Videomaker resgata biografia da feminista Ti-Grace Atkinson e seu lesbianismo político

terça-feira, 16 de abril de 2019 0 comentários

Videomaker Rita Moreira faz videobiografia de feminista histórica Ti-Grace Atkinson

Lá pelo meio da conversa com a videomaker Rita Moreira, 74 anos, ela se apresenta: "Sou lésbica, feminista radical e de esquerda". Não que fosse preciso dizer. Àquela altura, Moreira já havia exibido para o blog seu vídeo mais recente, uma "biografia de ideias" da ativista norte-americana Ti-Grace Atkinson, 80 anos, que foi fortemente influenciada pela filósofa francesa Simone de Beauvoir (1908-1986) e ficou conhecida como uma das pioneiras do lendário Women's Movement, criado no início dos anos 1970.

Simone de Beauvoir é considerada um ícone do feminismo contemporâneo. Seu livro "O Segundo Sexo" (1949) tornou-se um clássico sobre a opressão às mulheres. Companheira indissociável do filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980), com quem manteve um relacionamento aberto durante a vida toda, ela partilhava com ele da filosofia existencialista, cuja base são experiências humanas concretas, digamos, prosaicas, e não apenas elaborações do sujeito pensante. Com Sartre e Michel Foucault (1926-1984), Beauvoir assinou a polêmica Lettre ouverte sur la révision de la loi sur les délits sexuels concernant les mineurs (Carta aberta sobre a revisão da lei sobre ofensas sexuais envolvendo menores), publicada pelo jornal Le Monde em 1977. Na França, a idade mínima de consentimento para relações sexuais era 15 anos.

Lesbianismo político

Entre as ideias  pregadas por Ti-Grace Atkinson, estão a analogia entre "feminismo radical" e "lesbianismo político" (forma de relacionamento sem caráter sexual, mas voltado à união visceral de mulheres pela mesma causa); o "separatismo" ("as mulheres devem se unir sem a presença do homem, para se definirem através de si, e usarem a raiva para ir adiante"); e, ultimamente, a convicção de que as trans não devem participar de manifestações feministas, "já que a questão de gênero não diz respeito ao movimento e sim aos direitos humanos").

Atkinson, à esquerda, e mais três pioneiras do feminismo: "Olha que lindinha!" (Foto: Reprodução).

Olha que lindinha!

Rita Moreira conhece Atkinson desde o começo dos anos 1970, quando morou em Nova York com a então companheira na vida pessoal e profissional, Norma Bahia Pontes. Fã incondicional da filósofa, mantém em casa diversas fotografias emolduradas dela. "Olha que lindinha! A Ti é a da esquerda", aponta a videomaker, quando a imagem de quatro feministas radicais aparece na tela.

Moreira afirma que tudo o que ela pensa está na videobiografia de Atkinson. E faz suas as palavras dela.
Os trans, os negros e os homens não têm nada que ficar tirando lasquinha das nossas passeatas. A gente não vai na deles!"
Ela não se conforma com as consequências que o debate sobre as questões de gênero trouxeram para as mulheres: 
Agora, a gente tem tido que explicar que somos mulheres nascidas mulheres. É o cúmulo! Só existem dois sexos: o ser humano nasce com um pinto ou uma xoxota. Aí, dizem que a gente é contra trans!"
Rita Moreira com Norma Pontes Bahia, companheira dos tempos em que morou em Nova York
 (Foto: Reprodução)

Atkinson tem legião de fãs 

Apesar de atrair uma legião de fãs, Atkinson não era lésbica nem tampouco manteve relacionamentos com homens — o que só aumentava o mistério em torno dela. "Mistério, não!", exalta-se Rita. Então ela era assexuada? Mais gritos. "Isso não vinha ao caso! Ela considerava as instituições como o casamento, a maternidade e a religião os fundamentos da opressão da mulher." Mas não podia nem transar? "Você não entendeu nada!", continua Rita.

Nas entrevistas do filme, Atkinson aparece usando óculos redondos com lentes acinzentadas, à francesa, ou muito grandes, de armação transparente. Mantém uma postura de intelectual séria, ri pouquíssimo e pensa muito antes de soltar elaborações como: "Só porque você está viva, não significa que você tem uma vida." Onde quer que ela fosse, sempre havia uma câmera para captar sua imagem: ora esbravejando com policiais em uma marcha política, ora falando a feministas embevecidas, ou simplesmente atravessando uma rua com uma legenda. "Ela detestou esse cabelo", lembra Moreira, em uma das entrevistas do vídeo.

Três momentos de Atkinson: em manifestação pelo impeachment do presidente Richard Nixon; em entrevista recente; e em outra, no começo dos anos 1970 (Foto: Reprodução)

Quem tem ódio de quem

Na esteira do discurso de Atkinson, Rita Moreira afirma: "As pessoas costumam dizer que as feministas radicais têm ódio de homens. Mas pega as estatísticas de violência doméstica, e vê quem odeia quem. Só em janeiro, foram 117 mulheres mortas por companheiros no Brasil." Comento, sem números, que possivelmente os homens que batem em mulheres não são a maioria. Ela: "Claro que há homens bons. Deve haver até muçulmano legal…"

Ainda assim, Moreira acredita que as mulheres são mais "valentes".
Desço aqui na (avenida) Paulista, para observar o movimento de manhã cedo, vejo que elas já estão com as banquinhas armadas vendendo café, enquanto os homens estão largados pelo chão."
Padrão contrarrevolucionário

A octagenária Ti-Grace, que chegou a comparar o casamento à escravidão e que, quando perguntaram qual seria o possível substituto, respondeu "o câncer", lamenta profundamente que o atual movimento gay tenha adotado a instituição.
As feministas dos anos 70 não cairiam nisso. Hoje, elas acham que se juntar ao que é aceitável pela sociedade é a resposta. Por isso que eu digo que o sentimento precisa ser muito bem analisado, caso contrário pode reproduzir um padrão antigo, contrarrevolucionário."
Em relação ao casamento heterossexual, especialmente no Brasil, ele se tornaria inviável por causa da violência doméstica. Moreira, que foi casada (ou morou junto) com algumas mulheres, pergunta:
Como pode, com esse feminicídio, ainda haver tanta mulher querendo se casar?"
Incrível retrocesso
Sobre as mulheres e o feminismo que se pratica atualmente, Atkinson afirma que, "fora pouquíssimos avanços que podem ser retirados (como a eventual liberação do aborto)" vivemos um período de incrível retrocesso.
Voltamos aos anos 1930", diz. "Nos tornamos coniventes com o subjugo, em parte para sobreviver. Ver-nos diminuídas permanentemente é intolerável. Por outro lado, acho o movimento #metoo interessante, mas não busca respostas profundas." Iniciado em 2017 pela ativista norte-americana Tarana Burke, o #metoo levou mulheres do mundo todo a declarar publicamente que sofreram assédio sexual.
Fonte: Universa, Blog do Paulo Sampaio, 15/04/2019 (editado)


“Elisa y Marcela”, drama lésbico de época, causa polêmica no Festival de Berlim por ser da Netflix

segunda-feira, 15 de abril de 2019 0 comentários

Atrizes Natalia de Molina (esq.) e Greta Fernandez, de 'Elisa y Marcela', no Festival de Berlim - Fabrizio Bensch/Reuters

Drama lésbico causa controvérsia em Berlim por ser produção da Netflix


Assim que o logotipo da Netflix pintou na telona, as vaias irromperam na sala do Berlinale Palast, onde os filmes do Festival de Berlim são exibidos.

“Elisa y Marcela”, drama de época da espanhola Isabel Coixet, é a cizânia da vez. Por ser uma produção da empresa americana de vídeo sob demanda, a sua escalação para competir ao Urso de Ouro é controversa.

Redes alemãs de cinema protestaram contra a presença da obra nesse que é um dos eventos mais importantes do mundo. Numa carta aberta enviada à organização e ao Ministério da Cultura alemão, 160 exibidores independentes exigiram que o filme de Coixet fosse retirado da disputa. “O festival defende a tela grande, a Netflix defende a tela pequena.”
A diretora espanhola Isabel Coixet
A diretora disse que o documento é um “desrespeito” ao seu trabalho e ao da equipe de filmagem.
Entendo as razões das salas de cinema, mas não é justo dizer que o filme não mereceria estar aqui”, falou aos jornalistas. “O futuro passa pela convivência das várias plataformas.”
Diretor do festival, Dieter Kosslick se negou a retirar o longa da competição e afirmou que as grandes mostras cinematográficas precisam chegar a um entendimento comum sobre como lidar com a presença de produções do streaming em suas respectivas programações.

Cannes é inflexível e não permite produções que não passarão pelas telas dos cinemas. Veneza é bastante aberta a isso, tanto é que “Roma”, de Alfonso Cuarón, estreou por lá e saiu com o prêmio principal. Berlim adotou uma postura intermediária. Kosslick disse que permitiu a participação de “Elisa y Marcela” porque o filme será, ao menos, exibido nas salas espanholas.
Se ele for bem na Espanha, espero que viaje para outros países e passe no Brasil, onde estão prestes a banir o casamento gay”, disse Coixet. Ela se refere possivelmente à onda conservadora na política nacional.
“Elisa y Marcela” empunha a bandeira da união entre pessoas do mesmo sexo. A história, baseada num caso real ocorrido no começo do século 20, acompanha a relação entre duas mulheres que desafiaram os tabus de um vilarejo na região da Galícia para ficarem juntas.

Rodado num solene preto e branco, o longa mostra como as duas protagonistas se conheceram numa escola católica e logo se apaixonaram. Para ficarem juntas, Elisa chega até a sair da cidade e voltar disfarçada de homem para conseguir se casar com Marcela. O truque, contudo, não ilude ninguém, e as duas passam a enfrentar ameaças crescentes.
O que me interessava era mostrar como essas personagens se relacionavam e descobriam o que era o sexo num ano como 1901, antes de existir qualquer referência ‘queer’”, diz a cineasta.

Pessoas homossexuais correm mais risco de sofrer solidão quando envelhecem

sexta-feira, 12 de abril de 2019 0 comentários



Risco de solidão é maior para a comunidade de gays, lésbicas e outras minorias que envelhece

Falta de apoio de amigos e familiares é uma preocupação para os idosos gays

Relatório mundial divulgado no dia 19 de março mostra que a relação homossexual ainda é crime em 70 países, sendo que seis deles preveem pena de morte. O levantamento chama-se “Fobia de Estado” e está em sua 13ª. edição. Inclui apenas membros da ONU, entre os quais 35% criminalizam a homossexualidade – a maioria na África. É realizado pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexuais (Ilga em inglês). Segundo a organização, em 1969, 74% das pessoas viviam em nações onde ser gay era crime; atualmente, esse percentual é de 23%. Um caso emblemático é o da populosa Índia, onde a prática foi descriminalizada ano passado. Aproveito para voltar ao assunto porque, se envelhecer é um desafio para todos, pode ser bem mais difícil para os homossexuais.

Muitos desafios relacionados ao envelhecimento são comuns a todos: imaginar quem cuidará de nós se ficarmos muito frágeis ou avaliar qual será nossa reserva financeira depois da aposentadoria. Há outros que angustiam os homossexuais, como mostrou pesquisa nacional realizada no ano passado pela AARP, a Associação de Aposentados dos EUA, entidade que reúne quase 38 milhões de afiliados. De acordo com o levantamento, 57% dos homens gays acima dos 45 anos são solteiros e 46% vivem sozinhos. Entre as lésbicas, os percentuais são menores: respectivamente, 39% e 36%.

A solidão tem um enorme impacto negativo no bem-estar e, quanto mais vulnerável o círculo de relacionamentos de uma pessoa, pior. Na falta de cônjuges e filhos, essa rede de proteção diminui e mesmo o número de potenciais cuidadores é afetado, ainda mais se o indivíduo se afastou do seu núcleo familiar. A mesma pesquisa mostra que os adultos LGBTQ se preocupam de não ter apoio de amigos e familiares ao envelhecer. Um outro estudo, do Williams Institute, ligado à Universidade da Califórnia, relatou que quase 60% de idosos homossexuais se ressentem da falta de companhia e 50% se sentem isolados. Enquanto o aumento do número de centros comunitários voltados para o segmento homossexual já é uma realidade na Califórnia, no Brasil mal engatinha.

Fonte: G1, Bem Estar, por Mariza Tavares, 28/03/2019

Na Polônia, populistas de direita elegem os gays como seus maiores inimigos

quarta-feira, 10 de abril de 2019 0 comentários



Populistas da Polônia escolhem os gays como seus maiores inimigos
Sigla governista e líderes católicos se dizem contrários a direitos para comunidade LGBT
Quando Maciej Gosniowski estava crescendo numa cidade pequena no sul da Polônia, parte de uma família religiosa e de uma comunidade conservadora, as pessoas viviam dizendo que havia algo de errado com ele.
Seria melhor eu mudar meu jeito de ser”, ele se recorda de ouvir de seus professores. “Seria melhor se eu me comportasse mais como menino. Isso facilitaria minha vida.”
Gosniowski levava surras de outros alunos, que o xingavam usando palavrões homofóbicos que ele ainda não entendia. Ele não quer que outras crianças ou adolescentes sofram como ele sofreu, por isso saudou a decisão do prefeito de Varsóvia, no mês passado, de fazer uma declaração promovendo a tolerância.

Mas as reações contra a declaração o deixaram abalado.

O partido governista da Polônia, Lei e Justiça, aproveitou a declaração e toda a questão dos direitos dos gays na campanha que está fazendo para as eleições de representantes na União Europeia, em maio, e para as eleições nacionais, no próximo outono.

No passado o partido atacava migrantes, vendo-os como ameaça à alma do país. Mas nas últimas semanas os homossexuais viraram seu inimigo público número um.

Isso espelha uma tendência crescente na Europa central e do leste, onde partidos nacionalistas e populistas vêm cada vez mais recorrendo a questões culturais –e a ataques a gays— para mobilizar seus seguidores.

Desde a Romênia, onde o governo tentou mas não conseguiu emendar a Constituição para proibir o casamento homossexual, até a Hungria, onde homossexuais são vilipendiados e descritos como ameaça à família tradicional, a sigla LGBT vem sendo repudiada. Isso ocorre no contexto de uma luta mais ampla contra o que nacionalistas e populistas descrevem como “valores europeus”.

Jaroslaw Kaczynski, líder do partido Lei e Justiça e político mais poderoso da Polônia, usou a convenção da sigla em março para declarar que a guerra à homossexualidade é uma guerra que a Polônia precisa vencer para poder sobreviver.
Como hoje já sabemos, trata-se da sexualização das crianças desde a primeira infância”, ele disse. “Precisamos combater isso. É preciso defender a família polonesa. Precisamos defendê-la furiosamente, porque esta é uma ameaça à civilização, não apenas da Polônia mas da Europa como um todo, uma ameaça a toda a civilização baseada no cristianismo.”
O chamado mobilizou as bases do partido.
Acho que a Polônia vai se tornar uma região livre de LGBTs”, comentou Elzbieta Kruk, candidata do partido a uma cadeira no Parlamento Europeu. “Espero que sim.”
Outras organizações ecoaram os ataques, muitas vezes usando linguagem mais radical.

Durante uma partida de futebol no mês passado os torcedores de um dos clubes mais populares do país, o Legia Varsóvia, agitaram uma bandeira contendo um insulto homofóbico. Nada foi feito contra a bandeira durante o jogo. O clube disse mais tarde que não queria se envolver em “disputas políticas e ideológicas” e que a bandeira “não reflete a posição do Legia”.

Lideranças polonesas na Igreja Católica, ela própria abalada por revelações sobre abusos sexuais cometidos por clérigos, também aderiram à campanha.

O conhecido padre católico e educador Marek Dziewiecki disse a uma emissora de rádio local em entrevista recente que o sinal de “+” na sigla LGBTQ+ representa “pedófilos, zoófilos, necrófilos” e que o objetivo final é “converter as pessoas em “erotomaníacas inférteis”.

Quando 1.500 seguidores de organizações de direita radical foram a Czestochowa, o maior santuário religioso da Polônia, este mês, o reverendo Henryk Grzadko avisou as pessoas reunidas no local que a Polônia vive “uma invasão civilizacional”.

Durante sua homilia numa missa no encontro ele disse: “Eles agitam uma bandeira de arco-íris e procuram roubar nossos valores internos, como verdade, amor, vida humana, família baseada no matrimônio e moralidade fundamentada no Evangelho e nos Dez Mandamentos”.

Rafal Trzaskowski, o prefeito de Varsóvia, que divulgou a declaração de tolerância, disse que já previa uma reação cínica do governo mas acha preocupante o tipo de propaganda política produzida por emissoras públicas.


Segundo ele, foi esse mesmo tipo de material carregado de ressentimentos e ódio que levou um homem a apunhalar o prefeito de Gdansk, Pawel Adamowicz, na televisão ao vivo este ano, o matando.
Eles baseiam sua política no medo”, ele disse em entrevista dada na sede da prefeitura. “Começaram alguns anos atrás com refugiados, pintando um quadro assustador, dizendo que seríamos invadidos por centenas de milhares de migrantes que iam estuprar nossas mulheres e introduzir doenças na Polônia. Estão fazendo exatamente a mesma coisa agora.”
Mas Trzaskowski acha que não vai funcionar. Em 2015, quando o partido Lei e Justiça chegou ao poder, uma maioria avassaladora de poloneses concordou com a ideia de que era preciso fazer mais para proteger as fronteiras da Europa contra a chegada de migrantes.

Essa ameaça em grande medida já desapareceu, e a questão dos migrantes não mobiliza as pessoas como mobilizava antes, segundo sondagem de opinião divulgada na semana passada pelo Conselho Europeu de Relações Externas.
A migração ainda é importante para alguns eleitores, mas não é o único campo de batalha onde se disputarão votos antes das eleições para o Parlamento Europeu”, disse a entidade em comunicado à imprensa.
Trzaskowski, o prefeito de Varsóvia, não acredita que atacar gays seja uma arma tão eficiente quanto a campanha contra os migrantes.
A maioria da população polonesa não vai aceitar a ideia de que os homossexuais colocam nossa cultura e nossos valores em risco”, ele opinou.
Um candidato abertamente gay, Robert Biedron, formou um novo partido liberal e vem encontrando apoio amplo para sua mensagem, mesmo fora dos centros urbanos.

Uma pesquisa recente de opinião pública conduzida pela Ipsos para o site OKO.Press concluiu que 56% dos poloneses não são contra as uniões civis; dois anos atrás, eram 52%.

Ao mesmo tempo, porém, os poloneses continuam a se opor à adoção de crianças por casais gays: apenas 18% das pessoas são a favor da ideia.

Oktawiusz Chrzanowski, 36, que teve uma participação crucial na redação da declaração de Varsóvia, e seu companheiro, Hubert Sobecki, disseram que um dos elementos mais ofensivos da campanha do governo foi o esforço para retratar a homossexualidade como um perigo para as crianças.
O mais chocante e revoltante é o modo como alegam que os membros da comunidade LGBT são pedófilos”, disse Sobecki.
A declaração de Varsóvia prevê educação sexual nas escolas que siga as diretrizes da Organização Mundial de Saúde e determina a criação de um abrigo na cidade para pessoas rejeitadas e expulsas por suas famílias e comunidades.

Chrzanowski espera que algum dia no futuro não distante todas as escolas contem com a figura de um “guia”, alguém a quem os estudantes possam pedir conselhos e orientação sem o receio de serem julgados.

Gosniowski, que decidiu sair do armário depois de ser espancado no colégio e que é uma das poucas drag queens do país, disse que hoje sente-se confiante em sua sexualidade.

Num almoço recente em um café de Varsóvia, ele usou moletom cor-de rosa e brincos dourados de argola, com os cabelos loiros compridos. É uma tomada inequívoca de posição em um país onde o inconformismo ainda pode ter custo elevado.

Fonte: Folha de SP, por Marc Santora, Tradução de Clara Allain, 09/04/2019

Filhos de casais de mesmo sexo poderão ser batizados em Igreja Mórmon

segunda-feira, 8 de abril de 2019 0 comentários

Mulher posa para foto com uma bandeira de arco-íris enquanto pessoas se reúnem para uma renúncia em massa à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em Salt Lake City, nos EUA, em 2015. — Foto: Rick Bowmer/AP

Mórmons permitirão batismo de filhos de casais LGBT
Impedimento determinado em 2015 tinha afastado 1.500 membros da congregação, segundo relatório. Mudanças foram promovidas pelo presidente da Igreja, Russell Nelson, a fim de 'reduzir o ódio e os conflitos tão comuns na atualidade'.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias informou nesta quinta-feira (4) nos Estados Unidos que permitirá que filhos de casais de mesmo sexo sejam batizados.

Em comunicado, a igreja anunciou esta mudança nas políticas internas envolvendo fiéis membros da comunidade LGBT, especificamente a anulação de uma medida de 2015 que impedia que filhos de casais do mesmo sexo fossem batizados e recebessem bênçãos, assim como que também não vai classificar como "apostasia" as uniões de casais homoafetivos.
Os filhos de pais que se identificam como lésbicas, gays ou outras minorias podem ser batizados sem a aprovação da Primeira Presidência se os pais com custódia derem permissão para o batismo", diz o comunicado, divulgado dois dias antes da conferência anual dos mórmons no estado de Utah, nos Estados Unidos.
O anúncio, feito por Dallin Oaks, da Primeira Presidência, explica que o novo enfoque não representa uma modificação na doutrina a respeito "do casamento ou dos mandamentos de Deus sobre castidade e moralidade". Isso significa, especificou Oaks, que espera-se que os mórmons LGBT "atuem conforme as doutrinas da Igreja".

A regra estabelecida em 2015, segundo relatórios, provocou o afastamento de 1.500 membros da comunidade LGBT da congregação.

As mudanças foram promovidas pelo presidente da Igreja, Russell Nelson, que assumiu o cargo há um ano, a fim de "reduzir o ódio e os conflitos tão comuns na atualidade".

Há algumas semanas, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que é a frequentada pela maioria dos moradores de Utah, deixou de se opor à inclusão da comunidade gay em uma medida legislativa de combate aos crimes de ódio no estado, abrindo o caminho para que a iniciativa se tornasse lei.

Fonte: G1, via Agência Efe, 04/04/2019

Nova minissérie da Globo, “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, trará novo casal de mulheres

sexta-feira, 5 de abril de 2019 0 comentários


Prevista para estrear no próximo dia 15 de abril, a nova minissérie da Globo, “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, vai mostrar uma sociedade conservadora da década de 60. E, entre as diversas histórias  fora dos padrões na trama, um dos destaques será o relacionamento de Isabel (Débora Falabella) e Adalgisa (Mariana Ximenes)

Na história teremos uma das personagens como a primeira-dama da cidadezinha de São Miguel, no interior do Rio de Janeiro, casada com o prefeito Adriano (Murilo Benício), com quem vive um relacionamento de aparências. A outra personagem é uma mulher à frente do seu tempo, para 1960, num relacionamento moderno com Geraldo (Gabriel Braga Nunes), porém sem graça. 

As personagens Isabel (Débora Falabella) e Adalgisa (Mariana Ximenes) vão viver um romance que começará às escondidas, quando ambas insatisfeitas em seus relacionamentos hétero, buscam mais liberdade e aventura em suas vidas.
Fico muito contente que ela tenha um outro romance, que é misterioso. É onde ela se sente feliz e realizada, onde ela se sente mulher”, celebra Mariana Ximenes.
Eu acho que a Isabel é uma mulher que tem a ânsia de ser feliz e de furar com aquela bolha em que ela vive. O grande barato da série é esse: mostrar a sociedade que diz que é uma coisa, se coloca de uma forma superconservadora, mas todos têm teto de vidro e algo de obscuro, de secreto, de transgressor. Cada um de um jeito”, opina Débora Falabella.
Para mais informações sobre direitos e conquistas das mulheres em geral, acesse Contra o Coro dos Contentes

Fonte: Com informações de Vipado e EntrePop, 29/03/2019


 
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