Subsecretário-geral do conservador Partido Popular casou com companheiro em Vitória na Espanha

sexta-feira, 2 de outubro de 2015 0 comentários

Javier Maroto, do conservador Partido Popular, trocou votos com Josema Rodríguez

Presidente da Espanha e outros líderes conservadores participam de casamento gay

O subsecretário-geral do tradicional Partido Popular trocou votos com seu companheiro, depois de 19 anos

MADRID — Os principais líderes do conservador Partido Popular da Espanha, incluindo o presidente do país, Mariano Rajoy, compareceram ao casamento de seu subsecretário-geral com outro homem, dando aprovação tácita à lei de igualidade de direitos para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, à qual costumavam se opor.

Javier Maroto trocou votos, no dia 18/09, com Josema Rodríguez, no norte da cidade de Vitória. Além da presença do presidente, a cerimônica contou com a secretária-geral Maria Dolores Cospedal e outros membros do partido, de acordo com um comunicado oficial.
Na Espanha, o direito ao casamento é para todos, e hoje, todos nós compartilhamos essa mensagem", disse Maroto mais tarde."Os partidos evoluem. Agora, o meu partido e o governo se unem para respaldar esse direito", acrescentou ele.
Maroto e Rodríguez estão juntos há 19 anos. Além de ser um líder sênior do Partido Popular, Maroto é ex-prefeito de Vitória.

O parlamento espanhol legalizou o casamento gay em 2005, sob o governo socialista, o que irritou os conservadores em um país profundamente católico. O Partido Popular, na época, fez tentativas de desafiar a lei, mas o Tribunal Constitucional confirmou a sua legitimidade. Agora, uma década depois, fotos da cerimônia mostram Rajoy e outros líderes do partido sorrindo enquanto posavam com o casal.

Fonte: O Globo, 19/09/2015

Conselho Federal de Medicina (CFM) facilita reprodução assistida para casais de mulheres

quinta-feira, 1 de outubro de 2015 0 comentários


O Conselho Federal de Medicina (CFM) atualizou as regras de reprodução assistida e facilitou a utilização da técnica para mulheres com mais de 50 anos e casais formados por mulheres. Pela nova regra, as pacientes com mais de 50 anos vão precisar ter autorização do médico responsável e deverão receber informações sobre os riscos da gestação. Antes, os profissionais não tinham essa autonomia e os casos precisavam ser avaliados pelos conselhos regionais de medicina para serem autorizados.

Também foram definidas regras que facilitam a gestação compartilhada entre casais formados por mulheres. Elas podem fazer a gestação compartilhada, quando uma mulher pode receber o embrião gerado a partir da fertilização do óvulo da parceira.

Sobre a doação de espermatozóides e de óvulos, o texto define que a primeira opção é permitida. No caso dos óvulos, eles só podem ser doados quando a doadora e a receptora têm problemas de reprodução.

Para Newton Busso, presidente da comissão nacional especializada em reprodução humana da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a medida vai evitar o comércio de óvulos. "A doação de espermatozoides depende de uma masturbação. Para colher os óvulos, é preciso dar anestesia e fazer um procedimento que pode causar riscos para as doadoras."

Continua proibida a escolha do sexo do bebê, mas os pais que têm incompatibilidades genéticas poderão fazer a seleção de embriões para evitar que a criança nasça com problemas de saúde.

Os planos de saúde e o Sistema Único de Saúde (SUS) não são obrigados a custear os procedimentos de reprodução assistida.

Com informações de o Estado de São Paulo, CFM facilita reprodução assistida para mulheres com mais de 50 anos, por Paula Félix, 22/09/2015

Por pressão das Frentes Parlamentares Evangélica e Católica, "Comitê de Gênero" virou "Comitê de Combate à Discriminação".

quarta-feira, 30 de setembro de 2015 0 comentários

Após pressão de religiosos, MEC altera comitê e remove palavra 'gênero'
Portaria publicada por ministro da Educação substituiu "Comitê de Gênero" para "Comitê de Combate à Discriminação".

SÃO PAULO - Após pressão das Frentes Parlamentares Evangélica e Católica, o Ministério da Educação substituiu um comitê criado no dia 9 de setembro para propor políticas voltadas à igualdade de gênero na educação por um de teor mais genérico. Ato publicado nesta terça-feira, 22, no Diário Oficial da União, pelo ministro Renato Janine Ribeiro, remove todas as menções à palavra "gênero" e troca o nome do grupo de "Comitê de Gênero" para "Comitê de Combate à Discriminação".

O grupo, estabelecido há duas semanas, era baseado em notas técnicas de órgãos do próprio MEC, que continham orientações sobre como garantir o acesso e a permanência de travestis e transexuais nas escolas e universidades, além de ressaltar que os conceitos de gênero e orientação sexual "deveriam ser usados para a elaboração de políticas públicas".

No dia 11 de setembro, o Conselho Nacional de Educação (CNE) também recomendou, em nota, que os planos estaduais e municipais fossem revisados para tratar da questão de gênero. O órgão disse manifestar "surpresa" e "preocupação" com o fato de vários planos "terem omitido, deliberadamente, fundamentos, metodologias e procedimentos em relação ao trato das questões relativas à diversidade cultural e de gênero".

O Estado apurou que deputados da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) procuraram o líder do governo na Câmara, deputado federal José Guimarães (PT-CE), para tentar a revogação do texto original. Em nota publicada pelas frentes, o grupo diz que a portaria havia sido publicada "na surdina" e "tinha por objetivo implementar a ideologia de gênero nas escolas". Disse ainda que o texto "incentiva a prática gay e resulta na sexualização precoce das crianças e adolescentes".

No texto original, a primeira competência do comitê falava em "promoção dos direitos relacionados às questões de gênero, e o enfrentamento das diversas formas de precocneito, discriminação e violência". Já o novo texto, no mesmo trecho, propõe somente "combate das diversas formas de preconceito, discriminação e violência".

A segunda competência original tratava de "acompanhar e monitorar a implementação das ações do MEC que tenham foco nas questões de gênero". Foi substituída pela seguinte frase: "acompanhar e monitorar a implementação das ações que tenham foco nas questões de combate a qualquer forma de preconceito". A situação se repete ao longo de todo o texto: no original, a palavra aparece 14 vezes; no novo, nenhuma.

A supressão do termo repete o mesmo problema enfrentado pelo governo federal durante a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE), que só foi aprovado no ano passado após a remoção da palavra "gênero", por pressão da Frente Parlamentar Evangélica. A discussão também tem barrado os Planos Municipais e Estaduais de Educação, ainda em aprovação nas casas legislativas dos estados e municípios em todo o País. Janine Ribeiro, no entanto, já declarou diversas vezes ser favorável à discussão do conceito nas escolas brasileiras.

Procurado à noite, o MEC não foi encontrado para comentar as alterações. 

Fonte: Estado de São Paulo, por Luiz Fernando Toledo, 22/09/2015

Mercado de trabalho brasileiro ainda hostiliza profissionais abertamente LGBT

terça-feira, 29 de setembro de 2015 0 comentários


Mercado de trabalho ainda é hostil com homossexuais assumidos

Ser lésbica não atrapalhou a ascensão na carreira de Caroline Cardoso, 33, que ocupa um cargo comissionado em uma grande empresa, cujo nome ela prefere omitir. Contudo, depois da contratação, sua chefe lhe pediu para manter discreta sua orientação sexual, ou seja, não revelar para os colegas que é casada com outra mulher. "Ela fez isso no intuito de me defender, não queria que eu fosse chamada de sapatão", diz.

Por alguns meses, Caroline tentou permanecer no armário, mas depois de ouvir conversas homofóbicas no ambiente de trabalho, não achou certo continuar escondendo essa informação. "Não estava aguentando, resolvi falar", conta, mais aliviada por não precisar fingir.

O respeito à diversidade tem avançado em diversos setores da sociedade. Porém, no ambiente de trabalho, a questão ainda é permeada por bastante preconceito e discriminação.

Uma pesquisa realizada pela Elancers, empresa da área de sistemas de recrutamento e seleção, mostrou que 11% das empresas não contratariam homossexuais para determinados cargos, referindo-se a posições de liderança e nível executivo. O levantamento –divulgado em maio deste ano-- foi feito com mais de 2.000 recrutadores, de cerca de 1.500 companhias brasileiras.
Funcionários executivos representam a imagem para o público e a empresa não quer sofrer com o preconceito", diz Cezar Tegon, presidente da Elancers.
Na pesquisa, 7% dos entrevistados também disseram que não empregariam homossexuais declarados em nenhum cargo.
Na verdade, quase 20% têm algum tipo de discriminação", fala o executivo.
Tegon também acrescenta que no discurso muitas empresas falam que apoiam a diversidade, mas, na prática, é diferente, conforme apontam os números.
Discriminação

A orientação sexual ainda influencia fortemente a maneira como os LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis) são tratados no dia a dia do trabalho.

Em um estudo com 230 profissionais LGBT, entre 18 e 50 anos, de 14 estados brasileiros, realizado pela consultoria de engajamento Santo Caos, 40% dos entrevistados disseram que já sofreram discriminação direta. "E todos relataram ter sofrido discriminação velada no trabalho", fala Jean Soldatelli, sócio-diretor da Santo Caos.

Por medo de serem discriminados, demitidos ou terem sua capacidade profissional colocada em xeque, muitos profissionais preferem manter em segredo sua orientação sexual.

No levantamento da Santo Caos –também divulgado em maio deste ano--, somente 47% disseram se assumir no trabalho, sendo que desses 32% falaram para o chefe imediato e apenas 2% para o gestor de recursos humanos. "Isso mostra o despreparo das empresas com relação à diversidade", afirma Soldatelli.

Segundo o sócio-diretor da Santo Caos, o problema dificulta o engajamento dos funcionários com a empresa, o que influencia na satisfação das pessoas com o ambiente do trabalho, na produtividade e, consequentemente, nos resultados.
Sair do armário

Apesar de muitas empresas não saberem lidar bem com a diversidade, já existem iniciativas, sobretudo de multinacionais, para mudar esse cenário. Na IBM Brasil, desde 2005, é realizado um trabalho de redes de relacionamento, em que os funcionários se reúnem para discutir a questão. Além disso, a diversidade é contemplada em toda comunicação da empresa.

Também há a possibilidade de se identificar como LGBT na página de recursos humanos da IBM Global. Mas nem sempre esse trabalho é suficiente para que as pessoas se sintam confortáveis para assumir sua orientação sexual.
Mesmo sabendo das políticas de igualdade, alguns funcionários têm medo de se identificar com receio de que deixem de ser promovidos por serem LGBT", diz Adriana Ferreira, líder de diversidade na IBM Brasil.
Além do grupo daqueles que saíram do armário, a empresa tem também uma lista secreta dos funcionários que ainda não querem revelar sua orientação ou estão no processo de autodescoberta. A IBM Global possui uma comunidade de executivos assumidos, porém, no Brasil, ainda nenhum funcionário de alto escalão se posicionou como LGBT.

Fonte: UOL, por Yannik D´Elboux, 21/09/2015

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