Lésbicas, gays e bissexuais são mais vulneráveis a pôr a própria vida em risco - iStockClipping Lésbicas, gays, bissexuais e suicídio: um risco multifatorial, Dr. Jairo Bouer, UOL, 14/11/2021
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Memória Lesbiana:Míriam Martinho e o processo de produção dos boletins ChanacomChana e Um Outro Olhar
Lésbicas, gays e bissexuais são mais vulneráveis a pôr a própria vida em risco - iStock
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| Leilane Neubarth e atual namorada Gaia Maria se refrescando em queda-d'água (Foto: Reprodução Instagram) |
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| Leilane e Gaia Maria em shopping da zona sul do Rio |
| Míriam Martinho e Rosely Roth barradas no Ferro's Bar em 19/08/1983 |
Há 40 anos, oficialmente no dia 17 de outubro de 1981, eu fundava, com Rosely
Roth e colaboradoras, o Grupo Ação Lésbica Feminista (GALF),
estatutariamente sob o codinome de Grupo Ação de Liberação Feminista. O registro do grupo como feminista, preservando a
sigla “GALF”, visava evitar problemas com os cartórios (que costumavam
dificultar o registro de grupos de gays e lésbicas na época) e pragmaticamente
atender nossas necessidades de abrir conta em banco, ter uma caixa postal,
receber dinheiro via vale postal e outras formalidades. Visava também
proteger as lésbicas que nos escreviam
(a maioria no armário), caso tivessem que escrever o nome do grupo por extenso.
O grupo ficaria incomunicável, entre a maioria das sapatas da época, se usasse
a palavra lésbica para esses trâmites institucionais. Outros grupos do período
encaravam o registro no cartório até como parte da luta homossexual, mas nós
avaliávamos que, na relação custo-benefício, não valia o custo. Além disso,
para uma organização que vendia um boletim com o nome “Chanacomchana”,
assumir-se no cartório era o de menos.
Neste resgate, retomo partes do texto 19 de agosto: há 38 anos o GALF invadia o Ferro’s Bar,
onde já abordara a trajetória do GALF, mas trazendo novos dados e
esclarecimentos sobre a hoje histórica e muito mistificada sigla. Neste
texto, busco em particular desconstruir um pouco essas mistificações. Para tal,
entre outras coisas, divido a trajetória do GALF em dois períodos: do início em
outubro de 81 até meados de 1985 e de meados de 1985 até seu final em 1989
(oficialmente em março de 1990).
O período inicial do GALF (10/81 a 08/ 85) corresponde à fase em que a organização
adota o histórico do coletivo que o precedeu, o Grupo Lésbico-Feminista(05/1979-06/1981),
divide sedes com o grupo gay Outra Coisa de Ação Homossexualista e inicia a
produção do boletim ChanacomChana a partir de dezembro de 1982, além de
promover a hoje célebre invasão do Ferro’s Bar. Também é o período em que o
grupo tentou sem sucesso fazer com que o Movimento Feminista incorporasse a
questão lésbica à sua agenda oficial.
O segundo período, de meados de 1985 a 03/1990, corresponde ao fim da
identificação do GALF com seu predecessor LF (pela constatação de que de
fato não houvera uma continuidade real entre os dois coletivos); à perda
das sedes públicas (as reuniões do grupo passaram a ocorrer em meu apartamento);
à maior divulgação do grupo, em particular pelas aparições de Rosely Roth na
mídia impressa e televisiva, à aproximação com o incipiente movimento lésbico
internacional, à participação em encontros lésbicos internacionais e ao
progressivo distanciamento do movimento feminista que culminaria com o fim da
própria organização.
Nos seus primeiros 3 anos e meio aproximadamente (de outubro de 1981 a meados
de 1985), o GALF vai adotar a trajetória do Grupo Lésbico Feminista (LF),
coletivo que o precedeu, fato observável nos históricos que eu mesma redigi nos
boletins ChanacomChana até sua oitava edição (agosto de 1985). Como hoje
existe muita fabulação sobre o GALF, com gente se dizendo integrante do mesmo
sem nunca ter sido, vale aprofundar esse tema, esclarecendo a parte que
possivelmente nos toca nessas mistificações.
A incorporação da trajetória do
Lésbico-Feminista ao histórico do GALF, em seus primeiros anos, se deveu a uma
somatória de fatores, entre simplórios e surreais, que criou uma ilusão de
continuidade em nossas cabeças: a sede que Rosely encontrara, no centro de São
Paulo (Praça da República), onde também nos conhecemos, ter sido pensada para o
lésbico-feminista (que morreu na praia); eu e Rosely termos vindo, a partir de
momentos distintos, desse coletivo; o tempo que separava o fim do LF do início
do GALF ter sido ínfimo (em torno de 4 meses) e, sobretudo, nossa decisão de continuar
com um grupo específico de lésbicas em vez de submergir nossa identidade em
alguma identidade feminista genérica (lero muito em voga na época). Fora também
algum sentimentalismo barato pelo fim do coletivo
anterior.
Vendo em perspectiva, deveríamos ter deixado o Lésbico-feminista morrer em paz
em vez de ter-lhe dado uma sobrevida artificial de três anos e meio. Deveríamos
ter fundado um outro grupo lésbico-feminista, mas com nome bem distinto do
anterior, já que eu e Rosely estávamos também iniciando uma interação (não
estivemos juntas no LF). De qualquer forma, o GALF só vai ter três assinaturas
e uma única identidade: a do cartório, Grupo Ação de Liberação Feminista, Grupo de Ação Lésbico-Feminista
(como aparece nos dois primeiros números do Chana, 82-83) e Grupo Ação
Lésbica-Feminista de maio de 1983 em diante (como pode ser constatado nos editoriais e pequenos expedientes dos boletins Chanacomchana e Um Outro Olhar.
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| (CCC 3, p.1-2) |
Só a partir de meados de 85, nos cai de vez a ficha de que a suposta
continuidade entre os dois coletivos não só nunca existiu de fato como, ao
contrário, na verdade, o que houve foi ruptura entre ambos, ruptura e
abandono. A maioria das lésbicas que participou do lésbico-feminista ou
deixou a militância ou se meteu no armário do heterocêntrico movimento
feminista do período, algumas inclusive agindo paradoxalmente como agentes de
invisibilização lésbica. Em consequência, já nos ChanascomChana de 9 a 12, cessam
os históricos do GALF, onde aparecia incorporada a trajetória do LF (nos
números 11 e 12 do Chana
desaparece inclusive o logo LF), processo que continua nos boletins Um Outro
Olhar, do número 1 ao número 10, também publicados pelo GALF.
Vale salientar outros aspectos distintivos entre os dois coletivos como o contexto
em que se desenvolveram e sua composição. O Grupo Lésbico-Feminista, surge, a
princípio, como um subgrupo do grupo Somos, em maio de 1979, e sofre grande
influência deste em seu perfil. Vai ser, em seu breve tempo de existência, um
grupo fundamentalmente de socialização e
pegação com um núcleo de militância. Nesse sentido, chegou a ter umas 30
mulheres circulantes, mas com no máximo 10 delas tendo algum ativismo real. Vai
emergir no momento de ascensão do primeiro ciclo do movimento homossexual no
Brasil, de 79 a 80, ainda sob os
eflúvios contraculturais, e desaparecer com o início do refluxo desse movimento
em meados de 81. As polêmicas que enfrentou foram relativas a seu posicionamento
no racha do Somos (Lampião, n. 25, p. 8), ao tema da autonomia do movimento homossexual frente às
tentativas de cooptação da esquerda ortodoxa (Convergência Socialista) e ao
impacto de sua entrada no heterossexista movimento feminista do período. Era um
coletivo mal alinhavado, muito anárquico, que não conseguiu adquirir
consistência para sobreviver mais do que dois anos. Apesar de haver mantido uma
única identidade natural, Grupo Lésbico-Feminista (LF), caracterizou-se por ter
mais assinaturas do que tempo de vida, incluindo uma que excluía o termo
lésbico (sic). Foi logo absorvido pelo movimento feminista.
A propósito da questão da assinatura sem o termo "lésbico", no texto Ai, que São Paulo gostoso..., de Leila Míccolis, publicado no Lampião da Esquina 22 (03/1980), p.3, sobre a segunda reunião organizadora do I Encontro Brasileiro de Homossexuais (03/02/1980 em SP), lê-se o seguinte:
Com exceção do BEIJO LIVRE (Brasília) e do GAAG (Rio), todos os demais grupos se fizeram representar: ATUAÇÃO FEMINISTA/SP (Déa e Conceição) AUÊ/ RIO (Leila e Marcelo). EROS/SP (Luis Antônio e Luzia). LIBERTOS/GUARULHOS (Magal e José). SOMOS/RIO (João Carneiro e Yone), SOMOS/SP (Emanuel e Jimmy). SOMOS/SOROCABA (Hilário e Fran).
No mesmo artigo, Míccolis também explica quem era o tal Atuação Feminista-SP, ninguém mais do que o camaleônico Grupo Lésbico-Feminista em mais uma de suas inúmeras assinaturas.
No domingo, o tempo de uma hora estipulado para o almoço teve de ser um pouco ampliado, pela demora de atendimento nos barzinhos da 14-Bis. Eu e algumas pessoas do Auê ficamos com a turma da Atuação Feminista. ex-Lésbico Feminista (tiraram o "lésbico" por repercutir de forma muito violenta entre as pessoas).
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O GALF, por outro lado, já começou como um grupo autônomo, tendo seu registro em cartório como ponto de partida. Vai se desenvolver no período de esvaziamento do movimento homossexual que se inicia em meados de 81 e se mantém por toda a década de 80. Sempre foi um grupo pequeno, com uma média de 5, 6 integrantes durante sua longa trajetória, e com um perfil fundamentalmente de estudo e militância. Nada do clima “relações abertas, sexo, drogas e rock’n´roll” característico do LF, ainda que também tenha formado namoradas em seu tempo de existência. Perto do LF, o GALF era careta, felizmente. Conseguiu obter a consistência necessária para sobreviver cerca de longos 8 anos e meio, sobretudo em função da produção e venda dos boletins ChanacomChana e Um Outro Olhar. Como desafios, enfrentou o questionamento da identidade lésbica-homossexual que levava inevitavelmente à desmobilização política, o heterossexismo do movimento feminista que hostilizava a politização das questões lésbicas, a perda das sedes públicas, no início de 1985, e o esvaziamento do movimento homossexual. Foi um coletivo de resistência e vanguarda (num contexto particularmente adverso) que o movimento feminista nunca conseguiu deglutir. E, como já dito, teve apenas uma identidade fundamental: Grupo Ação Lésbica Feminista.
Destaques da linha do tempo da primeira fase do
GALF (10/81-08/1985):
Com o Movimento Homossexual do período, sobretudo na
parceria com o grupo gay Outra Coisa, o GALF desenvolveu várias atividades, com
destaque para:
jun. de 82 (com o Outra Coisa): “Viva a Homossexualidade” (debates sobre
feminismo e lesbianismo e política e desejo; exibição dos filmes “O homem que
deu cria” e “Trotta” na sede dos dois grupos. E debate sobre “homossexualismo e
partidos políticos” no Teatro Ruth Escobar).
ago. de 82: encontro com o psicanalista e filósofo Félix Guattari na
sede do GALF-Outra Coisa.
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| Integrantes do GALF que participaram da manifestação do Ferro's Bar (exceto Liete e Maria Rita) |
| Elisete Neres foi uma das integrantes do GALF que participou da manifestação do Ferro's Bar e acaba de partir. R.I.P. |
Agosto de 1983
março de 1982 – participação no 8 de março, Dia Internacional da
Mulher, com venda de camisetas, distribuição do tabloide ChanacomChana 0 e um
texto sobre a data. Também interferimos para que se colocasse uma cena sobre a
violência contra lésbicas no teatrinho que o grupo SOS-Mulher apresentou no
evento.
início de maio de 1982 – participação no intitulado “happening” do
Ibirapuera, onde o grupo montou uma barraquinha para vender camisetas, livros e
frutas anunciadas com plaquinhas que diziam “coma uma frutinha para transar com
sua vizinha” ou “o enrustimento mata“.
julho de 1982 - participação no IV Encontro Nacional Feminista,
Campinas, São Paulo
abril de 1983 – Intervenção
num debate sobre Sexualidade e Violência, do grupo SOS Mulher, ocorrido no
Sindicato dos Jornalistas, onde entramos de máscaras, para simbolizar a
situação da mulher homossexual, e distribuímos o texto intitulado Sobre
Violência, onde conclamávamos o movimento feminista a também defender as
lésbicas.
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| Aurore Foursy e Julie Ligot / Arquivo pessoal/Reprodução |
Era lógico para nós construirmos uma família juntas”, disse Foursy.
É um grande passo para a França”, disse Foursy. “Estamos lutando há tanto tempo por esse direito.”
Esperamos 200 pacientes extras por ano”, disse Laurence Pavie, que trabalha como gerente no centro de fertilidade da Diaconesses Croix Saint-Simon em Paris.
O mundo precisa saber que casais de lésbicas e mulheres solteiras são bem-vindos. Tentaremos dar a eles o melhor tratamento possível”, disse ela.
Somente com o esperma francês, vamos lutar para atender à demanda”, disse ela.
Doar esperma é uma ação íntima de solidariedade”, disse Helene Duguet, porta-voz da agência. “O primeiro passo é informar às pessoas que essas doações são possíveis e podem ajudar as pessoas a formar famílias. A ideia é incentivar os doadores nos próximos anos.”
Na Espanha você consegue esperma em um dia, então os pacientes com dinheiro vão lá. Quem não tem dinheiro tem que esperar seis a 12 meses e corre o risco de não ter sucesso, porque, aos 40 anos, isso tem um efeito enorme na probabilidade de gravidez “, disse ela.
Foi irritante. Eu pago impostos na França e tenho orgulho de pagar impostos e estou feliz por eles poderem ajudar outras pessoas. Mas eu teria ficado feliz se eu pudesse ter me beneficiado também [de tratamento de fertilidade]”, disse Marie, que solicitou que a CNN não usasse seu sobrenome para proteger a privacidade de seu filho.
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| Aurore Foursy / Arquivo pessoal/Reprodução |
Meu primeiro tratamento de fertilidade foi um verdadeiro trauma”, disse ela. “Eu estava frustrada porque não estava funcionando. Eu odiava que outras pessoas tivessem tantas gestações indesejadas ou não planejadas. Fiquei amargurada. Eu odiava as pessoas. Eu me tornei alguém que não queria ser.”
Já tenho uma filha e não quero que ela não saia de férias porque estamos tentando dar a ela um irmão ou irmãzinha – e também porque eu não tenho a mesma idade que tinha naquela época “, disse ela.
A luta acabou”, disse Foursy. “Todos têm os mesmos direitos. Todo tipo de mulher tem os mesmos direitos e posso escolher ser mãe ou não sozinha.”
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| A atriz ainda relembrou o casal lésbico vivido por Fernanda Montenegro e Nathália Timberg em Babilônia e sua repercussão na época - Reprodução/ TV Globo |
A gente seria massacrada", contou a intérprete de Ilana na próxima trama das 21h da Globo.
É uma mulher em crise profunda, porque é heterossexual casada há muitos anos e de repente sente um troço por aquela médica e não sabe o que fazer com isso. Ela não é nada militante, ao contrário, é preconceituosa com ela mesma“, adiantou ela a respeito do papel.
Vai ter beijo. Gravamos um mais quente e um mais frio, torcendo para entrar o mais quente. Hoje não há espaço para uma cena de sexo entre duas mulheres numa novela. A gente seria massacrada“, acredita.
Ninguém gostava do casal, ninguém queria o casal. Lembro que nas pesquisas ninguém queria ver as duas se beijando“, lamenta.
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| A princesa herdeira, Catharina-Amalia, de 17 anos Divulgação/Royal House of the Netherlands |
O gabinete, portanto, não vê que um herdeiro ao trono ou o rei deva abdicar se ele/ela quiser casar com um parceiro do mesmo sexo.”
Há 43 anos era lançado o primeiro número da coleção Chanacomchana, produzida e editada por Míriam Martinho em colaboração com outras ativist...