Ao contrário do que dizem os conservadores, na Dinamarca, o casamento LGBT até reforçou a família

sexta-feira, 24 de maio de 2013 0 comentários

A homossexualidade não é mais 'O Outro', ela dá sustentação à 'vida familiar

Homossexualidade vira imagem de modernidade na Dinamarca

Uma pesquisa realizada na Universidade de Copenhague mostrou que a opinião pública sobre a homossexualidade mudou drasticamente ao longo dos últimos 25 anos.

Michael Nebeling Petersen e seus colegas analisaram a legislação dinamarquesa, a cobertura da imprensa e filmes, e concluíram que a homossexualidade tornou-se um símbolo dos valores liberais dinamarqueses.

Os resultados da pesquisa são destaque no site da Universidade de Copenhague.

"Minha pesquisa mostra uma mudança fundamental na concepção pública da homossexualidade na Dinamarca. Os homossexuais eram associados com degeneração, suicídio, AIDS e doenças, mas agora estão associados à vida, reprodução, reconhecimento nacional, casamento e laços de parentesco," diz Petersen.

Em 1999, os casais homossexuais dinamarqueses ganharam o direito de adotar crianças, e depois da eleição geral de 2001, foram apresentados vários projetos de lei aumentando os direitos dos homossexuais.

Nas negociações que se seguiram, muitos políticos passaram a falar dos homoafetivos como centrais para a compreensão dos valores dinamarqueses - algo em contraste patente com negociações semelhantes que ocorreram em 1989, quando o Parlamento aprovou a Lei do Casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Nas negociações de 1989, os homossexuais eram aceitos apenas na medida em que não interferissem com o casamento heterossexual. Dez anos mais tarde, porém, eles se tornaram símbolos do casamento, da monogamia, e da família nuclear.

"A homossexualidade não é mais 'O Outro', ela dá sustentação à 'vida familiar normal'," ressalta o pesquisador.

"Quando a lei do casamento homossexual estava sendo negociada em 1989, a homossexualidade era tolerada, mas, ao mesmo tempo, considerada uma ameaça à nossa reputação nacional. Neste milênio, um homossexual tornou-se uma figura que pode representar as comunidades nacionais e religiosas e ser um elemento importante na construção de uma Dinamarca moderna e liberal," conclui ele.

N. E.: A partir de 15 de junho de 2012, os casamentos entre homossexuais também passaram a ser celebrados nas igrejas da Dinamarca (Igreja Luterana).

Fonte: Diário da Saúde, 23/04/2013

Até onde vai o preconceito: adolescente pode pegar prisão por namorar outra garota

quinta-feira, 23 de maio de 2013 2 comentários

Stop the Hate! Free Kate! (Chega de ódio! Libertem Kate!) 

Kaitlyn Hunt, uma adolescente de 18 anos, foi presa em Sebastian, na Flórida (EUA), sob a acusação de perverter a namorada menor de idade. Entretanto, o relacionamento das garotas começou quando também Kaitlyn era menor e de conhecimento da família de ambas. As garotas estudavam na mesma escola e participavam de seu time de basquete.

Acontece que os pais da namorada de Kaitlyn não aceitavam o relacionamento das duas e esperaram até a moça fazer 18 anos para incriminá-la por abuso de menor. Não contentes com a acusação, conseguiram dobrar a direção da Sebastian River High School, resistente a princípio, para que expulsassem Kaitlyn da escola. Agora ela corre o risco, se condenada, de pegar até 15 anos de prisão além de ficar fichada como criminosa sexual, o que pode lhe criar problemas profissionais futuros.

A mãe de Kaitlyn declarou à imprensa, referindo-se aos pais da outra garota:

“Eles querem destruir minha filha porque acham que ela tornou a filha deles gay. Acham que ser homossexual é errado e culpam minha filha pela homossexualidade da filha deles. Naturalmente, vejo a situação de forma completamente diferente. Nem vejo ou rotulo as garotas como "gays". São adolescentes experimentando sua sexualidade consensualmente. Mas mesmo que a filha deles seja gay, e daí? Ela continua filha deles."

Nas redes sociais, páginas e tags foram abertas para protestar contra este flagrante caso de homofobia: na Change.org, uma petição pedindo o fim do processo contra a garota; no Facebook, a página de apoio "Free Kate" e, no twitter, a tag #OpJustice4Kaitlyn, lançada pelo Anonymous no dia 19 último.

Com informações do Huffington Post e Examiner

Na época de Harvey Milk, emblemático político LGBT americano

quarta-feira, 22 de maio de 2013 0 comentários


Para celebrar o aniversário de Harvey Milk, hoje dia 22 de maio, segue abaixo o documentário The Times of Harvey Milk, de 1985 (ganhou o Oscar) que lembra a trajetória do primeiro político americano abertamente gay até seu assassinato em 1978.

Segue também o comentário de outro filme sobre Milk, Milk - A voz da Igualdade, da época que esse filme do diretor Gus Van Sant foi lançado em 2009. Vale a pena ver o documentário e procurar assistir  o filme de Gus Van Sant. 

Mais um passo para o casamento LGBT na Inglaterra: Câmara britânica aprova casamento gay

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Câmara britânica aprova casamento gay apesar de racha no partido do governo
Se aprovado também na Câmara dos Lordes (Alta), projeto de lei permitirá o casamento gay na Inglaterra e no País de Gales, mas sem obrigar organizações religiosas a celebrá-lo.

A Câmara dos Comuns (Baixa) do Reino Unido aprovou ontem (21/05/2013) o casamento entre pessoas do mesmo sexo, apesar de divisões no partido do governo - o Conservador - que colocam o premiê David Cameron em rota de colisão com seus aliados.

Se aprovado também na Câmara dos Lordes (Alta), o projeto de lei permitirá o casamento gay na Inglaterra e no País de Gales. Apesar da oposição que a medida ainda deve enfrentar, Cameron espera sua aprovação e quer que a primeira cerimônia matrimonial legal seja realizada já no verão do ano que vem no hemisfério Norte (junho).

A medida, patrocinada pelo governo, foi aprovada pelos parlamentares com 366 votos a favor e 161 contra. Diversos conservadores se manifestaram contra o projeto, que teve o apoio de liberais-democratas (parte da coalizão governista) e trabalhistas (de oposição).

Direitos e religião

A lei deverá permitir que casais que já vivem em união civil convertam sua relação em um casamento. Defensores da medida alegam que a parceria unicamente civil perpetua a noção de que relacionamentos homossexuais não estão em pé de igualdade com os heterossexuais e de que os direitos legais não são exatamente os mesmos.

A secretária de Interior britânica, Theresa May, e a ministra-adjunta de Igualdades, Lynne Featherstone, disseram que "não é justo que um casal que se ame e queira formalizar seu compromisso tenha esse direito negado".

Mas o projeto de lei não criará obrigações para as organizações religiosas - estas poderão optar por realizar ou não cerimônias de casamento de pessoas do mesmo sexo. O projeto também especifica que a Igreja Anglicana será proibida por lei de realizar casamentos gays.

Tensões entre conservadores

A votação do projeto alimentou as tensões entre o governo Cameron e uma ala de seu Partido Conservador, cujas atenções estavam voltadas para as divergências entre o Reino Unido e a União Europeia, em um momento de crise econômica.

O editor de política da BBC, Nick Robinson, diz que as divergências atestam a relação cada vez mais delicada entre Cameron e seus aliados. "Muitos ativistas conservadores não acreditam no casamento entre pessoas do mesmo sexo", explica Robinson. "A união entre Cameron e seu partido nunca foi tranquila. Era calculista politicamente. Agora, está em claros problemas."

O parlamentar conservador Brian Binley afirmou que existe um "abismo crescente" entre o premiê e seus correligionários.

Daniela e Malu fazem um bem imenso à cidadania LGBT e à sociedade brasileira

terça-feira, 21 de maio de 2013 1 comentários

Daniela Mercury e Malu Verçosa

Muito se fala de que essa saída do armário da Daniela é jogada de marketing promocional para ela voltar a ficar em evidência, pois estaria em fim de carreira, blá-blá-blá. No mínimo, teríamos que considerar ser essa uma jogada bem arriscada, quase um blefe, mas nada indica engodo no relacionamento de Daniela e Malu. Daniela sempre se relacionou com mulheres e, nesses tempos em que não se prendem mais homossexuais nos armários, resolveu assumir esse seu caso em particular para dar uma força aos direitos homossexuais. Se de quebra calculou benefícios à sua carreira, pela polêmica em torno do caso, não vejo porque condená-la, pois não tem preço o bem que tem feito à cidadania LGBT e ao sonho de um Brasil menos obscurantista.

Segue a matéria e o vídeo da entrevista que ela e Malu deram à TV Folha, entrevista um pouco prejudicada por uma música de fundo meio pra baixo, trilha sonora mais adequada para uma matéria sobre algum evento dramático, o que de forma alguma é o caso. No mais, bem legal e vale o registro.

"Não dava para viver de outra maneira", diz Daniela Mercury; assista

O encontro com Daniela Mercury, 47, e a jornalista Malu Verçosa, 37, casal icônico da militância gay brasileira, havia sido marcado para as 18h30 da quarta-feira, no espaçoso casarão da cantora no Parque Costa Verde, condomínio de luxo situado nas bordas de Salvador, onde sopra a brisa do mar.

Duas horas depois Daniela aparece com um microvestido para a conversa. "Ela é a curva do rio, só pra sair do quarto leva 40 minutos", diz Malu ao repórter Morris Kachani. A cantora havia passado base nas pernas, por isso hesitou em se sentar no sofá para não manchá-lo (um lençol foi providenciado).

Daniela vai logo dizendo que o casal está vivendo "aquela fase insuportável" da paixão. "Você fica nua, em carne viva. A relação está se criando, então tudo é negociado. Não sabia que poderia amar alguém com tanta intensidade", afirma.

Malu diz, diante de uma Daniela de olhos marejados: "Ela é generosa, brava, mas boba --aquele tipo que se você fizer 'bu', chora. Daniela devaneia, viaja. É forte e é guerreira. Uma mulher da porra, como se diz por aqui".

A namorada da cantora é editora-chefe do programa de notícias regional da TV Globo. Formou-se em jornalismo na Fiam, em São Paulo, onde viveu por dez anos, tendo trabalhado também no SBT e na Record.

Fonte: TV Folha, 19/05/2013

Maria da Conceição fala várias línguas e tem namorada

segunda-feira, 20 de maio de 2013 0 comentários

Maria da Conceição fala várias línguas e tem namorada

Maria da Conceição não ganhou seus 15 minutos de fama por ser homossexual, mas sim por trabalhar como faxineira no Mercado Central de Belo Horizonte embora fale várias línguas. Mas a naturalidade com que disse ter uma namorada aponta para o futuro dos nossos sonhos: um onde ser homossexual se torne apenas um detalhe na vida das pessoas, como de fato é.

Destaque: Em 2005, Maria da Conceição trabalhava numa oficina de informática quando conheceu um alemão, um espanhol e uma holandesa. Eles faziam intercâmbio no país e foram embora. Mas a amizade foi mantida por meio de contatos pela internet. "Numa dessas conversas, entrou uma mineira, dez anos mais nova, que se tornou minha companheira. Sou homossexual".

As duas foram convidadas pela amiga holandesa para se mudarem para lá. Toparam e, em Amsterdam, fizeram faxina e reforma de residências para sobreviver. Foi aí, que Maria da Conceição começou a aprender, "com uma certa facilidade", as línguas que hoje domina.

Em Belo Horizonte, ex-faxineira vira "celebridade" por falar quatro línguas

Carlos Eduardo Cherem

Não restou outra alternativa nesta sexta-feira (17) à administração do Mercado Central de Belo Horizonte: arrumar um uniforme novo para as imagens e organizar as entrevistas da ex-faxineira Maria da Conceição da Silva, após a súbita fama da pernambucana, quando os colegas descobriram que ela fala inglês, holandês, italiano e espanhol, além de "arranhar" alemão, árabe e hebraico, e contaram para a diretoria do mercado.

Com isso, em pouco mais de 15 minutos de conversa, com o superintendente do mercado Luiz Carlos Braga, informado no início de maio, que, além de poliglota, a faxineira tem formação superior em contabilidade, Maria da Conceição foi promovida a atendente turística do Mercado Central. Seu salário passou de R$ 674 (salário mínimo) para R$ 1.100, com a promoção. 

"Estamos organizando. É para ficar mais ajeitado", afirma o superintendente, que pede que os jornalistas formem uma fila para falar com a empregada do mercado.

Maria da Conceição atendeu a reportagem do UOL, entre os desfiles que fez nos corredores do mercado para as imagens e as entrevistas individuais que concedeu aos repórteres. A agora atendente turística disse que há exageros na repercussão do caso e que não se sente celebridade.

"Senhor, estão exagerando. Eu só falo quatro línguas. O alemão, árabe e hebraico, eu só arranho o alemão, árabe e hebraico. Não tem nada disso não", diz Maria da Conceição. 

"O hebraico estava aprendendo com um amigo marroquino. Eu só arranho, não falo".

O mundo sem fronteiras

"Sou filha de pais separados. Meus irmãos mais velhos foram criados pela minha avó materna. Um outro foi criado por parentes. Minha mãe me doou ainda bebê. Mas arrependeu-se e me buscou mais tarde.

Aos 11 anos, Maria da Conceição trabalhava como recepcionista e, a mãe, como doméstica. "Estudava em colégio de freiras. No escritório, fazia serviços gerais e datilografia". Mudou-se com a mãe para Fortaleza e lá fez o ensino fundamental num colégio militar.

Após o período na capital cearense, transferiu-se novamente com a mãe para Elesbão Veloso (PI), onde morou na casa de uma irmã. De lá, foi para Teresina e concluiu o ensino médio no Colégio Salesiano. Mudou-se com a mãe para Campina Grande (PB), onde trabalhou em diversas profissões.

"Comecei no levantamento de estoque em uma loja de autopeças, depois fui para o balcão. Aprendi muito. Fiz serviços hidráulicos e de servente de pedreiro também. Fui doméstica e até em oficina mecânica trabalhei". Nessa cidade paraibana, em 1991, a mãe morreu.

Em 2005, Maria da Conceição trabalhava numa oficina de informática quando conheceu um alemão, um espanhol e uma holandesa. Eles faziam intercâmbio no país e foram embora. Mas a amizade foi mantida por meio de contatos pela internet. "Numa dessas conversas, entrou uma mineira, dez anos mais nova, que se tornou minha companheira. Sou homossexual".

As duas foram convidadas pela amiga holandesa para se mudarem para lá. Toparam e, em Amsterdam, fizeram faxina e reforma de residências para sobreviver. Foi aí, que Maria da Conceição começou a aprender, "com uma certa facilidade", as línguas que hoje domina.

Voltou o ano passado, após ter conhecido boa parte da Europa, e veio morar com uma irmã em Belo Horizonte e, óbvio, teve de procurar emprego.

Acabou arrumando o de faxineira do mercado e, agora, a promoção, quando foram descobertas suas qualificações.

15 minutos de fama

Dá um sorriso largo e avisa à reportagem, quando se prepara para atender outro jornalista, já impaciente na fila: "Eu sei disso tudo. São os 15 minutos de fama..."

"Você acha que eu sou boba? Isso tudo passa rápido". Entretanto, não esconde uma leve expectativa com a súbita fama: "Emprego? É. Isso pode ser que melhore um pouco", afirma Maria da Conceição, antes de partir para outra entrevista.

Em Belo Horizonte, desde setembro do ano passado, procurou trabalhar em escritórios mas não conseguiu. "As pessoas criavam dificuldades: veio da Europa? O que fazia lá? Já passou dos 40? Tem curso superior, precisamos de pessoas com formação até o ensino médio", diz.

"Fiquei sabendo que havia vaga na faxina do mercado e fui ao escritório. Mas não apresentei currículo e omiti a formação superior e o fato de falar outras línguas", afirma.

Ela afirma teve dificuldades para arrumar emprego em Belo Horizonte, mesmo com a boa formação educacional. Por isso, foi para a faxina do mercado e, agora, o atendimento aos turistas.

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