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    Previsão de julho de 2014

Gays já estreiam indo para o quarto na nova novela "Império"

quinta-feira, 24 de julho de 2014 0 comentários

Klebber Toledo e Zé Mayer: o casal gay da nova novela das nove, 'Império'

José Mayer e Klebber Toledo viverão casal gay na novela “Império”; assista às primeiras cenas

O que era tabu está virando regra: personagens gays (com ou sem estereótipos ou beijos) são retratados a cada novela da TV Globo. Depois dos casais Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso), de Amor à Vida, e Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller), de Em Família, o novo folhetim das nove Império seguirá esses passos – em dois tons bem diferentes.

De um lado, Leandro e Cláudio (vividos por José Mayer e Klebber Toledo) formarão um par sem muitas afetações, em clima realista. Já o jornalista e blogueiro Téo, de Paulo Betti, terá cor mais extravagante.

Os personagens ainda não entraram em cena, mas um vídeo que circula no YouTube com 30 minutos de cenas da novela mostra que o autor Aguinaldo Silva teve a coragem, ao menos num primeiro momento, fugir de lugares-comuns. No trecho, Leandro e Cláudio trocam comentários carinhosos em um encontro num quarto. “Tava com saudade”, diz o personagem de Toledo. “Então… Direto pro quarto”, ordena Mayer. Assista a partir dos 15:00:



Curiosamente, o autor Aguinaldo Silva criticou na internet o beijo gay da novelaAmor à Vida, quando a cena foi exibida, e já afirmou que é possível filmar uma história de amor entre dois homens sem apelar para cenas mais diretas. Portanto… Nada de carícias desta vez?

O primeiro encontro do casal deve ir ao ar nesta quinta (24).

Fonte: Veja São Paulo, por Tiago Faria, 23/07/2014

Personagem gay agora é bom negócio para qualquer ator
Nova novela das nove que estreiou nesta segunda-feira, 'Império' tira José Mayer do seu tradicional papel de galã sedutor (de mulheres) para viver homossexual

Interpretar um homossexual no cinema ou na televisão já chegou a ser visto como um risco profissional, a ponto de deixar o ator marcado para sempre. Não mais. O público amadureceu à medida que os gays foram conquistando seus direitos na sociedade, e, hoje, um personagem homossexual bem construído pode ser o passaporte para o reconhecimento e até o estrelato. Em Hollywood, basta citar o exemplo de Jared Leto, premiado com o Oscar deste ano de melhor ator coadjuvante por Clube de Compras de Dallas, em que vive um homossexual. Nas novelas brasileiras, a lista de atores que vêm alcançando reconhecimento com personagens gays é cada vez maior. Mateus Solano e Thiago Fragoso, o casal Félix e Niko de Amor à Vida, são prova disso.

Sempre cercados de uma onda de curiosidade - em geral alimentada pela questão "vai ter beijo?" -, os gays se tornaram onipresentes na ficção, não só pela necessidade de mostrar o que acontece na vida real, mas também pela capacidade de mobilizar espectadores. Não é exagero dizer que Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller), de Em Família, atraíram mais atenção do que a protagonista Helena (Júlia Lemmertz). Pronta para substituir o folhetim de Manoel Carlos na faixa das 21h, Império entra no ar nesta segunda-feira com nada menos que quatro personagens gays: Xana Summer, um travesti interpretado por um improvável Ailton Graça; Téo Pereira, um blogueiro invejoso que vive de fazer fofoca na internet, vivido por um afetado Paulo Betti; Leonardo, um bonitão aspirante a modelo, papel do jovem galã Klebber Toledo; e - o mais surpreendente de todos - o cerimonialista Cláudio Bolgari, interpretado por José Mayer.

O galã com fama de pegador (de mulheres) surgirá em cena no quarto capítulo como um organizador das melhores festas do Rio de Janeiro. Casado com a ex-miss Brasil Beatriz (Suzy Rêgo), ele esconde de todos - exceto dela - que é homossexual e tem, há dez anos, um caso com Leonardo (Klebber Toledo). "Já faz um tempo que busco papéis diferentes, e acho divertido mexer um pouco com aquela fama de conquistador que se formou a meu respeito por causa de personagens anteriores", comentou o ator, no lançamento da novela. Ao site de VEJA, ele afirmou que evita planejar suas realizações na profissão e prefere se deixar levar pelo papel. "Cada personagem traz conteúdos diferentes, e é isso que acaba criando, fisicamente, posturas e expressões diferentes a cada novo trabalho."

Na única cena divulgada pela TV Globo em que o novo casal gay aparece junto, Claudio fala cara a cara com Leonardo, da mesma forma como o Pedro de Laços de Família (2000) faria com Helena (Vera Fischer), Íris (Deborah Secco) ou Cíntia (Helena Ranaldi). As fãs que se acostumaram a ver José Mayer em papéis sedutores, desde o Osnar de Tieta (1989), nunca poderiam ter imaginado que seu decantado sex appeal seria usado um dia em terreno gay. Mas a verdade é que o próprio ator nunca se acomodou no papel de galã:
O que existe de mais valioso nesta profissão é a liberdade para romper nossos próprios limites e ajudar o espectador a ampliar sua capacidade de perceber a multiplicidade da experiência humana".

Vida real - Nas novelas, gênero que muitas vezes parece já ter esgotado todas as histórias possíveis, o universo gay é um terreno fértil e tende a ser explorado com cada vez mais liberdade, abordando desde os direitos civis como a aceitação dos familiares. Para Aguinaldo Silva, autor de Império, a dramaturgia nada mais é do que um reflexo do dia a dia. "Quando escrevo meus personagens, quero retratar um pouco do que vejo na sociedade. Sempre digo que não trabalho com tema, e sim com tramas. Esse é o meu lema quando escrevo uma novela", contou ao site de VEJA. Tratados com tanto esmero pelos dramaturgos, esses papéis têm atraído o interesse dos atores. Até então com uma galeria de patricinhas mimadas na TV, Tainá Múller, a Marina de Em Família, não escondeu a felicidade de ser escalada para viver uma fotógrafa homossexual.
Há tempos eu queria uma personagem que me tirasse do chão", comentou logo no início da novela que pode ser vista como um divisor de águas em sua carreira.
A partir desta segunda – já que José Mayer não precisa mais provar a que veio –, a bola está com o belo Klebber Toledo. Lançado em Malhação em 2007 e com cinco novelas no currículo, o ator de 28 anos tem em Leonardo seu personagem mais complexo. Em conversa com o site de VEJA, Klebber preferiu ser comedido ao falar da expectativa em torno do novo desafio. "Procuro não criar um rótulo para ele. É o Leonardo que tem de se classificar", disse, frisando que seu personagem tem uma "história de amor" com Claudio. "É um relacionamento, não um namorinho, uma ficadinha." Ele acredita que o casal vai conquistar a simpatia do público e não tem o menor receio de que o novo papel arranhe sua imagem de galã promissor.


Com a nova trama, Aguinaldo discutirá também o direito de permanecer no armário – uma ironia típica do autor para esses tempos de vigilância sexual. Já que Claudio esconde sua homossexualidade – e, pior, é casado com uma mulher –, o namoro tem os problemas típicos de um relacionamento extraconjugal. Com um agravante: o cerimonialista é alvo das fofocas do blogueiro Téo Pereira. Mais jovem e, portanto, com menos explicações a dar para o mundo, Leonardo pressiona Claudio a viver o amor sem reservas. "É um sentimento único. Ele ama mesmo essa pessoa", diz Klebber, que diz ainda não ter concluído a formação de seu personagem. "Ele é natural, entregue ao que sente. Não sei se vai dar pinta. E sabe que eu nem pensei nisso?"

Fonte: Veja, Patricia Villalba, 20/07/2014

Lesbifobia em Rio Preto: casal de mulheres agredidas na saída de boate gay

quarta-feira, 23 de julho de 2014 0 comentários

Mulher diz que segurança da boate não ajudou; outra está internada

Mulheres levam surra na saída de boate gay e acusam homofobia

Duas mulheres foram agredidas na saída de uma boate gay na madrugada de domingo, 13, em Rio Preto (SP). Uma delas está internada na Santa Casa com ferimentos pelo corpo, depois de ter sido vítima de preconceito. Elas teriam sido agredidas por um homem no estacionamento da boate, por estarem de mãos dadas. 

Segundo a vendedora, de 24 anos, o homem xingou a companheira dela, uma operadora de caixa, de 27 anos, e em seguida começou as agressões. A confusão teria acontecido quando as duas andavam de mãos dadas procurando outras amigas no local. “Ele dizia que éramos sapatão e que sapatão tinha que morrer. Minha namorada tentou ignorar, mas ele continuou os xingamentos até começar a nos agredir com socos. Eu não me feri muito porque protegi o rosto com os braços, mas ela está com o rosto todo ferido”. 

A mulher disse que mantém o relacionamento há 9 meses e que essa é a primeira vez que são vítimas de preconceito. “Dois seguranças viram e não fizeram nada. Eles disseram que o agressor estava acompanhado de mais gente e eles estavam apenas em dois. Cadê a segurança e a responsabilidade dos organizadores?”. 

Segundo a assessoria do hospital, a vítima chegou ao hospital com suspeita de espancamento e está internada em um quarto. Não há risco de morte e o quadro de saúde é considerado estável. 

O chefe de segurança da boate nega que tenha ocorrido omissão e afirma que uma das mulheres reiniciou a briga depois que a confusão já estava controlada. “Já tínhamos apartado a briga e uma delas pegou uma pedra grande e atirou na cabeça do rapaz. Já estava controlado e ela tomou essa atitude, aí complica. Não sei dizer para onde o rapaz foi, só sei que uma travesti amiga dele, colocou ele ensanguentado dentro de um carro preto e foram embora. Inclusive quando passaram em frente a boate, elas chutaram o carro e ainda bateram com o sapato”, disse. Um boletim de ocorrência foi registrado como lesão corporal e injúria. Ocaso será investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

Fonte: Diário Web, por Tatiana Pires, 15/07/2014

Documentários sobre a dor e a delícia de ser LGBT

terça-feira, 22 de julho de 2014 0 comentários


Eu vos declaro

Adriana, Munira, Luís, Nilton, Marco, Will e Léo são brasileiros que vivem ou viveram relacionamentos homoafetivos estáveis. Em um país, cuja legislação para esse segmento social ainda é falha, criaram um novo conceito de família. No filme “Eu vos declaro…” (2012), com direção de Alberto Pereira Jr., estes personagens reais abrem suas intimidades e mostram histórias de amor, de luta e de superação.

O documentário participou da 7ª Mostra de Cinema e Vídeo de Miracema, no Tocantins. Esteve também na 20ª edição do Festival Mix Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de competir no 6º For Rainbow, em Fortaleza, no Ceará.

Confira abaixo o trabalho do diretor Alberto Pereira Jr.



Fonte: Gira São Paulo, 18/07/2014

Jovens brasileiros contam porque não têm coragem de assumir a homossexualidade

Eles não queriam ser gays. Eles não escolheram ser gays. Mas a sociedade os julga, os amigos os xingam, os pais os rejeitam e as religiões os mandam para o pior dos infernos. Para se proteger de tudo isso, milhares, senão milhões, de jovens brasileiros homossexuais vivem suas vidas “no armário”. Em um vídeo sensível e tocante, o canal Põe na Roda convidou alguns desses adolescentes para conversar, anonimamente, sobre o assunto. Afinal, o que há dentro do armário?

Se nas Crônicas de Nárnia, o armário reservava um mundo mágico a ser explorado, o conceito pode ser, de certa forma, aplicado à realidade desses garotos. Enquanto que em certos grupos e situações (às vezes, somente na internet), eles conseguem ser do jeito que são (a mágica da liberdade!) sem grandes preocupações, na família, na escola, na igreja e no trabalho, a vida falsa e aquilo que é omitido é um grande peso. No vídeo, alguns deles mencionam inclusive pensamentos de negação, como o desejo de ter nascido heterossexual ou a vontade de “cura”.

As histórias contadas por eles também revelam marcas profundas do machismo na sociedade: o pai que se preocupa com “o que vão pensar sobre ele ter um filho gay”, a necessidade de se afirmar “macho” para fugir da homofobia e o sonho que pais têm em “ter um filho que jogue futebol e se case com uma mulher “. Essa é apenas mais uma prova de que o machismo não afeta apenas as mulheres, mas os próprios homens – homossexuais ou não.

Nas religiões, a impossibilidade de salvação para os gays é outro pensamento que pesa. “Dizem que Deus é amor”, afirmou um dos garotos, inconformado em ser considerado pecador pelo simples fato de amar alguém do mesmo sexo. Mas a aceitação não é apenas um mal estar individual. Estar no armário e não ser aceito mata. Milhares de adolescentes homossexuais cometem suicídio todos os anos por causa disso. Eles não querem ser uma vergonha para os pais, nem para a sociedade. Eles só queriam ser aceitos e amados.

O fim do vídeo traz uma das partes mais emocionantes e nos lembra que não só no Brasil, mas no mundo, sair do armário ainda é um ato político. Assista ao vídeo, compartilhe, discuta e permita que os homossexuais compreendam que há magia também fora do armário.



Fonte: Terra, Hypeness

O requeijão da Vigor apoia as famílias LGBT

segunda-feira, 21 de julho de 2014 0 comentários

Famílias diferentes. Contextos diferentes. Uma coisa
em comum: o amor. Inclusive pelo mesmo requeijão

Pode até ser que abordar a homossexualidade em 2014 já não seja tão polêmico, mas uma coisa é certa: o assunto ainda é delicado o suficiente para impactar marcas de forma positiva ou negativa.

A Vigor muito provavelmente sabe disso, mas mesmo assim acreditou que valia a pena arriscar. Em uma imagem elegantemente simples, a empresa conseguiu representar a homossexualidade e se posicionar a favor da igualdade em um post no Facebook.

É um pouco contraditório querer que a homossexualidade seja encarada como algo normal se, quando dois personagens do mesmo sexo vão se beijar na novela, isso vira notícia e atração digna de último episódio. Se querem que a homossexualidade seja vista como algo comum nada como tratá-la de forma comum. E foi o que fez a Vigor.

Para o alívio do marketing da Vigor, a imagem foi muito bem aceita pelo público, mas, recentemente, a marca Honey Made (americana) teve problemas ao abordar o assunto em um anúncio de TV, sendo atacada por pessoas que acharam a abordagem um absurdo e a consideraram apologia à homossexualidade. (Ver abaixo vídeo da propaganda da Honey Made e sua resposta - também em vídeo -  aos ataques preconceituosos).

Sim, o anúncio de Facebook feito pela Vigor não chega nem perto de um comercial na TV, mas mostra uma propensão da marca a sair do cômodo. Louvável a atitude de marcas como a Vigor de tentar fazer o mundo um pouquinho melhor enquanto vendem seu peixe.


Com informações de Geek Publicitário, por Diogo Maciel, 18/07/2014

O Ibope do casamento de Clara e Marina "Em Família" e a repercussão do beijo

quinta-feira, 17 de julho de 2014 0 comentários


O casamento das belas Clara e Marina de Em Família, além de levantar o Ibope da novela como nunca antes, ainda rendeu elogios vários nas redes sociais e entre celebridades. Apesar do modelito "par de vasos" que as moças adotaram desde que resolveram institucionalizar a relação, o beijo desta vez foi bem mais natural e pra valer. Provável que, se Manoel Carlos tivesse tratado a relação das duas com mais ousadia desde o início, a novela teria tido mais audiência.

Agora, porém, tudo se releva porque foi o primeiro casamento entre duas mulheres exibido numa novela de TV, com plateia gay-friendly e ao som da bonita Só Vejo Você. E ainda vai ter discurso emocionante do filho de Clara, Ivan, na escola contra o preconceito, e a Marina saindo das dificuldades financeiras. Clara, sem dúvida é uma mulher de sorte. Saibam mais sobre o final feliz das casadas nos artigos abaixo. E confiram o tão famoso beijo no vídeo abaixo.

"Brasil avançou 50 anos", diz Daniela Mercury sobre casamento gay em novela
Vários famosos elogiaram a cena do casamento de Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) que foi ao ar nesta quarta-feira (16) na novela "Em Família". Daniela Mercury, que oficializou sua união com Malu Verçosa em 2013, publicou uma foto de seu casamento bem parecida com uma cena da novela.

"O Brasil avançou 50 anos em apenas 1 ano com essa cena de Em Família. (A frase é do meu amigo com pós-doutorado na Sourbone Marcelo Dantas)! A gente agradece!", escreveu a cantora.

O beijo das duas, mais demorado, foi elogiado e comemorado por internautas.

O ex-BBB Dicésar também se manifestou no Instagram: "Só tenho que aplaudir a cena perfeita . Ao bom gosto de tudo dos vestidos, das rosas azuis , dos penteados". A ex-BBB Angélica Morango comemorou a cena: "Tão feliz que só me resta parabenizar toda a equipe envolvida e agradecer a emissora pela exibição! #casamentogay #EmFamilia #Globo"

A apresentadora da Rede Tv! Sônia Abrão também elogiou a Globo: "Na falta de beijo gay, a Globo produziu dois em duas novelas seguidas: Félix e Carneirinho em Amor à Vida e Clara e Marina na trama de Em Família! Fim do preconceito da emissora!!!"

O blogueiro Hugo Gloss também se manifestou: "Parabéns @gioanto e @tainamuller!!! Cenão, beijão! E que toda forma de amor possa existir nesse mundo!!! #homofobianao".

Muitos internautas elogiaram a cena também e as hashtags "Clarina casamento do ano" e "Clarina" entraram nos assuntos mais comentados do Twitter durante a novela.

Ao site oficial da novela, Giovanna Antonelli comemorou a cena: "Todos muito animados e muito cansados também".

"Estamos super parecidas como vocês podem ver e fomos ficando ao longo da novela", completou Tainá Müller.

O diretor Leonardo Nogueira, marido de Giovanna, falou sobre o clima dos bastidores: "Esse clima de final de novela passa para gente. Tem gente que chora, que se despede e não volta a gravar mais pois fez a última cena".

Fonte: UOL Entretenimento, 16/07/2014

Fim de 'Em Família': Ivan faz discurso sobre tolerância. 'Amar sem preconceito'

O pequeno Ivan (Vitor Figueiredo) vai dar uma lição de amor e tolerância no último capítulo de "Em Família", que vai ao ar nesta sexta-feira (18). Escolhido pelos colegas para fazer o discurso no aniversário de 10 anos de sua escola, o filho de Clara (Giovanna Antonelli) e Cadu (Reynaldo Gianecchini) vai emocionar a família com seu discurso, em que diz não ao preconceito e mostra que não é difícil entender e conviver com as diferenças.

Além dos pais, Marina (Tainá Müller), Verônica (Helena Ranaldi) e toda a família Fernandes se reúne na festa para ouvir as palavras que o próprio Ivan escreveu para comemorar o aniversário da escola. Depois de levar as alianças ao altar no casamento da mãe, o menino terá avisado que escreveu o discurso pensando nela e em Cadu, como uma maneira de presenteá-los. Muito solene, ele sobe ao púlpito e à medida que vai falando, emociona a todos.
"(...) Pensei bastante e achei que devia dividir com todos uma coisa que minha mãe me ensinou: a de que temos que amar as pessoas como elas são pelo lado do avesso. Como elas são por dentro. Sem nenhum preconceito. Porque somos todos iguais. Por isso, dê aos outros o amor que você também deseja ganhar. Meu pai sempre me diz que se eu for tolerante hoje, vou ser um adulto melhor amanhã. E é isso que quero para mim e para os meus amigos: um mundo melhor, onde todos sejam respeitados, como somos aqui, na nossa querida escola. Obrigado!", ele discursa.
Entre lágrimas de comoção, Ivan recebe muito aplausos de todos os presentes. Chica (Natália do Vale) é a primeira a elogiar o neto: "Tenho que agradecer por estar viva e ver esse momento lindo. Parabéns, meu amor, você foi incrível!". E Helena (Julia Lemmertz) completa: "Clara, esse menino vai ser artista!". "Já tinha percebido que ele tem vocação para o palco", comenta Verônica (Helena Ranaldi).

Toda orgulhosa, a mãe puxa o filho para um papo. "Agora somos só nós dois: filho, você nem imagina como me fez feliz hoje. Sou a mãe mais sortuda dessa escola! Espera, recalculando: sou a mãe mais feliz do mundo!", ela diz. E Cadu faz coro: "Estou muito orgulhoso também. Bota a mão no meu coração. Ele é novo, mas não é de ferro!". Ao colocar a mãozinha no peito do pai, o menino acha graça e chama Rafael, que é filho do doador do coração do chef: "Vem aqui. Vem ouvir o coração do nosso pai".No decorrer da festa, Ivan se abre ainda mais com os pais: "Me deu muito trabalho esse discurso. Porque ainda tenho muitas dúvidas sobre a vida". "Que bom, meu amor. Que elas nunca acabem. Porque a gente nunca deve deixar de buscar respostas. Mesmo quando estiver bem velhinho", explica Clara. E Cadu pergunta ao filho: "Eu, por exemplo, tenho uma questão que fica assim, olha, martelando minha cabeça (...) Você é feliz?".

O menino acha graça da pergunta do pei e responde com um sorriso: "Pai, essa é mole! A mamãe me disse que não tem outra opção: tem que ser feliz! Nascemos para a felicidade". "Caramba, filho, grandes papos filosóficos com a sua mãe!", se admira o chef. E os três se abraçam, contentes e emocionados.

(Por Samyta Nunes)

Fonte: Purepeople, 14/07/2014

Marina vai recuperar status e Vanessa ficará com Flavinha

Marina (Tainá Müller) conseguirá recuperar seus status graças ao pai. No penúltimo capítulo de "Em família", Diogo (José Rubens Chachá) avisará que limpou seu nome, para alívio da filha. Vanessa (Maria Eduarda) aproveitará o momento de festa para comunicar que está namorando Flavinha (Luisa Moraes).

Tudo começará quando o empresário surgir no casamento da fotógrafa avisando que tem novidades. Marina e Vanessa ficarão tensas e, no dia seguinte à cerimônia, chamarão Diogo para conversar.

- Só espero que não seja para dizer que está quebrado de vez - dirá a fotógrafa.

- Calma, Marina. Não pensa em notícia ruim. Diogo não ia esperar tanto tempo se fosse anunciar uma catástrofe! - tranquilizará Clara (Giovanna Antonelli).

- Pelo tom dele... Não sei, não - opinará Vanessa.

Diogo chegará com duas caixas de champagne e avisará que todos vão comemorar:

- Consegui provar que parte das acusações contra mim era injusta e infundada. Recuperei meu nome, meus negócios e bens! Tudo em parte, claro. Falei que ia sair dessa, não falei? Se eu falasse ontem, vocês iam me encher de perguntas e ontem era dia de festa!

Todos se abraçarão, felizes, e Diogo perguntará sobre a viagem de lua de mel. Clara responderá que elas precisaram adiar:

- Temos o casamento da minha sobrinha e a Marina está organizando mais uma exposição.

- Vou fotografar crianças! Aliás, o senhor se prepare! Daqui a pouco vai ser avô. Eu e a Clara queremos adotar uma menina - contará Marina.

- Meu Deus! Mas só temos notícias boas! E você, Vanessinha? Qual a sua boa nova?

- Bem, eu gostaria de comunicar que eu e Flavinha estamos namorando. Oficialmente - revelará ela, arrancando aplausos.

Fonte: Blog Patricia Kogut, Anna Luiza Santiago, 17/07/2014


Para ver o casamento na íntegra, clicar aqui

Em Memória: A gata da noite preta. Entrevista de Vange Leonel à revista Um Outro Olhar

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Conheci Vange Leonel, aos 18 anos, quando ingressou no Grupo Lésbico-Feminista (LF, 1979-1981), o primeiro grupo de ativistas lesbianas brasileiro, no primeiro semestre de 1981, em São Paulo. A organização tinha um subgrupo chamado LF Artes que reunia as integrantes do LF que gostavam de poesia, música, artes plásticas, fotografia. As garotas animavam as festas do grupo com boa cantoria ao som de violões. Desse subgrupo, três integrantes partiram para uma carreira profissional como musicistas, compositoras. Uma delas foi exatamente a Vange Leonel.

Após a diáspora promovida pelo fim do Grupo Lésbico-Feminista, em meados de 1981, apenas algumas de suas remanescentes permaneceram como ativistas lesbianas e formaram outro coletivo, o Grupo Ação Lésbica-Feminista (GALF, 1981-1989), para dar continuidade ao trabalho iniciado pelo LF. A maioria das integrantes da entidade, contudo, dispersou-se ou no movimento feminista  ou no que a gente chamava na época de clandestinidade, ou seja, deixou de militar e foi seguir suas vidas particulares simplesmente.

No caso de Vange, ainda na década de 1980, ela integrou a banda Nau, formada também por Beto Birger (baixo), Zique (guitarra) e Mauro Sanches (bateria). Com essa banda, gravou o disco Nau, em 1987. Depois seguiu carreira individual, com os discos Vange Leonel, de 1991, que tem o hit Noite preta, e Vermelho, de 1996. Teve participação também em discos de outras bandas e coletâneas.

A partir de 1995, assume-se como lesbiana e começa a desenvolver uma espécie de ativismo individual, com a manutenção do blog Cio, no site do Mix Brasil, e a publicação de livros e peças que tematizavam a questão lesbiana e da mulher. Por exemplo, Lésbicas, Grrrls: garotas iradas, As sereias de Rive gauche e Balada para as meninas perdidas.

Em 1996, Vange concedeu uma entrevista para a revista Um Outro Olhar, (edição de número 25), publicação que editei de 1987 a 2002. Nessa entrevista, ela falava um pouco de sua carreira, suas influências musicais, do mercado de música no Brasil, do lançamento do seu CD Vermelho, do seu coming out como lesbiana e do machismo das bandas de rock brasileiras.

Resgato a entrevista como uma homenagem à Vange, uma das artistas que primeiramente se assumiu como lesbiana no Brasil. Abaixo da entrevista, posto também alguns vídeos de sua época na banda Nau, do hit A Noite Preta e do CD Vermelho. Fiquei tristemente surpresa com sua partida precoce. Que descanse em paz na ilha de Lesbos de seus sonhos.

Míriam Martinho, 16 de julho de 2014


A gata da Noite Preta

Um Outro Olhar: Vange, primeiro, para esquentar, qual sua idade e signo?
Vange: Tenho 33 anos e sou do signo de Touro com ascendente e Lua em Libra.

UOO: Depois, quando você come­çou a compor músicas? Mais detalhadamente, quando passou da poesia para a música? Ou simplesmente não houve passagem, mas um simples continuum?

Vange: Comecei a compor bem ce­do. Na verdade, me lembro de uma vez quando tinha 5 anos mais ou menos e comecei a cantarolar uma melodia in­ventada na minha cabeça. Virei para minha mãe e perguntei: "Mãe, se são só 7 notas como que as pessoas podem fa­zer tantas músicas diferentes?" Foi aí que começou minha curiosidade com relação à música. Tinha mais ou menos uns nove anos quando minha prima Quilha me levou para assistir ao show Gal A Todo Vapor. Foi determinante para mim ter visto esse show da Gal. Foi aí que eu decidi ser cantora e come­cei a aprender violão, depois piano, e nunca mais larguei a música.

Ao mesmo tempo sempre adorei es­crever. Uma coisa sempre esteve muito ligada a outra. Eu inventava umas melo­dias e já ia pondo letras nas minhas mú­sicas. Para mim, poesia e música sempre estiveram juntas. A única coisa que eu sempre senti falta ao escrever, era ver a reação da pessoa que iria ler depois meus poemas. Por isso cantar acabou se tornando minha atividade principal. Adoro estar no palco e sentir a troca com o público in loco, ao vivo. Escrever é algo muito solitário.

UOO: Se ainda faz também poesia, qual foi o último livro que publicou? Cite também os primeiros.

Vange: Nunca publiquei um livro. Quando era adolescente fazia umas edições limitadas, em xerox, e as vendia pes­soalmente. Agora estou com um livro de poemas pronto para ser publicado, mas esse ano que passou (1995) acabei não tendo tempo para me dedicar ao projeto. O li­vro se chama Virtual Bilitis, e é inspirado no Canções de Bilitis, de Pierre Louis, que por sua vez se inspirou na vida da poeta grega Safo. Ou seja, são poemas lésbicos, poemas que falam do amor entre mulheres. Gosto muito do livro e estou louca para publicá-lo logo. 

UOO: E suas preferências musicais? Quem você ouve? Quais as bandas, os artistas de que gosta? Quem lhe influen­cia na hora de compor?

Vange: Nossa, são tantos... Eu procu­ro não me fechar para nenhum tipo de música. Mas com relação ao meu trabalho, especificamente, quem mais me marcou foi Gal, como inspiração primeira, pelo jeito de cantar, a sensualidade e principal­mente a atitude dela no palco. No começo dos 70, ela era uma das grandes vozes da contracultura brasileira. Me lembro do show Índia, ela dançando descalça, rodan­do a saia, uma verdadeira baiana em tran­se, e o batuque comendo solto no palco. Cantava compositores novos como Macalé, Melodia, Caetano, caras que aprendi a gostar na voz dela. Vozes femininas sem­pre me seduziram. Outro dia um amigo meu disse que acabamos gostando mais de cantoras porque suas vozes talvez lem­brem o canto de nossas mães quando nos faziam dormir... O mais curioso: Gal foi uma influência forte tanto para mim co­mo para a minha parceira nas músicas, a Cilmara Bedaque. Comecei a trabalhar com a Cilmara tipo em 89, quando ainda estava com o Nau, e foi uma surpresa ma­ravilhosa saber que tínhamos muitos gos­tos musicais em comum. Outra pessoa que de certa maneira influenciou bastante o meu trabalho de compositora foi a Ma­rina. Quando escutei suas músicas, fiquei absolutamente identificada. A batida do violão dela é única e cheia de feeling e o que ela diz nas músicas tão pessoal, vai fundo, um mergulho corajoso. Eu gosto e me identifico com isso. Fora que ela também tem esse negócio de trabalhar em dupla com o Cícero, que é irmão dela, meio como que a minha parceria com a Cilmara, já que a Cil faz mais as letras e a gente discute bastante os te­mas, o que vai dizer na música, e acaba­mos sempre por escolher temas ligados à nossa experiência. Tudo o que dizemos em nossas canções é fruto de um olhar para dentro. Gosto do jeito como Clarice Lispector escrevia, a experiência pessoal e íntima, uma fonte enorme e inesgotável de matéria prima para canções.

UOO: Sua carreira se iniciou com a banda Nau e, depois, estourou para o sucesso com o hit Noite Preta. Fale um pouco dessa trajetória e de sua relação com a fama.

Vange: Tento fazer minha fama em cima do meu trabalho. O grande pro­blema que hoje em dia você primeiro precisa ser famoso para depois poder mostrar o seu trabalho. Não pode, tá er­rado! Nego só consegue lotar um teatro se já for famoso. Sabe aquele negócio de só contratar se tiver experiência?? A mesma coisa. Um saco!!

UOO: Do hit Noite Preta até o CD Vermelho, houve uma grande distância. Por que isso aconteceu? Desacordo com as gravadoras ou um processo de gesta­ção demorado? Fale um pouco sobre o novo álbum.

Vange: As minhas gestações são um pouco mais lentas sim, mas o que aconteceu foi que teve todo um tempo para eu sair da Sony e abrir minha própria gravadora. Trabalhar num es­quema independente e sem grana significa ter que desenvolver uma paciên­cia oriental. As coisas levam tempo, você faz shows que não são divulgados e, para o grande público, fica a sensa­ção que você desapareceu. As pessoas estão cada vez mais ficando dentro de casa e tornando-se dependentes da noticia que chega até elas. Aí é o poder econômico que fala mais alto. Verme­lho é um álbum corajoso, uma produ­ção independente minha e da Cilmara. Temos muito orgulho desse disco, as canções falam de temas super-atuais e sensíveis, e recuperei uma coisa que ti­nha com o Nau. um lance mais rocker. A faixa Vermelho fala sobre menstrua­ção. Meninas sobre meninas prostitu­tas. To Fora é uma balada de cortar os pulsos. O disco é super-visceral e o show que eu to fazendo agora tam­bém. Dionísio puro.

UOO: Você já gravou um vídeo-clipe ou pensa em gravar um vídeo-clipe para divulgar alguma música do CD?

Vange: Fizemos o clipe da canção Vermelho. Deve ser lançado no final de janeiro, começo de fevereiro. O clipe foi dirigido pela Cilmara Bedaque, minha parceira, pela Ana Sardinha e pela Maria de Oliveira, todas muito amigas minhas. A Cilmara já tinha dirigido o clipe da Noite Preta, junto com o Luis Ferr. Su­per tranquilo para mim que ela dirija os clipes, porque ela é autora da música e de uma certa maneira já faz a letra pen­sando na imagem que virá depois. A adesão da Maria e da Ana, que traba­lham em publicidade e cinema, comple­tou o que já era ótimo. Foi muito baca­na trabalhar com esse trio de diretoras. Hoje em dia, fazer vídeo-clipe no Brasil não é fácil, já que fizemos em l6 mm, e cinema é uma coisa muito cara. Fize­mos, graças à ajuda e colaboração de muitas pessoas, um clipe a custo super-baixo. Adorei fazer o clipe. Principal­mente uma cena em que eu estou numa banheira. As cenas que minhas três dire­toras bolaram para mim são surpreen­dentes. Mal posso esperar para ver esse clipe no ar! E garotas, o clipe só vai pró TOP 20 se vocês pedirem!
Eu nunca achei que ser lésbica fosse algo ruim. Daí eu nunca es­condi nada. Apenas no começo da mi­nha trajetória como figura pública, eu si­lenciava a esse respeito. Até que numa determinada hora, achei ridículo não to­car no assunto. Não levanto nenhuma bandeira e nem chego me apresentando: "Prazer, Vange, cantora e lésbica". Mas com certeza o fato de existirem pessoas públicas revelando sua homos­sexualidade só ajuda. Mostra que não tem nada de mais. Normal.
UOO: E, nas rádios, considerando toda a pressão que as gravadoras fazem para determinar a programação, hoje voltada para o gênero nordestino ou as misturas de rock com baião, você vê al­guma forma de furar o cerco pra divul­gar um trabalho como Vermelho, inde­pendente, ousado, com muito rock e te­mas ligados diretamente às mulheres?

Vange: Essa questão das rádios é tão espinhosa quanto enigmática. Lógico que existem rádios mais comerciais e outras menos. A grande questão para mim é que vivemos uma época onde as pessoas saem pouco de casa, pelo menos nas grandes cidades. Proporcionalmente descobre-se menos coisas. Assim como não existe mais aquela figura do caçador de talentos, que vai descobrir o artista, o jornalista também está acostumado que as coi­sas cheguem até ele e o teles­pectador comum só compra o disco de quem aparece na televisão. Assim o poder econômico leva uma vanta­gem muito grande sobre ou­tros fatores, como talento, e mais ainda, merecimento. 

UOO: O bom humor, as grandes sacadas estão presentes em suas letras, além da li­berdade como você trata os assuntos. Esta é a vantagem de gravar um disco independente?

Vange:  Não. Essa é a vantagem de ter descoberto que a melhor coisa do mundo é ser o que se é, e não procurar correspon­der ao que esperam que você seja.

UOO: Mas, considerando as críticas positivas que Vermelho vem recebendo, se pintar algum convite de uma grande gravadora para fazer um trabalho mais comercial, você topa?

Vange: Claro! Nunca tive nada con­tra trabalhar associada a grandes grava­doras. Já lancei pela CBS e pela Sony e aprendi muito. Só não posso ficar para­da enquanto espero que uma das 5 grandes resolva me contratar.

UOO: No exterior, mais e mais canto­ras vêm assumindo suas relações com mu­lheres, tais como kd.lang, Melissa Etheridge, etc... Aqui no Brasil, você é uma das poucas que fala da questão aberta­mente, participando até de programas de TV sobre o assunto. Esta sua postura tem a ver com o fato de você ter participado, no passado, de grupos organizados, como o grupo lésbico-feminista (LF-79/81), ou simplesmente porque não vê razão para esconder e acha que, como artista, pode ajudar a combater o preconceito?

Vange: O fato de eu ter participado do LF já era resultado da minha comple­ta descomplicação com relação a esse as­sunto. Quando percebi que gostava de mulheres foi uma das descobertas mais maravilhosas da minha vida. Não foi na­da traumático. Era tão lindo descobrir o que era amar, se apaixonar. A minha sorte é que meus amigos também achavam lindo eu me apaixonar por garotas. Meus ídolos, tipo Janis Joplin, Gal, Caetano, todos achavam lindo ser gay, aceitavam a homossexualidade própria ou dos outros numa boa. Então eu nunca achei que ser lésbica fosse algo ruim. Daí eu nunca es­condi nada. Apenas no começo da mi­nha trajetória como figura pública, eu si­lenciava a esse respeito. Até que numa determinada hora, achei ridículo não to­car no assunto. Não levanto nenhuma bandeira e nem chego me apresentando: "Prazer, Vange, cantora e lésbica". Isso é um rótulo. Minha sexualidade é bastante flexível e inaprisionável, se é que existe essa palavra. Agora, faz outing quem quer! Essa é uma questão muito pessoal. Primeiro porque suas preferências se­xuais são coisas muito íntimas e dizem respeito só a você. Tem pessoas que têm facilidade em se expor assim. Outras não. Mas com certeza o fato de existirem pessoas públicas revelando sua homos­sexualidade só ajuda. Mostra que não tem nada de mais. Normal.

UOO: No cenário internacional, na área musical, as mulheres estão acaban­do com a supremacia masculina via trabalhos fortes e pessoais, co­mo as já citadas k.d.lang, Me­lissa Etheridge e Courtney Love, Sheryl Crow, Alanis Morissette e mesmo Patti Smith que voltou a gravar. Aqui, no Brasil, como você vê a situação das cantoras e compositoras em geral? Exis­te muito machismo no meio artístico?

Vange: Atualmente, no ce­nário Rock'n Roll do Brasil, o que existe é um sexismo enor­me. Só dar uma olhada nos video-clipes para ver que, quan­do aparece mulher, é aquela gostosona que rodeia os cantores da banda. Uma gostosona não! Um monte delas fazen­do papel decorativo com bundas maravilhosas em primeiro plano. Lindo! Quem não gosta de um corpinho bonito? Mas ando meio cheia desse discurso onanista cheio de testosterona de alguns moleques do rock. Mas o Brasil sempre foi muito bem dotado de mulheres cantoras e com­positoras. Se você pensar em Maysa, por exemplo, ela era muito mais porrada que Courtney Love. O que precisa acontecer é o Brasil descobrir as mulheres do Bra­sil! As mulheres do Brasil precisam des­cobrir as mulheres do Brasil. Fui no show da Alanis, em São Paulo, e o públi­co era 70% formado por garotas! Todas cantando as letras e entendendo o que es­tavam cantando. Eu sinto mais ou menos a mesma coisa com relação ao meu públi­co. As garotas gostam de ver uma mulher que compõe e canta suas próprias músi­cas e pode liderar uma banda. Porque is­so se parece com elas. No fundo nin­guém tá querendo exemplos para seguir. Elas querem ouvir alguém que tem os mesmos problemas que elas e que falem coisas que elas vivem e sentem.

Fonte: revista Um Outro OLhar, nº 25, Ano 10, Dez 96/Abril 97, por Luiza Granado e Angela Gonçalves

 
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