Bruna Linzmeyer enfrentou preconceito ao se revelar lésbica publicamente

segunda-feira, 11 de abril de 2022 0 comentários

Bruna Linzmeyer - foto Instagram

Atriz Bruna Linzmeyer foi alvo de homofobia ao tornar pública sua orientação sexual.

Bruna Linzmeyer comentou sobre os momentos difíceis que enfrentou ao revelar que é lésbica, em entrevista ao programa PodPah, na última terça-feira (5). A intérprete de Madeleine em ‘Pantanal’ teve sua vida invadida e diversos trabalhos cancelados na época que sua sexualidade veio à tona.
Foi em 2015, eu já estava há cinco anos na TV. E já namorava a Kity, que foi minha primeira namorada, há uns bons meses”, disse em menção à relação com a cineasta Kity Féo, que durou apenas um ano.
Na época, a revelação gerou tanto impacto que Linzmeyer teve sua vida pessoal invadida pela mídia. Ela contou:
Foi super indelicado, pegaram informações sobre a vida dela [Kity] que não era uma pessoa pública. Fotos e tal”.
O âmbito profissional também foi afetado devido à homofobia dos contratantes e até colegas de trabalho, como relembrou a atriz.
As pessoas que trabalhavam comigo cogitaram que eu negasse e eu disse que isso não era uma possibilidade”, disse.
Em seguida, lamentou:
Foi muito esquisito no começo. A gente tinha umas publicidades marcadas para aquela semana e para a semana seguinte, e as coisas foram cancelando. Diziam: ‘Não vai mais acontecer e tal'”, contou.
Foi apenas com o passar dos anos que Bruna começou a ser aceita do jeito que é. Sem nunca esconder sua sexualidade, a artista acredita que o que era alvo de preconceitos se tornou um bônus em sua carreira.
Hoje em dia as pessoas me chamam porque eu sou sapatão também. Querem estar comigo porque eu tenho e tive essa coragem. E hoje em dia é mais tranquilo falar disso do que era naquela época. Então, tem muitos trabalhos, tanto no cinema quanto na publicidade, que as pessoas chegam perto de mim porque gostam de quem eu sou”, concluiu ela.
Confira a entrevista completa:


Clipping Bruna Linzmeyer teve trabalhos cancelados após se revelar lésbica: “Muito esquisito”, O Segredo, 07/04/2022


Amores lesbianos na terceira idade

sexta-feira, 8 de abril de 2022 0 comentários

'Aos 50 anos, divorciada, conheci a Fulvia', conta Maria Rita, que está casada com companheira há 23 anos Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo

Relacionamento entre Adriana Calcanhoto e Maitê Proença, que nunca tinha se relacionado com outras mulheres antes, reacende o debate sobre as late-blooming-lesbians, ou 'lésbicas tardias', em tradução livre

Na peça autobiográfica “O pior de mim”, em cartaz no Teatro Prudential, no Rio, a atriz Maitê Proença, de 64 anos, revisita episódios marcantes de sua vida. Lançado virtualmente em 2020, o espetáculo traz, entre temas diversos, comentários da atriz sobre os homens e o machismo, mas deixa de lado um evento que marcaria uma fase recente de sua trajetória: o relacionamento amoroso com a cantora Adriana Calcanhotto. O namoro, assumido publicamente no ano passado, é a primeira relação homoafetiva da atriz, que contou à revista Quem, em entrevista, que “gosta de homem” e que esta é sua “tendência”, mas que “gostou dela (da Adriana) e ela gosta de mulher”.

Embora a atriz não tenha declarado uma orientação sexual lésbica, a liberdade presente em sua escolha amorosa, já em idade madura, reacende o debate sobre as late-blooming-lesbians (traduzindo, “lésbicas tardias”). O conceito abarca mulheres que começaram a ter relações homossexuais somente após os 30 anos.

Segundo a professora Joana Ziller, coordenadora do Grupo de Estudos em Lesbianidades da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as primeiras pesquisas sobre lésbicas tardias datam da década de 1980, mas o fenômeno se intensificou na atualidade devido à quebra gradual de preconceitos contra pessoas homossexuais. Ziller pontua que não há uma explicação concreta para o fato de mulheres se sentirem atraídas por outras em idade mais madura. Cada caso é um caso. Mas, talvez, a ampliação da aceitação de possibilidades diversas de relacionamento propiciou as experiências.
O termo late-blooming-lesbians chega a ser poético por representar uma mulher que floresce como lésbica após a juventude. Mas, como quase tudo relacionado à sexualidade humana, não há resposta para esse fenômeno. É muito importante se questionar: o desejo floresceu realmente depois dos 30 anos ou a heteronormatividade foi tamanha que impossibilitou de se pensar no assunto? — questiona Joana.
‘Me arrepiei toda’

A psicóloga Maria Rita Lemos se descobriu lésbica aos 50 anos, após três décadas se relacionando apenas com homens. Maria Rita, hoje com 74, conta que levava uma vida nos “moldes tradicionais”: casou-se cedo, gerou duas filhas e, após ficar viúva, conheceu um outro homem com quem teve mais um filho. À época, nem passava pela sua cabeça a possibilidade de se relacionar amorosamente com uma mulher. Mas isso mudou no dia 16 de outubro de 1998, quando, em um bate-papo virtual, ela conheceu a motorista de aplicativo Fulvia Margotti, de 60 anos.
Eu me apaixonei pela foto de perfil dela. Ela estava de farda e segurando um cachorrinho. A Fulvia tinha tudo o que eu procurava, mas apesar de ter gostado dela, eu não sabia como seria nossa conexão física presencialmente, porque nunca tinha tido experiência com outra mulher. Quando nos vimos e ela encostou no meu braço no carro ao passar a marcha, me arrepiei toda — lembra Maria Rita.
Apesar de Fulvia ter sido sua primeira e única experiência homoafetiva, Maria Rita diz que em momento algum ficou apreensiva em relação à fluidez de sua orientação sexual:
Minha esposa me satisfaz em todos os sentidos da vida. O companheirismo é total e a vida sexual até melhorou, a mulher conhece mais o corpo uma da outra. Não gosto de rótulos. Desde que nos conhecemos não tive mais interesse por homens e nem por outra mulher — conta Maria Rita, casada com Fúlvia há 24 anos.
Se para Maria Rita, assumir-se lésbica foi tranquilo, para a aposentada Willman Defacio, de 74 anos, que descobriu que gostava de mulheres aos 38, a possibilidade de um namoro homoafetivo era nulo, pelo preconceito.

Somente depois de um casamento e de alguns outros relacionamentos heterossexuais, é que decidiu se abrir à experiência. Ela estava então em um processo de divórcio, interessou-se por uma colega de trabalho e o sentimento foi recíproco. Então percebeu que o tesão e a paixão que não sentia nas antigas relações era porque gostava de mulheres. Este ano, ela completa 28 anos de casada com Angela Fontes:
Eu nunca tinha saído com mulheres e aconteceu naturalmente. Eu sabia que não sentia prazer com o meu ex-marido, mas não entendia o motivo. Depois dessa experiência, só me relacionei com mulheres e hoje tenho a sorte de dividir a vida com a Angela.
Apesar da preocupação inicial, todo o processo de contar para a família sobre sua sexualidade foi fácil para Willman.

Amadurecimento afetivo

Por se descobrirem lésbicas após os 30, grande parte das late-bloomers já foi casada com homens e teve filhos. De acordo com a psicóloga Fabiana Esteca, que estuda gênero e sexualidade humana, toda essa descoberta requer autoconhecimento e independência para assumir possíveis preconceitos. Por isso é comum que aconteça em idade avançada.
Depois dos 30 existe um amadurecimento afetivo sexual, uma apropriação do próprio corpo. Elas se permitem experimentar outros tipos de relacionamentos e se encontram. Existe também uma parcela que tem uma sexualidade fluida e vai sentir atrações diferentes ao longo da vida — explica Fabiana.
Fabiana diz que se assumir tardiamente pode trazer impactos emocionais às mulheres, e é importante que elas sejam amparadas por familiares e amigos.
As late-bloomers constroem uma identidade social pautada na heterosexualidade. Ao se assumirem, muitas são lidas como farsantes, como se estivessem a todo esse tempo dentro do armário, o que não é a verdade. Esse questionamento faz elas duvidarem da própria sexualidade novamente e é o momento onde surgem conflitos internos — conclui.
Clipping Mulheres contam como se descobriram lésbicas após os 30 anos: 'Elas se permitem experimentar e se encontram', diz pesquisadora, por Pâmela Dias, O Globo, 01/04/2022 

Canal de mulheres denuncia motorista da UBER por lesbofobia

quarta-feira, 6 de abril de 2022 0 comentários

Marília Carreiro e namorada (Reprodução: Instagram)

Marília Carreiro, de 32 anos, registrou um trecho da discussão em que o motorista contesta a orientação sexual do casal durante uma corrida no município Serra, a 29 quilômetros da capital capixaba; em nota, a empresa afirmou que ‘repudia qualquer tipo de discriminação’ e que o colaborador foi desativado

Durante um trajeto na Uber, a escritora Marília Carreiro, 32, denunciou nas suas redes sociais que ela e a companheira foram vítimas de homofobia através de agressões verbais do motorista do aplicativo. Elas pediram um carro na tarde de terça-feira, 29, em Serra, cidade a 29 quilômetros de Vitória. Conforme relato da escritora na publicação, a viagem durou aproximadamente 15 minutos. Segundo Marília, ao longo do caminho, quando o homem percebeu que elas eram um casal, ele teria dito que eram “aberrações e não deveriam nem existir”. No mesmo dia do ocorrido, a empresa foi notificada. O casal também prestou boletim de ocorrência. Em entrevista ao Estadão, a escritora contou que foi a primeira vez que sofreu esse tipo de abuso em aplicativos de transporte. Ela detalhou que o motorista começou a falar sobre questões políticas, despejar discursos de ódio e aumentar o tom de voz. Neste instante, elas decidiram se manter em silêncio com medo de represálias. Alguns minutos depois, Marília revidou algumas falas do homem e registrou a discussão. Veja o vídeo:
 Estou me sentindo desrespeitada dentro do seu carro”, disse Marília.
Em seguida, o motorista reagiu à queixa da escritora.

 Homem nasce homem. Mulher nasce mulher, querida. Isso não existe”. 

Ao longo da discussão, a outra mulher afirmou que ele estava sendo preconceituoso e pediu para que ele parasse com os ataques verbais. Nas imagens, é possível perceber que o condutor responde em tom de deboche. 

Está chegando já. Vou parar e vocês descem”. 

Ele ainda argumentou que “tinha direito de opinar”. A discussão continuou.

Em resposta, o casal se defendeu afirmando que ele não tinha direito de opinar sobre a sexualidade delas, pois ele estava “ferindo a existência de outras pessoas”. E acrescentaram: “É isso que o senhor está fazendo”. No final do vídeo, a escritora expõe para o motorista que a discussão estava sendo filmada. Segundo Marília, o homem se exaltou quando soube da gravação.

A empresa foi cobrada publicamente pela escritora. No tweet, ela perguntou para a Uber “como ela seleciona seus motoristas”. A publicação viralizou no Twitter. Com mais de 50 mil curtidas, internautas pressionaram o aplicativo por medidas severas. De acordo com Marília, a empresa avisou através de ligação telefônica que o motorista não estava mais na rota do aplicativo.

COM A PALAVRA, A UBER
A Uber defende o respeito à diversidade e reafirma o seu compromisso de promover o respeito, igualdade e justiça para todas as pessoas LGBTQIA+. A empresa considera inaceitável qualquer tipo de discriminação e a conta do motorista parceiro foi desativada assim que tomamos conhecimento do ocorrido.

Em parceria com o MeToo, a Uber disponibiliza um canal de suporte psicológico que foi informado à usuária e segue disponível. Além disso, a empresa está à disposição para colaborar com as autoridades e compartilhar informações sobre os envolvidos, observada a legislação aplicável.

Sabemos que o preconceito, infelizmente, permeia a nossa sociedade e que cabe a todos nós combatê-lo. Como parte desses esforços, a Uber lançou, por exemplo, o podcast Fala Parceiro de Respeito, em parceria com a Promundo, com conteúdos educativos sobre LGBTfobia.”

Clipping Escritora e companheira denunciam motorista de aplicativo por homofobia, por Jayanne Rodrigues, ESP, 30/03/2022 

Aplicativo de encontros para mulheres revela que 27% de suas integrantes casadas querem ter aventuras homossexuais

segunda-feira, 4 de abril de 2022 0 comentários

Gleeden, aplicativo de encontros discretos pensado por e para mulheres

Para entender por que uma pessoa heterossexual se voltaria para a homossexualidade quando se aventura na infidelidade, o Gleeden, aplicativo de encontros discretos pensado por e para mulheres, questionou cerca de 6.000 de seus membros* para obter respostas.

Quebrar a rotina: o motivo número um das relações extraconjugais homossexuais.

Mas por que uma pessoa heterossexual se voltaria para a homossexualidade quando se aventura na infidelidade? Para entender melhor, Gleeden questionou cerca de 6.000 de seus membros*. Entre as mulheres, mais de três quartos (76%) dizem que querem quebrar sua rotina e apimentar sua vida cotidiana em busca de uma aventura homossexual. Para outros, é a atração pela violação de um tabu vigente (71%). Algumas mulheres também consideram a oportunidade de realizar uma fantasia que foi reprimida por muito tempo, ou assim disseram 67% das entrevistadas. Por fim, mais da metade delas (52%) admite satisfazer um desejo real por pessoas do mesmo sexo.

Mais e mais homens dispostos a reconhecer e experimentar seu desejo em relação a outros homens.

Entre os integrantes do sexo masculino que desejam vivenciar um relacionamento homossexual, o desejo de acrescentar algo picante à sua rotina também predomina para 61% dos homens questionados. São menos que as mulheres ao mencionar o desejo de se libertar das convenções sociais (49%) ou de realizar uma fantasia (47%). No entanto, há mais que declaram sentir um desejo real por pessoas do mesmo sexo (62%).

É mais fácil perdoar uma infidelidade com uma pessoa do mesmo sexo?

De acordo com um estudo IPSOS realizado pelo Gleeden, uma noite seria perdoável para 44% dos homens questionados se é um relacionamento homossexual. Seria apenas 40% no caso de um caso heterossexual.

Mesma tendência entre as mulheres: 22% delas perdoariam um caso homossexual de uma noite, enquanto apenas 15% delas tolerariam um caso heterossexual.

Não é surpreendente, então, que mais e mais membros do Gleeden sejam tentados por um relacionamento do mesmo sexo.

Uma aventura homossexual? Porque não?

Por fim, o Gleeden questionou seus membros que afirmam estar apenas procurando relacionamentos heterossexuais** no momento do registro. Mais de um quarto das mulheres (27%) admitem que poderiam ser igualmente atraídas por um caso com outra mulher. Entre os homens, por outro lado, apenas 8% declararam que poderiam um dia vivenciar um relacionamento extraconjugal.

* Pesquisa Gleeden.com com 2.818 mulheres e 2.901 homens entre os membros que relataram procurar um caso homossexual.

**Pesquisa do Gleeden.com com 1.478 mulheres e 1.511 homens que não disseram estar procurando por um caso homossexual.

Clipping Gleeden: 27% das mulheres casadas estão dispostas a trair seu parceiro com outra mulher, por Eduarda Costa, Trendschk, 24/03/2022

Mantida cena com beijo lésbico em "Lightyear", filme sobre personagem de "Toy Story"

quarta-feira, 30 de março de 2022 0 comentários

Alicia Hawthorne, uma Space Ranger que também é uma lésbica negra.

Funcionários acusaram Disney, parceira no filme, de censurar cenas de afeto entre personagens do mesmo sexo

Funcionários da Pixar, um dos principais estúdios de animação do mundo e parte da Walt Disney Company, divulgaram uma carta nesta na semana em que acusam a empresa de censurar cenas de afeto entre personagens do mesmo sexo em seus filmes. A movimentação parece ter surtido algum efeito.

Segundo a revista Variety, a Pixar decidiu manter uma cena com beijo lésbico em "Lightyear", filme sobre a história do personagem Buzz Lightyear de "Toy Story", feito em parceria com a Disney.

O beijo entre as personagens de mesmo sexo havia sido cortado do filme, e foi restaurado depois da carta e do protesto dos funcionários.

Assinado pelos "funcionários LGB e T da Pixar e seus aliados", o documento que foi estopim desse debate diz que executivos da empresa mandaram que cortes fossem feitos em "quase todo momento de afeto abertamente gay, independentemente de protestos das equipes criativas ou das lideranças da Pixar".

Mas esse é apenas mais um capítulo numa complicada polêmica envolvendo a Disney, que se desenrolou nos últimos dias em paralelo à aprovação de uma controversa lei da Flórida que restringe discussões sobre orientação sexual e identidade de gênero nas salas de aula do estado americano.

Batizada "Don't Say Gay Bill" (Lei "Não diga gay", ela já foi aprovada pelos legisladores da Flórida e aguarda agora a aprovação do governador do estado, Ron DeSantis, um republicano que deve implementar a nova política. Nela, professores ficam proibidos de falar sobre questões LGB aos alunos que tenham até nove anos ou a qualquer outro grupo para o qual julgarem o tema inapropriado.

A lei ainda exige que professores que identifiquem alunos LGB em sala de aula falem sobre isso diretamente com seus pais. Para os críticos, a medida vai marginalizar crianças e adolescentes que se identificam como LGB e promoverá uma caça às bruxas aos professores, que podem ser processados caso não acatem a decisão.

Desenhos infantis têm personagens que geram identificação com o público LGB

Uma das maiores empregadoras da Flórida, onde opera uma série de parques temáticos, hotéis e cruzeiros, a Disney vem sendo cobrada por um posicionamento em relação à lei. Seu CEO, Bob Chapek, se limitou a enviar um comunicado interno a funcionários dizendo que o "maior impacto" que a empresa pode causar em relação ao tema é ao "criar um mundo mais inclusivo pelo conteúdo inspirador que produzimos".

A situação se agravou quando foi revelado que a Disney tem, em sua lista de políticos que recebem doações, nomes que apoiam abertamente a "Don't Say Gay Bill". A carta assinada pelos funcionários da Pixar ainda exigiu que esse tipo de apoio financeiro seja cortado.

Clipping Pixar mantém cena com beijo lésbico em 'Lightyear' depois de onda de protestos, Ilustrada, FSP, 19/03/2022

IBGE afirmou que vai divulgar, em 25 de maio, indicadores referentes à orientação sexual autodeclarada

segunda-feira, 28 de março de 2022 0 comentários


O Ministério Público Federal acionou a Justiça para que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) inclua campos para identificação de "identidade de gênero" e "orientação sexual" nos questionários do Censo 2022 e em futuras pesquisas. A Procuradoria argumenta que o fato de não haver um perfil social, geográfico, econômico e cultural da comunidade LGB e T no Brasil resulta em um verdadeiro empecilho para a formulação de políticas públicas focadas nas necessidades de tal população.
O censo demográfico do IBGE ignora totalmente a identidade de gênero e a orientação sexual em seus questionários. Trata-se de uma verdadeira limitação em sua metodologia censitária, que, além de excluir importante parte da população brasileira do retrato real que deve ser demonstrado pela pesquisa, também restringe o alcance das políticas públicas que efetivam os seus direitos fundamentais", sustenta o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Lucas Costa Almeida Dias no documento.
A ação foi apresentada ao juízo da 2ª Vara Federal em Rio Branco após representação do Centro de Atendimento à Vítima (CAV) do Ministério Público do Estado do Acre.

Em nota, o IBGE afirmou que vai divulgar, no dia 25 de maio, indicadores referentes à orientação sexual autodeclarada, que serão inseridos na Pesquisa Nacional de Saúde. O órgão sustenta que o censo não é a pesquisa adequada para sondagem ou investigação de identidade de gênero e orientação sexual. Nessa linha, aponta que em razão da importância do tema desenvolveu questão específica sobre a orientação sexual na PNS.
Ao realizar essa divulgação, o IBGE visa dar uma primeira contribuição com estimativas da população LGB (Lésbicas, Gays e Bissexuais), em processo de avaliação de possíveis melhorias em futuras investigações", ponderou o órgão. A nota não faz menção à pergunta sobre identidade de gênero.
A ação ajuizada pela Procuradoria contra o instituto classifica como crucial que o censo capte o máximo da diversidade da população:
Sem esse conhecimento, subpopulações importantes tornam-se invisíveis e iniciativas para coletar dados representativos são severamente limitadas, senão inviabilizadas, como é o caso atual da população em pauta".
Nessa linha, o órgão explica como dados oriundos do censo são essenciais para que as políticas possam ser projetadas eficazmente a áreas deficitárias. O Ministério Público Federal frisa que essa população  enfrenta vários encargos pessoais e sociais relacionados à saúde física e mental, altas taxas de suicídio, disfunções familiares, discriminação, falta de moradia e emprego, marginalização e barreiras ao acesso a serviços públicos que demandam apoio governamental direcionado.

A ação destaca que o Brasil é o País onde mais se relata casos de violência contra a população LGB e T pelo 13º ano consecutivo. Além disso, o documento cita estudo realizado pela ONG TODX sobre violências contra a comunidade nos anos de 2018 e 2019 que revelou uma realidade assustadora sobre o volume de subnotificações nos casos de discriminação.

A Procuradoria da República chegou a abrir um inquérito civil sobre a falta de perguntas, no questionário do Censo, sobre comunidade LGB e T. Na ação, o Ministério Público Federal rebate alguns dos argumentos apresentados em nota pelo IBGE após a notícia de instauração da apuração.

Um dos pontos citados pela Procuradoria é a alegação do Instituto de que a investigação de gênero seria considerada quesito sensível e poderia impactar na coleta de todas as demais informações coletadas. O Ministério Público Federal sustenta que o tratamento de dados sensíveis não é novidade no questionário do IBGE, indicando que o quesito sobre cor e raça também faz parte desse grupo e suscita dúvidas na população.

O MPF também rebateu argumento de que a Justiça Federal negou, em 2019, uma ação que pedia a inclusão, no censo 2020, de pergunta visando a contagem da população transexual. A Procuradoria ressalta que, na ocasião, foi acolhido o argumento do IBGE de que o pleito era inédito no mundo e que apenas Grã-Bretanha e Austrália começaram a desenvolver pesquisas para incluir questões exclusivamente sobre orientação sexual em seus censos.

Agora, a ação diz apresentar metodologia censitária adequada para incluir questões sobre orientação sexual e identidade de gênero no Censo 2022, conforme já realizado pela Inglaterra, País de Gales, Escócia, Canadá e Nova Zelândia.
Se antes não havia metodologia adequada, nem questionários semelhantes em outros países, hoje não faltam referências internacionais sobre como incluir sexualidade e gênero no censo demográfico", diz o documento.
COM A PALAVRA, O IBGE

O IBGE vai divulgar no dia 25 de maio de 2022 indicadores referentes à orientação sexual autodeclarada. Esses indicadores foram levantados no Módulo Atividade Sexual inserido na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada em 2019, em parceria com o Ministério da Saúde.

A PNS abarca temas relacionados à saúde da população e aos impactos nos serviços de saúde do País. Sua primeira edição aconteceu em 2013, e a segunda em 2019. Nessa mais recente, novos temas foram introduzidos, entre eles, a pergunta sobre orientação sexual das pessoas com idade igual ou superior a 18 anos.

A coleta dessa informação na PNS atende ao eixo 2 da Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (Política Nacional de Saúde Integral LGBT), instituída pela Portaria nº 2.836 de 1º de dezembro de 2011. A Portaria se refere às ações de promoção e vigilância em saúde para a população LGBT, que tratam do aperfeiçoamento de instrumentos de vigilância em saúde, com a inclusão de quesitos de orientação sexual e identidade de gênero, bem como a qualificação das informações em saúde, desde a coleta até a análise dos dados.

A investigação se faz necessária tanto para a elaboração de políticas públicas voltadas para essa população quanto para o monitoramento de potenciais desigualdades de aspectos sociais e de saúde, segundo as diferentes orientações sexuais, e, por fim, para a construção do conhecimento científico relacionado ao tema. Ao realizar essa divulgação, o IBGE visa dar uma primeira contribuição com estimativas da população LGB (Lésbicas, Gays e Bissexuais), em processo de avaliação de possíveis melhorias em futuras investigações.

Esses esclarecimentos se prestam para frisar que o Censo Demográfico, de 10 em 10 anos, não é a pesquisa adequada para sondagem ou investigação de identidade de gênero e orientação sexual. A metodologia de captação das informações do Censo permite que um morador possa responder por ele e pelos demais residentes do domicílio. Pelo caráter sensível e privado da informação, as perguntas sobre a orientação sexual de um determinado morador só podem ser respondidas por ele mesmo.

Cabe esclarecer, ainda, que a Defensoria Pública da União, por meio da Ação Civil Pública nº 5019543-02.2018.4.02.5101, também solicitou a contagem da população transexual através do Censo 2020 (adiado para 2021 e, posteriormente, para este ano de 2022, por causa da pandemia de Covid-19 e por falta de recursos, respectivamente). Tal pedido foi considerado "improcedente" nos dois graus de jurisdição, vindo a ocorrer o trânsito em julgado. A Justiça acatou plenamente os argumentos do IBGE.

O IBGE entende a importância do tema e, por isso, desenvolveu na PNS questão específica sobre a orientação sexual - a ser divulgada em 25 de maio deste ano.

Clipping (editado) MPF vai à Justiça para obrigar IBGE a incluir no Censo 2022 espaço para LGBTQIA+, Diário do Grande ABC, via Estadão conteúdo, 23/03/2022

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