Horóscopo de outubro (2023)

domingo, 1 de outubro de 2023 0 comentários


 ♈ ÁRIES
21/03 a 20/04

Excelente trânsito para a maior parte dos relacionamentos. Ele representa um anseio por crescer e progredir através do contato com as pessoas.

Também lhe trará a possibilidade de tornar-se uma pessoa melhor, num aceleramento do processo de autoconhecimento profundo que já vem desenvolvendo ao longo dos anos.

Ele lhe trará uma, por assim dizer, oportunidade "de sorte", através de um amigo ou sócio, que, contudo, deriva mais de seu estado de alerta para as coisas que possam beneficiá-la.

Estará com seu senso de oportunidade aguçado, mas também com uma sensibilidade maior que a usual diante das necessidades alheias. Essa combinação de perspicácia e empatia incidirão tanto sobre sua vida pessoal quanto profissional.

Terá chances de ganhar dinheiro e reformar sua residência, tornando-a mais agradável. Ou de conhecer pessoas que a ajudarão a adquirir mais conhecimento e expandir seus pontos de vista.

De qualquer forma, você precisará estar disposta a deixar que isso aconteça, mantendo-se receptiva e empática.

♉ TOURO
21/04 a 20/5

Este é normalmente um trânsito bem agradável, indicando harmonia nos relacionamentos e talvez até o surgimento de uma nova relação que virá a ter muita importância em sua vida. Você sentirá muita vontade de amar, sendo capaz de dar seu amor a todos os que a cercam.

Este trânsito reforçará seu gosto pelas coisas belas e suntuosas. Além disso, você provavelmente não estará muito disposta a abrir mão do que deseja.

Tenha cuidado para não desperdiçar recursos valiosos nem jogar dinheiro fora. Se for cautelosa, será possível fazer excelentes investimentos neste período, mas apenas se analisar todas as possibilidades com muita calma.

No plano físico, este trânsito significa o risco de ganhar peso porque estimula o desejo de comidas pesadas, gordurosas ou doces. Coma com moderação.

Num plano inteiramente diferente, este trânsito significa muitas vezes um desejo de arriscar-se em jogos de azar. O dinheiro ganho agora, se inclui na categoria do "fácil de ganhar e fácil de gastar".

Mas o problema aqui é que você pode jogar ou investir com base em expectativas irrealistas ou na falsa convicção de que nada vai dar errado. Infelizmente isso não corresponde à verdade, portanto seja muito cautelosa.

♊ GÊMEOS
21/05 a 20/06

Como no momento você estará interessada principalmente em seus ideais de vida, é bem provável que formule suas metas em termos muito idealistas.

Além disso, estará menos concentrada nos aspectos negativos da vida, sendo mais capaz de apreciar-lhe os aspectos positivos. Apenas procure ter certeza de não estar fugindo de seus reais problemas.

Agora você achará que a satisfação das suas necessidades não é algo tão urgente quanto antes. É provável que queira ajudar os menos afortunados.

Prestando esse tipo de auxílio, você terá uma sensação de realização pessoal que supera qualquer sacrifício que venha a fazer. Por isso, talvez se envolva com instituições de caridade e outras organizações que ajudem os pobres.

Com este trânsito, é possível que sua preocupação com a religião, a filosofia e a espiritualidade aumente. Você sentirá um forte impulso para vivenciar os aspectos mais elevados da existência, mas talvez as religiões ortodoxas não lhe satisfaçam essa necessidade.

Assim, pode ser que se envolva com grupos espiritualistas ou religiões orientais. Ou talvez encontre uma pessoa que lhe revele algo acerca dessa dimensão da vida.

Na verdade, a natureza deste trânsito é tal que facilitará sua percepção espiritual mesmo nas áreas mais banais e rotineiras do seu dia a dia.

♋ CÂNCER
21/06 a 22/07

Este trânsito em geral representa um período de otimismo e pensamento positivo. Você sentirá ter atingido um ponto de equilíbrio que lhe permite uma boa visão da vida.

Bom momento para reorganizar-se e traçar planos de longo prazo, para ganhar uma nova perspectiva através de estudos ou viagens ou por intermédio de grupos que se dedicam a elevar o nível de conscientização.

O momento prenuncia equilíbrio físico e psicológico. Caso tenha estado doente, seja física ou mentalmente, o trânsito a ajudará tremendamente no processo de recuperação.

Além disso, a hora é boa para analisar suas metas e ideais, pois atualmente será possível atingi-los de diversas formas. É possível que antes tenha havido muita tensão em sua vida ou resistência contra essa análise de sua parte. Mas hoje é um bom momento para refletir sobre seus objetivos e empreender uma ação positiva a partir deles. Talvez se envolva com uma religião ou filosofia, pela necessidade de encontrar apoio espiritual para suas mudanças.

De qualquer forma, você pode de início não ter nenhum impulso específico de realização e ficar sem fazer muita coisa durante este trânsito. Bom momento para relaxar, ficar à vontade, e aproveitar essa disposição de espírito a fim de viajar, seja para descanso ou estudo.

O importante a lembrar neste trânsito é que ele representa essencialmente uma oportunidade, mas caberá a você a iniciativa de aproveitar ao máximo este período.

♌ LEÃO
23/07 a 22/08

Este trânsito lhe dará uma boa dose de confiança, infundindo-lhe capacidade de se afirmar. Em geral, não há problema nisso, mas algumas pessoas expressam essa energia através da arrogância e do desejo de dominação.

Desconfie da segurança que a tente a realizações que estão acima de sua capacidade. Procure não correr riscos desnecessários em atividades físicas que a exponham a acidentes.

A falta de temperança em qualquer setor pode anular completamente a natureza basicamente positiva das energias deste trânsito. Evite os exageros e procure manter o senso de proporção.

Se o conseguir, poderá trabalhar mais e melhor. Você será capaz de realizar coisas que geralmente tem receio de fazer por sentir-se inadequada, além de poder tomar iniciativas que normalmente deixaria aos outros.

Com planejamento, cautela e comedimento, este trânsito em geral representa ações oportunas, que ocorrem na hora certa e potencializam os resultados.

E nada disso é sorte, mas percepção e habilidade. Porém tudo exige preparo e previsão, pois agora qualquer ato impulsivo resultaria provavelmente em fracasso.

Talvez seja especialmente importante apaziguar pessoas que exercem autoridade hierarquicamente superior à sua. Se agir com precipitação, elas podem alarmar-se e pensar que você representa uma ameaça, independente de suas intenções. Antes de querer ascender profissionalmente, esteja preparada para tal.

♍ VIRGEM
23/08 a 22/09

Este trânsito lhe fará se sentir muito bem, com uma atitude otimista e positiva diante da vida. Você sentirá muito afeto e generosidade para com todos, principalmente os amigos e as pessoas com quem convive diariamente. Terá vontade de proteger e cuidar de todos os que conhece.

Você será capaz de viver as mais profundas experiências a partir das mais simples e banais interações com as pessoas. O ambiente em que vive ou frequenta, seus parentes e familiares lhe darão uma satisfação que pode não ter sentido em outras épocas.

Todos seus contatos lhe darão oportunidade para crescer e expandir sua vida. Cultive suas amizades, pois há muita probabilidade de que um(a) amigo(a) possa fazer-lhe um grande favor agora. Ou vice-versa, você poderá ajudar a um(a) amigo(a).

Qualquer que seja o caso, o resultado será uma maneira de você avançar. Obterá muitos benefícios e gratificações pessoais e profissionais através de amizades ou outros relacionamentos envolvendo mulheres ao longo deste período.

É possível também que uma mulher aja como guia em relação a determinados aspectos de sua própria personalidade que você normalmente não vivencia, mas que podem ajudá-la a atingir uma completa compreensão de si mesma.

Nessa perspectiva, também poderá se interessar por questões espirituais ou religiosas, resgatando crenças que aprendeu quando criança. Tais experiências de seu passado podem ser de grande valia para você agora.

Ainda este trânsito, profissionalmente, pode lhe trazer atenção por parte do público ou a necessidade de lidar de alguma forma com grandes grupos de pessoas. Seja qual for o caso, você se sairá bem.
                                                
Signo do Mês

♎ LIBRA
23/09 a 22/10

É provável que, durante este trânsito, você se sinta muito bem, com segurança para enfrentar qualquer coisa. Trata-se de um período em que se sentirá como se fosse capaz de tudo. Mas, mesmo estando excessivamente confiante, tome cuidado para não assumir mais do que pode fazer.

É possível que alguns antigos projetos atinjam seu ponto decisivo agora, com consequências boas ou más, a depender de sua capacidade de estimar suas habilidades. Talvez tenha que abrir mão de certas coisas para conquistar outras.

Este período também pode lhe trazer uma certa inquietação, levando-a sentir como se seu universo habitual não fosse "grande" o bastante ou não lhe trouxesse experiências suficientes. Neste caso, deverá ampliar um pouco seu raio de atividades, mas sem excessos.

Talvez tenha dado às pessoas a impressão, correta ou não, de ser muito ambiciosa ou de querer demais. Neste caso, converse com elas e lhes garanta não ter a pretensão de tomar-lhes a posição (a menos, é claro, que seja esse seu objetivo).

Com um pouco de tato e autocontrole, de qualquer forma você obterá o melhor desse trânsito, que lhe será benéfico especialmente nas questões financeiras.

A depender de suas próprias tendências, ele poderá torná-la extremamente extravagante ou extremamente bem-sucedida em todos os assuntos.

♏ ESCORPIÃO
23/10 a 21/11

Durante este período, seus relacionamentos terão um novo sabor de liberdade e emoção. Se já não estiver vivendo um romance, o trânsito bem pode trazer o início de algum.

Nesse caso, é provável que ele seja ímpar em termos de experiência, pois se sentirá atraída por pessoas diferentes de você em classe social, etnia, idade ou interesses.

Você buscará fugir da rotina através desse amor e provavelmente o conseguirá. E os relacionamentos iniciados durante este trânsito devem ser capazes de durar, pois você e a parceira estarão dispostas a manter a chama acesa, evitando que a relação fique estagnada. Além disso, ambas farão questão de dar espaço e liberdade uma a outra.

Se já estiver envolvida num relacionamento, este será um bom momento para dar-lhe novo alento através de algumas mudanças. Vocês aprenderão que nenhuma das duas precisa temer o desejo de independência e expressão individual que ambas possuem.

Este trânsito costuma trazer, além disso, amizades que são cheias de emoção e desafio e, ao mesmo tempo, muito construtivas.

Todos os tipos de contato social, inclusive os que normalmente são rotineiros e aborrecidos, poderão tornar-se agora uma fonte de novas e fascinantes experiências. A vida não será nada monótona ao longo deste trânsito.

♐ SAGITÁRIO
22/11 a 21/12

Este é um momento de muita energia e iniciativa. Você estará muito autoconfiante e será capaz de resolver qualquer questão com bom senso. A época favorece novos projetos, prenunciando bons resultados para a maioria dos que iniciar agora.

Entretanto, é preciso que sempre mantenha a postura ativa a fim de obter o melhor deste período. Ele lhe trará oportunidades, mas será preciso aproveitá-las.

Com essa postura, você será capaz de perceber melhor seus próprios propósitos que em outras épocas. Terá muita força de vontade, além de dedicar-se a metas bastante definidas.

Poderá agir com decisão e convicção. Sob este trânsito, terá condições de convencer as pessoas de seu ponto de vista e de fazê-las seguir suas sugestões.

Aliás, tudo que fizer deverá estar voltado para a ampliação de sua esfera de interesses. Você não agirá por razões mesquinhas, sempre tendo em mente objetivos de primeira linha. As pessoas terão respeito por sua óbvia integridade, o que as levará de bom grado a ajudá-la.

É bem provável que esta seja a hora de usufruir do sucesso profissional graças a seu senso de oportunidade e a sua capacidade de aproveitar as chances que surgirem. Isso lhe permitirá crescer sem precisar afastar os outros. Todos reconhecerão que seu sucesso é merecido.

Se tiver alguma questão a resolver na justiça agora, o resultado deverá ser a seu favor. Na verdade, você provavelmente chegará a um acordo que beneficie ambas as partes.

♑ CAPRICÓRNIO
22/11 a 19/01

Este trânsito pode representar coisas diversas para diferentes pessoas. Por um lado, ele possibilita um crescimento cuidadoso e bem fundamentado no esforço e na perseverança. Por outro, pode lhe trazer extrema impaciência e inquietude.

Durante este período você pode esperar qualquer uma das seguintes possibilidades: mudança de casa ou de emprego; mudança de situação financeira (geralmente para pior); isolamento em função do trabalho; gosto pela solidão; perseverança e aplicação.

Antes de tudo, se já for uma pessoa disciplinada e perseverante, você reagirá com paciência às demandas deste trânsito. Porém o mais importante será sua atitude em relação às áreas de sua vida que o trânsito pode afetar.

Provavelmente agirá com perseverança nos setores em que está satisfeita, dedicando-se a eles ainda mais do que em outras épocas. Já nas áreas que lhe parecem mais difíceis, viverá tensões e vontade de rebelar-se contra suas limitações. Embora tenha razão de impacientar-se com essas restrições, querer aperfeiçoar sua própria vida é uma decisão custosa sempre acertada.

No terreno afetivo, terá que decidir se cortará algum relacionamento insatisfatório ou se se dedicará a ele para que melhore até chegar a um estado aceitável. Ambas as possibilidades são válidas.

♒ AQUÁRIO
20/01 a 18/02

Durante este período você fará diversos ajustes em sua vida, afastando-se das pessoas ou circunstâncias que não lhe vêm trazendo nenhum bem tanto no setor afetivo quanto profissional.

Você irá alterar todos os padrões de comportamento ou moralidade que considera inadequados, além de realinhar melhor sua concepção de dever e responsabilidade, tornando-a mais de acordo com a realidade.

Nesse processo, talvez viva uma certa tensão e se sinta um pouco desorientada, sem saber se vai em frente ou retrocede. Melhor selecionar onde pode crescer e avançar mais rápido enquanto se dá tempo de analisar se precisa retroceder em outras áreas. Você não terá condições de levar tudo adiante, por mais que queira.

Nos negócios e questões profissionais, o momento é crítico, embora não necessariamente ruim. Isso simplesmente significa que tudo que fizer agora terá efeitos mais importantes no futuro que as ações costumeiras. Por isso, você deve ter paciência a fim de encontrar a melhor solução para qualquer problema nesta área também.

É possível que mude de emprego ao longo deste trânsito por receber uma proposta que lhe dê mais oportunidades de crescer. Nesse caso, aceite-a porque tais mudanças costumam ser benéficas sob esta influência.

No geral, você deve aproveitar qualquer oportunidade que lhe permita ampliar seu raio de ação e libertar-se das limitações que a restringem seja no amor seja no trabalho.

♓ PEIXES
19/02 a 20/03

Este pode ser um trânsito bastante desnorteador, tendo em vista a rapidez com que novos dados e informações a atingirão.

Talvez seja muito difícil chegar a decisões inteligentes em qualquer que seja o assunto. Se não conseguir calma e tranquilidade de espírito, cancele suas decisões até que seus sentimentos esfriem um pouco. Principalmente no âmbito afetivo.

Neste trânsito piscianas tendem a tomar decisões abruptas e impulsivas. É por isso que as transações comerciais são mais difíceis neste período. Dadas essas condições, mesmo nas melhores circunstâncias, tenham cuidado! Contudo, é possível fazer negócios nas áreas de ciências e tecnologia, principalmente os que envolvam eletrônica.

Uma importante manifestação psicológica deste trânsito é a probabilidade de questionamento de suas ideias e opiniões. Suas convicções poderão estar em perfeita ordem, mas o universo vai querer que tenha certeza de que realmente estão.

Além disso, você será atraída por modos de pensar radicalmente diferentes aos seus, o que também poderá provocar reavaliações. Isso provavelmente irá afetar mais sua vida profissional.

Se tiver de expor alguma opinião particular, certifique-se de estar em condições de defendê-la. Porém, mesmo que esteja certa, evite assumir posições dogmáticas. Procure compreender o ponto de vista dos demais, pois poderá ter algo a aprender com eles.

Miriam Julie
Gunadhara Miten (Miriam Zen)

Terapeuta Holística e Astróloga Humanista há 33 anos, trabalhou como voluntária por vários anos em Grupos de Ajuda a mulheres que sofreram abuso. Trabalhou também como voluntária no CVV (Centro de Valorização da Vida)

Trabalhando atualmente com massagens terapêuticas, via Método Deva Nishok, utiliza em seus atendimentos terapia tântrica, cura Reconectiva, Reiki, pontos marma, meditação vibracional biodinâmica, Renascimento, terapia taoísta, terapia de cura hawaiana, Barra de Access, MTVSS com o objetivo de refinar a sensibilidade corporal, gerando maior sustentação da bioenergia do corpo, energização dos chackras e equilíbrio da produção hormonal, proporcionando também expansão da consciência, equilíbrio emocional e bem-estar.

Consultora da Rede de Informação UOO (Um Outro Olhar).


Chanacomchana 8: resgate e edição comentada

segunda-feira, 25 de setembro de 2023 0 comentários




Em dezembro de 1982, era lançado o primeiro número do boletim Chanacomchana seguido de outros 11 números (ver resgate do CCC 1 aqui, CCC2 aqui, CCC 3 aqui, CCC 4 aqui, CCC 5 aqui, CCC6 aqui, CCC 7 aqui, CCC 8 aqui, CCC 9 aqui, CCC 10 aqui, CCC 11 aqui). Neste artigo, abordo o ChanacomChana 12, não sem antes falar do contexto histórico e político de onde o periódico emerge, fundamental para entender sua produção e conteúdo (ver mais informações em Memória Lesbiana: 41 anos de ChanacomChana  aqui).

Grupo Ação Lésbica-Feminista (GALF) e sua primeira publicação, o boletim Chanacomchana, nascem durante o primeiro ciclo do MHB (Movimento Homossexual Brasileiro) também chamado de ciclo libertário (78-83/84) porque nele prevaleciam as ideias da Contracultura, aquele grande guarda-chuva de movimentações e movimentos socioculturais e comportamentais que se inicia já nos anos 50, percorre as décadas de 60 e 70, terminando no início dos anos 80. Retomando elementos do anarquismo e do romantismo, a Contracultura vai priorizar a revolução individual, politizando o cotidiano e as inter-relações humanas (o privado é político) e retomando a máxima gandhiana de que as pessoas tinham que se tornar a mudança que queriam ver no mundo. Não havia interesse na tomada de poder do Estado, objetivo dos partidos políticos, mas sim na revolução molecular dos grupos discriminados e oprimidos que unidos superariam a incompetência da América católica e seus ridículos tiranos (Enquanto os homens exercem seus podres poderes, índios e padres e bichas, negros e mulheres e adolescentes fazem o carnaval - Caetano Veloso).

Na prática, os grupos daquele incipiente movimento se preocupavam com a não reprodução da política tradicional, suas hierarquias, disputas de poder, discursos da boca para fora, e tentavam (com pouco sucesso) não reproduzir suas mazelas. Nesse sentido também, pregavam a autonomia dos movimentos sociais em relação aos partidos políticos, uma das bandeiras de maior bom senso daquela época. O GALF era tributário dessas ideias (vide o texto Autonomia), via esquerda libertária, das ideias do feminismo de segunda onda, com seu questionamento dos papéis sexuais, e das correntes do separatismo lésbico do também incipiente movimento lésbico internacional.

A Revolução DIY
Todo esse amálgama de ideias e inspirações aparecem nas páginas do Chanacomchana do seu período inicial e nele permanecem no período posterior, de 1985 em diante, apesar do afã revolucionário contracultural do MHB ir sendo paulatinamente substituído pelo reformismo pragmático de grupos como o GGB e o Triângulo Rosa.

Também do ponto de vista gráfico, o CCC vai seguir a ética e a estética contracultural do "Do It Yourself - DIY" (Faça você mesmo) matriz, entre outras produções, dos fanzines produzidos artesanalmente, com colagens e mistura de tipos gráficos, e, no conteúdo, com uma miscelânea de textos políticos, tirinhas, desenhos, poesias, depoimentos, notícias e app arcaico de namoro (o Troca-cartas). Nas vendas, o corpo a corpo junto ao público-alvo ou, posteriormente, via correios através do sistema de associação.

Nem o GALF nem o ChanacomChana refletem qualquer luta contra a ditadura militar mesmo porque seu contexto histórico é o do governo da abertura do general Figueiredo, da redemocratização, que se iniciara com a revogação do AI-5 em 13/10/78, ainda sob o governo Geisel. De fato, o governo Figueiredo foi uma democratura, uma convivência de elementos ainda autoritários do regime em decomposição com aumento crescente de características democráticas caminhando a passos largos para o restabelecimento do poder civil. Embora a censura, só revogada com a Constituição de 1988, ainda existisse no período, ela não vitimou o GALF ou o ChanacomChana em momento algum. Tal fato pode ser constatado facilmente pela simples leitura dos Chanas onde não se encontram sequer informes referentes ao regime militar, muito menos registro de qualquer arbitrariedade que tenhamos sofrido dos militares. O GALF e suas publicações foram, de fato, insurgências contra a ditadura da heterossexualidade obrigatória praticamente onipresente do período.

Chanacomchana nº – Edição comentada

 Sumário

 GALF 6 Anos - p. 1
 Origem da Denominação Lésbica-feminista - p. 2
 O GALF e o feminismo lésbico - p. 3
 Objetivos e atividades do GALF - p.4
 Dicas de Leitura - p. 5
 Poesia - p. 6
 GALF na Hebe - p. 7-11
 Uma História de Heterror: Preconceito no CVV- p.12
 Ideias Particulares sobre Papeis Sexuais no Lesbianismo - p-14-15 
 Associe-se ao GALF - p. 15
 Informes - p. 16-18
 Lésbicas e Trabalho - p. 19-25
 Troca-cartas - p - 25

GALF: 6 anos - p. 1 (Míriam Martinho)

1985 - Um divisor de águas para o GALF e o Chana

Na resenha da edição 7 do Chana, salientei que o ano de 1985 foi um divisor de águas para o GALF e o Chana, iniciando um processo de afastamento gradual do movimento feminista (o texto Uma História de Heterror da edição 7 exemplifica um dos porquês disso) e uma depuração da identidade do grupo que, ao final do ano, irá se desvencilhar finalmente da ligação simbólica com o coletivo que o precedeu (Grupo Lésbico-Feminista -05/79-06/81).

De fato, o Grupo Ação Lésbica Feminista (GALF) nasce, em outubro de 1981, como um rescaldo do Grupo Lésbico-Feminista, ou Grupo de Ação Lésbico-Feminista (uma outra de suas assinaturas mais recorrentes). Esse coletivo surge como subgrupo do grupo Somos, em maio de 1979, torna-se oficialmente independente do Somos como Grupo Lésbico-Feminista um ano depois, em maio de 1980, sofre um racha em outubro de 1980, quando perde duas de suas destacadas ativistas, e tem uma sobrevida de uns 8 meses, diluindo-se em junho de 1981, paradoxalmente quando uma de suas ativistas encontrara uma sede para o coletivo. Parte de suas integrantes ou deixou a militância ou aderiu ao movimento feminista, em particular ao grupo SOS Mulher, onde puderam manter o clima de socialização (e pegação) que caracterizava o lésbico-feminista (LF), sacrificando, contudo, a politização da questão lésbica (o mantra do SOS era submergir a identidade lésbica na identidade feminista). Apenas duas remanescentes desse coletivo, que nele atuaram em momentos diferentes de sua efêmera trajetória, eu e Rosely Roth, decidimos continuar com o ativismo especificamente lésbico, reavivando as brasas sob as cinzas do grupo lésbico-feminista e lhe dando outra sobrevida simbólica ao incorporarmos seu breve histórico ao do recém-nascido GALF, como as réstias de um sentimento que insiste em perdurar.

Este texto GALF: 6 anos é o último em que mantenho essa relação simbólica entre os dois coletivos sobre a qual a dura realidade finalmente se impôs. A ficha que já vinha caindo aos poucos, pois, de fato, nunca houve real continuidade entre os citados coletivos, caiu de vez durante o III Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, em Bertioga, onde nos encontramos com ex-integrantes do lésbico-feminista numa reunião lésbica que improvisamos com o Grupo de Autoconciencia de Lesbianas Feministas (GALF do Peru). O desinteresse dessas ex-integrantes do LF por qualquer atuação específica por e para lésbicas, seu acomodamento no armário feminista da época (uma depois viria a dizer inclusive que não se podia organizar lésbicas no Brasil), nos trouxe a consciência de que nem simbolicamente tínhamos de fato mais nada em comum com o citado coletivo que justificasse continuar agregando-o ao histórico do GALF. Embora possa soar um clichê, de fato com o passado aprendemos, mas devemos deixá-lo passar.

Neste texto, o histórico dos dois coletivos ainda vem misturados, mas é fácil separá-los. Todas as atividades até junho de 1981 são do grupo lésbico-feminista. As do GALF veem a partir do segundo semestre de 1981, em particular depois de outubro. Mais detalhes sobre o coletivo lésbico-feminista podem ser lidos aqui. Sobre o GALF, seu longevo histórico pode ser lido aqui 

Origem da Denominação Lésbica-Feminista, p. 2 (Míriam Martinho)

Neste texto apresento o porquê de o GALF ter se adjetivado como "ação lésbica-feminista". Antes de tudo, destaco que o GALF, a partir de março/abril de 1983, passou a adotar a denominação "grupo ação lésbica-feminista", eliminando o "de" dessa identidade. Minha intenção com essa decisão foi forçar a concordância com "ação" e não com "grupo". Geralmente, quando se utilizava "grupo de" a tendência era que as pessoas concordassem tudo no masculino, ficando "grupo de ação lésbico-feminista". Com a retirada da preposição, a concordância passava a ser com ação, ficando Grupo Ação Lésbica-Feminista, "ação lésbica-feminista" se tornando o nome do grupo. A estratégia teve bons resultados, diga-se de passagem. Por isso, falo, neste texto, sobre a origem da denominação lésbica-feminista, criada para ressaltar a dupla opressão das lésbicas como mulheres e mulheres de orientação homossexual.


Saliento que a gente preferia não se identificar como homossexual por causa da ligação da palavra com uma patologia (criada por sexólogos e psicanalistas), o homossexualismo, ou inversão, associada à ideia de um suposto terceiro sexo do qual faríamos parte com os gays. 

Destaco que, no caso das lésbicas, a categoria homossexual surgira para supostamente explicar por que algumas mulheres sentiam tão forte necessidade de serem independentes dos homens e do papel de passividade, docilidade, feminilidade que eles lhes impunham. Assim o procediam, segundo os especialistas, porque não seriam mulheres normais e sim um terceiro sexo.

Lembro que tanto o movimento feminista (de segunda onda) quanto o então movimento gay, nos anos 60, vão questionar a noção da heterossexualidade como a única sexualidade possível para os seres humanos e a própria noção patriarcal do que é ser homem e mulher calcada na dominação das mulheres pelos homens. E que os grupos lésbicos-feministas vão se diferenciar dos outros grupos lésbicos por entender que a opressão das lésbicas só podia ser entendida e resolvida, em sua complexidade, dentro do contexto da opressão de todas as mulheres e não apenas pela questão da homofobia.


O GALF e o feminismo lésbico, p. 3 (Míriam Martinho)

O chamado "lesbianismo político" foi uma das fontes de inspiração do GALF não no sentido de propor que todas as mulheres se tornassem lésbicas, porém na perspectiva de apontar a lesbianidade como mais do que uma mera preferência sexual, como um estilo de vida que permitia maior autonomia e autodeterminação para as mulheres em geral.
 
No texto eu exemplifico as vantagens que a lesbianidade oferecia em relação ao modelo heterossexual e de como ela, para nós, representava uma maneira nova de ser mulher, sem a tutela e a repressão feminina, sem a reprodução dos estereótipos sexuais de feminino e masculino e o padrão patriarcal de dominação e exploração de uns sobre os outros. Termino dizendo que, portanto, a própria palavra lésbica significava mais do que transa entre mulheres. Significava também uma mulher comprometida com a luta das mulheres por direitos, autonomia e autodeterminação.


Passados 38 anos deste texto, eu ainda o endosso, embora considere necessário adicionar-lhe outros ângulos. Vivemos numa sociedade que, mesmo no Ocidente, onde os direitos das mulheres e de gays e lésbicas obtiveram muitos avanços, ainda tem a heterossexualidade, não como uma simples variante da sexualidade humana, mas sim como uma norma a ser seguida por todos. Inclusive vemos hoje um grande retrocesso nesses direitos vindo não só da direita conservadora, mas da própria esquerda que, metida em ideologias pós-modernas, não defende mais os direitos do sexo feminino nem dos homossexuais. 

No contexto de tal sociedade heteropatriarcal, onde as mulheres ainda são criadas para servir aos homens, a lesbianidade continua sendo sim mais do que uma orientação sexual, também um fator  disruptor desse sistema. Basta pensar que, se apenas metade de mais da metade da população humana, que é feminina, deixasse de se relacionar com homens, dificilmente o sistema atual se manteria o mesmo. É a autonomia sexual e reprodutiva das lésbicas que faz tremer as bases dessa sociedade.

Por outro lado, lésbicas, ainda que contingencialmente ameaçadoras para o status quo, como indivíduas criadas nesta sociedade heteropatriarcal, sofrem da mesma socialização que leva pessoas a reproduzir estereótipos de gênero, sexismo, racismo e tantos outros "ismos" baseados nas relações de dominação e exploração de uns sobre os outros típicas do mundo em que vivemos. Essas reproduções, na prática, acabam se contrapondo ao poder disruptor da lesbianidade como produtora de relacionamentos onde o parasitismo masculino não vigora.

Nesse sentido, há que se equilibrar a necessária análise coletiva e estrutural com a análise individual para uma compreensão mais profunda do lugar das lésbicas neste mundo de homens. A homossexualidade, apesar de em si mesma ser só uma variante da sexualidade humana, no contexto social da heterossexualidade obrigatória, permanece uma grande pedra no sapato do patriarcado. Haja vista a nova cura gay do transgenerismo, um reacionarismo profundo que se traveste de progressista. É preciso a um tempo conscientizar sobre a opressão coletiva que se abate sobre todas as pessoas do sexo feminino, mas sempre também considerar como cada pessoa age enquanto indivíduo, reconhecendo suas responsabilidades pessoais sobre sua própria vida e da sociedade em geral.

Objetivos e atividades do GALF, p. 4 (Míriam Martinho)

Finalizando o artigo, elenco os objetivos do grupo: conscientizar as lésbicas sobre seus direitos, formar redes de contatos e troca de informações com lésbicas e ativistas lésbica do Brasil e do exterior, promover debates, exibir filmes e vídeos, organizar a biblioteca do GALF.

E descrevo suas atividades: reuniões de reflexão semanais, elaboração do boletim Chanacomchana, participação em debates, simpósios, palestras, etc. e manutenção de correspondência com lésbicas de todo o Brasil.

Dicas de Leitura, p. 5 (Míriam Martinho)

Lista de livros que o GALF vinha adquirindo para sua biblioteca.

Poesia, p. 6

 
Poesia era um espaço que eu definia como "para as lésbicas poderem falar de  como era bonito, sensual, gostoso e ótimo amar outra mulher." Nesse sentido,  sempre busquei trazer poesias de teor romântico e erótico de autoras  conhecidas e desconhecidas que apreciavam escrever poesias, mais ou menos  elaboradas, atividade pela qual lésbicas sempre tiveram predileção.

Nesta edição, trouxe a prosa poética de Margot intitulada Desesperança descrevendo um encontro, ou encontros eróticos, que a arrebataram (ou a seu eu lírico). A descrição da amante com quem trocou nomes no primeiro encontro:

Seu porte de rainha - esbelto - corpo esguio, cabelos longos, castanhos, mãos fortes, macias, boca de pele macia avermelhada e sorriso lindo, voz traiçoeira, feiticeira, "olhos que olhavam", costas de ombros largos que não deixavam seus sonhos fenecerem.

Afirmava querer tudo que aquelas mãos e dedos lhe ofertavam em termos de prazer e ainda mais. Queria o que aquela boca macia e aquele sorriso lindo lhe extraíam:



Confessava que a voz traiçoeira e feticeira da amante iluminavam os azuis do seu céu, do seu mar. Que seus olhos que buscavam e vasculhavam varreram as entranhas do seu eu enquanto também desnudavam a si mesma, mas que a autora, sempre jogadora inveterada, não soubera pagar para ver. 

De repente, o raio laser das duas" se apagou por falha técnica. 

E autora termina melancolicamente apontando para o desalento provocado por esse caso tão fulgurante quanto passageiro que fez de seu coração um terreno devastado,  um violão sem cordas, que tem corpo, mas não toca. 


GALF na Hebe, p. 7 (Rosely Roth)

Lésbicas x Censura

Folha da Tarde, 30/31/05-01/06/85
Neste texto, Rosely Roth fala de sua participação no programa da Hebe Camargo de 24/05/1985. Relata como ficou conhecida da produção do programa por ter participado do simpósio sobre homossexualidade feminina (18/05/85), no Centro de Convenções Rebouças (SP), organizado pelo Centro de Estudos da Sexualidade Humana e coordenado por Moacir Costa e Ronaldo Pamplona da Costa. Um dos organizadores, o Ronaldo Pamplona da Costa, ao ser contatado pela produção do programa, a indicara por ter gostado de sua participação no simpósio. E ambos foram ao programa e acabaram fazendo um contraponto à dona Maria Amélia, mãe cristã de uma filha lésbica.

Rosely relata que, nas conversas de bastidores do programa, a maioria dos outros convidados não sabia que a temática da noite era o lesbianismo (nos termos de então). De fato, estavam ali para divulgar livro (Ignácio de Loyola Brandão), peça teatral (Maria Lúcia Dahl), programa de TV (Maria Gabriela) e dar palpite no que viesse. E que ninguém sabia, de antemão da participação da mãe de uma garota lésbica, a dona Maria Amélia Rocha de Souza, a quem, segundo Rosely, foi dado muito mais tempo para falar do que todos os demais. De fato, dona Amélia teria abocanhado 60% do espaço do programa, com discurso para lá de heterossexista, como dizer que preferia a filha infeliz com um homem do que feliz com uma mulher.

Rosely relatou haver falado bem menos do que gostaria (só quando a Hebe abriu o microfone para ela) mas que conseguira mostrar o Chana na TV e dar a caixa postal do grupo duas vezes. E que a lesbofobia da dona Amélia acabou se voltando contra ela própria, pois começou bem aplaudida no começo de suas falas, e acabou quase vaiada no final do programa em função de seu discurso rancoroso e autoritário.

Termina o texto falando da repercussão do debate na imprensa e da reação do chefe de censura federal de São Paulo (lembrando que a censura só termina com a constituição de 1988), Dráusio Dornellas Coelho, que exigiu que a produção do Hebe elevasse a faixa etária do programa e que o gravasse previamente. Segundo ele, o programa teria feito apologia do lesbianismo, principalmente por ter permitido a Rosely mostrar o Chanacomchana e falar a caixa postal do grupo.

Aborda por fim a repercussão do programa junto às lésbicas da época informando que, em julho de 1985, o GALF já havia recebido mais de 200 cartas de todo o Brasil, muitas identificando suas mães com a autoritária Maria Amélia.

Uma História de Heterror: Preconceito no CVV, p.12 (Shirley Roth)

Depoimento de Shirley Roth, irmã de Rosely, sobre sua má experiência como atendente do Centro de Valorização da Vida (CVV), da Barra Funda, onde a família Roth morava em 1985. 

Shirley sofria de síndrome dos ovários policísticos o que a fazia ter barba. Isso somado a uma aparência bastante masculinizada (fanchona) no geral, a tornava uma bandeira ambulante. Hoje poderia ser lida como um "homem trans", mas em 1985, ela se definia como homossexual simplesmente (não havia identidades trans na década de 80): 


Shirley disse que em sua interação com outros plantonistas procurou mostrar que pessoas homossexuais eram normais, como ela e a companheira, aparecendo em festas do trabalho com sua mulher e o filho das duas ou mesmo em reuniões do CVV. Apesar da boa receptividade de algumas pessoas, no geral, Shirley relatou um certo monitoramento de seu desempenho nos plantões, como se buscassem algum deslize para condená-la. Até que começou a rolar um rumor de que ela cantaria mulheres nos atendimentos, rumor que chegou aos ouvidos do Chefe Nacional do CVV que se reportou à coordenadora do CVV Barra Funda. A coordenadora, Ana, abordou Shirley relatando que estavam dizendo que havia uma homossexual pervertendo atendidos pelo telefone e transformando o CVV Barra Funda num bordel telefônico. Shirley protestou e disse que, de fato, quem cantava atendidos eram seus colegas heterossexuais, inclusive marcando encontros, etc. 

O fato é que sua visibilidade começou a lhe criar certas limitações no trabalho, tirando-lhe a motivação para o que gostava de fazer. Concluiu dizendo que o CVV tinha preconceitos contra homossexuais e propôs a criação de um CVV específico.


A Opinião da Leitora, p. 12 (Roxana Herrera Álvarez)

Ideias Particulares sobre Papéis Sexuais no Homossexualismo Feminino (Roxana Herrera Álvarez)

Butches and femmes Corky e Violet em “Ligadas pelo Desejo” (Imagem: reprodução)

Este é um dos poucos textos publicados no CCC onde a autora assinou seu nome por extenso. Nele, Roxana discorre sobre a temática dos papéis sexuais nos relacionamentos entre mulheres. Vale salientar, como comentei em outras resenhas do CCC, que nem os termos gênero nem papeis de gênero circulavam em meados da década de 80. A maioria das pessoas utilizava a expressão "papel sexual", muito mais precisa do que "gênero". 

Embora tenha dito que os textos publicados nessa seção não traduziam necessariamente a posição do GALF, o fato é que este particular traduzia sim. Roxana vai questionar a pseudo naturalidade dos papeis sexuais tanto quanto eu mesma havia feito em "Roberta Close: Homem ou Mulher"? Os papeis sexuais, hoje papeis de gênero, são um amontado de convenções sociais, agrupadas e amoldadas para configurar os modelos de mulher e homem na sociedade patriarcal. Suas características estão presentes em todos os seres humanos, as variações por conta das individualidades, não por conta dos sexos. 

A autora também vai dizer que acredita nas relações homossexuais como uma via de mais flexibilidade e criatividade nos relacionamentos humanos com as pessoas intercambiando os papeis sexuais na cama ou no dia a dia. E que, diferentemente dos casais heterossexuais, lésbicas não precisariam ficar confirmando sua aderência à rigidez desses papéis.


De fato, as relações homossexuais, de gays e de lésbicas, tendem a ser mais horizontais realmente porque o casal é formado por duas pessoas que receberam o mesmo tipo de socialização, havendo, portanto, menos cobranças a priori de adequação a papeis X ou Y. O que não significa que essas relações não possam padecer de outros perrengues presentes em todos os relacionamentos humanos e serem inclusive também tóxicas. Ainda que não se deva esquecer o coletivo, o fato é que cada casal é fruto de dois indivíduos e sua combinação pode ser positiva ou não.

Associe-se ao GALF, p. 15

Como disse na resenha do Chanacomchana 7, o ano de 1985 foi um divisor de águas na história do grupo e de sua primeira publicação. Esta edição n. 8 é a última em que o GALF incorpora o histórico do coletivo que o antecedeu, o Grupo Lésbico-Feminista, com quem mantinha uma ligação simbólica sobre a qual a dura realidade acabou por se impor.

Também, como já dito, foi o início do progressivo distanciamento do grupo do movimento feminista por essa relação ser muito contraproducente. E ainda o ano que o grupo inicia seu processo de associação, com o qual pretendia ter mais suporte financeiro em troca de alguns serviços. O processo de associação vai ser fundamental para a sustentação do segundo título que produzi pelo GALF, o boletim Um Outro Olhar, a partir do final de 1987.

Informes - p. 16 (Míriam Martinho)

Simpósio sobre Homossexualidade feminina (p. 16)

Registro de um simpósio de um dia sobre homossexualidade feminina, considerado como provavelmente o primeiro do gênero no Brasil, ocorrido no dia 18/05/85, no Centro de Convenções Rebouças, organizado pelo Centro de Estudos da Sexualidade Humana, coordenado por Moacir Costa e Ronaldo Pamplona da Costa. Foram abordados diferentes aspectos da lesbianidade. 
A participação de Rosely Roth neste simpósio lhe rendeu a indicação para o programa da Hebe Camargo em 24/05/85

Vivências Lésbicas (p. 16)

Após a expulsão do CIM, nós tentamos obter apoio para uma nova sede, mas só conseguimos verba para alugar uma sala para a realização do evento Vivências Lésbicas onde apresentamos vídeo de um filme sobre o amor entre mulheres e o programa da Hebe Camargo do qual Rosely participou em 24/05/85 (ver relato acima).

Notinhas

Endereço do Grupo de Prevenção a AIDS (GAPA-SP) para quem quisesse obter mais informações sobre a síndrome que naquele início da epidemia foi chamada de "peste gay" e "câncer gay".

Informe sobre o material do extinto grupo Outra Coisa que foi doado para o Arquivo Edgard Leuenroth  da UNICAMP.

III Encontro Latino-Americano e do Caribe (p. 17)

Faço um apanhado desse encontro na próxima edição do CCC. Ele teve pontos importantes na mudança de rumos do GALF seja porque nos permitiu ter contato direto com outro grupo lésbico latino-americano, o também GALF do Peru, seja porque determinou o fim da ligação simbólica que o grupo tinha com seu predecessor o Grupo Lésbico-Feminista. A década de 80 teve prevalência de grupos lésbicos-feministas no incipiente movimento lésbico internacional, daí essa denominação aparecer nos títulos de vários grupos.


Vitória do Movimento Homossexual (p. 17)

Finalmente, em 9 de fevereiro de 1985, o Conselho Federal de Medicina, deixou de aplicar o código 302.0 da Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial de Saúde (OMS) que colocava a homossexualidade como desvio e transtorno sexual. A partir desta data a homossexualidade passou a ser tratada como uma das circunstâncias psicossociais, ao lado de desemprego, desajustamentos sociais e tensões psicológicas que podiam levar alguém a um médico (código 2062-9).  Derrubar este código foi uma das primeiras bandeiras do movimento homossexual do período, por iniciativa do Grupo Gay da Bahia, em meados de 1981, a qual o GALF deu todo o apoio. 

8 Encontro do Serviço de Informação Lésbica Internacional (ILIS) em Genebra (p. 18)

Informe sobre o mais internacional dos encontros do ILIS, previsto então para março de 1986. As organizadoras do evento, do grupo suíço Vanille-Fraise, buscavam então financiamento para bancar os custos de viagem de lésbicas da América Latina, África e Ásia e os custos do próprio evento na cidade dos bancos, chocolates, queijos e relógios. Também vinhos. Fui agraciada por um desses financiamentos e descrevi o encontro no ChanacomChana 10.


Um caso de custódia lésbica (p. 18)

Nota sobre problemas de custódia de filhas de casais lésbicos nos EUA, numa época (1985) em que as americanas já estavam tendo acesso à inseminação artificial, mas ainda tinham que lutar na justiça para garantir a parentalidade. Vale lembrar que neste ano de 2023, na Itália, sob o governo da direita ultraconservadora da primeira-ministra Giorgia Meloni, casais do mesmo sexo que não possuem ligação biológica com a criança perderão o direito legal à parentalidade.

Entre em contato conosco (p. 18)

Os marcos de fundação do Movimento Homossexual no Brasil são o jornal Lampião da Esquina e o grupo Somos, ambos de 1978. O grupo Somos se inicia como um grupo de amigos gays que buscava um espaço diferenciado dos de pegação de bares e boates para discutir suas questões específicas e amenizar a solidão. Em fevereiro de 1979, o grupo aceita um convite para participar de um debate sobre homossexualidade na Ciências Sociais da USP, tornando-se conhecido, e a partir daí passa a crescer exponencialmente. Durante os anos de 79 e 80, o movimento cresce e se espalha para outras cidades de outros estados, organizando um primeiro encontro nacional em abril de 1980 (Iº Encontro Brasileiro de Homossexuais). No entanto, em meados de 81, época em que deveria ter realizado o II Encontro no Rio, o movimento já mostrava sinais de refluxo que se acentua a partir de 1985. Essa nota demonstra que em meados de 85, os grupos já podiam sem contados nos dedos de uma mão.


Lésbicas e Trabalho, p. 19 (Rute Amorim e Luiza Granado)


Lésbicas e Trabalho foi uma entrevista feita por Luiza Granado e Rute Amorim com duas lésbicas, uma motorista de táxi, Ana, 32, e uma funcionária pública, Renata, 52, abordando suas vivências lésbicas no trabalho. Ana, autointitulada sapatão, demonstrou mais tranquilidade quanto a sua visibilidade como lésbica na profissão. Renata demonstrou mais ambiguidade: embora negasse que se enrustia, não acreditava ser necessário se assumir no espaço de trabalho.

Motorista de táxi, Ana relatou ter sofrido preconceito de uns cinco caras quando estava obtendo o alvará para seu ponto. Eles falaram que não queriam sapatão no pedaço, que ia sujar o ponto, que o passageiro não ia querer pegar o táxi. Depois que obteve o alvará, o coordenador do ponto veio perguntar a ela se era lésbica. Ela confirmou, mas disse que estava ali para trabalhar como todo o mundo, sem extrapolações. Segundo Ana, um ano depois, mesmo os mais incomodados a princípio com sua visibilidade lésbica passaram a aceitá-la, inclusive outras taxistas mulheres, héteros ou entendidas.

Ana afirmou que a autonomia da profissão favorecia sua visibilidade: o carro era dela, trabalhava por conta própria já há 10 anos. Quando trabalhara como funcionária pública, porém, relatou que procurava disfarçar sua orientação sexual para não perder o emprego. Perguntada se achava importante ser assumida no trabalho, afirmou que sim porque quando a pessoa estava sendo "ela mesma", sendo aceita pelos interlocutores como é, tanto faz por dentro ou por fora, não existia coisa mais "de paz".

Sobre como melhorar a situação das lésbicas no trabalho, Ana respondeu:


Funcionária pública, Renata fez um depoimento contraditório, onde, embora dissesse que não se esquivava de abraçar e beijar casos e amantes em qualquer ambiente, na família ou mesmo no emprego, não via o porquê de as pessoas saberem que era lésbica no trabalho, pois tal revelação implicaria uma mudança nas pessoas que seria impertinente e sem objetivo. Para ela, a homossexualidade não dita, só suposta, era admissível, mas quando dita abertamente se tornava imperdoável porque as pessoas não queriam a responsabilidade de saber. Relatou a experiência de desabafar com uma amiga heterossexual sobre a dor da separação de um grande amor, a qual chamou de pessoa, sem revelar que se tratava de uma mulher. A suposta amiga a apoiou até saber a verdade. Após a revelação, a relação das duas se rompeu.

Não obstante, Renata achava que o isolamento das lésbicas ficava muito por conta das próprias devido à culpa que interiorizavam. Considerava importante não exagerar o papel da repressão social como gerador de culpas e um dos fatores mais importantes ou talvez o único a gerar debilidade e depressão. Que viria das próprias lésbicas aceitar sua homossexualidade perante si próprias. Por outro lado, entendia que ninguém tinha uma vivência tranquila da homossexualidade, mas que, apesar de muita culpa e drama, com apoio de outras homossexuais e ativistas, podia-se chegar a bom termo com a própria orientação sexual.



Troca-cartas, p. 25

Para um bom papo, aquela transa, um grande amor

Numa amostra de como o Chanacomchana foi se tornando nacional, neste troca-cartas, tivemos 14 correspondentes, sendo 8 paulistas e paulistanas, 3 gaúchas, uma mineira, uma amazonense e uma cearense, curiosamente, como observado no CCC 7, com a maioria colocando seu nome por extenso.

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