Casamento entre pessoas de mesmo sexo aumenta 61,7% segundo IBGE

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019 0 comentários

Débora Calmon, de 32 anos, e Kaene Faria, de 29, decidiram formalizar a união com receio de que a resolução que garante o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo viesse a ser derrubada
— Foto: Arquivo Pessoal

Entre janeiro e outubro a média mensal de casamentos homoafetivos foi de 546; em dezembro, saltou para 3.098. Já o total de casamentos civis teve queda de 1,6% no ano.

O casamento está ficando menos popular entre os brasileiros: em 2018, o número total no país caiu 1,6% na comparação com o ano anterior. Entre pessoas do mesmo sexo, no entanto, o movimento foi contrário e bem mais acentuado: esse tipo de união teve um crescimento de 61,7% na mesma comparação, segundo as Estatísticas do Registro Civil, divulgadas nesta quarta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo foi autorizado pelo Conselho Nacional de Justiça somente em 2013. Naquele ano, foram registrados 3,7 mil em todo o país. Nos quatro anos seguintes, a média foi de 5,4 mil casamentos por ano. Já em 2018 foram 9,5 mil. 

Infográfico 03/12/2019


O IBGE destacou que o aumento do casamento entre pessoas do mesmo sexo ocorreu em todas as regiões do país, sendo o menor crescimento observado no Centro-Oeste (42,5%) e o maior no Nordeste (85,2%). 

De acordo com a gerente da pesquisa, Klívia de Oliveira, o levantamento traz “os números frios”, ou seja, não permite analisar o que levou a esse aumento no número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. 

Estudiosos de temas ligados à população de gays, lésbicas e outras minorias ouvidos pelo G1 veem relação entre o fenômeno e o momento político do país. 

Infográfico 04/12/2019

Os números divulgados pelo IBGE apontam que o número de casamentos homoafetivos aumentou após o resultado das eleições. Entre janeiro e outubro, a média foi de 546 casamentos de pessoas do mesmo sexo por mês. Em novembro, subiu para 957 e saltou para 3.098 em dezembro – cinco vezes mais que a média. 
Muitos casais formalizaram suas uniões com medo de que em breve isso não fosse mais possível”, apontou a advogada Andressa Regina Bissolotti dos Santos, que é doutoranda em direitos humanos e democracia pela Universidade Federal do Paraná e integrante da Rede Lésbica Brasil. 
Uma resolução, ou mesmo uma decisão judicial, não são leis. Mesmo a decisão, embora seja vinculante em todo o território nacional, não gera o que nós chamamos no direito de ‘coisa julgada’, ou seja, o tema poderia voltar a ser apreciado”, destacou. 
Já Suane Felippe Soares, professora de bioética da Universidade Federal do Rio lembrou que o clima da campanha eleitoral foi marcado por diversos ataques à população homossexual o que pode ter provocado um “pânico social” entre essa população. 
O que é fato, que a gente pode afirmar, é que a maioria da população de gays e lésbicas e outras minorias está em busca de alternativas para manutenção de direitos básicos em função da ascensão dessa política de caráter discriminatório”, disse. 
Casal oficializou casamento para garantir direitos 

Foi justamente o receio de perder os direitos assegurados pelo casamento civil que fez Débora Calmon, de 32 anos, e Kaene Faria, de 29, alterarem os planos de sua união. Juntas há oito anos, elas já haviam programado para setembro uma festa que representaria o casamento, mas o “papel passado” em cartório não estava previsto. 
Vendo a eleição, que estava com um clima estranho, esquisito, a gente achou melhor casar formalmente, para ter um instrumento jurídico mais forte para que, no futuro, ninguém viesse questionar se o que a gente tinha era legal ou não”, contou Débora. 
Em novembro do ano passado, o G1 já havia mostrado aumento no número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Após a eleição, houve uma mobilização nas redes sociais para ajudar casais LGBTI+ a realizar a cerimônia. 

Rossanna Pinheiro, fotógrafa e dona de uma empresa de karaokê, foi uma das muitas pessoas que se disponibilizaram a prestar serviços gratuitos para estes casais. 
Ano passado houve um boom mesmo... A procura foi tanta que precisei de ajuda para responder as mensagens”, contou. 
A cada três casamentos, um divórcio 

O levantamento do IBGE mostrou, também, que aumentou em 3,2% o número de divórcios realizados no país em 2018 na comparação com o ano anterior. Foram realizados 385.246 divórcios, cerca de 12 mil a mais que em 2017. Em média, equivale dizer que foi registrado um divórcio a cada três casamentos. 

A pesquisa revelou ainda que o tempo médio entre o registro do casamento e a formalização do divórcio foi de 14 anos. Em 2008, essa distância era de 17 anos, o que indica que os casamentos estão durando menos. Segundo o IBGE, cerca de 8% dos casamentos desfeitos no ano passado não tinham nem 2 anos. 

A pesquisa não detalha os divórcios pelo sexo dos cônjuges, ou seja, não permite saber se há diferença quando se trata de casais do mesmo sexo ou não. 

A gerente da pesquisa, Klívia Oliveira, chamou a atenção para o fato de que, do total de divórcios, 27% foram entre casais sem filhos, enquanto 54,4% foram entre casais com filhos menores de idade. “Isso mostra que filho realmente não segura casamento”, disse a pesquisadora em referência a um jargão popular. 

Em relação aos filhos, o levantamento evidenciou que houve aumento significativo do percentual de divórcios judiciais entre casais com filhos menores em cuja sentença consta a guarda compartilhada. Desde 2014 essa modalidade passou a ser priorizada mesmo quando não havia consenso entre os pais. 

Em 2014, a proporção de guarda compartilhada entre os cônjuges com filhos menores era de 7,5% dos divórcios judiciais concedidos. Em 2016, esse percentual subiu para 16,9%, chegou a 20,9% em 2017 e atingiu 24,4% em 2018.

Clipping Com disparada em dezembro, casamentos entre pessoas do mesmo sexo crescem 61,7% em 2018, diz IBGE, G!, 04/12/2019

Angela Roro celebra namoro de Camila Pitanga e Bete Coelho

segunda-feira, 18 de novembro de 2019 0 comentários

Camila Pitanga e Bete Coelho

Camila Pitanga confirmou, na segunda-feira (11/11), que estava namorando uma mulher. A eleita é a artesã Beatriz Coelho, e elas já estão juntas há um ano. O namoro, até então desconhecido pelo grande público, veio à tona depois que o jornal Extra publicou uma nota sobre o novo amor e a assessoria da atriz confirmou o envolvimento para o colunista Leo Dias.

Em abril, Camila esteve na Europa a trabalho e a namorada a acompanhou, com registros no Instagram. Alguns fãs começaram a especular algo mais entre elas. O último relacionamento público de Camila foi com o músico Rafael Rocha, com quem ficou por cinco meses.

Em 2017, a atriz terminou o namoro com o ator Igor Angelkorte. Os dois estavam juntos desde 2015, quando fizeram parte do elenco de Babilônia, novela das 21h da TV Globo.

A atriz também foi casada com o diretor de arte Claudio Amaral Peixoto por dez anos, com quem tem uma filha, Antônia. Atualmente, Camila está se preparando para as novas gravações da série Aruanas.

Clipping Saiba quem é Beatriz Coelho, a namorada de Camila Pitanga, Correio Braziliense, 12/11/19

Angela Roro exalta amor de Camila Pitanga

Primeira cantora lésbica a se assumir publicamente no Brasil,
Angela Ro Ro soube pelos noticiários da nova relação de Camila Pitanga com a artesã Beatriz Coelho, revelado esta semana. A cantora de 69 anos diz que viu a atriz praticamente nascer, que sempre foi muito amiga dos pais dela, Antonio Pitanga e Vera Manhães, e que ficou muito feliz em saber da vitória de amor da artista.
Camila Pitanga é uma mulher feita, maravilhosa, emancipada e muito inteligente, que se construiu sozinha, sem apelação. Ela é uma excelente atriz e vai saber lidar com esse novo amor e toda essa exposição melhor do que o Garrincha com a bola", diz Angela, que sentiu na pele o preconceito quando se assumiu publicamente sua sexualidade no fim da década de 1970.
Numa época em que não existiam redes sociais, onde hoje é disseminado muito ódio e preconceito, Angela sofreu na pele e chegou a apanhar da polícia nas ruas por homofobia. Num desses momentos, perdeu a visão do olho esquerdo.
No meu tempo era pior. Mas o mundo hoje, infelizmente, não está mudado para a liberdade. Nós, pessoas de valor e humano, é que temos que um lutar por um mundo novo. As pessoas estão mais abertas, sim, mas a humanidade não presta, nunca prestou. São raras as pessoas que são boas. Mas vejo essa nova geração como da Camila com certa bravura, sem medo de amar. E isso é maravilhoso. Temos que celebrar a vitória do amor de uma atriz excelente como a Camila Pitanga".
Angela destaca a boa educação que Camila recebeu em casa, dos pais, que ensinaram a atriz a ser livre para amar.
Vera Manhães e Antonio Pitanga ensinaram Camila a ser uma pessoa livre, sincera e verdadeira. Se ela está tendo um amor agora por uma mulher, o que eu desejo é que ela tenha toda a felicidade que esse mundo tem, toda a compreensão que esse mundo não tem, mas todo esse amor que ela tem, por parte da crianção e dessa mulher maravilhosa que foi a mãe dela. Torço por ela de qualquer forma, se ela estivesse escolhido a solidão, ou ter um homem, ou se ela quiser se casar com qualquer pessoa, expor isso ou não. Ela é livre para amar, e sem medo de amar. Eu sou livre para amar. Essa é a única arma que nós temos: o amor".
Camila Pitanga e Bete Coelho
 Clipping Temos que celebrar a vitória do amor de Camila Pitanga, diz Angela Roro, 16/11.2019 

Envelhecimento de gays e lésbicas foi destaque em congresso de geriatria e gerontologia realizado no Rio

quarta-feira, 6 de novembro de 2019 0 comentários



Na semana passada, o X Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro (GeriatRio 2019) foi palco, durante três dias, de discussões sobre os temas que mais instigam os profissionais da área. Nesta e nas próximas colunas, pretendo compartilhar um pouco do que vi e ouvi, e começo pela questão LGBT, que lotou a sala de conferência. A médica Roberta Barros da Costa Parreira, mestre em epidemiologia e geriatra da Policlínica Piquet Carneiro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, afirmou que a comunidade LGBT sofre duplo preconceito: além da discriminação social, a falta de qualificação da rede de saúde afeta o atendimento.
Na verdade, como o padrão presumido é o da heterossexualidade, o profissional de saúde nem costuma perguntar qual é a orientação sexual da pessoa”, disse.
A discriminação e a violência às quais estão expostas essas pessoas têm consequências dramáticas: o risco de depressão é cinco vezes maior, assim como de manifestações de disfunções sexuais, distúrbios alimentares, abuso de substâncias psicoativas e isolamento social. No ambiente social, com frequência a rede de suporte familiar é comprometida, porque o jovem ou adulto LGBT se afasta, mas a lista de problemas não para aí. A homofobia impacta a escolaridade – muitos abandonam os estudos por causa do bullying – e faltam locais de lazer acolhedores. Quando envelhecem, gays e lésbicas acabam não recebendo benefícios previdenciários quando o cônjuge morre e, se são obrigados a se recolher a instituições de longa permanência, enfrentarão novos preconceitos.

A doutora Roberta Parreira preferiu abrir a palestra com um assunto ainda menos visível: a homossexualidade e bissexualidade femininas. Mostrou que, de acordo com o dossiê da Coordenação de DST/Aids do Ministério da Saúde, entre as mulheres heterossexuais, a cobertura de exames preventivos realizados nos últimos três anos é de quase 90%; entre as lésbicas e bissexuais, não chega a 67%.
Cerca de 40% não revelam sua orientação sexual. Entre as que revelam, 28% afirmam que, depois disso, o atendimento é feito de forma mais rápida”, lamentou.
Esse grupo acaba tendo risco aumentado para câncer de mama, colo de útero e ovário, porque se submete a um menor número de exames para o rastreio da doença. Os motivos? Medo da discriminação e também a negação do risco: como o sexo é feito com outras mulheres, muitas acham que estarão menos expostas ao câncer no colo do útero, por exemplo.
Deixamos de alertar essas mulheres em relação ao uso de proteção para o sexo seguro: há recursos como calcinhas de látex e o uso de luvas para penetração com dedo”, explicou a médica.
Yone Lindgren
 Por isso o depoimento da fotógrafa e ativista Yone Lindgren foi tão aplaudido. Aos 63 anos, ela é consultora em direitos humanos e diversidade e contou por que é uma exceção:
estou aqui para falar da realidade da população que represento, mas sou branca, estudei o quanto quis, moro na Zona Sul carioca e adotei meus filhos. Sou uma exceção de uma parcela que é calada, perseguida e, quando envelhece, perde sua identidade sexual. Acaba tendo que voltar para o armário se tiver que morar com a família ou ficar numa instituição”. 
Diversos relatos partiram da própria plateia. O médico Wilson Jacob Filho, professor titular de geriatria da Faculdade de Medicina da USP, compartilhou um caso ocorrido no Hospital das Clínicas da universidade:
duas senhoras se encontravam internadas na enfermaria. Ao final da visita, uma delas foi beijada por sua cônjuge, e essa demonstração de carinho provocou uma forte reação da outra idosa e sua família. Os profissionais de saúde que estavam ali também não souberam lidar com a situação e isso nos serviu de lição sobre a necessidade de educação continuada para toda a equipe”.
Clipping Desafios do envelhecimento LGBT mobilizam profissionais de saúde, por Mariza Tavares, G1, Bem Estar, 05/11/2019

Prefeita de Bogotá recém-eleita beija sua mulher na festa de comemoração

quarta-feira, 30 de outubro de 2019 0 comentários

O comitê de campanha de Claudia López, nova prefeita de Bogotá, celebra os resultados.

Lésbica, ex-senadora e ex-candidata a vice pela Aliança Verde faz história ao ser eleita prefeita da capital. Eleições locais selam um marco em Bogotá e Medellín e causam um duro golpe ao uribismo


A ex-senadora Claudia López, da Aliança Verde, fez história neste domingo ao ser eleita a primeira prefeita de Bogotá, capital da Colômbia. A prefeita eleita denunciou em meados da última década o conluio entre política, narcotráfico e paramilitares, provavelmente é a representante pública que mais recentemente defendeu a luta contra a corrupção, e agora saiu vitoriosa das urnas ao derrotar Carlos Fernando Galán, filho do candidato presidencial assassinado em 1989. Ex-senadora, assumidamente lésbica, forte defensora do processo de paz com as FARC, López ocupará o segundo lugar em relevância política em um país conservador e principalmente católico. A vitória de Claudia López e os resultados, de modo geral, das eleições locais colombianas confirmaram um duro golpe ao uribismo.

Daniel Quintero, candidato independente, foi eleito com ampla vantagem em Medellín, a segunda cidade da Colômbia. Foi uma das surpresas das eleições locais do país que hoje renovou os governos de mais de 1.100 prefeituras e os 32 departamentos, pela primeira vez em paz. A vitória de Quintero tem uma leitura que vai além do gabinete do prefeito, porque representa uma dura derrota para o Centro Democrático, na terra do ex-presidente Álvaro Uribe. O partido do Governo, que há um ano e meio recorreu ao atual presidente Iván Duque, também não governa o departamento de Antioquia, um dos bastiões do uribismo. "Perdemos, reconheço a derrota com humildade. A luta pela democracia não tem fim", disse o ex-presidente quando soube dos resultados.

Claudia Lopéz beija sua mulher na celebração da vitória nas eleições em Bogotá

O partido nascido do ex-guerrilheiro, a Força Alternativa Revolucionária do Comum, tem uma aceitação social quase nula, mas o ex-combatente Julián Conrado, conhecido como "o cantor das FARC", conquistou a prefeitura de Turbaco, em Bolívar, município de cerca de 70.000 habitantes perto de Cartagena das Índias. As eleições também são as primeiras a serem realizados após a assinatura dos acordos entre o Estado e o grupo insurgente. Isso não significa que a campanha não tenha sido abalada pela violência, que se tornou um fenômeno contra candidatos, representantes de partidos e líderes sociais. Houve "230 registros entre ameaças, homicídios e sequestros", lembra Ariel Ávila, vice-diretor da Fundação de Paz e Reconciliação.
Os primeiros resultados confirmam, em geral, a erosão das formações e lideranças nacionais em favor de plataformas locais, coalizões e famílias políticas locais, como no caso de Barranquilla. Essa luta entre poder nacional e local marcará, em qualquer caso, o primeiro passo na corrida para as eleições presidenciais de 2022. Duque, que chegou à presidência graças ao impulso de Uribe e à alta polarização com seu oponente, o senador Gustavo Petro, garantiu várias vezes e continua afirmando que não pretende revalidar a posição.

Fernanda Gentil causa polêmica ao afirmar respeitar discursos preconceituosos embora condene atitudes violentas

segunda-feira, 28 de outubro de 2019 0 comentários

Fernanda Gentil em seu programa "Se Joga"
Com um astrólogo bom e um terapeuta, amor, você vai para o mundo. Não tem erro!”, brinca a apresentadora Fernanda Gentil, 32, do signo de Sagitário com ascendente em Peixes.
Depois de dez anos como jornalista de esporte da Globo, encerrados no fim de 2018, a carioca voltou à programação da emissora no comando do vespertino “Se Joga”. A atração diária mistura fofocas e jogos com celebridades e vem sendo alvo de críticas.

Na internet, espectadores chamaram o programa de bagunçado e sem graça.

Na sua estreia, no dia 30 de setembro, o programa ficou em segundo lugar da audiência em São Paulo. Na quarta (23), ele registrou o seu pior índice: 6,7 pontos no Kantar Ibope na Grande SP [cada ponto equivale a 73 mil domicílios]. A Globo afirma que, no Painel Nacional de Televisão, referente a 15 regiões metropolitanas do Brasil, a atração mantém média de dez pontos [254 mil domicílios por ponto].
Recebi [a repercussão negativa] como qualquer pessoa que coloca um grande projeto numa vitrine nacional: com humildade para saber que temos pontos a mexer e a tranquilidade de estar me jogando de forma limpa e alegre”, conta a apresentadora. Sobre a audiência, afirma: “Minha preocupação é alegrar quem me vê”.
É dedo na boca, biscoito na cara. Se não der audiência hoje, a gente desiste”, disse ela no ar aos espectadores na semana passada.
Fernanda se considera uma pessoa “otimista por natureza”. 
Sempre vejo o copo mais cheio”, diz. “Vai dar tudo certo!”
É esse o espírito que ela afirma nortear a sua carreira.
Preciso me sentir animada e desafiada”, conta. “A partir dali [da saída do esporte], tudo o que eu fizer é uma tentativa de me sentir desafiada de novo. Com esse friozinho na barriga. E aí vem o filme, a peça e o ‘Se joga’. Esses desafios entram nesse lugar de me preencher.”
Além do programa, Fernanda fez ponta no filme “Ela Disse, Eu Disse” e viaja pelo Brasil com a peça “Sem Cerimônia”, na qual mistura relatos de sua vida com temas para fazer a plateia refletir.
Procurei colocar o meu coração [no espetáculo], passar o que me faz bem para tentar fazer bem para quem assistir. Tem um estímulo do tipo: vamos viver essa vida, que é um sopro, e parar de gastar energia com problema pequeno.”
Em Porto Alegre [por onde a peça passou], duas pessoas me perguntaram: ‘Você já fez coaching?’ Falei que não, mas dizem que [na peça] tem vários gatilhos de coaching.”
Fernanda é bastante ativa nas redes sociais. Seu perfil no Twitter tem 1,2 milhão de seguidores. No Instagram, são 5,8 milhões. “Sou o que eu sou na vida real e na vida virtual. Se eu [em carne e osso] fosse distante da pessoa da rede social, seria traiçoeiro.”
Gosto daquela pessoa que você olha e fala: ‘Pô, esse cara deve ser legal. Essa menina deve ser gente boa’. E isso só acontece se tem empatia, se tem identificação. Você não tem identificação com alguém montado, distante do seu mundo.”
Ela, porém, diz não ter a pretensão de ser uma influenciadora digital.
É uma responsabilidade muito grande. Não quero carregar isso pra mim, de ser uma influenciadora e daqui a pouco sei lá sobre o que estão me exigindo falar. Quero viver e postar o que eu acho que tenho que postar, e tirar foto sem maquiagem. A vida real como ela é.”
Fernanda e Priscila Montandon

Há quatro anos, Fernanda é casada com a também jornalista Priscila Montandon.
Moramos juntas há um ano. Fácil não foi, amor. Juntar é tenso, né? Ainda mais com mulher”, brinca ela, rindo. “Jornalista com jornalista. Imagina a DR [discussão de relação]? Não acaba nunca! São argumentos e argumentos. Chega uma hora em que eu falo: ‘Chega! Acabou o jornal’”, diverte-se.
Para Fernanda, é tudo questão de “naturalidade”. Inclusive na criação de Gabriel, 4, filho do casamento com Matheus Braga, e Lucas, 11, afilhado que ela ajuda a criar desde que a mãe dele morreu.
Quero muito que eles me tenham no mundo deles. Não posso falar para não pegar o celular, pra não ligar a TV. Que mãe é essa? Assim eu vou virar uma inimiga.”
O nosso papel enquanto pai e mãe é suar a camisa pra entrar nesse mundo deles [filhos]. Pai e mãe têm a tendência de achar que quem sabe somos nós, porque já tivemos a idade deles. Mas a gente nunca teve o mundo deles. Então não sabemos mais de tudo.”
Temos que ter a humildade de reconhecer que o novo sempre vem —e cada vez mais rápido. Eu escolho viver o mundo dos meus filhos, e não fazer com que eles entendam o meu para viverem nele. No máximo, se eu der sorte, eles vão aprender com o meu mundo. Mas eu que vou ter que me esforçar.”
Fernanda defende a classificação indicativa para produtos culturais.
Quero saber o produto que estou comprando para o meu filho, o ingresso que estou pagando para ele, a obra de arte que ele vai ver. E deixa que eu vou saber se ele vai ver ou não. Agora, não poder falar sobre [algo], não poder pintar um quadro, Aí é muito perigoso”, diz ela. “Acho a censura um crime. As pessoas têm que ser livres.”
Não é uma cor de camisa, nem uma cena de um beijo de mulher com mulher ou homem com homem que induz alguém a alguma coisa. Não é ver algo ou vestir uma camisa rosa que (se o pavor dos pais ou das mães for ter um filho gay) faz de um filho gay”, afirma ela.
Acho, de novo, que tem que ter a naturalidade das coisas. Eu também não vou botar meu filho [vestido] de rosa só pra mostrar que eu sou ‘modernosa’ e que eu estou nessa bandeira. Não vou botar um filme gay pra ele ver e dizer: ‘Olha aqui, ó’. Ele vai vestir porque gosta. Vai amar alguém porque ama, porque tem uma essência parecida. Depois, por fora, ele vai ver qual é a dele, se é a mulher ou se é o homem”, defende.
Eu torço para ter um filho gay? Não. Infelizmente não torço”, conta Fernanda. “Não torço porque o Brasil não é um ambiente 100% seguro [para os homossexuais].”
Vou amar [os filhos] de qualquer jeito, até se ele disser que gosta de cachorro. A minha luta é para que eu viva num país que me dê segurança de saber que eles estão seguros com qualquer escolha deles. Qualquer coisa, tá? Não só com gay.”
[Mas o Brasil] tá melhorando muito. Vejo muita luz no fim do túnel, e acho que a gente já está perto desse fim do túnel.” Ela cita como exemplo “um texto foda de aniversário” que postou se declarando para Priscila, em setembro. “Ganhei vários pontos em casa [risos].”
Virei ‘trend topics’ no Twitter por uma carta de amor. Se isso não for o maior sinal de esperança no ser humano, não sei o que é”, celebra.
Está ficando feio recriminar, ser preconceituoso. E as pessoas estão entendendo isso. E quem é preconceituoso, eu acredito que é só uma questão de tempo [para mudar].”
Em 2018, Fernanda curtiu um post do apresentador Luciano Huck com a mensagem “Não voto no PT, nunca votei”. Com isso, fãs da apresentadora questionaram se ela apoiaria Jair Bolsonaro (PSL) para a Presidência da República.

Ela não revela em quem votou, mas hoje avalia que errou ao se envolver na polêmica.
Naquele momento não era pra falar nada, principalmente num post de outra pessoa”, afirma. Depois, ela se manifestou pedindo a união dos brasileiros.
Se isso é o discurso de alguém, não sei se eu votei nele ou não. Mas é o meu discurso. Antes de conhecer Bolsonaro ou de ele falar qualquer coisa, eu estou pelo partido Brasil”, diz. “Tá pra nascer alguém que vai me impedir de botar uma camisa porque isso quer dizer A ou B.”
Sobre o atual presidente, ela afirma:
Pelo perfil de quem está lá a gente imaginou que [o governo] fosse ser assim. Mas torço para dar certo. Seria um tiro no pé torcer contra”.
[Polarização] sempre vai ter. A gente não pode querer que todo o mundo pense igual. Se queremos tolerância, temos que tolerar. Não quero 90 milhões de Fernandas. Pelo amor de Deus! Às vezes, eu já enjoo de mim sendo uma só [risos].”
Ela diz respeitar todas as opiniões.
Respeito quem acha um crime ter o beijo gay. Agora, não vai bater em quem beija, entendeu? [Respeito] quem infelizmente é racista. Agora, vai discriminar, bater, matar porque é de outra cor? Aí não.”
Acho uma perda de tempo você julgar alguém pela cor da pele. Isso te consome. Você poderia voltar esse ódio, essa energia, para uma coisa tão boa. Vai ajudar alguém. Vai criar uma criança, ensinar alguma coisa a alguém, sei lá.”
A apresentadora diz não gostar de “enfiar goela abaixo” dos outros assuntos e bandeiras.
Não quero forçar ninguém a nada. Quero falar com as pessoas. Quero incluir. Seja porque é mãe, seja porque é casada com mulher, seja porque tem filho pequeno. Ou porque trabalha, tem filho pequeno e é casada com mulher. Sabe? Eu sou essa. Você se identifica em algum momento? Então ‘va’mbora’. Vem junto.”
Clipping 'Não vou vestir meu filho de rosa só pra mostrar que sou modernosa', diz Fernanda Gentil, Mônica Bergamo, FSP, 27/10/2019

Aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo legalizado na Irlanda do Norte

quarta-feira, 23 de outubro de 2019 0 comentários

Hora do casamento civil igualitário

Nos outros países do Reino Unido, as práticas, até então proibidas aos norte-irlandeses, são legais desde 1967.O aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo foram legalizados na Irlanda do Norte por decisão do Parlamento britânico, apesar de uma última tentativa simbólica da oposição, lançada por deputados da Assembleia regional norte-irlandesa.

Ao contrário do resto do Reino Unido, onde o aborto é autorizado desde 1967, na Irlanda é ilegal, exceto no caso da gravidez ameaçar a vida da mãe. O casamento entre pessoas do mesmo sexo também era proibido.

Sem Executivo regional desde 2017, por conta de um escândalo político-financeiro, os temas cotidianos da Irlanda do Norte são geridos de Londres.

Por conta desta situação, em julho passado, os deputados britânicos aprovaram emendas para estender à província o direito ao aborto e ao casamento homossexual se não se formasse um governo até 21 de outubro. Como isso não aconteceu, entraram em vigor a partir do primeiro minuto desta terça-feira (20H00 de segunda-feira em Brasília).

Os primeiros casamentos entre pessoas do mesmo sexo serão realizados “o mais tardar” durante “a Semana dos Namorados de 2020”, de acordo com o secretário de Estado da Irlanda do Norte, Julian Smith.

Hoje é “o dia em que nos despedimos das leis opressivas do aborto que controlaram nossos corpos e nos rejeitaram o direito de decidir”, comemorou Grainne Teggart, encarregada desta campanha na Anistia Internacional na Irlanda do Norte, em seu perfil no Twitter.

Um dia “muito triste”
Num ato simbólico contra a adoção dessas medidas, alguns deputados do parlamento regional norte-irlandês voltaram ao plenário na segunda-feira, pela primeira vez em dois anos e meio.

Entre os deputados presentes, a maioria pertencia ao Partido Unionista Democrático ultra-conservador (DUP), liderado pela ex-chefe do governo regional Arlene Foster, que se opõe a menor flexibilização dessas questões.
É um dia triste”, declarou Foster à imprensa após uma curta sessão parlamentar.
Sei que algumas pessoas vão querer comemorar hoje e digo a elas: ‘pense naqueles que estão tristes hoje e que acreditam ser uma afronta à dignidade e à vida humana”, afirmou Foster.
Aborto Descriminalizado

Em frente o parlamento norte-irlandês, um grupo de ativistas contrárias ao aborto criticavam a aprovação da medida e exibiam cartazes onde podia-se ler: “Aborto? Não no meu nome”.
Foi o governo de Westminster que impôs a legislação, não foi o governo que escolhemos aqui “, então isso é antidemocrático e incorreto””, disse à AFP Bernadette Smyth, diretora do grupo Precious Life Northern Ireland.
Trevor Lunn, deputado da Aliança MLA, atribuiu aos deputados que foram ao Parlamento apenas “para tentar negar às mulheres e à comunidade LGTBQ os direitos que tem garantidos no resto do Reino Unido”.

Do lado de fora do Parlamento, também havia um grupo pró-aborto que exibia grandes letras brancas que formavam a palavra “Descriminalizado”.

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