Ativista lésbica francesa foi responsável por desassociar a palavra lésbica de conteúdo pornô na busca do Google

sexta-feira, 16 de agosto de 2019 0 comentários

Fanchon Mayaudon-Nehlig iniciou a discussão sobre como o algoritmo do Google selecionava
 conteúdos de busca sobre lésbicas.

Em julho deste ano, a francesa Fanchon Mayaudon-Nehlig, consultora de comunicação, recebeu uma ligação: “ei, você viu que a palavra ‘ lesbienne’ [lésbica, em francês] não é mais associada a resultados pornográficos no Google?”.

Três meses antes, a criadora do grupo ativista SEO Lesbianne havia iniciado uma campanha para que o algoritmo de busca da ferramenta fosse corrigido e parasse de apresentar conteúdos de pornografia ligados ao termo.
O mais engraçado é que, no momento em que recebi a ligação, eu estava no trabalho: o firewall que meu cliente usa em seu escritório proíbe que eu digite a palavra ‘lesbienne’, como se fosse um palavrão. Eu tive que sair do meu local de trabalho para verificar a informação e eu não acreditei em meus olhos”, disse em entrevista ao HuffPost Brasil.
Nossa primeira ação foi fazer com que as pessoas percebessem que havia um problema, um erro com os resultados sobre a palavra específica “lesbienne”. Fanchon Mayaudon-Nehlig, em entrevista ao HuffPost Brasil.

Pela primeira vez em sua vida, ela pode digitar a palavra francesa “lesbienne” e não havia nenhuma pornografia nos resultados. O Google anunciou na última sexta-feira (9) que consertou o algoritmo com a intenção de fornecer resultados mais precisos e de qualidade para este tipo de consulta.

A mudança já está em vigor, mas ainda em fase inicial e termos relacionados ou buscas em línguas diferentes ainda podem apresentar os conteúdos antigos que apareciam nas buscas. Mas Fanchon acredita que após esse passo é questão apenas de um pouco de tempo para que a realidade seja modificada.
A SEO Lesbienne incentiva todas as lésbicas a mostrarem suas vidas diárias e produzirem muitos conteúdos associados à palavra ‘lésbica’ na internet em seu próprio idioma”, disse.
Abaixo entrevista do HuffPost com Fanchon sobre a iniciativa, os motivos de ocorrer por tantos anos a associação da palavra lésbica a conteúdos sexuais e a importância da mudança. 

HuffPost: Fale um pouco sobre a história e atuação da SEO Lesbienne e de como começou a campanha em relação à mudança do algoritmo de busca desse termo. 

Fanchon Mayaudon-Nehlig: O SEO lesbienne é agora um grupo ativista lésbico francês, não somos pagos e nao dependemos de nenhuma outra organização. Eu criei pela primeira vez a hashtag #SEOlesbienne no Twitter em abril de 2019, depois que minha esposa, Louise, me fez perceber que eu não estava confortável em usar a palavra “lesbienne” em público. Neste momento na França, algumas mídias tradicionais estavam começando a falar sobre lésbicas, e as próprias lésbicas estavam tentando alertar sobre o quanto somos sexualizadas, especialmente na internet.

Por acaso, o #SEOlesbienne teve a oportunidade de ser ouvido e o assunto foi coberto pela imprensa francesa (graças à mídia tecnológica Numerama e à jornalista Marie Turcan), mas há anos lésbicas e ativistas são alertados sobre esse assunto. Nós não tínhamos a menor ideia de que o Google mudaria alguma coisa sobre seu algoritmo, mas estávamos dispostas a tentar, e éramos apenas duas pessoas no SEO Lesbienne: eu e minha esposa. Sou consultora de comunicação e minha esposa é designer.

Tínhamos a intuição de que poderia funcionar se pudéssemos trazer especialistas em SEO conosco, por isso organizamos uma reunião de desafio: “vamos hackear o SEO da palavra lesbienne”: desde esse encontro fundador, SEO Lesbienne é um misto de especialistas em SEO e lésbicas.

Nossa primeira ação foi fazer com que as pessoas percebessem que havia um problema, um erro com os resultados sobre a palavra específica “lesbienne” nos resultados das páginas do Google. No momento, a SERP (página de resultados do mecanismo de pesquisa) mostrava apenas conteúdo pornográfico, como é possível ver na imagem abaixo.


Como você se sentiu quando recebeu a informação de que o algoritmo de busca tinha sido modificado?

Em primeiro lugar, o resultado foi inesperado! Sabíamos que o Google France poderia mudar o algoritmo, pois havia um precedente com a palavra “chatte” no Google relacionada a vaginas e não gatinhos como esperado, o que expunha crianças à sexualidade, por isso estávamos prestes a iniciar uma petição para fazer o Google France reagir sobre a palavra “lesbienne” sendo associada exclusivamente com pornografia.

Nós queríamos informá-los sobre como isso afeta os mais jovens da comunidade, quando no dia 18 de julho recebemos uma ligação da mídia francesa LGBT Têtu: eles nos disseram “ei, você viu que a palavra ’ lesbienne’não é mais associada a resultados pornográficos no Google?”.

O mais engraçado é que, no momento em que recebi a ligação, eu estava no trabalho: o firewall que meu cliente usa em seu escritório proíbe que eu digite a palavra “lesbienne”, como se fosse uma palavrão! Eu tive que sair do meu local de trabalho para verificar a informação e eu não acreditei em meus olhos. Essa foi literalmente a primeira vez da minha vida em que eu pude digitar a palavra francesa “lesbienne” e não havia nenhuma pornografia nos resultados!

Nós sabíamos que não estávamos lutando apenas por nós, era tarde demais para nós, tivemos que lidar com essa situação durante muitos anos, mas poderíamos impactar as meninas mais novas que se perguntam sobre sua orientação romântica. Lembrei-me de como fiquei surpresa com os resultados que descobri como uma adolescente digitando discretamente no Google “lesbienne”. Eu não queria ser atriz pornô, mas o Google parecia acreditar nessa única opção para mim!

Por que o termo “lésbica” ainda era associado exclusivamente a conteúdos sexuais enquanto outras palavras da comunidade LGBTQ isso não acontecia?

Alguns ativistas LGBTQ franceses nem sabiam que a palavra “lesbienne” era exclusivamente associada a conteúdo pornográfico no Google, enquanto a palavra “gay” não era. Quando perceberam essa injustiça, ficaram surpresos! 

A questão é que, como mulheres, a internet inteira não é o que podemos chamar de “lugar seguro”, e o ponto de vista expresso no algoritmo do Google pode ter algumas ligações sexistas. Por exemplo, é muito difícil para uma mulher contribuir na Wikipédia, e páginas relacionadas a mulheres famosas são frequentemente descartadas. Tivemos literalmente que lutar para mudar a imagem da página francesa “lesbianisme” com uma imagem histórica da poeta Safo em vez de uma imagem sexualizada.

Outra explicação talvez seja encontrada na pornografia em si. Pornografia gay é comercializada para homens gays: você tem que mudar a página ou mesmo o site para acessar pornografia gay. Considerando que não há pornografia “lésbica”, “lésbicas” é uma tag em sites pornográficos comercializados para homens heterossexuais. Na internet, admitem-se lésbicas para satisfazer o prazer de adultos do sexo masculino, e somente com esse objetivo.

Qual foi e qual pode ser o impacto dessa mudança para a comunidade lésbica?

O impacto dessa mudança no algoritmo do Google é enorme, e ainda não sabemos o tamanho! Acreditamos que o Google pode nos ajudar a tornar a palavra “lésbica” em todos os idiomas mais respeitada e, por consequência, todas as lésbicas podem ser tratadas da maneira que merecemos.

Também queremos que as pessoas estejam cientes de que o Google nem sempre reflete a realidade, e nós, como cidadãos, podemos nos reunir e fazer com que o SEO mude para o melhor. A palavra “lesbienne” não pertence à indústria pornográfica: ela pertence a nós, e estamos satisfeitas pelo fato de o Google ter nos dado a oportunidade de possuí-la e criá-la.

Após essa conquista, na sua opinião, quais são os próximos passos que a comunidade LGBT pode dar em relação a busca por visibilidade e igualdade sexual?

Homens gays e outros devem incentivar mais mulheres a falar, porque não é fácil ser abertamente lésbica em espaços públicos e na internet: nós nos expomos à misoginia e à lesbofobia. Desde o início de SEO Lesbienne, recebi insultos em minhas redes sociais, e sei que é um risco ter meu nome completo e rosto expostos em mídias em todo o mundo, mas sinto que tenho que fazer isso por outros que simplesmente não podem falar.

Gays, lésbicas e outras minorias não têm liberdade para viajar em alguns países onde suas próprias vidas são colocadas em risco. Não podemos viver nossas vidas sem nos preocuparmos com a comunidade em outros países. A história recente provou como as leis e os governos afetam nossas vidas para melhor e para o pior também. As mídias sociais são uma oportunidade para as lésbicas de todo o mundo se reunirem e mostrarem que nós existimos e importamos! 

Localmente falando, em alguns meses, o parlamento francês debaterá sobre a abertura da procriação medicamente assistida para lésbicas (conhecida como PMA na França), acompanharemos a evolução da palavra “lesbienne” no Google durante este período de tensão.

A SEO Lesbienne incentiva todas as lésbicas a mostrarem suas vidas diárias e produzirem muitos conteúdos associados à palavra “lésbica” na internet em seu próprio idioma.

Clipping "Palavra lésbica ‘pertence a nós’, diz criadora de campanha para corrigir algoritmo do Google", por Ana Ignacio, 12/08/2019

Drama lésbico do Quênia nos cinemas brasileiros

quarta-feira, 14 de agosto de 2019 0 comentários


Quando estreou no Festival de Cannes de 2018, “Rafiki” fez história. Não só pelo fato de ter sido a primeira produção cinematográfica queniana a ser escolhida pelo principal festival do mundo, mas por ser uma história lésbica passada no país.

Ao fazer o filme, sabia que seria importante para muitas pessoas, mas quando tudo disparou, fiquei surpresa e tive dificuldade em entender tudo”, conta a atriz Sheila Munyiva.
Eu me sinto muito orgulhosa de fazer parte de algo que está fazendo história.”
O filme da diretora Wanuri Kahiu estreiou na quinta-feira, dia 8, no Brasil.  Munyiva faz Ziki, uma das protagonistas da trama, que vive um relacionamento com a personagem Kena, interpretada por Samantha Mugatsia.
As duas estão apaixonadas, mas há dois empecilhos —o preconceito e a disputa política local entre seus pais. A inspiração é o conto “Jambula Tree”, da escritora ugandense Monica Arac de Nyeko. Rafiki significa, no Quênia, amigo ou amiga.
Desde 1897, quando o Quênia ainda era uma colônia, a homossexualidade é criminalizada. Em maio deste ano, o Supremo Tribunal local julgou a possibilidade de abolição dessas leis, mas a proposta acabou rejeitada.
Apesar de ser um pouco mais branda para as mulheres, a legislação do país prevê até 19 anos de prisão para quem tem relações com pessoas do mesmo sexo. O Código Penal impõe até 14 anos de prisão para os que tiverem uma “conjunção carnal não natural” e cinco anos para “práticas indecentes entre homens”.
No ano passado, o presidente do país, Uhuru Kenyatta, ao ser entrevistado pela CNN, disse que o debate sobre os direitos LGBT é um tema “sem importância”.
Por isso, para a atriz Sheila Munyiva, o filme tem sua importância tão grande. “Não há nada mais fortalecedor do que se ver representado na tela”, afirma.
Ao crescer, tive dificuldade em apreciar minhas características africanas, porque tudo o que via na TV era cabelo longo e liso, pele clara e corpos magros. Foi uma tortura, até que mais mulheres não brancas começaram a aparecer nas telas”, diz.
Rafiki’ será capaz de fazer o mesmo para pessoas da comunidade lésbica e gay. Isso permitirá que se sintam vistos, lindos, amados, ouvidos e, mais importante, pertencentes.”
Diante dessa situação era possível esperar alguma reação por parte do governo do Quênia em relação ao longa. Logo após a exibição em Cannes, a obra foi proibida no seu país de origem.
O motivo, segundo o órgão de controle da produção cinematográfica do país, foi o fato de a obra “ter temática homossexual e intenção clara em promover o lesbianismo”. Ainda houve um pedido, não aceito pela cineasta Wanuri Kahiu, para cortar as cenas de sexo entre as personagens.
A cineasta, no entanto, conseguiu reverter a situação. Depois de ter afirmado que houve censura, ela ganhou na Justiça o direito de filme ficar em cartaz nos cinemas do país —ainda que só por uma semana, em setembro de 2018. Isso permitiria ao longa ser escolhido como representante queniano no Oscar, o que acabou não acontecendo.
Fiquei de coração partido e em choque quando ouvi que o filme foi banido”, diz Munyiva, a atriz. Eu não entendi porque eles nos davam uma licença para filmar no país, mas depois não permitiam que mostrássemos o filme.”
A relação entre as duas personagem, na minha opinião, não seria impossível. O filme realmente mostra como é problemático ser lésbica no Quênia, mas também quão possível, bonito e terno é quando você encontra o amor. É uma representação realista.”
Para ela, “Rafiki” pode ainda fazer despertar a aceitação.
Espero que os que são ignorantes quanto à situação da comunidade lésbica assistim ao filme e vejam o amor e, talvez então, aceitem seus compatriotas homossexuais e os vejam como iguais.”
Clipping "Drama lésbico desafia leis do Quênia que criminalizam homossexuais", FSP, 07/08/2019

Batwoman lésbica estreia dia 6 de outubro pela CW TV Network

segunda-feira, 12 de agosto de 2019 0 comentários


A atriz Ruby Rose será a primeira protagonista lésbica da televisão em Batwoman, produção da CW Television Network. Para ela, a sociedade percorreu um longo caminho aceitando diferentes grupos e que, agora, existe uma representação maior LGBT na TV. A estreia está marcada para 6 de outubro nos Estados Unidos.

Na trama, a protagonista foi expulsa do exército por causa do relacionamento com Sophie Moore, interpretada por Meagan Tandy.
Penso em todas as pessoas que foram separadas de seus parceiros ou expulsas do exército. Essa cena tem um grande peso", declarou Ruby Rose. 
Durante evento na Associação de Críticos de TV dos Estados Unidos, a atriz disse que há "muita pressão" nas crianças hoje e ela quer que os jovens sejam capazes de identificar e se relacionar com os personagens que estão assistindo em Batwoman.

A produtora da série, Caroline Dries, explica que Kate Kane, interpretada por Rose, se torna a vigilante de Gothan City na ausência de Batman. Ela também enfrentará vilões já conhecidos dos telespectadores.
Confira a sinopse.
Kate Kane (Ruby Rose) nunca planejou ser uma vigilante de Gotham. Três anos depois do Batman desaparecer misteriosamente, Gotham é uma cidade em desespero. Sem o Cavaleiro das Trevas, o Departamento de Polícia foi superado e desarmado pelos bandidos. Assim entra Jacob Kane (Dougray Scott) e a sua empresa de segurança privada Crows, que protege a cidade. Anos antes, a primeira esposa e filha de Jacob foram mortas em um tiroteio. Ele mandou a sua única filha, Kate, para longe de Gotham para sobreviver. Depois de ser dispensada da escola militar e de anos de treinamento brutal pela sobrevivência, Kate volta para casa quando a gangue Alice no País das Maravilhas ataca a Crows, ao sequestrar a melhor agente, Sophie Moore (Meagan Tandy). Apesar de ter casado novamente, com a socialite Catherine Hamilton-Kane (Elizabeth Anweis), que mantém a Crows, Jacob ainda luta com a perda da família, enquanto mantém Kate distante. Mas, Kate é uma mulher que não pede mais permissão. Para ajudar a família e a sua cidade, ela vai se tornar algo que o pai odeia – uma vigilante. Com a ajuda da sua meia-irmã Mary (Nicole Kang) e Luke Fox (Camrus Johnson), filho de Lucius Fox, Kate continuará o legado do primo desaparecido, Bruce. Ainda tendo uma paixão pela ex-namorada, Sophie, Kate fará de tudo para combater a terrível Alice (Rachel Skarsten), que está em algum lugar entre a sanidade e a loucura. Armada com uma paixão pela justiça social e o dom de falar o que pensa, Kate vigiará as escuras ruas de Gotham como a Batwoman. Mas, não chame ela de heroína ainda. Em uma cidade desesperada por um salvador, ela deve primeiro vencer os próprios demônios para ser chamada de símbolo de esperança de Gotham”.
Clipping Correio 24 horas

Ver também Ruby Rose será Batwoman lésbica em série de TV
Jessica Jones 3: por que mulheres ambiciosas e poderosas têm que acabar presas ou mortas? ~ Contra o Coro dos Contentes

Palavra ‘lésbica’ não é mais sinônimo de pornô nas buscas do Google

sexta-feira, 9 de agosto de 2019 0 comentários


Palavra ‘lésbica’ não é mais sinônimo de pornô nas buscas do Google
A partir de agora, pode-se encontrar a página da Wikipedia e outros conteúdos informativos
Se alguma vez você digitou a palavra lésbica no mecanismo de busca mais famoso da Internet, certamente os primeiros resultados sugeriram páginas pornográficas. Talvez você tenha escrito essa palavra em busca de conteúdo educacional, como uma curiosidade ou como uma maneira de descobrir e explorar sua própria sexualidade, mas o Google não parecia ter essas opções em mente. No entanto, se você fizesse uma busca pelas palavras homossexual ou trans, os primeiros resultados levavam à Wikipedia ou a páginas de informação.

Agora, como relatam meios de comunicação como o Dazed e qualquer pessoa com acesso à Internet pode comprovar, o Google mudou seu algoritmo para que a palavra lésbica pare de direcionar para sites de conteúdo sexual. A página francesa de ativismo #SEOlesbienne foi uma das mais vocais ao apontar essa situação e seu grupo é reconhecido por vários meios de comunicação por influir na decisão de mudança da grande empresa de tecnologia.

O Google respondeu a numerosas reclamações:
Acho que esses resultados são terríveis, não há dúvida sobre isso", disse à mídia francesa Numerama a vice-presidente de qualidade de motores de busca do Google, Pandu Nayak.
Estamos cientes de que existem problemas como este em muitas línguas e desenvolvemos algoritmos para melhorar essa pesquisa, um após outro.” A empresa confirmou que a mudança no algoritmo ocorreu em 19 de julho.
A partir de agora, na pesquisa por lésbicas no Google, você encontrará a página da Wikipédia e outros conteúdos informativos.

Um passo para a dessexualização lésbica

Frases como "você é perfeita, só falta eu", "como eu gostaria de montar em você" ou "se eu tentar com as duas, posso conseguir com alguma" foram as escolhidas pelo grupo de Orgulho Vallekano no Dia da Visibilidade Lésbica para denunciar a hipersexualização das mulheres lésbicas. O machismo e a homofobia encontram na mulher lésbica o alvo perfeito em uma sociedade que entende a heterossexualidade como a norma e as mulheres, como complementos sexuais masculinos. A prova dessa dupla discriminação foi a agressão que duas mulheres sofreram em um ônibus de Londres durante o mês do Orgulho. Foram espancadas por cinco homens depois que se recusaram a beijá-los, e eles as insultaram com gestos sexuais.

O conteúdo pornográfico mostrado como a primeira opção após a busca por lésbicas no Google era mais uma gota nesse copo, mais uma amostra do poder do olhar masculino –e sexualizado– sobre as mulheres lésbicas. Eliminá-lo das buscas não elimina a discriminação na sociedade, mas é um passo à frente.

Clipping "Google conserta seu algoritmo para que a palavra ‘lésbica’ não seja mais sinônimo de pornô", El País, 08/08/2019

Veja também  
Melhor motorista do Uber no Brasil é uma mulher  ~ Contra o Coro dos Contentes 

Manifestantes pediram legalização de casamento homoafetivo durante parada LGBT na Irlanda do Norte

quarta-feira, 7 de agosto de 2019 0 comentários

Manifestantes participam da Parada do Orgulho LGBT em Belfast,
na Irlanda do Norte, no sábado (3). — Foto: Paul Faith / AFP

Manifestantes pediram legalização de casamento homoafetivo durante parada LGBT na Irlanda do Norte
Milhares foram às ruas da capital do país, Belfast, neste sábado (3). A região é a única do Reino Unido que não permite o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo.
Milhares de pessoas foram às ruas de Belfast no sábado (3) para a parada do Orgulho LGBT. Existe a grande expectativa da aprovação do casamento homossexual na Irlanda do Norte, única região do Reino Unido onde isto ainda não aconteceu.

As cores do arco-íris e bandeiras coloridas deram o ar festivo ao desfile, que aconteceu ao som do hit "It's Raining Men". O evento contou com a participação do prefeito de Belfast, John Finucane, e do primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar.

Membros da Igreja também participaram. Um deles oferecia hóstia nas escadas da catedral protestante de Sainte-Anne, próximo a uma placa onde estava escrito “A Igreja apoia o casamento para todos”, enquanto um outro desfilava com o cartaz “Pedimos desculpas pela forma como a Igreja tratou a comunidade LGBT”.

No mês passado, os deputados britânicos do Parlamento de Westminster, em Londres, mostraram sua vontade de avançar rumo à aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Irlanda do Norte. Isso ocorreria com o voto de emendas, que também podem levar à legalização do aborto.

Em circunstâncias normais, o parlamento norte-irlandês seria responsável por legislar sobre estas questões, mas a região está sem Executivo local desde janeiro de 2017, fazendo com que Londres se ocupe de sua administração. Os votos, no entanto, só serão efetivos se nenhum governo local for formado em 21 de outubro na Irlanda do Norte.
Todos devem ter os mesmos direitos, por isso esperamos que isto aconteça. Faremos uma grande festa", comentou a manifestante Mary Francis White, 53, cujo filho gay é vereador de Belfast. O diretor da Anistia Internacional para a Irlanda do Norte, Patrick Corrigan, classificou a mudança política de "um grande avanço nos direitos humanos".
Para Sean O Neil, organizador da Parada do Orgulho LGBT de Belfast, a luta continua.
Neste ano, o evento tem o objetivo de dar destaque aos direitos que ainda são recusados à comunidade: mais atenção às pessoas trans, reconhecimento de gênero, fertilidade, reprodução, igualdade matrimonial”, declarou.
Uma série de fatores levou os deputados de Westminster a tomar uma ação quanto ao assunto. Em maio de 2018, a República da Irlanda organizou um referendo sobre o fim da proibição do aborto, que teve 66% de votos a favor. Já na Irlanda do Norte, a história de uma mãe sendo processada por ter supostamente comprado pílulas abortivas para sua filha de 15 anos provocou grande interesse na imprensa.

Além disso, em abril, a jornalista homossexual Lyra Mckee foi assassinada em Londonderry, na fronteira irlandesa, vítima de balas perdidas do grupo separatista Nova IRA durante um confronto com a polícia. Ainda que sua morte não tenha tido ligação direta com sua homossexualidade, Mckee se tornou um símbolo da luta pela liberação do casamento para todos. Sua companheira, Sara Canning, chegou até a pedir a Theresa May, quando ela era primeira-ministra britânica, para tomar uma ação.

Se a lei entrar em vigor em outubro, os primeiros casamentos poderão começar a ser oficializados em janeiro de 2020.

Clipping Manifestantes pedem legalização de casamento homoafetivo durante parada LGBT na Irlanda do Norte

Pesquisa de associação empresarial (Aberje) aponta que diversidade e inclusão aumentaram no ambiente de trabalho

segunda-feira, 5 de agosto de 2019 0 comentários


Pesquisa revela o amadurecimento do tema da diversidade dentro das empresas.
Pesquisa realizada pela Aberje aponta que 57% dos funcionários acreditam que diversidade e inclusão foram ampliadas no ambiente em que trabalham

Pesquisa revela o amadurecimento do tema da diversidade dentro das empresas. É o que diz a pesquisa “A Diversidade e Inclusão nas Organizações no Brasil”, realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). O estudo aponta o crescimento de programas de diversidade no ambiente de trabalho.

Participaram do estudo 124 companhias que, juntas, faturam R$ 1,24 trilhão, equivalente a 18,3% do PIB brasileiro em 2018. Entre essas empresas, 63% têm programas de diversidade e inclusão.
Melhorar a imagem e reputação" foi citado por 68% das empresas como justificativa para iniciativas que promovam a diversidade. Outras razões apontadas foram contribuir para mudanças estruturais da sociedade (63%), aumentar a eficiência interna (57%), qualificar a cultura organizacional (54%) e desenvolver soluções inovadoras (47%).
A pesquisa também entrevistou 269 profissionais brasileiros para saber a percepção deles sobre a diversidade nas companhias em que trabalham. Entre eles, 57% dizem que a diversidade e inclusão foram ampliadas ou se tornaram mais evidentes recentemente. Os programas internos que se destacam são aqueles voltados aos temas: pessoas com deficiência (96%), identidade de gênero (83%), cor e etnia (78%) e orientação sexual (74%).

Em contrapartida, ainda existem funcionários que sofrem discriminação no ambiente corporativo — não apenas em razão da cor da pele ou orientação sexual, mas sobre questões relacionadas a peso, idade e até mesmo preferências políticas.

Os entrevistados disseram que já presenciaram, uma ou mais vezes, situações constrangedoras como: discriminação por conta da altura ou peso (24%), identidade ou expressão de gênero (40%), idade (35%), cor ou etnia (30%). O mais comum, no entanto, foi a discriminação em relação à orientação política: 55% dos funcionários dizem já ter presenciado esse tipo de situação.

A falta de diversidade tem um preço para as empresas. Um quarto dos profissionais dizem já ter considerado pedir demissão por se sentirem isolados, e 42% já sentiu pressão para mudar as próprias características pessoais a fim de se enquadrar aos padrões da empresa.

Relacionamento e liderança

Os líderes incentivam que os funcionários trabalhem com os colegas com diferentes características de diversidade. Segundo os funcionários, 45% dos chefes têm essa preocupação e investigam denúncias de tratamento preconceituoso. Por outro lado, falham em auxiliar aos funcionários a reconhecer preconceitos que promovam a discriminação ou a exclusão (52%).

Clipping "O que leva as empresas brasileiras a investir em diversidade?", Época Negócios, 04/08/2019

 
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