19 de Agosto: Primeira Manifestação lesbiana contra a discriminação no Brasil

sábado, 19 de agosto de 2017 4 comentários

 Roseli: "Nós sustentamos este bar e temos direito de vender nosso jornal"

O dia 19 de agosto de 1983 marca a data da primeira manifestação brasileira protagonizada por lésbicas com apoio de gays e feministas. 

Para lembrar a data e a história da organização lésbica no Brasil, iniciamos com um artigo da época, escrito pelo jornalista Carlos Brickmann, e publicada na Folha de São Paulo em 21 de agosto de 1983. Ele descreve o evento e um pouco da história do Ferro's Bar que, por décadas foi o point de encontro das lésbicas não só paulistanas como de todo o Brasil. 

Ao fim da postagem, o vídeo que também resume a história da famosa invasão e o livreto sobre o dia 19 de agosto, com documentos de época, fotos e mais informações sobre a data. Para quem gosta de ver para crer, é só abrir os olhos.

A noite em que as lésbicas invadiram seu próprio bar

CARLOS BRICKMANN

São 22hl5, sexta-feira. Faz frio na rua Martinho Prado. Na calçada, um grupo de moças aguarda pacientemente o momento de entrar em ação. Rosely, a líder, anuncia que chegou a advogada. Está tudo pronto: a um sinal, as lésbicas invadem o Ferro's Bar.

Houve alguma resistência, logo vencida. O porteiro, assim que começou a invasão, fechou as portas e segurou-as com o corpo. Dentro do bar, tumulto total: gritos de "entra, entra", tentativas inúteis de parlamentar com o porteiro, um discurso da vereadora Irede Cardoso que, doente, saiu de casa só para apoiar a manifestação. Alguém força a passagem, o porteiro empurra violentamente dois rapazes, enfia a mão no rosto da militante Vanda. De repente, cessa a resistência: alguém tirou o boné do porteiro e o atirou no meio das mesas. Enquanto, desesperado, o porteiro sai atrás do boné, completa-se a invasão.

Estranho, muito estranho: se o Ferro' s Bar é há mais de vinte anos o ponto de encontro preferido das lésbicas da cidade, por que elas precisaram invadi-lo?

O grande desquite

O Ferro's Bar é um dos melhores exemplos de má decoração que existem em São Paulo. Chão amarelo não muito limpo, de cacos de cerâmica; paredes com azulejos azuis até à metade e terríveis pinturas multicoloridas na parte superior; enfeites de gesso creme que certamente conheceram melhores tempos; e colunas revestidas em baixo de fórmica branca, no meio de fórmica azul, no alto de pastilhas espelhadas. Isso é compensado pela comida, boa — embora um pouco oleosa — e relativamente barata. Em outras épocas, foi reduto de jornalistas, escritores e prostitutas; depois, de homossexuais masculinos; finalmente de lésbicas.

Uma relação tumultuada, sempre. No início da década de 70, julgando-se maltratadas, as lésbicas se mudaram para um bar na Galeria Metrópole. Os donos do Ferro's lhes pediram que voltassem, prometendo melhor tratamento; foram atendidos. Alguns anos depois, num incidente meio nebuloso, uma jovem levou uma garrafada; há poucos dias, um rapaz dirigiu algumas grosserias a uma moça, que reagiu, apanhou e teve de tomar seis pontos no rosto (e, segundo as frequentadoras, os garçons do bar impediram que alguém interrompesse a surra).

A gota d’água viria no dia 23 de julho. As militantes do Grupo Ação Lésbica Feminista entraram no bar para vender seu jornal, que tem o sugestivo título de "Chana com Chana" — o leitor tem liberdade para imaginar o que quer dizer. No momento em que faziam o discurso de apresentação do jornal, foram postas para fora do bar. "O dono proibiu nossa entrada', informa Rosely. "Não proibi nada, nem a venda do jornal", rebate Aníbal, um dos sócios do Ferro's. "Só não quero tumulto. Ou então daqui a pouco vem gente querendo vender colchão aqui dentro. Não dá, não é?"

Não era bem verdade; tanto a entrada das moças estava proibida que na noite da invasão o porteiro fechou-lhes a porta na cara. O fato, porém, é que colocá-las fora do bar por pouco não custou o rompimento definitivo do velho casamento entre as lésbicas e o Ferro's.

Final feliz

Roseli é uma morena bonita, alta, de 23 anos e grande capacidade de mobilização. Embora o movimento rejeite lideranças, ela encabeçou o protesto: "Nós sustentamos esse bar e temos o direito de vender nosso boletim", afirmou. "Se eles não recuarem, vamos boicotar o Ferros!".

Foi tudo muito bem organizado: houve convites a Irede Cardoso, ao deputado Eduardo Matarazzo Suplicy (que lamentou não poder ir, pois estava de viagem marcada), à advogada Zulayê Cobra Ribeiro, da OAB, garantindo a cobertura de quem participasse do protesto; e contatos com grupos de homossexuais masculinos, entidades feministas, ativistas de direitos civis, todo esse pessoal que dá a vida para comparecer a um protesto e contribui para engrossar a manifestação.

Juntar todo o grupo à porta do Ferro's levou mais de uma hora. Dentro, o clima era de tensão: nas mesas, lésbicas discutiam a validade ou não do protesto, o risco de se envolverem em confusões que as prejudicariam no emprego ou revelariam a verdade às famílias; no balcão, o proprietário dizia esperar com ansiedade o momento da invasão. "É propaganda, é bom, o nome do meu bar vai sair na "Folha". 

E mais tarde as moças vão cair em si e ver que estavam erradas". Mas o porteiro se mantinha alerta, pronto para fechar as portas no momento propício — manobra que só falhou porque lhe tiraram o boné. 

Depois da invasão, o "happening": Rosely discursando em cima da me­sa, grupos de lésbicas menos assumi­das saindo de rosto coberto, medrosas de eventuais fotografias, a vereadora Irede Cardoso funcionando como me­diadora. Um pouco atrás, o porteiro, já de boné, tentava sem êxito puxar briga com uma lésbica que o chamara de palhaço (não sabe do que escapou: a moça é boa de briga e trabalha na polícia). Gritaria geral, enquanto Ire­de parlamenta com o proprietário e Rosely. Irede pede silêncio, fala alto, acaba sendo atendida: "O dono do bar está dizendo que foi tudo um mal en­tendido, que ele ama as lésbicas, quer que venham aqui e vendam seu bole­tim em paz. Quer que conversem com o outro sócio, também, para acabar com todos os mal-entendidos. Ele re­conhece que vive de vocês. E viva a democracia!"

Rosely ainda quer discutir, exige que o dono repita sua rendição em voz alta, Irede a acalma, ela discursa: "Ele só voltou atrás por causa de nos­sa força, de nossa união. A democra­cia neste bar só depende de nós!" 

O clima já está relaxado, os garçons voltam a circular de mesa em mesa com cerveja bem gelada. E Aníbal, o proprietário, completa: "Podem ven­der o jornal. Mas para mim é de graça, tá?"


Fonte: Folha de São Paulo, 21 de agosto de 1983

Heroes, David Bowie
Intérprete - Wallflowers

I, I wish you could swim
Like the dolphins, like dolphins can swim
Though nothing, nothing will keep us together
We can beat them
Forever and ever
We can be heroes
Just for one day

Eu, eu gostaria que você pudesse nadar
Como os golfinhos, como os golfinhos conseguem nadar
Embora nada, nada venha a nos manter junt@s

Nós podemos derrotá-los
continuamente
Nós podemos ser heróis,
 mesmo só por um dia

Oh I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing, nothing will drive them away
We can be heroes
Just for one day
We can be, yes!
It's just for one day

Eu, eu serei rei
E você, você será rainha
Embora nada, nada possa afastá-los

Nós podemos ser heróis, só por um dia
Nós podemos derrotá-los
Sim, nós podemos ser heróis
mesmo só por um dia

I, I remember
Standing by the wall
The guns, they shot above our heads
And we kissed, as though nothing could fall
And the shame was on the other side
Oh, we can beat them, forever and ever
Then we could be heroes
Just for one day

Eu, eu me lembro
Em pé próximo ao muro
As armas, eles atiraram por sobre nossas cabeças

E nós nos beijamos como se nada pudesse nos atingir

E a vergonha não era nossa.

Nós podemos derrotá-los continuamente
Então podemos ser heróis
Mesmo só por um dia

We can be heroes
We can be heroes
We can be heroes
We can be heroes,
 just for one day

Nós podemos ser heróis
Nós podemos ser heróis nós podemos ser heróis
Só por um dia

Ver também:
Tributo a Rosely Roth e Livreto Dia do Orgulho das Lesbianas do Brasil
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Agosto com orgulho: os primórdios da organização lésbica no Brasil


Para retratar homofobia dos anos 90, a série American Crime Story reviverá o assassinato do estilista Gianni Versace

quarta-feira, 16 de agosto de 2017 0 comentários

Edgar Ramírez interpretará o estilista Gianni Versace

Série sobre assassinato de renomado estilista italiano quer mostrar 'homofobia da época'
'Gianni Versace: American Crime Story' contará a história da misteriosa morte de Gianni Versace

A série The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story, sobre a morte do célebre estilista italiano, com Penélope Cruz e Ricky Martin, vai retratar "a homofobia da época", explicou seu produtor, Ryan Murphy.

Gianni Versace, interpretado pelo sex symbol venezuelano Edgar Ramírez, já era dono de um império de luxo quando foi assassinado nas escadas de sua exuberante mansão em Miami Beach em julho de 1997, aos 50 anos, por Andrew Cunanan, por motivos que até hoje são um mistério.

Cunanan assassinou pelo menos outras cinco pessoas, uma após a outra, e se suicidou poucos dias após ter matado o carismático estilista.
Andrew Cunanan conseguiu cruzar o país e escolher suas vítimas, a maioria homossexuais" sem que nada interferisse em seu plano "devido à homofobia da época", garante o produtor da minissérie American Crime Story, cuja primeira temporada reconstruiu o julgamento de O.J. Simpson e foi aclamada pela crítica, além de receber vários prêmios.
Versace "tinha dado uma entrevista com seu parceiro e por isso foi morto" pelo serial killer, afirmou o coprodutor, Brad Simpson, numa coletiva da emissora FX, no seminário da Associação de Críticos de Televisão (TCA, em inglês).
 
Ricky Martin viverá Antonio D'Amico, namorado de Versace 

O namorado de Versace é interpretado na série pelo cantor Ricky Martin. Penélope Cruz dá vida à irmã do estilista, Donatella.
Gianni era muito compulsivo com o trabalho, quase obsessivo, mas no resto da vida era ao contrário. Comia uma banana e jogava a casca no meio do chão, tomava uma ducha e deixava a toalha largada", e Antonio D'Amico, seu parceiro, sempre estava lá para cuidar dele, lembra Ricky Martin.
Sua história de amor "me toca de maneira muito pessoal, estou muito feliz por ter podido viver isso", disse o porto-riquenho, visivelmente emocionado.

O "docudrama" que será exibido pela FX no ano que vem é uma adaptação de um livro escrito pela jornalista Maureen Orth, que afirma que Versace era portador do vírus da aids.

Ryan Murphy lembra que "naquela época você podia perder tudo se tivesse HIV". Boa parte da série foi rodada na luxuosa mansão do estilista na costa de Miami. Outra parte material ainda está sendo gravada nos estúdios da Fox em Los Angeles, onde a mansão foi minuciosamente recriada, inclusive as extravagantes pinturas de inspiração greco-romana.

A série de TV também recriou os desfiles de moda da marca de Versace.

A terceira temporada de American Crime Story vai tratar do furacão Katrina e a lenta resposta das autoridades dos Estados Unidos diante da catástrofe.

Fonte: Estadão, 12/08/2017

Aumento de casos de violência homofóbica na Alemanha

terça-feira, 15 de agosto de 2017 0 comentários

Sombra em bandeira de arco-íris
Delitos teriam aumentado 30% em um ano, dizem autoridades alemãs

Alemanha vê aumento nos casos de violência homofóbica
Delitos contra gays e lésbicas sobem 27% em relação a 2016. Ativistas denunciam que crimes de ódio contra homossexuais e transexuais viraram rotina no país.

A Alemanha registrou no primeiro semestre deste ano 27% mais casos de violência contra gays e lésbicas do que no mesmo período do ano anterior, segundo relatório do Ministério do Interior divulgado nesta quarta-feira (09/08) pela imprensa alemã.

Nos primeiros seis meses do ano, foram registrados 130 delitos contra homossexuais, bissexuais, intersexuais e transexuais. Em 2016, houve 102 ataques homofóbicos no mesmo período.

A Associação de Homossexuais e Lésbicas (LSVD, sigla em alemão) exigiu do próximo governo alemão, a ser eleito em setembro, a implementação de um programa nacional contra a violência homofóbica.

Segundo a organização, os crimes de ódio contra homossexuais e transexuais são rotina no país. 
Uma sociedade aberta precisa garantir que todas as pessoas possam ser diferentes o tempo todo, em todo lugar, sem medo de hostilidades", diz a declaração do LSVD.

Para a associação, os números divulgados pelo Ministério do Interior alemão não dão conta da realidade, já que nem todo ataque é denunciado no país. O grupo pediu melhorias nos procedimentos de denúncia e uma comunicação permanente entre a polícia e a comunidade gay.

Nos primeiros seis meses do ano, foram registradas investigações contra 70 suspeitos, em comparação com 58 no mesmo período de 2016. Dos 130 delitos de 2017, 29 foram lesões corporais, 30 se enquadram na definição de "outros delitos de violência".

Também houve 25 casos de incitação ao ódio, sete casos de abuso, seis delitos de propaganda e cinco casos de dano patrimonial. Além disso, registraram-se três casos de roubo e um de extorsão.

Segundo os números do ministério, 35 dos delitos teriam tido motivação política de alinhamento à direita. Um caso foi motivado por "ideologia estrangeira" e mais quatro casos foram motivados por "ideologia religiosa". Os 90 casos restantes não puderam ser atribuídos a nenhuma intenção.

Em Berlim, o deputado verde Volker Beck, que solicitou a divulgação dos dados, afirmou que o aumento dos crimes de homofobia na Alemanha é uma "prova de incapacidade do trabalho de prevenção do governo".

Em referência à legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo na Alemanha, em junho, Beck disse:
Agora, temos os mesmos direitos, mas a possibilidade de desenvolvimento igualitário exige que sejamos livres do temor de violência e discriminação."
O ministro alemão da Justiça, Heiko Maas, disse ser "vergonhoso que o número de crimes de homofobia tenha crescido na Alemanha". O político social-democrata exortou a sociedade alemã a combater a homofobia unida. "A homofobia não pode ter nenhuma chance na nossa sociedade", afirmou.

Discriminação sofrida quando saiu do armário, levou Ellen DeGeneres à depressão profunda

segunda-feira, 14 de agosto de 2017 0 comentários

A apresentadora Ellen DeGeneres diz ter entrado em depressão pelo bullying que sofreu em Hollywood quando revelou ser lésbica. Foto: Reuters / Jonathan Ernst

Ellen DeGeneres diz ter entrado em depressão pelo bullying que sofreu em Hollywood
A apresentadora revelou ser lésbica em 1997 e sofreu com as reações do público e de colegas de profissão

A apresentadora Ellen DeGeneres revelou que passou por depressão profunda por conta do bullying que sofreu após revelar ser lésbica, em 1997. “Todo o bullying que sofri [em Hollywood] quando revelei ser lésbica compensou a falta dele na minha infância”, disse Ellen à revista norte-americana Good Housekeeping. O depoimento foi reproduzido pela revista People, que teve acesso a trechos da entrevista que serão publicados na edição de setembro da Good Housekeeping.
Eu me mudei de Los Angeles, entrei em uma depressão profunda e tive que visitar terapeutas e tomar antidepressivos pela primeira vez na minha vida”, revelou a apresentadora.
Todo o processo de Ellen para se revelar lésbica foi alvo de intensa cobertura da imprensa na época. A apresentadora concedeu entrevistas à revista Time e a programas como o comandado pela apresentadora Oprah Winfrey. Outro passo que causou comoção foi o episódio The Puppy Episode, da série Ellen, que foi ao ar em abril de 1997. Nele, a personagem principal Ellen Morgan (interpretado por DeGeneres) também revelou ser gay. Apesar de aproximadamente 44 milhões de pessoas terem assistido ao episódio, quase três vezes a audiência normal, a série foi cancelada um ano depois.
Foi um momento assustador e solitário”, disse Ellen sobre o cancelamento da série. “Eu trabalhei incessantemente por 30 anos e, em um piscar de olhos, eu não tinha mais nada. Eu fiquei brava porque senti que foi uma injustiça comigo, eu era a mesma pessoa de antes de revelar que era lésbica”, desabafou.
Eventualmente eu comecei a melhorar: fiz meditação, me exercitei e comecei a escrever novamente. Hoje eu não acredito como saí daquele buraco e onde cheguei”, disse a apresentadora sobre o bem-sucedido The Ellen DeGeneres Show e sobre ter apresentado a premiação do Oscar em 2014. “Atualmente eu não ligo para o que as pessoas falam de mim. Meu lema é: ‘você pode estar comigo ou não’”, finalizou.
Fonte: Estadão, 10/08/2017

No “Altas Horas”, Bruna Linzmeyer diz que ignora comentários maldosos por namorar mulher

sexta-feira, 11 de agosto de 2017 0 comentários


Bruna Linzmeyer ignora comentários maldosos por namorar mulher: ‘Não me interesso por ódio’ 

Após tornar público seu namoro com Priscila Visman, Bruna Linzmeyer se tornou alvo de críticas e ataques homofóbicos na web. No entanto, todos os comentários maldosos sobre seu relacionamento com outra mulher não a incomodam e são completamente ignorados por ela.
Não leio porque não me interesso por esse ódio. Esse ódio é um sintoma da nossa sociedade, não é sobre mim e minha namorada”, explicou a atriz durante sua participação no programa “Altas Horas”, que foi ao ar no último sábado (05). 
Eu vivo em uma bolha de muito amor, mas a gente tem que estar atento ao respeito. Eu me apaixonei por uma pessoa, não importa o sexo que ela tem”, continuou Bruna que está dando vida à personagem Cibele, da novela ‘A Força do Querer’. Linzmeyer também falou sobre o apoio que recebeu de seus familiares ao assumir uma relação homoafetiva desde seu antigo envolvimento com a cineasta Kity Féo, 24 anos mais velha: 
Talvez porque eu esteja em uma bolha em que rola uma identificação muito grande. A gente vive em um país em que precisamos falar sobre isso”, continuou sob a atenção da plateia. 
Condição sexual 

A respeito de sua condição sexual, a atriz se considera uma pessoa livre, já que namorou durante quatro anos o ator Michel Melamed, com quem ainda mantém forte amizade e namora atualmente a atriz Letícia Colin. 
Gosto de homens, de mulheres, de pessoas. Eu me apaixono e me interesso pelo ser humano, não importa que sexo ele tenha. Não há o que esconder. E, se alguém não quiser trabalhar comigo por preconceito, eu vou achar até bom. Quero conviver com pessoas que acreditem num mundo melhor, e o mundo melhor em que eu acredito é esse em que gente não tenha preconceito de namorar alguém do mesmo sexo”, afirmou Linzmeyer. 


Fonte:  Jetss Brasil, 07/08/2017

Suprema Corte chilena outorgou pela primeira vez o cuidado pessoal de gêmeos ao pai homossexual

quinta-feira, 10 de agosto de 2017 0 comentários


Justiça outorga guarda de gêmeos a pai homossexual pela 1ª vez
De acordo a decisão, após o nascimento das crianças em janeiro de 2014, a mãe colocou impedimentos à aproximação do pai com os filhos

Santiago do Chile – A Suprema Corte do Chile outorgou pela primeira vez o cuidado pessoal de gêmeos ao pai homossexual, apesar da categórica rejeição da mãe, um fato que foi celebrado nesta segunda-feira pelas organizações que defendem os direitos da diversidade sexual.

O Movimento de Integração e Liberdade Homossexual (Movilh) tachou de “histórica” a decisão do máximo tribunal, que concedeu a guarda de duas crianças de três anos ao progenitor, após terem sido “sequestradas” pela mãe e permanecido por cinco meses no Uruguai.
Estamos presenciando um marco, pois apesar de decisões similares terem sido dadas para mães lésbicas, este é a primeira de um pai gay. A mesma sentença faz clara referência a seu companheiro do mesmo sexo e ao fato de que convive com ele”, destacou o dirigente do Movilh, Rolando Jiménez.
De acordo a decisão, após o nascimento das crianças em janeiro de 2014, a mãe colocou impedimentos à aproximação do pai com os filhos após ter sido informada de que ele tinha iniciado uma relação amorosa com outro homem.

Segundo estabeleceu o Tribunal da Família nessa época, o pai deveria pegar as crianças e levá-las para sua casa às sextas-feiras e sábados, o que gerou o primeiro conflito entre a mãe e o ex-companheiro.
A homofobia da mãe era tão extrema que durante os primeiros cinco meses do 2015, ela sequestrou as crianças e permaneceu no Uruguai, impedindo qualquer contato com o pai”, explicou o Movilh em comunicado.
Esse fato fez com que em 22 de junho de 2016 o Terceiro Tribunal da Família tenha outorgado os cuidados pessoais dos filhos ao pai, dado que ele contava “com melhores habilidades parentais, características psicológicas, econômicas e sociais” para dar aos pequenos “uma maior estabilidade e proteção em comparação com a mãe”, ditou a resolução.

No entanto, essa decisão foi revogada em novembro desse ano pela Corte de Apelações de Santiago, que estabeleceu que tratava-se de um “conflito familiar”, no qual a mulher apresentava “confusão e ansiedade que lhe dificultam ter respostas acertadas e empáticas em algumas ocasiões”, mas que não lhe impediam de realizar os trabalhos de criação.

Perante essa resposta, o pai apresentou um recurso perante a Suprema Corte que foi acolhido por três votos a favor e dois contra. Os magistrados afirmaram na decisão que era o homem e não a mulher quem melhor garantia àquela família o interesse superior das crianças.

O Movilh celebrou que a determinação dos juízes tenha passado pelo conforto dos filhos e não pela orientação sexual dos pais, o que demonstra “que para a criação o mais importante é a capacidade de entregar amor, afeto e proteção”.

Por outro lado, a organização, que promove os direitos e liberdade da diversidade sexual há 26 anos, condenou o fato de que para alguns magistrados o sequestro dos filhos por parte da sua mãe foi “irrelevante”, mesmo a mãe tendo que ser notificada pelos tribunais uruguaios para que retornasse ao país.

Fonte: Exame, via EFE, 07/08/2018

 
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