Próximo premier irlandês pode ser gay

segunda-feira, 29 de maio de 2017 0 comentários


Irlanda pode eleger seu primeiro premier gay

DUBLIM — A Irlanda está à beira de uma enorme mudança geracional em sua vida política com a possível eleição do médico Leo Varadkar como seu próximo primeiro-ministro, uma medida que daria ao país, fortemente católico, seu primeiro líder abertamente gay e descendente de imigrantes asiáticos.

Varadkar construiu uma liderança quase intransponível antes das eleições na próxima semana para suceder Enda Kenny como líder do governo. Aos 38 anos, ele também se tornaria a pessoa mais jovem a ocupar o cargo.

Os apoiadores estão comparando o médico ao primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e ao novo presidente francês, Emmanuel Macron, esperando que ele, vindo da geração mais atingida pela mais dura crise econômica em uma década, possa transformar o cenário político.

— Sinceramente, não acho que em 1981, quando fui eleito pela primeira vez, eu podia prever uma época em que um homem abertamente gay pudesse se tornar Taoiseach (primeiro-ministro) — disse Nora Owen, que foi ministra da Justiça nos anos 90.

O fato de que tal marco é mencionado apenas na mídia local ou que o candidato têm chances de liderança demonstra o quão longe o país de 4,6 milhões de habitantes, que foi visto como um dos mais socialmente conservadores na Europa Ocidental, chegou.

Tendo descriminalizado a homossexualidade só em 1993 e introduzido o divórcio dois anos mais tarde, a Irlanda tornou-se o primeiro país a adotar o casamento gay através de um referendo popular em 2015, que atraiu o apoio esmagador vindo de todos os cantos do território.

A votação marcou uma nova diminuição do domínio da Igreja sobre a sociedade irlandesa, que tem sido enfraquecido nas últimas duas décadas — seja pela descoberta de escândalos de abuso sexual envolvendo sacerdotes, ou pela crueldade em instituições administradas pela Igreja Católica.

O pai de Varadkar, Ashok, que também é médico, nasceu em Bombaim, na Índia. Ele conheceu a mãe do político, Miriam, uma enfermeira e filha de fazendeiro do condado de Waterford, no Sul da Irlanda, enquanto trabalhava na Inglaterra na década de 1970. Eles se casaram lá, mas decidiram se mudar de país e criar sua família em Dublin, onde Varadkar nasceu.

POTENCIALMENTE TRANSFORMADOR

Ele garantiu o apoio declarado de 46 dos 73 legisladores do partido Fine Gael para as eleições de 2 de junho, para assumir o lugar de Kenny. Com os legisladores responsáveis ​​por 65% do voto nas eleições, seu oponente, Simon Coveney, precisa de um número significativo para mudar o cenário, o que, segundo analistas, é altamente improvável.

Quem quer que substitua os 15 anos de Kenny no comando vai ser o único líder no Parlamento irlandês nascido na década de 1970. Quando o atual primeiro-ministro foi eleito pela primeira vez para a Câmara baixa em 1975, Coveney tinha 3 anos de idade, e Varadkar sequer era nascido.

Pesquisas de opinião mostram que ambos são populares entre os membros do Fine Gael, mas que Varadkar tem o potencial de ganhar uma porcentagem significativa de votos de outros partidos.

— Acho que Leo Varadkar se tornar primeiro-ministro é potencialmente transformador para o futuro do Fine Gael, e talvez para o sistema político em geral — disse o comentarista político Noel Whelan. — Em uma era de antipolítica, ele é uma das coisas mais próximas a um político antipolítico. Ele estimula partes do eleitorado que o partido geralmente não alcança — complementou.

Fonte: Extra, 29/05/2017

Polícia de Curitiba divulga retrato falado de suspeito de jogar ácido em homossexual

sexta-feira, 26 de maio de 2017 0 comentários

Polícia Civil divulga foto de suspeito de ataque homofóbico, em Curitiba (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Polícia divulga retrato falado de suspeito de jogar ácido no rosto de um homossexual
                         
Polícia Civil divulga retrato falado de suspeito de jogar ácido em homossexual, em Curitiba
Caso aconteceu na noite de 14 de maio, no bairro Juvevê.

Polícia Civil divulgou, nesta segunda-feira (22), o retrato falado do suspeito de jogar ácido em um homem homossexual de 40 anos. O caso aconteceu no dia 14 de maio, no bairro Juvevê, em Curitiba.

Por causa do ataque homofóbico, o homem perdeu a visão do olho esquerdo e corre o risco de perder do lado direito, conforme o delegado Fábio Amaro. A vítima está internada no Hospital Evangélico, com queimaduras de segundo e terceiro graus.

Quem tiver informações, pode ligar no Disque-Denúncia: 0800 6431 121.

A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o ocorrido. De acordo com a Polícia Civil, a vítima relatou que caminhava pela rua por volta das 20h30 quando foi abordada por um suspeito que se aproximou, pronunciou um xingamento homofóbico e jogou um líquido em seu rosto, provocando queimaduras.

Em entrevista, o homem afirmou que pensou inicialmente se tratar de um assalto, mas que em determinado momento a pessoa que o atacou chegou a dizer: "Toma aí, seu viado", antes de jogar o líquido contra ele.
Eu sei que ele estava de boné preto, de boina e de óculos. E ele me empurrou. Na hora em que ele me empurrou, eu achei que ele iria roubar meu celular. Daí, eu tentei levantar a minha perna, para tentar me defender. Foi onde ele pegou e jogou 'Toma aí, seu viado". Foi ódio mesmo, contou a vítima.
Fonte: G1, 22/05/2017 


'Foi ódio mesmo', diz vítima de ataque homofóbico com ácido, em Curitiba
Homem foi atingido nos braços e no rosto e corre o risco de perder a visão nos dois olhos.

O homem de 40 anos, que foi vítima de um ataque com ácido, em Curitiba, diz que o ato foi intencional, por causa da orientação sexual dele. Em entrevista, a vítima afirmou que pensou inicialmente se tratar de um assalto, mas que em determinado momento a pessoa que o atacou chegou a dizer "Toma aí, seu viado", antes de jogar o líquido contra ele.
Eu sei que ele estava de boné preto, de boina e de óculos. E ele me empurrou. Na hora em que ele me empurrou, eu achei que ele iria roubar meu celular. Daí, eu tentei levantar a minha perna, para tentar me defender. Foi onde ele pegou e jogou 'Toma aí, seu viado". Foi ódio mesmo, contou a vítima.
O caso aconteceu no bairro Juvevê, no domingo (14). O homem foi internado no Hospital Evangélico, com ferimentos nos braços, no peito e no rosto. Ele corre risco de perder a visão dos dois olhos, em decorrência do ataque.
Eu sofri queimadura de terceiro grau no rosto, nos dois braços, no peito, no abdômen. E boca, rosto completinho, e mais a visão, onde eu vou perder praticamente toda a visão. A chance de eu enxergar de novo é mínima. Fora o emocional, que acabou comigo", disse a vítima.
A Polícia Civil informou que está ouvindo testemunhas e que a investigação do caso está avançada. Até o momento, nenhum suspeito foi preso.

Fonte: G1, RPC Curitiba, 17/05/2017

Taiwan considera inconstitucional a proibição de casamento gay

quinta-feira, 25 de maio de 2017 0 comentários

Decisão foi comemorada por defensores da liberação do casamento gay TYRONE SIU / REUTERS

Justiça de Taiwan considera inconstitucional a proibição de casamento gay
Decisão abre portas para ilha se tornar o primeiro território asiático a permitir uniões entre pessoas do mesmo sexo

TAIPÉ — A justiça de Taiwan tomou uma decisão histórica nesta quarta-feira sobre o casamento gay, o que deve permitir que a ilha se transforme no primeiro território asiático a legalizar uniões entre pessoas do mesmo sexo. A Corte Constitucional considerou que o dispositivo do Código Civil segundo o qual um contrato de matrimônio só pode ser assinado entre um homem e uma mulher “viola” a Constituição, garantindo a liberdade de casamento e a igualdade entre os cidadãos.

De acordo com a decisão, o parlamento terá um prazo de dois anos para criar uma nova lei ou alterar o Código Civil permitindo a união homoafetiva. Se os congressistas não aprovarem a mudança nesse período, casais do mesmo sexo poderão fazer o registro de casamento, com base na interpretação judicial.
Os dispositivos atuais sobre o casamento não permitem que duas pessoas do mesmo sexo criem uma união permanente de natureza íntima e exclusiva com o objetivo determinado de levar uma vida juntos. Isto é obviamente um grave defeito legislativo", afirmou a Corte.
Os esforços para obter direitos igualitários no matrimônio ganharam força na ilha com forte apoio popular, mas também provocaram a indignação de grupos conservadores, que organizaram protestos contra qualquer mudança na lei. O tribunal destacou que a decisão de permitir o casamento homossexual contribuiria para a estabilidade social e para proteger a "dignidade humana".

Os partidários e críticos se reuniram no centro de Taipé para aguardar a decisão. Centenas de ativistas favoráveis ao casamento gay exibiam as bandeiras com as cores do arco-íris fora do parlamento. Um painel com 14 magistrados definiu a sentença, que exigia pelo menos 10 votos. Apenas dois juízes se pronunciaram contra a decisão.

Fonte: O Globo, 24/05/2017

Ativistas da ONG "Rede Russa LGBT" tiram mais de 40 gays da Chechênia e pedem asilo para eles

terça-feira, 23 de maio de 2017 0 comentários


Ativistas LGBT russos tiram mais de 40 gays da Chechênia e pedem asilo a eles

ONG negocia com 5 países para conseguir vistos aos gays.

Ativistas da ONG "Rede Russa LGBT" informaram nesta quinta-feira (18) que retiraram até esta quinta-feira (18) 42 homossexuais da Chechênia e pediram aos países europeus asilo perante o perigo que correm nessa república do Cáucaso Norte, segundo algumas denúncias.

Um porta-voz da ONG disse à agência "Interfax" que os mais de 40 gays foram levados para distintas regiões da Rússia.
Esperamos a ajuda dos países europeus com vistos para levá-los ao exterior", afirmou à agência "Interfax" o porta-voz.
Nove deles já saíram do país, acrescentou, sem revelar os Estados aos quais emigraram. Além disso, o porta-voz precisou que no total houve pedidos de ajuda de mais de 80 homossexuais na Chechênia.
Tratamos com pelo menos cinco países para conseguir os vistos. Estamos negociando a abertura de corredores humanitários para membros da comunidade LGBT", explicou o interlocutor da agência russa.
As vítimas desconfiam de nós. Muitas delas estiveram presas e sofreram torturas", disse o porta-voz da ONG, que precisou que as detenções começaram em dezembro do ano passado.
Prisões secretas e tortura

A "Rede Russa LGBT" não tem representação na Chechênia e nem trabalhou antes nessa região de maioria muçulmana, no olho do furacão depois que um jornal russo denunciou a perseguição e assassinatos de homossexuais em seu território, bem como a existência de prisões secretas para as minorias sexuais.

O líder da Chechênia, Ramzan Kadyrov, qualificou de "provocação" e "calúnia" a reportagem do jornal "Novaya Gazeta", que relevou a situação dos gays na república, embora na semana passada tenha se manifestado disposto a cooperar com as autoridades federais russas na investigação das denúncias.
Não se pode deter ou perseguir quem simplesmente não existe na república. Se na Chechênia houvesse essa gente, os órgãos de segurança não teriam que se preocupar com eles, já que seus próprios familiares os enviariam a um local desde onde nunca retornariam", declarou Alvi Karimov, o porta-voz do líder checheno.
Os testemunhos das vítimas falam de confinamentos em condições desumanas, torturas com descargas elétricas, violações com garrafas, desaparecimentos e mortes.

Fonte: G1, via agência EFFE, 18/05/2017

Blogueira cristã larga marido para casar com jogadora de futebol

segunda-feira, 22 de maio de 2017 0 comentários

Abby Wambach e Glennon Doyle Melton



















Blogueira cristã se separa do marido e se casa com uma mulher
Ela é mãe de três filhos e ficou famosa por dar dicas sobre como vencer problemas no casamento e como cuidar dos filhos segundo a Bíblia

Glennon Doyle Melton é uma blogueira conhecida nos Estados Unidos por levantar a bandeira da maternidade e do cristianismo. Agora ela está envolvida em uma grande polêmica por ter se casado com a jogadora de futebol Abby Wambach, depois de se separar de seu marido.

O relacionamento foi anunciado no final do ano passado, três meses depois que Glennon e Craig se divorciaram. Segundo o jornal The Washington Post, a blogueira sempre falou sobre seu casamento, inclusive postou sobre as dificuldades que o casal enfrentava.
Somos uma família moderna e bonita”, disse ela assim que assumiu o relacionamento. Ela e o ex-marido foram juntos conversar com os três filhos do casal sobre o relacionamento gay que Glennon estava assumindo.
Quando Craig e eu nos sentamos para lhes contar sobre Abby eu comecei dizendo:
‘Em nossa família, vivemos e dizemos a verdade sobre quem somos, não importa o quê, e então nos amarmos uns aos outros por meio dele – e estou prestes a mostrar como isso é feito ‘”, declarou.
Glennon, Craig e os filhos

Aos 41 anos, a blogueira se casou com Abby e tem escrito mensagens em suas redes sociais para que seus seguidores não desistam do amor. Glennon afirma que sentiu medo ao se apaixonar por uma mulher. 
Quando eu me apaixonei por Abby, fiquei com medo. Eu pensei que meu medo poderia ser maior do que a minha coragem”, confessou.
Mas ao conversar com uma amiga, também cristã, ela foi encorajada a não desistir da felicidade. “Eu conversei com a minha querida amiga Martha Beck e ela me disse: 
Querida, é verdade que Deus nos ensina através da dor, mas é também verdade que Deus tenta nos ensinar através da alegria primeiro. Você pode continuar escolhendo a dor e o desgosto, ou pode escolher a alegria'”.
No final do texto, a blogueira afirmou que escolheu a alegria e que hoje sua coragem de assumir o casamento gay é maior que o medo.

Fonte: JMNotícia, 21/05/2017

O casamento igualitário no Brasil completou 4 anos

quinta-feira, 18 de maio de 2017 0 comentários

Tatiani Oliveira e Lumara Rodrigues foram o primeiro casal homoafetivo a se casar na cidade onde vivem,
em Minas Gerais (Foto: Ricardo Carvalho/Divulgação)

Casamento gay no Brasil completa 4 anos de regulamentação; leia histórias
Norma do Conselho Nacional de Justiça passou a valer para todos os cartórios do país em 14 de maio de 2013. No DF, foram registrados 433 casamentos homoafetivos; conheça história de três casais.

A regulamentação do casamento gay no Brasil completou quatro anos no domingo (14/05) com cerca de 15 mil registros oficializados em todo o país. O número representa um aumento de 51,7% em relação ao primeiro ano de vigor da norma, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O G1 conversou com três casais – de Brasília, Rio de Janeiro e Minas Gerais – sobre as mudanças jurídicas e sociais que a oficialização do casamento promoveu na vida dos homossexuais. 

Em 14 de maio de 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou a Resolução 175, que passou a garantir aos casais homoafetivos o direito de se casarem no civil. Com a resolução, tabeliães e juízes ficaram proibidos de se recusar a registrar a união.
Até então, eles podiam negar os pedidos baseando-se na legislação, que garante o direito ‘apenas a casais’, o que para o direito consuetudinário [dos costumes] seria um homem e uma mulher”, explicou o advogado de família Fernando Carvalho.
No primeiro ano de aplicação da norma, foram celebrados 3.700 casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo em todo o Brasil, segundo o levantamento do CNJ. Em 2015, data da última pesquisa do IBGE sobre o tema, o número total – entre héteros e homossexuais – chegou a 1,13 milhão.
Em termos absolutos, os casamentos gays ainda são minoria – 0,5% do total. No entanto, pessoas do mesmo sexo têm-se casado muito mais que os heterossexuais. Entre 2014 e 2015, houve um aumento de 15,7% no número de casamentos homoafetivos, enquanto o de casais "tradicionais" cresceu 2,7%.

No Distrito Federal, até o dia 3 de maio, foram realizados 433 casamentos civis ou conversões de união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo, segundo balanço do Tribunal de Justiça do DF.

A corregedoria do órgão informou ao G1 que, na capital, nunca houve casos de cartórios que descumprissem a resolução do CNJ.

Antes podia?

Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) criou jurisprudência para casos semelhantes ao proferir decisão favorável a duas ações que pediam o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.

Uma delas pedia que os direitos e deveres fossem os mesmos dos casais heterossexuais, a outra alegava que o não reconhecimento contrariava preceitos fundamentais como igualdade, liberdade e o princípio da dignidade da pessoa humana – todos previstos na Constituição.
O SFT balizou o conceito jurídico de casal e de família. E, assim, quebrou o argumento dos cartórios”, disse Carvalho.
Mesmo assim, segundo o próprio Conselho Nacional de Justiça, ainda havia brechas para que pedidos de união estável continuassem a ser recusados. Afinal, o STF não tem competência para criar leis e a resolução do CNJ só seria publicada dois anos depois.

Nenhum direito a menos

Com a conquista do direito de se casar em 2013, os homossexuais passaram a usufruir de mecanismos legais que, desde 1916 (ano do primeiro Código Civil), eram exclusividade dos casais hétero. O principal deles, segundo o advogado Carvalho, é patrimonial.
Casamento é a formação de um núcleo familiar, mas essencialmente resguarda a questão patrimonial, porque elege um regime de bens.”
Os casais de pessoas do mesmo sexo passaram a ter todos os direitos e obrigações previstos em lei e firmadas no contrato, como a partilha de bens e herança de parte do patrimônio do cônjuge em caso de morte.

Para o rádio-operador de plataforma marítima Pablo Sanches, de 36 anos, a vontade de oficializar o casamento com o parceiro cresceu depois que se perguntou:

“Por que não?”

Até 2013, a resposta seria simples: "porque a legislação brasileira não permite". Hoje, além dos direitos, o contrato também concede aos casais homoafetivos o reconhecimento social da união.
“Surge um momento na vida que a gente almeja construir algo com o outro. Casar foi a oficialização dessa nossa união, mas também nos garantiu o direito de poder colocar o outro como dependente num plano de saúde, por exemplo.”
Para o advogado Carvalho, a questão previdenciária também é importante. 
No funcionalismo público, está prevista pensão para o cônjuge [em caso de morte]. Mas os casais [homoafetivos] não tinham acesso a esse direito mesmo com a união estável.”
O servidores públicos Hugo Pullen, de 29 anos, e Thiago Ribeiro, de 27, passaram a se valer desse direito quando se casaram em setembro do ano passado.
A gente vai ser protegido se acontecer qualquer problema, nenhum direito nosso vai ser tolhido.”
Para Pullen, o casamento civil contribui para a inclusão dos casais homoafetivos em um contexto que, até então, somente admitia casais entre homens e mulheres. 
São coisas pequenas no dia a dia, mas que têm um significado muito importante.”
Posso falar de boca cheia que o Thiago é meu marido. Antes, por mais que tivesse a união estável reconhecida, não podia.”
O casal Hugo Pullen e Thiago Ribeiro casaram-se no civil em setembro de 2016 em Brasília
(Foto: Rômulo Juracy/Divulgação)


União estável


A união estável firmada em cartório, no entanto, também assegura a maioria desses direitos, segundo o advogado. “A solenidade é a maior diferença.” Carvalho afirma que muitos casais – hétero e homossexuais – não optam pelo casamento pela burocracia do procedimento.
Se estiver em um relacionamento estável e quiser resguardar a questão patrimonial, basta fazer uma escritura pública no cartório na hora, eleger o tipo de divisão de bens e pronto. O casamento no civil pode levar até 90 dias.”
As sutis diferenças entre a união estável e o casamento firmados em cartório foram motivo de debates no STF na última quarta (10). Os ministros decidiram pela equiparação dos dois tipos de contrato quanto ao regime de herança, tanto para os casais homoafetivos quanto para heterossexuais.

Casar pra quê?

Para Pablo Sanches, o preconceito ainda é uma barreira à oficialização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. No dia em que ele e Fábio de Sá se casaram, o cartório registrou 13 casamentos, sendo dois homoafetivos – o deles e de duas mulheres.
Elas chegaram a pedir para serem as últimas, provavelmente porque não queria as pessoas julgando. Eu faria a mesma coisa se fosse o primeiro da lista na frente de um monte de gente que, pro bem ou pro mal, estava julgando eu estar casando com uma pessoa do mesmo sexo.”
A forma como olhavam pra gente, não sei se foi espanto ou repulsa. Mas você se sente desconfortável.”
“Quando a gente fala que vai casar, as pessoas devem ficar se perguntando ‘qual deles vai entrar de noiva?’.”

A aprovação – ou a falta dela – na família também pode afastar a ideia de casamento. 
Acho que tem o peso da obrigação de ter que contar para os pais. Preocupação com o que o que a sociedade vai pensar. É como se, enquanto estou entre quatro paredes com meu parceiro, tudo bem. Mas, quando firma no cartório, todo mundo fica sabendo”, disse Sanches.
A gente fica à mercê das expectativas que criam em cima de você. Quando diz que é homossexual, isso estraga todo o planejamento que tinham na cabeça.”
Para Hugo Pullen, o ambiente de trabalho também pode ser um bloqueio. 

Você vai estar lá, com a aliança no dedo e os registros vão acusar que é casado. Já aconteceu de me perguntarem o nome da minha esposa e eu dizer que era marido. Não me incomoda. Mas para algumas pessoas, sim.”
Chuva de arroz

Leia abaixo a entrevisa do G1 com os três casais citados na reportagem sobre a experiência de oficializar o casamento no civil: os benefícios, as dificuldades e os esteriótipos construídos em torno da instituição que, por séculos, foi exclusividade dos heterossexuais.

O rádio-operador de plataforma marítima, Pablo Sanches, passa duas semanas em alto mar a cada 14 dias de folga. Distante da costa, com sinal telefônico fraco e rede de internet “comparável à discada”, a comunicação com o parceiro é um desafio desde que se conheceram.
“Hoje o Fábio está mais acostumado, mas eu tenho que compensar quando tiro férias, que fico 40 dias em casa.”
Ele e Fábio Mendonça de Sá, de 40 anos, se casaram há duas semanas e fizeram a cerimônia em um bistrô para cerca de 90 pessoas. O relacionamento, porém, começou em 2010 – três anos antes da resolução do Conselho Nacional de Justiça.

Bem humorado, Pablo diz que brincava com os amigos que entraria no casamento "vestido de Donna Karan com a música “Isn’t she lovely” [de Stevie Wonder].” Segundo ele, o preconceito e a falta de conhecimento da realidade LGBT perpetuam esteriótipos sobre o relacionamento homoafetivo.
As pessoas acham que [o casamento gay] vai ser igual a um episódio de RuPaul’s Drag Race."
Os dois vivem sob o mesmo teto desde 2012 e dividem o apartamento no Rio de Janeiro com outro casal homoafetivo, a cunhada de Sanches e a companheira dela. Até este ano, o estado registrou cerca de 2 mil casamentos entre pessoas do mesmo sexo, segundo dados do CNJ.

Pioneiras

Primeiro casal gay de uma cidade no interior de Minas Gerais a se casar no civil, Tatiani Oliveira, de 35 anos, e Lumara Rodrigues, de 25, fizeram questão de tirar fotos na praça logo depois de assinar os papéis. 
Se não fosse pra causar eu nem casava”, brincou Tatiani.
As duas se conheceram em um grupo de lésbicas na internet e começaram um relacionamento à distância no final de 2011. Quase um ano depois, elas romperam. 
Nós ficamos dez meses separadas, mas nunca paramos de nos falar. A gente sabia que uma amava a outra.”
Durante um encontro do grupo em São Paulo em 2013, Lumara ligou para Tatiani e a pediu em casamento. A data foi uma sexta-feira 13, “que é o dia do azar, mas pra mim foi o mais feliz de todos”, disse Tatiani.

Desde então, as duas moram juntas em Miraí – que tem cerca de 15 mil habitantes –, onde "quase todo mundo se conhece". Por conta disso, a maior preocupação do casal era com a filhas, que poderiam sofrer algum tipo de bullying na escola. Tatiane tem uma menina de 15 anos e Lumara, uma de sete.
Pras meninas isso nunca foi um problema. É normal ter duas mães, porque sempre foram criadas assim."
Segundo Tatiani, o preconceito veio de uma pastora que publicou nas redes sociais uma foto dela e da companheira com a legenda "Que Deus proteja nossas crianças". O casal entrou com uma ação na Justiça contra a mulher por injúria – "já que ainda não existe crime de homofobia" – e recebeu a indenização por danos morais.
Indendepente da cor e orietação sexual, o respeito te permite ser quem você quiser", disse Tatiani.
Sim, sim e sim

Hugo Pullen e Thiago Ribeiro se casaram em setembro de 2016, após dois anos de relacionamento. O pedido foi surpresa, quando casal dividia os lençóis há um ano.
Meu plano era casar um pouco depois, mas o Thiago me pediu em casamento no ano passado e eu não podia e nem queria dizer não", disse Pullen.
A oficialização da união foi registradada em Brasília e eles fizeram uma cerimônia simples para comemorar, “nada com muita pompa”. O casamento foi conduzido por uma monja do grupo zen que Ribeiro frequenta.

Para Pullen, o casamento representa um passo "muito grande" tanto para os casais homoafetivos individualmente, como para o avanço dos direitos LGBTs. "Talvez por ser recente, as pessoas ainda estejam recebendo a ideia e a inserindo nos planos e sonhos pessoais. Na medida em que se quebram os tabus, as pessoas vão percebendo que isso é algo que vem para melhorar."
Não é como se a gente estivesse interferindo no direito de alguém. Dizer que não posso [me casar], sim, é interferir no meu direito.”
Fonte: G1, por Luiza Garonce, DF, 14/05/2017 

 
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