• 19 de Agosto

    Primeira manifestação lesbiana contra a discriminação no Brasil

  • Em Memória

    A gata da Noite Preta. Entrevista de Vange Leonel à Um Outro Olhar

  • Horóscopo Mensal

    Previsão de agosto de 2014

Dia Nacional de Combate ao Fumo: mulheres lesbianas fumam duas vezes mais do que as heterossexuais

sexta-feira, 29 de agosto de 2014 2 comentários


O dia 29 de agosto foi escolhido como o dia nacional de combate ao fumo (ver histórico), data em que são desenvolvidas campanhas alertando as pessoas dos males que o cigarro causa. Informações dão conta que o Brasil reduziu o tabagismo, mas 11% da população ainda é fumante (ouça áudio aqui e aqui)

Abordando a questão específica, segue abaixo o texto Lésbicas e Fumo, tradução de pesquisa do Projeto Mautner que reúne dados, do início da década passada, sobre o tabagismo entre lesbianas nos EUA. Também a cartilha Questões de Saúde Lésbica, do grupo australiano QAHC - Grupo de Ação em Saúde Lesbiana, com dados mais recentes sobre a questão do tabagismo entre mulheres homossexuais (2009).

O quadro retratado sobre lésbicas e fumo, nesses documentos, embora internacionais, são bem pertinentes à realidade brasileira. À guisa de atualização, podemos apenas lembrar que, devido à proibição do fumo em lugares fechados, nos últimos anos, as lésbicas baladeiras deixaram de fumar dentro de bares e casas noturnas para fumar nas calçadas dos bares e casas noturnas. No mais, tudo continua como antes no quartel de Abrantes, com as sapatas fumando mesmo mais do que suas contrapartes hétero, com todos os problemas concernentes ao hábito.

Mais informações:

Gays, lesbians face certain healthchallenges, u.s. report says: they're more likely to smoke, binge drink, but also more likely to get regularexercise
National LGBT Tobbaco Control Network
LGBT* Smoking Rates Double The General Population

Lésbicas e Fumo

Introdução

Por Míriam Martinho

Tenha orgulho de
 conseguir largar o cigarro
Entre os hábitos perniciosos que causam problemas de saúde entre a população lésbica, o hábito de fumar ocupa lastimavelmente posição privilegiada. No texto que traduzimos ao fim desta introdução, da Mautner Project, organização que trabalha pela saúde das lésbicas americanas, com base em pesquisas recentes realizadas nos EUA, observa-se que, entre as mulheres que fumam, o número de lésbicas é praticamente o dobro das demais fumantes.

Observa-se também que as mulheres lésbicas têm mais facilidade para adquirir o vício do tabagismo, devido às tensões adicionais causadas pelo preconceito, e mais dificuldade para deixá-lo, tendo em vista que seus locais de socialização são fundamentalmente bares e boates, onde o consumo de cigarros é muito alto.

Vale lembrar que o tabagismo é diretamente responsável por 30% das mortes por câncer em geral; 90% das mortes por câncer de pulmão; 25% das mortes por doença coronariana; 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica e 25% das mortes por doença cerebrovascular. Além dessas enfermidades, o consumo de cigarro está relacionado a uma maior incidência de aneurisma arterial, trombose vascular, úlcera do aparelho digestivo, infecções respiratórias e impotência sexual no homem.

De acordo com dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), cerca de um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas (entre as quais 200 milhões de mulheres), sejam fumantes. Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% de toda a população masculina e 12% da população feminina no mundo fumam. Enquanto nos países em desenvolvimento os fumantes constituem 48% da população masculina e 7% da população feminina, nos países desenvolvidos a participação das mulheres mais do que triplica: 42% dos homens e 24% das mulheres têm o comportamento de fumar.

O total de mortes devido ao uso do tabaco atingiu a cifra de 4,9 milhões de mortes anuais, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia. Caso as atuais tendências de expansão do seu consumo sejam mantidas, esses números aumentarão para 10 milhões de mortes anuais por volta do ano 2030, sendo metade delas em indivíduos em idade produtiva (entre 35 e 69 anos) (WHO, 2003).

Embora não existam pesquisas sobre o tabagismo entre mulheres lésbicas no Brasil, seguramente, pela simples observação, acreditamos que a situação dessa população não seja diferente da americana. Ao contrário, levando em conta os dados do INCA, que apontam um consumo maior de cigarros entre mulheres nos países em desenvolvimento, a situação das lésbicas brasileiras em relação ao fumo deve ser pior. Basta ir a qualquer balada lésbica de qualquer cidade brasileira para ter essa intoxicante certeza. O mais incrível: muitas ativistas lésbicas fumam (sic), embora desenvolvam inclusive atividades ligadas à área de saúde junto aos governos (?!).

Portanto, dar início a uma discussão mais aprofundada e permanente sobre esse tema se constitui numa prioridade não só pela população lésbica que já fuma como pela população lésbica que não fuma mas também é atingida pelo fumo passivo, encontrando inclusive mais dificuldades para se socializar.

Saúde: Lésbicas e Fumo
The Mautner Project

Não deixe seu arco-íris virar fumaça
Fumar é uma das principais causas de morte entre mulheres, sendo as lésbicas as mulheres que apresentam maiores dificuldades para largar o hábito.

De acordo com a American Cancer Society – 2003 (Sociedade Americana de Câncer), cerca de 30.000 mulheres morrem mais de câncer de pulmão do que de câncer de mama. Mulheres que fumam correm maior risco de desenvolver diferentes tipos de câncer assim como maior risco de doenças cardíacas e ataques do coração.

De acordo com pesquisa conduzida pela Professora Doutora Michele Elias, do Lesbian Health Research Center (Centro de Pesquisa em Saúde Lésbica) e da Universidade de Iowa, mulheres são mais propensas a fumar do que homens como forma de aliviar as tensões, lembrando que mulheres que pertencem a minorias sexuais encaram mais estresse em suas vidas cotidianas.

Lésbicas e bissexuais com menos de 50 anos estão mais propensas do que mulheres heterossexuais a adquirir o hábito de fumar e de beber com freqüência (Valanis, et al., 2000).

Dados da Women's Health Initiative (Iniciativa para Saúde das Mulheres) indicam que mulheres lésbicas fumam quase duas vezes mais do que heterossexuais (6,8-7,4% das lésbicas e 3,5% das heterossexuais). Embora quase 50% das mulheres heterossexuais tenham afirmado nunca ter fumado, somente 25-33% das lésbicas afirmou o mesmo (Valanis, et al., 2000).

De acordo com o American Journal of Preventive Medicine (Jornal Americano de Medicina Preventiva) as lésbicas são mais propensas a consumir maior quantidade de cigarros do que as mulheres heterossexuais (Ryan et al., 2001).

As taxas de consumo de cigarros entre adolescentes e mulheres adultas lésbicas são mais altas do que entre a população em geral (U.S. Department of Health and Human Services, 2000).

De acordo com a National Lesbian Survey (Pesquisa Nacional sobre Lésbicas), o hábito de fumar entre lésbicas aumenta com a idade enquanto diminui entre as outras mulheres (Bradford, et al., 1994). Em um estudo do Mautner Project (Projeto Mautner), lésbicas mais velhas relataram sofrer forte estigmatização social por fumar e pressão para largar o vício tanto de parte de familiares quanto de amigos (2003). Infelizmente, essa pressão tende a aumentar o desejo de fumar como resposta compensatória ao estresse de abandonar o hábito de fumar.

Ambientes Livres de Fumo

Os bares, comumente associados com o hábito de fumar, são os principais espaços de socialização de gays e lésbicas já que, em outros locais, essa população costuma enfrentar discriminação.

De acordo com um estudo LGBT encaminhado pelo Mautner Project, 2004 (Projeto Mautner), 49% dos bares LGBT já patrocinou noites livres de fumo nos últimos 12 meses. Entretanto, o receio de perda de receita tem impedido muitos outros estabelecimentos LGBT de considerar eventos similares.

70% dos LGBTês que responderam à pesquisa do estudo afirmara que preferem bares e boates livres de fumo e que se sentiam predispostos a pagar mais por esses espaços em comparação com 50% dos heterossexuais que responderam à mesma pergunta (Harris Interactive/Witeck-Combs Communications, 2003).

Bibliografia

American Cancer Society. (2003). Cancer Facts and Figures: 2003. Atlanta, GA: American Cancer Society.

Bradford, J., Ryan, C., & Rothblum, E. D. (1994). National lesbian health care survey: Implications for mental health care. Journal of Consulting Clinical Psychology, 62, 228-242.

Valanis, B.C., Bowen, D.J., Bassford, T., Whitlock, E., Charney, P., & Carter, R (2000). Sexual orientation and health. Archives of Family Medicine, 9, 843-853.

Ryan, H., Wortley, P. M., Easton, A., Penderson, L, Greenwood, G. (2001). Smoking among lesbians, gays, and bisexuals: A review of the literature. American Journal of Preventative Medicine, 21, 142-149.

Stevens, P., Carlson, L. M., Himman, J. M. (2004). An analysis of tobacco industry marketing to lesbian, gay, bisexual, and transgender (LGBT) populations: Strategies for mainstream tobacco control and prevention. Health Promotion Practice, 5, 129S-134S.

U.S. Department of Health and Human Services. (2000). Healthy People 2010: Understanding and Improving health (2 ed.). Washington, DC: US Government Printing Office.

* Original: Lesbians and Smoking. In: Facts about Lesbians and Smoking - The Mautner Project - The National Lesbian Health Organization, Washington, DC, EUA.


Centro de Tradições Gaúchas quer celebrar casamento coletivo LGBT em Santana do Livramento

quinta-feira, 28 de agosto de 2014 0 comentários

Carine Labres, juíza de Direito que atua em Santana do LivramentoFoto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

Revolução na Fronteira: o polêmico casamento gay em um CTG de Livramento
Fato surgiu após proposta de magistrada, encampada por patrão, de unir casais do mesmo sexo em cerimônia coletiva nos festejos farroupilha

Um dos bastiões do tradicionalismo, capaz de mobilizar o recorde de 6 mil cavaleiros no desfile da Semana Farroupilha, Santana do Livramento está em rebuliço com a sugestão de que casamentos gays tenham por palco um Centro de Tradições Gaúchas (CTG). Para os que aprovam a ideia, seria uma demonstração de respeito à igualdade – um dos lemas da bandeira do Estado. Já os contrários se rebelam, afirmando que tentam profanar um reduto da virilidade rio-grandense.

Quem propôs celebrar a união entre pessoas no mesmo sexo num CTG foi ninguém menos que a diretora do Foro de Livramento, juíza Carine Labres (leia entrevista abaixo). Há sete meses no município, a magistrada foi além: entende que a melhor data para o casamento é 13 de setembro, justo quando se iniciam os festejos da Semana Farroupilha e as homenagens a figuras como o general Bento Gonçalves da Silva, o símbolo maior da valentia gaúcha.

Ao ser acolhido pelo patrão do CTG Sentinela do Planalto, o advogado e vereador Gilbert Gisler, o Xepa, o plano da juíza Carine instalou a polêmica na cidade. E reações indignadas. O presidente da Associação Tradicionalista de Livramento, Rui Ferreira Rodrigues, ressalva que não é contra o enlace entre gays, mas desde que ocorra em local apropriado.
– Que se casem onde quiserem, cada um vive do jeito que quer, mas um CTG não é o lugar para isso – destaca.
Na terça-feira da semana passada, Rodrigues convocou os representantes das 40 entidades tradicionalistas de Livramento para uma reunião de urgência. Compareceram os líderes de 38 delas, todos repudiando o casamento gay em CTG. Também deliberaram que o CTG Sentinela do Planalto é ilegítimo, por ter sido desligado do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) devido à falta de pagamento das anuidades.
– Essa casa (CTG Sentinela do Planalto) não representa o seleto grupo do tradicionalismo – diz Rodrigues, em tom severo.
Vereador quer dar exemplo

Coordenador da 18ª Região do MTG, Rodrigues informa que Gilbert Gisler, o patrão dissidente, age com “fins políticos” ao abraçar a união gay. Tão logo saiu da audiência com a juíza Carine, Gisler deu declarações a uma emissora de rádio anunciando a ideia. Para Rodrigues, o desafeto também prejudica a imagem da cidade, onde despontam estátuas ao passado de bravuras.

Atual presidente da Câmara de Vereadores, Gisler refuta as insinuações de que busca votos e fama. Diz que ofereceu o salão do CTG depois de assistir a um casamento coletivo – de 30 pares heterossexuais e um de lésbicas –, patrocinado pela Justiça de Livramento, em março passado.
– Vi a alegria das pessoas. Então, disse que o nosso CTG estava à disposição da juíza – conta.
Músico nativista e “criado no lombo de um cavalo”, como define suas origens, Gisler acha que Livramento pode dar um exemplo de tolerância ao permitir a união gay num CTG. Discorda das críticas de que o projeto poderia macular o histórico de intrepidez dos santanenses, desde as guerras de fronteira contra os espanhóis até as revoluções civis de 1893 e 1923 entre maragatos (rebeldes do lenço vermelho) e chimangos (legalistas do lenço branco).
– Não se pode esquecer os heróis do passado. Longe disso, mas uma cidade precisa se adequar ao seu tempo – observa.
O CTG Sentinela do Planalto realmente foi desligado do MTG por dívidas. Gisler diz que não pretende pagar as anuidades, porque nunca recebeu nenhum retorno positivo do Movimento. Reclama que o CTG precisou ser reconstruído, depois de sofrer arrombamento e vandalismo, sem que o MTG se solidarizasse.

A posição de Gisler não é unânime dentro do próprio CTG. Ex-patrão do Sentinela do Planalto e atual integrante, o uruguaio Pedro Curbelo prefere que os gays se casem em outro local. Ele reproduz um verso de Martín Fierro (publicado em 1872), do escritor argentino Jose Hernández, que morou por uns tempos em Livramento, para expor o que pensa:
– Cada leitão em sua teta e com o seu jeito de mamar.
Episódios  de  intolerância

O capitão gay

No desfile farroupilha de 2002, na Capital, o advogado pelotense José Antonio Cattaneo, que se apresentava como o Capitão Gay, foi surrado a golpes de rebenque (pequeno chicote) por meia dúzia de gaúchos. Ao desfraldar a bandeira do arco-íris – símbolo do Movimento Gay –, foi perseguido a cavalo e expulso da avenida. Dias antes, sofrera ameaças ao tentar frequentar o Acampamento Farroupilha. Na ocasião, um gaudério mais exaltado puxou a adaga contra Cattaneo, mas foi contido. O Capitão Gay era candidato a deputado estadual.

O gaúcho de brinco

Em março de 2005, o professor Ademir de Mello de Camargo foi expulso de um baile no CTG Lalau Miranda, em Passo Fundo, por usar brinco. O patrão da entidade, Ari Ferrão, justificou que normas internas vetam o adereço em homens. Camargo registrou queixa na Polícia, argumentando que fora arrastado do salão por seguranças. O episódio gerou polêmica entre tradicionalistas e folcloristas. Na época, o historiador e antropólogo uruguaio Fernando Assunção lembrou que alguns gaúchos do século 18 usavam brinco, e como símbolo de masculinidade. Eram marinheiros europeus que abandonavam o navio, no Rio da Prata, seduzidos pela vida de aventuras no pampa.

Revolução na Fronteira: "A ideia é garantir os direitos da minoria", diz juíza sobre casamento gay em CTG
Carine Labres, juíza de Direito que atua em Santana do Livramento

Desde dezembro atuando em Santana do Livramento, com quatro anos de magistratura, Carine Labres causou alvoroço ao propor a realização de casamento gay num Centro de Tradições Gaúchas (CTG) e durante a Semana Farroupilha. Nascida em Lajeado, no Vale do Rio Taquari, entende que um magistrado deve contribuir para a sociedade, não se limitando às lides processuais no gabinete. Atual diretora do Foro municipal, Carine deu entrevista a ZH. Confira os principais trechos.

Por que a senhora decidiu propor um casamento coletivo de gays e heteros em CTG?
O Judiciário organiza casamentos coletivos para pessoas com renda de até três salários mínimos, que desejam participar. São dois eventos no ano. O primeiro foi em março, no salão do júri. Pensei que o próximo poderia ser realizado em setembro, dentro de um CTG, numa homenagem à Semana Farroupilha, reunindo casais hetero e homossexuais.

A sua decisão provocou a reação de tradicionalistas.
A autoridade judicial deve dar voz às minorias. A Resolução 175, de maio de 2013, do Supremo Tribunal Federal (STF), diz que é vedada a recusa da celebração do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Mas por que num CTG?
A carta de princípios do tradicionalismo diz que a função de um CTG é justamente valorizar a família. Sem discriminações. Se não aceitarem, gostaria que me respondessem por que um casal do mesmo sexo não pode se casar dentro de um CTG. Se a resposta for convincente, sem filtros, vou aceitar. A ideia é garantir os direitos da minoria. Homossexualismo não é opção, é algo personalíssimo. Não se escolhe passar pela humilhação que perdura. A sociedade precisa trabalhar com a tolerância e o respeito.

Patrões de CTGs contrários à ideia dizem que um magistrado não pode obrigar...
Realmente, não. Mas queremos chamar a sociedade para a discussão do assunto. Os CTGs não podem se furtar ao que está acontecendo. Até o momento, um CTG aceitou a proposta.

Há algum casal gay inscrito?
Quatro demonstraram interesse. Três de mulheres e um de homens. Mas eles estão pensando a respeito, avaliando a exposição pública de se casarem num CTG, amadurecendo a questão. Não se definiram. A princípio, a cerimônia deve ocorrer em 13 de setembro, uma semana antes do desfile.

A senhora está preocupada com possíveis incidentes devido à posição contrária de tradicionalistas mais ferrenhos? Já ocorreram no passado.
Não. E não queremos que eventos como o do Capitão Gay se repitam. O que desejamos são relações respeitosas e de tolerância. Também pensamos atuar em outras áreas, como a dos crimes de agressões contra mulheres e de abusos contra crianças. Mexer com o conservadorismo é mexer com a sociedade.

Fonte: ZH, Vida e Estilo, por Nilson Mariano, 22/08/2014

Bispo da Diocese de Jundiaí (SP) assina decreto que permite cerimônia de batismo de filhos de casais homossexuais

sexta-feira, 22 de agosto de 2014 0 comentários

Bispo assinou documento durante celebração, em Jundiaí / Divulgação

Igreja vai batizar filhos de casais homossexuais

Bispo dom Vicente Costa, da Diocese de Jundiaí, assina decreto que permite a cerimônia em 11 cidades
Por: Flávia Alves 
Do BOM DIA em Jundiaí

O bispo dom Vicente Costa, da Diocese de Jundiaí, assinou na sexta-feira (15) decreto que passa a permitir o batismo de filhos adotados por casais homoafetivos nas 11 cidades sob a jurisdição dele: Jundiaí, Cabreúva, Cajamar, Campo Limpo Paulista, Itu, Itupeva, Louveira, Pirapora do Bom Jesus, Salto, Santana de Parnaíba e Várzea Paulista.

A solenidade ocorreu no altar da Catedral Nossa Senhora do Desterro, durante missa pela comemoração do Dia da Padroeira, que dá nome à igreja do Centro de Jundiaí. 

Em seu discurso, dom Vicente explicou os motivos para as atualizações nas diretrizes do sacramento do batismo. Sem fazer menção direta à regra que atinge os casais homoafetivos, dom Vicente disse: “Maria é mãe da evangelização. E como mãe acolhe e cuida de todo seu povo. A igreja nunca se fecha. É preciso ter compaixão, assim como uma mãe tem para com seus filhos”. 

Com a igreja matriz lotada, os fiéis saudaram as mudanças que, segundo o padre Leandro Megeto, fazem parte de um pedido antigo das paróquias das 11 cidades da diocese. “Começamos pelo batismo, que é o primeiro sacramento oferecido pela Igreja. Foi um longo processo de quase três anos de conversas”, afirmou.

De acordo o padre Megeto, a Igreja Católica está atenta aos apelos do papa Francisco para estar aberta a todos, tornando-se mais atraente e com maior acolhimento. “É um olhar de esperança para o futuro, por meio de uma abertura aos novos tempos”, disse o padre.

Mudanças/ As novas “Normas e Diretrizes para o Sacramento do Batismo” fazem parte do Plano Diocesano da Ação Evangelizadora. O texto instituiu, também, que crianças com mais de 7 anos devem participar da catequese do batismo junto com a catequese da Primeira Eucaristia, além da possibilidade de escolha de apenas um padrinho ou madrinha para o sacramento do batismo e o de crisma e o batismo para filhos de casais sem casamento oficializado perante a Igreja.

Segundo dom Vicente Costa, o objetivo principal desta publicação é resgatar o sentido original do batismo. “O papa Francisco ensina que o batismo não é uma formalidade. É um ato que diz respeito à nossa existência.” 

Papa diz que homossexuais não devem ser julgados

Em sua vinda ao Brasil, em julho do ano passado, para a Jornada Mundial da Juventude, o papa Francisco falou sobre a relação entre a igreja e os homossexuais. “Se uma pessoa tem essa opção de vida, quem sou eu para julgá-lo?”, afirmou na época. 

Para ele, os homossexuais não devem ser julgados nem marginalizados e precisam ser integrados à sociedade. 

Em junho, o Vaticano divulgou documento de trabalho para a assembleia dos bispos que acontece em outubro. O evento vai discutir sobre a família, com o tema: “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”. O documento é considerado nos meios eclesiásticos especializados como “o mais realista” de que se tem notícia até o momento. 

A partir dele, os bispos irão tratar da questão do batismo de casais homoafetivos, mesmo a Igreja sendo contra este tipo de união. O Vaticano entende, dentro da evangelização, que é urgente a atenção do episcopado mundial frente a estes desafios.

Fonte: Bom Dia Jundiaí, 21/08/2014

Duas estrelas do basquete americano, Brittney Griner e Glory Johnson, anunciaram que estão noivas

quinta-feira, 21 de agosto de 2014 0 comentários


Estrela da WNBA, Griner fica noiva da também jogadora Glory Johnson

Duas jogadoras da WNBA anunciaram nesta sexta-feira que estão noivas. Estrela da liga feminina americana de basquete e atleta da seleção dos Estados Unidos, Brittney Griner pediu a namorada Glory Johnson em casamento na noite da última quinta-feira.

Após ouvir o “sim”, Griner publicou em suas redes sociais uma foto do pedido, feito de joelhos.
- A noite de ontem foi uma noite para recordar. Eu me tornei a pessoa mais feliz do mundo. Quase morri, mas quando aquela palavra foi dita, voltei à vida - postou Griner.

As duas jogadoras não escondem o relacionamento homossexual de longa data. Griner defende o Phoenix Mercury, e Johnson atua pelo Tulsa Shock.


Fonte: Globo Esporte, 15/08/2014

Agente de atendimento das empresas Brasil Telecom e Oi S/A que sofria tratamento homofóbico vai receber R$ 10 mil de indenização por danos morais

quarta-feira, 20 de agosto de 2014 0 comentários

Funcionário da OI que recebia tratamento homofóbico de supervisora vai receber R$ 10 mil de indenização

Um agente de atendimento das empresas Brasil Telecom e Oi S/A que sofria tratamento humilhante e vexatório por parte de supervisora vai receber R$ 10 mil de indenização por danos morais. O trabalhador também teve reconhecida na Justiça Trabalhista a rescisão indireta do contrato de trabalho, modalidade de dispensa quando o empregador comete falta grave contra o empregado. A decisão é da Segunda Turma de julgamento do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO), que manteve sentença do juiz Luciano Santana Crispim, da 13ª VT de Goiânia.

Em recurso, as empresas alegaram que a prova dos autos restou dividida e que não seria crível o trabalhador continuar na empresa por quase três meses, sofrendo xingamentos e agressões, sem se dirigir aos superiores hierárquicos. Também alegaram que a superiora não teria dispensado qualquer dos tratamentos alegados pelo obreiro e que o obreiro teria cometido diversas faltas na empresa e recebido as punições no curso do vínculo empregatício. O trabalhador alegou que recebia tratamento hostil, com xingamentos e descortesia, e que era ridicularizado perante os demais colegas de trabalho, com apelidos do tipo “veadinho” e “gueizinho”.

O relator do processo, desembargador Platon Teixeira Filho, considerou que, apesar do comportamento do autor “não merecer elogios”, como demonstra o histórico das punições, a prova oral confirmou que o tratamento que a supervisora conferia a ele extrapolava as vias da normalidade. Uma das testemunhas afirmou que já presenciou o trabalhador ser xingado de “baitola” e “viado”, tratamento que segundo ela acontecia quando havia baixo rendimento do agente, e que ela mesma já foi xingada de “periguete de 4ª”. Afirmou também que outros funcionários reclamaram da supervisora e foram mudados de equipe.

Uma outra testemunha disse que era muito grande a pressão que a supervisora fazia nos trabalhadores quanto ao tempo de pausas, idas ao banheiro e duração das ligações. Disse que nunca foi xingada, mas que por três ocasiões já presenciou a supervisora xingar o obreiro de “boiola” e “gay” e debochar dele quando ele passava por perto dela.

Analisando as informações colhidas nos autos, o desembargador Platon rejeitou a argumentação de que houve divisão de prova, pois a única testemunha enviada pela empresa apenas disse não ter notícia de tais fatos. Ele ressaltou que não ficou configurado o perdão tácito ou ausência de imediatidade, porquanto o trabalhador passou a trabalhar com a supervisora nos últimos três meses de vínculo, tendo ingressado com a ação trabalhista logo em seguida e optado por interromper a prestação dos serviços. Além disso as humilhações não eram diárias, mas em épocas próprias, por isso não foi configurado o perdão tácito.

Dessa forma, a Segunda Turma manteve sentença que declarou rescisão indireta do contrato de trabalho e condenou as empresas ao pagamento de R$ 10 mil de indenização por danos morais.

Processo: RO – 0010355-19.2014.5.18.0013

Fonte: site doTribunal Regional do Trabalho-Goiás, 07/08/2014

19 de Agosto: Primeira Manifestação lesbiana contra a discriminação no Brasil

terça-feira, 19 de agosto de 2014 4 comentários

 Roseli: "Nós sustentamos este bar e temos direito de vender nosso jornal"

Dia 19 de agosto de 1983, marca a data da primeira manifestação brasileira protagonizada por lésbicas com apoio de gays e feministas. 

Para lembrar a data e a história da organização lésbica no Brasil, iniciamos com um artigo da época, escrito pelo jornalista Carlos Brickmann, e publicada na Folha de São Paulo em 21 de agosto de 1983. Ele descreve o evento e um pouco da história do Ferro's Bar que, por décadas foi o point de encontro das lésbicas não só paulistanas como de todo o Brasil. 

Ao fim da postagem, o vídeo que também resume a história da famosa invasão. Para quem gosta de ver para crer, é só abrir os olhos.

A noite em que as lésbicas invadiram seu próprio bar

CARLOS BRICKMANN

São 22hl5, sexta-feira. Faz frio na rua Martinho Prado. Na calçada, um grupo de moças aguarda pacientemente o momento de entrar em ação. Rosely, a líder, anuncia que chegou a advogada. Está tudo pronto: a um sinal, as lésbicas invadem o Ferro's Bar.

Houve alguma resistência, logo vencida. O porteiro, assim que começou a invasão, fechou as portas e segurou-as com o corpo. Dentro do bar, tumulto total: gritos de "entra, entra", tentativas inúteis de parlamentar com o porteiro, um discurso da vereadora Irede Cardoso que, doente, saiu de casa só para apoiar a manifestação. Alguém força a passagem, o porteiro empurra violentamente dois rapazes, enfia a mão no rosto da militante Vanda. De repente, cessa a resistência: alguém tirou o boné do porteiro e o atirou no meio das mesas. Enquanto, desesperado, o porteiro sai atrás do boné, completa-se a invasão.

Estranho, muito estranho: se o Ferro' s Bar é há mais de vinte anos o ponto de encontro preferido das lésbicas da cidade, por que elas precisaram invadi-lo?

O grande desquite

O Ferro's Bar é um dos melhores exemplos de má decoração que existem em São Paulo. Chão amarelo não muito limpo, de cacos de cerâmica; paredes com azulejos azuis até à metade e terríveis pinturas multicoloridas na parte superior; enfeites de gesso creme que certamente conheceram melhores tempos; e colunas revestidas em baixo de fórmica branca, no meio de fórmica azul, no alto de pastilhas espelhadas. Isso é compensado pela comida, boa — embora um pouco oleosa — e relativamente barata. Em outras épocas, foi reduto de jornalistas, escritores e prostitutas; depois, de homossexuais masculinos; finalmente de lésbicas.

Uma relação tumultuada, sempre. No início da década de 70, julgando-se maltratadas, as lésbicas se mudaram para um bar na Galeria Metrópole. Os donos do Ferro's lhes pediram que voltassem, prometendo melhor tratamento; foram atendidos. Alguns anos depois, num incidente meio nebuloso, uma jovem levou uma garrafada; há poucos dias, um rapaz dirigiu algumas grosserias a uma moça, que reagiu, apanhou e teve de tomar seis pontos no rosto (e, segundo as frequentadoras, os garçons do bar impediram que alguém interrompesse a surra).

A gota d’água viria no dia 23 de julho. As militantes do Grupo Ação Lésbica Feminista entraram no bar para vender seu jornal, que tem o sugestivo título de "Chana com Chana" — o leitor tem liberdade para imaginar o que quer dizer. No momento em que faziam o discurso de apresentação do jornal, foram postas para fora do bar. "O dono proibiu nossa entrada', informa Rosely. "Não proibi nada, nem a venda do jornal", rebate Aníbal, um dos sócios do Ferro's. "Só não quero tumulto. Ou então daqui a pouco vem gente querendo vender colchão aqui dentro. Não dá, não é?"

Não era bem verdade; tanto a entrada das moças estava proibida que na noite da invasão o porteiro fechou-lhes a porta na cara. O fato, porém, é que colocá-las fora do bar por pouco não custou o rompimento definitivo do velho casamento entre as lésbicas e o Ferro's.

Final feliz

Roseli é uma morena bonita, alta, de 23 anos e grande capacidade de mobilização. Embora o movimento rejeite lideranças, ela encabeçou o protesto: "Nós sustentamos esse bar e temos o direito de vender nosso boletim", afirmou. "Se eles não recuarem, vamos boicotar o Ferros!".

Foi tudo muito bem organizado: houve convites a Irede Cardoso, ao deputado Eduardo Matarazzo Suplicy (que lamentou não poder ir, pois estava de viagem marcada), à advogada Zulayê Cobra Ribeiro, da OAB, garantindo a cobertura de quem participasse do protesto; e contatos com grupos de homossexuais masculinos, entidades feministas, ativistas de direitos civis, todo esse pessoal que dá a vida para comparecer a um protesto e contribui para engrossar a manifestação.

Juntar todo o grupo à porta do Ferro's levou mais de uma hora. Dentro, o clima era de tensão: nas mesas, lésbicas discutiam a validade ou não do protesto, o risco de se envolverem em confusões que as prejudicariam no emprego ou revelariam a verdade às famílias; no balcão, o proprietário dizia esperar com ansiedade o momento da invasão. "É propaganda, é bom, o nome do meu bar vai sair na "Folha". 

E mais tarde as moças vão cair em si e ver que estavam erradas". Mas o porteiro se mantinha alerta, pronto para fechar as portas no momento propício — manobra que só falhou porque lhe tiraram o boné. 

Depois da invasão, o "happening": Rosely discursando em cima da me­sa, grupos de lésbicas menos assumi­das saindo de rosto coberto, medrosas de eventuais fotografias, a vereadora Irede Cardoso funcionando como me­diadora. Um pouco atrás, o porteiro, já de boné, tentava sem êxito puxar briga com uma lésbica que o chamara de palhaço (não sabe do que escapou: a moça é boa de briga e trabalha na polícia). Gritaria geral, enquanto Ire­de parlamenta com o proprietário e Rosely. Irede pede silêncio, fala alto, acaba sendo atendida: "O dono do bar está dizendo que foi tudo um mal en­tendido, que ele ama as lésbicas, quer que venham aqui e vendam seu bole­tim em paz. Quer que conversem com o outro sócio, também, para acabar com todos os mal-entendidos. Ele re­conhece que vive de vocês. E viva a democracia!"

Rosely ainda quer discutir, exige que o dono repita sua rendição em voz alta, Irede a acalma, ela discursa: "Ele só voltou atrás por causa de nos­sa força, de nossa união. A democra­cia neste bar só depende de nós!" 

O clima já está relaxado, os garçons voltam a circular de mesa em mesa com cerveja bem gelada. E Aníbal, o proprietário, completa: "Podem ven­der o jornal. Mas para mim é de graça, tá?"


Fonte: Folha de São Paulo, 21 de agosto de 1983

Heroes, David Bowie
Intérprete - Wallflowers

I, I wish you could swim
Like the dolphins, like dolphins can swim
Though nothing, nothing will keep us together
We can beat them
Forever and ever
We can be heroes
Just for one day

Eu, eu gostaria que você pudesse nadar
Como os golfinhos, como os golfinhos conseguem nadar
Embora nada, nada venha a nos manter junt@s

Nós podemos derrotá-los
continuamente
Nós podemos ser heróis,
 mesmo só por um dia

Oh I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing, nothing will drive them away
We can be heroes
Just for one day
We can be, yes!
It's just for one day

Eu, eu serei rei
E você, você será rainha
Embora nada, nada possa afastá-los

Nós podemos ser heróis, só por um dia
Nós podemos derrotá-los
Sim, nós podemos ser heróis
mesmo só por um dia

I, I remember
Standing by the wall
The guns, they shot above our heads
And we kissed, as though nothing could fall
And the shame was on the other side
Oh, we can beat them, forever and ever
Then we could be heroes
Just for one day

Eu, eu me lembro
Em pé próximo ao muro
As armas, eles atiraram por sobre nossas cabeças

E nós nos beijamos como se nada pudesse nos atingir

E a vergonha não era nossa.

Nós podemos derrotá-los continuamente
Então podemos ser heróis
Mesmo só por um dia

We can be heroes
We can be heroes
We can be heroes
We can be heroes,
 just for one day

Nós podemos ser heróis
Nós podemos ser heróis nós podemos ser heróis
Só por um dia

Ver também:
Tributo a Rosely Roth e Livreto Dia do Orgulho das Lesbianas do Brasil
Agosto com orgulho: Repercussão do 19 de agosto na Imprensa
Dia da visibilidade lésbica: 18 anos de uma história mal contada
Agosto com orgulho: os primórdios da organização lésbica no Brasil


 
Um Outro Olhar © 2011 | Designed by RumahDijual, in collaboration with Online Casino, Uncharted 3 and MW3 Forum