Comissão especial da Câmara aprovou definição de família apenas como união entre homem e mulher

sexta-feira, 25 de setembro de 2015 0 comentários

Manifestantes protestaram contra o texto aprovado pela comissão do Estatuto da Família

Comissão aprova definição de família como união entre homem e mulher
Em sessão tumultuada, deputados aprovaram o chamado Estatuto da Família. Texto-base ainda pode ser modificado por destaques em nova sessão.

Em reunião tumultuada, a comissão especial que discute o Estatuto da Família na Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (24) o texto principal do projeto, que define família como a união entre homem e mulher. A comissão aprovou o relatório por 17 votos favoráveis e 5 contrários, mas quatro destaques ao texto ainda precisam ser aprovados.

Os deputados chegaram a iniciar a discussão dos destaques, mas as votações no plenário, presididas por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foram iniciadas.

De acordo com o regimento interno da Casa, nenhuma comissão pode votar projetos e destaques simultaneamente ao plenário. Assim, os destaques devem ser apreciados em uma próxima reunião.

Trâmite
Após a conclusão da votação, a regra é que o projeto siga para o Senado sem necessidade de ser votado pelo plenário da Câmara. Deputados podem, entretanto, apresentar recurso para pedir que o texto seja votado pelo plenário antes de ir para o Senado. A deputada Érika Kokay (PT-DF), contrária ao projeto, já adiantou que fará isso.

Após o fim da reunião que aprovou o Estatuto da Família, deputados favoráveis à definição de família como união heterossexual se reuniram para uma fotografia e comemoraram a aprovação do projeto.

O parecer do relator do projeto de lei que cria o Estatuto da Família, deputado federal Diego Garcia (PHS-PR), define a família como a união entre homem e mulher por meio de casamento ou união estável, ou a comunidade formada por qualquer um dos pais junto com os filhos.

O texto dispõe sobre os direitos da família e as diretrizes das políticas públicas voltadas para atender a entidade familiar em áreas como saúde, segurança e educação. De autoria do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), a proposta tramita na casa desde 2013.

Discussão
Logo no início da sessão, antes mesmo de os parlamentares começarem a discutir o texto do projeto, a deputada Érika Kokay (PT-DF) afirmou que o projeto "institucionaliza o preconceito e a discriminação".

O deputado Takayama (PSC-PR) interrompeu a deputada e gritou que "homem com homem não gera" e "mulher com mulher não gera". Em seguida, manifestantes contrários ao projeto rebateram: "não gera, mas cria".

Mais tarde, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) criticou o texto do relator. Ela disse que "dá nojo" ler o texto e afirmou que o deputado usou apenas preceitos religiosos em seu relatório. "O seu parecer é péssimo. E acho que a Câmara dos Deputados é melhor do que isso", afirmou.

O deputado Bacelar (PTN-BA) defendeu que os homossexuais têm direito de receber igual proteção às famílias compostas por casais heterossexuais.
Que país é este? Que sociedade é esta que estamos construindo? Seria mais fácil, talvez, substituir a Constituição pela Bíblia", ironizou.
O texto, segundo Bacelar, representa um retrocesso para a sociedade brasileira.
[O projeto] está excluindo, punindo e discriminando a família formada por um casal homoafetivo. Está fomentando a intolerância. É isso o resultado desse projeto de lei", disse.
Por outro lado, o deputado Evandro Gussi (PV-SP) defendeu o projeto do Estatuto da Família. 
Queremos que todas as pessoas homossexuais tenham seus direitos garantidos, mas a Constituição disse que a família merece uma especial proteção, porque é base da sociedade", disse.
O deputado Elizeu Dionizio (SD-MS) também defendeu o texto de Diego Garcia e disse que, mesmo com as tentativas de adiar a votação, os defensores do projeto sairiam vitoriosos na reunião desta quinta.

Adiamento

Deputados contrários ao texto do Estatuto da Família apresentaram requerimentos para adiar a apreciação do texto, mas eles não foram aprovados.

Um desses parlamentares foi o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que apresentou requerimento de adiamento da votação por cinco sessões.

Braga acusou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de atrasar o início da sessão no plenário para que a votação sobre o Estatuto da Família acontecesse ainda nesta quinta na comissão. A partir do momento em que a ordem do dia tem início no plenário da Casa, as comissões não podem mais realizar votações.

O primeiro vice-presidente da comissão que debate o Estatuto da Família é o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), conhecido por seu conservadorismo e por defender a “cura gay”. Ele chegou a presidir a reunião desta quinta. O presidente da comissão é o deputado Sóstenes Cavalcante (PSD/RJ).

Fonte: G1, por Laís Alegretti e Letícia de Oliveira; e JB, 24/09/2015

Obama nomeou gay assumido para posto de secretário do Exército dos Estados Unidos.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015 0 comentários

Obama nomeia primeiro gay assumido à frente do Exército americano

Eric Fanning deverá se tornar primeiro homossexual assumido a ocupar um alto cargo do Pentágono. Decisão de Obama marca fim da política de "Não pergunte, não diga" e depende de aprovação do Senado americano.

Pela primeira vez, um gay assumido deverá gerir o Exército dos Estados Unidos. Nesta sexta-feira (18/09), o presidente americano, Barack Obama, nomeou Eric Fanning para o posto de secretário do Exército dos Estados Unidos. Até agora, ele ocupava o cargo de subsecretário da pasta.

O Senado americano ainda precisa aprovar o nome de Fanning. Se esse for o caso, ele será o primeiro gay a chefiar uma das Forças Armadas do país e a assumir abertamente a sua sexualidade.

Até quatro anos atrás, gays e lésbicas ainda tinham que ocultar a sua orientação sexual nas Forças Armadas americanas. Em dezembro de 2010, Barack Obama aboliu a diretriz Don't ask, don't tell ("Não pergunte, não diga") que o Departamento de Defesa estabelecia para os militares do país.

Ao nomear Eric K. Fanning para o cargo de secretário do Exército, Obama elogiou a sua longa experiência, como também a habilidade "excepcional de liderança" de Fanning. A decisão foi apoiada pelo secretário de Defesa americano, Ashton Carter, como também por diversos grupos de direitos humanos e associações de defesa dos direitos homossexuais.

Fanning, de 47 anos, estudou no renomado Dartmouth College e fez uma carreira de sucesso no Pentágono e no Congresso. Sua nomeação já era esperada. Entre outros, ele trabalhou como assistente e chefe de gabinete do secretário Carter. Ele também participou da diretoria do Gay & Lesbian Victory Fund, instituição dedicada a aumentar o número de autoridades abertamente LGBT na vida política americana.

Fonte: Terra, via Deutsche Welle, 19/09/2015

Úrsula e Duda são o casal de mulheres bem resolvido da novela "A Regra do Jogo"

quarta-feira, 23 de setembro de 2015 0 comentários

Júlia Rabello e Giselle Batista entram em 'A Regra do Jogo' como o casal Úrsula e Duda
(Foto: Artur Meninea/ Gshow)

Júlia Rabello e Giselle Batista se identificam com casal gay de 'A Regra do Jogo': 'Parte do dia a dia'
Atrizes revelam quem são Úrsula e Duda, duas mulheres muito bem resolvidas, e loira afirma: 'A sexualidade do personagem é apenas um detalhe'

Os últimos capítulos de A Regra do Jogo trouxeram a entrada de Júlia Rabello e Giselle Batista na semana passada. Elas têm uma relação homossexual na trama e comemoram o fato de o casal ser bem resolvido. Pela primeira vez caracterizadas, elas mostram o visual de Úrsula e Duda.
Isso mostra como a gente tem tratado muito mais desse assunto hoje, que é algo real e faz parte do dia a dia. Antigamente, isso não acontecia. Eu acredito que a sexualidade do personagem é apenas um detalhe, assim como a cor do cabelo, por exemplo", afirma Júlia, que estreia em novelas como a tatuadora Úrsula. Na vida real, atriz é casada com o também ator Marcos Veras.
Na trama de João Emanuel Carneiro, ela se envolve com Duda, papel de Giselle, que explica a relação das duas:
É a primeira relação homossexual da minha personagem, mas pelo que o texto indica, a Úrsula é muito bem resolvida com relação à sua sexualidade. A Duda não tem preconceito, se permitiu, se apaixonou por uma mulher e resolveu ficar junto".
Apesar de ser seu primeiro papel gay, a atriz encara o desafio com naturalidade e garante que a vida é o melhor laboratório: 
O universo dela não é distante do meu, é aqui. Não preciso procurar. É o mesmo tipo de ambiente, de pessoas, de amigos", garante Giselle.
Na trama, elas vivem um casal de mulheres muito bem resolvido. A loira, tatuadora, é filha de
Feliciano, e vai morar na casa do pai com a namorada morena (Foto: Artur Meninea/ Gshow)

Na novela, o casal se muda para o Rio, diretamente para a casa do pai da loira, seu Feliciano, interpretado por Marcos Caruso. As duas deixam São Paulo, onde se conheceram e, segundo Giselle, se apaixonaram.
A Duda foi no estúdio de tatuagem que a Úrsula trabalhava para cobrir um desenho antigo e elas acabaram se conhecendo. Até então, a Duda só tinha namorado homens".
Durante sua preparação para viver a tatuadora, Júlia conheceu profissionais e visitou estúdios. Apesar do universo ser diferente do seu, com palco e câmeras, a atriz destaca as semelhanças: 
O que é interessante é a paixão que os tatuadores têm pelo desenho. É muito semelhante à que nós, atores, temos pelo nosso trabalho. Eu conversei com muitos e todos me disseram que quando saem do estúdio, continuam desenhando. E eu me identifiquei com isso".
Apesar de nunca terem trabalhado juntas, as atrizes já tinham se cruzado em outros momentos, e Giselle comemora a parceria com a nova companheira de cena: 
Conheço a Júlia da vida, de amigos em comum, conheço o trabalho dela. Já batemos uma bola, a gente se fala direto, recebemos os textos e estudamos juntas. Tenho certeza que vai ser uma troca muito bacana".

Fonte: GShow, 16/09/2015

Parada LGBT de Recife exalta as diferentes formas de família

terça-feira, 22 de setembro de 2015 0 comentários


Parada ocupa orla no Recife para defender modelos diversos de família
Percurso vai do Parque Dona Lindu à Padaria Boa Viagem. Interdições foram feitas no trânsito do entorno do trajeto.

O amor de todas as formas foi saudado na 14ª Parada da Diversidade, que tomou conta da Avenida Boa Viagem, orla da Zona Sul do Recife, na manhã do domingo (20). Lutando pelo direito à família, gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais se uniram a integrantes dos movimentos negros e de mulheres. Os trios começaram a sair às 12h45.

O percurso tem cerca de quatro quilometros e vai do Parque Dona Lindu à Padaria Boa Viagem. Já na concentração dava para perceber o empenho dos participantes na produção das fantasias.

O DJ Paulo Vítor e os amigos trouxeram o rosa pras fantasias de super herói. 
A ideia é quebrar o tabu mesmo. Quando você fala em super heroi, pensa logo em força", afirma. A dragqueen Bianca Venenosa afirma que hoje é dia de brincar e, ao mesmo tempo, falar sério. "Precisamos lutar contra a homofobia, porque não é fácil", disse.
A Parada traz, nesse ano, o tema '#VoceNaoEstaSo! Em nossa família, liberdade é direito', levantando a bandeira das diversas possibilidades de formação de uma família. O evento tem cobertura da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Guarda Municipal. Ambulâncias acompanham o trajeto. Desde as 8h, as ruas transversais à Avenida Boa Viagem foram interditadas, sendo liberadas à medida em que os trios passaram pelo local.

Indo além da luta LGBT, a 14° Parada da Diversidade teve a representação também do movimento afro com a apresentação do Afoxé Omi Sabá do Cordeiro. Depois do afoxé, as divas do movimento LGBT se apresentaram no palco. O gestor da política LGBT do Recife, Wellington Pastor, aponta que a presença das drags é essencial.
A cultura LGBT é riquíssima, mas ainda não é muito valorizada. A gente trabalha para uma mudança na cultura, para que haja respeito independente de ter leis", explica Pastor. A banda Santa Clara tocou clássicos do Axé - foi a última atração antes da saída da parada.
A química industrial Lygia Catanhede fez questão de vestir a bandeira do movimento com as cores do arco-íris. 
Hoje é um marco. Podemos manifestar quem somos. Apesar de toda modernidade, a gente [lésbicas] ainda é muito criticada. Sou uma profissional de mão cheia e sou o que sou", afirma.
Ítalo Daher, Valerius Blanck e Douglas Viana não perdem uma edição do evento. 
Eu gosto de tudo, os shows antes, as apresentações, poder desfilar e me divertir", afirma Ítalo.
Juntos há nove meses, Alan José e Lilyan Evelyn vieram defender a bandeira da igualdade. 
Não é porque a sociedade pensa que somos diferentes, que não temos direito à igualdade", defende Lilyan.

Veja a galeria de fotos da Parada da Diversidade no Recife.

Fonte: G1 Recife, por Katherine Coutinho, 20/09/2015

Edição arco-íris Doritos em apoio à causa LGBT

segunda-feira, 21 de setembro de 2015 0 comentários


Doritos lança salgadinho da cor do arco-íris em apoio à causa LGBT
O Doritos anunciou na quinta-feira (17) o lançamento da edição limitada chamada Doritos Rainbows, salgadinhos que virão com as cores do arco-íris. A proposta é levantar a bandeira do orgulho gay.

Essa é a primeira vez que a marca apoia a igualdade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e contou com a ajuda do projeto It Gets Better, que tem como missão inspirar e dar suporte aos jovens gays em todo o mundo, mostrando ações positivas.

Com o slogan "Não há nada mais corajoso do que ser você mesmo", o novo produto também é o primeiro a reunir vários sabores em apenas um saco. Terão salgadinhos das cores verde, azul, roxo, amarelo, vermelho e laranja -- inspiradas na bandeira do orgulho LGBT.

"Não há nada mais corajoso do que ser você mesma/o"

No entanto, o Doritos colorido não chegará às lojas e supermercados. Os snacks só serão vendidos para quem doar US$ 10 ou mais para o site do oficial do projeto.

Ao ABC News, o diretor de marketing da marca, Ram Krishnan, disse que a campanha tem como objetivo levar "um produto com uma experiência totalmente nova para os consumidores e mostrar o compromisso da marca com direitos iguais para a comunidade LGBT e celebrar a humanidade sem exceção."


ABC Breaking News | Latest News Videos
Fonte: Brasil Post, por Luiza Belloni, 17/09/2015

Freeheld: a luta de uma mulher em estado terminal para deixar sua pensão para a companheira

sexta-feira, 18 de setembro de 2015 0 comentários

Festival de Toronto 2015: Freeheld, com Julianne Moore, vai além do drama pessoal de uma paciente terminal

Tudo vai bem, obrigado, até que a personagem de Julianne Moore descobre que tem uma doença terminal. Você pode até pensar que já viu esse filme. Mas, não, não viu.

Sim, o argumento, serve para explicar as agruras por que passa a personagem-título de Para Sempre Alice, uma renomada professora de linguística, que é diagnosticada precocemente com Alzheimer – papel que rendeu à atriz o Oscar desse ano. Mas a premissa vale também para Freeheld (lançamento em outubro), novo filme protagonizado por Moore, exibido pela primeira vez no Toronto International Film 2015 (TIFF).

As semelhanças, no entanto, param por aí. Na produção, dirigida pelo pouco conhecido Peter Sollett (Uma Noite de Amor e Música), ela incorpora a policial Laurel Hester, lésbica, reservada quanto à sua vida privada, dado o caráter machista do ambiente de trabalho. O que não quer dizer que seja enrustida. E, um belo dia, numa escapadela para uma partida de vôlei – um pretexto para encontrar gente nova –, ela conhece Stacie Andree (Ellen Page).

O namoro engata e tudo que elas querem é ter para quem dar boa noite na hora de dormir, uma casa com quintal, um cachorro – grande, de preferência. Nada muito diferente do que, anonimamente, anseia dois terços da população mundial. E conseguem. Tudo vai bem, obrigado, até que Laurel descobre que tem um câncer de pulmão em estágio avançado.

Mesmo nos momentos mais difíceis do tratamento, é possível notar uma personagem completamente diferente da doente que Julianne Moore interpretou em Still Alice. E, mesmo com a fatalidade, o filme é bem-sucedido em mostrar a atuação profissional da policial, em campo. Sim, ela é lésbica, está doente, mas tem uma carreira, com investigações em curso, de modo que Freeheld foge do “monotema”. 

Tudo o que ela passa a querer é que o benefício da pensão – após servir a corporação de Nova Jersey por 23 anos – seja estendido para a companheira depois que a policial morrer. Elas acabam de assumir uma dívida com a compra da casa e esse seria o jeito de Stacie ter condições de arcar com os custos. Nada mais justo, não?

Não é o que pensam os cinco (quatro, pelo menos) conselheiros (oufreehelders) responsáveis pela decisão. Com argumentos que vão desde o burocrático (nunca antes na história dessa corporação) até o financeiro (mais gasto para a instituição), eles negam sucessivamente o apelo da veterana. Não é preciso ter assistido ao filme para saber que a questão é de outra ordem. Afinal, estamos falando de um casal homossexual.

O filme vai no cerne da polêmica para, pouco a pouco, desmascarar os argumentos – em geral religiosos e/ou hipócritas – dos freehelders. Facilita o fato de ter um conselheiro, ainda que sua atuação seja, em princípio, tímida, do lado das pleiteantes. Papel que cabe a Josh Charles.

Laurel Hester e Stacie Andree na vida real

Essa história, de fato, aconteceu. E recentemente, em 2002 – embora o cabelo de Julianne Moore, à la Farrah Fawcett dos anos 1970, diga o contrário (é fiel, contudo, à realidade da personagem). 

A doença e, sobretudo o aspecto físico da decrepitude diretamente relacionada, no entanto, não é explorada como costumamos ver nas cinebiografias de Hollywood – tão amadas pelos membros da Academia. Depois que Laurel adoece, o tempo em que Julianne Moore aparece em tela é até pouco, se comparada com outros filmes do gênero – inclusive com Para Sempre Alice.

Isso porque Freeheld não é sobre Laurel, mas sobre luta dos direitos civis dos homossexuais; não é um panfleto a favor do casamento gay; é uma convocação no sentido de brigar pelo status de igualdade. Claro, a não ser que você não tenha um coração, é inevitável não se emocionar com o drama pessoal, que serve de pano de fundo para o contexto maior (e não o contrário).

Uma das atrizes mais prolífica em atuação hoje em dia, é lugar comum elogiar a performance de Moore – que está ótima, aliás (ela adota um gestual masculino sutilmente contido). O mesmo vale para Ellen Page, comovente que só como a companheira que vê sua amada partir aos poucos. E não será surpresa se as duas forem indicadas ao próximo Oscar – a segunda vez seguida de Moore (que ainda pode ter a companhia de Eddie Redmayne).

Mas não seria justo deixar de destacar, também, os meninos. Além de Josh Charles, o conselheiro “do bem” e, portanto, gostável desde a concepção, o filme traz Steve Carell como um ativista gay judeu simplesmente hilário (na sessão para a imprensa, que o AdoroCinema acompanhou, os jornalistas riram praticamente em todas as vezes que o personagem apareceu – a gente se inclui aí). 

O personagem é inserido na trama não necessariamente como um aliado de Laurel e Stacie. A causa de Steven (“Steven, com ‘n’ no final para ficar bem gay”, como ele mesmo se apresenta) Goldstein é o casamento de pessoas do mesmo sexo, antes de qualquer drama. Ele chega a dizer para o casal que esse era o caso com o qual ele “sonhava”, para levantar sua bandeira.

E, least but not last, como se diz por aqui: Michael Shannon. EmFreeheld, o “general Zod” assume o papel de Dane Wells, o companheiro (dessa vez, de trabalho) de Laurel. Shannon simplesmente acha o tom certo para o personagem: desconfiado, mas emotivo. Uma pena que o ator seja tão pouco lembrado nas temporadas de premiações. Em 2014, ele esteve presente no TIFF com 99 Homes, ao lado de Andrew Garfield, no qual interpreta brilhantemente um agente imobiliário imoral – e que estreia no fim desse mês nos EUA (sem previsão no Brasil ainda). 

De volta a 2002, quando Julia Roberts entregou o Oscar para Denzel Washington, a atriz disse que não era justo o mundo onde ela tinha uma estatueta e ele não (de melhor ator). Pois Russel Crowe tem a sua e Michael Shannon ainda não. Freeheld e 99 Homes são duas chances de a Academia tornar o mundo um pouco mais justo a partir do próximo ano.



 Fonte: Adoro Cinema, por Renato Hermsdorff, 15/09/2015

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