Por medo de contar aos pais que era lesbiana, garota de 14 anos se suicida na Inglaterra

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 0 comentários

Lizzie Low se enforcou por medo de se assumir lesbiana Photo: MEN

Adolescente cristã se mata por medo de contar aos pais que é lésbica

Britânica de 14 anos lutava para conciliar seus sentimentos com a fé. Pai diz que teria recebido a notícia com ‘amor e aceitação’

RIO - Uma adolescente britânica se enforcou porque temia dizer a seus pais, cristãos devotados, que achava que era gay, segundo um inquérito da polícia.

Elizabeth Lowe, de 14 anos, tinha contado aos amigos mais íntimos que poderia ser lésbica e que estava lutando para conciliar seus sentimentos com a sua própria fé. Ela também estava preocupada com ter que contar a seus pais sobre sua orientação sexual. O pai, porém, disse que o receio da filha era completamente infundado e que a notícia teria sido recebida pela família com “amor e aceitação”.

A preocupação com o estado mental da estudante de Manchester começou quando ela enviou uma mensagem a um amigo, na noite de 10 de setembro, que terminava com as palavras: “Mantenha-se forte. Sinto muito”.

O amigo então alertou a mãe de Elizabeth, que, por sua vez, chamou a polícia. Infelizmente, os oficiais não chegaram a tempo e Lizzie foi encontrada enforcada em um parque da cidade. A autópsia concluiu que a menina não tinha drogas ou álcool em seu corpo no momento de sua morte. Ela também não tinha qualquer doença mental diagnosticada.

Um dos colegas de Lizzie contou à polícia que a amiga tinha dúvidas se seus pais aceitariam bem sua orientação sexual. A adolescente também havia falado sobre suicídio com os amigos e já tinha se automutilado no passado, o que chamava de “mecanismo de defesa”. Outro conhecido disse que ela estava “encontrando dificuldade para se conectar com Deus, porque achava que estava mentindo para ele”.

Lizzie era uma das melhores alunas da escola Parrs Wood High School, integrante do grupo de escoteiros e também tocava em uma orquestra cristã.

Após a investigação, o médico-legista Nigel Meadows disse que, claramente, Lizzie era uma menina muito inteligente e amorosa.
“Ela era uma ótima estudante que estava enfrentando questões complicadas com a chegada da maturidade e a descoberta da sua sexualidade, e também estava encontrando dificuldade para conciliar isso com sua fé. Ficou claro que ela estava sofrendo e que vinha falando sobre isso com outras pessoas”, comentou Meadows. “Ela nunca teve a oportunidade de conversar sobre suas preocupações com seus pais, mas tenho certeza de que eles teriam apoiado a filha”.
O legista também fez um apelo para que todos os adolescentes falem com um adulto sobre quaisquer questões ou preocupações.

Fonte: The Telegraph via O Globo, 18/12/2014. Christian teenager takes own life over misplaced fears about telling family she is a lesbian   

Gays são agredidos na Rússia sob o olhar complacente da polícia

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 0 comentários


A lei de "propaganda" discriminatória incentiva os ataques
Moscou - As autoridades russas têm falhado em sua obrigação de evitar e processar a violência homofóbica. Cada vez mais pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) têm sido atacadas em toda a Rússia antes e depois da aprovação da lei federal de "propaganda" anti-LGBT, em junho de 2013. A lei efetivamente legalizou a discriminação contra as pessoas LGBT e as situou como cidadãs de segunda classe.
O relatório de 85 páginas "Licença para ferir: Violência e assédio contra pessoas e ativistas LGBT na Rússia" se baseia em dezenas de entrevistas detalhadas com pessoas e ativistas LGBT em 16 cidades russas que sofreram ataques ou assédio agressivo por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero. Homossexuais descrevem que foram espancados, humilhados e chamados de "pedófilos" ou "pervertidos", em alguns casos por grupos de vigilantes homofóbicos e em outros por estranhos no metrô, na rua, em clubes noturnos, em cafés e até em uma entrevista de emprego.
"A violência sofrida pelos gays na Rússia é claramente motivada pela homofobia, mas as autoridades ignoram deliberadamente que são crimes de ódio e deixam de proteger as vítimas", disse Tanya Cooper, pesquisadora da Human Rights Watch na Rússia. "As autoridades russas deveriam processar efetivamente a violência homofóbica e deveriam parar de tolerar e participar da discriminação às pessoas LGBT."
A HRW documentou o estigma, o assédio e a violência que os homossexuais enfrentam em suas vidas cotidianas na Rússia. A maioria dos entrevistados disse que esses problemas se intensificaram desde 2013. Em alguns casos, eles foram atacados por grupos de "vigilantes" que
apareceram em dezenas de cidades russas no final de 2012. Esses grupos de nacionalistas radicais atraem homens e adolescentes gays sob o pretexto de um falso encontro, os retêm contra sua vontade e os humilham e expõem, gravando o encontro em vídeo. Centenas desses vídeos que mostram abusos foram publicados na internet.
Em outros casos, homossexuais contaram que foram fisicamente agredidas por estranhos durante suas atividades cotidianas. As vítimas disseram à HRW que os assaltantes os seguiram e em muitos casos os atacaram, acusando-os de ser gays, chamando-os de "bichas ou veados"
e gritando xingamentos homofóbicos contra eles em locais públicos.
Testemunha: a história de Andrey
Os ativistas LGBT também enfrentam violência física e assédio em eventos públicos de apoio à igualdade LGBT. A grande maioria dos ativistas entrevistados tinha sido atacada pelo menos uma vez durante eventos públicos pró-LGBT desde 2012 e descreveu ataques em várias cidades. Eles disseram que apesar de os manifestantes anti-LGBT os assediarem e atacarem de modo habitual, a polícia constantemente deixa de tomar medidas adequadas para evitar os ataques e protegê-los da violência.
Das 78 vítimas de violência e assédio homofóbicos e transfóbicos entrevistadas para o relatório, 22 não denunciaram os ataques porque temeram o assédio direto da polícia e não acreditavam que a instituição levaria a sério as agressões. Muitas vítimas acharam que relatar os ataques à polícia seria perda de tempo. De fato, quando as vítimas deram queixa, houve poucas investigações.
"Os órgãos policiais russos têm os instrumentos para processar a violência homofóbica, mas falta vontade para isso", disse Cooper. "O fracasso em deter e punir a violência e a agressão homofóbicas coloca as pessoas LGBT e seus apoiadores sob maior risco de ataque."
Além de várias investigações isoladas, as autoridades pouco fizeram para responsabilizar os agressores.
A HRW descobriu que embora a Rússia tenha leis contra crimes de ódio os órgãos policiais não consideram como tais sequer os mais notórios ataques homofóbicos. Nos casos documentados no relatório, quando a polícia abriu investigações criminais, elas foram imprecisas e relutantes em investigar com eficácia, muitas vezes culpando as vítimas pelos ataques. Só três dos 44 casos em que as vítimas abriram queixas criminais levaram a processos. Pelo menos dois dos atacantes nesses casos foram condenados, mas suas sentenças não correspondiam à gravidade dos danos causados às vítimas.
Em vez de denunciar publicamente a violência e a retórica anti-LGBT, as lideranças da Rússia permanecem em silêncio ou - em alguns casos - se envolvem em discursos de ódio explícito anti-LGBT, segundo a Human Rights Watch.
Em vários casos, homossexuais ou apoiadores de seus direitos que trabalham como educadores em escolas, universidades ou centros comunitários para crianças tornaram-se alvo de campanhas de difamação organizadas para demonizá-las e retratá-las como uma ameaça às crianças, somente por causa de sua orientação sexual. A maioria perdeu os empregos.
A lei de 2013 proíbe "propaganda de relações sexuais não tradicionais entre menores" e foi uma das várias medidas anti-LGBT propostas ou adotadas em 2013. Violar a lei é uma ofensa administrativa que pode ser punida com uma série de multas.
"A lei de propaganda anti-LGBT não protege ninguém, mas dá aos homófobos um motivo conveniente para acreditar que as vidas LGBT são menos importantes para o governo", disse Tanya Cooper. "O governo russo deveria repelir a lei e conter a discriminação contra seus cidadãos LGBT."
Alguns depoimentos
   Eu senti o sangue em minha boca, mas só mais tarde soube que os atacantes tinham quebrado meu queixo em dois lugares. Eles me levaram até um terreno baldio próximo e me perguntaram: 'Então, como você vai consertar isso?' 'Poderíamos quebrar seus braços e pernas ou...' Eu entendi que eles queriam dinheiro.... Antes que me deixassem ir embora, me perguntaram: 'Você sabe o que as pessoas sempre fizeram com os gays na Rússia? Elas empalavam os gays!'"
- Zhenya Zh. (nome fictício), vítima de um grupo vigilante anti-LGBT
   Eles me obrigaram a ficar de pé no meio do círculo que formaram. Fizeram perguntas sobre minha vida sexual e preferências sexuais e depois me obrigaram a gritar que eu era pedófilo e gay. Eles chamavam a si mesmos de 'Atletas contra Pedófilos' e me disseram: 'Vamos pegar vocês todos e vamos lhes ensinar a viver'. Eram cerca de 5 da tarde, por isso havia muita gente no shopping center fazendo compras e jantando. Mas ninguém os deteve, ninguém interferiu."
- Slava S. (nome fictício), vítima de um grupo vigilante anti-LGBT
    Um homem se aproximou de mim no metrô e perguntou se eu não tinha medo de andar 'vestido daquele jeito'. Ele me perguntou: 'Você sabe que temos uma lei que proíbe os gays?' Então começou a gritar ofensas contra mim, chamando-me de 'bicha'; pediu para as pessoas ao redor olharem para mim e me seguiu até o trem. Dentro do vagão ele me chamou de bicha e me bateu no rosto."
- Ivan (Johnny) Fedoseyev, um gay atacado por um desconhecido no metrô de São Petersburgo

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

Fonte: Brasil Post, 16/12/2014

Criminalização da homofobia pode ser votada nesta quarta-feira no Senado

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014 0 comentários


Emendas serão apresentadas e votadas durante a leitura do relatório do novo Código Penal na Comissão de Constituição e Justiça

A criminalização da homofobia, longa luta do movimento LGBT, deve enfim caminhar no Congresso Nacional nesta quarta-feira. O relatório do novo Código Penal deve ser apresentado e votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal mais de um ano após ter saído da pauta de votação numa manobra da bancada religiosa.

A senadora Ana Rita (PT-ES) protocolou na última sexta-feira quatro emendas ao projeto de novo Código. A proposta de modificação prevê o aumento da pena para crimes de lesão corporal, lesão corporal seguida de morte, tortura e preconceito, acrescentando a homofobia a outras formas de discriminação já previstas em lei como raça, e religão.

Para os crimes de lesão corporal e lesão corporal seguida de morte seria acrescido um terço da pena em caso de homofobia. Para o crime de injúria, a pena em caso de discriminação passaria de seis meses a um ano para um a três anos. Em caso de tortura, a pena seria de quatro a dez anos e o crime de discriminação seria punido com prisão de um a cinco anos.
Os dados estatísticos mostram que a comunidade LGBT é um grupo fortemente atingido pela violênciaviolência, com altos índices de homicídio. O Código Penal não pode se omitir numa questão tão grave. A lei tem que contemplar todos os grupos existentes na sociedade e, sem dúvida, os LGBTs são parcela das mais vulneráveis da população”, disse a senadora em entrevista ao LGBT.
Após a votação na CCJ, o projeto segue para a votação no plenário, em data ainda a ser definida.

Relator havia excluído crime de homofobia em novo Código

Ana Rita era presidente da Comissão dos Direitos Humanos do Senado Federal quando o PL 122 foi, em manobra da bancada religiosa, apensado ao Código Penal para retardar a votação no Congresso. Em três audiências na CDH, os deputados impediram a apresentação do projeto de lei. No dia de sua leitura, quando não coube mais a postergação, defenderam o apensamento ao Código Penal e conseguiram vitória tanto na CDH como no plenário do Senado.

Coube ao senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) apresentar o relatório do novo Código Penal. Passado pouco mais de um ano da derrota do PLC no senado, o senador decidiu ignorar a criminalização da homofobia. Rêgo vai deixar o Senado para assumir o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União. Aliado de todas as horas da presidente Dima Rousseff, ele preside as duas CPIs no Congresso instaladas para investigar o escândalo da Petrobras. As duas comissões são criticadas pela oposição pela influência do Planalto em suas decisões. Rêgo também foi presidente da CPI que investigou o bicheiro Carlinhos Cachoeira que terminou sem que fosse pedido o indiciamento de qualquer pessoa.

Também a ex-ministra da Cultura, Marta Suplicy, apresentou seis emendas à reforma do Código Penal, cujo relatório final está a cargo do senador Vital Rego (PMDB). As emendas apresentadas por Marta devem ir a voto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira (17). 

Marta propõe a inclusão do preconceito por identidade de gênero e orientação sexual no artigo 154 do Código Penal, que versa sobre crime de redução de alguém à condução análoga a de trabalho escravo. A pena para esse delito é aumentada se o crime for cometido por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem.

Fontes: Blog Felipe Martins e GGN, em 15 e 16/12/2014

Segundo IBGE, casais de mulheres formam a maioria dos 3,7 mil casamentos LGBT no Brasil

terça-feira, 16 de dezembro de 2014 0 comentários


Mulheres são maioria entre os 3,7 mil casamentos gay no Brasil, diz IBGE

Estado de São Paulo tem mais da metade das uniões homoafetivas, segundo levantamento de 2013. Região Norte tem 1,5%

RIO - Chegou a 3.701 o número de casais formados por pessoas do mesmo sexo que formalizaram o “sim” no ano passado. O montante representa 0,35% do total de casamentos realizados em 2013. Os dados estão nas “Estatísticas do Registro Civil 2013”, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira. De acordo com o estudo, 52% das uniões homoafetivas envolveram mulheres, e 48%, homens. É a primeira vez que a pesquisa anual investiga o casamento homoafetivo, o que foi possibilitado graças à aprovação da resolução nº 175 do Conselho Nacional de Justiça em maio de 2013. A decisão impediu cartórios brasileiros de se recusarem a converter uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo.
 É o início de uma nova série histórica, que veio para ficar. Daqui para frente, todo ano vamos manter esse levantamento - afirma Cristiane Moutinho, gerente de estatísticas vitais e estimativas populacionais.
Ela acrescenta que, além desses pares, há casais formados por pessoas do mesmo sexo que não efetivaram o casamento civil ou mesmo têm outros tipos de formalização, como a união estável. Os dados do Censo Demográfico 2010 já tinham mostrado que 60 mil casais do mesmo sexo moravam juntos no Brasil.

Os números refletem histórias como a da empresária Regina Moreira e da bancária Mônica Moutella, ambas de 48 anos. Um ano depois de se conhecerem pela internet, elas formalizaram o casamento em junho passado.
O casamento nos dá muito mais segurança. Não existiam dúvidas de que queríamos passar o resto da vida juntas. Além disso, já não podemos perder tempo - brinca Regina que chegou a precisar entrar na Justiça para resolver problemas na divisão de bens após o fim de um relacionamento anterior.
Segundo o IBGE, a idade mediana observada para os cônjuges do mesmo sexo foi de 37 anos para os homens e de 35 anos para as mulheres. É mais que a dos casais de parceiros de sexos diferentes (30 e 27 anos, respectivamente). A maior parte dessas uniões se dá entre pessoas solteiras, tanto para os casais masculinos (82,3%) quanto para os femininos (75,5%). Mas a proporção de casamentos entre solteiros e divorciados é maior entre as mulheres (17,4% contra 12,5% para os homens).
Observando as faixas etárias, os casamentos entre cônjuges do mesmo sexo nas faixas mais avançadas tendem a ser maiores. Isso muito provavelmente porque as pessoas têm mais noção do seu direito de se formalizar e de ter as garantias de tudo que um casamento de pessoas de sexo diferente têm direito, como herança etc. - explica Cristiane.
No que se refere à distribuição regional dos registros, o Sudeste ficou com 65,1% desses casamentos, seguido pelas regiões Sul (14,2%), Nordeste (13,4%), Centro-Oeste (5,8%) e Norte (1,5%). São Paulo teve a maior concentração de casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo do país: 54,4% dos casais formados por mulheres e 50,5% dos constituídos por homens se uniram no estado.


MAIS CASAMENTO E MENOS DIVÓRCIOS

O “Estatísticas do Registro Civil 2013” mostra que o número total de casamentos aumentou 1,1% sobre 2012, com 1,1 milhão de registros. No entanto, a taxa de nupcialidade legal (proporção de casamentos por mil pessoas de 15 anos ou mais de idade) se manteve em 6,9 por mil, a mesma desde 2011. Embora esse seja o patamar mais alto no período iniciado em 2000, ele é bem menor que as taxas registradas na década de 1970, de 13 casamentos por mil habitantes. Segundo o IBGE, a evolução recente nas taxas de nupcialidade estão relacionadas a mudanças nos arranjos conjugais e familiares, assim como facilidades legais para a obtenção do divórcio. Com isso, novas uniões legais se tornam possíveis.

A maior concentração de casamentos entre cônjuges masculinos e femininos também ocorreu na região Sudeste, que concentrou 48,2% dos registros. Em seguida, aparecem Nordeste (23,4%), Sul (12,7%), Centro-Oeste (8,5%) e Norte (7,2%). Houve um aumento generalizado das idades medianas dos homens e das mulheres ao casar, que, entre 2003 e 2013, passaram de 28 para 30 anos e de 25 para 27 anos, respectivamente.

Já o número total de divórcios foi de 324.921, o que representa uma queda de 4,9% sobre 2012. Com isso, a taxa geral ficou em 2,33 para cada mil habitantes com 20 anos ou mais, contra 2,49 no ano anterior. Esse indicador vem caindo desde 2011, quando houve um pico de 2,6 para cada mil, em consequência de alteração feita na lei em 2010, tornando o processo mais ágil.

Vai a votação, no dia 16, projeto de lei que restringe conceito de família à união heterossexual e proíbe adoção de crianças por LGBT

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 0 comentários

Anderson Ferreira, mais um pastor deputado contra
a igualdade de todos perante a lei

Votação de projeto de lei que proíbe adoção por homossexuais é adiada


Foi adiada para a próxima terça-feira (16) na Câmara dos Deputados a votação de uma proposta polêmica que define família apenas como união entre homem e mulher e, na prática, proíbe a adoção de crianças por casais gays. 

A análise do projeto, intitulado Estatuto da Família, estava marcada para esta terça (9) em uma Comissão Especial criada para tratar da matéria, mas um grupo de deputados pediu mais tempo para analisar o parecer do relator Ronaldo Fonseca (Pros-DF). 

A medida foi, em parte, uma estratégia para tentar evitar a votação na comissão, formada em ampla maioria por membros da bancada evangélica e apoiadores da proposta.

Em discussão, o Estatuto da Família traz como definição de família um núcleo formado a partir da união entre homem e mulher, por meio de casamento ou união estável, ou comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.

O parecer do deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF) prevê ainda que a adoção só poderá ser realizada por adotantes que sejam casados civilmente ou que mantenham a união estável, segundo o que determina o artigo 226 da Constituição.

Na prática, a ideia do parecer do deputado é proibir a adoção de crianças por casais gays. Apesar desse tipo de adoção não estar presente em lei, a Justiça tem garantido.

No relatório, o deputado afirma que o Supremo Tribunal Federal inovou ao ter fixado em 2011, como entidade familiar a união estável homoafetiva, ou seja, aquela formada por pessoas do mesmo sexo.
Foi introduzido, a meu ver equivocadamente, um novo conceito de família formada pelos pares homossexuais. Por entender que a decisão de criar a "família homoafetiva" não foi interpretativa, mas inovou, criando lei, data vênia, usurpando prerrogativa do Congresso Nacional", provoca o parlamentar.
Isso prejudica a criança. Ela já não tem pai ou mãe. Vai adotar e deixar sem um deles?", afirmou à Folha o deputado, que é evangélico.
Após a abertura da sessão, a deputada Erica Kokay (PT-DF) tentou cancelar a discussão e afirmou que não havia quórum suficiente antes do início das votações no plenário da Câmara, o que inviabilizaria a discussão nas comissões.

Para Kokay, o projeto "institucionaliza" a homofobia.
É um projeto que destila ódio. Ele estabelece uma única percepção de família. Chega num momento em que ele defende que família é família, independentemente se haja afeto e felicidade, e que com isso ela deve ser mantida a rigidez de uma lógica medieval", afirma.
Além do veto à adoção por casais homossexuais, o projeto também prevê a possibilidade de internação compulsória para usuários de drogas após avaliação de um juiz e do Ministério Público e a inclusão de uma disciplina chamada "Educação para a família" no currículo escolar.
Isso não está lá por casualidade. É uma forma de retroceder no conjunto da legislação existente", afirma a deputada Manuela D'Ávila.
Fonseca rebate.
As decisões judiciais que concederam a internação compulsória em sua maioria foram pedidas por familiares. Estamos incluindo isso na legislação. Se uma pessoa perdeu o controle de si mesma, como vai escolher?", disse. 
Fonte: Folha de São Paulo, Cotidiano, por Natália Cancian e Márcio Falcão, 09/12/2014

Abaixo íntegra do famigerado projeto

Pedidos de asilo na Europa para LGBT perseguidos em seu países de origem

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014 0 comentários


União Europeia proíbe que vídeo de sexo seja usado para provar homossexualidade


No mês passado, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que estrangeiro homossexual perseguido por causa da sua orientação sexual tem direito a asilo no bloco econômico. Agora, a mesma corte se pronunciou sobre como os países podem fazer para conseguir provas de que a declaração de homossexualidade é válida. Pela decisão, podem ser feitos interrogatórios sobre a vida privada, desde que não sejam pedidos detalhes das relações sexuais. Fotos e vídeos do ato sexual em si jamais devem ser requisitados ou aceitos.

As orientações pretendem esclarecer os limites das investigações feitas para garantir asilo a um estrangeiro gay. O tribunal explicou que os estados não podem se valer de conceitos estereotipados para negar a proteção. É preciso que seja feita uma avaliação caso a caso para decidir se a declaração de orientação sexual é verdadeira e se há risco de perseguição no país de origem (clique aqui para ler a decisão).

A homossexualidade passou a ser considerada nos pedidos de asilo em toda a União Europeia em novembro, quando o TJ decidiu que a UE deve proteger os nacionais de estados onde o homossexualismo é punido com prisão. Os juízes europeus interpretaram a Diretiva 2004/83/CE, que estabelece os requisitos para a concessão de asilo.

A diretiva aceita as regras aprovadas em 1951 no chamado Estatuto dos Refugiados, assinado em Genebra. Por esse estatuto, o asilo deve ser concedido ao estrangeiro que possa ser perseguido em virtude da sua raça, religião, nacionalidade, convicções políticas ou por pertencer a um determinado grupo social. O tratado não define o que é grupo social.

Para o Tribunal de Justiça da UE, os homossexuais constituem um grupo social sujeito a ser perseguido em determinados países. O direito ao asilo, no entanto, depende que a perseguição seja considerada suficientemente grave, para que fique constatada violação aguda dos direitos fundamentais dos homossexuais.

Na interpretação dos juízes, essa perseguição grave acontece sempre que o homossexualismo for punido com pena de prisão e desde que essa pena seja, de fato, aplicada. Se a previsão for apenas teórica, mas já tiver sido abandonada na prática, o asilo pode ser negado. O mesmo vale quando a opção sexual gera apenas uma multa. Nesses casos, cabe a quem recebeu o pedido de asilo analisar se há violação grave de direitos fundamentais.

O tribunal também definiu que o pedido de asilo não pode ser negado com o argumento de que, se o estrangeiro disfarçar sua sexualidade, vai escapar de perseguição no seu país de origem. Para os juízes, a orientação sexual faz parte da identidade de cada um e não é razoável pedir que se renuncie a essa característica.

Fonte: Conjur, Por Aline Pinheiro, 06/12/2014

 
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