Métodos de reprodução assistida para casais de mulheres que querem engravidar

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020 0 comentários

Resultado de imagem para lesbian mothers
FIV, método ROPA, inseminação: como casais de mulheres podem engravidar

Lésbicas podem recorrer a tratamentos de reprodução assistida para ter um filho biológico. Conheça as opções disponíveis e o que dizem os médicos.

Desde 2015, o Conselho Federal de Medicina autoriza procedimentos de reprodução assistida para casais de mulheres, e os ginecologistas notam o aumento da procura delas nos consultórios e clínicas dedicados ao assunto. 

Mesmo assim, lésbicas ainda têm dificuldade para encontrar informações confiáveis sobre o assunto na internet. Pensando nisso, fomos atrás dos principais métodos disponíveis hoje no Brasil. Confira!
  
As possibilidades da fertilização in vitro (FIV) 

É considerada a técnica com maior taxa de sucesso. “Os índices de gravidez são maiores do que os dos casais heterossexuais que buscam tratamento, pois estamos falando de duas pessoas potencialmente férteis”, comenta Caio Parente Barbosa, ginecologista do Instituto Ideia Fértil de Saúde Reprodutiva. 

Na FIV, a ovulação da mulher é estimulada durante um período específico com injeções de hormônio. Quando os óvulos atingem o tamanho adequado, são extraídos e inseminados artificialmente por espermatozoides de um doador anônimo. Depois de alguns dias numa incubadora artificial, os óvulos fertilizados são transferidos para o útero da mulher.

Para as lésbicas, há algumas opções a partir daí. Na mais simples, uma das parceiras pode gestar seu próprio óvulo. Outra possibilidade é implementar o óvulo de uma no útero da outra. Este processo é chamado de gestação compartilhada ou método ROPA.
Gestação compartilhada 

Neste cenário, as duas mulheres passam por uma bateria de exames que avaliam a capacidade reprodutiva, anatomia uterina e decidem quem será a doadora do óvulo e quem irá gestar. Além das questões reprodutivas, fatores como idade e doenças crônicas como diabetes ajudam na escolha. 
Podemos ainda estimular a ovulação das duas e fertilizar os óvulos de ambas com o sêmen do mesmo doador, assim as duas engravidam simultaneamente”, comenta Gustavo Teles, ginecologista e obstetra especializado em reprodução humana da Huntington Medicina Reprodutiva.
Só não dá para gerar um bebê com o material genético das duas mães. Contudo, uma técnica permite retirar o óvulo das duas e fazer o processo sem saber quem é a dona, desde que ambas estejam aptas fisiologicamente tanto para fornecer quanto para gestar. 
O único inconveniente é que, se a criança ficar doente, a informação genética pode ser importante, aí será preciso fazer exames mais tarde, depois que ela nascer”, explica Parente.
Inseminação artificial

Nesta técnica não se retira os óvulos, pois a inseminação é feita diretamente no útero de uma das mulheres. Primeiro, ela passa por um processo semelhante de estimulação, com uma dosagem menor de hormônios — é possível esperar o ciclo natural da mulher, mas as taxas de sucesso são maiores com a intervenção, que é segura para a saúde. 

No período adequado, é feita a introdução do sêmen doado diretamente no útero da mulher. “É indolor e não necessita de ambiente cirúrgico, pode ser feito no ambulatório”, comenta Arnaldo Cambiaghi, ginecologista-obstetra diretor do Centro de Reprodução Humana do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia. 

Como é mais simples que a FIV, seu custo também é menor, na faixa dos três mil reais. O contraponto é a taxa de sucesso menor, já que é preciso esperar a natureza agir naturalmente. Se não der certo, será preciso pagar pelo processo todo de novo. 

A escolha do doador 

Pela lei, o doador deve ser anônimo, mas as futuras mães podem escolher traços físicos e comportamentais, como cor dos olhos, cabelos, estatura, profissão e hobbies. Há bancos de sêmen nacionais — mais acessíveis, mas com poucas opções disponíveis, o que pode dificultar a escolha por um doador com as características desejadas.

Clipping FIV, método ROPA, inseminação: como casais de mulheres podem engravidar, por Chloé Pinheiro, Bebê.com.br, 22/01/2020

O primeiro casamento homoafetivo da Irlanda do Norte foi entre mulheres

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020 0 comentários

Sharni Edwards, 27 (à esq.), e Robyn Peoples, 26, é o primeiro casal do mesmo sexo a se...
O primeiro casamento homoafetivo da Irlanda do Norte entre as jovens Sharni Edwards e Robyn Peoples,

O primeiro casamento homoafetivo da Irlanda do Norte, entre as jovens Sharni Edwards e Robyn Peoples, aconteceu na terça-feira (11/02). Em outubro de 2019, a província suspendeu a proibição deste tipo de união, marcando a legalização histórica do casamento entre LGBTs em todo o Reino Unido.

Robyn Peoples, 26 anos, que trabalha na área da saúde em Belfast, capital do país, e Sharni Edwards, 27, que trabalha como garçonete em Brighton, no Reino Unido, se tornaram o primeiro casal gay da província a se casar, de acordo com a Love Equality, campanha da sociedade civil organizada para defender a aprovação do casamento LGBT na Irlanda do Norte.

Após seis anos juntas, o casal de lésbicas trocou votos em Carrickfergus, no condado de Antrim em uma cerimônia pequena para amigos e familiares. “Isso significa tudo para nós. Esta é minha esposa. Finalmente posso dizer que é minha esposa”, disse Peoples a repórteres após a cerimônia.
Somos o rosto desta causa na Irlanda do Norte. Para mostrar a todos que está tudo bem. Lutamos por tanto tempo para que esta oportunidade fosse vista como igual e agora estamos aqui e é simplesmente incrível”, completou.
O “sim” histórico aconteceu na data em que Edwards e Peoples já haviam reservado para assinar a união estável - permitida em todo o Reino Unido desde 2005. Com a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo em outubro de 2019, o casal decidiu oficializar a união de outro jeito.

O “sim” histórico aconteceu na data em que Edwards e Peoples já haviam reservado...
“Isso significa tudo para nós. Esta é minha esposa. Finalmente posso dizer que é minha esposa."

A dupla vai comemorar a lua de mel com uma viagem até Paris, na França, para curtirem juntas um show da estrela do pop, Ariana Grande. A primeira dança do cal será ao som da canção Over and Over Again, de Nathan Sykes, com participação de Grande.
Do jeito que você sorri, até o jeito que você olha, você me captura como nenhuma outra. Desde o primeiro olá, é tudo o que preciso. E de repente tínhamos uma à outra”, diz a letra da canção.
Em outubro de 2019, proibições tanto em relação ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo caíram na Irlanda do Norte por decisão do Parlamento britânico. 

Ao contrário do resto do Reino Unido, onde o aborto é autorizado desde 1967, na Irlanda este procedimento era ilegal, com exceção para quando a gravidez coloca em risco a vida da mulher. União estável entre pessoas do mesmo sexo já era permitida desde 2005, porém, o casamento civil, era proibido.

O ministro britânico da Irlanda do Norte, Julian Smith, membros do parlamento e ativistas comemoraram a legalização do casamento gay em um evento em Londres na mesma terça-feira.

Sara Canning, que era casada com Lyra McKee, ativista LGBT e jornalista assassinada em abril do ano passado, também participará do evento. 

Clipping Irlanda do Norte celebra primeiro casamento homoafetivo após proibição cair em 2019, Huffpost Brasil, Via Reuters,, por Equipe HuffPost,, 11/02/2020

Juliana Arv e Milkee lançam clipe "Sapeca" para animar o Carnaval

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020 0 comentários

Juliana Arv e Milkee: dupla lança funk para lésbicas, Sapeca
Single foi pensado pras lésbicas, mas pode, claro, ser curtido por todos. Foto: Alt_Project

Carnaval sempre foi sinônimo de farra e curtição, mas fica ainda mais legal quando envolve representatividade. Foi por isso que Juliana Arv se juntou a Milkee e juntas fizeram um single para animar todos os públicos.
Desde que comecei a trabalhar como artista meu foco foi trazer a representatividade que não tive quando adolescente. Olha a importância desse som: duas mulheres cantando sobre o universo lésbico que se uniram com outras lésbicas para apresentar um trabalho excepcional. Sinto que ganhei na vida, não só por mim, mas por todas as minas que se sentirão representadas com o que fizemos acontecer”, comenta Juliana Arv.
A música está sendo usada em um filtro do TikTok que diz para o usuário qual seu nível de Sapeca e já é febre entre os TikTokers, tendo mais de 75 mil vídeos feitos. Também ganhou espaço em Playlists do Spotify e Deezer.
Como cantora eu acabo tendo mil funções ao mesmo tempo e é sempre gratificante quando uma galera talentosa cola junto no projeto pra somar. Essa música cativou geral desde o começo. Ela foi feita pensando no público lésbico e teve a equipe em sua maioria mulher, porém pudemos contar com meninos incríveis que também apostaram e entenderam a importância do som. E a música é tão divertida que acredito que vai agradar todo tipo de gente. Essa é a idéia, mais união e menos segregação, é pra todos curtirem”, diz Milkee.
Produzida por Pe Lu (Selva, Restart) e Fred Subb, a faixa ganhou clipe assinado produzido meninas do Alt_Project, Thaís Munhoz e Tamara Rayes. A capa é de Kika (kikaratcha) e o hit ainda conta com passinho de Felipe Vilarim.

Letra

Sapeca (part. Milkee)
Juliana Arv

Oh, Milkee
Fiquei sabendo que agora ela só ta pegando pepeca hein

Vamo fazer amor devagar, devagarinho
Nesse beat vai descendo e vai subindo
Muito chique a sua sentada com jeitinho
Na suite me maltrata com carinho

Ei
Gosta de se envolver
Com raba no chão, deixa o bumbum tremer
Se envolveu com as mina certa pra te convencer
Cola no bailão que eu vou te dizer

Sapeca (peca) (peca)
Hoje pega só pepeca (peca) (peca)
Ela não quer long neca (neca)
Gosta quando toca sapabrega, ai

Sapeca (peca) (peca)
Hoje pega só pepeca (peca) (peca)
Ela não quer long neca (neca)
Gosta quando toca sapabrega, ai

Mlkee
E eu não gosto de papin'
Já chega e rebola pra mim
Vem solta pra Ju e pra Milkee
Preguiça dessas bi festim'
E ela vai nas marinheiras
Um rebuceteio sem fim
Mas só não se apega porque
Eu não quero love eu quero din'

Gosta de se envolver
Com raba no chão, deixa o bumbum tremer
Se envolveu com as mina certa pra te convencer
Cola no bailao que eu vou te dizer

Calma ai, calma ai, calma ai
Como é que a gente chama essas mina no baile mesmo?

Sapeca (peca) (peca)
Hoje pega só pepeca (peca) (peca)
Ela não quer long neca (neca)
Gosta quando toca sapabrega, ai

Sapeca (peca) (peca)
Hoje pega só pepeca (peca) (peca)
Ela não quer long neca (neca)
Gosta quando toca sapabrega, ai

É Ju Arv hein

 Clipping Juliana Arv e Milkee lançam "Sapeca" nas plataformas, Aqui tem diversão, 10/02/2020


Senado francês aprovou projeto que permite fertilização in vitro para mulheres solteiras e casais de lésbicas

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020 0 comentários

Fertilização in vitro para mulheres solteiras e casais de lésbicas

No dia 22 de janeiro, o Senado da França votou a favor de um projeto de lei que permite a mulheres solteiras e casais de lésbicas ter acesso à fertilização in vitro (FIV), a primeira grande reforma social do mandato do presidente Emmanuel Macron.

O projeto foi aprovado por 160 a 116 no Senado, onde o partido centrista de Macron é superado numericamente pelos republicanos de direita.

O projeto faz parte de uma lei de bioética mais ampla que, em outubro de 2019, foi lida, pela primeira vez, na Assembléia Nacional, a câmara dos deputados onde o partido de Macron comanda a maioria.

A lei altera uma das legislações mais restritas da Europa Ocidental sobre a reprodução medicamente assistida, uma promessa de campanha de Macron.

Os senadores, no entanto, votaram contra um artigo da reforma, aprovado pela Câmara, que permitiria ser a fertilização in vitro reembolsada pela previdência social francesa.

De acordo com a legislação existente na França, a fertilização in vitro está disponível apenas para casais de sexo oposto e somente por razões de infertilidade ou risco de transmissão de uma doença ou condição médica para a criança.

A reprodução medicamente assistida - como a fertilização in vitro - está amplamente disponível, para todas as mulheres, em países como Grã-Bretanha, Bélgica e Espanha. Mas na França, o tema alimentou um debate mais amplo sobre a comercialização de serviços de saúde e direitos homossexuais.
O que foi reconhecido para casais heterossexuais deve ser reconhecido para casais homossexuais", disse o senador do Partido Socialista David Assouline.
A legalização do casamento gay na França, seis anos atrás, provocou protestos maciços nas ruas, apesar da influência da Igreja Católica estar em declínio.

Em um sinal de que a França se tornou mais liberal socialmente, as pesquisas mostram que a maioria dos franceses apóia a reforma da lei sobre bioética.

Alguns oponentes do projeto de bioética temem que ele abra o caminho para a legalização da barriga de aluguel - uma mãe de aluguel é fertilizada com esperma e óvulo alheio ou engravida usando seu próprio óvulo - cuja popularidade vem aumentando globalmente, principalmente entre os casais gays que desejam se tornar pais.

No fim de semana passado (19/01/2020), 41.000 pessoas marcharam pacificamente por Paris para se opor ao projeto.

 O senador  Pascale Bories, do partido conservador Os Republicanos, disse que lamentava que Macron "não tivesse coragem de fazer um referendo sobre esse assunto porque os debates transcendem os partidos políticos".

Clipping Senado francês aprova projeto que permite fertilização in vitro para mulheres solteiras e lésbicas, Reportagem de Elizabeth Pineau; Escrito por Dominique Vidalon; Edição por Geert De Clercq e Lisa Shumaker, tradução por Míriam Martinho, Reuters, 22/01/2020

Macacas bonobas fazem sexo entre si para formar alianças e se proteger do assédio dos machos

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020 0 comentários

Duas fêmeas esfregam suas genitálias em LuiKotale, na República Democrática do Congo.
Duas fêmeas esfregam suas genitálias em LuiKotale, na República Democrática do Congo ZANNA CLAY 

Estudo inédito sobre o comportamento desses animais, considerado símios menos agressivo que os chimpanzés, revela o papel do sexo no vínculo entre as fêmeas

Os bonobos são popularmente conhecidos como os primatas hippies, por causa dos seus relacionamentos tranquilos, muito menos agressivos que os de seus primos chimpanzés. Entre os bonobos as agressões são escassas, a generosidade com os desconhecidos é espontânea, e o sexo casual é comum —um veículo muito agradável para reafirmar vínculos e relaxar as tensões sociais. Essas relações sexuais são habituais, também, entre bonobos do mesmo sexo, sobretudo entre as fêmeas da mesma comunidade. As manadas de bonobos são pacíficas, e o papel das fêmeas é muito mais decisivo, porque estabelecem alianças entre elas que cortam pela raiz qualquer esforço violento que os machos, maiores que elas, pudessem tentar. Mas até agora não se estudou com detalhe que papel o sexo entre elas desempenha nestas alianças. Um estudo recém-publicado oferece chaves interessantes, porque vincula diretamente esses episódios homossexuais com a força dos vínculos entre as fêmeas.

Visto da perspectiva da evolução dos grandes símios, incluídos os humanos, isso ajuda a entender o papel do sexo, também o homossexual, como uma prazerosa ferramenta social. "O comportamento sexual entre indivíduos do mesmo sexo está muito difundido entre os animais, o que sugere que lhes proporciona benefícios. Entretanto, até agora foi difícil determinar quais poderiam ser estes benefícios", alerta a primatologista Liza Moscovice. Além de bonobos, também há evidência de um vínculo entre o comportamento homossexual e uma maior cooperação entre sujeitos em outras espécies com cérebros muito desenvolvidos para responder perante relações sociais complexas, como os golfinhos e os humanos. Isto sugere, segundo Moscovice, que o comportamento homossexual poderia ser um veículo que estas espécies desenvolveram durante sua evolução para obter uma maior confiança entre indivíduos sem parentesco. "Nossa pesquisa ajuda a explicar por que o comportamento sexual entre sujeitos do mesmo sexo pode ser benéfico para as bonobas, já que desencadeia a liberação do hormônio oxitocina, que provoca no cérebro um aumento das sensações de confiança e proximidade, o que promove uma maior cooperação entre os casais."

Moscovice, da Universidade Emory (EUA), e seus colegas analisaram cerca de mil encontros sexuais observados ao longo de um ano e meio em uma comunidade de 40 bonobos em LuiKotale, na República Democrática do Congo. A maioria, 65%, foram relações entre bonobas, e só 1% encontros sexuais entre machos. O sexo entre fêmeas consiste em esfregar seus genitais, as vulvas inchadas (ver vídeo), o que provoca o desenlace prazeroso nelas, porque é a melhor postura para estimular mutuamente seus clitóris, abraçadas frente a frente. Em geral, embora nem sempre, as cópulas entre macho e fêmea se produzem pelas costas delas.
Se um macho tenta assediar ou perseguir uma fêmea, é comum que várias fêmeas se unam e afugentem o agressor masculino", explica a pesquisadora
O resultado fundamental do estudo, publicado na revista científica Hormones and Behaviour, é que as fêmeas permaneciam perto de seu parceiro sexual nos encontros com outras fêmeas, muito mais do que quando copulam com machos. Além disso, segregavam muito mais oxitocina, este hormônio que ajuda a reforçar os laços entre indivíduos. Por exemplo, os chimpanzés machos que vão atacar outra comunidade segregam oxitocina para estabelecer vínculos de camaradagem bélica. E a última conclusão do estudo é a mais decisiva: os pares de fêmeas que tinham mais relações sexuais entre si também se ajudavam mais em coalizões para se defenderem mutuamente e "reduzir o assédio dos machos". Defender juntas o seu acesso à comida, seu lugar na comunidade e, essencialmente, fazer frente aos esporádicos ataques dos machos.

Resultado de imagem para bonobos females
Bonobas: sexo e alianças contra agressões
Entre os chimpanzés, primos evolutivos dos bonobos, os machos agridem habitualmente as fêmeas como forma de garantirem seu acesso sexual, uma forma de reforçar suas chances de se reproduzir com sucesso. As bonobas, por sua vez, não têm uma época de cio definida, o que tornaria inútil essa violência dos machos. Além disso, em estudos prévios se observou que as bonobas só formam coalizões para ir contra machos, nunca contra outras fêmeas, e em todos os casos as coalizões eram vitoriosas, obrigando o bonobo a se retirar. Sozinhas, por outro lado, costumam perder a batalha, porque eles são mais fortes. As fêmeas de chimpanzé às vezes se atacam porque competem pelo interesse dos machos ou por alimentos.
"Descobrimos que a maior parte das ajudas ocorridas durante o período de estudo foi entre fêmeas e, frequentemente, contra machos", diz Moscovice, também pesquisador do Instituto de Comportamento Fisiológico de Leibniz. "Isto significa que, se um macho tenta assediar ou perseguir uma fêmea, por exemplo, para ocupar seu lugar em uma árvore e se alimentar, é comum que várias fêmeas se unam e afugentem o agressor masculino", desenvolve a primatologista. 
Pelo contrário, é raro que um bonobo macho obtenha a ajuda de outros bonobos se começar a atacar a uma fêmea.
 Isto pode explicar por que os bonobos machos mostram relativamente pouca agressividade contra as fêmeas em comparação com os chimpanzés, e por que os bonobos machos são mais propensos que as fêmeas a serem expulsos do acesso a recursos importantes, como alimentos preferivelmente", indica a primatologista. 
Portanto, embora não sejam necessárias interações sexuais para que as fêmeas cooperem entre si, as que têm mais interações sexuais entre si ficam ainda mais propensas a se ajudarem.
Talvez as fêmeas usem o sexo como uma forma rápida e fácil de indicar a outra fêmea que têm intenções amistosas e que gostariam de se associar a elas", descreve Moscovice. Desta maneira, inclusive as que não são amigas próximas podem permanecer juntas e cooperar às vezes."
Os pesquisadores descobriram que a maioria das fêmeas tem companheiras preferidas com as quais se associam mais em muitos comportamentos amistosos, mas, em lugar de apenas cooperar com estas fêmeas, as bonobas se aliaram com muitas fêmeas diferentes e tiveram relações sexuais com muitas fêmeas distintas. "Talvez as fêmeas usem o sexo como uma forma rápida e fácil de indicar a outra fêmea que têm intenções amistosas e que gostariam de se associar a elas", descreve Moscovice. E acrescenta: "Desta maneira, inclusive as que não são amigas próximas podem permanecer juntas e cooperar às vezes".

O estudo diz que inclusive a forma de realizar esses encontros sexuais entre fêmeas poderia influenciar na sua capacidade de reforçar estes vínculos. Para esfregar as genitálias, as fêmeas se abraçam frente a frente, dirigem-se mutuamente o olhar, têm que coordenar seus corpos para que o atrito seja satisfatório e, além disso, esse atrito propicia que estimulem seus clitóris, o que não costuma ocorrer nas cópulas com machos.
Diria que exige um contato social mais intenso que o típico das cópulas. O atrito genital ocorre em uma posição que pode facilitar facilmente a estimulação do clitóris", indica a autora do estudo. E acrescenta: "Em outras espécies, sabemos que o olhar mútuo e a estimulação genital estão associados a aumentos na oxitocina, por isso é provável que estes aspectos da esfregação genital também contribuam a uma maior liberação de oxitocina nas bonobas".

Clipping Bonobas praticam sexo homossexual para se proteger do assédio indesejado dos machos da mesma espécie

Suíça criminaliza homofobia via referendo

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020 0 comentários

Cartaz em Genebra faz campanha pelo "sim" à criminalização da homofobia na Suíça.
Cartaz em Genebra faz campanha pelo "sim" à criminalização da homofobia na Suíça. REUTERS/Denis Balibouse

Os suíços aprovaram por ampla maioria uma lei que proíbe a discriminação com base na orientação sexual. O tema foi votado em um referendo realizado neste domingo (9). Desta forma, o pequeno país se adapta à legislação em vigor na União Europeia, da qual não faz parte.

O "sim" venceu com 62% dos votos, durante a votação que terminou ao meio-dia (8h de Brasília), segundo o instituto GFS Bern. Mathias Reynard, o parlamentar socialista por trás dessa reforma do código penal suíço, elogiou no canal RTS-1 "um dia histórico e um sinal magnífico para todos os envolvidos".

Já Marc Frueh, do pequeno partido defensor dos valores cristãos UDF, que lançou este referendo com o apoio da União Democrática do Centro (UDC, direita populista), estimou que, apesar de seu fracasso, o recurso ao voto era justificado. A consulta "permitiu ao povo suíço tomar uma decisão", afirmou ele no mesmo canal. No entanto, Frueh acrescentou que seu partido permaneceria vigilante na aplicação da reforma.

A nova lei expande a legislação já existente sobre discriminação e ódio racial ou religioso, estendendo-a à orientação sexual. Essa reforma do código penal, adotada em 2018, encontrou oposição de círculos conservadores e populistas, que denunciaram uma "censura" e um ataque à "liberdade de expressão, consciência e comércio".

Legislação insuficiente

Os outros partidos consideraram que a proteção contra a discriminação com base na orientação sexual era insuficiente na Suíça e pediram que os suíços votassem "sim" à reforma. Os defensores do texto também se baseiam no fato de que a discriminação baseada na orientação sexual já é penalizada em outros países europeus e que o Conselho da Europa e a ONU solicitaram à Suíça que reforçasse seu aparato jurídico contra a homofobia.

A nova lei pune a ofensa pública e a discriminação de qualquer pessoa por causa de sua orientação sexual ou de qualquer atitude destinada a despertar o ódio contra ela, por meio da escrita, fala, imagens ou gestos. Por outro lado, não reprime os comentários feitos no círculo familiar ou entre amigos.

Restaurantes, hotéis, empresas de transporte, cinemas ou piscinas não podem recusar o acesso de alguém por causa de sua orientação sexual. O texto prevê multas ou penas de até três anos de prisão.

No entanto, nos círculos LGBT, teme-se que uma proteção especial os estigmatize ainda mais. "Estou lutando pela aceitação e normalização da minha sexualidade. Mas para mim, normalização também significa não exigir direitos especiais", argumentou antes da votação Michael Frauchiger, co-presidente do comitê "Direitos especiais NÃO!".

Com informações da AFP

Clipping Por referendo, Suíça criminaliza homofobia e se adapta a vizinhos da UE,  RFI, 09/02/2020

 
Um Outro Olhar © 2019 | Designed by RumahDijual, in collaboration with Online Casino, Uncharted 3 and MW3 Forum