Diretora de filme lésbico processa Quênia para poder exibir sua obra em casa e ter indicação do país ao Oscar

terça-feira, 25 de setembro de 2018 0 comentários

Diretora Wanuri Kahiu, de "Rafiki", ao centro, com as atrizes Sheila Munyiva e Samantha Mugatsia,
em Cannes - REUTERS/Jean-Paul Pelissier

Diretora de filme de amor lésbico processa Quênia para reverter proibição
Wanuri Kahiu busca reverter a suspensão para que o longa possa ser cogitado a uma indicação do país ao Oscar

RIO - A diretora queniana Wanuri Kahiu, de “Rafiki”, um filme proibido em sua terra natal (ver trailer abaixo), por contar uma história de amor entre duas mulheres, entrou com uma ação judicial para reverter a suspensão para que o longa possa ser cogitado a uma indicação do país ao Oscar.

“Rafiki”, que significa amiga na língua suaíli, foi o primeiro título queniano a estrear no Festival de Cannes. Ele é baseado em “Jambula Tree”, conto premiado da escritora ugandense Monica Arac de Nyeko.

Para disputar a indicação do Quênia à categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar de 2019, o filme precisa ter sido lançado no circuito nacional, mas o país do leste africano o proibiu em abril alegando que ele promove o lesbianismo. O prazo para um lançamento é 30 de setembro.

Wanuri Kahiu processou o chefe do Comitê de Classificação Cinematográfica do Quênia, Ezekiel Mutua, e o procurador-geral.

O comitê, que tem que verificar os roteiros antes do início das filmagens, impôs a proibição, dizendo no Twitter: “Qualquer pessoa que for encontrada de posse dele estará violando a lei”. A lei em questão remonta aos tempos coloniais e determina que o sexo gay é punível com 14 anos de prisão.

A proibição representou uma reversão do comitê, já que anteriormente Mutua havia elogiado o filme por ser “uma história sobre as realidades do nosso tempo”. Em 2015 o comitê também barrou o filme “Cinquenta tons de cinza”.

A homossexualidade é um tabu em grande parte da África, onde os gays enfrentam discriminação ou perseguição. Mas nos últimos anos defensores dos direitos de lésbicas, bissexuais, gays e transgêneros vêm se tornando cada vez mais explícitos.

Fonte: O Globo, 12/09/2018, via Reuters


Casal de lésbicas francesas proibido de dar o nome de “Amber” ao filho

segunda-feira, 24 de setembro de 2018 0 comentários


Justiça francesa proíbe casal de lésbicas de dar o nome de “Amber” ao filho
No país, autoridades podem impedir que um nome seja dado se for considerado “prejudicial” para a criança

Na França, um casal de lésbicas está brigando com a Justiça para poder dar o nome de “Ambre” – o equivalente em inglês a Amber, um nome comum para meninas na Inglaterra – ao filho nascido em janeiro deste ano.

De acordo com a mídia local, o nome “Ambre” apareceu na França pela primeira vez em 1950 e é o feminino de Ambroise, que significa “imortal”. Porém, o nome é raramente dado no país até mesmo para meninas.

O casal foi denunciado pelo responsável por registrar o bebê no cartório e a Justiça entendeu que o nome deveria ser proibido porque “confunde a criança de uma maneira que poderá ser prejudicial” por ser considerado feminino.

Em entrevista ao France Bleu, o casal disse considerar a decisão muito injusta e questiona se não há um fundo de homofobia. “A sociedade é muito injusta e deixa nomes ridículos passarem, mas esse não! Ambre é um nome clássico reconhecido por poder ser dado aos dois gêneros”, disse Alice Gondelle, mãe do menino.

O casal está tentando reverter a decisão da Justiça e o caso deverá ser julgado novamente em abril de 2019. Até 1993, os pais franceses precisavam escolher como chamariam os filhos com base em uma lista de nomes considerados “aceitáveis” pelas autoridades. Isso não existe mais no país, mas a Justiça pode continuar banindo nomes considerados “prejudiciais” aos bebês. Os últimos casos de nomes proibidos que ganharam repercussão internacional foram Nutella, Fraise (morango) e Manhattan.

Fonte: Crescer Online, 13/09/2018

A vida de gays e lésbicas na velhice

quinta-feira, 20 de setembro de 2018 2 comentários

Naiara (E): "As pessoas se torcem para olhar. 'Onde já se viu
 duas velhas sapatonas no meio da rua?'"Andréa Graiz / Agencia RBS

A velhice entre iguais: como é a vida de gays e lésbicas depois dos 60 anos
A rotina na terceira idade inclui a paixão e, também, o sexo. Mas, para os homossexuais, pode haver particularidades. GaúchaZH ouviu idosos sobre seus afetos e suas relações

Elas simulam o primeiro beijo até hoje: se há algum desentendimento, um selinho que depois passa para um toque de lábios mais demorado, quando uma não deixa a outra se afastar, tem o poder de lembrá-las da fortaleza do relacionamento de mais de três décadas e, ao mesmo tempo, do frescor de que esse amor ainda desfruta. 

A comerciária aposentada Mary Saupe Malavolta, 66 anos, com os cabelos grisalhos que nunca quis pintar, já está plenamente instalada na terceira idade, grupo formado pelos indivíduos a partir dos 60. Falar de envelhecimento é comum para uma população que está se tornando cada vez mais longeva, mas a velhice dos homossexuais ainda é tabu até mesmo entre o público LGBT. Desafios como a deterioração da forma física e da saúde, a necessidade de amparo, a solidão e a falta de políticas públicas específicas podem dar tons mais dramáticos às vivências desse grupo, nativo de um tempo em que as relações entre pessoas do mesmo sexo eram reprovadas com muito mais veemência.

Mary e a companheira, a servidora pública federal aposentada Ana Naiara Malavolta Saupe – uma adotou o sobrenome da outra –, 51, estão juntas há 33 anos. Enfrentaram caras feias e grosserias no começo, namoraram escondidas, tiveram suas próprias barreiras a superar, como qualquer par, mas jamais passaram por uma situação que provocasse um rompimento. São reconhecidas como um casal não apenas nas rodas por onde circulam e pelos vizinhos, mas também quando são somente duas anônimas na multidão: andam de mãos dadas, abraçam-se na parada de ônibus, afagam-se quando sentadas lado a lado. A tolerância com a diversidade deveria ter aumentado muito em todo esse período, mas elas ainda chocam.
Sai comigo e com a Mary na rua um dia. As pessoas se torcem para olhar. "Onde já se viu duas velhas sapatonas no meio da rua?" — relata Naiara.
Alguns querem tirar a prova e as questionam se são mãe e filha, dando abertura para a resposta natural:
Não, ela é minha esposa. 
Andréa Graiz / Agencia RBS

A sensibilidade do tema e o forte preconceito ainda vigente ficaram evidentes nas dezenas de tentativas de Zero Hora para convencer idosos homossexuais a contarem suas histórias. A reportagem carecia de voluntários dispostos a falar abertamente, sem se proteger por trás de nomes fictícios ou letras iniciais, e a se deixarem fotografar. Possíveis entrevistados, quando contatados, sentiram-se até ofendidos. Alguns toparam conversar, narrar suas rotinas – a prática de frequentar saunas para socializar e se satisfazer sexualmente, os encontros clandestinos, a dificuldade de arranjar parceiros devido à idade –, mas apenas como desabafo, sem cogitar jamais que as confidências viessem a público. Muitos saudaram a ideia de ver o tema no jornal como um meio de conscientizar os leitores e dissolver preconceitos, mas se desculparam por não terem interesse ou coragem de encarar a repercussão. Um conhecido senhor de mais de 80 anos alegou que uma tia sabia de sua orientação, mas jamais suportaria passar pela exposição do sobrinho.
Se já é difícil ser gay no dia a dia, imagine quando todos os vizinhos e parentes enxergarem minha foto estampada no jornal falando sobre minha homossexualidade — alegou outro dos personagens sondados para dar um depoimento.
Não é questão de se esconder, de ser enrustido, o que não sou, mas expor minha vida em jornal não faz minha cabeça — desculpou-se um terceiro, de 68 anos. — Somos pessoas que pertencem a uma geração muito reprimida. Na época de juventude, éramos vistos como coisa demoníaca, um pecado, um insulto a Deus, uma aberração. Fomos achatados por uma cultura religiosa, educacional e familiar, o que é bem diferente da gurizada de hoje, muito mais livre, solta, natural nos seus gestos e atitudes, que teve pais que não a sufocou com conceitos retrógrados e pobres.
Mary, 66 anos, e Naiara, 51, moradoras de Viamão, estão juntas
há mais de três décadas Andréa Graiz / Agencia RBS

Quando pequena, como quase toda menina, Mary brincava com bonecas. Com uma diferença fundamental nos papéis atribuídos a ela e aos brinquedos: o contexto não era de mamãe e filhinhas, mas de namoradas que se beijavam. As duras reprimendas da mãe eram acompanhadas de palmadas na bunda e beliscões nos braços. Mary se sabia diferente, mas levou muito tempo até descobrir o que era. Seguiram-se amores platônicos pela professora e por uma menina da escola, além de tentativas de casinhos com meninos – por pressão de familiares e amigos –, cujos beijos lhe provocavam repulsa. 
Eu não tinha a quem recorrer, organizações que pudessem acolher ou tirar dúvidas. A homossexualidade era considerada anormal. Eu nem conhecia a palavra lésbica. Conhecia a palavra que a minha mãe usava: machorra — recorda a comerciária, durante uma manhã de agosto em que conversou com a reportagem, na companhia de Naiara, diante do fogão a lenha de casa, em Viamão. 
A primeira relação com uma mulher aconteceria apenas por volta dos 30 anos. Mary virou motivo de chacota e, ao mesmo tempo, um troféu a ser conquistado: naquela idade, ainda era uma "princesinha", virgem, disputada por garotas que queriam lhe ensinar as artimanhas da transa entre iguais. Em um período de muito sofrimento, Mary era cobrada para que se assumisse. À época, os termos "coturno" ou "sapatilha" designavam os papéis masculino e feminino na relação. 

Um episódio traumático traria uma certeza. Lateral-direita de boa técnica e condicionamento físico, Mary disputava um campeonato feminino de futebol no Litoral quando deu um chute forte que atingiu em cheio a coxa de uma jogadora. A atleta se queixou, começaram as reclamações, um burburinho, "manda embora essa sapatão!", "não pode!", "é homem!". De repente, a fúria da quadra incendiou a plateia ao redor.
Sapatão! Machorra! — urrava quase uma centena de torcedores. 
As crianças olhavam para Mary como se mirassem um ET. Ela segurou o choro. Amigos a incentivaram a "ficar surda" para a balbúrdia. O jogo recomeçou, a lateral marcou incríveis 10 gols e deu mais quatro ou cinco boladas nas adversárias. Seu time ganhou. 
Aquilo me fortaleceu em algumas convicções. Saí arrasada, cara, mas sem nenhuma dúvida do que eu era — recorda.
Naiara estava na turma que deu força a Mary na partida. Apesar do fracasso da abordagem inicial, anos antes, na boate Vitreaux, quando Mary aproveitou a trilha sonora para revelar suas intenções em relação à jovem atraente, bem mais moça do que ela, cantando Deixa Eu te Amar, de Wando ("Quero te pegar no colo/ Te deitar no solo e te fazer mulher"), ambas já haviam entrado uma na vida da outra para não mais sair.

Duplo estigma

Envelhecer, para a população homossexual, pode ser mais pesado devido a um duplo estigma: além dos muitos enfrentamentos que homens e mulheres têm no espaço social, eles ainda sofrem com a rejeição dentro do grupo. Ou seja, gays e lésbicas idosos, frequentemente, são desprezados ou ignorados por seus pares mais jovens. O sociólogo Murilo Peixoto da Mota, do Núcleo de Estudos em Políticas Públicas de Direitos Humanos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), descreve um movimento comum de recuo, protetivo, na idade avançada. 
 O homem que, ao longo da vida, lutou para se autoafirmar como homossexual, quando consegue tornar isso público, depara com o seu envelhecimento. Então, muitos voltam para o armário depois de terem lutado para sair do armário — explica o autor de Ao Sair do Armário, Entrei na Velhice... Homossexualidade Masculina e o Curso da Vida.
Mota percebeu resistência ao assunto inclusive em suas pesquisas:
 É um tema do gueto na academia. A academia olha de lado: que importância tem estudar gay velho?
Outros marcadores podem tornar a experiência do envelhecimento ainda mais dolorosa. Carlos Eduardo Henning, antropólogo, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e pesquisador na área da gerontologia LGBT, cita, além da homossexualidade e da velhice como geradores de preconceito, a raça e a classe social. A experiência varia em graus de dificuldade para gays e lésbicas idosos de classes altas ou baixas e para os negros, por exemplo. 

Henning encontrou as primeiras publicações sobre o envelhecimento LGBT datadas da década de 1960, apresentando um cenário sombrio, sobretudo para os homens, solitários e excluídos dos espaços de socialização, tomados pela mocidade. Era como se os gays idosos não existissem. Decorrido mais de meio século, houve avanços. Hoje, relata o pesquisador, a representatividade é um pouco mais ampla, graças à atuação de militantes e à inserção do tema no enredo de filmes, séries e novelas – Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg provocaram polêmica ao se beijarem no primeiro capítulo de Babilônia, trama exibida em 2015 pela Globo (RBS TV). Para Henning, agora é possível, graças a exemplos positivos, vislumbrar um futuro para os homossexuais. 
Algumas pesquisas mostram que, para você se conceber como velho, não teria como se conceber como gay. Quando as pessoas não veem modelos bem-sucedidos de velhice, não conseguem conceber o que é isso, vira um vácuo de representação. Esse traço de imediatismo era muito presente há 10 anos. Muitos diziam: "Estou vivendo o momento, não vou chegar à velhice, não quero envelhecer". Agora a gente está vendo que a velhice é um projeto possível. A juventude de hoje começa a pensar que um futuro como velho LGBT é algo bem distinto de antigamente. Muitos entrevistados me disseram: "Eu nunca me imaginei chegando até aqui" — conta Henning, também pesquisador do Ser-Tão – Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade, ligado à UFG.
Apesar da militância pelas causas lésbica e feminista, Mary tinha até anos atrás uma trava que a levou a buscar apoio psicológico: fugia das demonstrações públicas de carinho. Naiara, também ativista, cobrava:
 Estou aí falando de liberdade e a gente não consegue sair de mãos dadas. Como assim?
As sessões, durante um ano e meio, provaram-se libertadoras.
 Me reafirmei como lésbica. Não tenho que ter medo de expressar a minha sexualidade, e é um direito que tenho o de ser respeitada por isso. Comecei a dar entrevista, sair de mão dada com ela, abraçá-la... Chamo ela de "mor" em qualquer lugar agora — orgulha-se Mary.
A visibilidade, garantem as duas, é protetora, empodera. A vergonha e o medo, por outro lado, dão brecha para agressões e chacotas. Se ouve algum comentário depreciativo ou piada de mau gosto, Mary encara: 
Qual é o problema que o senhor tem com isso? No que posso ajudá-lo? Tem alguma dúvida? Quer saber alguma coisa? Porque eu sou lésbica!
Tanta segurança também impulsiona Mary a intervir em defesa de outras mulheres. Em mais de uma ocasião, flagrou homens forçando proximidade com jovens em ônibus lotados. Furiosa, chamou a atenção das vítimas, que, muitas vezes, entretidas com os celulares, nem perceberam o que estava se passando.
 Por favor, senta aqui no meu lugar, menina — pediu Mary certa vez. — Senta aqui que eu quero ver se vão se esfregar em mim como estão se esfregando em ti! — falou, alto, atraindo a atenção dos demais passageiros.
Ao trocar de posição, encarou o abusador, indicando com as mãos o seu próprio corpo:
Tá, meu querido, vai ou não vai? Não gostou do material? Vamo lá!
Começou uma movimentação no coletivo, outros usuários se oferecendo para atirar o sujeito pela janela, Mary dispensando a ajuda e alegando estar no comando da situação. Na parada seguinte, o agressor desembarcou.
 Não aguento mais esse tipo de coisa — revolta-se ela.
No exercício de uma intimidade tão duradoura, Mary e Naiara observam em detalhes as mudanças em seus corpos. Mary sentiu a diminuição da libido na menopausa. No toque e no beijo, sua falta de vontade para o sexo já era percebida pela parceira, o que nunca foi motivo de atrito, graças a muita conversa. A comerciária diz não se constranger por estar 15 anos à frente. Questionada sobre o que a incomoda defronte ao espelho, tem dificuldade em encontrar a resposta. Pensa e responde: as varizes. No geral, a diminuição da força e do vigor. Para Naiara, a atração continua intacta. 
Adoro o barrigão dela! — diverte-se a servidora pública aposentada, provocando uma gargalhada geral. — (O envelhecimento dela) não afeta minha libido, de jeito nenhum. As pessoas são condicionadas a achar que tem a ver com a estética. Não tem! Tem a ver com o cheiro, a química, a intimidade. Adoro o cheiro dela. A cumplicidade que a gente tem... Somos duas mulheres, não há entendimento melhor do que esse. Ela sabe que sou apaixonada por ela.
Mary retribui:
 Nós tiramos na loteria quando nos encontramos.
A residência do bairro São Lucas está à venda. O plano, antigo, é uma mudança para a Bahia – o pai de Mary, de 87 anos, vai junto. É hora de aproveitar a vida, justificam elas. Pretendem também organizar uma espécie de comunidade, cercando-se de pessoas que possam cuidar umas das outras conforme a idade aumenta.
Morrer é da vida, né? A probabilidade é de que eu vá antes — comenta Mary, explicando que esse tema não é proibido nas conversas. 
Quero mais 33 anos do ladinho dela — deseja Naiara.
Fonte: GauchaZH, 07/09/2018

Homossexualidade deixa de ser crime na Índia

sexta-feira, 14 de setembro de 2018 0 comentários


Homossexualidade deixa de ser crime na Índia
Supremo Tribunal revoga lei imposta pelos colonizadores britânicos que descrevia o sexo entre gays como “delito antinatural”.

A decisão foi recebida em festa. No exterior do Supremo Tribunal da Índia, em Deli, centenas de ativistas explodiram em abraços, aplausos e lágrimas. A lei que até esta quinta-feira de manhã criminalizava o sexo gay na Índia era uma das mais antigas do mundo e foi preciso percorrer um caminho cheio de obstáculos para a anular.
É a nosso favor”, gritou uma jovem, Smriti, enquanto abraçava outras três e antes de ser cercada por câmaras de televisão, descrevem os jornalistas no local. Smriti recebeu uma mensagem de texto de um jornalista que estava no interior do tribunal. “Há muito trabalho por fazer, mas é um enorme primeiro passo”, disse a universitária, de 19 anos. “Já não somos criminosos no nosso próprio país”.
Criminalizar relações sexuais é irracional, arbitrário e manifestamente inconstitucional”, afirmou o juiz presidente Dipak Misra na leitura da sentença, cita a emissora pública britânica BBC no seu site.
Estava a tornar-me num ser humano cínico com muito pouca esperança no sistema. Mas isto volta a mostrar que, no fim, somos uma democracia funcional onde a liberdade de escolha e de expressão ainda existem”, afirmou ao jornal The Guardian Ritu Dalmia, uma entre cinco indianos que assinaram a petição legal na origem deste veredicto.
Restaurar a dignidade


Segundo Geeta Pandey, correspondente da BBC na capital indiana, os ativistas estão a falar de “um novo começo para as liberdades pessoais”. Admitindo que o mais importante será conseguir mudar atitudes num país conservador onde os líderes de todas as religiões condenam a homossexualidade, Pandey recorda que “quase sempre as leis têm um papel importante na mudança de mentalidades” e que, “ao reconhecer o direito da comunidade ao amor, o Supremo restaurou a dignidade que durante muito tempo lhes foi negada”.

O atual Governo é extremamente conservador, mas o preconceito atravessa todo o espectro político: em 2011, o então ministro da Saúde Ghulam Nabi Azad, do Partido do Congresso (agora na oposição), descreveu a homossexualidade como uma doença.

Na prática, o que os juízes analisaram agora foi a sentença de um julgamento de 2013 que ratificou a lei conhecida como Secção 377. Mas com esta decisão parece finalmente ter chegado ao fim o turbulento percurso para legalizar a homossexualidade na Índia moderna: entre 1994 e 2011, uma série de julgamentos saltaram de tribunal em tribunal, com os juízes a evitarem chegar a deliberações finais.

E já em 2009, o Supremo de Deli revogara a Secção 377 do Código Penal, considerando que a proibição de “relações sexuais contra a ordem natural” violava os direitos à vida, liberdade e igualdade inscritos na Constituição indiana. Quatro anos mais tarde, o mesmo tribunal que esta quinta-feira pôs fim a uma lei com 160 anos considerava que o seu uso era tão pouco frequente, e visava uma “parte tão minúscula” da população, que não podia considerar-se que violava os direitos constitucionais dos indianos.

Na altura, o Supremo deixou milhares de indianos em choque, vendo como uma parte fundamental da sua vida e identidade voltava a ser um crime punível com prisão perpétua. “Foi uma surpresa e um veredicto muito estranho”, diz Mohan, um advogado de Deli ouvido pelo Guardian, que pede para usar apenas o seu primeiro nome, ainda preocupado com os preconceitos que pode enfrentar no trabalho.

Direito à Privacidade


Muitos advogados e ativistas trabalharam incessantemente para revogar a decisão do Supremo, mas só em 2017 tiveram a oportunidade que antecipou o progresso definitivo.
O que mudou tudo foi o julgamento sobre privacidade do ano passado”, explica Gautam Bhatia, advogado e jurista. “Em Agosto de 2017, o Tribunal Supremo afirmou que há um direito fundamental à privacidade e, no âmbito dessa deliberação, cinco juízes consideraram que a decisão de 2013 era errada.”
Foi algo sem precedentes. Juízes a comentarem um caso sem qualquer ligação para dizer que esse estava errado. Mas assim que o disseram mataram a Secção 377, implicitamente se não de modo formal”, afirma Bhatia ao diário britânico.
A morte formal chega agora, uma decisão que legaliza comportamentos que muitos indianos defendem que eram completamente aceitáveis na sua cultura antes dos colonizadores britânicos chegarem para impor a sua moral vitoriana, com um conjunto de leis “contra o vício público e a imoralidade instituídas em todo o império”.

Fonte: Público PT,  por Sofia Lorena, 06/09/2018

Horóscopo de setembro (2018)

quinta-feira, 13 de setembro de 2018 0 comentários

PREVISÃO MENSAL
ÁRIES
21/03 a 20/04 

Durante este mês, os relacionamentos válidos não sofrerão grandes abalos, mas os que não o forem se romperão completamente agora. Você estará tentando livrar-se de tudo que não for necessário ou benéfico a seu desenvolvimento nos próximos anos. Os relacionamentos difíceis e complicados serão provavelmente descartados. 

No ambiente profissional, poderá se sentir mais cobrada do que o normal, mas estará com energia de sobra para dar conta do recado. Não se preocupe com mudanças inesperadas ligados ao trabalho, pois elas levarão a uma melhoria no futuro. 

Poderá fazer viagens ligadas ao trabalho ou que ofereçam novas oportunidades no aspecto profissional. 

Na saúde, é preciso rever sua alimentação, eliminar o que seu organismo já não aceita, talvez modificar alguns hábitos alimentares. 

No amor, poderá ficar surpresa com um reencontro que poderá gerar muitas alegrias e levar a uma reaproximação amorosa muito boa, mais madura. 

TOURO
21/04 a 20/5 

Trata-se de um período em que poderá sentir-se um pouco só, ainda que esteja dentro de um relacionamento amoroso, ou pode ser que sinta a sua parceira um pouco distante. Uma atitude mais atenciosa poderá melhorar o clima delicado que tem vivido ultimamente. Trabalho não é tudo na vida. 

Este trânsito é de certa forma um pouco conturbado. Enquanto ele durar, você estará sujeita a aborrecimentos inesperados ou a comportamentos que aborreçam a terceiros. Sob esta influência, é bem provável que você não se atenha a sua rotina normal como nos demais dias. As perturbações podem ir desde problemas com seu carro a discussões súbitas e até uma separação que poderia ser evitada, se você fosse mais tolerante. 

A questão é que durante este mês você deve esperar o inesperado. Você lutará para romper com a rotina cotidiana. Será melhor fazer isso intencionalmente que esperar que aconteça por si. Deixe que o espírito inquieto que há em você se manifeste. Você precisa respirar ar novo! 

É bem possível que acabe descobrindo um aspecto valioso de si mesma que nem imaginava existir, simplesmente porque tinha receio de externá-lo. 

GÊMEOS
21/05 a 20/06 

É possível que entre em um estado de espírito depressivo que afaste as pessoas de você, de forma que elas não irão se aproximar e desistirão de ajudá-la. Há uma forte tendência para pensar sobre o lado ruim da vida e reagir com mais ênfase às falhas e aos desapontamentos, em vez de reconhecer o incentivo dos outros. A melhor coisa a fazer agora é não fazer nada. Não leve seus sentimentos muito a sério durante essa fase e não tome decisões com base naquilo que está sentindo agora. 

Seus familiares podem necessitar mais de seu apoio ou algum tipo de conselho ou ajuda. 

Na parte profissional, obterá êxito ou algum tipo de promoção ou reconhecimento. Procure canalizar suas energias para sua vida profissional durante esse período. 

No aspecto afetivo, você poderá sentir necessidade de viver uma relação mais leve, sem qualquer tipo de cobrança, e não terá muita paciência para lidar com o que poderá considerar carência afetiva exagerada dos que estão próximos a você. Converse sempre com carinho, tudo poderá ser resolvido com um diálogo franco. 

CÂNCER
21/06 a 22/07 

Este trânsito desperta seu amor pelo mistério e a inspira a resolver questões complexas. Você estará inclinada a penetrar além da camada superficial da realidade e atingir o âmago da verdade, onde jaz a fonte de todo conhecimento. Esta é uma época favorável à busca de conhecimentos profundos. No dia-a-dia, você empregará essa energia para analisar, esmiuçar e pôr à prova tudo aquilo que encontrar em seu caminho. Não por desconfiança, mas para chegar à verdadeira natureza das coisas. 

Se alguém lhe fizer uma proposta, você a investigará e fará indagações as mais pertinentes até saber com exatidão o que ela acarreta. Nesse período, será muito difícil que alguém possa enganá-la ou iludi-la. 

Sob esta influência, a tendência é ir em busca de tudo que materialmente se quer, sem pensar muito em quem está no caminho. 

A palavra de ordem é a liberdade de ação, tanto nas aquisições quanto nos prazeres. Então, à medida em que o trânsito vai chegando ao fim, as pessoas sentem que seus atos não deram em nada e que suas vidas estão tão vazias quanto antes. 

LEÃO
23/07 a 22/08 

Este trânsito tende a produzir interações nas quais você terá de pôr sua clareza de raciocínio à prova, obrigando-a a demonstrar que o que diz é válido. Você certamente não achará este período monótono. A menos que não seja ponderada na comunicação e no raciocínio, poderá atingir tudo que desejar. 

O único problema a considerar é uma possível resistência contra suas ideias e objetivos, a qual pode se intensificar posteriormente. Por isso é que será importante não apenas se expressar, mas também ouvir as pessoas com quem convive, sejam familiares, a pessoa amada, amigos e colegas. 

Tome especial cuidado com as questões financeiras, pois você provavelmente gastará sem pensar, certa de haver abundância de dinheiro e de todos os recursos de que precisar. Talvez não perceba de imediato a extensão do estrago, mas logo após o trânsito poderá sobrevir uma escassez que se exacerbará na medida dos gastos impensados que fizer agora. 

Na área amorosa, você poderá sentir necessidade de renovar sua vida afetiva com a pessoa amada, terá que se empenhar mais, criando situações mais românticas onde poderá sair da monotonia. 

VIRGEM
23/08 a 22/09 

Este período constitui uma oportunidade de trabalho e realizações em grande escala. Além disso, você terá condições de influenciar as pessoas e transformar as situações conforme seu ponto de vista. Sua energia estará em alta, permitindo-lhe grande esforço por muito tempo. 

Poderá avançar bastante em direção aos objetivos que traçar para si mesma. Sua capacidade de realização individual crescerá muito ao longo deste mês, mas você estará usando ainda melhor as energias deste trânsito se trabalhar em parceria para atingir objetivos comuns. 

Sentirá maior reconhecimento por parte de colegas, clientes, e pessoas com as quais interage seja no setor profissional, como no aspecto familiar e pessoal. 

Trata-se de um mês onde poderá sentir que o tempo não é o bastante para o tanto que gostaria de realizar, portanto, procure otimizar melhor sua agenda. 

No aspecto afetivo, poderá conhecer pessoas interessantes em ambientes que estejam ligados a novas terapias ou que envolvam algum tipo de melhoria ligada à saúde, área filosófica ou cultural. Uma delas poderá chamar a sua atenção, a ponto de querer investir em uma relação mais séria. 

Período muito próspero em sua vida. 

LIBRA
23/09 a 22/10 

O principal efeito deste mês será um profundo aumento de sua sensibilidade diante do mundo que a cerca. Este é um dos trânsitos mediúnicos, no sentido de que ele desperta a mediunidade latente e a transforma num veículo de recepção do mundo exterior. Todavia, o problema é que a princípio seu consciente não saberá o que fazer com esse material. 

Assim, você poderá tornar-se confusa ou interpretar erradamente as informações enviadas pelo inconsciente. Isso ocorre principalmente quando o consciente capta sentimentos que não se reduzem facilmente a explicações racionais. 

Esse período pode causar os seguintes problemas: em primeiro lugar, há um risco de que venha a sentir-se desnorteada pelas emoções, pensando que sente de uma forma quando, na verdade, seus verdadeiros sentimentos são bastante diferentes. Isso costuma ser mais difícil no relacionamento amoroso, pois pode deixá-la fascinada por alguém completamente inadequado para você. 

ESCORPIÃO
23/10 a 21/11 

O mês é igualmente favorável ao planejamento, pois você estará propensa a "pensar grande", em função de seu otimismo. Se por um lado há riscos de se exceder nessa tendência, por outro você estará alerta a oportunidades que normalmente não perceberia ou teria medo de aproveitar. 

Como se sentirá cheio de energia e vigor, o momento é excelente para dar andamento a seus interesses em praticamente qualquer área, mesmo que não sinta o ímpeto de fazê-lo. 

Você se sentirá generosa e tolerante, não se aborrecendo facilmente com as coisas que derem errado. Saberá que há bastante tempo para corrigir os problemas, então não se preocupará. Além disso, não se irritará com as pessoas que normalmente a tiram do sério, podendo até dispor-se a dar tempo e atenção aos relacionamentos que possam estar difíceis ou complicados. 

SAGITÁRIO
22/11 a 21/12 

O simbolismo deste trânsito é a assimilação cada vez maior do mundo exterior na vida interior. Naturalmente, uma boa forma de manifestar esse simbolismo seria melhorar sua atual residência, tornando-a mais confortável. 

Procure fazer o possível para tornar sua vida pessoal segura e tranquila ao máximo. Agora você terá necessidade de sentir-se interiormente segura e em paz para poder continuar sua jornada lá fora. Na verdade, no momento não deve pensar tanto no sucesso exterior quanto nas necessidades mais íntimas e pessoais que discutimos até aqui. 

Talvez você tenha de fazer mudanças importantes em suas prioridades de vida. É possível que precise abrir mão de certas coisas no trabalho em favor de sua vida pessoal e emocional ou que rompa com um relacionamento que venha interferindo desnecessariamente em seu trabalho. Em qualquer dos casos, será preciso restabelecer o equilíbrio entre esses dois aspectos de sua vida de modo a permitir que as coisas entrem nos eixos novamente. 

CAPRICÓRNIO
22/11 a 19/01 

O momento destina-se à resolução de questões que ficaram pendentes em sua vida pessoal, à decisão quanto a relacionamentos que não vêm funcionando bem, à análise do que restou do passado e que afeta negativamente seu presente. Para tal, talvez seja necessário abrir-se com os outros acerca de si mesma e de seus sentimentos mais íntimos. 

Por isso, esta é uma boa hora para estabelecer-se e criar raízes. A sensação de fazer parte de um lugar e de um grupo será muito importante para você agora. 

Você não precisa fazê-lo de uma forma que limite sua liberdade de movimento e isso não será mesmo muito provável. Mas todo mundo precisa de um lar sólido para estar em paz e poder desenvolver outras atividades. Se não fizer um esforço para construir essa base agora, terá dificuldades depois, quando seus interesses estiverem voltados para outras direções. 

Este período pode indicar o início de um novo interesse amoroso, mas é mais provável que seja apenas um flerte rápido. De qualquer modo, os relacionamentos que efetivamente se estabelecerem durante este mês provavelmente serão bons para você. 

AQUÁRIO
20/01 a 18/02 

Procure dedicar-se neste período a atividades diversificadas que lhe exijam muita energia. Você só passará a outra coisa quando tiver sentido que se empenhou ao máximo e que nada mais há a fazer. Evite qualquer situação que potencialmente possa frustrá-la ou tolhê-la; não tanto por possíveis danos a você, mas sim pelo desperdício de uma energia que poderia ser extremamente útil. 

É muito importante manter-se aberta em todas as questões e não se deixar consumir por uma ideia fixa enquanto durar este trânsito. Talvez se preocupe ao longo do dia com pensamentos que não lhe são de grande importância. Procure não impor seu ponto de vista aos outros nas conversas, apesar de tentada a fazê-lo. 

Talvez ache que levar as pessoas a pensarem como você é a coisa mais importante deste mundo, mas suas tentativas poderão provocar brigas sobre coisas que realmente não têm a menor importância. Por outro lado, se conseguir dirigir essa energia para dentro de si mesma, poderá realizar algo de grande valor. 

Os relacionamentos costumam funcionar muito bem sob esta influência, levando-a a apreciar a companhia dos amigos. Este período em geral indica diversões, na medida em que seu entusiasmo pela vida transborda e contagia todos os que a cercam. 

PEIXES
19/02 a 20/03 

Durante essa fase você hoje se sentirá bem e amigável entre as pessoas e predisposta a oferecer apoio emocional e físico a quem esteja precisando. Você receberá das pessoas exatamente aquilo que estará oferecendo, isto é, calor humano e afeto. 

De um modo muito claro você está percebendo que ajudando aos outros ajuda-se a si mesma. Em outra dimensão, esse trânsito dirige sua atenção para o bem-estar em geral. 

Procure fazer o possível para tornar sua vida pessoal segura e tranquila ao máximo. Agora você terá necessidade de sentir-se interiormente segura e em paz para poder continuar sua jornada lá fora. Na verdade, no momento não deve pensar tanto no sucesso exterior quanto nas necessidades mais íntimas e pessoais que discutimos até aqui. 

É possível que durante este mês sinta-se nostálgica com relação a questões amorosas ou reavalie seus relacionamentos antigos a fim dedar uma peneirada quanto ao que não funciona mais em sua vida.


Miriam Julie (Gunadhara Miten)
Terapeuta Credenciada pela Comunna Metamorfose
Whats app: 11 964 05 1934 – e.mail : gunadharametamorfose@gmail.com

Terapeuta Tântrica e Renascedora com Especialização em Disfunções Sexuais. Coordenadora de Núcleo de Desenvolvimento de Massagem Tântrica, Instrutora de Cursos Individuais e em Grupo de Massagem Tântrica, Instrutora de Delerium Privativa para casais (de todas as orientações sexuais).

Terapeuta Holística e Astróloga Humanista há 32 anos, mantém, desde 2004, as previsões astrológicas anuais e mensais, entre outras, do site da Um Outro Olhar. É também Orientadora Sexual, tendo trabalhado como voluntária em Grupos de Ajuda a mulheres que sofreram abuso sexual, utilizando o Método Deva Nishok e a terapia energética,  obtendo ótimos resultados.
Utiliza em seus atendimentos as Terapias Tântricas com o objetivo de refinar a sensibilidade, expandir e intensificar a sensação orgástica, gerando maior sustentação da bioenergia do corpo, energização dos chackras e equilíbrio da produção hormonal.

Para consultas online ou pedidos de mapa astral, combinação de mapas, previsões(sinastria), agendamento de terapia tântrica e cursos de massagem, entrar em contato por Whats app: 11 96405 1934; gunadharametamorfose@gmail.com


Tributo a Rosely Roth, pioneira da visibilidade lesbiana no Brasil

terça-feira, 28 de agosto de 2018 2 comentários

Fonte: Folha de São Paulo, 01 de junho de 1985

Rosely Roth
(21/08/59- 28/08/1990)

Por Míriam Martinho

Rosely Roth nasceu de família judia, em 21 de agosto de 1959, tendo cursado escolas judaicas e não-judaicas durante a infância e a adolescência e, posteriormente, formado-se em Filosofia (1981) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde também pós-graduava-se em Antropologia (85/86) com os trabalhos Vivências Lésbicas - Investigação acerca das vivências e dos estilos de vida das mulheres lésbicas a partir da análise dos bares freqüentados predominante por elas e Mulheres e Sexualidades.

Iniciou seu contato com o movimento de mulheres, no primeiro semestre de 1981, quando começou a participar simultaneamente dos grupos Lésbico-Feminista/LF (1979-1981) e SOS Mulher (1980-1983).

Em outubro de 1981, fundou comigo o Grupo Ação Lésbica-Feminista/GALF (1981-1990), um grupo a princípio de continuidade do grupo lésbico-feminista (cujo coletivo original se dispersara), mas que viria, no decorrer de sua existência, a desenvolver características próprias tanto em termos políticos quanto de atividades.

A partir de 1982, deixou de atuar no coletivo SOS Mulher, vindo a dedicar-se exclusivamente ao Grupo Ação Lésbica-Feminista (GALF) do qual foi figura de destaque seja por seus artigos, nas duas publicações da entidade – os boletins ChanacomChana (12/82 a 05/87) e Um Outro Olhar (até 1990) - e pela organização de debates, com outros grupos dos Movimentos Feminista, Homossexual e Negro, além de com parlamentares da época, seja por sua participação em atividades externas (manifestações, encontros, simpósios, congressos) ou por sua presença constante, publicamente lésbica, na mídia brasileira.

Rosely no III Encontro Feminista
 Latino-Americano e do Caribe
Entre as inúmeras atividades que realizou, por seu impacto político, destacam-se: 1) a organização da manifestação de protesto de 19/08/83, junto aos proprietários do Ferro’s Bar (o mais antigo e tradicional bar lésbico do Brasil) que não permitiam a venda do boletim Chanacomchana em seu recinto, apesar de este ser sustentado fundamentalmente por lésbicas, e que reuniu ativistas do movimento homossexual e feminista, parlamentares e representantes da OAB, com bastante destaque na mídia, e 2) duas participações (25/05/85-20/04/86) em programas da apresentadora Hebe Camargo (uma das mais populares do Brasil), em cadeia nacional, falando aberta e tranquilamente sobre lesbianidade, com grande repercussão na imprensa e junto à própria comunidade lésbica e gay.

Rosely Roth foi pioneira no que se convencionou chamar de “política da visibilidade” em uma época (década de 80) em que, com raras exceções, ninguém mais o fazia, aliando aparições públicas, geralmente marcantes, a uma fundamentação teórica que lhe permitiu ir além do ramerrão vitimista e reformista que muitas vezes caracteriza o discurso e as atividades dos grupos sociais discriminados. 

Na década de 90, a visibilidade ganhou as páginas dos jornais, os programas de TV e até as ruas, em manifestações de orgulho cada vez maiores e com várias pessoas dando as caras, mas até hoje, não surgiu quem superasse em excelência, Rosely Roth como a ativista lésbica do Brasil. Em sua homenagem, republico, anualmente, um seu texto muito significativo, chamado AUTONOMIA (dos movimentos sociais)  bem como o texto informativo sobre a manifestação do Ferro's Bar que ela liderou.  Reproduzo tambémmatéria da Folha de São Paulo que relata a polêmica surgida quando da primeira participação de Rosely no programa da apresentadora Hebe Camargo.

Fonte: Revista Um Outro Olhar, n. 33, Ano 14, Outubro-Dezembro de 2001. Fonte matéria abaixo: Folha de São Paulo, 01/06/1985


 
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