Palavra ‘lésbica’ não é mais sinônimo de pornô nas buscas do Google

sexta-feira, 9 de agosto de 2019 0 comentários


Palavra ‘lésbica’ não é mais sinônimo de pornô nas buscas do Google
A partir de agora, pode-se encontrar a página da Wikipedia e outros conteúdos informativos
Se alguma vez você digitou a palavra lésbica no mecanismo de busca mais famoso da Internet, certamente os primeiros resultados sugeriram páginas pornográficas. Talvez você tenha escrito essa palavra em busca de conteúdo educacional, como uma curiosidade ou como uma maneira de descobrir e explorar sua própria sexualidade, mas o Google não parecia ter essas opções em mente. No entanto, se você fizesse uma busca pelas palavras homossexual ou trans, os primeiros resultados levavam à Wikipedia ou a páginas de informação.

Agora, como relatam meios de comunicação como o Dazed e qualquer pessoa com acesso à Internet pode comprovar, o Google mudou seu algoritmo para que a palavra lésbica pare de direcionar para sites de conteúdo sexual. A página francesa de ativismo #SEOlesbienne foi uma das mais vocais ao apontar essa situação e seu grupo é reconhecido por vários meios de comunicação por influir na decisão de mudança da grande empresa de tecnologia.

O Google respondeu a numerosas reclamações:
Acho que esses resultados são terríveis, não há dúvida sobre isso", disse à mídia francesa Numerama a vice-presidente de qualidade de motores de busca do Google, Pandu Nayak.
Estamos cientes de que existem problemas como este em muitas línguas e desenvolvemos algoritmos para melhorar essa pesquisa, um após outro.” A empresa confirmou que a mudança no algoritmo ocorreu em 19 de julho.
A partir de agora, na pesquisa por lésbicas no Google, você encontrará a página da Wikipédia e outros conteúdos informativos.

Um passo para a dessexualização lésbica

Frases como "você é perfeita, só falta eu", "como eu gostaria de montar em você" ou "se eu tentar com as duas, posso conseguir com alguma" foram as escolhidas pelo grupo de Orgulho Vallekano no Dia da Visibilidade Lésbica para denunciar a hipersexualização das mulheres lésbicas. O machismo e a homofobia encontram na mulher lésbica o alvo perfeito em uma sociedade que entende a heterossexualidade como a norma e as mulheres, como complementos sexuais masculinos. A prova dessa dupla discriminação foi a agressão que duas mulheres sofreram em um ônibus de Londres durante o mês do Orgulho. Foram espancadas por cinco homens depois que se recusaram a beijá-los, e eles as insultaram com gestos sexuais.

O conteúdo pornográfico mostrado como a primeira opção após a busca por lésbicas no Google era mais uma gota nesse copo, mais uma amostra do poder do olhar masculino –e sexualizado– sobre as mulheres lésbicas. Eliminá-lo das buscas não elimina a discriminação na sociedade, mas é um passo à frente.

Clipping "Google conserta seu algoritmo para que a palavra ‘lésbica’ não seja mais sinônimo de pornô", El País, 08/08/2019

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Manifestantes pediram legalização de casamento homoafetivo durante parada LGBT na Irlanda do Norte

quarta-feira, 7 de agosto de 2019 0 comentários

Manifestantes participam da Parada do Orgulho LGBT em Belfast,
na Irlanda do Norte, no sábado (3). — Foto: Paul Faith / AFP

Manifestantes pediram legalização de casamento homoafetivo durante parada LGBT na Irlanda do Norte
Milhares foram às ruas da capital do país, Belfast, neste sábado (3). A região é a única do Reino Unido que não permite o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo.
Milhares de pessoas foram às ruas de Belfast no sábado (3) para a parada do Orgulho LGBT. Existe a grande expectativa da aprovação do casamento homossexual na Irlanda do Norte, única região do Reino Unido onde isto ainda não aconteceu.

As cores do arco-íris e bandeiras coloridas deram o ar festivo ao desfile, que aconteceu ao som do hit "It's Raining Men". O evento contou com a participação do prefeito de Belfast, John Finucane, e do primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar.

Membros da Igreja também participaram. Um deles oferecia hóstia nas escadas da catedral protestante de Sainte-Anne, próximo a uma placa onde estava escrito “A Igreja apoia o casamento para todos”, enquanto um outro desfilava com o cartaz “Pedimos desculpas pela forma como a Igreja tratou a comunidade LGBT”.

No mês passado, os deputados britânicos do Parlamento de Westminster, em Londres, mostraram sua vontade de avançar rumo à aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Irlanda do Norte. Isso ocorreria com o voto de emendas, que também podem levar à legalização do aborto.

Em circunstâncias normais, o parlamento norte-irlandês seria responsável por legislar sobre estas questões, mas a região está sem Executivo local desde janeiro de 2017, fazendo com que Londres se ocupe de sua administração. Os votos, no entanto, só serão efetivos se nenhum governo local for formado em 21 de outubro na Irlanda do Norte.
Todos devem ter os mesmos direitos, por isso esperamos que isto aconteça. Faremos uma grande festa", comentou a manifestante Mary Francis White, 53, cujo filho gay é vereador de Belfast. O diretor da Anistia Internacional para a Irlanda do Norte, Patrick Corrigan, classificou a mudança política de "um grande avanço nos direitos humanos".
Para Sean O Neil, organizador da Parada do Orgulho LGBT de Belfast, a luta continua.
Neste ano, o evento tem o objetivo de dar destaque aos direitos que ainda são recusados à comunidade: mais atenção às pessoas trans, reconhecimento de gênero, fertilidade, reprodução, igualdade matrimonial”, declarou.
Uma série de fatores levou os deputados de Westminster a tomar uma ação quanto ao assunto. Em maio de 2018, a República da Irlanda organizou um referendo sobre o fim da proibição do aborto, que teve 66% de votos a favor. Já na Irlanda do Norte, a história de uma mãe sendo processada por ter supostamente comprado pílulas abortivas para sua filha de 15 anos provocou grande interesse na imprensa.

Além disso, em abril, a jornalista homossexual Lyra Mckee foi assassinada em Londonderry, na fronteira irlandesa, vítima de balas perdidas do grupo separatista Nova IRA durante um confronto com a polícia. Ainda que sua morte não tenha tido ligação direta com sua homossexualidade, Mckee se tornou um símbolo da luta pela liberação do casamento para todos. Sua companheira, Sara Canning, chegou até a pedir a Theresa May, quando ela era primeira-ministra britânica, para tomar uma ação.

Se a lei entrar em vigor em outubro, os primeiros casamentos poderão começar a ser oficializados em janeiro de 2020.

Clipping Manifestantes pedem legalização de casamento homoafetivo durante parada LGBT na Irlanda do Norte

Pesquisa de associação empresarial (Aberje) aponta que diversidade e inclusão aumentaram no ambiente de trabalho

segunda-feira, 5 de agosto de 2019 0 comentários


Pesquisa revela o amadurecimento do tema da diversidade dentro das empresas.
Pesquisa realizada pela Aberje aponta que 57% dos funcionários acreditam que diversidade e inclusão foram ampliadas no ambiente em que trabalham

Pesquisa revela o amadurecimento do tema da diversidade dentro das empresas. É o que diz a pesquisa “A Diversidade e Inclusão nas Organizações no Brasil”, realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). O estudo aponta o crescimento de programas de diversidade no ambiente de trabalho.

Participaram do estudo 124 companhias que, juntas, faturam R$ 1,24 trilhão, equivalente a 18,3% do PIB brasileiro em 2018. Entre essas empresas, 63% têm programas de diversidade e inclusão.
Melhorar a imagem e reputação" foi citado por 68% das empresas como justificativa para iniciativas que promovam a diversidade. Outras razões apontadas foram contribuir para mudanças estruturais da sociedade (63%), aumentar a eficiência interna (57%), qualificar a cultura organizacional (54%) e desenvolver soluções inovadoras (47%).
A pesquisa também entrevistou 269 profissionais brasileiros para saber a percepção deles sobre a diversidade nas companhias em que trabalham. Entre eles, 57% dizem que a diversidade e inclusão foram ampliadas ou se tornaram mais evidentes recentemente. Os programas internos que se destacam são aqueles voltados aos temas: pessoas com deficiência (96%), identidade de gênero (83%), cor e etnia (78%) e orientação sexual (74%).

Em contrapartida, ainda existem funcionários que sofrem discriminação no ambiente corporativo — não apenas em razão da cor da pele ou orientação sexual, mas sobre questões relacionadas a peso, idade e até mesmo preferências políticas.

Os entrevistados disseram que já presenciaram, uma ou mais vezes, situações constrangedoras como: discriminação por conta da altura ou peso (24%), identidade ou expressão de gênero (40%), idade (35%), cor ou etnia (30%). O mais comum, no entanto, foi a discriminação em relação à orientação política: 55% dos funcionários dizem já ter presenciado esse tipo de situação.

A falta de diversidade tem um preço para as empresas. Um quarto dos profissionais dizem já ter considerado pedir demissão por se sentirem isolados, e 42% já sentiu pressão para mudar as próprias características pessoais a fim de se enquadrar aos padrões da empresa.

Relacionamento e liderança

Os líderes incentivam que os funcionários trabalhem com os colegas com diferentes características de diversidade. Segundo os funcionários, 45% dos chefes têm essa preocupação e investigam denúncias de tratamento preconceituoso. Por outro lado, falham em auxiliar aos funcionários a reconhecer preconceitos que promovam a discriminação ou a exclusão (52%).

Clipping "O que leva as empresas brasileiras a investir em diversidade?", Época Negócios, 04/08/2019

Sexo lésbico das lagartixas que se reproduzem sem machos

segunda-feira, 29 de julho de 2019 1 comentários

Lagartixas cauda-de-chicote

Sexo lésbico das lagartixas que se reproduzem sem machos

Em algumas espécies de lagartixas cauda-de-chicote só há fêmeas. Elas se reproduzem sozinhas

Entre o México e o sudoeste dos Estados Unidos, as lagartixas-de-cauda-de-chicote se arranjam sozinhas para ter descendência sem fertilização masculina. Trata-se de uma concepção virginal chamada partenogênese. Embora seja pouco comum entre vertebrados, animais tão díspares como os dragões de Komodo, certos tubarões e cobras também podem reproduzir-se na ausência de machos. Existe partenogênese em plantas agamospérmicas, invertebrados (e.g. pulgas de água, pulgões, abelhas) e alguns vertebrados  (lagartos, salamandras, peixes). Algumas espécies de lagartixas-de-cauda-de-chicote, sendo todas fêmeas, fazem ritual de acasalamento. Uma delas, estimulada por um forte aumento de progesterona, assume posição de macho e monta na outra, ao mesmo tempo que a morde com determinação e sangue frio. Aparentemente, um ato sexual sem fins reprodutivos. Não obstante, estudos científicos demonstraram que as fêmeas montadas são mais férteis que as celibatárias. Parece  que fingir a cópula estimula a ovulação. Esse ato sexual vem por herança. São comportamentos reminiscentes de seus antecessores fornicadores.

Dragão-de-Comodo

As espécies de lagartixas em que há somente fêmeas se originam por hibridismo. Duas espécies diferentes de lagartixas-de-cauda-de-chicote se cruzam dando à luz uma terceira. Segundo a definição clássica os híbridos são estéreis, mas neste caso se desencadeia a partenogênese: as fêmeas começam a se replicar. Partindo de uma só mãe, eclosão após eclosão, pode surgir uma horda de fêmeas reptilianas. Uma estratégia que lhes permite aumentar em número e conquistar novos habitats. Por outro lado, os organismos geneticamente idênticos são mais vulneráveis: uma doença ou uma mudança ambiental podem acabar com todos eles. Mas essas pequenas lagartixas têm um ás sob as escamas. Na formação dos óvulos, podem combinar cromossomos irmãos em vez de cromossomos homólogos. Este acasalamento incomum lhes proporciona diversidade genética, ou seja, não são estritamente clones. Em resumo, as fêmeas híbridas levam o melhor de cada par: variedade e autoreprodução.

Tubarão-zebra

Às vezes, entre uma fêmea híbrida e um macho de outra espécie há química. Do romance mestiço, por sua vez, pode surgir outra espécie híbrida. As misturas de misturas têm dotações cromossômicas muito estranhas com três jogos completos de cromossomos, até mesmo quatro. Tal foi a surpresa desta descoberta que os doutores Peter Baumann e William B. Neaves quiseram imitar a natureza no laboratório. Em 2008, acasalaram um macho de Aspidoscelis inornata e uma fêmea de Aspidoscelis exsanguis. Da soma cromossômica do espermatozoide e do óvulo, um mais três, surgiu uma nova espécie, à qual chamaram de Aspidoscelis neavesi, com quatro jogos de cromossomos. Normalmente, as células sexuais têm a metade de cromossomos que o restante das células, mas as fêmeas híbridas pulam a norma e têm os mesmos. Daí as possíveis combinações.

Graças à duplicação cromossômica extra, as lagartixas híbridas podem recombinar cromossomos irmãos e ter no mínimo o mesmo jogo de cromossomos que seus progenitores sexuais. Por sua vez, destes, por serem espécies diferentes, herdam um repertório genético rico já no início da nova linhagem. Entre uma coisa e outra, a variedade de lagartos, em nenhum caso, está em jogo. As lagartixas-de-cauda-de-chicote exemplificam qual é o sexo frágil; as fêmeas têm o poder da perpetuação. Os machos não são necessários nem para a reprodução nem para o sexo nem para a diversidade genética. Seu matriarcado honra as amazonas, sacode as bases da sexualidade e desequilibra a definição de espécie.

Com informações de O sexo lésbico das lagartas que não precisam de machos, El País, por Òscar Cusó (biólogo), 27/01/2017

Casal de mulheres primeiro a se casar no Equador

segunda-feira, 22 de julho de 2019 0 comentários


Duas mulheres são 1º casal gay a casar no Equador
Alexandra Chávez e Michelle Avilés se tornaram, nesta quinta-feira (18), o primeiro casal do mesmo sexo a contrair matrimônio no Equador, após anos lindando com a discriminação nesse país conservador.

Alexandra, de 41 anos, e Michelle, de 23, se casaram na cidade de Guayaquil (sudoeste), em uma sede do registro civil.

Quando se inscreveram não sabiam que caberia a elas ser as primeiras a estrear esse direito no Equador, após uma decisão judicial que, na prática, modifica uma norma constitucional.

"Eu me sinto mais amparada pelas leis. (...) Nós duas não fazemos mal a ninguém, não tiramos nada de ninguém e temos uma vida normal", declarou à imprensa Michelle, após assinar sua certidão de casamento.

Alexandra sentiu medo antes do casamento. Temia enfrentar protestos de grupos conservadores, que semanas atrás exigiram em manifestações multitudinárias a destituição dos juízes da Corte Constitucional, que em 12 de junho aprovaram o casamento homossexual.

O Equador, assim como Argentina, Brasil, Colômbia e Uruguai, autorizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas ainda mantém a proibição de que estas adotem crianças.


Homossexuais e bissexuais deixam de ser ‘promíscuos’ em legislação boliviana

sexta-feira, 19 de julho de 2019 0 comentários



Homossexuais e bissexuais deixam de ser ‘promíscuos’ em legislação da Bolívia

Homossexuais e bissexuais deixaram de ser qualificados como "promíscuos" na legislação da Bolívia, conquistando avanço no reconhecimento dos seus direitos, segundo destacou este sábado a defensora pública boliviana, Nadia Cruz.

Um decreto de 1997 excluía "homossexuais e bissexuais promíscuos" do grupo apto a doar sangue, tendo a expressão "promíscuos" sido eliminada recentemente com uma nova norma, segundo explicou a defensora pública em uma nota.
Esta semana, foi retirada a antiga norma de mais de duas décadas onde constava essa exclusão, por considerar o coletivo homossexual entre os grupos de alto risco de contágio de aids, detalhou a nota da Defensoria Pública da Bolívia.
A modificação garante a igualdade deste coletivo, em cumprimento da Constituição e da Lei Contra Toda Forma de Racismo e Discriminação da Bolívia, destacou Cruz.

A revisão da norma era exigida desde 2016 pela Defensoria Pública, em coordenação com coletivos LGBTI do país, diante do Ministério da Saúde da Bolívia, visando "reverter o prejuízo aos direitos e o dano à dignidade" da população LGBT, como explica a defensoria em seu comunicado. 

Coletivos de transexuais também protagonizaram várias mobilizações na Bolívia em defesa dos seus direitos civis, como uma greve de fome em 2017, após decisão do Tribunal Constitucional do país que limitava alguns desses direitos.

Como resultado dessa mobilização trans podem agora mudar  nome, imagem e identidade sexual em documentos oficiais, mas sem direito a casamento ou adoção nem a participação política com base na paridade de gênero.
A Defensoria Pública apresentou então, neste ano, propostas normativas para legalizar no país uma instituição similar ao casamento e incluir os crimes de ódio no código penal, como exige a comunidade LGBTI boliviana.

Com informações de G1, UOL, Jovem Pan, via Agência EFE, 13/07/2019

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