Um Outro Olhar
segunda-feira, 15 de novembro de 2021
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Leilane Neubarth e atual namorada Gaia Maria se refrescando em queda-d'água (Foto: Reprodução Instagram)
A jornalista Leilane Neubarth, 62 anos, estranhou quando, ao se tornar avó, passou a receber mensagens e brincadeiras de conhecidos com a estereotipada imagem de uma senhora idosa, de cabelo branco em coque, óculos e tricô na mão. “Eu não sou esse tipo de avó. Muitas mulheres que eu conheço também não são”, disse. O estalo a motivou a pesquisar sobre o assunto, com o intuito de criar um programa de TV voltado para o público com mais de 50 anos. Com o isolamento imposto pela pandemia – que atingiu principalmente os idosos –, Leilane, afastada da grade da GloboNews, tirou o projeto da gaveta e desenvolveu O Tempo que a Gente Tem, programa dirigido por Susanna Lira, exibido às quintas-feiras no canal pago GNT. Nele, a jornalista recebe convidados famosos e anônimos e, pela primeira vez, se abre sobre sua vida pessoal. Ela deu a entrevista abaixo para a revista Veja sobre o projeto e o amadurecer no trabalho e no amor.
Por que sentiu a necessidade de fazer este programa? Pois esse público, do qual eu faço parte, não é representado na televisão e na publicidade. Ironicamente, o público 50+ é o que mais assiste televisão e muitos estão aposentados, com tempo e poder aquisitivo para consumir. Entendo que os canais queiram atingir os jovens, mas não podem ignorar o público fiel, que vê novela, que assiste jornal, que mantem esse hábito há anos. Assim, pensamos em um programa em tom de documentário e não reportagem, dividido em quatro partes, com temas como amor e trabalho. A ideia não é dizer como as pessoas devem envelhecer. Não é: “beba água, faça exercícios tantas vezes por semana, olha essa cirurgia plástica”. A ideia é ouvir pessoas e suas experiências, não especialistas trazendo regras.
Existe a ideia de que o envelhecer é mais difícil para a mulher. Concorda? Na verdade, não. É curioso que ao falar de envelhecimento, logo pensam na aparência. Mas essa não é uma temática da série. Esse é um assunto que preocupa mais as mulheres no pré-envelhecimento, não tanto as que já estão no envelhecimento. Existem coisas mais importantes que falar de rugas. Para os homens, por exemplo, um grande dilema do envelhecer é a perda do poder que muitos costumam ter na vida profissional, mas não se reflete dentro de casa. Se tudo der certo, quero fazer uma segunda temporada voltada para o público masculino.
Qual foi a grande mudança na sua vida após os 50? Foi na vida amorosa. Eu não tinha a menor ideia do que viria a acontecer comigo na maturidade. Me casei com o primeiro marido aos 20, me separei aos 26, e, aos 28, me casei com meu segundo marido. Tive dois filhos, um de cada casamento. Com meu segundo esposo, vivi 22 anos casada. A relação sofreu um desgaste grande e nos separamos. Eu sofri muito, tinha planejado minha vida com ele, envelhecer com aquele homem. Lembro que, na época, falei para minha terapeuta: “cara, sonhei a vida inteira em envelhecer com um marido, e tudo naufragou”. Ela respondeu: “talvez seja melhor você sonhar com outras coisas, porque esse sonho aí já não rolou. A menos que você queira ser infeliz pelos próximos 30 anos”. Paralelamente, aconteceu uma coisa totalmente inesperada: aos 52 anos, eu me apaixonei por uma mulher.
Leilane e Gaia Maria em shopping da zona sul do Rio
Isso não havia passado por sua cabeça antes?
Não, nunca imaginei que me apaixonaria por uma mulher. Algumas pessoas me falavam: “Ah, então você sempre foi gay e foi infeliz porque era casada com um homem”. Não! Eu era feliz com minha vida sexual, amorosa, matrimonial. Só que aí eu me separei e, de repente, as coisas começaram a acontecer e surgiu essa outra emoção, outro sentimento, uma outra atração que eu nunca tinha pensado. Se me perguntam: “Você nunca teve tesão em mulher?”. Não, não tinha. Acho que foi algo que surgiu num momento em que eu estava priorizando a delicadeza amorosa e a harmonia. Então, de lá pra cá, eu venho tendo relações homossexuais.
E está feliz? Muito, muito feliz. Mas se você me perguntar “vai ser assim a vida inteira?”, não sei. Eu parei de fazer planos, porque o plano que não se concretiza nos frustra. Sem planos, sem frustrações (risos). Hoje tenho uma namorada, estamos juntas há pouco mais de um ano.
Como jornalista, dona de uma postura impessoal e acostumada a ouvir entrevistados, como foi se abrir sobre sua vida pessoal no programa? Foi estranho, foi bem estranho no começo. Porque pode não parecer, mas eu sou uma pessoa bem tímida. A Leilane jornalista é outra coisa, pergunta, não tem pudor, sobe em carro alegórico, vai na cadeia conversar com presas. Eu não tinha o costume de falar da minha vida pessoal. Acho mais fácil falar dos outros. Mas a proposta da Suzana era que eu me abrisse, pois tenho um lugar de fala na conversa.
Há 40 anos você trabalha como jornalista, no calor de eventos marcantes. Como foi ser afastada durante a pandemia? Nossa, foi péssimo. Foi péssimo. Eu passei por uma montanha-russa de emoções, como todo mundo, né? No primeiro dia em casa, eu chorava, chorava. Quando me deram a notícia, que todos com mais de 60 anos seriam afastados, eu tentei rebater. Disse que era saudável, que eu poderia ser uma exceção, mas não deu. Tive momentos de ficar em casa enlouquecida com o noticiário, com duas televisões ligadas ao mesmo tempo, em canais diferentes, 24 horas por dia. Chegou um momento que eu estava tão intoxicada, que coloquei um limite, com horários para consumir informação. Passei a ler, ver séries e desenvolvi esse programa.
Como foi pisar no estúdio de novo? Nossa, me senti como se fosse a primeira vez que eu botava os pés ali. Eu entrei na Globo aos 19 anos, lembro que meu coração saltava, era uma excitação estar naquele lugar. Agora, de novo, me senti uma criança no primeiro dia de escola. Percebi que tenho medo de ser improdutiva, e que isso é muito comum na velhice. A conclusão que cheguei com esse programa é que a velhice produtiva é o melhor caminho. Existem muitos caminhos, para além de um emprego. Você pode empreender, fazer trabalho voluntário, artesanato, plantar, dar aula. São muitas opções. Eu, por exemplo, fiz um curso de florista. Se eu deixar o jornalismo, já tenho um plano B!
Há 40 anos, oficialmente no dia 17 de outubro de 1981, eu fundava, com Rosely
Roth e colaboradoras, o Grupo Ação Lésbica Feminista (GALF),
estatutariamente sob o codinome de Grupo Ação de Liberação Feminista.O registro do grupo como feminista, preservando a
sigla “GALF”, visava evitar problemas com os cartórios (que costumavam
dificultar o registro de grupos de gays e lésbicas na época) e pragmaticamente
atender nossas necessidades de abrir conta em banco, ter uma caixa postal,
receber dinheiro via vale postal e outras formalidades. Visava também
proteger as lésbicas que nos escreviam
(a maioria no armário), caso tivessem que escrever o nome do grupo por extenso.
O grupo ficaria incomunicável, entre a maioria das sapatas da época, se usasse
a palavra lésbica para esses trâmites institucionais. Outros grupos do período
encaravam o registro no cartório até como parte da luta homossexual, mas nós
avaliávamos que, na relação custo-benefício, não valia o custo. Além disso,
para uma organização que vendia um boletim com o nome “Chanacomchana”,
assumir-se no cartório era o de menos.
Neste resgate, retomo partes do texto 19 de agosto: há 38 anos o GALF invadia o Ferro’s Bar,
onde já abordara a trajetória do GALF, mas trazendo novos dados e
esclarecimentos sobre a hoje histórica e muito mistificada sigla. Neste
texto, busco em particular desconstruir um pouco essas mistificações. Para tal,
entre outras coisas, divido a trajetória do GALF em dois períodos: do início em
outubro de 81 até meados de 1985 e de meados de 1985 até seu final em 1989
(oficialmente em março de 1990).
O período inicial do GALF (10/81 a 08/ 85) corresponde à fase em que a organização
adota o histórico do coletivo que o precedeu, o Grupo Lésbico-Feminista(05/1979-06/1981),
divide sedes com o grupo gay Outra Coisa de Ação Homossexualista e inicia a
produção do boletim ChanacomChana a partir de dezembro de 1982, além de
promover a hoje célebre invasão do Ferro’s Bar. Também é o período em que o
grupo tentou sem sucesso fazer com que o Movimento Feminista incorporasse a
questão lésbica à sua agenda oficial.
O segundo período, de meados de 1985 a 03/1990, corresponde ao fim da
identificação do GALF com seu predecessor LF (pela constatação de que de
fato não houvera uma continuidade real entre os dois coletivos); à perda
das sedes públicas (as reuniões do grupo passaram a ocorrer em meu apartamento);
à maior divulgação do grupo, em particular pelas aparições de Rosely Roth na
mídia impressa e televisiva, à aproximação com o incipiente movimento lésbico
internacional, à participação em encontros lésbicos internacionais e ao
progressivo distanciamento do movimento feminista que culminaria com o fim da
própria organização.
GALF primeira fase (10/81 a
08/85): problemas de identidade
Nos seus primeiros 3 anos e meio aproximadamente (de outubro de 1981 a meados
de 1985), o GALF vai adotar a trajetória do Grupo Lésbico Feminista (LF),
coletivo que o precedeu, fato observável nos históricos que eu mesma redigi nos
boletins ChanacomChana até sua oitava edição (agosto de 1985). Como hoje
existe muita fabulação sobre o GALF, com gente se dizendo integrante do mesmo
sem nunca ter sido, vale aprofundar esse tema, esclarecendo a parte que
possivelmente nos toca nessas mistificações.
A incorporação da trajetória do
Lésbico-Feminista ao histórico do GALF, em seus primeiros anos, se deveu a uma
somatória de fatores, entre simplórios e surreais, que criou uma ilusão de
continuidade em nossas cabeças: a sede que Rosely encontrara, no centro de São
Paulo (Praça da República), onde também nos conhecemos, ter sido pensada para o
lésbico-feminista (que morreu na praia); eu e Rosely termos vindo, a partir de
momentos distintos, desse coletivo; o tempo que separava o fim do LF do início
do GALF ter sido ínfimo (em torno de 4 meses) e, sobretudo, nossa decisão de continuar
com um grupo específico de lésbicas em vez de submergir nossa identidade em
alguma identidade feminista genérica (lero muito em voga na época). Fora também
algum sentimentalismo barato pelo fim do coletivo
anterior.
Vendo em perspectiva, deveríamos ter deixado o Lésbico-feminista morrer em paz
em vez de ter-lhe dado uma sobrevida artificial de três anos e meio. Deveríamos
ter fundado um outro grupo lésbico-feminista, mas com nome bem distinto do
anterior, já que eu e Rosely estávamos também iniciando uma interação (não
estivemos juntas no LF). De qualquer forma, o GALF só vai ter três assinaturas
e uma única identidade: a do cartório, Grupo Ação de Liberação Feminista, Grupo de Ação Lésbico-Feminista
(como aparece nos dois primeiros números do Chana, 82-83) e Grupo Ação
Lésbica-Feminista de maio de 1983 em diante (como pode ser constatado nos editoriais e pequenos expedientes dos boletins Chanacomchana e Um Outro Olhar.
(CCC 3, p.1-2)
Só a partir de meados de 85, nos cai de vez a ficha de que a suposta
continuidade entre os dois coletivos não só nunca existiu de fato como, ao
contrário, na verdade, o que houve foi ruptura entre ambos, ruptura e
abandono. A maioria das lésbicas que participou do lésbico-feminista ou
deixou a militância ou se meteu no armário do heterocêntrico movimento
feminista do período, algumas inclusive agindo paradoxalmente como agentes de
invisibilização lésbica. Em consequência, já nos ChanascomChana de 9 a 12, cessam
os históricos do GALF, onde aparecia incorporada a trajetória do LF (nos
números 11 e 12 do Chana
desaparece inclusive o logo LF), processo que continua nos boletins Um Outro
Olhar, do número 1 ao número 10, também publicados pelo GALF. No final de 1986, num
histórico do ChanacomChana para associadas do GALF, eu já fazia um ajuste de contas
com os fatos e separava o GALF do LF (ver mais no tópico sobre a segunda fase
do GALF) . E, no último histórico do GALF que publiquei no boletim Um Outro
Olhar 9, de novembro de 1989, de fato um balanço da primeira década de
mobilização lésbica no Brasil, 1979-1989: 10 anos de movimentação lésbica no Brasil
(p.8-17), repito essa conscientização aí já para lá de consolidada.
Nesse balanço, o histórico do Grupo Lésbico-Feminista é apresentado como
realmente se deu, de maio de 1979 até meados de 81 (oficialmente até outubro de
1981), e o do Grupo Ação Lésbica Feminista (GALF), a partir de outubro de 81
até seu término extraoficial no final de 1989. Essa separação não foi, claro,
uma negação dos históricos que escrevi nos primeiros números do ChanacomChana,
que incluíam as atividades do LF como parte das do GALF, mas sim um ajuste de
contas com os acontecimentos e uma depuração da identidade dos dois
coletivos que de comum só tiveram mesmo duas ativistas e o termo
lésbico-feminista. Não raro nossos desejos não combinam com os fatos.
Vale salientar outros aspectos distintivos entre os dois coletivos como o contexto
em que se desenvolveram e sua composição. O Grupo Lésbico-Feminista, surge, a
princípio, como um subgrupo do grupo Somos, em maio de 1979, e sofre grande
influência deste em seu perfil. Vai ser, em seu breve tempo de existência, um
grupo fundamentalmente de socialização e
pegação com um núcleo de militância. Nesse sentido, chegou a ter umas 30
mulheres circulantes, mas com no máximo 10 delas tendo algum ativismo real. Vai
emergir no momento de ascensão do primeiro ciclo do movimento homossexual no
Brasil, de 79 a 80, ainda sob os
eflúvios contraculturais, e desaparecer com o início do refluxo desse movimento
em meados de 81. As polêmicas que enfrentou foram relativas a seu posicionamento
no racha do Somos (Lampião, n. 25, p. 8), ao tema da autonomia do movimento homossexual frente às
tentativas de cooptação da esquerda ortodoxa (Convergência Socialista) e ao
impacto de sua entrada no heterossexista movimento feminista do período. Era um
coletivo mal alinhavado, muito anárquico, que não conseguiu adquirir
consistência para sobreviver mais do que dois anos. Apesar de haver mantido uma
única identidade natural, Grupo Lésbico-Feminista (LF), caracterizou-se por ter
mais assinaturas do que tempo de vida, incluindo uma que excluía o termo
lésbico (sic). Foi logo absorvido pelo movimento feminista.
A propósito da questão da assinatura sem o termo "lésbico", no texto Ai, que São Paulo gostoso..., deLeila Míccolis, publicado no Lampião da Esquina 22 (03/1980), p.3, sobrea segunda reunião organizadora do I Encontro Brasileiro de Homossexuais (03/02/1980 em SP), lê-se o seguinte:
Com exceção do BEIJO LIVRE (Brasília) e do GAAG (Rio), todos os demais grupos se fizeram representar: ATUAÇÃO FEMINISTA/SP (Déa e Conceição) AUÊ/ RIO (Leila e Marcelo). EROS/SP (Luis Antônio e Luzia). LIBERTOS/GUARULHOS (Magal e José). SOMOS/RIO (João Carneiro e Yone), SOMOS/SP (Emanuel e Jimmy). SOMOS/SOROCABA (Hilário e Fran).
No mesmo artigo, Míccolis também explica quem era o tal Atuação Feminista-SP, ninguém mais do que o camaleônico Grupo Lésbico-Feminista em mais uma de suas inúmeras assinaturas.
No domingo, o tempo de uma hora estipulado
para o almoço teve de ser um pouco ampliado,
pela demora de atendimento nos barzinhos da
14-Bis. Eu e algumas pessoas do Auê ficamos com
a turma da Atuação Feminista. ex-Lésbico Feminista (tiraram o "lésbico" por repercutir de
forma muito violenta entre as pessoas).
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O GALF, por outro lado, já começou como um grupo autônomo, tendo seu registro
em cartório como ponto de partida. Vai se desenvolver no período de
esvaziamento do movimento homossexual que se inicia em meados de 81 e se mantém
por toda a década de 80. Sempre foi um grupo pequeno, com uma média de 5, 6
integrantes durante sua longa trajetória, e com um perfil fundamentalmente de
estudo e militância. Nada do clima “relações abertas, sexo, drogas e
rock’n´roll” característico do LF, ainda que também tenha formado namoradas em
seu tempo de existência. Perto do LF, o GALF era careta,felizmente. Conseguiu
obter a consistência necessária para sobreviver cerca de longos 8 anos e meio,
sobretudo em função da produção e venda dos boletins ChanacomChana e Um Outro
Olhar. Como desafios, enfrentou o questionamento da identidade lésbica-homossexual
que levava inevitavelmente à desmobilização política, o heterossexismo do
movimento feminista que hostilizava a politização das questões lésbicas, a
perda das sedes públicas, no início de 1985, e o esvaziamento do movimento
homossexual. Foi um coletivo de resistência e vanguarda (num contexto
particularmente adverso) que o movimento feminista nunca conseguiu deglutir. E,
como já dito, teve apenas uma identidade fundamental: Grupo Ação Lésbica
Feminista.
Destaques da linha do tempo da primeira fase do
GALF (10/81-08/1985):
Com o Movimento Homossexual do período, sobretudo na
parceria com o grupo gay Outra Coisa, o GALF desenvolveu várias atividades, com
destaque para:
jun. de 82 (com o Outra Coisa): “Viva a Homossexualidade” (debates sobre
feminismo e lesbianismo e política e desejo; exibição dos filmes “O homem que
deu cria” e “Trotta” na sede dos dois grupos. E debate sobre “homossexualismo e
partidos políticos” no Teatro Ruth Escobar).
ago. de 82: encontro com o psicanalista e filósofo Félix Guattari na
sede do GALF-Outra Coisa.
out. de 82: debate sobre
feminismo e homossexualismo com representantes de todos os partidos políticos
na sede do GALF-Outra Coisa.
9 dez. de 1982: Encontro do GALF e do Outra Coisa e outras entidades
civis com o governador recém-eleito Franco Montoro (o primeiro a ser
diretamente eleito ainda sob o regime militar). Foram reivindicadas, entre
outras coisas, que o Secretário da Segurança Pública pusesse fim às prisões
arbitrárias de homossexuais feitas pela polícia civil e militar e ao Secretário
de Saúde que apoiasse a exclusão do parágrafo 302.0 do Código de Saúde do
Inamps que rotulava o homossexualismo como “desvio e transtorno sexual”.
05 de abril de 1983: Encontro com o Secretário de Segurança de São
Paulo, Manoel Pedro Pimentel, onde reivindicou um tratamento menos
preconceituoso das forças de segurança em relação a gays e lésbicas, repetindo
a reivindicação já feita ao governador.
23 a 29/05/1983: Debate sobre Autonomia e os Grupos Alternativos
com representantes de grupos homossexuais, de feministas e negros. Mostra de
arte gay e lésbica; exibição dos vídeos “A Dama do Pacaembu” e “A Mulher de
Barba”, de Rita Moreira, e do filme alemão “Henrique”. Festa no Teatro Ruth
Escobar
Integrantes do GALF que participaram da manifestação do Ferro's Bar (exceto Liete e Maria Rita)
19/08/1983: Manifestação do Ferro’s Bar– após serem proibidas de vender
o boletim ChanacomChana, no Ferro’s Bar, tradicional ponto de encontros das lésbicas paulistanas e de todo o país, em 23/07/1983 e de distribuir panfleto,
em 13/08/1983, convocando para a manifestação, as integrantes do GALF, com seu
parceiro Outra Coisa, e outros grupos gays e feministas “invadiram” o Ferro’s
Bar e obtiveram dos donos do bar o direito a vender o boletim sem problemas. As
integrantes do GALF que participaram da manifestação foram Célia Miliauskas, Elisete Neres, Luiza Granado, Míriam Martinho, Rosely Roth e Vanda Frias.
Entre os gays identificáveis pelas fotos, Ricardo Calil Cury e Antônio
Carlos Tosta (do Outra Coisa) e Nestor Perlongher, na época do Somos (entre
os gays, há outros atores a identificar nas fotos). As feministas presentes no evento Bete
Feijó, Maria Teresa Aarão (Teca), Sonia Álvarez, Míriam Botassi e Regina
Estela.
Elisete Neres foi uma das integrantes do GALF que participou da manifestação do Ferro's Bar e acaba de partir. R.I.P.
Agosto de 1983
– perda da sede da Rua Aurora, por excesso de atividades no
espaço (sic.). O GALF e o Outra Coisa vão ocupar, durante o segundo semestre de
1983, a sede que fora do Grupo Somos que se extinguira, na Rua da Abolição, Bela Vista, e, de janeiro a março de 1984, um apartamento na rua Teodoro Baima,
na República, perto do início da Consolação. Após a desestruturação do Outra
Coisa, no final de março de 1984, o GALF tenta dividir um espaço com o Centro de Informação Mulher (CIM), de
abril a dezembro de 1984, quando arbitrariamente este grupo despeja o GALF do
local em 21/12/1984 (exemplo de sororidade feminista).
Com o Movimento Feminista do período, o GALF participou de várias
atividades, tais como:
março de 1982 – participação no8 de março, Dia Internacional da
Mulher, com venda de camisetas, distribuição do tabloide ChanacomChana 0 e um
texto sobre a data. Também interferimos para que se colocasse uma cena sobre a
violência contra lésbicas no teatrinho que o grupo SOS-Mulher apresentou no
evento.
início de maio de 1982 – participação no intitulado “happening” do
Ibirapuera, onde o grupo montou uma barraquinha para vender camisetas, livros e
frutas anunciadas com plaquinhas que diziam “coma uma frutinha para transar com
sua vizinha” ou “o enrustimento mata“.
julho de 1982 - participação no IV Encontro Nacional Feminista,
Campinas, São Paulo
Setembro de 82 – Participação do Festival das Mulheres nas Artes onde fez
contatos e entrevistas com feministas internacionais como Antoinette Fouque
(França), Dacia Maraini (Itália) e Kate Millet (EUA). Também passou uma moção
de repúdio contra a proibição da música Franchitude de Francha, pela Censura, e
garantiu que fosse apresentada hours concours.
março de 1983 – participação na organização do 8 de março e da festa
política referente à data no Museu de Arte de São Paulo.
março de 83 – encontro com a feminista Dacia Maraini que voltara ao
Brasil entre março e abril para dar um curso de roteiro na Faculdade Armando
Álvares Penteado (Mulherio, ano III, n. 13, maio/junho de 1983). Em históricos
do GALF consta que esse encontro teria se dado na sede do GALF, mas de fato ele ocorreu no Instituto Italiano (conforme fotos do mesmo).
abril de 1983 – Intervenção
num debate sobre Sexualidade e Violência, do grupo SOS Mulher, ocorrido no
Sindicato dos Jornalistas, onde entramos de máscaras, para simbolizar a
situação da mulher homossexual, e distribuímos o texto intitulado Sobre
Violência, onde conclamávamos o movimento feminista a também defender as
lésbicas.
Setembro de 1984 - GALF consegue passar trechos de texto sobre saúde
lésbica, que também propunha a exclusão do código 302.0, num documento
feminista apresentado durante I Congresso Brasileiro de Proteção
Materno-Infantil no Senado Federal.
Novembro de 1984 – Participação no I Encontro Nacional de Saúde da Mulher,
dos dias 15 a 18 de novembro, em
Itapecerica da Serra.
Destaque do GALF não relacionado diretamente ao movimento homossexual ou
feminista (vale salientar que a participação do GALF em encontros,
congressos, simpósios, etc., foi intensa. Aqui registrei só alguns eventos).
29 de junho de 1985 -Vivências
Lésbicas – atividade com
apresentação do filme Liana e do programa Hebe Camargo, com participação
de Rosely Roth, seguido de debate com participação da vereadora Irede Cardoso,
do psiquiatra Ronaldo Pamplona da Costa e da integrante do GALF Rosely Roth.
ChanascomChanas: produzi e editei neste período 8 edições do ChanacomChana,
a saber:
Dez. 82 - publicação do CCC 1
Fev. 83 - publicação do CCC 2
Maio 83 – publicação do CCC 3
Set. 83 – publicação do CCC 4
Maio 84 – publicação do CCC 5
Nov. 84 – publicação do CCC 6
Abr. 85 – publicação do CCC 7
Ago. 85 – publicação do CCC 8
GALF segunda fase (08/85 até 1989):Separando o Joio do Trigo, tornando-se nacional e
internacional
A partir de agosto de 1985, como já dito anteriormente, caiu de vez a ficha do
GALF de que a suposta continuidade entre ele e o coletivo do grupo lésbico
feminista, cujo histórico adotara a princípio, não só nunca havia existido de
fato como, ao contrário, na verdade, o que houvera fora ruptura entre ambos,
ruptura e abandono. Um evento do qual o GALF participou, o III Encontro
Feminista Latino-Americano e do Caribe, ocorrido em Bertioga, região
litorânea de São Paulo, dos dias 31 de julho a 4 de agosto, funcionou como o
estalo que faltava sobre essa realidade. Neste evento, o GALF vai se encontrar com
outro GALF (o Grupo de Autoconsciencia de Lesbianas Feministas), do Peru, com
quem já se correspondia, e organizar uma reunião lésbica ao ar livre perto de
um bar da colônia de férias que acolhia o encontro. Nessa reunião, lésbicas
latino-americanas, do Canadá, EUA e Europa relataram que, para seus respectivos
Movimentos Feministas, a questão lésbica ainda era um tabu, sendo ou
simplesmente omitida ou abordada raramente e de forma superficial. Dessa
reunião, participaram ex-integrantes do LF (Grupo Lésbico-Feminista (05/1979-06/1981), como Marisa Fernandes e Vilma Monteiro, que até deram
seus pitacos, mas não demonstraram qualquer interesse em voltar a ter uma
militância lésbica. Pareciam estar ali a passeio numa reunião social.
Um Outro Olhar
sexta-feira, 22 de outubro de 2021
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Aurore Foursy e Julie Ligot / Arquivo pessoal/Reprodução
Aurore Foursy descreve seu primeiro encontro com Julie Ligot como um dos mais longos da história. Depois de combinar no Tinder, elas se encontraram no apartamento de Julie na sexta à noite e ficaram juntas até segunda. A química foi instantânea.
Foursy era ativista LGBT de longa data. Ligot trabalhava em TI. Ambas estavam na casa dos 30 anos e queriam filhos. Elas logo foram morar juntas, limparam um segundo cômodo em seu apartamento e compraram um berço.
Era lógico para nós construirmos uma família juntas”, disse Foursy.
Graças a um decreto assinado pelo ministro da Saúde da França na quarta-feira (29), seu sonho pode finalmente se tornar realidade. Uma lei aprovada em junho, legalizando os tratamentos de fertilidade para casais de lésbicas e mulheres solteiras, já entrou em vigor.
É um grande passo para a França”, disse Foursy. “Estamos lutando há tanto tempo por esse direito.”
Tratamento de fertilidade
A França está agora entre um total de 13 países na Europa — 11 estados membros da União Europeia, bem como o Reino Unido e a Islândia — oferecendo tratamento de fertilidade para mulheres lésbicas e solteiras. As clínicas de fertilidade esperam um aumento na demanda.
Esperamos 200 pacientes extras por ano”, disse Laurence Pavie, que trabalha como gerente no centro de fertilidade da Diaconesses Croix Saint-Simon em Paris.
O mundo precisa saber que casais de lésbicas e mulheres solteiras são bem-vindos. Tentaremos dar a eles o melhor tratamento possível”, disse ela.
No início deste mês, o Ministério da Saúde anunciou US$ 9,3 milhões (cerca de R$ 50 milhões) extras em gastos com pessoal e equipamento para clínicas de fertilidade, para ajudá-las a lidar com o aumento previsto da demanda.
A ação visa reduzir o tempo de espera pelo tratamento de um ano, a média atual, para seis meses.
Crise de doação de esperma
Para a Dra. Meryl Toledano, que dirige sua própria clínica de fertilidade, essa meta parece ambiciosa.
Somente com o esperma francês, vamos lutar para atender à demanda”, disse ela.
A França não permite a importação de esperma do exterior. E, como a lei proíbe a doação de esperma em troca de dinheiro, a França também luta para ter a quantidade necessária.
A nova legislação também inclui o fim do anonimato garantido para doadores de esperma a partir de setembro de 2022, uma medida que provavelmente aumentará a escassez.
Os números oficiais mais recentes mostram que um total de apenas 317 doações de esperma foram feitas na França em 2019 — ante 386 em 2018 e 404 no ano anterior.
Campanha de informação
A Agência de Biomedicina, um órgão financiado pelo estado, planeja lançar uma campanha de informação online em 20 de outubro em uma tentativa de resolver a crise de esperma.
Doar esperma é uma ação íntima de solidariedade”, disse Helene Duguet, porta-voz da agência. “O primeiro passo é informar às pessoas que essas doações são possíveis e podem ajudar as pessoas a formar famílias. A ideia é incentivar os doadores nos próximos anos.”
Os longos tempos de espera causados pela falta de esperma significam que muitas lésbicas e mulheres solteiras mais velhas planejam continuar fazendo tratamentos de fertilidade no exterior — apesar da nova lei.
Toledano frequentemente recomenda que as mulheres mais velhas deem esse passo.
Na Espanha você consegue esperma em um dia, então os pacientes com dinheiro vão lá. Quem não tem dinheiro tem que esperar seis a 12 meses e corre o risco de não ter sucesso, porque, aos 40 anos, isso tem um efeito enorme na probabilidade de gravidez “, disse ela.
Uma jornada traumatizante
Agora com 38 anos, Marie concebeu um filho por fertilização in vitro na Bélgica em 2015 — quando ainda era ilegal para ela, como lésbica, receber esse tratamento na França.
Foi irritante. Eu pago impostos na França e tenho orgulho de pagar impostos e estou feliz por eles poderem ajudar outras pessoas. Mas eu teria ficado feliz se eu pudesse ter me beneficiado também [de tratamento de fertilidade]”, disse Marie, que solicitou que a CNN não usasse seu sobrenome para proteger a privacidade de seu filho.
Aurore Foursy / Arquivo pessoal/Reprodução
Depois de cinco anos de tentativas fracassadas, desgosto e mais de US$ 52 mil (cerca de R$ 280 mil) em despesas médicas e despesas de viagem, ela foi finalmente recompensada com o nascimento de sua primeira filha, Louise.
Meu primeiro tratamento de fertilidade foi um verdadeiro trauma”, disse ela. “Eu estava frustrada porque não estava funcionando. Eu odiava que outras pessoas tivessem tantas gestações indesejadas ou não planejadas. Fiquei amargurada. Eu odiava as pessoas. Eu me tornei alguém que não queria ser.”
Na esperança de ter um segundo filho, Marie agora foi para a Espanha com sua nova parceira — em parte porque tem medo de definhar em uma lista de espera na França.
Já tenho uma filha e não quero que ela não saia de férias porque estamos tentando dar a ela um irmão ou irmãzinha – e também porque eu não tenho a mesma idade que tinha naquela época “, disse ela.
Além das novas regras em torno da inseminação, a legislação também permite que mulheres na faixa dos 30 anos congelem seus óvulos, um procedimento até então disponível apenas para aquelas em tratamento médico que pode afetar a fertilidade.
A barriga de aluguel, no entanto, continua ilegal, deixando os gays, assim como as mulheres que não podem engravidar, em busca de outras opções ou viajando para o exterior.
Mas para muitos a nova lei ofereceu um vislumbre de esperança.
A luta acabou”, disse Foursy. “Todos têm os mesmos direitos. Todo tipo de mulher tem os mesmos direitos e posso escolher ser mãe ou não sozinha.”
Um Outro Olhar
quarta-feira, 20 de outubro de 2021
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A atriz ainda relembrou o casal lésbico vivido por Fernanda Montenegro e Nathália Timberg em Babilônia e sua repercussão na época - Reprodução/ TV Globo
Prestes a voltar às telinhas em Um Lugar ao Sol, Mariana Lima conta detalhes de sua personagem e ressalta as descobertas que ela viverá durante a história. A atriz, que viverá par romântico de Natália Lage, contou que as cenas de beijo irá acontecer, mas as de sexo estão descartadas:
A gente seria massacrada", contou a intérprete de Ilana na próxima trama das 21h da Globo.
Em entrevista ao jornal O Globo, a artista avaliou a personalidade de sua personagem, Ilana, que se descobrirá bissexual na maturidade e trocará um casamento aparentemente estável com o fotógrafo Breno (Marco Ricca) por um romance lésbico com a médica Gabriela (Natália Lage), uma mulher bem mais jovem.
É uma mulher em crise profunda, porque é heterossexual casada há muitos anos e de repente sente um troço por aquela médica e não sabe o que fazer com isso. Ela não é nada militante, ao contrário, é preconceituosa com ela mesma“, adiantou ela a respeito do papel.
Está prevista, inclusive, uma sequência de beijo entre Ilana e Gabriela.
Vai ter beijo. Gravamos um mais quente e um mais frio, torcendo para entrar o mais quente. Hoje não há espaço para uma cena de sexo entre duas mulheres numa novela. A gente seria massacrada“, acredita.
Em defesa de seu posicionamento, Mariana relembra a repercussão do par de lésbicas da terceira idade, encarnado por Fernanda Montenegro e Nathália Timberg na mal sucedida novela Babilônia (2015).
Ninguém gostava do casal, ninguém queria o casal. Lembro que nas pesquisas ninguém queria ver as duas se beijando“, lamenta.
Um Lugar ao Sol, estreia em novembro na Globo. Escrita por Lícia Manzo, a trama será protagonizada por Cauã Reymond, que fará jornada dupla. O artista viverá os gêmeos Cristian e Renato. Repletos de atores do mais alto escalão, a trama será dirigida por Maurício Farias.
DESABAFO
A atriz Mariana Lima causou nas redes sociais nesta segunda-feira (21) ao usar uma estratégia inusitada para tentar atrair a atenção dos fãs para um comportamento necessário: o uso de máscaras.
De biquíni, ela gravou dois vídeos em que surge sensualizando. Neles, ela pede que influenciadores usem o espaço que possuem para incentivar atitudes cidadãs.
Clipping Mariana Lima avalia papel e afirma que gravou beijo com Natália Lage para 'Um Lugar ao Sol': "Quente", Contigo, 04/10/2021
Um Outro Olhar
segunda-feira, 18 de outubro de 2021
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A princesa herdeira, Catharina-Amalia, de 17 anos Divulgação/Royal House of the Netherlands
20 anos depois da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, na Holanda, o primeiro-ministro, Mark Rutte, confirma que membros da realeza podem casar com pessoas do mesmo sexo, sem que a sucessão ao trono seja condicionada.
A polémica instalou-se após o lançamento de um livro sobre a princesa Amalia, herdeira do trono nos Países Baixos, que dava conta de que apesar de o casamento homossexual ser legal no país desde 2001, leis antigas proíbem o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo que ocupem o trono. No livro não se especula sobre a vida pessoal da princesa, nem há qualquer notícia de que alguém da família real holandesa se queira casar com uma pessoa do mesmo sexo, há apenas uma reflexão sobre situações hipotéticas.
Assim, no sentido de esclarecer toda a situação, até em virtude de um pedido de esclarecimento por parte de deputados do seu partido, na terça-feira passada, dia 12, o primeiro-ministro Mark Rutte endereçou uma carta ao parlamento. Segundo a Reuters, nessa carta, Rutte refere que o governo “acredita que o herdeiro também se pode casar com uma pessoa do mesmo sexo”, afirmando que os tempos mudaram desde que um dos seus antecessores abordou o assunto pela última vez, em 2000.
O gabinete, portanto, não vê que um herdeiro ao trono ou o rei deva abdicar se ele/ela quiser casar com um parceiro do mesmo sexo.”
Relativamente à forma como um casamento gay poderia afetar a linha de sucessão, Rutte deixou claro que não faz sentido tentar decidir isso no presente até porque tal depende dos factos e circunstâncias do caso específico.
Recorde-se que, ao contrário dos restantes casamentos, aqueles que acontecem na família real necessitam de aprovação do parlamento, tendo já acontecido situações em que membros da realeza abandonaram a sua posição na linha de sucessão ao trono para casar com alguém cuja permissão não foi concedida.
Assim sendo, apesar de muitas pessoas presumirem, até então, que o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo não se aplicava à família real, com as declarações do primeiro-ministro fica claro que, de facto, um hipotético casamento da princesa Amalia com uma pessoa do mesmo sexo não seria, de todo, um problema legal.
Clipping Países Baixos: herdeiros ao trono podem casar com pessoas do mesmo sexo mantendo os seus direitos, por Sara Lemos, Dezanove, 16/10/2021
Um Outro Olhar
quarta-feira, 29 de setembro de 2021
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Entre os países da União Europeia que mais desrespeitam os direitos de gays e lésbicas estão Romênia, Polônia e Hungria.
Os casamentos ou uniões civis registrados em um estado-membro da UE devem ser reconhecidos em todos os outros de forma uniforme, e os cônjuges e parceiros do mesmo sexo devem ser tratados da mesma forma que os seus homólogos do sexo oposto”, defendem os deputados. O texto não cria uma obrigação legal, mas foi aprovado por 387 votos contra 161. Houve 123 abstenções. A sessão plenária ocorreu em Estrasburgo, no leste da França.
A maioria dos eurodeputados também exige que "as famílias arco-íris desfrutem dos mesmos direitos ao reagrupamento familiar que os casais heterossexuais e respectivas famílias". "Estas famílias devem ser tratadas da mesma forma em toda a UE" quando se deslocam de um estado-membro para outro.
Os cônjuges de membros da União Europeia, qualquer que seja a nacionalidade de origem, normalmente têm o direito de trabalhar legalmente no bloco, de utilizar o sistema público de saúde e educação, e de acessar os programas sociais do país de residência.
Porém, de acordo com um estudo encomendado pelo Parlamento Europeu em março de 2021, seis estados-membros não reconhecem um cônjuge do mesmo sexo de outro país do bloco para a concessão de uma autorização de residência e, em onze países, os pais legais de uma criança não podem ser duas mulheres ou dois homens. Com isso, a filiação de ambos os progenitores não é reconhecida para as famílias homossexuais provenientes de outro estado-membro.
Romênia, Polônia e Hungria na mira dos eurodeputados
O Parlamento faz um apelo à Comissão Europeia para que tome medidas adicionais (processos por infração, apresentação de recursos e sanções que afetam os fundos europeus) contra esses países", concluem os parlamentares europeus.
(Com informações da AFP)
Clipping Parlamento Europeu exige direitos iguais para casais homossexuais em todos os países do bloco, RFI, 14/09/2021