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Aumenta para 32 o número de estados americanos que reconhecem casamento LGBT

sexta-feira, 31 de outubro de 2014 0 comentários


EUA reconhecerão casamento gay em 32 estados após decisão do Supremo

Agora, a lista de estados nos quais o casamento homossexual está reconhecido em nível federal se eleva a 32, e a eles se soma o Distrito de Columbia, o território onde está a capital americana

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta semana que reconhecerá os casais do mesmo sexo casados em mais seis estados como consequência de uma recente decisão do Supremo Tribunal, o que eleva a 32 os territórios onde os casamentos homossexuais estão reconhecidos pelas autoridades federais.

O procurador-geral dos EUA, Eric Holder, afirmou em comunicado que, por conta da rejeição do Supremo a pronunciar-se sobre a legalidade do casamento homossexual, o governo federal reconhecerá as uniões gays em seis estados: Alasca, Arizona, Idaho, Carolina do Norte, Virgínia Ocidental e Wyoming.

Na semana passada, Holder anunciou que o governo reconheceria os casamentos homossexuais em outros sete estados: Colorado, Indiana, Nevada, Oklahoma, Utah, Virgínia e Wisconsin.

Com esses dois anúncios de Holder, a lista de estados nos quais o casamento homossexual está reconhecido em nível federal se eleva a 32, e a eles se soma o Distrito de Columbia, o território onde está a capital americana.

"Com cada novo estado no qual se reconhecem legalmente os casamentos homossexuais, nosso país se aproxima mais de conseguir a igualdade completa para todos os americanos", declarou Holder.

"Estamos atuando o mais rápido possível com agências de todo o governo para assegurar-nos que os casais do mesmo sexo nestes estados recebam a categoria mais completa possível de benefícios permitidos sob a lei federal", acrescentou o titular de Justiça.

O reconhecimento do governo federal significa que os casais nesses estados poderão receber os mesmos benefícios aplicados aos casamentos heterossexuais, como os derivados da Seguridade Social ou os que se outorgam aos parentes de veteranos de guerra.

Holder também anunciou hoje que o Departamento de Justiça reconhecerá os casamentos homossexuais contraídos em Indiana e Wisconsin no último mês de junho, ou seja, imediatamente depois que tribunais federais determinaram que as proibições às uniões gays nesses estados eram inconstitucionais.

Apesar dessas decisões judiciais, "eventos posteriores criaram confusão sobre o status desses casamentos", que agora serão reconhecidos pelo governo federal, explicou o Departamento de Justiça no comunicado.

No último dia 6 de outubro, a Suprema Corte evitou pronunciar-se sobre a legalização do casamento homossexual em nível nacional e as apelações de cinco estados que buscavam proibir as uniões entre pessoas do mesmo sexo.

A decisão por omissão fez com que nesses cinco estados (Virgínia, Oklahoma, Utah, Wisconsin e Indiana) se pudessem oficiar casamentos de maneira imediata.

Fonte: UOL, Lifestyle, 30/102014

CEO da Apple assume que é gay com muito orgulho

quinta-feira, 30 de outubro de 2014 0 comentários

Tim Cook, o novo executivo-chefe da Apple apresentando
o iPhone em 2011 - Chris Hondros/Getty Images/VEJA

Tim Cook, CEO da Apple, sai da nuvem: 'Sou gay'

A onda de coragem que tem tirado dezenas de celebridades do armário, nos últimos dois anos, chegou à nuvem. Mais especificamente, à Apple, a gigante da tecnologia, criadora de alguns dos objetos mais desejados em todo o mundo, como iPads e iPhones. Em carta aberta publicada na manhã desta quinta-feira no site da revista americana Bloomberg Businessweek, Tim Cook, o executivo que assumiu o comando da empresa após Steve Jobs, anunciou: "Tenho orgulho de ser gay". O anúncio é um marco: Cook é, até aqui, o CEO mais importante a tornar pública a sua orientação homossexual.

No texto assinado para a Bloomberg Businessweek, o executivo disse ter decidido se abrir para ajudar a obter igualdade de direitos entre as pessoas, independentemente da orientação sexual. "Ao passo que nunca neguei minha sexualidade, também nunca a escancarei em público, até agora. Então, vou ser claro: eu tenho orgulho de ser gay e considero que ser gay é um dos grandes dons que Deus me deu", escreveu ele no artigo.

Cook inicia o texto justificando a decisão de falar sobre a sua vida pessoal. "Ao longo da minha vida profissional, tentei manter um nível básico de discrição. Tenho uma origem humilde, e não procuro atrair atenção para mim mesmo. A Apple já é uma das companhias mais visadas no mundo, e eu gosto de manter o foco em desenvolver nossos produtos e as coisas incríveis que nossos clientes podem ter", diz. "Ao mesmo tempo, eu acredito profundamente nas palavras do Dr. Martin Luther King, que disse: 'A pergunta mais persistente e urgente da vida é: 'O que você está fazendo para os outros?"'. Muitas vezes eu me coloco essa pergunta, e foi tentando respondê-la que eu percebi que o meu desejo de manter minha privacidade pessoal tem me impedido de fazer algo importante", continuou, para então fazer o anúncio que, acredita, pode contribuir para a equalização de direitos.

"Por anos, fui aberto sobre a minha orientação sexual com algumas pessoas. Muitos colegas na Apple sabem que eu sou gay e isso não parece fazer diferença na maneira como me tratam. Claro que eu tenho a sorte de trabalhar em uma companhia que ama a criatividade e a inovação e sabe que elas só podem florecer quando você abraça as diferenças. Nem todo mundo é tão sortudo", prossegue Cook. É aí que ele diz que, embora nunca tenha negado a sua sexualidade, nunca a propagandeou, e que tem orgulho de ser como é.

Leia na íntegra a carta aberta de Tim Cook:

"Ao longo da minha vida profissional, tentei manter um nível básico de discrição. Tenho uma origem humilde, e não procuro atrair atenção para mim mesmo. A Apple já é uma das companhias mais visadas no mundo, e eu gosto de manter o foco em desenvolver nossos produtos e as coisas incríveis que nossos clientes podem ter.

Ao mesmo tempo, eu acredito profundamente nas palavras do Dr. Martin Luther King, que disse: 'A pergunta mais persistente e urgente da vida é: 'O que você está fazendo para os outros?'. Muitas vezes eu me coloco essa pergunta, e foi tentando respondê-la que eu percebi que o meu desejo de manter minha privacidade pessoal tem me impedido de fazer algo importante. É isso o que me traz aqui hoje.

Por anos, fui aberto sobre a minha orientação sexual com algumas pessoas. Muitos colegas na Apple sabem que eu sou gay e isso não parece fazer diferença na maneira como me tratam. Claro que eu tenho a sorte de trabalhar em uma companhia que ama a criatividade e a inovação e sabe que elas só podem florecer quando você abraça as diferenças. Nem todo mundo é tão sortudo. 

Ao passo que nunca neguei minha sexualidade, também nunca a escancarei em público, até agora. Então, vou ser claro: eu tenho orgulho de ser gay e considero que ser gay é um dos grandes dons que Deus me deu.

Ser gay me deu uma compreensão profunda do que significa pertencer a uma minoria e me abriu uma janela para os desafios que os membros de grupos minoritários enfrentam no dia a dia. Fez de mim uma pessoa com maior empatia, o que me conduziu a uma vida mais plena. É difícil e desconfortável algumas vezes, mas isso me dá a confiança necessária para ser eu mesmo, para seguir o meu próprio caminho, e para superar as adversidades e a intolerância que encontro. Isso também me dá a pele (dura) de um rinoceronte, que vem a calhar quando você é o CEO da Apple.

O mundo mudou muito desde que eu era criança. Os Estados Unidos estão se abrindo para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e as figuras públicas que bravamente assumiram a sua sexualidade vêm ajudando a mudar a percepção das pessoas e tornar a nossa cultura mais tolerante. Ainda assim, existem leis nos livros, na maioria dos Estados, que permitem aos empregadores demitir pessoas com base unicamente em sua orientação sexual. Há muitos lugares onde os proprietários de imóveis podem despejar um inquilino por ele ser gay, ou onde podemos ser impedidos de visitar parceiros doentes e compartilhar de seu legado. Inúmeras pessoas, especialmente crianças, enfrentam o rosto e o abuso de todos os dias por sua orientação sexual.

Eu não me considero um ativista, apenas entendo o quanto tenho sido beneficiado pelo sacrifício de outros. E acho que, se ouvir o CEO da Apple dizer é gay pode ajudar alguém a lidar com a sua luta interna para assumir quem realmente é, ou trazer conforto a quem se sente solitário ou inspirar quem luta por igualdade de direitos, então terá valido a pena abrir mão da minha privacidade. 

Admito que não foi uma decisão fácil. A privacidade permance um bem importante para mim, e eu gostaria de assegurar uma boa quantidade dela. Eu fiz da Apple o trabalho da minha vida e vou continuar a investir virtualmente todo o tempo que posso em ser o melhor CEO que possa ser. É isso o que nossos funcionários merecem -- e nossos clientes, desenvolvedores e fornecedores, também. Parte do progresso social é entender que uma pessoa não é definida apenas por sua sexualidade, raça ou gênero. Eu sou um engenheiro, um tio, um amante da natureza, um filho do Sul, um fanático por esportes, e muitas outras coisas. Espero que as pessoas respeitem meu desejo e deem atenção ao trabalho que desenvolvo com alegria.

A empresa que eu tenho tanta sorte de dirigir tem advogado por direitos humanos e por igualdade para todos. Nós tomamos uma posição firme de apoio a um projeto de lei de igualdade no local de trabalho antes mesmo do Congresso, assim como nos posicionamos a favor da união homoafetiva em nosso Estado natal, a Califórnia. E nos pronunciamos sobre o Arizona quando o Legislativo daquele Estado aprovou uma lei discriminatória contra a comunidade gay. Nós vamos continuar a lutar por nossos valores, e acredito que qualquer CEO desta empresa incrível, independentemente de raça, sexo ou orientação sexual, faria o mesmo. Eu, pessoalmente, vou continuar a defender a igualdade para todas as pessoas até o fim da vida. 

Quando chego ao meu escritório, todas as manhãs, sou saudado por fotos do Dr. King e de Robert F. Kennedy. Não tenho a pretensão de que este texto vá me colocar ao lado deles. Tudo o que este texto faz é me permitir olhar para esses dois e saber que eu estou fazendo a minha parte, mesmo que pequena, para ajudar os outros. Nós vamos pavimentar o caminho da Justiça juntos, tijolo por tijolo. Este é o meu tijolo.

Fonte: Veja, 30/10/2014

Faking it: duas adolescentes fingem ser namoradas para ter mais prestígio na escola

quarta-feira, 29 de outubro de 2014 0 comentários

Lésbicas viram modelo de comportamento em nova safra de séries americanas
Recém-lançada n o Brasil, seriado 'Faking It' é mais uma prova de que os personagens gays vieram para ficar e inspirar.

A estreia e o sucesso da série “Faking it” – exibida no Brasil pela MTV às segundas-feiras – são sintomas expressos de que vivemos novos tempos. Não somente na televisão, em que personagens gays não só ocupam cada vez mais espaço como conquistam público e crítica, mas também em nossa sociedade.

Na trama da série, cuja primeira temporada tem oito episódios e o segundo ano já está confirmado, duas melhores amigas na busca por se tornarem populares encenam um romance lésbico. Karma (Katie Stevens) e Amy (Rita Volk) percebem que o lesbianismo lhes confere novo status no universo escolar e fazem de tudo para manter vivo um relacionamento de mentira. Acontece que enquanto Karma se apaixona por um menino e tenta convencê-lo a manter essa paixão em segredo pelo bem de sua vida social, Amy passa a se questionar sobre sua sexualidade e seus reais sentimentos pela “namorada”. Seu fingimento, portanto, passa a ser mais complexo.

É um avanço que uma série jovem, tanto que é coproduzida e exibida pelas divisões da MTV mundo afora, coloque a homossexualidade como algo a aferir status e prestígio no convívio escolar. Em oposição à costumeira retratação do frequente bullying que gays assumidos sofrem neste e em tantos outros ambientes, “Faking it” inova ao propor outro olhar para o tema. Mais natural, menos fechado e muito mais interessado na progressão da sociedade do que em sua afirmação.

Essa notória evolução, no entanto, não se deu da noite para o dia. A televisão americana a ensaiou por anos a fio. Séries como “Queer as folk”, “The L world” e mais recentemente “Orange is the new black”, que nem mesmo está na TV, e sim na internet, adensaram o olhar da dramaturgia sobre personagens gays, as lésbicas em particular, fugindo do lugar comum e aceitando a tridimensionalidade que este universo exige.

Séries de diferentes épocas, com níveis distintos de audiência e temas ainda mais diversos assumiram o hábito de inserir personagens lésbicas em seus enredos. Tanto como resposta à dominância de personagens gays masculinos, como também à necessidade de se fazer uma representação mais fiel da segmentação sexual nos contextos socioculturais que reproduzem.

Se encaixam neste filão produções como “Being human”, uma ficção científica voltada para o público jovem; “Pretty little liars”, que assim como“Faking it” retrata o universo de adolescentes; “Boardwalk Empire”, sobre o nascimento do crime organizado nos EUA sob a lei seca; “The good wife”, trama jurídica exibida em canal aberto nos EUA; “Glee”, reconhecido show musical com diversos personagens gays e voltado para o público jovem;“Grey´s anatomy”, série sobre um hospital de Seattle; “House of Cards”, trama sobre os bastidores e as intrigas do poder nos EUA; e “The Forsters”, série sobre um casal de lésbicas às voltas com seus filhos.

Personagens lésbicas marcantes ainda estiveram em séries famosas como “Sex and the city” e “House” e contribuíram para que a realidade que“Faking it” traz para a televisão hoje fosse possível.

Fonte: Repórter Cidade, 28/10/2014

Dupla de matar: Suzane Richthofen se casa na cadeia com a sequestradora Sandra Regina Gomes, condenada a 27 anos de prisão

terça-feira, 28 de outubro de 2014 2 comentários

Suzane casou com ex de Elize Matsunaga (à direita)

Suzane Richthofen se casa dentro da cadeia. Com uma sequestradora

Casal vive em cela especial desde setembro. Antes, parceira de Suzane mantinha relacionamento com Elize Matsunaga

Suzane Von Richtofen se casou. A nova parceira da detenta, que está há 12 anos encarcerada na penitenciária de Tremembé, no interior paulista, é Sandra Regina Gomes, condenada a 27 anos de prisão pelo sequestro de uma empresária em São Paulo. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo nesta terça-feira.

Segundo a revista Marie Claire, está é de fato
Sandra Regina Gomes (Sandrão)

A história de amor entre Suzane e Sandra tem nuances dignos de trama de novela. Antes do enlace entre as duas, Sandra vivia maritalmente com Elize Matsunaga, presa pela morte e esquartejamento do marido Marcos Kitano Matsunaga, em junho de 2012.

O casal se conheceu na fábrica de roupas que funciona dentro do presídio e onde Suzane ocupa um cargo de chefia. Ao perceber o interesse de Suzane por Sandra, o relacionamento com Elize acabou. O triângulo amoroso acabou por romper a amizade entre as presas.

Desde setembro deste ano Suzane e Sandra passaram a dormir em uma cela especial destina a presas casadas. Lá, dividem o espaço com mais oito casais. Antes Suzane ocupava uma ala especial, destinada a presas evangélicas, desde 2002, quando foi presa pelo assassinato dos pais Manfred e Marísia von Richthofen, mortos a pauladas a mando de Suzane.

Para poder dormir com seu novo amor, a ex-estudante teve de assinar um documento de reconhecimento de relacionamento afetivo, exigido para todas as presas que resolvem viver juntas.

Arquivo VEJA: Verdades e mentiras de Suzane von Richtofen

Em Tremembé, esse papel funciona com uma certidão de casamento. Permite o convívio marital, mas também impõe regras de convivência aos casais.
Após assinatura desse compromisso, por exemplo, caso se separe, a presa não poderá voltar à cela especial – única destinada a casais –em um prazo de seis meses.

Por já ter vivido com Elize no espaço, Sandra teve que passar por uma quarentena antes de poder assumir o relacionamento com Suzane. Ela é apontada também como o principal motivo para que Suzane abrisse mão do regime semiaberto. Em agosto passado, a juíza Sueli de Oliveira Armani concedeu a chamada "progressão de regime", mas a moça abriu mão do benefício.

Os advogados tentavam essa decisão desde final de 2008 e começo de 2009. Surpreendentemente, Suzane pediu à magistrada para adiar sua ida para o regime semiaberto epermanecer na cadeia em tempo integral.

Se aceitasse o benefício, seria transferida para outra unidade, já que a unidade feminina de Tremembé onde elas estão só tem autorização para receber presas em regime fechado.

Recentemente, Suzane abriu mão de lutar pela herança dos pais e tenta se reaproximar do irmão, Andreas.

Por outras penitenciárias onde passou Suzane também despertou paixões. Em Rio Claro, por exemplo, duas funcionárias do presídio se apaixonaram por ela. Com isso, recebeu algumas regalias ilegais, como acesso à internet. A história só foi descoberta porque as funcionárias brigaram pelo amor de Suzane.

Em Ribeirão Preto, para onde foi transferida, um promotor teria se apaixonado por Suzane e prometido lutar para tirá-la da "vida do crime". Ela não gostou da proposta e denunciou as investidas.

O promotor foi punido pelo Ministério Público por comportamento inadequado – ele nega o suposto assédio.

Pessoas que conversaram com Suzane recentemente afirmam que ela pretendia fazer uma cerimônia para celebrar o enlace no começo de novembro. Tinha escolhido até padrinhos. O plano, no entanto, foi adiado depois que ela soube que uma TV preparava uma reportagem sobre ela. Com medo de expor a relação, adiou o evento.

Quando foi presa, Suzane namorava Daniel Cravinhos de Paula e Silva. Teria sido em nome desse amor que eles arquitetaram a morte dos pais. O pai da menina não aceitaria o namoro porque Daniel não estudava nem trabalhava. Para concretizar o plano, contaram com a ajuda do irmão de Daniel, Cristian.

Todos foram condenados. Os irmãos cumprem pena no regime semiaberto. O Ministério Público acredita que ela foi a mentora do crime.

Fonte: Veja, 28/10/2014

Ex-funcionária receberá indenização de R$ 20 mil por homofobia sofrida em empresa de Cubatão

quinta-feira, 23 de outubro de 2014 0 comentários

Ex-funcionária receberá 
indenização de R$ 20 mil

Justiça condena hospital e terceirizada em Cubatão por homofobia


A Justiça do Trabalho determinou que o Hospital Ana Costa e a empresa In Service (razão social Peres e Donato), prestadora de serviços de limpeza para a unidade de Cubatão, indenizem Ana Paula Silva, por danos morais, em R$ 20 mil. Ela é ex-funcionária da terceirizada e alegou ter sofrido preconceito por ser homossexual. Cabe recurso.

A decisão foi proferida pelo juiz do Trabalho substituto da 5ª Vara do Trabalho de Cubatão, Xerxes Gusmão. Ana também poderá ter direito à adicional de insalubridade no valor de 40% do salário mínimo ou multa normativa no valor de 20% do salário mínimo.

O episódio citado no processo aconteceu no ano passado. Ana Paula, que tem 40 anos e mora em Santos, procurou o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio e Conservação de Cubatão, Praia Grande, São Vicente, Santos, Guarujá e Bertioga (Sindilimpeza), alegando que não suportava mais as humilhações que sofria de sua chefe.
Comecei a namorar uma funcionária da empresa terceirizada. Ela (a chefe) me trancou na sala e colocou o dedo no meu rosto dizendo que era cínica, pois tinha que ter falado que havia começado a namorar a minha funcionária (Ana Paula tinha um cargo superior ao da pessoa com que se relacionou). Aí não aguentei e procurei o sindicato. Eu chorava demais”, disse a A Tribuna.
A vítima relata que um dos episódios que mais a marcaram negativamente aconteceu quando ela se reuniu com outras funcionárias, e sua acompanhante lhe telefonou. Naquele momento, teria escutado uma série de impropérios.
“Foi o único caso de homofobia que aconteceu na minha vida. Sou bem sincera no que faço e falo o que sou”.
No processo, Ana Paula foi representada pelo Departamento Jurídico do Sindilimpeza. Apesar da possibilidade de recurso da parte perdedora, a presidente da entidade, Paloma Santos, não acredita que a decisão seja revertida.

Posicionamento

Em nota, o Hospital Ana Costa explica que o caso refere-se a uma funcionária de empresa terceirizada, que não é, portanto, colaboradora da instituição. O hospital informa não ter sido intimado da decisão judicial e repudia práticas homofóbicas.

Um dos sócios da empresa In Service, Paulo Peres, afirma que a chefe acusada de homofobia por Ana Paula Silva já foi “desligada” da instituição. Ressalta que a empresa também repudia qualquer tipo de preconceito e promove ações de conscientização contra atos do tipo. Contudo, destaca que In Service não foi notificada e analisa que medidas tomará.

Fonte: A Tribuna On-line, 14/10/2014

Lesbianidade nos tempos da Inquisição

quarta-feira, 22 de outubro de 2014 0 comentários


O amor entre mulheres nos tempos da Inquisição


A Inquisição perseguia aqueles que praticavam a sodomia, também conhecida como “abominável pecado nefando”. Nos tempos medievais, a expressão significava “excessos” na vida sexual, ou seja, tudo que fugisse ao que a Igreja considerava natural. A partir do século XIII, sodomia passou a ser entendida como “coito anal” entre homens ou entre homens e mulheres, mas ainda podia ser interpretado como relações entre pessoas do mesmo sexo. No século XVII, o Santo Ofício decidiu que o alvo de suas investigações seriam os homens, ou seja, os pecadores que deveriam ser mais duramente punidos eram os homens homossexuais. E as mulheres que amavam mulheres? Como a Inquisição agia em relação a elas?

Houve uma certa tolerância com os amores homoeróticos femininos na Europa. Não havia muitos relatos desta prática, e a maioria ocorria na vida da corte ou nos conventos. No Brasil, durante a primeira Visitação do Santo Ofício ao Nordeste (1591-1595), 29 mulheres foram arroladas por Heitor Furtado Mendonça como sodomitas. Segundo Ronaldo Vainfas, (“Homoerotismo Feminino e o Santo Ofício”, em História das Mulheres no Brasil), tais comportamentos eram difíceis de se distinguir das práticas do cotidiano feminino da Colônia. “Por outro lado, muitos namoricos não passavam de experiências de moçoilas recém-saídas da puberdade. A maioria das relações confessadas envolvia meninas de 9 e 10 anos, ou moças donzelas de 18 a 20 anos”, diz.

Várias mulheres adultas, casadas ou viúvas, também confessaram intimidades com amigas de infância. A viúva Madalena Pimentel, 46 anos, admitiu que quando moça tivera “contatos carnais” com meninas de sua idade. Guiomar Pisçara, 38 anos, casada, contou que, aos 13 anos, deleitava-se com uma escrava da família, uma “negra ladina Guiné”, chamada Méscia.

Vainfas também relata que havia mulheres casadas que preferiam o amor de outras mulheres. A mameluca Maria de Lucena, 25 anos, é um exemplo interessante. Solteira, mas cortejada por homens, Maria dormia “carnalmente” com escravas da casa, negras e índias, e foi flagrada diversas vezes cometendo o “delito”. Surpreendida em uma ocasião, gritou que fazia aquilo por gosto e não “por falta de homens”.

Um caso rumoroso, conta o autor, foi de Francisca Luiz e Isabel Antônia. Esta teria vindo de Portugal degredada por pecar com outras mulheres e tinha o apelido de “a do veludo” porque “todos sabiam que usava um instrumento aveludado em suas relações sexuais”. O romance foi complicado. “Tornou-se escândalo público, sobretudo, depois que Isabel resolveu sair com um homem”. A amante não se conteve e a esperou Isabel na porta de sua casa, depois de um destes encontros. Houve gritos, xingamentos e até agressão física, além de muito alvoroço por parte dos vizinhos.

Felipa de Souza, da Bahia, foi uma das mais famosas “sodomitas” da época. Confessou ter tido seis parceiras nos oito anos que antecederam à Visitação do Santo Ofício. Ela foi condenada ao degredo, após ser açoitada pelas ruas. “Dos raríssimos processos de sodomia feminina julgados pela Inquisição Portuguesa, a maioria é proveniente da visitação de Heitor Furtado. Nas décadas seguintes, nenhuma mulher seria processada por sodomia no Reino ou na Colônia. E, lá pela metade do século XVII, a Inquisição praticamente abriria mão da jurisdição sobre este crime, considerando que as mulheres eram incapazes de praticá-lo por razões anatômicas”, diz Vainfas.

Podemos notar que as mulheres eram mais discretas em suas relações homoeróticas e, salvo algumas exceções, raramente eram flagradas durante os atos “pecaminosos”. Outra questão, é o relativo desinteresse da Igreja por este tipo de comportamento, que era, muitas vezes, ignorado pelos inquisidores. A sexualidade feminina era um mistério naqueles tempos, e, muitas vezes, causava medo e curiosidade nos homens.

- Márcia Pinna Raspanti.

Fonte: História Hoje, 20/10/2014

 
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