais e monótonos presentes em seu cotidiano. Entretanto, cada uma dessas tentativas encontrará a resistência das circunstâncias, dos deveres e obrigações, mantendo-a numa situação opressiva.

Com esforço e coragem, porém, poderá conseguir um equilíbrio, manter a tensão sob controle e promover diversas mudanças de forma bastante organizada. Abordará suas tarefas metodicamente e poderá viabilizar um plano em que está trabalhando ou um acordo comercial que esperava. No entanto, o mês é difícil para as questões financeiras, daí ser necessário cautela com os gastos.

Os estudos e projetos de longo prazo que exijam grande concentração e esforço podem perfeitamente prosseguir agora quando está cheia da energia das mudanças.

Nos relacionamentos pessoais, também saia da rotina fazendo uma excursão divertida e relaxante com a amada. Este trânsito também poderá representar mudança no sentido do rompimento repentino com uma situação opressiva (seja no aspecto profissional ou afetivo), que lhe permitirá partir para um começo realmente melhor.

♏ ESCORPIÃO
23/10 a 21/11

No aspecto mental, este período permite que se vejam os padrões gerais das coisas e que se atue com previdência e sabedoria. É o momento para fazer grandes planos e concretizar diversas ideias que vem alimentando há tempos. A ajuda de outra pessoa, que possa checar seus planos e atuação, pode ser muito positiva. O principal é procurar não pensar grande demais, tentando fazer coisas absurdas ou impraticáveis.

Na área profissional, com ética de trabalho e uma perspectiva realista, poderá verificar os limites da profissão escolhida. Se conseguir verificar cada detalhe, como exige a realização de todo negócio bem-sucedido, o momento é excelente para a finalização de todo tipo de transação comercial. Poderá ser vista como um trunfo para a empresa, caso trabalhe numa.

Sua vida afetiva pede maior atenção. O estado de seus relacionamentos pessoais parece precário. Você deve abordar seu relacionamento com a cabeça fria e comunicar-se aberta e honestamente, se quiser consertar as divergências que surgiram.

Na saúde, realize qualquer rotina de exercícios de forma consistente e pratique bons planos de controle de peso. Sobrepeso acarreta vários problemas ao seu corpo.

♐ SAGITÁRIO
22/11 a 21/12

Embora não seja exatamente leve e descontraído, o período deve ser bem produtivo. Termine o que começou e simplifique sua vida. Você tentará livrar-se de tudo que não for necessário ou benéfico a seu desenvolvimento no futuro.

Na saúde, hábitos alimentares inadequados terão que ser melhorados, evitando o consumo constante de junk food. Para não engordar, é aconselhável incluir exercícios regularmente na rotina. Cuidado redobrado se for viajar de carro, pois há possibilidade de acidente nas estradas, ainda que leve.

No trabalho, talvez ele lhe exija mais esforço que habitualmente, pois seus chefes podem atribuir-lhe mais responsabilidades do que desejaria. Entretanto, valerá o esforço pois há perspectiva de ascensão profissional.

Nos relacionamentos, estando no processo de encontrar alguém novo, dê um passo de cada vez. Deleite-se com o processo de conhecê-la sem se apegar a um resultado específico. Permita-se a chance de receber o amor e a compaixão que anseia. Você merece todas as bênçãos que parecem emanar em sua direção.

♑ CAPRICÓRNIO
22/11 a 19/01

Neste mês você dará início a uma profunda introspecção que lhe permitirá analisar-se com autocrítica, podendo se sentir um pouco só e deprimida. A forma como vai lidar com este trânsito terá importantes consequências para seu bem-estar físico e psicológico depois. Com coragem, superará essa fase.

Na saúde, se seus níveis de energia vêm oscilando muito, as coisas podem mudar para melhor em breve, se você ajudar.  Coma alimentos nutritivos e fortalecedores para estabilizar sua energia. Exercitar-se mais ou acabar com o sedentarismo, também ajudarão muito nesse sentido.

Na carreira, você se orgulhará dos resultados de seu trabalho árduo. Construirá uma rede de amigos e colegas comprometidos em vê-la ter sucesso no carreia escolhida. Não entre em desacordo com ninguém e tente evitar aumentar qualquer tensão ou falha de comunicação que já possa estar presente.

No amor, se casada, você e sua amada terão uma vida familiar feliz e uma forte conexão advinda dos anos de experiência compartilhada. Se solteira, hora de processar a dor de amores insatisfatórios passados de maneira saudável, trabalhando com uma terapeuta, por exemplo, para acelerar a cura das feridas emocionais de modo que possa abrir seu coração para um novo amor.

♒ AQUÁRIO
20/01 a 18/02

Durante este mês você viverá situações em que as suas qualidades serão reconhecidas, tendo sucesso na profissão e nos negócios paralelos nos quais decidir investir seu tempo. Por causa de sua coragem e autoconfiança, terá sucesso em vários aspectos da vida, não importa quão difícil seja a situação.

Na saúde, o seu estado psicológico pode sofrer com seu dinamismo excessivo. Busque repousar mais e se desligar dos problemas. Meditação e exercícios podem ajudá-la a desestressar e melhorar a condição física.

No trabalho, apesar de alguns contratempos no início do mês, tudo tende a fluir bem com seus projetos, já que suas ideias e métodos de trabalho podem ser muito valorizados por seus superiores e colegas, bastando que continue defendendo suas estratégias. Economicamente estão previstas melhorias financeiras.

No setor sentimental, vai ter de tomar uma decisão importante para poder resolver uma situação angustiante. Isso pode provocar uma ruptura, se não conseguir entrar em acordo com a amada.

Todas as opções devem ser bem estudadas e vão exigir bom-senso. Mantenha a tranquilidade, medite com coração puro sobre a situação e aguarde os acontecimentos antes de definir algo de forma impulsiva.

♓ PEIXES
19/02 a 20/03

Durante este mês você terá conhecimento de novidades e acontecimentos rápidos que vão trazer novos desafios e estabilidade em vários setores. É um período favorável para os que gostam de correr riscos, mas devem aceitar apenas o que for seguro, analisando cautelosamente todas as propostas. O período indica também que podem ocorrer mudanças ligadas à sua residência.

Quando tem algum problema de saúde, você tende a ficar deprimida. Portanto, leve a sério as questões dos exercícios regulares, descanso apropriado e uma dieta nutritiva. Torne-as prioridades, não importa onde você esteja ou o que esteja fazendo. Sendo de sensibilidade especial, pratique meditação ou faça terapia para lidar com as grandes dificuldades da vida que podem sobrecarregá-la.

No trabalho, terá de enfrentar alguns obstáculos que irão lhe causar tensões e conflitos. Uma questão delicada vai chegar ao limite e poderá exigir algum sacrifício de sua parte. Apesar do ambiente profissional estar tenso, contudo, tudo vai melhorar no final do mês. Um reconhecimento de seus esforços pode estar próximo.

Se for empreendedora, será capaz de dar toda a sua atenção ao seu negócio, e isso a levará ao sucesso. Mas não faça grandes investimentos por causa do risco significativo de perder dinheiro.

Nos relacionamentos, tente dedicar mais tempo ao convívio com a namorida, amigos e familiares a fim de obter mais calma e harmonia em sua vida. Assim, você, sua amada, familiares e amigos terão uma base mais sólida de respeito e compreensão mútuos. Se for solteira, uma situação recente pode evoluir para algo mais sério, com planos que podem levar a um compromisso mais profundo num futuro próximo. Invista nessa possibilidade.

Gunadhara Miten (Miriam Zen)

Terapeuta Holística e Astróloga Humanista há 33 anos, trabalhou como voluntária por vários anos em Grupos de Ajuda a mulheres que sofreram abuso. Trabalhou também como voluntária no CVV (Centro de Valorização da Vida)

Trabalhando atualmente com massagens terapêuticas, via Método Deva Nishok, utiliza em seus atendimentos terapia tântrica, cura Reconectiva, Reiki, pontos marma, meditação vibracional biodinâmica, Renascimento, terapia taoísta, terapia de cura hawaiana, Barra de Access, MTVSS com o objetivo de refinar a sensibilidade corporal, gerando maior sustentação da bioenergia do corpo, energização dos chackras e equilíbrio da produção hormonal, proporcionando também expansão da consciência, equilíbrio emocional e bem-estar.

Consultora da Rede de Informação UOO (Um Outro Olhar).


Chanacomchana 2: resgate e edição comentada

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022 0 comentários

CCC 2 Fev.1983 © Coleção Chanacomchana. Míriam Martinho



Em dezembro de 1982, era lançado o primeiro número do boletim Chanacomchana seguido de outros 11 números (ver resgate do CCC 1 aqui, CCC2 aqui, CCC 3 aqui, CCC 4 aqui, CCC 5 aqui, CCC6 aqui, CCC 7 aqui, CCC 8 aqui, CCC 9 aqui, CCC 10 aqui, CCC 11 aqui, CCC 12 aqui). Neste artigo, abordo o ChanacomChana 2, não sem antes falar do contexto histórico e político de onde o periódico emerge, fundamental para entender sua produção e conteúdo (ver mais informações em Memória Lesbiana: 41 anos de ChanacomChana  aqui).

Grupo Ação Lésbica-Feminista (GALF) e sua primeira publicação, o boletim Chanacomchana, nascem durante o primeiro ciclo do MHB (Movimento Homossexual Brasileiro) também chamado de ciclo libertário (78-83/84) porque nele prevaleciam as ideias da Contracultura, aquele grande guarda-chuva de movimentações e movimentos socioculturais e comportamentais que se inicia já nos anos 50, percorre as décadas de 60 e 70, terminando no início dos anos 80. Retomando elementos do anarquismo e do romantismo, a Contracultura vai priorizar a revolução individual, politizando o cotidiano e as inter-relações humanas (o privado é político) e retomando a máxima gandhiana de que as pessoas tinham que se tornar a mudança que queriam ver no mundo. Não havia interesse na tomada de poder do Estado, objetivo dos partidos políticos, mas sim na revolução molecular dos grupos discriminados e oprimidos que unidos superariam a incompetência da América católica e seus ridículos tiranos (Enquanto os homens exercem seus podres poderes, índios e padres e bichas, negros e mulheres e adolescentes fazem o carnaval - Caetano Veloso).

Na prática, os grupos daquele incipiente movimento se preocupavam com a não reprodução da política tradicional, suas hierarquias, disputas de poder, discursos da boca para fora, e tentavam (com pouco sucesso) não reproduzir suas mazelas. Nesse sentido também, pregavam a autonomia dos movimentos sociais em relação aos partidos políticos, uma das bandeiras de maior bom senso daquela época. O GALF era tributário dessas ideias (vide o texto Autonomia), via esquerda libertária, das ideias do feminismo de segunda onda, com seu questionamento dos papéis sexuais, e das correntes do separatismo lésbico do também incipiente movimento lésbico internacional.

A Revolução DIY
Todo esse amálgama de ideias e inspirações aparecem nas páginas do Chanacomchana do seu período inicial e nele permanecem no período posterior, de 1985 em diante, apesar do afã revolucionário contracultural do MHB ir sendo paulatinamente substituído pelo reformismo pragmático de grupos como o GGB e o Triângulo Rosa.

Também do ponto de vista gráfico, o CCC vai seguir a ética e a estética contracultural do "Do It Yourself - DIY" (Faça você mesmo) matriz, entre outras produções, dos fanzines produzidos artesanalmente, com colagens e mistura de tipos gráficos, e, no conteúdo, com uma miscelânea de textos políticos, tirinhas, desenhos, poesias, depoimentos, notícias e app arcaico de namoro (o Troca-cartas). Nas vendas, o corpo a corpo junto ao público-alvo ou, posteriormente, via correios através do sistema de associação.

Nem o GALF nem o ChanacomChana refletem qualquer luta contra a ditadura militar mesmo porque seu contexto histórico é o do governo da abertura do general Figueiredo, da redemocratização, que se iniciara com a revogação do AI-5 em 13/10/78, ainda sob o governo Geisel. De fato, o governo Figueiredo foi uma democratura, uma convivência de elementos ainda autoritários do regime em decomposição com aumento crescente de características democráticas caminhando a passos largos para o restabelecimento do poder civil. Embora a censura, só revogada com a Constituição de 1988, ainda existisse no período, ela não vitimou o GALF ou o ChanacomChana em momento algum. Tal fato pode ser constatado facilmente pela simples leitura dos Chanas onde não se encontram sequer informes referentes ao regime militar, muito menos registro de qualquer arbitrariedade que tenhamos sofrido dos militares. O GALF e suas publicações foram, de fato, insurgências contra a ditadura da heterossexualidade obrigatória praticamente onipresente do período.

ChanacomChana nº 2 – Edição comentada



CCC 2 - 8 de Março, p. 1


Em fevereiro de 1983, era lançado o boletim ChanacomChana número 2, que se insere no período inicial do GALF (10/81 a 08/ 85) correspondente à fase em que a organização encampa o histórico do coletivo que o precedeu, o Grupo Lésbico-Feminista - LF (05/1979-06/1981) - adota, inclusive, nos dois primeiros números do CCC, uma das últimas assinaturas do LF (a saber, Grupo de Ação Lésbico Feminista) -, divide sedes com o grupo gay Outra Coisa de Ação Homossexualista e promove a hoje célebre invasão do Ferro’s Bar. Também é o período em que o grupo vive vários conflitos com o Movimento Feminista por este não incorporar a questão lésbica à sua agenda oficial. No ChanacomChana seguinte, o de n⸰ 3, o GALF assume seu nome definitivo, Grupo Ação Lésbica Feminista (GALF), para inclusive forçar uma concordância nominal no feminino, com o qual assinará seus documentos e produzirá as demais edições do ChanacomChana e as do boletim Um Outro Ohar (10 edições) a partir de maio de 1983 até março de 1990.

Sumário

8 de Março   - p.1
A Negação da Homossexualidade - p. 2
Fazendo Poesias - p. 3
A Queda para o Alto - p. 4
Associação das Donas de Casa discute lesbianismo, aborto - p. 6
Informes - p. 11
Cartas - p. 12

8 de Março, p. 1 (Míriam Martinho)

Na primeira página do CCC 2, escrevi uma pequena introdução sobre o boletim e o descrevi como fruto do Grupo de Ação Lésbico Feminista, como comentei acima. Coloquei um pequeno sumário e reproduzi também um folheto sobre o 8 de março dos grupos feministas da época que seria comemorado de forma descentralizada em várias regiões da cidade, culminando com uma festa no Museu de Arte de São Paulo (MASP). Vale salientar que, nesse texto, rola aquela versão de que o Dia Internacional da Mulher surgira a partir de um incêndio criminoso ateado pela polícia, numa fábrica têxtil, contra operárias em greve por melhores condições de trabalho. Tal evento teria então sido promulgado como Dia Internacional da Mulher em 1910, num Congresso Internacional de Mulheres, para lembrar o triste acontecimento (o incêndio) de 8 de março de 1857. Muito tempo depois, tive acesso a outra visão dessa história, a partir de textos de pesquisadoras, que resumi no artigo "8 de Março: A origem revisitada do Dia Internacional da Mulher".

A negação da Homossexualidade , p. 2 (Míriam Martinho)

Crítica ao discurso da não identidade homossexual, muito em voga nos primeiros anos da década de 80, que afirmava serem identidades apenas rótulos, como se bastasse alguém dizer que não era homossexual para a opressão terminar. © "Quem é Sapatão para o Camburão" Míriam Martinho


Na página 2 do CCC 2, eu publiquei um artigo de minha autoria, chamado A Negação da Homossexualidade, que ilustrei com a tirinha "Quem é Sapatão pro Camburão". Pode parecer surreal para as gerações atuais que, a cada dia, aparecem com uma identidade nova para chamar de sua, que o Movimento Homossexual Brasileiro, em seus primórdios, tenha embarcado numa discussão sobre os perigos da identidade homossexual num momento em que gays e lésbicas apenas começavam a luta por alguma cidadania. Entretanto, o fato é que essa discussão rendeu até mais do que os debates sobre a cooptação do recém-nascido movimento homossexual pelos trotskistas da Facção Gay da Convergência Socialista. Estes perderam o interesse pelo MHB na medida em que ele começou a refluir, já em meados de 1981, e parecem ter ido militar no PT.

A discussão sobre os problemas da identidade homossexual, porém, esteve bem presente até o fim do primeiro ciclo do movimento (1978-1984) tanto que, em maio de 1984, eu volto a abordá-la no ChanacomChana nº 5, e permaneceu subjacente por toda a década de 80. De fato, na minha opinião, ela vai se associar com a chegada da AIDS, de enorme impacto na vida dos gays, como fator de desmobilização do MHB nos anos 80, só desaparecendo efetivamente na década de 90, quando a afirmação das diferentes identidades homossexuais começa a ser a regra e o movimento renasce como MGLT.

No meu artigo A Negação da Homossexualidade, no CCC 2, eu vou reconhecer a possibilidade de a afirmação de uma identidade homossexual "cair num esquema de normatização, modelização, padronização das categorias sexuais" e que se precisava ficar alerta sobre ela. No entanto, argumentava que essa discussão, da forma como posta então, levava à invisibilidade da homossexualidade e à desmobilização política. Como se reivindicar direitos políticos para os seres humanos marginalizados por sua orientação sexual, sem estabelecer um sujeito político, reconhecido pela sociedade, para essas reivindicações? Simplesmente sair-se negando os rótulos de hétero, homo, colocando-se como "apenas gente", como na tirinha, mudava a realidade objetiva do tratamento totalmente diferenciado dado a héteros e homos? A tirinha mostra que não, fazendo inclusive referência às batidas dadas pelo sensacionalista delegado José Wilson Richetti da Delegacia Seccional do Centro de SP, em 1980, nos bares lésbicos (conhecida como Operação Sapatão) e prisões arbitrárias de prostitutas, travestis, negros, gays e lésbicas (na chamada Operação Limpeza).

Passados 40 anos, o apontamento sobre os perigos dos identitarismos do início dos anos 80 parece fazer mais sentido hoje do que outrora. A meu ver, o problema foi que da criação de sujeitos políticos a fim de se reivindicar direitos, numa perspectiva funcional, passou-se a uma visão essencialista das identidades, a uma redução dos grupos discriminados à condição unidimensional e inescapável de vítimas, ironicamente despindo esses grupos da posição de sujeitos políticos e de indivíduos em toda a sua complexidade. Questão espinhosa, o fato é que, se hoje ela se apresenta como realmente problemática, no início dos anos 80, tinha ares de discussão bizantina.

Fazendo Poesia, p.3 

Em Fazendo Poesia eu começava a delinear uma seção que estará quase sempre presente em todos os títulos que produzi até a revista Um Outro Olhar: a de poesias. Como, desde Safo, lésbicas parecem particularmente afeitas à criação e ao consumo de poesias, prosas poéticas, contos, crônicas etc., nada mais coerente do que ter uma seção de poesias num boletim por e para lésbicas. A partir do CCC 6, "Fazendo Poesia" se tornará simplesmente "Poesia".

Neste CCC2, escolhi 3 poesias, uma da Vange Leonel, namorico fugaz de 1981, uma poesia minha dos anos 70 e uma prosa poética de uma colaboradora do GALF à época, chamada Regina (espero ainda resgatar o sobrenome). Se o poema de Vange é sobretudo amoroso, o meu e o de Regina ostentam a coragem de amar outra mulher num contexto de ainda grande discriminação. O meu Crime Perfeito que é dá década de 70, período de grande marginalidade para gays e lésbicas, inclusive exemplifica essa marginalidade comparando um caso lésbico a um ilícito gozoso e contestador. 


A Queda para o Alto, p. 4 (Rosely Roth)

Em "A Queda para o Alto", Rosely Roth vai fazer a resenha do livro de mesmo nome, de autoria de Sandra Mara Herzer, relato de sua vida sofrida de abandono e abusos sobretudo na Febem Vila Maria (Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor de São Paulo), hoje Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (o nome mudou, mas os abusos continuam).

Vai pontuar que Sandra assumiu uma persona masculina, Bigode, na Febem, porque foi educada com apenas dois modelos, o do masculino, forte, ativo, dinâmico, racional, e o do feminino, passivo, fraco, submisso, optando pelo que lhe pareceu menos ruim, provavelmente o que mais lhe permitia sobreviver num ambiente tão hostil. Vai dizer que Sandra se assumiu como o "homem" de seus relacionamentos porque não conseguia perceber que mulheres também podiam ser dinâmicas, fortes, sentimentais e combinar características várias presentes em todos os seres humanos, mas departamentadas entre os sexos pelos papéis sexuais (hoje chamados de papéis de gênero). Contesta inclusive a hipótese levantada por Eduardo Suplicy e Lia Junqueira de que Sandra teria se assumido Bigode porque tivera um namorado que falecera e que, como compensação por sua perda, o teria incorporado. Contesta também a opinião de Junqueira de que Sandra teria se suicidado num momento em que Bigode se ausentara e a deixara desarmada, pois isso passaria uma imagem ruim da mulher que, sem um escudo masculino, se mata. 

Vale destacar essa questão da discussão dos papéis sexuais (hoje de gênero) porque ela está presente nesse CCC2, no meu texto A Negação da Homossexualidade e nesta resenha de Rosely sobre o livro de Sandra. E vai continuar presente em outros textos dos Chanas futuros porque considerávamos o combate a esses estereótipos como essenciais para a libertação das mulheres de sua milenar opressão. Nas reuniões de estudos do GALF, o livro Educar para a submissão: O descondicionamento da mulher, de Elena Gianini Belotti, era obrigatório. Nele, a autora disseca todos os condicionamentos impostos a meninas e meninos para se encaixarem nos famigerados papeis sexuais. 

Embora Rosely pondere, em sua resenha, que se vestir como homem não significava necessariamente a reprodução do estereótipo masculino, numa mudança de posição do coletivo do LF para o do GALF, a associação supostamente natural entre sexo e gênero era algo a ser refutado. Libertador era as mulheres poderem ser masculinas sem se considerarem homens por isso. E homens poderem ser femininos sem precisar se considerar mulheres. Importante salientar isso porque difere inteiramente da visão atual de que mulheres masculinas são homens trans e homens femininos são mulheres trans. A atual concepção era exatamente o que o GALF combatia, não havendo, portanto, conexão entre o GALF e o tal movimento LGBTQI+, que renaturalizou os estereótipos de gênero em grande prejuízo de mulheres e de gays e lésbicas.

Associação das Donas de Casa discute lesbianismo, aborto... p. 6 (GALF)

Cida Copkak  
Img: Enfoque Feminista, 11/1992

Os movimentos que lutavam pelos direitos das mulheres nos fins da década de 70 e início da de 80 se dividiam entre movimento feminista e movimento de mulheres. As feministas eram as que começavam a levantar as bandeiras da violência contra a mulher (doméstica e sexual), da sexualidade e do aborto (o coletivo do Grupo Lésbico-Feminista teve papel importante como alavancador dessas questões). As do movimento de mulheres as que se engajavam nas lutas das mulheres da periferia contra a carestia, por luz, esgoto, água e creche. 

Cida Kopcak era uma mulher da periferia (zona leste de São Paulo), fundadora da Associação das Donas de Casa, que se dizia feminista e não teve problema em dar uma entrevista para um grupo de lésbicas numa época em que falar de lesbianismo, como se dizia então, era bem polêmico. Outras feministas queriam empurrar as lésbicas para o armário sob a desculpa de que afastariam as mulheres da periferia do movimento.  Esse discurso era bem comum no período. Indagada sobre essa história de que a periferia não aceitaria debater lesbianismo, ela respondeu:
Cida: As feministas, aí é que está. Há um grupo de mulheres que se assumem feministas e que no meu modo de ver não são. Elas falam em nome de um monte de “mulherada”, mas na realidade não representam estas mulheres. Elas dizem que não podem falar sobre lesbianismo porque o pessoal do bairro não aceita isto. Mas estas feministas que são contra, que não põem isto no programa, elas praticam entre elas. Mas daí elas falam: se eu puser isto, como é que fica para a Associação das donas-de-casa, o que é que elas vão pensar, por exemplo, do Brasil Mulher, se elas levantarem esta bandeira, do SOS Mulher, se elas levantarem esta bandeira, do Centro da Mulher? Você sente que elas falam em nome de mulheres que elas nem sabem quem são. Eu debato sempre na Associação o seguinte; se você gosta de uma mulher, por que você não pode transar com ela, meu Deus do céu! O que que te impede? É este espaço que você tem que conseguir. Buscar um verdadeiro amor. (CCC2, p.7).

Ilustrei essa entrevista com a tirinha "Maria Vai com as outras e mariazinha" de minha autoria.

Nesta entrevista (quase uma conversa), Cida também argumenta que eram as mulheres da cidade (em oposição à periferia), suas lideranças, que guardavam esse debate dos periféricos, embora se soubesse do homossexualismo nas comunidades. E que o aborto era um tema muito menos aceito nas periferias do que o lesbianismo. E talvez ainda seja.


Informes, p. 11 (Míriam Martinho)

A seção Informes foi a primeira que criei para o ChanacomChana desde o primeiro número e que permanecerá até o CCC 8. A partir do número 9, mudo o nome dessa seção para Em Movimento, título que manterei nos números seguintes do CCC e do título Um Outro Olhar (boletim e revista). Essa seção era formada por notas sobre o ativismo nacional e internacional, sobre a questão lésbica, gay e feminista, a partir das publicações que o GALF recebia dos grupos com quem se correspondia ou trocava material e mesmo de notícias da imprensa local. Eu fazia a edição dessas notas, com tradução e revisão, ou reproduzia parcialmente a notícia (totalmente era raro). Nesta edição do CCC 2, as notas foram sobre campos de concentração para lésbicas, em Moçambique, a revista Connexions que dedicara um número inteiro sobre a vida das lésbicas em diferentes países, o registro assumido do Grupo Gay da Bahia, o abaixo-assinado em apoio do ex-redator do Lampião da Esquina, Antonio Carlos Crisóstomo, que fora acusado falsamente de violentar a filha de 4 anos, assassinatos de travestis, a 5ª Conferência do Serviço de Informação Lésbico Internacional (ILIS) e o desenvolvimento do futebol feminino.

Cartas (e embrião do Troca-cartas), p. 12

Na seção de Cartas, cartas de leitoras, com destaque para a de Naná Mendonça que viria a ser grande colaboradora do CCC e do UOO, bem como do GGB (real contemporâneo do GALF) elogiando e sugerindo seções como a de poesias e de correspondência entre as leitoras, embrião do futuro e muito popular Troca-cartas criado a partir do CCC 7.

CCC 2fev. 1983  © Coleção ChanacomchanaMíriam Martinho

Os inacreditáveis sequestros da história do GALF, do Chana, do Dia do Orgulho e da imagem de Rosely Roth

quarta-feira, 30 de novembro de 2022 1 comentários



A hora do espanto: as inacreditáveis tentativas de sequestro da história do GALF, do Chana, do Dia do Orgulho e da imagem de Rosely Roth

Este texto surgiu da necessidade de denunciar as tentativas de sequestro da história do Grupo Ação Lésbica Feminista (GALF), do ChanacomChana, do Dia do Orgulho Lésbico e da imagem de Rosely Roth com o objetivo de encaixá-los anacronicamente numa suposta resistência das lésbicas à ditadura militar. Assim sendo, sob o signo do espanto, relato, em primeiro lugar, as experiências surreais vividas, desde 2021, com essas tentativas de sequestro, que apelidei de “novelão da armação”, e disseco as ações de seus agentes. Trago nomes, histórias de bastidores e inclusive trechos de cartas da Rosely nesta denúncia. Claro, preferia estar escrevendo uma história bonita, de sororidade, conquistas coletivas, mas me vejo na obrigação de expor – mais uma vez - um festival de baixarias inacreditáveis que demorei para entender em seu conjunto. Dá muita vergonha alheia e constrangimento esse enredo, mas é preciso enfrentar.

Num segundo momento, com vistas a contextualizar as origens do próprio GALF e do Chanacomchana em seu real tempo histórico, político e ideológico, enveredei também por um breve resgate do Brasil dos anos 60, 70 e início dos 80 sob o contexto macropolítico da ditadura militar e da revolução sociocultural e comportamental da Contracultura. Trago depoimentos de vários atores daquela época para caracterizar a importância da Contracultura na mentalidade da geração dos anos 70 no Brasil e de como suas ideias influenciaram o nascimento do Movimento Homossexual tupiniquim, estendendo-se até a formação do próprio GALF. Falo também dos conflitos desse incipiente movimento com a esquerda tradicional e, com texto dessa própria esquerda, demonstro como suas ideias foram amplamente rechaçadas no Movimento Homossexual Brasileiro.

O resultado foi uma miscelânea de relato pessoal, pois sou o alvo central do novelão da armação, com análise política mais ampla, buscando de qualquer forma referendar todas as abordagens com boas fontes.


Capítulo 1: Novelão da armação

Introdução

Deixei a militância presencial em 2009 por exaustão e falta de perspectiva de algo minimamente interessante para fazer no âmbito do ativismo coletivo. De um lado, a população lésbica e sua visão sempre utilitarista dos grupos lésbicos como prestadores de serviços (situação agravada com o advento das ONG) e não como espaços a se agregar na luta pelo bem comum. Do outro lado, a militância já naquela época uma crescente bolha tóxica de múltiplas cooptações que desaguaram nos pós-modernos identitarismos tribalistas e suas tentativas de heterossexualização de lésbicas e gays como vemos hoje.

Após 30 anos consecutivos de militância presencial, tive síndrome de burnout e precisava de um belo respiro ou, também poderia dizer, precisava tirar a cruz das costas. Lembrando que eu não só militei como também produzi 20 anos de publicações: 12 boletins Chanacomchana, 21 boletins Um Outro Olhar, 18 edições da revista Um Outro Olhar, 15 boletins Ousar Viver, sobre saúde lésbica, fora cartilhas e folhetos também sobre saúde lésbica, relatórios de encontros e a versão online da Um Outro Olhar. Em breve, apresentarei meu portfólio detalhado.

Em função desse currículo de ativismo, já a partir dos anos 2000, passei a receber pedidos de entrevistas sobre as publicações que produzi (ChanacomChana e Um Outro Olhar) e os grupos dos quais fui cofundadora (Grupo Lésbico-Feminista - LF, Grupo Ação Lésbica-Feminista - GALF e Rede de Informação Lésbica Um Outro Olhar). E esses pedidos continuaram num crescendo, principalmente da década passada para cá.

De fato, não respondi nem metade deles seja por falta de tempo, ou outras questões pessoais, seja por, sobretudo, me perceber meio esquecida de algumas coisas. Em algumas entrevistas que dei, notei posteriormente que havia trocado datas, nomes de personagens. E ficar preenchendo lapsos de memória com fabulações, como faz tanta gente por aí, nunca foi minha praia. Acho que as pessoas merecem ter acesso a informações bem fundamentadas não a contos da carochinha reciclados e referendados por comadrios e compadrios. Passei então a produzir os textos da série Memória Lesbiana tendo minha memória como guia, mas ancorada em pesquisas no meu próprio trabalho, meu fio de Ariadne, no acervo da Um Outro Olhar e em outras fontes, a fim de servir como levantamento de dados para um trabalho mais amplo de resgate da minha militância e de consulta para as interessadas. Fora, claro, combater tantas reescrituras e usurpações da história da organização lésbica brasileira que não param de crescer. O relato que se segue também faz parte desse esforço naturalmente.

De qualquer forma, nos últimos anos, dei algumas entrevistas, entre elas para umas gurias que viriam a formar o autointitulado Arquivo Lésbico Brasileiro (dei entrevistas para 4 delas que fizeram suas teses parcial ou integralmente sobre meu trabalho seja como ativista ou como produtora do Chanacomchana e do Um Outro Olhar). No início de 2021, recebi convite para o lançamento do tal arquivo. De cara, já achei um pouco estranha a aparição súbita desse arquivo, formado por gente que acabava de receber títulos de mestrado. Conheço arquivos lésbicos desde os anos 80, e eles sempre surgiram a partir da própria comunidade lésbica de forma bastante orgânica e gradual. Mas tentei pensar positivo, achando que poderia já haver uma história se desenrolando antes do empreendimento vir a público.

Entretanto, quando comecei a ler as teses dessas gurias, onde constavam minhas entrevistas, entre outras, a estranheza só foi aumentando. A primeira estranheza foi em relação à abordagem especulativa sobre a Rosely Roth e seu falecimento. Uma querendo fazer perfil da Rosely com gente estranha a ela, outra me entrevistando em tese que seria sobre o GALF, mas indo colher depoimentos com integrantes do lésbico-feminista (coletivo que precedeu o GALF) e ativistas lésbicas da década de 90. No meio do texto, de novo especulações sobre a morte de Rosely junto sabe lá a quem que teria lidado com a situação (de sua doença), com “narrativas sugerindo diferentes formas de abordar o problema individual e coletivamente e a existência de mágoas que ainda perduravam”. Considerando que não havia grupos lésbicos no Rio no final da década de 80 e que Rosely, no seu último semestre de vida em 1990, ficou afastada de espaços de militância (como deveria ter sido feito desde o início de sua ida ao Rio), de onde apareceram as tais “narrativas de formas de lidar com o problema e sobretudo de mágoas que ainda perduravam”? Quem tinha que lidar com os problemas da Rosely eram os psiquiatras e terapeutas que dela tratavam, e mágoa é um sentimento por algo que nos feriu diretamente. Não existe mágoa alheia. Luto produz tristeza apenas. Muito estranho.

A essas alturas eu também já havia notado a aproximação dessas gurias da personagem Marisa Fernandes (do Coletivo de Feministas Lésbicas) que aparecerá muito neste relato. E onde Fernandes aparece, direta ou indiretamente, sempre rola alguma coisa escusa, fraudulenta e não raro caso de polícia. Ela é uma espécie de ISO 9000 ao contrário. E não deu outra. Finalmente eu cheguei à tese de uma das integrantes do arquivo, chamada Carolina Maia (hoje se diz Caio) que fez seu trabalho integralmente em cima dos meus boletins Um Outro Olhar. Em sua tese, ela enxerta, sem relação com os boletins, uma reciclagem do infame depoimento de Fernandes em outra tese onde a velhaca me acusava de ter sido responsável pelos problemas psiquiátricos da Rosely, por haver me separado dela (sic), o que a teria levado ao suicídio. Apelidei essas teses de “teses-armação”.

Dissecando a primeira tese-armação

Para entender como esse tipo de baixaria foi parar em teses, há que se rebobinar a fita para o início dos anos 90. Já tendo tomado um engov, descrevo então o primeiro capítulo da novela sórdida urdida por Fernandes, que uma psicóloga minha conhecida, para quem descrevi o perfil da citada criatura, disse se tratar de alguém com traços de psicopatia (mente como quem respira, manipula as pessoas para obter vantagens pessoais e prejudicar os outros, índice de maldade elevado). Só um aparte porque, pessoalmente, não me interessa se a figura é caso de psiquiatra, de descarrego ou daquela justiça rápida e rasteira que se faz nas periferias do Brasil. Problema é ela ter me pegado para bode-expiatório de sua cabeça machista e recalcada ao longo da vida e como isso precisa ter um paradeiro.

Tive raros contatos com Fernandes na década de 80 porque o que nos aproximava, o Grupo Lésbico-Feminista (LF), se desfez em meados de 1981, e ela deixou a militância lésbica para ir viver, a princípio em casas comunitárias de um hippismo tardio em Riacho Grande (SBC) e Maromba (RJ). Finda essa fase, retornando a Sampa, migrou, como outras ex-LFanas, para o armário do clube alienado e covarde que as feministas homossexuais armaram, dentro do movimento feminista, a partir do qual pregavam a despolitização da questão lésbica reduzindo-a à opção sexual a ser vivida no privado.

Ao contrário do que disse em entrevistas e artigos, portanto, Fernandes nunca esteve no GALF (Grupo Ação Lésbica-Feminista), embora não tenha feito outra coisa, desde que retornou à militância na década de 90, a não ser tentar se meter a fórceps num grupo pelo qual de fato nunca teve qualquer interesse quando vivo (graças a Zeus). Retomando, então, tive raros contatos sociais com ela durante a década de 80, pois nossas vidas tomaram rumos diferentes. Entre esses raros contatos, o último e o único mais prolongado foi em 1988 quando logo me vi envolvida em mais um dos barracos dos quais Fernandes sempre foi pródiga, barraco potencializado por seu costumeiro consumo de drogas. Foi então que lhe dei um belo “chega pra lá”, nela e em outra sua parceira também junkie de merda e igualmente barraqueira.

Seja como for, tratou-se de um incidente doméstico, como tantos outros que acontecem todos os dias entre zilhões de seres humanos, do qual qualquer pessoa minimamente equilibrada esquece em pouco tempo. No caso de Fernandes, porém, parece que meu “chega pra lá” lhe feriu fundo a masculinidade tóxica, tanto que resolveu usar inclusive o movimento de um dos grupos mais vulneráveis da sociedade, que são as lésbicas, como palco para a purgação de seu eterno despeito.

Embora, durante a década de 80, desdenhasse da organização lésbica e mesmo da produção do Chanacomchana, no ano seguinte ao nosso entrevero, durante o X Encontro Nacional Feminista, realizado em Bertioga (SP), entre 14 e 19 de setembro de 1989, Fernandes participou de reunião específica de lésbicas, onde entre outras coisas, como vieram me reportar, queria saber o que seria feito do acervo do GALF porque achava que, com a doença de Rosely, o grupo não continuaria. Rosely adoeceu em outubro de 1987, e o GALF continuou existindo oficialmente até março de 1990 porque quem o sustentava eram os boletins Chanacomchana e Um Outro Olhar, que eu produzia, não nossa porta-voz. E não terminou tampouco por causa de Rosely que faleceu meses depois do fim do GALF. No boletim Um Outro Olhar 17 do inverno de 92, p.13, para dar uma ideia de há quanto tempo Fernandes apronta - eu já dizia a propósito de um vídeo sobre o movimento de mulheres, Memória de Mulheres, onde ela aparecia:
Depois desse encontro, em 1990, recebi carta da feminista Maria Otília Bocchini informando que ela, Fernandes e outras tinham formado o Coletivo de Feministas Lésbicas (CFL) para levar a questão lésbica exclusivamente dentro do movimento feminista, preenchendo o vácuo deixado pelo GALF. Só iria rever Fernandes, contudo, quando fiquei sabendo que Míriam Botassi (do Centro Informação Mulher-CIM) tinha assumido organizar o IV Encontro de Lésbicas-Feministas e do Caribe no Brasil a partir de abril de 1993. A Rede UOO já tinha sido consultada no final de 1992 e início de 1993 sobre a possibilidade de se fazer esse encontro por aqui, mas dito “não” por não ver estrutura para tal. Duas consultoras do encontro anterior, ocorrido em Porto Rico, contudo, encontraram com Botassi em um encontro feminista na Guatemala, e esta assumiu fazer o evento lésbico no Brasil. Nós, da Rede UOO, e o grupo Deusa Terra fomos conferir aquele fenômeno de feministas homossexuais querendo organizar encontro lésbico internacional no país, já que, até então, nunca haviam feito quase nada pelas lésbicas nem no movimento onde atuavam.

Paralelamente, em maio de 93, o Grupo de Homossexuais do PT (GHPT) entrou em contato com os grupos de gays e lésbicas existentes em São Paulo para organizar o VII Encontro Brasileiro de Homossexuais. Eu de imediato propus a mudança do nome do encontro para incluir a palavra lésbica, com apoio de outras lésbicas da Rede e do grupo Deusa Terra e independentes [1] e dos grupos gays GHPT e Etecetera e Tal. A comissão organizadora submeteu a proposta aos demais grupos LG do país que, em sua maioria, também aprovaram a mudança, passando o encontro a se chamar de VII Encontro Brasileiro de Lésbicas e Homossexuais, não sem antes enorme polêmica.

[1] As ativistas lésbicas que organizaram o VII EBLHO foram Luiza Granado e Míriam Martinho (pela Um Outro Olhar), Célia Miliauskas e Cristina Matsubara (pelo Deusa Terra) e Monica Pita (independente). 


Ficamos, então, no ano de 1993, de observadoras do encontro das lésbicas, onde as coisas não andavam, e de protagonistas do encontro LG, onde, apesar da polêmica sobre a alteração do nome, tudo foi se encaminhando a contento. Culminou, em setembro de 1993, num encontro bem-sucedido e histórico, considerado um divisor de águas, o renascimento do movimento homossexual no país, rebatizado de movimento de gays e lésbicas e, depois, em 1995, de gays, lésbicas e travestis. Posteriormente a letra L passou a iniciar a sigla, embora só a letra, não as lésbicas.

Ao final do VII EBLHO (4 a 7 de setembro), estávamos superfelizes com o sucesso do evento, mas exaustas pela trabalheira. Decidimos, então, nós, da Rede, e o grupo Deusa Terra deixarmos a organização do encontro lésbico latino-americano para Botassi, o CFL e outras que estavam descansadas. Mas eis que então Miriam Botassi aparece em meu apartamento, aquele mesmo onde ela havia mandado despejar a biblioteca e o material do GALF, em 1985, para pedir que a gente não deixasse a preparação do encontro porque ela não teria condições de organizá-lo com a “louca” da Marisa Fernandes (palavras dela). Resistimos o quanto pudemos: repetimos o quanto estávamos cansadas, as gurias do Deusa Terra idem. Botassi então pediu licença para usar o telefone e ligar para uma das integrantes do Deusa Terra a fim de convencê-la também a não desistir da organização do evento. Insistiu na ladainha de que não precisaríamos pegar no pesado, apelou para a causa lésbica (esta não seria a última vez que eu cairia nessa conversa mole de “causa”) e nos constrangeu a voltar, já que havia dado força para a inserção da palavra lésbica no VII EBLHO, cedera o espaço do CIM para as reuniões da comissão organizadora do encontro. Acabamos voltando então só para nos darmos conta de que Botassi queria era simplesmente desviar as atenções da “louca” dela para nós, como de fato aconteceu durante o restante de setembro de 1993.

E tudo continuou sem rumo, com as figuras mais preocupadas em discutir as mazelas do movimento feminista do que encaminhar minimamente um esboço do que poderia ser o tal encontro em pauta. Como haveria uma reunião lésbica, em outubro, marcada para um encontro feminista em El Salvador (6º EFLAC), nós, da Rede, fomos ao evento e relatamos a situação precária da comissão organizadora, apresentamos uma carta com os nomes dos grupos que a compunham, omitidos por Botassi anteriormente, e pedimos apoio das integrantes das comissões organizadoras pregressas a fim de salvar o encontro no Brasil. Míriam Botassi ficou mais pálida do que cera ao ter que simplesmente conversar com as ativistas lésbicas latino-americanas num encontro informal no quarto de uma delas.

Depois, numa reunião aberta, no gramado da pousada onde foi realizado o encontro, concordou com a criação de um comitê regional para apoiar a organização brasileira e quem sabe ajudar a mediar seus conflitos. Botassi e sua acompanhante, Alice de Oliveira, concordaram com o comitê, mas, de volta ao Brasil, na primeira reunião que tivemos, em 28/11/93, Botassi declarou sua saída da comissão organizadora, por não estar de acordo com o Comitê Regional (sic), por não aceitar ser mandada por “aqueles paízinhos (em referência à Costa Rica e a Porto Rico)” nem com os rumos do encontro (como se o encontro tivesse tido rumo alguma vez). Com ela saíram também as integrantes do CFL, não sem antes promover um grande tumulto.

Nós, da Rede e do Deusa Terra, então nos dirigimos ao comitê regional, descrevendo o ocorrido e, claro, declarando nossa desistência da organização do evento que foi posteriormente assumido pelos grupos lésbicos da Argentina. Teve também um lance cômico das retirantes tentarem fazer o encontro escondido, em 1994, e enviado carta ao comitê regional dizendo que a comissão brasileira não havia se dissolvido. Em junho de 1994, contudo, ao receber carta da comissão organizadora argentina, Botassi remeteu comunicado a grupos de gays e lésbicas e feministas brasileiros dizendo que sofrera um golpe. Mais detalhes da história rocambolesca podem ser lidos na revista Um Outro Olhar 22, p. 11.

Na verdade, Botassi não conseguiu organizar o encontro em São Paulo porque sua monumental arrogância e seu hábito de manipular os outros não permitiu. Nós tínhamos deixado a organização numa boa para ela ir à luta com suas parças e antagonistas. Ela é que veio nos implorar para voltar. Deveria ter se virado com a “louca” da Fernandes para organizar o encontro ou desocupar o copo para outras beberem a água em vez de envolver todo o mundo em suas lambanças. Depois, confirmando sua arrogância, não quis aceitar a mediação de outras ativistas latino-americanas, com ativismo lésbico que ela não tinha, para um encontro que era latino-americano, não brasileiro. Por fim, não obstante ter sido a única responsável pelo próprio fracasso, ela e a mesma Fernandes a quem chamara de louca, vão nos culpar por seu vexame e retaliar.

E a retaliação veio no nível Marisa Fernandes de ser. Na tese de uma mexicana chamada Norma Mogrovejo, amiga de Botassi, segundo depois me informaram, Fernandes vai me responsabilizar pelos problemas psiquiátricos da Rosely entre outras mentiras e absurdos. Eu cheguei a falar com essa “pesquisadora”, no encontro da Argentina, que queria saber da novela da desorganização do IV Encontro no Brasil. Depois, só fui ouvir falar dela quando a carioca Rita Colaço, em 2009, me enviou cópia da citada tese onde a nefasta Fernandes vomitou sua maledicência. 

Traduzi o trecho principal da baixaria para desconstruí-lo com ajuda da própria maléfica. Cumpre adiantar que Fernandes inventou toda a história abaixo, convenhamos, porque não vale o que defeca, não porque seja louca, como dizia a comadre Botassi. Que tenha algum problema psicológico mais sério não há que se duvidar. Nenhuma pessoa saudável passa uma vida perseguindo outra a troco de nada. Mas a loucura real se caracteriza pela incapacidade de a pessoa distinguir o que é real do que não é, de não saber o que faz e diz, portanto, ser inimputável. E Fernandes sabe muito bem o que faz, apenas não tem limites morais. A entrevista abaixo é de 1995 (original aqui):
Em 85 Teca (que era uma grande oradora), Miriam e eu nos separamos por várias razões e Rosely entrou, uma lésbica muito forte, de origem pobre, branca muito combativa. Eu tinha rompido meu relacionamento com Miriam (sic). Rosely e Miriam começaram um relacionamento duas fortes lideranças que foram assumidas publicamente e Rosely foi a televisão num programa de Hebe Camargo, um patrimônio vivo da história da televisão, as pessoas a adoram porque é sincera e no final do programa ela deu a caixa postal. Milhões de lésbicas estavam assistindo e recebemos milhares de cartas dizendo "Eu não vou mais me matar, porque eu sei que não estou sozinha "cartas emocionadíssimas”. Todas elas foram respondidas, nós éramos militantes, demos nosso tempo, fizemos bingo para conseguir dinheiro, fizemos muitas coisas, não tínhamos financiamento, o grupo não tinha recursos, era autossustentável. Tínhamos uma reunião específica para as novas "grupo de identificação".
Bem, a Teca deixou o Grupo Lésbico-Feminista (LF) em outubro de 1980 (ver abaixo a entrevista de Teca ao Mulherio (n. 9, set./out. 1982), e a Fernandes em junho de 1981 (ver entrevista dela abaixo). Só eu e a Rosely que tínhamos sido do LF (Rosely só nos últimos 4 meses do coletivo) seguimos com a militância lésbica e fundamos o Grupo Ação Lésbica Feminista em outubro de 1981. Portanto, eu, Teca e a Fernandes não nos separamos em 1985 por inúmeras razões. Sobretudo, eu não tinha rompido relacionamento algum com essa figura lastimável. Antes de namorar a Rosely, eu namorava a Teca, fora alguns namoricos com outra Marisa, mas essa de sobrenome Fiori. Isso na época do lésbico-feminista (05/79-06/81). E Fernandes nunca esteve no GALF, então, essa história das cartas emocionadíssimas que “nós” recebíamos (ela se incluindo no grupo) nunca existiu. Todo o parágrafo acima é pura cascata.

Entrevista de Teca ao Mulherio (n. 9, set/out 1982)

Comparemos com um trecho da entrevista que a própria Fernandes deu para a tese Trajetória da Imprensa Lésbica No Brasil (1981-1995), de Paula Silveira Barbosa (2019). Nesse trecho da tese (p. 209-210), ela diz a verdade sobre seu afastamento da militância na década de 80, embora minta sobre ter ido se desintoxicar (no entrevero que tivemos em 1988 seu consumo de drogas continuava bem presente). Ela afirma que se afastou de coletivos na década de 80, não podendo, portanto, ter participado do GALF e auferido o impacto da participação da Rosely no programa da Hebe Camargo.
Paula: Agora, o LF, que depois se tornou GALF, teve várias fases, mas você disse que só participou no início. Depois que sai aquela edição especial do Chana, em 81, acontece um hiato. Ele só volta em dezembro de 82, já em formato de boletim. O que aconteceu nesse meio tempo? Foi a partir daí que você se afastou?
Marisa: É, é. (Risos). Acompanhei até o grupo conseguir uma sede própria na rua Aurora (julho de 1981). Depois, eu precisei me afastar, por questões de saúde. Minha questão de saúde era uma desintoxicação mesmo. Eu tava abusando de substâncias psicoativas e álcool. Enfim, tudo o que tinha. Para segurar tanta energia, tanto trabalho, porque eu era bastante ativa. Então, eu estava muito intoxicada e resolvi sair de São Paulo, para fazer essa desintoxicação.
Parei com o ativismo em coletivos, em grupos. Mas quando eu retornei para São Paulo, eu nunca deixei de ir, por exemplo, às reuniões organizativas do 8 de março, mas eu era autônoma.
P: E quando você volta?
M: Ah, que pergunta difícil! Não tenho muita memória. Mas, eu me desliguei de coletivos. Por quê? Porque a gente fazia as reuniões bebendo, fumando e cheirando. Quando a gente saía, sempre tinha alguém que falava: “vamos tomar uma?”. Ou você se desliga um pouco desse social que te leva a tanta dependência ou você faz o seu caminho muito mais difícil. Então, foi uma questão de saúde mesmo, uma escolha que eu tive que fazer. Saí do ativismo coletivo, mas me mantive de forma autônoma. (p.209)
P: É, mas em 90, vem o CFL. E você é uma das fundadoras.
M: Aí já era outra coisa. [...] Bom, aí nós colocamos o nome do nosso grupo de Coletivo de Feministas Lésbicas de São Paulo. Quando a gente foi registrar o grupo, uns quatro anos depois, foi muito engraçado. Por exemplo, o oficial lá do cartório de registro se recusou porque era a contra a moral e os bons costumes.
P: Em 90?!
M: É. Em 1994, em São Bernardo do Campo. (p.210)
Neste outro parágrafo abaixo também da tese da mexicana Norma Mogrovejo, Fernandes parte para a difamação e a calúnia simplesmente, aproveitando-se de uma carta que um punhado de levianas desumanas de um tal fórum feminista do Rio resolveu circular sobre uma suposta omissão de nomes num artigo que fiz para o boletim Um Outro Olhar número 9 a respeito da primeira década da organização lésbica brasileira (1979-1989: 10 anos de movimentação lésbica no Brasil (p.8-17). Aqui se nota que Fernandes se baseou em pura fofoca com a intenção de me desacreditar em sintonia com as levianas citadas que na verdade detestaram foi o conteúdo do artigo porque listava os percalços do GALF no movimento feminista. Detestaram sobretudo a minha conscientização de que não valia a pena estar nesse movimento e era mais producente partir para um movimento autônomo. Um movimento autônomo de lésbicas era uma heresia para elas naquele momento. Como não tinham como rebater o escrito com argumentos, resolveram partir para a baixaria.

Mas vamos desconstruir Fernandes e suas mentiras por partes. Disse a nefasta na “entrevista” à também antiética Mogrovejo que publicou semelhante coisa:
Num 8 de março, Miriam termina com Rosely e Rosely ficou com problemas psiquiátricos e cometeu suicídio.
Eu terminei meu relacionamento com Rosely em outubro de 1987, não num 8 de março. Separações não levam ninguém a ter problemas psiquiátricos que são transtornos do desenvolvimento e da neuroquímica do cérebro das pessoas. As únicas causas externas capazes de promover surtos psicóticos são o uso de drogas ou algum vírus que afete o cérebro do paciente, produzindo, por exemplo, a meningite.

Por outro lado, Rosely já estava se comportando de forma muito estranha antes de apresentar alucinações, vendo bruxas e coisas cintilantes inexistentes, durante o IV Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe, em outubro de 1987, no México. Quando recebi as integrantes do ILIS (Serviço Internacional de Informação Lésbica) em meu apartamento, em setembro de 87, ela já começara a se comportar do nada de forma agressiva e não relacional. Ao chegar ao México, depois de mim, porque havia perdido a passagem, continuou nesse mesmo estado, o que me levou a dizer-lhe um “então, tá, a gente se separa”, considerando que não queria conversa comigo (isso no contexto de uma relação que já tinha um bom nível de desgaste). E ela não estava nem aí com o que falei. Após o surto de fato, as pessoas do encontro se mobilizaram para encontrar uma médica que prescreveu um antipsicótico para Rosely e disse que, quando de volta ao Brasil, ela precisava ser internada e afastada da militância. Quando a trouxe de volta a São Paulo, ela foi morar com a família, a quem avisei do acontecido, mas ninguém levou muito a sério o relato até que outros surtos acabaram por fazê-los cair na real. Segue a infame Fernandes:
Antes do suicídio, Rosely conta às feministas do Rio uma série de histórias de Miriam que deixam as feministas assustadas, não sabemos se eram verdadeiras ou não porque ela estava em tratamento psiquiátrico.
Em 2 anos e 10 meses, desde outubro de 1987 até agosto de 1990, Rosely teve 5 internações psiquiátricas. Quando surtada, dizia e fazia as coisas mais sem noção porque estava doente. E qualquer pessoa que não fosse cega podia perceber isso ao lidar com ela, ainda que houvesse divergências sobre seu diagnóstico preciso. Segue trecho de carta dela para mim, datada de 7 de março de 1990, quando estava internada no Instituto Bairral, em Itapira (SP). Ocultei o nome da feminista a quem ela se refere, pois nem sei se está viva ainda. Rosely se refere ao momento anterior a sua nova internação, em função de mais um de seus surtos. Transcrevo (original aqui):
Eu falei bobagens de você na casa da Vera. Aí estamos em família. Quando fui ao fórum feminista, acabei não entrando no fórum. Fiquei numa outra sala com a xxxx e outras poucas mulheres. Nesta ocasião eu falei que você e a Vera eram dois machões. E falei mais da Vera ou somente da Vera. Não falei de ti.
Uma das coisas que, no meu entender pode ter precipitado o suicídio de Rosely, além da doença em si, claro, foi ela ter ido parar no Rio de Janeiro, longe da família e de suas verdadeiras amigas. Quando estava em São Paulo, finalmente medicada, como insistia em militar, participou de algumas reuniões internas do GALF e mesmo se hospedou em meu apartamento um par de vezes. Morava com a irmã, mas a situação estava difícil porque a mana, também lésbica, vivia um fim de caso tumultuado que a presença de Rosely supostamente agravava. Nós chegamos a enviar uma carta para as associadas do GALF solicitando ajuda para uma possível hospedagem temporária de Rosely ou pedindo endereço de pensões para moças com contato para sua irmã Shirley. E teríamos conseguido alguma alternativa, se ela tivesse permanecido em SP.

Mas ela conheceu Vera, provavelmente via boletim Um Outro Olhar, e foi viver com ela no Rio. Infelizmente, contrariando ordens médicas de manter Rosely afastada da militância, Rosely foi parar em um fórum feminista local. Rosely chegou a se hospedar também na casa de uma dessas feministas. Quando soube da história, de imediato disse a Vera que aquilo ia dar merda. Rosely vivia saindo e entrando de surtos e, como relatei acima, dizia, quando fora de si, qualquer coisa que lhe viesse à cabeça, da namorada, de mim, do pai, de todas as pessoas mais próximas a ela. Quando voltava à terra, via medicação, reconhecia que tinha falado bobagens, como visto.

Claro que gente minimamente razoável não vai usar o que fala uma pessoa nessa condição para politicagem. Entretanto, leviandade é o que nunca faltou nesses ditos movimentos sociais tanto hoje quanto ontem. Na mesma roda de conversa paralela ao tal fórum, pregressa a uma de suas internações, onde admitiu ter dito bobagens (vide carta acima), Rosely também afirmou que não havia gostado do meu balanço da primeira década, publicado no boletim UOO 9, porque não a citava. Tratou-se de uma fala até banal perto do que costumava proferir, mas que só podia ser entendida dentro do contexto de sua doença, já que, nos vários históricos que fiz, desde o grupo lésbico-feminista, e principalmente no GALF, nunca citei ninguém, e ela nunca havia se incomodado. Aliás, ninguém nunca havia se incomodado porque raras tinham militado e mais raras ainda queriam aparecer publicamente como lésbicas.

Com a abulia, ou seja, a incapacidade para fazer as coisas, causada pela esquizofrenia, Rosely provavelmente temia que suas ações passadas desaparecessem também, já que não conseguia mais produzir. Muito improvável que isso acontecesse, porém, porque, mesmo que eu não tivesse preservado sua memória, fora uma figura pública e, cedo ou tarde, seria resgatada do limbo.

Aliás, quem de fato tentou metê-la no limbo, de 2003 até ontem, foram exatamente algumas das feministas da mesma turma que, no início de 1990, usou esse comentário banal dela como pretexto para me retaliar pelo retrato nada auspicioso que fiz da trajetória do GALF junto ao movimento feminista e por falar num movimento lésbico autônomo. Prova maior da desonestidade dessa carta, supostamente em protesto pelo apagamento de gente da história, foi exatamente toda a campanha que essa mesma turma fez contra o Dia do Orgulho Lésbico, lançado em abril de 2003, entre outras coisas, em homenagem à memória da Rosely Roth. Em agosto de 2006, eu dizia no texto Dia da visibilidade lésbica: 36 anos de uma história mal contada e sem registro.
No entanto, fica muito difícil para as promotoras do dia da visibilidade lésbica explicar por que elas não celebram a primeira manifestação de visibilidade lésbica ocorrida no Brasil em 1983. Fica difícil explicar por que não celebram a memória da ativista (Rosely Roth) que encarnou – como ninguém – o conceito que essas pessoas têm de visibilidade lésbica. Melhor apagar todos esses incômodos questionamentos apagando a lembrança do evento que os origina.
Voltando, numa carta-circular, assinada por gente minha desconhecida (só reconheci três das figuras), essas feministas (?), que nunca haviam levantado uma palha pelas lésbicas no MF, que inclusive viviam dando piti por nossa insistência na visibilização da questão lésbica no feminismo, resolveram me dar lição de moral (com que moral, né?) sobre uma suposta omissão de nomes de ativistas lésbicas (na verdade de comadres delas do ex-LF que submergiram no armário feminista), no balanço da década de 80 (1979-1989: 10 anos de movimentação lésbica no Brasil (p.8-17). A coisa é tão patética que elas citaram a Rosely, uma figura pública, ao lado de nomes de mulheres sem sobrenome que eu supostamente teria deixado de revelar, leviandade da qual Fernandes, que parece até vilã de história em quadrinhos de tão mau-caráter, vai se aproveitar no “relato” à mexicana Mogrovejo:
Em seguida, Miriam publicou um artigo em uma revista tentando resgatar a história do movimento lésbico e omitiu a participação de várias mulheres que foram fundamentais na história e que causou grande desconforto nas feministas do Rio de Janeiro que se sensibilizaram, dando apoio a Rosely e escreveram um artigo respondendo a Miriam que o movimento não foi feito apenas com sua participação e colocou o nome de todas no plural: que o movimento foi feito com muitas Marisas, muitas Roselys, Marias, Tecas e um repúdio a esse artigo foi feito.
Pelo que lembro, a maioria citada eu sequer soube quem era e das que presumi reconhecer só uma, Silvana, me pareceu ser Silvana Afram, fotógrafa do grupo lésbico-feminista, porque o nome não é tão comum. As outras que supus reconhecer citadas no plural foram, das Teresas, provavelmente a Teca, das Vilmas, a Monteiro? e das Marisas sabe-se lá quem (já que houve 4 Marisas no LF e das quatro apenas uma, a Fiori, não se meteu no clube das comadres feministas homossexuais do armário. Nunes, Sanematsu e Fernandes se meteram direitinho. Basta lembrar que Fernandes dizia não ser possível organizar lésbicas no Brasil em setembro de 1987).

Então, supondo que houvesse algo realmente de escuso em citar só fatos e nomes de grupos em históricos, de que adiantaria colocar o nome de Teresas, Vilmas, Marisas e mesmo Silvanas sem sobrenome? Como isso as identificaria? Quantas mulheres são conhecidas com esses prenomes? Vale lembrar que a maioria das lésbicas que escrevia no Chana usava só o prenome exatamente porque assim não seriam identificadas. Eu mesma só passei a usar meu segundo nome a partir do boletim Um Outro Olhar 3, embora, no estatuto do GALF, ele conste lá por completo. Então, as fulanas me cobraram citar nomes de pessoas que elas mesmas não se deram ao trabalho de individualizar? O mundo ainda deve o Guiness da cara-de-pau para essas senhoras, sendo delicada.

Mas, vamos, de qualquer forma, dar uma olhada a quantas andava a visibilidade da Fernandes e da Teca em 23 de junho de 1991 para conferir se haveria alguma sombra de razão na cartinha falaciosa. Na matéria abaixo, da Folha de São Paulo, publicada no boletim Um Outro Olhar, pode-se conferir que a Teca tinha entrado no armário de tal forma que nem o apelido ousava colocar publicamente. Apareceu só como T., e a opção pela invisibilidade está ali bem declarada. No caso da Fernandes, já revelando seu pendor para as falsas identidades, ela aparece como Marisa Gonzales e sua namorada, a Rosana Zaiden, como Rosa.


Pois, então, se Fernandes não se assumia publicamente em junho de 1991, como poderia estar reclamando de supostamente ter sido omitida num texto do final de 89?

Continuo com o final do depoimento infame.
Uma feminista de São Paulo me ligou para contar sobre o artigo do Rio e me pediu para falar com outras líderes para fazer outro artigo, eu não fiz isso, ninguém mais fez e Miriam começou a me odiar porque alguém disse a ela que eu tirei aquele artigo para um 8 de março e eu não fiz isso e agora ela me odeia e diz que eu não tinha participação na história do Movimento.
Bem, eu soube que tentaram passar a carta-palhaçada carioca aqui em São Paulo e que Fernandes participou da iniciativa, como citei no artigo sobre o vídeo Memória de Mulheres, mas nunca ouvi falar que alguém tivesse tentado fazer outro artigo em cima do que já era absurdo. Portanto, Fernandes tirou essa história de que eu a odiaria, por algo de que não tive conhecimento, do mesmo lugar que tirou a Gonzales com que apareceu na FSP. Aliás, essa história de ódio é mais com ela mesma, que o tem como combustível de sua vida medíocre. Idem para a história de que eu teria dito que ela não tinha tido participação na história do movimento. Ela inventou essa história como outra desculpa para atacar minha credibilidade como real ativista e historiadora orgânica do movimento a fim de poder contar suas mentiras impunemente.

Aqui em São Paulo, de fato, a cartinha leviana deu com a porta na cara. A única manifestação de um grupo feminista sobre a situação envolvendo a Rosely veio do Sexualidade e Saúde quando de sua morte. Foi uma carta de solidariedade a nós pelo falecimento dela porque, sim, quem havia perdido a companheira éramos nós. Aliás, esse coletivo foi o único que se comportou da forma que compreendo o que é ser feminista nessa história toda. Se não me falha a memória, foi por meio de uma de suas integrantes também que Rosely conseguiu ser internada no Instituto Bairral em Itapira, onde deveria ter ficado muito mais tempo.

As feministas da cartinha apenas acrescentaram mais estresse a uma situação que já era dramática por si só. Aliás, criaram mais estresse para a própria Rosely que nada teve a ver com a iniciativa, mas ficou mal comigo e com outras integrantes do GALF, já que usaram suas “bobagens” como pretexto para a carta. Nos seus últimos 5 meses no Rio, segundo me escreveu, a namorada inclusive não quis que ela as contatasse mais. Da mesma opinião eram as psiquiatra e terapeuta de Rosely, conforme ela relatou a Naná Mendonça, uma das integrantes do GALF/UOO à época. Transcrevo trecho da carta (original aqui):
Não estou conseguindo sair na rua sozinha. Vera me acompanha até o local do tratamento. Uma das minhas médicas disse para eu me afastar momentaneamente do feminismo e me concentrar unicamente no meu tratamento. Tenho uma médica que cuida dos medicamentos e outra que é psicoterapeuta. Eu preciso de sua amizade. Não estou bem! Não consigo fazer nada, tipo cozinhar, lavar roupa, etc. Vou me despedindo com um grande beijo para você. Não se esqueça de mim. Me escreva.
Concluindo a dissecação da tese-armação 1, o sórdido “relato” de Fernandes na tese da Mogrovejo, deveu-se à cisma patológica dessa mulher comigo somada ao desejo de retaliação por supostamente tê-la impedido e a Botassi de realizar o IV Encontro Lésbico Latino-americano e do Caribe em São Paulo. (Provavelmente, nunca soube que Botassi a chamava de a “louca”). E, claro, a falta de ética de uma “pesquisadora”, amiga de Botassi, que abriu espaço para pessoas serem difamadas e caluniadas em sua tese baseada em “história oral”.

Infelizmente, só fiquei sabendo dessa tese 9 anos depois de publicada, o que praticamente inviabilizou uma resposta à altura. Mesmo assim quem me enviou uma cópia da tese, a escritora Rita Colaço, me sugeriu que fizesse alguma coisa em 10 de abril de 2009. Disse ela (ver original aqui):
Míriam,
eu fiquei (e ainda estou) profundamente indignada. Me remoeu as vísceras, quando li algo de tamanha sordidez. Ainda mais agora, você me relatando que não deu nenhuma entrevista [sobre o que aparece na tese]. Imagino você, como não deve estar se sentindo.
Jamais toquei no assunto Rosely com você por respeito às presumíveis (em minha imaginação) dores que envolvem perdas, ainda mais em condições de suicídio. Não sabia que tinha tido um relacionamento com ela, apenas supunha. Inclusive imaginava que quando de seu falecimento (cujas circunstâncias somente sei isso que agora você comentou) vocês estivessem se relacionando. Nunca soube que ela morou no Rio, nem que aqui falecera...
Embora não tenha me pedido nenhuma opinião, afirmo que, caso queira, pode escrever à UNAM (universidade da Mogrovejo) fazendo a denúncia. Desculpe o meu envolvimento emocional, mas acho que essa moça bem que merecia um processo ético por parte de sua universidade, a fim de inclusive perder o título de doutora.
Quanto à entrevistada [Marisa Fernandes], bem, você sabe o que pode fazer. Seria interessante inclusive confrontar se, à época em que ela deu esta entrevista já cursava história... Abs,
Mas Colaço não foi de forma alguma, a única a já ter me aconselhado a tratar a “louca” pela via judicial, mesmo porque sua impunidade tem dado espaço a outras sórdidas como ela a repetirem seus feitos como se pode ver abaixo.

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