Lésbica assumida, Ana Brnabic foi eleita primeira-ministra da Sérvia

sexta-feira, 30 de junho de 2017 0 comentários

Ana Brnabic foi escolhida para ser primeira-ministra pelo Presidente sérvio REUTERS/STRINGER

Sérvia quebra barreiras: uma mulher homossexual vai chefiar o Governo

Ana Brnabic junta-se a outros líderes europeus que são assumidamente homossexuais como Xavier Bettel, primeiro-ministro luxemburguês, ou Leo Varadkar, primeiro-ministro irlandês.

É uma dupla estreia para a Sérvia: Ana Brnabic, de 41 anos, é a primeira mulher a chegar ao cargo de primeira-ministra e  também a primeira pessoa homossexual a exercer a função. E este feito ganha destaque por se tratar de um país ainda muito marcado por uma mentalidade conservadora e homofóbica. A deputada foi escolhida pelo recém-eleito Presidente sérvio, Aleksandar Vucic, cujo partido tem maioria parlamentar, sem que este fizesse qualquer comentário sobre seu sexo ou sexualidade mas tendo destacado a sua atitude “trabalhadora, com qualidades profissionais e pessoais”.

Ainda assim, já houve vozes de discórdia quanto à nomeação de Brnabic: o líder de um dos menores partidos da coligação do Presidente, Dragan Markovic Palma, disse que Ana Brnabic “não era a sua primeira-ministra”. E é esta a mentalidade que se vive em grande parte da Sérvia, que é candidata à adesão da União Europeia. A marcha do orgulho gay, por exemplo, esteve proibida durante três anos por questões de segurança, depois de, em 2010, os membros da parada terem sido atacados por militantes de extrema-direita. Voltou em 2014, com segurança reforçada.
Isto é muito importante num país em que 65% dos cidadãos acreditam que a homossexualidade é uma doença e em que 78% acreditam que a homossexualidade não deve ser manifestada fora de casa”, afirmou Goran Miletic, um activista de direitos civis, citado pelo Guardian. “A nomeação de uma lésbica só pode ser uma mensagem positiva”, disse ainda.
Já o cientista político na Universidade de Belgrado, Boban Stojanovic, acredita que isto poderá ser só “para inglês ver” ou, melhor, para europeu ver. 
Não acredito que Brnabic vá liderar ou ter algum impacto da política externa. Isso continuará a ser domínio exclusivo do Presidente Vucic”, disse.
Além disso, Stojanovic crê que esta nomeação pode visar camuflar a realidade. 
A escolha de um membro da comunidade LGBT para primeiro-ministro será usado como um indicador do estado dos direitos humanos e civis [da Sérvia], e isso não corresponde à realidade”, argumentou, citado pelo Guardian.
A escolha de Ana Brnabic acontece na mesma semana em que foi eleito pela primeira vez um gay para o lugar de primeiro-ministro na Irlanda. Leo Varadkar foi ele próprio uma dupla estreia no seu país: para além de ser homossexual assumido, Varadkar é também o mais jovem primeiro-ministro irlandês – e é também filho de um emigrante indiano. Ana Brnabic e Leo Varadkar juntam-se, a nível europeu, a Xavier Bettel, o primeiro-ministro do Luxemburgo, que é assumidamente gay.

Ana Brnabic entrou para o campo da política no ano passado, altura em que foi também a primeira homossexual a ser ministra, responsável por assuntos relacionados com a administração pública. A nova primeira-ministra estudou nos Estados Unidos e tirou um MBA (um curso de administração de negócios) na Universidade de Hull, no Reino Unido, antes de regressar à Sérvia.

Fonte: Público.PT, 16/06/2017

Coach ajuda lésbicas a saírem do armário

quinta-feira, 29 de junho de 2017 0 comentários

Flávia Adura

'Se assume, menina!': Coach ajuda lésbicas a saírem do armário

A paulistana Flávia Adura, 30 anos, é coach. Mas suas orientações têm um foco bem específico: orientar e dar apoio às mulheres que estão enfrentando dificuldade para se assumirem homossexuais. Aqui, ela conta como sua história pessoal ajudou a desenvolver esse trabalho e também como é o dia a dia da profissão

"Mesmo quando é 'tranquilo', o processo de se assumir lésbica é difícil. Eu tinha saído armário aos 23. Foi tardio. Deixei de viver muita coisa, me privei de experiências por medo da reação da minha família e, quando decidi fazer, foi um caminho solitário. Não tive ninguém para me dar apoio. Apenas a amiga de uns amigos que me contou a própria experiência.

Quando finalmente me assumi, foi traumático. A sociedade cobra demais de nós, mulheres. Querem que a gente case, tenha filhos. Então, ao me assumir lésbica eu estava desiludindo todas as expectativas que minha família tinha para mim. E eu me sentia muito mal por isso.

Com a coragem, fui e falei. Cerquei esse momento de muito cuidado, de maneira pacífica, pronta para o que viesse. E no fim, minha família me aceitou. Anos depois, vendo e ouvindo relatos de outras mulheres em grupos de apoio e na internet, percebi que o jeito que eu tinha feito era diferente. Percebi que poderia ajudar outras a fazerem como eu e isso podia ser importante."

E se eu pudesse oferecer o apoio que não tive?

Sou formada em Administração e trabalhei por muitos anos com recursos humanos. Até que descobri o coaching e decidi me especializar. Depois de me formar, em 2012, comecei a atuar como coach de empreendedorismo. Uma empreitada que não deu muito retorno... Acabei voltando para o mundo corporativo.

Em 2015, fui a um evento e o palestrante disse no palco: 'Imagine se tivesse um coach para ajudar a tirar o povo do armário?'. Era uma piada, todo mundo riu, mas aquilo ficou na minha cabeça. Não consegui dormir nas noites seguintes.

'E se essa história tivesse algum sentido? E se eu pudesse oferecer para outras mulheres o apoio que eu não tive quando me assumi?'

Então pensei e botei no papel todo uma estratégia de como poderia juntar meus conhecimentos profissionais e minha experiência pessoal para fazer isso. Surgia assim a 'Butterfly', minha empresa de coach para mulheres que querem se assumir lésbicas, mas estão enfrentando dificuldades. Coloquei o plano em prática com ajuda da minha esposa, a Suellen."

Flávia e Suleen em seu casamento: "É um orgulho 
poder usar minha história para dar apoio para outras 
mulheres poderem viver seus amores como vivo o meu"
Divido todo o processo em 10 seções

"Elaborei um plano de 10 seções, que são, de maneira geral, via Skype. A primeira eu chamo de 'se assume e liberta', que é para nos conhecermos e eu ver se a mulher está realmente pronta para o processo. Ele é dividido em três etapas: a primeira é baseada no autoconhecimento e fortalecimento da mulher.

Nesse primeiro momento, conheço os valores da cliente, o que é importante para ela, fico por dentro de seus pontos fortes e fracos e o que precisa ser trabalhado. É aí que identifico se a mulher ainda tem resquícios de não aceitar sua própria sexualidade e trabalhamos isso. Tento chegar ao ponto em que não é mais negociável a ideia de não sair do armário.

Então começa a fase de planejamento: quando vai se assumir, para quem, em qual ordem, o que vai falar e como. Pensamos juntas também como está sua situação financeira, o que vai fazer se for expulsa de casa - o que é bem comum em famílias conservadoras. Decidimos juntas tudo e criamos uma estratégia baseada na história de sua família e também nas boas práticas que estudei.

Por fim vem a ação. Quando ela realmente vai lá e se assume. Sempre oriento que seja num final de semana e fico a postos, pronta para dar apoio e suporte em qualquer cenário do que acontecer."

Ajudei 35 mulheres a saírem do armário

"Em quase dois anos e meio trabalhando com isso, ajudei 35 mulheres homossexuais. Entre as que me procuram, poucas seguem até o fim. A primeira seção é gratuita exatamente por isso, para saber se elas querem mesmo ir adiante, se estão prontas para topar esse desafio.

Por vários motivos muitas não estão preparadas, desde questões de autoaceitação até financeira. Na verdade, 70% delas é por causa de dinheiro, pois são dependentes da família e não têm como seguir se forem expulsas de casa.

Das que seguem comigo, a maioria são mulheres com mais de 25 anos e que já seguiram o papel que a sociedade impõe para elas, tendo vivido relacionamentos com homens. Tive uma cliente, inclusive, com mais de 50 anos, que foi casada e teve filhos com um homem antes de se assumir. Todas só me procuram quando já não aguentam mais o peso de viver representando um papel."

Muitas homossexuais se 'desassumem'

"O meu trabalho é sempre voltado para o que eu chamo de modo 'paz'. Isso quer dizer que preparo as mulheres para se assumirem de uma maneira pacífica, não agressiva. Isso passa pela postura, tom e escolha de palavras. Muitas mulheres dizem: 'eu sou lésbica, eu sou assim, e se você quiser, me aceita, se não quiser, tudo bem'.

A gente sabe que no fundo é isso mesmo, mas para que falar assim? Para deixar os familiares na defensiva?

Além disso sempre fortaleço as mulheres para lidar caso a família não aceite. Para não gritar, caso gritem, para não ir para o negativo. Porque eventualmente, a família vai ser acalmar e talvez mude de ideia. Até porque uma coisa comum é que, quando a família reage mal, muitas mulheres voltem atrás na decisão, se 'desassumem'. E isso é insuportável."

Não atendo homens

"Meu trabalho é focado só em mulheres. Primeiro porque minha experiência pessoal conta muito, eu consigo entender os dramas e as situações que vivem, porque também vivi. Além disso, eu acredito que as dinâmicas do homem e da mulher são diferentes.

Para nós, existe muito essa coisa do papel da mulher, da mãe de família. Quando um homem sai do armário, a primeira coisa que os pais pensam é: 'meu Deus, meu filho dá o cu'. No caso da mulher é: 'nossa! Ela não foi bem comida'. São outras crenças e preconceitos que precisam ser superados."

Fonte: UOL, por Helena Bertho, 19/06/2017

Stormé DeLarverie: a lésbica negra que deu início à rebelião de Stonewall

quarta-feira, 28 de junho de 2017 5 comentários

24 de dezembro de 1920 - 24 de maio de 2014

Stormé DeLarverie: a lésbica negra que deu início à rebelião de Stonewall

por Míriam Martinho


Nos depoimentos dos presentes à 01:20 da madrugada, do dia 28 de junho de 1969, no bar Stonewall Inn, há consenso sobre quem atuou como estopim da famosa revolta de lésbicas, gays, drags queens e kings contra os abusos da polícia. Segundo as narrativas, foi uma lésbica butch (sapata, bofinho) a iniciadora da revolta que virou marco do moderno movimento pelos direitos homossexuais. Essa lésbica foi agredida por um policial com um cassetete, o que a deixou sangrando, e reagiu desferindo um soco em quem a atacara. Foi algemada e arrastada para o camburão, mas conseguiu se desvencilhar várias vezes, em uma luta que durou 10 minutos. Enquanto era arrastada definitivamente para o veículo da polícia, virou-se para a multidão, aglomerada em frente ao bar, e bradou: “Por que vocês não fazem alguma coisa?” Assim que um policial conseguiu empurrá-la para o banco detrás do camburão, a multidão respondeu à sua pergunta se tornando uma turba incontrolável. Nascia um momento histórico.

25 homens e uma garota chamada Stormé DeLarverie

A identificação dessa sapata que incitou a multidão à luta é matéria sujeita a disputas, mas prevalece a versão de que ela tenha sido Stormé DeLarverie. DeLarverie era uma lésbica mestiça (ou negra, pelos padrões americanos) nascida em 1920, em Nova Orleans, filha de mãe negra e pai branco, que seguiu carreira artística como cantora, apresentadora e mestre de cerimônias, apresentando-se nos palcos do Apollo Theather e Radio City Music Hall.

Stormé DeLarverie, como drag king, entre as drags queens da trupe The Jewel Box Revue

Fez a princípio o modelito feminino, como cantora, mas se destacou mesmo foi atuando, durante os anos 50 e 60, como drag king, com a trupe The Jewel Box Revue. Foi a única mulher do grupo formado basicamente por homens. Isso numa época em que fazer cross-dressing era ilegal, e as pessoas podiam ser presas por não usar roupas do “gênero apropriado”. O grupo se identificava como personificadores de mulheres e homens (female and male impersonators) e impressionistas femininos ou imitadores de mulheres (feminine impressionists and femme mimics)

Os maiores personificadores de mulheres do mundo

Stormé DeLarverie nunca buscou crédito como catalizadora de um movimento histórico, mas muitas pessoas a apontaram como a legendária lésbica que conclamou lésbicas, gays e drags à ação. Muitas lembraram também das palavras que gritou com todas as forças para a multidão e que incitaram a rebelião de Stonewall. Quando entrevistada para o livro de Charles Kaiser “The Gay Metropolis: The Landmark History of Gay Life in America (1997)”, DeLarverie relembrou o soco que deu no policial que a agrediu e das palavras que endereçou à multidão.



Por essa razão, entrou para a História como a Rosa Parks da comunidade homossexual, uma honrosa referência à costureira negra que se recusou a ceder seu lugar para um branco, em um ônibus, foi presa e fichada por isso e, com seu gesto de resistência, desatou um boicote à companhia de ônibus que a discriminara, boicote, por sua vez, deflagrador do movimento pelos direitos civis dos negros americanos. No caso do movimento pelos direitos homossexuais, exatamente um ano depois de Stonewall, em 28 de junho de 1970, foi organizada a primeira parada do orgulho de gays e lésbicas, partindo de um ponto de concentração entre a Sixth Avenue e a Waverly Place. Muitas outras se seguiram nos EUA. Hoje, há paradas pelos direitos homossexuais em todo o mundo.

Após deixar a carreira artística, Stormé DeLarverie também serviu à comunidade lésbica, por décadas, como vigilante voluntária das ruas onde se situavam os bares lésbicos em Nova York. Foi também porteira de muitos deles. Ela patrulhava esses locais para – como dizia afetuosamente – manter suas garotas seguras. DeLarverie era andrógina, alta, bonita e andava (legalmente) armada. Trabalhou como vigilante até os 80 anos, quando se aposentou no início dos anos 2000. Apesar de sua importância histórica, Stormé DeLarverie passou seus últimos anos meio abandonada pela comunidade pela qual tanto fez. Morreu dormindo, no Brooklyn, no dia 24 de Maio de 2014, mas estará sempre viva em nossas memórias como a legendária lésbica que deu início à rebelião de Stonewall.

Stormé DeLarverie
Notas 

1. Alguns depoimentos afirmam que, ainda dentro do bar, outras sapatas já teriam saído no braço com a polícia antes da icônica lésbica ter sido arrastada para o camburão.

2. Ativistas transgênero vêm dizendo ter sido trans as pessoas que iniciaram a rebelião de Stonewall (sic), mas trata-se de fabulação. No famoso bar, havia lésbicas e gays, sendo que alguns eram drag kings e queens. O termo transgênero foi popularizado somente na década de 70 pelo crossdresser Viriginia Prince e, sobretudo a "identidade trans", só entra em circulação no mercado das ideias a partir da década de 90. Como se pode observar pelas imagens, mesmo em drag, eles se definiam como homens e mulheres e como personificadores de mulheres e homens e não como trans.

Fontes: Stonewall Riots BigBooButch HuffPost

O Mapa da Homofobia em São Paulo

quarta-feira, 14 de junho de 2017 0 comentários



O Mapa da Homofobia em São Paulo

Em dez anos, 465 vítimas – uma a cada semana, em média – procuraram ou foram encaminhadas à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) para registrar uma queixa de crime motivado por homofobia em São Paulo. Dados exclusivos obtidos pelo G1 por meio da Lei de Acesso à Informação mostram a radiografia dessas denúncias.

INTRODUÇÃO

São 393 boletins de ocorrência registrados – feitos durante os dez anos de existência da Decradi, que, em sua essência, investiga crimes sem autoria conhecida.

A delegacia especializada, criada em 2006, foi idealizada anos depois de o adestrador de cães Edson Neris da Silva ser assassinado por um grupo de skinheads na Praça da República, no Centro da capital, por ser homossexual. 

Nesses dez anos, foram investigados casos emblemáticos, como o do atentado a bomba na Parada Gay que deixou mais de dez feridos em 2009. Neste domingo (18), a Avenida Paulista será palco da 21ª edição da Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis). 

O MAPA

O mapeamento feito pela equipe de reportagem mostra todos os casos registrados na Decradi motivados por homofobia.

No mapa, é possível ver detalhes de cada vítima e o respectivo boletim registrado, com o ano, a localidade, a natureza da ocorrência, o sexo e a idade. O levantamento inédito permite identificar onde ocorrem os casos de homofobia na Grande São Paulo.

Para mapeá-los, o G1 teve de fazer um trabalho em parceria com a delegacia que durou mais de quatro meses. Isso porque foram fornecidos pela Secretaria da Segurança Pública à equipe, após o pedido via Lei de Acesso, todos os boletins de ocorrência da Decradi (quase mil), sem diferenciar qual tinha a homofobia como motivação. Foi feito, então, um trabalho minucioso para chegar a cada caso envolvendo o público LGBT na década. 

Do total de boletins de ocorrência feitos de 2006 a 2016, 219 viraram inquérito na delegacia especializada – 55% do total. Não há, no entanto, casos de homicídio mapeados, já que a motivação desse tipo de crime só é conhecida durante a investigação. 

Um outro agravante (também para as estatísticas) é que a homofobia ainda não é crime no Brasil. Ou seja, as denúncias são enquadradas de acordo com a tipificação do crime correlato. São casos e mais casos de injúria, ameaça, lesão corporal, constrangimento ilegal, entre outros. 

Entre as vítimas, há desde um adolescente de 17 anos até um homem de 77 anos. Os principais casos estão circunscritos à região central, onde estão as ruas Augusta e da Consolação e a República e o Largo do Arouche, locais bastante frequentados pelo público LGBT.

DECRADI, 10 ANOS

Em dez anos, o perfil dos agressores mudou. Antes eram vizinhos, colegas de trabalho e até parentes. Agora são anônimos que atacam principalmente pela internet, dizem os responsáveis pela Decradi.

O que não se altera, ao longo do tempo, é o teor das ofensas à população LGBT. Os boletins de ocorrência aos quais o G1 teve acesso revelam casos de agressões gratuitas, de xingamentos e provocações sem sentido em locais públicos, de humilhações dentro de casa e no meio da rua. A equipe de reportagem coletou algumas das frases ditas pelos agressores com o contexto em que elas foram pronunciadas.
A Decradi é a delegacia especializada para coibir e apura todos os delitos relacionados à intolerância e aos delitos de preconceito. Toda forma de preconceito é coibida, apurada e penalizada”, diz a delegada Kelly Andrade, da Divisão de Proteção à Pessoa do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). 
De 20 a 30 policiais atuam na delegacia especializada. “O número exato é flutuante”, despista Kelly, que aponta quais têm sido os maiores desafios nesses últimos anos: 
Eles são diários e eternos. Nos dez anos, eu acho que o maior é estar sempre à frente da tecnologia. Porque hoje a maioria desses crimes é praticada por meios eletrônicos”. 
Quando o assunto é o combate à intolerância LGBT, algumas vítimas fazem questão que as motivações levem em conta suas identidades sexuais.

Em São Paulo, no entanto, apenas em novembro de 2015 os boletins de ocorrência passaram a contar com um campo para o nome social da vítima e para a motivação. 

Um dos casos mais emblemáticos de crime motivado pela orientação sexual ocorreu bem antes disso: em 14 de junho de 2009, no fim do desfile da Parada Gay, uma bomba explodiu e feriu 13 participantes, todos homossexuais. 

O ataque foi feito por um grupo neonazista chamado Impacto Hooligan. A delegacia especializada identificou e prendeu sete suspeitos pelo atentado. Dois deles chegaram a ser condenados em 2010 por formação de quadrilha, mas em 2015 o caso foi arquivado com a libertação dos presos.

Na Decradi desde sua criação, Nelson Collino Júnior chefia a equipe de investigadores e lembra de um outro caso que ficou marcado: o de um professor de filosofia agredido por ser homossexual. 
Ele foi brutalmente espancado na região da Consolação. Foi bastante pesado, uma coisa muito grave. Ele perdeu vários dentes da boca.” Segundo ele, os agressores foram identificados, presos e julgados. “Através de uma testemunha nós conseguimos fazer o levantamento do grupo, o famoso Devastação Punk.” 
Na opinião da delegada Daniela Branco, titular da Decradi, a atual situação do país tem contribuído para evidenciar ainda mais os casos de homofobia. “Com esse cenário político-social, com movimentos de extrema direita, estou tendo a percepção de que casos contra LGBT, racismo e intolerância religiosa estão mais evidentes”, diz.

Para Agripino Magalhães, ativista e integrante da ONG Aliança LGBTI, faltam mais delegacias especializadas.
Nós só temos uma Decradi. É uma delegacia maravilhosa para combater a intolerância e o racismo, mas ela não é divulgada e expandida. Um LGBT foi agredido no Terminal Bandeira esses dias, foi até a delegacia mais próxima e o delegado falou que não podia atendê-lo. Ele não soube onde ir depois. A divulgação da Decradi devia ser feita pelos órgãos públicos, com cartazes no Metrô e em locais frequentados pelo público LGBT. Isso pode ajudar a diminuir a ação e os ataques de grupos homofóbicos.”
Fonte: G1, 13/06/2017

Botão com as cores do arco-íris no facebook

quarta-feira, 7 de junho de 2017 0 comentários

Rede social Facebook ganhou novos filtros
Rede social Facebook ganhou novos filtros

Facebook lança botão nas cores do arco-íris para celebrar orgulho 
Rede social terá reação de "Orgulho" e permitirá que usuários adicionem filtros de arco-íris em suas fotos de perfil
Após encher a vida das pessoas com as flores roxas de "Gratidão", o Facebook anunciou nesta terça-feira, 6, que está preparando uma série de recursos para aderir às celebrações do mês do orgulho LGB. Com isso, a empresa pretende  inserir novo botão de reação — o arco-íris —, além de permitir que usuários usem filtros em fotos.

De acordo com a rede social, o botão temático será chamado de "Orgulho", representando uma bandeira com as cores do arco-íris. A nova reação, segundo relatos, já começou a aparecer para alguns usuários do Facebook nos Estados Unidos, que estão inserindo esta nova reação em posts e comentários.

Facebook ganhou filtros de arco-íris
Já para as fotos de perfil, a rede social passará a permitir que usuários coloquem um laço colorido temporário, permitindo que todas pessoas celebrem o mês do orgulho LGB. Filtros coloridos para a câmera do Facebook — assim como para o Messenger e para o app do Instagram — também serão lançados.

A empresa ainda não divulgou quando as novidades ficarão disponíveis para todos os usuários, mas a previsão de que pessoas de todo mundo recebem os recursos ainda nos próximos dias.
Temos orgulho de apoiar a comunidade homossexual, e, ainda que haja muito trabalho a ser feito. Estamos ansiosos para sermos parceiros ativos de agora em diante", escreveu o diretor de marketing de crescimento do Facebook, Alex Schultz, por meio de um post oficial da rede social.
Fonte: Link, 06/06/2017

Maria Gadú casou com produtora de moda Lua Leça

terça-feira, 6 de junho de 2017 0 comentários

(Foto: reprodução/Instagram)

A cantora Maria Gadú deixou o time das solteiras no sábado (3), ao se casar com a produtora de moda pernambucana Lua Leça em São Paulo.

Em cerimônia íntima, Gadú surgiu com os cabelos descoloridos, calça cinza e camisa de botão, enquanto a companheira optou por um vestido de noiva bastante simples.

Embora as noivas não tenham falado ou compartilhado fotos da cerimônia nas redes sociais, convidados da festa postaram alguns registros nas redes sociais.

A cantora e a produtora de moda vivem juntas desde 2012. As duas já haviam assinado em cartório um acordo de união estável em novembro de 2013.

(Foto: reprodução/Instagram)

Fonte: TV Fama, 05/06/2017

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