Os inacreditáveis sequestros da história do GALF, do Chana, do Dia do Orgulho e da imagem de Rosely Roth

quarta-feira, 30 de novembro de 2022 1 comentários



A hora do espanto: as inacreditáveis tentativas de sequestro da história do GALF, do Chana, do Dia do Orgulho e da imagem de Rosely Roth

Este texto surgiu da necessidade de denunciar as tentativas de sequestro da história do Grupo Ação Lésbica Feminista (GALF), do ChanacomChana, do Dia do Orgulho Lésbico e da imagem de Rosely Roth com o objetivo de encaixá-los anacronicamente numa suposta resistência das lésbicas à ditadura militar. Assim sendo, sob o signo do espanto, relato, em primeiro lugar, as experiências surreais vividas, desde 2021, com essas tentativas de sequestro, que apelidei de “novelão da armação”, e disseco as ações de seus agentes. Trago nomes, histórias de bastidores e inclusive trechos de cartas da Rosely nesta denúncia. Claro, preferia estar escrevendo uma história bonita, de sororidade, conquistas coletivas, mas me vejo na obrigação de expor – mais uma vez - um festival de baixarias inacreditáveis que demorei para entender em seu conjunto. Dá muita vergonha alheia e constrangimento esse enredo, mas é preciso enfrentar.

Num segundo momento, com vistas a contextualizar as origens do próprio GALF e do Chanacomchana em seu real tempo histórico, político e ideológico, enveredei também por um breve resgate do Brasil dos anos 60, 70 e início dos 80 sob o contexto macropolítico da ditadura militar e da revolução sociocultural e comportamental da Contracultura. Trago depoimentos de vários atores daquela época para caracterizar a importância da Contracultura na mentalidade da geração dos anos 70 no Brasil e de como suas ideias influenciaram o nascimento do Movimento Homossexual tupiniquim, estendendo-se até a formação do próprio GALF. Falo também dos conflitos desse incipiente movimento com a esquerda tradicional e, com texto dessa própria esquerda, demonstro como suas ideias foram amplamente rechaçadas no Movimento Homossexual Brasileiro.

O resultado foi uma miscelânea de relato pessoal, pois sou o alvo central do novelão da armação, com análise política mais ampla, buscando de qualquer forma referendar todas as abordagens com boas fontes.


Capítulo 1: Novelão da armação

Introdução

Deixei a militância presencial em 2009 por exaustão e falta de perspectiva de algo minimamente interessante para fazer no âmbito do ativismo coletivo. De um lado, a população lésbica e sua visão sempre utilitarista dos grupos lésbicos como prestadores de serviços (situação agravada com o advento das ONG) e não como espaços a se agregar na luta pelo bem comum. Do outro lado, a militância já naquela época uma crescente bolha tóxica de múltiplas cooptações que desaguaram nos pós-modernos identitarismos tribalistas e suas tentativas de heterossexualização de lésbicas e gays como vemos hoje.

Após 30 anos consecutivos de militância presencial, tive síndrome de burnout e precisava de um belo respiro ou, também poderia dizer, precisava tirar a cruz das costas. Lembrando que eu não só militei como também produzi 20 anos de publicações: 12 boletins Chanacomchana, 21 boletins Um Outro Olhar, 18 edições da revista Um Outro Olhar, 15 boletins Ousar Viver, sobre saúde lésbica, fora cartilhas e folhetos também sobre saúde lésbica, relatórios de encontros e a versão online da Um Outro Olhar. Em breve, apresentarei meu portfólio detalhado.

Em função desse currículo de ativismo, já a partir dos anos 2000, passei a receber pedidos de entrevistas sobre as publicações que produzi (ChanacomChana e Um Outro Olhar) e os grupos dos quais fui cofundadora (Grupo Lésbico-Feminista - LF, Grupo Ação Lésbica-Feminista - GALF e Rede de Informação Lésbica Um Outro Olhar). E esses pedidos continuaram num crescendo, principalmente da década passada para cá.

De fato, não respondi nem metade deles seja por falta de tempo, ou outras questões pessoais, seja por, sobretudo, me perceber meio esquecida de algumas coisas. Em algumas entrevistas que dei, notei posteriormente que havia trocado datas, nomes de personagens. E ficar preenchendo lapsos de memória com fabulações, como faz tanta gente por aí, nunca foi minha praia. Acho que as pessoas merecem ter acesso a informações bem fundamentadas não a contos da carochinha reciclados e referendados por comadrios e compadrios. Passei então a produzir os textos da série Memória Lesbiana tendo minha memória como guia, mas ancorada em pesquisas no meu próprio trabalho, meu fio de Ariadne, no acervo da Um Outro Olhar e em outras fontes, a fim de servir como levantamento de dados para um trabalho mais amplo de resgate da minha militância e de consulta para as interessadas. Fora, claro, combater tantas reescrituras e usurpações da história da organização lésbica brasileira que não param de crescer. O relato que se segue também faz parte desse esforço naturalmente.

De qualquer forma, nos últimos anos, dei algumas entrevistas, entre elas para umas gurias que viriam a formar o autointitulado Arquivo Lésbico Brasileiro (dei entrevistas para 4 delas que fizeram suas teses parcial ou integralmente sobre meu trabalho seja como ativista ou como produtora do Chanacomchana e do Um Outro Olhar). No início de 2021, recebi convite para o lançamento do tal arquivo. De cara, já achei um pouco estranha a aparição súbita desse arquivo, formado por gente que acabava de receber títulos de mestrado. Conheço arquivos lésbicos desde os anos 80, e eles sempre surgiram a partir da própria comunidade lésbica de forma bastante orgânica e gradual. Mas tentei pensar positivo, achando que poderia já haver uma história se desenrolando antes do empreendimento vir a público.

Entretanto, quando comecei a ler as teses dessas gurias, onde constavam minhas entrevistas, entre outras, a estranheza só foi aumentando. A primeira estranheza foi em relação à abordagem especulativa sobre a Rosely Roth e seu falecimento. Uma querendo fazer perfil da Rosely com gente estranha a ela, outra me entrevistando em tese que seria sobre o GALF, mas indo colher depoimentos com integrantes do lésbico-feminista (coletivo que precedeu o GALF) e ativistas lésbicas da década de 90. No meio do texto, de novo especulações sobre a morte de Rosely junto sabe lá a quem que teria lidado com a situação (de sua doença), com “narrativas sugerindo diferentes formas de abordar o problema individual e coletivamente e a existência de mágoas que ainda perduravam”. Considerando que não havia grupos lésbicos no Rio no final da década de 80 e que Rosely, no seu último semestre de vida em 1990, ficou afastada de espaços de militância (como deveria ter sido feito desde o início de sua ida ao Rio), de onde apareceram as tais “narrativas de formas de lidar com o problema e sobretudo de mágoas que ainda perduravam”? Quem tinha que lidar com os problemas da Rosely eram os psiquiatras e terapeutas que dela tratavam, e mágoa é um sentimento por algo que nos feriu diretamente. Não existe mágoa alheia. Luto produz tristeza apenas. Muito estranho.

A essas alturas eu também já havia notado a aproximação dessas gurias da personagem Marisa Fernandes (do Coletivo de Feministas Lésbicas) que aparecerá muito neste relato. E onde Fernandes aparece, direta ou indiretamente, sempre rola alguma coisa escusa, fraudulenta e não raro caso de polícia. Ela é uma espécie de ISO 9000 ao contrário. E não deu outra. Finalmente eu cheguei à tese de uma das integrantes do arquivo, chamada Carolina Maia (hoje se diz Caio) que fez seu trabalho integralmente em cima dos meus boletins Um Outro Olhar. Em sua tese, ela enxerta, sem relação com os boletins, uma reciclagem do infame depoimento de Fernandes em outra tese onde a velhaca me acusava de ter sido responsável pelos problemas psiquiátricos da Rosely, por haver me separado dela (sic), o que a teria levado ao suicídio. Apelidei essas teses de “teses-armação”.

Dissecando a primeira tese-armação

Para entender como esse tipo de baixaria foi parar em teses, há que se rebobinar a fita para o início dos anos 90. Já tendo tomado um engov, descrevo então o primeiro capítulo da novela sórdida urdida por Fernandes, que uma psicóloga minha conhecida, para quem descrevi o perfil da citada criatura, disse se tratar de alguém com traços de psicopatia (mente como quem respira, manipula as pessoas para obter vantagens pessoais e prejudicar os outros, índice de maldade elevado). Só um aparte porque, pessoalmente, não me interessa se a figura é caso de psiquiatra, de descarrego ou daquela justiça rápida e rasteira que se faz nas periferias do Brasil. Problema é ela ter me pegado para bode-expiatório de sua cabeça machista e recalcada ao longo da vida e como isso precisa ter um paradeiro.

Tive raros contatos com Fernandes na década de 80 porque o que nos aproximava, o Grupo Lésbico-Feminista (LF), se desfez em meados de 1981, e ela deixou a militância lésbica para ir viver, a princípio em casas comunitárias de um hippismo tardio em Riacho Grande (SBC) e Maromba (RJ). Finda essa fase, retornando a Sampa, migrou, como outras ex-LFanas, para o armário do clube alienado e covarde que as feministas homossexuais armaram, dentro do movimento feminista, a partir do qual pregavam a despolitização da questão lésbica reduzindo-a à opção sexual a ser vivida no privado.

Ao contrário do que disse em entrevistas e artigos, portanto, Fernandes nunca esteve no GALF (Grupo Ação Lésbica-Feminista), embora não tenha feito outra coisa, desde que retornou à militância na década de 90, a não ser tentar se meter a fórceps num grupo pelo qual de fato nunca teve qualquer interesse quando vivo (graças a Zeus). Retomando, então, tive raros contatos sociais com ela durante a década de 80, pois nossas vidas tomaram rumos diferentes. Entre esses raros contatos, o último e o único mais prolongado foi em 1988 quando logo me vi envolvida em mais um dos barracos dos quais Fernandes sempre foi pródiga, barraco potencializado por seu costumeiro consumo de drogas. Foi então que lhe dei um belo “chega pra lá”, nela e em outra sua parceira também junkie de merda e igualmente barraqueira.

Seja como for, tratou-se de um incidente doméstico, como tantos outros que acontecem todos os dias entre zilhões de seres humanos, do qual qualquer pessoa minimamente equilibrada esquece em pouco tempo. No caso de Fernandes, porém, parece que meu “chega pra lá” lhe feriu fundo a masculinidade tóxica, tanto que resolveu usar inclusive o movimento de um dos grupos mais vulneráveis da sociedade, que são as lésbicas, como palco para a purgação de seu eterno despeito.

Embora, durante a década de 80, desdenhasse da organização lésbica e mesmo da produção do Chanacomchana, no ano seguinte ao nosso entrevero, durante o X Encontro Nacional Feminista, realizado em Bertioga (SP), entre 14 e 19 de setembro de 1989, Fernandes participou de reunião específica de lésbicas, onde entre outras coisas, como vieram me reportar, queria saber o que seria feito do acervo do GALF porque achava que, com a doença de Rosely, o grupo não continuaria. Rosely adoeceu em outubro de 1987, e o GALF continuou existindo oficialmente até março de 1990 porque quem o sustentava eram os boletins Chanacomchana e Um Outro Olhar, que eu produzia, não nossa porta-voz. E não terminou tampouco por causa de Rosely que faleceu meses depois do fim do GALF. No boletim Um Outro Olhar 17 do inverno de 92, p.13, para dar uma ideia de há quanto tempo Fernandes apronta - eu já dizia a propósito de um vídeo sobre o movimento de mulheres, Memória de Mulheres, onde ela aparecia:
Depois desse encontro, em 1990, recebi carta da feminista Maria Otília Bocchini informando que ela, Fernandes e outras tinham formado o Coletivo de Feministas Lésbicas (CFL) para levar a questão lésbica exclusivamente dentro do movimento feminista, preenchendo o vácuo deixado pelo GALF. Só iria rever Fernandes, contudo, quando fiquei sabendo que Míriam Botassi (do Centro Informação Mulher-CIM) tinha assumido organizar o IV Encontro de Lésbicas-Feministas e do Caribe no Brasil a partir de abril de 1993. A Rede UOO já tinha sido consultada no final de 1992 e início de 1993 sobre a possibilidade de se fazer esse encontro por aqui, mas dito “não” por não ver estrutura para tal. Duas consultoras do encontro anterior, ocorrido em Porto Rico, contudo, encontraram com Botassi em um encontro feminista na Guatemala, e esta assumiu fazer o evento lésbico no Brasil. Nós, da Rede UOO, e o grupo Deusa Terra fomos conferir aquele fenômeno de feministas homossexuais querendo organizar encontro lésbico internacional no país, já que, até então, nunca haviam feito quase nada pelas lésbicas nem no movimento onde atuavam.

Paralelamente, em maio de 93, o Grupo de Homossexuais do PT (GHPT) entrou em contato com os grupos de gays e lésbicas existentes em São Paulo para organizar o VII Encontro Brasileiro de Homossexuais. Eu de imediato propus a mudança do nome do encontro para incluir a palavra lésbica, com apoio de outras lésbicas da Rede e do grupo Deusa Terra e independentes [1] e dos grupos gays GHPT e Etecetera e Tal. A comissão organizadora submeteu a proposta aos demais grupos LG do país que, em sua maioria, também aprovaram a mudança, passando o encontro a se chamar de VII Encontro Brasileiro de Lésbicas e Homossexuais, não sem antes enorme polêmica.

[1] As ativistas lésbicas que organizaram o VII EBLHO foram Luiza Granado e Míriam Martinho (pela Um Outro Olhar), Célia Miliauskas e Cristina Matsubara (pelo Deusa Terra) e Monica Pita (independente). 


Ficamos, então, no ano de 1993, de observadoras do encontro das lésbicas, onde as coisas não andavam, e de protagonistas do encontro LG, onde, apesar da polêmica sobre a alteração do nome, tudo foi se encaminhando a contento. Culminou, em setembro de 1993, num encontro bem-sucedido e histórico, considerado um divisor de águas, o renascimento do movimento homossexual no país, rebatizado de movimento de gays e lésbicas e, depois, em 1995, de gays, lésbicas e travestis. Posteriormente a letra L passou a iniciar a sigla, embora só a letra, não as lésbicas.

Ao final do VII EBLHO (4 a 7 de setembro), estávamos superfelizes com o sucesso do evento, mas exaustas pela trabalheira. Decidimos, então, nós, da Rede, e o grupo Deusa Terra deixarmos a organização do encontro lésbico latino-americano para Botassi, o CFL e outras que estavam descansadas. Mas eis que então Miriam Botassi aparece em meu apartamento, aquele mesmo onde ela havia mandado despejar a biblioteca e o material do GALF, em 1985, para pedir que a gente não deixasse a preparação do encontro porque ela não teria condições de organizá-lo com a “louca” da Marisa Fernandes (palavras dela). Resistimos o quanto pudemos: repetimos o quanto estávamos cansadas, as gurias do Deusa Terra idem. Botassi então pediu licença para usar o telefone e ligar para uma das integrantes do Deusa Terra a fim de convencê-la também a não desistir da organização do evento. Insistiu na ladainha de que não precisaríamos pegar no pesado, apelou para a causa lésbica (esta não seria a última vez que eu cairia nessa conversa mole de “causa”) e nos constrangeu a voltar, já que havia dado força para a inserção da palavra lésbica no VII EBLHO, cedera o espaço do CIM para as reuniões da comissão organizadora do encontro. Acabamos voltando então só para nos darmos conta de que Botassi queria era simplesmente desviar as atenções da “louca” dela para nós, como de fato aconteceu durante o restante de setembro de 1993.

E tudo continuou sem rumo, com as figuras mais preocupadas em discutir as mazelas do movimento feminista do que encaminhar minimamente um esboço do que poderia ser o tal encontro em pauta. Como haveria uma reunião lésbica, em outubro, marcada para um encontro feminista em El Salvador (6º EFLAC), nós, da Rede, fomos ao evento e relatamos a situação precária da comissão organizadora, apresentamos uma carta com os nomes dos grupos que a compunham, omitidos por Botassi anteriormente, e pedimos apoio das integrantes das comissões organizadoras pregressas a fim de salvar o encontro no Brasil. Míriam Botassi ficou mais pálida do que cera ao ter que simplesmente conversar com as ativistas lésbicas latino-americanas num encontro informal no quarto de uma delas.

Depois, numa reunião aberta, no gramado da pousada onde foi realizado o encontro, concordou com a criação de um comitê regional para apoiar a organização brasileira e quem sabe ajudar a mediar seus conflitos. Botassi e sua acompanhante, Alice de Oliveira, concordaram com o comitê, mas, de volta ao Brasil, na primeira reunião que tivemos, em 28/11/93, Botassi declarou sua saída da comissão organizadora, por não estar de acordo com o Comitê Regional (sic), por não aceitar ser mandada por “aqueles paízinhos (em referência à Costa Rica e a Porto Rico)” nem com os rumos do encontro (como se o encontro tivesse tido rumo alguma vez). Com ela saíram também as integrantes do CFL, não sem antes promover um grande tumulto.

Nós, da Rede e do Deusa Terra, então nos dirigimos ao comitê regional, descrevendo o ocorrido e, claro, declarando nossa desistência da organização do evento que foi posteriormente assumido pelos grupos lésbicos da Argentina. Teve também um lance cômico das retirantes tentarem fazer o encontro escondido, em 1994, e enviado carta ao comitê regional dizendo que a comissão brasileira não havia se dissolvido. Em junho de 1994, contudo, ao receber carta da comissão organizadora argentina, Botassi remeteu comunicado a grupos de gays e lésbicas e feministas brasileiros dizendo que sofrera um golpe. Mais detalhes da história rocambolesca podem ser lidos na revista Um Outro Olhar 22, p. 11.

Na verdade, Botassi não conseguiu organizar o encontro em São Paulo porque sua monumental arrogância e seu hábito de manipular os outros não permitiu. Nós tínhamos deixado a organização numa boa para ela ir à luta com suas parças e antagonistas. Ela é que veio nos implorar para voltar. Deveria ter se virado com a “louca” da Fernandes para organizar o encontro ou desocupar o copo para outras beberem a água em vez de envolver todo o mundo em suas lambanças. Depois, confirmando sua arrogância, não quis aceitar a mediação de outras ativistas latino-americanas, com ativismo lésbico que ela não tinha, para um encontro que era latino-americano, não brasileiro. Por fim, não obstante ter sido a única responsável pelo próprio fracasso, ela e a mesma Fernandes a quem chamara de louca, vão nos culpar por seu vexame e retaliar.

E a retaliação veio no nível Marisa Fernandes de ser. Na tese de uma mexicana chamada Norma Mogrovejo, amiga de Botassi, segundo depois me informaram, Fernandes vai me responsabilizar pelos problemas psiquiátricos da Rosely entre outras mentiras e absurdos. Eu cheguei a falar com essa “pesquisadora”, no encontro da Argentina, que queria saber da novela da desorganização do IV Encontro no Brasil. Depois, só fui ouvir falar dela quando a carioca Rita Colaço, em 2009, me enviou cópia da citada tese onde a nefasta Fernandes vomitou sua maledicência. 

Traduzi o trecho principal da baixaria para desconstruí-lo com ajuda da própria maléfica. Cumpre adiantar que Fernandes inventou toda a história abaixo, convenhamos, porque não vale o que defeca, não porque seja louca, como dizia a comadre Botassi. Que tenha algum problema psicológico mais sério não há que se duvidar. Nenhuma pessoa saudável passa uma vida perseguindo outra a troco de nada. Mas a loucura real se caracteriza pela incapacidade de a pessoa distinguir o que é real do que não é, de não saber o que faz e diz, portanto, ser inimputável. E Fernandes sabe muito bem o que faz, apenas não tem limites morais. A entrevista abaixo é de 1995 (original aqui):
Em 85 Teca (que era uma grande oradora), Miriam e eu nos separamos por várias razões e Rosely entrou, uma lésbica muito forte, de origem pobre, branca muito combativa. Eu tinha rompido meu relacionamento com Miriam (sic). Rosely e Miriam começaram um relacionamento duas fortes lideranças que foram assumidas publicamente e Rosely foi a televisão num programa de Hebe Camargo, um patrimônio vivo da história da televisão, as pessoas a adoram porque é sincera e no final do programa ela deu a caixa postal. Milhões de lésbicas estavam assistindo e recebemos milhares de cartas dizendo "Eu não vou mais me matar, porque eu sei que não estou sozinha "cartas emocionadíssimas”. Todas elas foram respondidas, nós éramos militantes, demos nosso tempo, fizemos bingo para conseguir dinheiro, fizemos muitas coisas, não tínhamos financiamento, o grupo não tinha recursos, era autossustentável. Tínhamos uma reunião específica para as novas "grupo de identificação".
Bem, a Teca deixou o Grupo Lésbico-Feminista (LF) em outubro de 1980 (ver abaixo a entrevista de Teca ao Mulherio (n. 9, set./out. 1982), e a Fernandes em junho de 1981 (ver entrevista dela abaixo). Só eu e a Rosely que tínhamos sido do LF (Rosely só nos últimos 4 meses do coletivo) seguimos com a militância lésbica e fundamos o Grupo Ação Lésbica Feminista em outubro de 1981. Portanto, eu, Teca e a Fernandes não nos separamos em 1985 por inúmeras razões. Sobretudo, eu não tinha rompido relacionamento algum com essa figura lastimável. Antes de namorar a Rosely, eu namorava a Teca, fora alguns namoricos com outra Marisa, mas essa de sobrenome Fiori. Isso na época do lésbico-feminista (05/79-06/81). E Fernandes nunca esteve no GALF, então, essa história das cartas emocionadíssimas que “nós” recebíamos (ela se incluindo no grupo) nunca existiu. Todo o parágrafo acima é pura cascata.

Entrevista de Teca ao Mulherio (n. 9, set/out 1982)

Comparemos com um trecho da entrevista que a própria Fernandes deu para a tese Trajetória da Imprensa Lésbica No Brasil (1981-1995), de Paula Silveira Barbosa (2019). Nesse trecho da tese (p. 209-210), ela diz a verdade sobre seu afastamento da militância na década de 80, embora minta sobre ter ido se desintoxicar (no entrevero que tivemos em 1988 seu consumo de drogas continuava bem presente). Ela afirma que se afastou de coletivos na década de 80, não podendo, portanto, ter participado do GALF e auferido o impacto da participação da Rosely no programa da Hebe Camargo.
Paula: Agora, o LF, que depois se tornou GALF, teve várias fases, mas você disse que só participou no início. Depois que sai aquela edição especial do Chana, em 81, acontece um hiato. Ele só volta em dezembro de 82, já em formato de boletim. O que aconteceu nesse meio tempo? Foi a partir daí que você se afastou?
Marisa: É, é. (Risos). Acompanhei até o grupo conseguir uma sede própria na rua Aurora (julho de 1981). Depois, eu precisei me afastar, por questões de saúde. Minha questão de saúde era uma desintoxicação mesmo. Eu tava abusando de substâncias psicoativas e álcool. Enfim, tudo o que tinha. Para segurar tanta energia, tanto trabalho, porque eu era bastante ativa. Então, eu estava muito intoxicada e resolvi sair de São Paulo, para fazer essa desintoxicação.
Parei com o ativismo em coletivos, em grupos. Mas quando eu retornei para São Paulo, eu nunca deixei de ir, por exemplo, às reuniões organizativas do 8 de março, mas eu era autônoma.
P: E quando você volta?
M: Ah, que pergunta difícil! Não tenho muita memória. Mas, eu me desliguei de coletivos. Por quê? Porque a gente fazia as reuniões bebendo, fumando e cheirando. Quando a gente saía, sempre tinha alguém que falava: “vamos tomar uma?”. Ou você se desliga um pouco desse social que te leva a tanta dependência ou você faz o seu caminho muito mais difícil. Então, foi uma questão de saúde mesmo, uma escolha que eu tive que fazer. Saí do ativismo coletivo, mas me mantive de forma autônoma. (p.209)
P: É, mas em 90, vem o CFL. E você é uma das fundadoras.
M: Aí já era outra coisa. [...] Bom, aí nós colocamos o nome do nosso grupo de Coletivo de Feministas Lésbicas de São Paulo. Quando a gente foi registrar o grupo, uns quatro anos depois, foi muito engraçado. Por exemplo, o oficial lá do cartório de registro se recusou porque era a contra a moral e os bons costumes.
P: Em 90?!
M: É. Em 1994, em São Bernardo do Campo. (p.210)
Neste outro parágrafo abaixo também da tese da mexicana Norma Mogrovejo, Fernandes parte para a difamação e a calúnia simplesmente, aproveitando-se de uma carta que um punhado de levianas desumanas de um tal fórum feminista do Rio resolveu circular sobre uma suposta omissão de nomes num artigo que fiz para o boletim Um Outro Olhar número 9 a respeito da primeira década da organização lésbica brasileira (1979-1989: 10 anos de movimentação lésbica no Brasil (p.8-17). Aqui se nota que Fernandes se baseou em pura fofoca com a intenção de me desacreditar em sintonia com as levianas citadas que na verdade detestaram foi o conteúdo do artigo porque listava os percalços do GALF no movimento feminista. Detestaram sobretudo a minha conscientização de que não valia a pena estar nesse movimento e era mais producente partir para um movimento autônomo. Um movimento autônomo de lésbicas era uma heresia para elas naquele momento. Como não tinham como rebater o escrito com argumentos, resolveram partir para a baixaria.

Mas vamos desconstruir Fernandes e suas mentiras por partes. Disse a nefasta na “entrevista” à também antiética Mogrovejo que publicou semelhante coisa:
Num 8 de março, Miriam termina com Rosely e Rosely ficou com problemas psiquiátricos e cometeu suicídio.
Eu terminei meu relacionamento com Rosely em outubro de 1987, não num 8 de março. Separações não levam ninguém a ter problemas psiquiátricos que são transtornos do desenvolvimento e da neuroquímica do cérebro das pessoas. As únicas causas externas capazes de promover surtos psicóticos são o uso de drogas ou algum vírus que afete o cérebro do paciente, produzindo, por exemplo, a meningite.

Por outro lado, Rosely já estava se comportando de forma muito estranha antes de apresentar alucinações, vendo bruxas e coisas cintilantes inexistentes, durante o IV Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe, em outubro de 1987, no México. Quando recebi as integrantes do ILIS (Serviço Internacional de Informação Lésbica) em meu apartamento, em setembro de 87, ela já começara a se comportar do nada de forma agressiva e não relacional. Ao chegar ao México, depois de mim, porque havia perdido a passagem, continuou nesse mesmo estado, o que me levou a dizer-lhe um “então, tá, a gente se separa”, considerando que não queria conversa comigo (isso no contexto de uma relação que já tinha um bom nível de desgaste). E ela não estava nem aí com o que falei. Após o surto de fato, as pessoas do encontro se mobilizaram para encontrar uma médica que prescreveu um antipsicótico para Rosely e disse que, quando de volta ao Brasil, ela precisava ser internada e afastada da militância. Quando a trouxe de volta a São Paulo, ela foi morar com a família, a quem avisei do acontecido, mas ninguém levou muito a sério o relato até que outros surtos acabaram por fazê-los cair na real. Segue a infame Fernandes:
Antes do suicídio, Rosely conta às feministas do Rio uma série de histórias de Miriam que deixam as feministas assustadas, não sabemos se eram verdadeiras ou não porque ela estava em tratamento psiquiátrico.
Em 2 anos e 10 meses, desde outubro de 1987 até agosto de 1990, Rosely teve 5 internações psiquiátricas. Quando surtada, dizia e fazia as coisas mais sem noção porque estava doente. E qualquer pessoa que não fosse cega podia perceber isso ao lidar com ela, ainda que houvesse divergências sobre seu diagnóstico preciso. Segue trecho de carta dela para mim, datada de 7 de março de 1990, quando estava internada no Instituto Bairral, em Itapira (SP). Ocultei o nome da feminista a quem ela se refere, pois nem sei se está viva ainda. Rosely se refere ao momento anterior a sua nova internação, em função de mais um de seus surtos. Transcrevo (original aqui):
Eu falei bobagens de você na casa da Vera. Aí estamos em família. Quando fui ao fórum feminista, acabei não entrando no fórum. Fiquei numa outra sala com a xxxx e outras poucas mulheres. Nesta ocasião eu falei que você e a Vera eram dois machões. E falei mais da Vera ou somente da Vera. Não falei de ti.
Uma das coisas que, no meu entender pode ter precipitado o suicídio de Rosely, além da doença em si, claro, foi ela ter ido parar no Rio de Janeiro, longe da família e de suas verdadeiras amigas. Quando estava em São Paulo, finalmente medicada, como insistia em militar, participou de algumas reuniões internas do GALF e mesmo se hospedou em meu apartamento um par de vezes. Morava com a irmã, mas a situação estava difícil porque a mana, também lésbica, vivia um fim de caso tumultuado que a presença de Rosely supostamente agravava. Nós chegamos a enviar uma carta para as associadas do GALF solicitando ajuda para uma possível hospedagem temporária de Rosely ou pedindo endereço de pensões para moças com contato para sua irmã Shirley. E teríamos conseguido alguma alternativa, se ela tivesse permanecido em SP.

Mas ela conheceu Vera, provavelmente via boletim Um Outro Olhar, e foi viver com ela no Rio. Infelizmente, contrariando ordens médicas de manter Rosely afastada da militância, Rosely foi parar em um fórum feminista local. Rosely chegou a se hospedar também na casa de uma dessas feministas. Quando soube da história, de imediato disse a Vera que aquilo ia dar merda. Rosely vivia saindo e entrando de surtos e, como relatei acima, dizia, quando fora de si, qualquer coisa que lhe viesse à cabeça, da namorada, de mim, do pai, de todas as pessoas mais próximas a ela. Quando voltava à terra, via medicação, reconhecia que tinha falado bobagens, como visto.

Claro que gente minimamente razoável não vai usar o que fala uma pessoa nessa condição para politicagem. Entretanto, leviandade é o que nunca faltou nesses ditos movimentos sociais tanto hoje quanto ontem. Na mesma roda de conversa paralela ao tal fórum, pregressa a uma de suas internações, onde admitiu ter dito bobagens (vide carta acima), Rosely também afirmou que não havia gostado do meu balanço da primeira década, publicado no boletim UOO 9, porque não a citava. Tratou-se de uma fala até banal perto do que costumava proferir, mas que só podia ser entendida dentro do contexto de sua doença, já que, nos vários históricos que fiz, desde o grupo lésbico-feminista, e principalmente no GALF, nunca citei ninguém, e ela nunca havia se incomodado. Aliás, ninguém nunca havia se incomodado porque raras tinham militado e mais raras ainda queriam aparecer publicamente como lésbicas.

Com a abulia, ou seja, a incapacidade para fazer as coisas, causada pela esquizofrenia, Rosely provavelmente temia que suas ações passadas desaparecessem também, já que não conseguia mais produzir. Muito improvável que isso acontecesse, porém, porque, mesmo que eu não tivesse preservado sua memória, fora uma figura pública e, cedo ou tarde, seria resgatada do limbo.

Aliás, quem de fato tentou metê-la no limbo, de 2003 até ontem, foram exatamente algumas das feministas da mesma turma que, no início de 1990, usou esse comentário banal dela como pretexto para me retaliar pelo retrato nada auspicioso que fiz da trajetória do GALF junto ao movimento feminista e por falar num movimento lésbico autônomo. Prova maior da desonestidade dessa carta, supostamente em protesto pelo apagamento de gente da história, foi exatamente toda a campanha que essa mesma turma fez contra o Dia do Orgulho Lésbico, lançado em abril de 2003, entre outras coisas, em homenagem à memória da Rosely Roth. Em agosto de 2006, eu dizia no texto Dia da visibilidade lésbica: 36 anos de uma história mal contada e sem registro.
No entanto, fica muito difícil para as promotoras do dia da visibilidade lésbica explicar por que elas não celebram a primeira manifestação de visibilidade lésbica ocorrida no Brasil em 1983. Fica difícil explicar por que não celebram a memória da ativista (Rosely Roth) que encarnou – como ninguém – o conceito que essas pessoas têm de visibilidade lésbica. Melhor apagar todos esses incômodos questionamentos apagando a lembrança do evento que os origina.
Voltando, numa carta-circular, assinada por gente minha desconhecida (só reconheci três das figuras), essas feministas (?), que nunca haviam levantado uma palha pelas lésbicas no MF, que inclusive viviam dando piti por nossa insistência na visibilização da questão lésbica no feminismo, resolveram me dar lição de moral (com que moral, né?) sobre uma suposta omissão de nomes de ativistas lésbicas (na verdade de comadres delas do ex-LF que submergiram no armário feminista), no balanço da década de 80 (1979-1989: 10 anos de movimentação lésbica no Brasil (p.8-17). A coisa é tão patética que elas citaram a Rosely, uma figura pública, ao lado de nomes de mulheres sem sobrenome que eu supostamente teria deixado de revelar, leviandade da qual Fernandes, que parece até vilã de história em quadrinhos de tão mau-caráter, vai se aproveitar no “relato” à mexicana Mogrovejo:
Em seguida, Miriam publicou um artigo em uma revista tentando resgatar a história do movimento lésbico e omitiu a participação de várias mulheres que foram fundamentais na história e que causou grande desconforto nas feministas do Rio de Janeiro que se sensibilizaram, dando apoio a Rosely e escreveram um artigo respondendo a Miriam que o movimento não foi feito apenas com sua participação e colocou o nome de todas no plural: que o movimento foi feito com muitas Marisas, muitas Roselys, Marias, Tecas e um repúdio a esse artigo foi feito.
Pelo que lembro, a maioria citada eu sequer soube quem era e das que presumi reconhecer só uma, Silvana, me pareceu ser Silvana Afram, fotógrafa do grupo lésbico-feminista, porque o nome não é tão comum. As outras que supus reconhecer citadas no plural foram, das Teresas, provavelmente a Teca, das Vilmas, a Monteiro? e das Marisas sabe-se lá quem (já que houve 4 Marisas no LF e das quatro apenas uma, a Fiori, não se meteu no clube das comadres feministas homossexuais do armário. Nunes, Sanematsu e Fernandes se meteram direitinho. Basta lembrar que Fernandes dizia não ser possível organizar lésbicas no Brasil em setembro de 1987).

Então, supondo que houvesse algo realmente de escuso em citar só fatos e nomes de grupos em históricos, de que adiantaria colocar o nome de Teresas, Vilmas, Marisas e mesmo Silvanas sem sobrenome? Como isso as identificaria? Quantas mulheres são conhecidas com esses prenomes? Vale lembrar que a maioria das lésbicas que escrevia no Chana usava só o prenome exatamente porque assim não seriam identificadas. Eu mesma só passei a usar meu segundo nome a partir do boletim Um Outro Olhar 3, embora, no estatuto do GALF, ele conste lá por completo. Então, as fulanas me cobraram citar nomes de pessoas que elas mesmas não se deram ao trabalho de individualizar? O mundo ainda deve o Guiness da cara-de-pau para essas senhoras, sendo delicada.

Mas, vamos, de qualquer forma, dar uma olhada a quantas andava a visibilidade da Fernandes e da Teca em 23 de junho de 1991 para conferir se haveria alguma sombra de razão na cartinha falaciosa. Na matéria abaixo, da Folha de São Paulo, publicada no boletim Um Outro Olhar, pode-se conferir que a Teca tinha entrado no armário de tal forma que nem o apelido ousava colocar publicamente. Apareceu só como T., e a opção pela invisibilidade está ali bem declarada. No caso da Fernandes, já revelando seu pendor para as falsas identidades, ela aparece como Marisa Gonzales e sua namorada, a Rosana Zaiden, como Rosa.


Pois, então, se Fernandes não se assumia publicamente em junho de 1991, como poderia estar reclamando de supostamente ter sido omitida num texto do final de 89?

Continuo com o final do depoimento infame.
Uma feminista de São Paulo me ligou para contar sobre o artigo do Rio e me pediu para falar com outras líderes para fazer outro artigo, eu não fiz isso, ninguém mais fez e Miriam começou a me odiar porque alguém disse a ela que eu tirei aquele artigo para um 8 de março e eu não fiz isso e agora ela me odeia e diz que eu não tinha participação na história do Movimento.
Bem, eu soube que tentaram passar a carta-palhaçada carioca aqui em São Paulo e que Fernandes participou da iniciativa, como citei no artigo sobre o vídeo Memória de Mulheres, mas nunca ouvi falar que alguém tivesse tentado fazer outro artigo em cima do que já era absurdo. Portanto, Fernandes tirou essa história de que eu a odiaria, por algo de que não tive conhecimento, do mesmo lugar que tirou a Gonzales com que apareceu na FSP. Aliás, essa história de ódio é mais com ela mesma, que o tem como combustível de sua vida medíocre. Idem para a história de que eu teria dito que ela não tinha tido participação na história do movimento. Ela inventou essa história como outra desculpa para atacar minha credibilidade como real ativista e historiadora orgânica do movimento a fim de poder contar suas mentiras impunemente.

Aqui em São Paulo, de fato, a cartinha leviana deu com a porta na cara. A única manifestação de um grupo feminista sobre a situação envolvendo a Rosely veio do Sexualidade e Saúde quando de sua morte. Foi uma carta de solidariedade a nós pelo falecimento dela porque, sim, quem havia perdido a companheira éramos nós. Aliás, esse coletivo foi o único que se comportou da forma que compreendo o que é ser feminista nessa história toda. Se não me falha a memória, foi por meio de uma de suas integrantes também que Rosely conseguiu ser internada no Instituto Bairral em Itapira, onde deveria ter ficado muito mais tempo.

As feministas da cartinha apenas acrescentaram mais estresse a uma situação que já era dramática por si só. Aliás, criaram mais estresse para a própria Rosely que nada teve a ver com a iniciativa, mas ficou mal comigo e com outras integrantes do GALF, já que usaram suas “bobagens” como pretexto para a carta. Nos seus últimos 5 meses no Rio, segundo me escreveu, a namorada inclusive não quis que ela as contatasse mais. Da mesma opinião eram as psiquiatra e terapeuta de Rosely, conforme ela relatou a Naná Mendonça, uma das integrantes do GALF/UOO à época. Transcrevo trecho da carta (original aqui):
Não estou conseguindo sair na rua sozinha. Vera me acompanha até o local do tratamento. Uma das minhas médicas disse para eu me afastar momentaneamente do feminismo e me concentrar unicamente no meu tratamento. Tenho uma médica que cuida dos medicamentos e outra que é psicoterapeuta. Eu preciso de sua amizade. Não estou bem! Não consigo fazer nada, tipo cozinhar, lavar roupa, etc. Vou me despedindo com um grande beijo para você. Não se esqueça de mim. Me escreva.
Concluindo a dissecação da tese-armação 1, o sórdido “relato” de Fernandes na tese da Mogrovejo, deveu-se à cisma patológica dessa mulher comigo somada ao desejo de retaliação por supostamente tê-la impedido e a Botassi de realizar o IV Encontro Lésbico Latino-americano e do Caribe em São Paulo. (Provavelmente, nunca soube que Botassi a chamava de a “louca”). E, claro, a falta de ética de uma “pesquisadora”, amiga de Botassi, que abriu espaço para pessoas serem difamadas e caluniadas em sua tese baseada em “história oral”.

Infelizmente, só fiquei sabendo dessa tese 9 anos depois de publicada, o que praticamente inviabilizou uma resposta à altura. Mesmo assim quem me enviou uma cópia da tese, a escritora Rita Colaço, me sugeriu que fizesse alguma coisa em 10 de abril de 2009. Disse ela (ver original aqui):
Míriam,
eu fiquei (e ainda estou) profundamente indignada. Me remoeu as vísceras, quando li algo de tamanha sordidez. Ainda mais agora, você me relatando que não deu nenhuma entrevista [sobre o que aparece na tese]. Imagino você, como não deve estar se sentindo.
Jamais toquei no assunto Rosely com você por respeito às presumíveis (em minha imaginação) dores que envolvem perdas, ainda mais em condições de suicídio. Não sabia que tinha tido um relacionamento com ela, apenas supunha. Inclusive imaginava que quando de seu falecimento (cujas circunstâncias somente sei isso que agora você comentou) vocês estivessem se relacionando. Nunca soube que ela morou no Rio, nem que aqui falecera...
Embora não tenha me pedido nenhuma opinião, afirmo que, caso queira, pode escrever à UNAM (universidade da Mogrovejo) fazendo a denúncia. Desculpe o meu envolvimento emocional, mas acho que essa moça bem que merecia um processo ético por parte de sua universidade, a fim de inclusive perder o título de doutora.
Quanto à entrevistada [Marisa Fernandes], bem, você sabe o que pode fazer. Seria interessante inclusive confrontar se, à época em que ela deu esta entrevista já cursava história... Abs,
Mas Colaço não foi de forma alguma, a única a já ter me aconselhado a tratar a “louca” pela via judicial, mesmo porque sua impunidade tem dado espaço a outras sórdidas como ela a repetirem seus feitos como se pode ver abaixo.

Técnica de Segurança do Trabalho relata como encontrou empresa onde pode ser ela mesma

segunda-feira, 17 de outubro de 2022 0 comentários

 A Técnica de Segurança do Trabalho, Laura Soares,
 sofreu preconceito no trabalho, mas o superou


Laura já foi alvo de ataques homofóbicos e ela mesma teve que lutar contra a homofobia internalizada – a dificuldade para se aceitar e gostar de si mesma –, um problema mais comum do que se imagina.

Foi somente a partir dos 21 anos de idade, quando teve a oportunidade de sair da casa dos pais, no interior de Minas Gerais, que Laura iniciou seu processo de aceitação. Mas ainda levaria um tempo para se aceitar completamente.

Até conhecer a atual esposa, Laura omitia que era homossexual, “até mesmo pelo preconceito de obra não ter mulher, ainda mais uma mulher homossexual”.

O preconceito se materializou em agressões verbais, mas é coisa do passado. Em sua atual empresa, Laura se sente segura para ser quem ela é!

A empresa 100% agrícola, Corteva Brasil, tem como foco prioritário possibilitar uma cultura de inclusão, diversidade e equidade, criando um ambiente em que as diferenças sejam acolhidas e utilizadas para melhor atender às necessidades dos clientes e o bem-estar de seus funcionários.

O grupo de afinidade ajuda a promover a empresa como um ótimo lugar para trabalhar, onde lésbicas, gays, bissexuais e afins se sintam e sejam parte de um ambiente de oportunidade, respeito e garantia de direitos.

Você pode ser você mesmo dentro desta empresa. Se você fizer o seu trabalho, você vai ser tratada como qualquer outro funcionário. Não tem uma discriminação”, contou Laura.


 Clipping Depois de funcionário me agredir verbalmente, hoje eu trabalho em um ambiente onde me sinto segura, por Daniel Froes, Razões para Acreditar, 14/10/2022

Maura Healey e Tina Kotek podem se tornar as primeiras governadoras lésbicas dos EUA

sexta-feira, 23 de setembro de 2022 0 comentários


Maura Healey e Tina Kotek podem estar concorrendo a governadoras em lados opostos do país, mas ambas as mulheres estão prontas para fazer história: se eleitas na terça-feira, 8 de novembro, elas se tornarão as primeiras governadoras lésbicas dos Estados Unidos.

Kotek está concorrendo como democrata no Oregon, onde atuou como presidente da Câmara de janeiro de 2013 a janeiro de 2022. Healey, também democrata, é procuradora-geral de Massachusetts desde 2014. (Quando eleita com 63% dos votos, tornou-se a primeira procuradora-geral lésbica do país). Embora seus objetivos atuais e plataformas de campanha sejam semelhantes, suas entradas na política não poderiam ter sido mais diferentes.

A trajetória de Healey começou em 2007, quando ela deixou a carreira de advogada de negócios para se tornar chefe da Divisão de Direitos Civis do procurador-geral de Massachusetts. Depois de cinco anos no cargo, ela concorreu para AG.
Eu não esperava estar na política”, disse Healey ao Bustle. “Eu realmente entendi o que significa trabalhar em um escritório como advogada do povo. Foi isso que me inspirou a concorrer em 2014, apesar de nunca ter me candidatado.”
Kotek se interessou pelo serviço público nos anos 90 enquanto trabalhava como presidente do comitê de estudantes de pós-graduação na Universidade de Washington, onde obteve um mestrado em estudos internacionais e religião comparada.
Estávamos tentando garantir que alunos e professores tivessem acesso aos benefícios da parceria doméstica”, diz Kotek. “Eu estava em um relacionamento de longo prazo na época, então me candidatei a um alojamento estudantil no campus. Foi negado, fiz uma queixa de discriminação e foi negado novamente. Isso me fez começar a dizer: ‘Preciso me defender e defender os outros’.”
Depois de se formar, ela conseguiu um emprego no Oregon Food Bank e começou a fazer advocacia no Capitólio do estado (palácio do governo local).

Tina Kotek na parada do orgulho de Portland. Cortesia de Tina Kotek

Tanto Kotek quanto Healey estão rodando em plataformas democratas bastante tradicionais que enfatizam questões como direitos reprodutivos e controle de armas. Elas tornaram as proteções ambientais partes fundamentais de suas plataformas e veem os jovens eleitores motivados pelas mudanças climáticas. Kotek planeja proteger o progresso que ela fez na legislatura do Oregon, enquanto Healey espera levar Massachusetts a emissões líquidas zero até 2030.
Quero ser a governadora mais contundente do país quando se trata de lidar com o clima”, diz Healey, que é 51. “E isso ressoa com os jovens que estão exigindo ação de seus líderes”.
Eu tenho um grupo Teens for Tina, e o clima é muito importante para eles”, diz Kotek, que tem 55 anos. Eles têm sido fenomenais.”
Acontecimentos recentes demonstraram com extrema clareza a importância da representação LGB no governo estadual. Considere o projeto de lei “Don't say Gay (Não diga gay)” da Flórida". O estado é de onde vêm suas proteções básicas”, diz Kotek. “Quando você tem indivíduos homossexuais em cargos públicos, eles trazem sua perspectiva para a mesa todos os dias. Isso importa quando você está fazendo políticas públicas.”

Maura Healey com outros políticos de Massachusetts depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou Roe v. Wade.Boston Globe/Boston Globe/Getty Images

Embora a representação LGB no governo estadual tenha melhorado ao longo do tempo, 10 estados têm menos funcionários eleitos LGB este ano do que em 2021, de acordo com um relatório do grupo de defesa Victory Institute. Atualmente, Kate Brown (bissexual), do Oregon, e Jared Polis, do Colorado – ambos democratas – são os únicos governadores LGB do país, com o mandato de Brown terminando este ano.

Healey sente que a falta de representação impediu que muitas pessoas LGB se candidatassem, mas espera que sua carreira mude isso. Por ter sido eleita a primeira procuradora-geral abertamente lésbica do país, as pessoas a procuravam e diziam: 
"Agora acho mais viável para mim ou para meus filhos serem gays ou lésbicas’”, ela disse. 
De acordo com as previsões eleitorais, ambas as candidatas provavelmente vencerão seus oponentes republicanos (Christine Drazan de Oregon e Geoff Diehl de Massachusetts), mas nada é garantido. Kotek afirma de forma sucinta: 
Será ótimo ter duas governadoras lésbicas, uma em cada costa, para que possamos manter tudo em andamento”.

Com informações de These 2 Women Could Be America’s First Lesbian Governors, Bustle, 17/09/2022

Amor entre duas estudantes gera discussão pública em Cuba sobre direitos homossexuais e a ditadura comunista

quarta-feira, 21 de setembro de 2022 0 comentários

O amor entre estas duas estudantes gerou
uma discussão pública em Cuba

"Glenda te amo". Um cartaz com esta mensagem de amor está a gerar polémica e discussão na sociedade cubana, que se prepara para votar um documento histórico mas muito controverso.

"Glenda te amo". É esta mensagem simples, pintada à mão com as cores do arco-íris, e colocada na varanda de uma escola secundária, que está a agitar a sociedade cubana e a lançar uma gigantesca discussão pública sobre os direitos da comunidade homossexual num país que continua debaixo de uma ditadura comunista. A história de amor entre duas jovens representa uma vontade de mudança, de crença num futuro diferente, e está a inspirar milhares de pessoas, num momento em que Cuba se prepara para referendar um documento polémico, o Código das Famílias, que prevê a possibilidade de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Só que a coisa não é assim tão simples e clara.

O cartaz de amor foi colocado na Escola Pedagógica Raúl Corrales, em Ciego de Ávila, uma pequena localidade no centro de Cuba, a mais de 400 km de Havana. A página de Facebook da escola acabou por publicar as imagens, que emocionaram a comunidade local, e geraram imensos comentários favoráveis.

País dividido em relação ao novo Código das Famílias
suspeito de ser apoio à ditadura

Só que o amor homossexual, reprimido durante décadas de ditadura comunista, ainda não é algo visto como legal pelo regime, e a publicação da escola foi, entretanto, ocultada, provavelmente devido a ordens superiores.
E foi precisamente a retirada da publicação que gerou uma onda de protesto, contestação que chegou a todo o país, e que lançou a discussão sobre o Código das Famílias, um documento preparado pelo regime comunista liderado por Miguel Díaz-Canel, que sucedeu na presidência cubana a Raúl Castro, em 2018, e que será referendado a 25 de setembro.

Este Código das Famílias está, também, a dividir a sociedade cubana. Isto porque o documento é visto por muita gente como uma armadilha criada pelo regime comunista de Díaz-Canel, que mascara uma suposta lei que mostra progresso e respeito pelos direitos LGB como uma validação do próprio regime comunista. Ou seja, quem votar "sim", e disser que quer que o país passe a permitir o casamento homossexual, está, também, a aceitar o regime ditatorial cubano, que continua a oprimir a sociedade e a suprimir a liberdade.
Os membros da comunidade LGB só terão direitos reconhecidos no Código da Família desde que não se oponham à revolução. Caso contrário, serão perseguidos, encarcerados, expulsos e maltratados das formas mais criativas às mais cruéis. Lembrem-se de que aqueles que se opõem à revolução não têm direito a nada em Cuba, não importa se são heterossexuais ou homossexuais".
As palavras são do padre Kenny Fernández, de uma igreja em Mayabeque, Cuba, um opositor ao regime comunista. Para ele, o novo Código das Famílias é um embuste.
Dizem-nos que o Código das Família procura proteger as crianças. Pergunto: como podemos proteger as crianças da fome se não há pão? Como podemos protegê-las das insónias e do esgotamento causado por uma noite de apagão, porque não temos eletricidade?", questionou numa publicação partilhada na sua conta de Facebook.
O atual regime cubano, iniciado por Fidel Castro a 1 de janeiro de 1959, sempre proibiu e reprimiu todas as manifestações de amor homossexual. O casamento entre pessoas do mesmo sexo é proibido em Cuba e há dezenas de relatos de cidadãos homossexuais que contam como foram perseguidos e maltratados durante anos, sendo obrigados a esconder a sua orientação sexual. Hoje, essa repressão é muito mais discreta, devido ao forte escrutínio que existe, mas também à necessidade de o regime cubano não querer passar para o exterior uma imagem demasiado agressiva e retrógrada. Precisamente para criar a ideia de uma sociedade mais moderna, o regime comunista de Díaz-Canel preparou o tal Código da Família, que será referendado a 25 de setembro.
Quase todos nós saímos tardiamente do armário. Muitas vezes apenas quando saímos do país. Mas muitos continuam sem se assumir e têm medo de demonstrar afeto, publicamente, pelos seus parceiros", acusa a activista dos direitos LGBT Yennys Hernández Molina, que se congratulou, nas redes sociais, com o caso destas duas estudantes.
Para Hernández Molina ainda há um longo caminho a percorrer, até porque, nos dias de hoje, como acusa, muitos dos espaços partilhados pela comunidade LGBTI em Cuba ainda são "tudo menos seguros" e "alguns são abertamente violentos". Para esta ativista é importante que não se olhe para quem se assume como uma pessoa "corajosa".
Eu luto para que estas raparigas, ou todas as pessoas que se assumem, não sejam rotuladas de corajosas. O objetivo não é ser corajoso, mas sim ser livre".
Em ditadura, Glenda não pode amar ninguém. Não se ama numa ditadura", afirmou a ativista de direitos LGB, garantindo, por isso, que não irá votar favoravelmente ao Código das Famílias, que impõe a quem vota "sim" uma concordância com o regime ditatorial comunista. "Eu não voto".
Por motivos diferentes, também a igreja cubana é contra o novo Código das Famílias, que considera um passo para "destruir o modelo de família tradicional".

Clipping A história de amor de duas estudantes que está a agitar Cuba e a abanar o regime comunista, MAGG, Sapo.pt, 21/09/2022

Ver também Che Guevara era homofóbico

Senadores americanos buscam proteger o casamento entre pessoas do mesmo sexo no país

quarta-feira, 14 de setembro de 2022 0 comentários

Ampla maioria dos americanos apoia o casamento homossexual (71%),
mesmo entre os conservadores (Foto: Canva)

Votação sobre um projeto de lei a respeito do casamento (Respect for Marriage Act) pode ocorrer a partir da próxima semana

As negociações sobre o casamento homossexual se intensificaram e ganharam força na segunda-feira (12) no Congresso dos EUA, onde um grupo de senadores tenta obter o respaldo necessário de seus colegas republicanos para proteger este direito.

Nos EUA, as uniões entre pessoas do mesmo sexo foram garantidas pela Suprema Corte de Justiça em 2015. Mas, após a histórica mudança de rumo do máximo tribunal sobre o aborto, muitos progressistas temem que este direito esteja agora ameaçado.

Em meados de julho, a Câmara de Deputados votou uma lei para proteger os casamentos entre pessoas do mesmo sexo em todo o país. Todos os democratas e 47 republicanos respaldaram o texto. Mas quase 160 republicanos se opuseram.

Agora, no Senado, são necessários votos de dez republicanos para sua aprovação devido às regras da maioria qualificada. Há várias semanas, a senadora republicana Susan Collins trabalha com os democratas para tentar convencer seus colegas conservadores a se juntarem à causa.

O líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer, qualificou as negociações sobre este texto como “frutíferas”. “Seu trabalho ainda não está terminado, mas deu ânimo para continuarmos com os esforços”, comentou.

Uma votação sobre um projeto de lei a respeito do casamento (Respect for Marriage Act) pode ocorrer a partir da próxima semana.

O influente senador republicano Mitch McConnell, fiel da balança para a decisão de muitos de seus pares, ainda não indicou se votará ou não a favor do texto.

Em carta publicada na segunda-feira, mais de 400 republicanos – um governador, ex-deputados e vários candidatos ao Congresso – exortaram os senadores de seu partido a apoiar a medida.

Uma ampla maioria dos americanos apoia o casamento homossexual (71%), mesmo entre os republicanos. Mas a direita religiosa continua a se opor.

Clipping Negociações no Senado dos EUA sobre casamento homossexual se intensificam, por Antonio Tozzi, 13/09/2022

Ativistas lésbicas condenadas à morte no Irã por 'promoverem a homossexualidade'

segunda-feira, 12 de setembro de 2022 0 comentários

Ativista Zahra Sedighi Hamedani, condenada no Irã - 6Gang/Reprodução

ONGs afirmam que esta é a primeira vez no país que pena capital é dada devido a orientação sexual

Duas ativistas iranianas lésbicas foram condenadas à morte por "promover a homossexualidade", informou o grupo de direitos humanos 6Rang na segunda-feira (5/9). Segundo Shadi Amin, coordenadora da organização, esta é a primeira vez que mulheres são condenadas à morte no Irã devido à orientação sexual.

Zahra Sedighi Hamedani, 31, e Elham Chubdar, 24, foram condenadas por um tribunal da cidade de Urmía, no noroeste do país. As jovens também foram acusadas de promover a religião cristã e de terem contatado um veículo da mídia que faz oposição ao governo iraniano. Elas estão detidas no presídio local.

Outra mulher enfrenta as mesmas acusações e também está presa. Trata-se de Soheila Ashrafi, 52, natural de Urmía. A sentença no seu caso ainda não foi proferida.

Amin afirma que a ONG 6Rang pediu à Alemanha e a outros governos estrangeiros que pressionem o Irã pela libertação das ativistas.

Autoridades de Teerã confirmaram que Hamedani e Chubdar foram condenadas por "espalhar a corrupção na Terra" —a sentença é comumente dada a réus considerados infratores da sharia, a lei islâmica. É a acusação mais grave do código penal iraniano.

Em comunicado divulgado pela agência de notícias estatal IRNA, o regime negou que a condenação tenha se dado devido à orientação sexual das mulheres.
"Ao contrário de notícias publicadas online, as condenadas enganaram e traficaram jovens mulheres e meninas para fora do país, prometendo-lhes oportunidades educacionais e de trabalho, levando ao suicídio de várias vítimas."
O destino de Hamedani —conhecida como Sareh— é temido desde 2021, quando ela foi capturada pelas forças de segurança iranianas ao tentar fugir para a Turquia.

Defensores dos direitos humanos acusam o Irã de promover uma campanha de repressão contra amplos setores da sociedade. Eles denunciam, entre outros, detenções de membros da minoria religiosa bahá'í, o aumento das execuções e a prisão de cidadãos estrangeiros.

Em março, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, descreveu a homossexualidade como parte de uma "privação moral" generalizada na civilização ocidental.

Clipping Irã condena ativistas lésbicas a morte por 'promoverem a homossexualidade', FSP, 05/09/2022

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