Condenado à prisão perpétua judeu ultraortodoxo que matou garota em Parada LGBT

segunda-feira, 27 de junho de 2016 0 comentários

Judeu ultraortodoxo esfaqueia jovem durante a Parada do Orgulho Gay, em Jerusalém

Judeu ultraortodoxo que matou jovem no Orgulho Gay é condenado à prisão perpétua


Um tribunal israelense condenou neste domingo à prisão perpétua um judeu ultraortodoxo por ter matado uma adolescente israelense no Orgulho Gay de Jerusalém em 2015, um crime que comoveu o país.

Yishai Shlissel, que foi declarado culpado em abril, foi condenado à prisão perpétua e mais 31 anos de detenção, informou a corte em um comunicado.

Em 30 de julho de 2015, o homem, então com 39 anos, irrompeu no desfile do Orgulho Gay que percorria as ruas de Jerusalém. Armado com uma faca, atacou uma das participantes, Shira Banki, de 16 anos, que morreu dias depois em consequência da gravidade dos ferimentos. Outras seis pessoas sofreram lesões.

O crime provocou uma forte comoção pública em Israel, principalmente porque o assassino tinha saído da prisão três semanas antes, após cumprir uma pena de 10 anos de reclusão por uma agressão similar na marcha do Orgulho Gay de 2005, na que feriu três pessoas.
“Não expressou nenhum remorso. Na audiência anterior, falou de una guerra religiosa”, afirmou à AFP uma das vítimas de Shlissel, Noam Eyal, de 31 anos, na saída da audiência.
Israel é considerado um país pioneiro na defesa e no respeito aos direitos dos homossexuais, principalmente em relação à adoção por parte de casais do mesmo sexo.

Mas os ativistas LGBT denunciam com frequência discriminações e ataques, principalmente em Jerusalém, onde há uma grande comunidade de judeus ultraortodoxos que consideram a homossexualidade como um pecado.

O tribunal pronunciou “uma pena de prisão perpétua e 31 anos de detenção pelo assassinato de Shira Banki, seis tentativas de assassinato e feridas a participantes do Orgulho Gay”, indicou Oshrat Shoham, da promotoria de Jerusalém.

Trata-se de um “duro veredito”, disse a jornalistas na saída da audiência. “Pensamos que Yishai Shlissel não será posto em liberdade durante as próximas décadas. Talvez nunca mais seja libertado”, concluiu.

O ataque provocou uma grande comoção em Israel, onde a polícia foi alvo de críticas por não ter impedido o crime, apesar de o fanático assassino ter divulgado suas intenções em vários fóruns de redes sociais antes de executar o ato.

Fonte: IstoÉ via AFP, 26/06/2016

Paris comoveu mais do que Orlando, e a face homofóbica da sociedade brasileira

segunda-feira, 20 de junho de 2016 0 comentários

Homem reza em memorial montado em frente ao Dr. Phillips Center for the Performing Arts,
em homenagem às vítimas do atentado que deixou 49 mortos na boate Pulse, em Orlando, Flórida
(Foto: Joe Raedle/Getty Images)

O que os atentados de Orlando revelam sobre o Brasil
As reações ao ataque, que deixou 49 mortos numa boate gay americana,expõem a face homofóbica da nossa sociedade. Levantamento exclusivo mostra que Paris comoveu mais que Orlando

Quem nunca entrou no site Sensacionalista perdeu boas oportunidades de rir. Criado nos moldes de uma página de notícias, o site faz paródias de notícias e fatos reais. Vez ou outra, raramente, a piada que contam é a pura verdade. Isso ocorre quando a realidade ultrapassa qualquer senso de ridículo. Esse foi o caso da notícia que eles divulgaram na segunda-feira, dia 13, depois dos atentados que deixaram 49 vítimas fatais na boate gay, Pulse, em Orlando, nos Estados Unidos, no final de semana. Nada, absolutamente nada, do que eles disseram era mentira. Na verdade, eles não disseram quase nada. Simplesmente enumeraram várias mensagens, colocadas em redes sociais, sobre os atentados de Orlando.

A primeira mensagem era do deputado Marco Feliciano. Ele lamentava o fato de os LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) estarem se aproveitando de uma tragédia para se promover. As demais traziam outros tipos de lamento: a ocorrência de apenas 49 pessoas, o fato de o atirador ter sido morto ao invés de ganhar uma medalha....não era uma piada e não era para rir. O registro era importante porque foi sensacionalmente absurdo – mais absurdo do que qualquer piada sensacionalista. Mostrou algo a que nos acostumamos e a que não deveríamos ter nos acostumado. Mostrou o preconceito agudo que ofusca a noção de humanidade, a ponto de banalizar 49 mortes de pessoas inocentes e indefesas.

Alguns dados sugerem que o preconceito contra o que ocorreu em Orlando não está apenas nas mensagens que aparecem na internet. O preconceito aparece, sobretudo, nas palavras que não estão na rede. A Agência Lupa e a Fundação Getulio Vargas varreram as redes e analisaram os dados que circularam logo após os atentados de Paris, em novembro do ano passado, e desta semana, depois de Orlando. A conclusão é que Paris causou uma comoção bem maior do que Orlando.

O volume total de hashtags e tuítes surgidos nas 24 horas posteriores aos dois atentados mostrou que o massacre de Paris teve 13 milhões de menções, 51% a mais do que as 6,33 milhões registradas nas primeiras 24 horas pós-terror em Orlando. Quando observada apenas a principal hashtag de cada atentado, a diferença entre os dois casos fica ainda mais surpreendente. O #PrayForParis teve 7,46 milhões de menções no Twitter. O #Orlando, apenas 2,1 milhões – 71,8% a menos.


Não é possível cravar que a razão de os atentados de Orlando terem mobilizado muito menos gente seja por causa de homofobia, mas a diferença de mais de 70% de menções é absolutamente incomum para um episódio da grandeza do que ocorreu na boate Pulse.

Em entrevista a ÉPOCA, o deputado Jean Wyllys, homossexual e ativista da causa LGBT, contou que procurou a Polícia Federal por causa das agressões virtuais que sofreu, pelas redes sociais, depois dos atentados de Orlando. “O preconceito contra gays e transexuais foi a motivação por trás de 344 mortes no ano passado. Esse é um assunto seriíssimo que é banalizado”, disse ele. Essas mortes, segundo o observatório Homofobia Mata, não incluem o número de gays, bissexuais e transexuais mortos durante assaltos, chacinas ou tiroteios entre gangues. Referem-se apenas aos crimes em que a polícia não encontrou nenhum motivo para o ocorrido.

O potencial de esses números estarem subnotificados é grande. Uma das lutas dos grupos de ativistas LGBT é contra a “desclassificação de crimes de natureza homofóbica”. O que isso quer dizer? Significa que, em muitos casos, mesmo em face a uma série de evidências, a polícia se recusa a contabilizar a morte como um crime homofóbico, dizem esses ativistas. Eles reivindicam que esses crimes sejam classificados como homofóbicos.

No Reino Unido, em que os direitos de atendimento especializado a crimes de preconceito de qualquer espécie, inclusive homofóbico, é reconhecido,qualquer tipo violência contra gays é registrado (mesmo que não acabe em morte). Isso não ocorre no Brasil. Os números britânicos não só são alarmantes como cresceram em relação aos anos anteriores. O último dado disponível (2014 e 2015) mostra que houve, naquele período, 5.587 crimes de raiva (como são chamados) contra gays e lésbicas, um número 22% superior ao levantamento anterior. Nos Estados Unidos, um em cada cinco homossexuais foi vítima de algum tipo de ataque homofóbico nos últimos três anos, embora somente um em cada quatro tenha reportado a violência para a polícia. Os dados são da ONG Stonewall, que monitora os crimes homofóbicos.

Manifestação em defesa dos gays, logo após o atentado na boate Pulse
 (Foto: David McNew/Getty Images)

Os países da Europa Ocidental e os Estados Unidos têm políticas mais consistentes de prevenção de crimes homofóbicos. O número superior de registros é uma prova disso. Por lá, os homossexuais têm menos receio de reivindicar seus direitos e pedir ajuda à polícia. Ainda assim, o tratamento não chega a ser igual ao que um cidadão heterossexual receberia em situações idênticas. Os observatórios deDireitos Humanos mostram que, em todos esses países, os crimes de preconceito contra homossexuais, negros e mulheres persistem subnotificados, principalmente, na parcela mais pobre da população.

Os números dos Estados Unidos, que mantêm uma das maiores bases de dados sobre a vida de homossexuais, mostram o reflexo da discriminação na saúde e na qualidade de vida desse grupo. Ainda na pré-adolescência, a incidência de jovens que se machucam de forma voluntária chega a quatro para cada dez entre os homossexuais. Na população em geral, a relação é de um para 15. Uma das razões para isso é que, nesse período, muitos jovens têm de fazer o movimento de se assumir ou, o contrário, de se esconder, no caso dos que vivem em grupos que não aceitam a homossexualidade. Uma em cada cinco mulheres lésbicas desenvolvem alguma desordem alimentar, em comparação a uma em 20 na população em geral. A incidência de depressão entre homossexuais chega a ser três vezes maior e as tentativas de suicídio ocorrem em dobro entre eles, comparada à média populacional.

Apesar da homossexualidade existir desde que o mundo é mundo, até há pouco tempo ela ainda era oficialmente encarada como distúrbio. Até 1990, como homossexualismo, a homossexualidade ainda figurava na lista de doenças da Organização Mundial de Saúde. No Brasil, o conselho de psicologia retirou a indicação de tratamento para "homossexualismo", como um desvio de comportamento, somente em 1999. Hoje, a homossexualidade ainda é considerada crime em 37 países. Os cientistas sociais dizem que essa é uma das explicações para a alta intolerância em relação aos LGBT. Mudanças sociais profundas demoram muitas décadas para ser consolidadas. Episódios como o atentado à boate Pulse são um chamado à reflexão. O atraso que tivemos, como sociedade, em reconhecer os homossexuais não pode justificar o atraso no respeito aos direitos humanos.

Nota: Os dados foram analisados por Lucas Calil, pesquisador da Fundação Getulio Vargas e por Cristina Tardáguila, da Agência Lupa, especializada na checagem de dados e discursos públicos.

Ver também: Em homenagem às vítimas do massacre de Orlando, seus rostos e nosso luto por essas perdas tão absurdas 

Fonte: Época, por Flávia Yuri Oshima, com Cristina Tardáguila, da Agência Lupa, 17/06/2016

Estreia 4ª temporada de Orange Is The New Black promovida por Inês Brasil

sexta-feira, 17 de junho de 2016 0 comentários



Após longa expectativa, chegou a hora das fãs da série Orange Is The New Black (OITNB) se deleitarem com a estreia de sua nova temporada que acaba de ser lançada pela Netflix nesta sexta-feira (17).

A 4ª temporada da série promete fortes emoções com a chegada de mais de cem detentas na Prisão de Litchfield. O trailer lançado pela Netflix, na terça-feira (10), mostra um clima violento entre as detentas do sistema penitenciário após a chegada das novas prisioneiras.

Orange Is the New Black é uma série do gênero comédia dramática, criada por Jenji Kohan, produzida nos Estados Unidos, baseada no best-seller de Piper Kerman (Orange Is The New Black: My Year in a Women's Prison), que relata sua experiência numa prisão americana.

Piper terá problemas com as latinas na quarta temporada
A primeira temporada da série foi lançada na Netflix no dia 11 de Julho de 2013, ganhando a atenção do público brasileiro. Agora, além da quarta temporada, a Netflix renovou a série para mais três temporadas (a quinta, a sexta e a sétima), ainda sem data de lançamento.

E, como no ano passado, com Valesca Popozuda (reveja o vídeo abaixo), a Netflix levou mais uma detenta brasileira para dentro de Litchfield. Rainha dos memes, Inês Brasil (e não Inês Portugal, fica a dica) é uma das "carnes novas no pedaço", sendo recepcionada por Poussey, Big Bo, Sophia, Daya e Alex (veja o vídeo).

Com informações de NE10, Hugo Gloss, Omelete


Casal de namoradas agredido em Goiânia: “Gay, veado, tem que matar essa desgraça”

quinta-feira, 16 de junho de 2016 0 comentários

O médico pneumologista Ricardo Dourado
assediou e agrediu casal de namoradas

Casal de lésbicas é agredido em Goiânia: “Gay, veado, tem que matar essa desgraça”
Gravações mostram homem, identificado pelas vítimas como um renomado médico da capital, destilando preconceito contra homossexuais

“Gay, veado, tem que matar essa desgraça.” Assim começa um dos vídeos de poucos segundos publicado no Facebook por uma usuária, que afirma ter sido hostilizada por um homem, identificado por ela como um renomado médico em Goiânia.

Nas filmagens, visivelmente transtornado, ele dispara insultos e comentários homofóbicos contra ela e sua namorada em um bar de um posto de combustíveis no Setor Sul da capital, depois de, segundo relato das vítimas, tentar se aproximar de uma delas.
“Não fui eu quem me expus, não fui. Não estava aos beijos, poderia estar, mas não estava. Apenas foi dito: ‘não encosta nela, ela não quer nada com você’. Poucas palavras, porém suficientes para desabrochar um homofóbico”, contou Angélica Santana, de 27 anos, no Facebook.
No vídeo, o médico também chama os homossexuais de “aberrações” e fala para a vítima “ir atrás de um homem”.
“O mundo não é para isso. As aberrações… Esquece isso. Vai atrás de um homem bom para você e casa, vai ter filho. Isso é o normal. Vocês querem o anormal? Vocês vão lutar… No dia que você pular no rio você nada contra a correnteza.”
Em entrevista ao Jornal Opção, Giovana Alves Vieira de Melo, de 36 anos, namorada de Angélica, contou que as duas estavam no bar, acompanhadas de uma amiga, quando o homem as abordou oferecendo bebidas. Mesmo após a clara negativa, ele teria começado a tocá-las, quando Giovana pediu para que ele se afastasse de sua namorada. Depois disso, o homem passou a proferir ofensas de cunho homofóbico.

No relato publicado no Facebook, Angélica conta, ainda, que outras pessoas, que também testemunharam o episódio, afirmaram que o homem estava armado. A versão é a mesma narrada pela namorada.
“Não vi, mas quem estava comigo disse claramente: ele está armado. Cuidado. Chegou com um ‘sente aqui minha pistola’. Agressivo. Ofensivo. Até que eu tivesse a ousadia de filmar houveram muitas outras palavras duras”, desabafou na rede social.
Agora, Giovana conta à reportagem que irá procurar a Justiça e o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás para que sejam tomadas as devidas providências sobre o episódio. De acordo com o advogado Dyogo Crosara, o caso se enquadra em crime de injúria racial, cuja pena é de até três anos de reclusão.
“Este é o nome legal, mas o crime de injúria racial se enquadra em qualquer tipo de discriminação, seja ela de gênero, cor, credo ou orientação sexual”, explicou. O casal, acrescenta o profissional, pode também entrar com um pedido de reparação civil e com uma ação de indenização por danos morais.
Ainda segundo o advogado, os vídeos publicados nas redes sociais podem ser usadas como “provas lícitas” em um eventual processo judicial. Além disso, conforme Crosara, mesmo que as vítimas não procurem a Justiça, apenas com base no material publicado nas redes sociais, o Ministério Público de Goiás já pode entrar com uma ação penal contra o suspeito.

Em homenagem às vítimas do massacre de Orlando, seus rostos e nosso luto por essas perdas tão absurdas

terça-feira, 14 de junho de 2016 0 comentários

São estas as vítimas do massacre de Orlando

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São estes os nomes e os rostos das 49 pessoas que morreram pelas mãos de Omar Mateen, talvez ele próprio um gay profundamente mal resolvido. Essas pessoas eram filhas e filhos de alguém: tinham mãe, pai, irmãs, irmãos, parentes. Algumas não tinham família, mas tinham amores, amigas e amigos, uma vida toda pela frente. A maioria era jovem, entre 18 anos a 29 anos, mas algumas tinham 50. Algumas dessas pessoas eram gays, outras lésbicas, algumas trans ou talvez bissexuais. Outras eram heterossexuais. Foram todas vítimas de um ataque bárbaro, vítimas da homofobia insuflada por uma religião medievalizada e possivelmente internalizada pelo assassino. É por elas que estamos em luto, entre lágrimas e perplexidade. Poderia ser qualquer um(a) de nós.

(Esta postagem de hoje, 14/06, 2016) tem como fonte o site LGBT português dezanove, com edição do texto de apresentação por Míriam Martinho).

Akyra Monet Murray, 18 anos
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O que (não) pensam os gays que apoiam Bolsonaro e rechaçam Jean Wyllys

sexta-feira, 10 de junho de 2016 0 comentários

O que pensam os gays que apoiam Bolsonaro e rechaçam Jean Wyllys

O que causa surpresa não é exatamente a adoção de um discurso de direita, mas a aproximação de figuras como Bolsonaro.
Esse vídeo vai ser sobre uma pessoa ilustre, sobre uma grande figura. É um deputado federal chamado Jair Messias Bolsonaro."
De costas para um armário de madeira e usando um fone de ouvido como microfone, o arquiteto Clóvis Smith Hays Júnior, de 28 anos, grava em sua casa em São Paulo mais um dos vídeos que costuma compartilhar com seus 34 mil seguidores no Facebook, onde ele se apresenta como um "gay de direta".
Não tem como eu votar em Jair Messias Bolsonaro. Sabe por quê? Porque eu não sou do Rio de Janeiro (Risos). Se eu fosse do Rio de Janeiro, pode ter certeza que o meu voto seria dele. Nossa, mas como assim, você é um gay e você vai votar no Jair Messias Bolsonaro? Pois é, pois escute bem."
Em sua página na rede social, Smith Hays, como é conhecido, publica mensagens contra a chamada agenda LGBT, o "kit gay" e as "feminazis" e elogia Trump e o capitalismo.

Ele é um dos representantes de um grupo que tem crescido na internet: o de homossexuais que, contrariando o senso comum, se identificam mais com Bolsonaro (PSC-RJ) do que com o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), o único político declaradamente gay no Congresso Nacional. 

Uma busca no Facebook revela dezenas de páginas com os termos "gay de direita" ou "gays por Bolsonaro", onde conteúdos semelhantes ao de Hays são veiculados.

Seus administradores dizem que boa parte delas foi criada após as eleições de 2014, em meio à polarização política vivida no país e em contraposição ao que consideram uma predominância de "pensamentos de esquerda" no movimento LGBT.

Estimulado por uma eleição, esse grupo anseia por outra, a corrida presidencial de 2018. Muitos defendem Bolsonaro como um forte candidato.
Apoiaria Bolsonaro para 2016 se fosse possível. É preciso fazer uma reviravolta nesse país. Não acho que se escolhe um presidente porque se gosta ou não da sexualidade alheia, mas porque ele é bom ou não", diz Junior Oliveira, de 31 anos, membro de uma destas comunidades no Facebook.
Os motivos que o levam a exaltar o deputado se repetem nas falas de outros de seus apoiadores na comunidade gay ouvidos pela BBC Brasil. As opiniões de Bolsonaro sobre o porte de armas e a pena de morte estão entre algumas das razões mais citadas.
Defendo a castração química em caso de estupro e o porte de armas. Pena de morte... por que não? Por que uma pessoa não pode fazer um crime brutal e pagar com a própria vida? Temos leis muito brandas nesse país", diz Junior.
As declarações polêmicas do deputado sobre homossexuais não parecem afetar esta admiração. Em entrevistas de 2014, Bolsonaro chegou a dizer que os gays eram "fruto do consumo de drogas" e que "ter filho gay é falta de porrada".

Mas, para quem participa destas comunidades na internet, esse assunto é coisa do passado. Eles dizem que Bolsonaro teria revisto suas posições.
Ele já se retratou. Pensava que gays eram todos do mesmo tipo, mas viu que há gays casados, que pagam impostos e têm um relacionamento sem afrontar a sociedade", diz o artista plástico Leonardo Estellita, de 32 anos, coordenador do Movimento Brasil Livre na Região dos Lagos, no norte do Estado do Rio.
Não vejo como contradição apoiá-lo. Bolsonaro prega o respeito à diferença. Mas ele ainda precisa ser lapidado, como aconteceu com o Lula ao longo de quatro eleições."
No entanto, em cena da série documental Gaycation, do canal Viceland, divulgada neste ano, o deputado disse que a homossexualidade é "comportamental" e voltou a relacionar esta orientação sexual ao consumo de drogas.
Com o passar do tempo, com as liberalidades, as drogas e as mulheres trabalhando, aumentou bastante o número de homossexuais", afirmou à atriz americana Ellen Page.
Talvez ele tenha errado em algumas afirmações porque confundia ativismo com gays", diz Hays. O arquiteto tem fotos com o deputado federal e seu filho Eduardo, também membro da Câmara, e já participou de um programa de televisão ao lado do parlamentar.
Ele diz que o político é "uma pessoa muito dócil, amiga" e o representa melhor do que Jean Wyllys, conhecido por atuar em defesa dos direitos LGBT.

A BBC Brasil procurou as assessorias de Bolsonaro e Wyllys, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
'Discurso contraditório'

As críticas ao deputado do PSOL são frequentes e recaem sobre sua forma de defender as bandeiras LGBT, que os integrantes desse grupo consideram agressivas e exageradas.
É inaceitável que as pessoas se orgulhem de um homossexual vestindo uma camisa de Che Guevara. Como a gente pode elogiar um cara que detestava homossexuais? Partidos de esquerda apoiam a Rússia e a Coreia do Norte, que perseguem homossexuais. É um discurso contraditório", diz Estellita.
Uma das mulheres mais proeminentes desse grupo majoritariamente masculino é Karol Eller, de 29 anos, que também diz repudiar as atitudes de Wyllys.
Ele não representa a classe e nunca me representou. Uma das ações mais feias foi quando cuspiu num parlamentar. Quer chamar a atenção dos homossexuais."
Com quase 250 mil seguidores em sua página no Facebook, Eller conheceu Bolsonaro em maio, quando ficou uma semana em Brasília acompanhando a rotina do deputado: "Só não fui ao banheiro com ele".

Funcionária de uma empresa de viagens e promotora de eventos, ela diz que ganhou a passagem do trabalho e fez a visita a pedido de seus seguidores - boa parte deles é heterossexual, afirma.
Militância

A rejeição a Jean Wyllys como representante por parte destas pessoas se estende também ao movimento LGBT como um todo. A militância é descrita por eles como "intolerante" e "promíscua". Quem não quer participar do grupo é segregado, dizem.
Quem na verdade está fazendo o discurso de ódio é essa minoria dentro do movimento. Apontam o dedo para gays que lidam com a situação de outra maneira. Se você não levanta bandeiras, não vai ser um deles", diz Eller.
Lucas Lopes, criador da comunidade Gay de Direita, Gay Direito, que tem 2 mil membros no Facebook, menciona a "falta de foco" dos ativistas.
Lutas LGBTs talvez algum dia serviram para alguma coisa, mas hoje não tem necessidade disso. Uma parada gay hoje só tem promiscuidade, são pessoas se beijando no meio da rua, fazendo sexo."
Dono do blog Minha Vida Gay, que soma um milhão de acessos desde a sua criação, em 2014, o empresário Flávio Yuki diz que seus leitores reclamam da "pressão dos gays de esquerda".
Já ouvi no blog que os gays de esquerda estão muito chatos, muito radicais, e as pessoas começam a gostar do Bolsonaro."
Para Adla Teixeira, professora da faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora sobre gênero e sexualidade, esse autoritarismo existe de fato. Ela explica que hoje há um radicalismo nos grupos militantes assim como nos religiosos.
Tem um pouco de raiva desse excesso de oposição (feito pela militância). Esses gays são pessoas discretas, que têm o direito de não se envolver numa militância. Há dificuldade de aceitar que o outro pode não querer entrar (na luta)."
Já Richard Miskolci, professor de Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFScar) e pesquisador do Núcleo de pesquisa em Diferenças, Gênero e Sexualidade, não vê autoritarismo no movimento LGBT.
Usar esse adjetivo é uma estratégia da direita de atribuir a seus inimigos suas piores características. Como um político vinculado à ditadura militar e que defende torturadores pode considerar 'autoritário' um defensor dos direitos humanos? Como movimentos nascidos da democratização poderiam ser autoritários?"
Direitos iguais?

Mais do que questionar a atuação do movimento LGBT, os "gays de direita" põem em xeque a necessidade de uma legislação voltada para os homossexuais.

A maioria dos entrevistados é contra a lei que criminaliza a homofobia - um projeto sobre o assunto foi arquivado pelo Senado em 2015 - e acha que a decisão do STF sobre o casamento homossexual já é suficiente. Para eles, criar leis específicas seria uma nova forma de segregação.
Já temos direitos iguais nessa matéria de união civil. Perante o Estado é igual. Não posso obrigar que uma igreja faça um casamento. Não tem mais necessidade, morreu em 2013", diz Hays.
Sobre a lei que criminaliza a homofobia, ele diz que agressões contra qualquer pessoa já são punidas. "Interessa que o agressor seja punido, não interessa a situação, se é gay ou mulher."

Além disso, parte dos que se identificam com posicionamentos mais conservadores têm restrições à adoção de crianças por casais homossexuais.

Alguns até consideram que uma família formada por dois homens ou duas mulheres têm mais chances de afetar sua orientação sexual.
Há pessoas que não têm condições de adotar, porque vão fazer com que as crianças cresçam sexualizadas, sejam abusadas sexualmente. A gente vê casos assim", diz Junior Oliveira, frequentador destas comunidades.
Ter acesso a uma legislação específica não é um privilégio, pondera José Reinaldo Lopes, professor de Direito da Universidade de São Paulo (USP), mas uma concessão de recursos a quem em situações normais não consegue exercer seus direitos.

Ele cita o caso dos transexuais, que têm mais dificuldade de alterar seu nome em comparação com outras pessoas, segundo uma pesquisa feita pela universidade. Um caso assim demanda uma lei que conceda direitos explícitos a esse público.
A lei vem para compensar um preconceito que vem da sociedade. Hoje, não temos uma situação de igualdade. O importante é que haja condições para que todos exerçam direitos considerados universais. E várias leis fazem isso", diz Lopes.
'Momento conservador'

Gays defendendo posições conservadoras quanto ao avanço de direitos LGBT é algo que pode causar estranhamento em algumas pessoas.

No entanto, especialistas ouvidos pela reportagem explicam que, apesar de ser algo novo no Brasil, isso já ocorre em outros países, com "os republicanos gays nos Estados Unidos e, em certa medida, também na Europa", segundo Lopes.
A orientação sexual não determina ideologia política", diz o professor da USP.
A afirmação pode parecer óbvia em outros lugares, mas não no Brasil, onde se costuma relacionar a militância LGBT com posições de esquerda.

Segundo a professora Vera Lucia Marques da Silva, pesquisadora do Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os partidos de esquerda - e especialmente o PT - abraçaram a causa LGBT.

Até 2007, todos os discursos a favor de direitos de homossexuais feitos na Câmara vieram de parlamentares de esquerda, "principalmente os petistas", de acordo com uma análise feita por ela.

Portanto, o que causa surpresa não é exatamente a adoção de um discurso de direita, mas a aproximação de figuras como Bolsonaro.

Ele me trata como um ser humano, como qualquer pessoa. Se eu pisar na bola com ele, vai me tratar mal. Assim como tem que ser em qualquer relação

Marques atribui essa tendência ao "momento conservador" pelo qual o país passa. Por sua vez, Miskolci menciona a escalada de "discursos fundamentalistas religiosos" desde as eleições de 2010.

Ele ainda avalia que certos segmentos do público LGBT podem se identificar com a pauta mais conservadora para se distanciar de estigmas.
O desejo de parecer 'bom cidadão' e se dissociar dos que sofrem preconceito gera uma despolitização desses sujeitos, os quais preferem uma pauta moral a uma política."
'Uma pessoa qualquer'
Menções sobre normalidade e a necessidade de manter sua vida sexual entre quatro paredes, longe dos olhos do público, são recorrentes entre os membros desse grupo. É justamente por tratá-lo como "uma pessoa qualquer" que Hays, por exemplo, diz apreciar Bolsonaro.
De gays, a gente quase não fala. Ele me trata como um ser humano, como qualquer pessoa. Se eu pisar na bola com ele, vai me tratar mal. Assim como tem que ser em qualquer relação."
A relação do arquiteto e o deputado é ilustrada por selfies que Clóvis posta em seu Facebook. Em uma delas está em um carro entre Jair e Eduardo Bolsonaro e os três sorriem.

Com mais de 4 mil curtidas, a imagem traz a legenda: "Homofobia total rolando por aqui (risos)".

Fonte:
BBC Brasil, Ingrid Fagundez e Rafael Barifouse, 08/06/2016

 
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