Estreia em junho, pela HBO, documentário que o ator Robert De Niro fez sobre seu pai gay

quinta-feira, 17 de abril de 2014 0 comentários


Robert De Niro produz documentário sobre seu pai, um artista gay

Pai do ator era um pintor abstrato que, no anos 1950, separou-se da mulher quando percebeu que era homossexual

Robert De Niro, um cara que nunca expôs muito da sua vida pessoal na mídia, decidiu mostrar detalhes bastante íntimos de sua família em um documentário produzido por ele para a HBO. A obra, que vai ao ar em junho nos Estados Unidos, foi baseada no diário do pai dele: um pintor que se separou da mulher, a mãe do ator, quando percebeu que era homossexual.


Robert De Niro Sr., o pai, manteve uma boa relação com a ex-mulher depois do divórcio e esteve muito presente na vida do filho, que só iria descobrir o motivo da separação vários anos depois. “Eu fiz isto por ele”, disse De Niro, o filho, durante a apresentação do documentário no Sundance Film Festival, festival de cinema que acontece todo ano em janeiro. O filme é, diz ele, uma homenagem ao pai, cujas pinturas foram exibidas em galerias do mundo todo.

A princípio, o documentário seria apenas um trabalho pessoal, para ser dividido com a família, mas os produtores convenceram De Niro a compartilhá-lo com o mundo.

O pai de De Niro era um pintor abstrato que, por volta dos anos 1950, começava a ter sucesso com seus quadros, mas estava sentimentalmente insatisfeito e havia caído em depressão. O documentário, chamado Remembering the Artist Robert De Niro Sr., tem 40 minutos de duração, e estreia na HBO em junho. O pintor morreu em 1993, vítima de um câncer na próstata, aos 71 anos.

Fonte: GQ Brasil, 21/02/2014

Peru: queremos um país que proteja o amor. União Civil Já!

quarta-feira, 16 de abril de 2014 0 comentários

Quero um país que proteja o amor

Peru: milhares marcham a favor da união civil entre homossexuais

Milhares de pessoas percorreram no sábado (12/04/14) as ruas do centro histórico de Lima para manifestar apoio a uma proposta legislativa que aprova a união civil entre pessoas do mesmo sexo no Peru.

A denominada "Marcha pela Igualdade", convocada nas redes sociais pelo coletivo "União Civil Já", reuniu cidadãos no Parque Washington, na avenida Arequipa, local onde os manifestantes começaram a percorrer várias ruas para chegar até a cêntrica Praça San Martín.

Os organizadores assinalaram que a manifestação buscou "fortalecer nas ruas" o apoio ao projeto de lei apresentado pelo congressista Carlos Bruce, que propõe a união civil entre casais do mesmo sexo.

A iniciativa legislativa recebeu opiniões a favor do Ministério da Justiça e Direitos Humanos e da Defensoria Pública, embora seja rejeitada pela hierarquia da Igreja Católica e outras instituições religiosas.

O tema deveria ser discutido nesta semana pelo plenário do Congresso, mas será revisado após a celebração da Semana Santa.

Na mobilização participaram autoridades políticas, artistas, ativistas pelos direitos humanos e dos coletivos homossexuais, além de outros cidadãos.

A sentença do projeto, que já foi elaborado pela Comissão de Justiça e Direitos Humanos do Congresso, assinala que os casais do mesmo sexo poderão ser beneficiados do seguro social, ter uma representação conjunta perante qualquer autoridade, instituição pública ou privada, assim como receber visitas íntimas em centros penitenciários e hospitais.

Também permite tomar decisões para o início de tratamentos cirúrgicos de emergência e reconhece o direito a receber uma pensão alimentícia de acordo com o Código Civil e a herdar bens patrimoniais caso um dos integrantes do casal faleça.

A proposta recebeu nesta semana o apoio da delegação da Organização das Nações Unidas (ONU) no Peru, que ressaltou que os casais homossexuais têm os mesmos direitos que os heterossexuais.

O presidente do Congresso, Fredy Otárola, também anunciou seu respaldo e seu voto a favor da proposta porque, segundo disse, "o Estado não pode desamparar os homossexuais." "Este é um tema de consciência", ressaltou.

Antes do começo da marcha, o congressista Bruce denunciou que tinha recebido ameaças de morte em sua conta na rede social do Facebook e afirmou que já tinha dado conta dessa situação às autoridades.

Posteriormente, o legislador assinalou que tinha recebido as desculpas da pessoa que o ameaçou, um ex-coronel do Exército, e tinha decidido não apresentar uma denúncia perante à polícia.

A prefeita de Lima, Susana Villarán, também afirmou hoje ser partidária da União Civil e pediu aos peruanos que deixem de lado "a discriminação e intolerância" com relação a este tema.

Fonte: Terra, 12/04/2014

África do Sul é vista como refúgio por homossexuais perseguidos em países africanos

terça-feira, 15 de abril de 2014 0 comentários

África do Sul é vista como refúgio por homossexuais perseguidos em países africanos

África do Sul vira principal refúgio para gays perseguidos no continente

Renata Galvão

Cercada por países avessos aos direitos gays, a África do Sul tornou-se o refúgio para muitos homossexuais africanos. Com uma Constituição que reconhece o casamento gay, pune a discriminação e protege o direito dos refugiados, o país é o destino mais procurado pelos chamados "asilados sexuais" do continente. Mas apesar da legislação liberal, os gays ainda sofrem com episódios de homofobia e com o preconceito contra imigrantes no país.

Segundo a agência da ONU para refugiados (Acnur), a África do Sul tornou-se o principal destino dos "asilados sexuais" do continente. Só em 2013, a África do Sul recebeu mais de 290 mil refugiados, boa parte deles homossexuais, o que fez do país o líder em pedidos de asilo e refúgio pelo quarto ano consecutivo, segund a Acnur.

O cerco a homossexuais em países como Nigéria e Uganda faz com que muitos imigrantes busquem refúgio na "legislação progressista" sul-africana.

Em documento oficial do Departamento de Assuntos Internos sul-africano, o diretor-geral Mkuseli Apleni diz que as 72 entradas por terra ajudam a explicar porque o país entrou na rota de fuga de quem foge da homofobia no continente.

Na prática, porém, a perseguição e as dificuldades vividas por esses "asilados sexuais" não necessariamente acabam quando eles chegam à nação de Nelson Mandela.

"Existe uma desconexão com a forma que o país se porta internacionalmente e o modo como os refugiados sexuais são tratados aqui", afirma Yellavarne Moodley, pesquisador da Unidade dos Direitos de Refugiados da Universidade da Cidade do Cabo (UCT, na sigla em inglês).

Segundo o estudo, a burocracia para receber o status de asilo e preconceito por parte dos sul-africanos estão entre alguns dos problemas enfrentados.
Criminalização da homossexualidade

Para Moodley, o número de asilados no país deve se tornar ainda maior nos próximos anos devido à criminalização da homossexualidade que vem se tornando cada vez mais comum no continente. Somente neste ano, duas nações entraram para a lista dos países onde ser gay é proibido.

Em janeiro, a Nigéria aprovou uma legislação que torna o relacionamento gay um crime severo que prevê uma sentença de 14 anos atrás das grades. Em março, o presidente da Uganda, Yoweri Museveni, decidiu punir com prisão perpétua quem tem relações com pessoas de mesmo sexo.

De acordo com informações da Anistia Internacional, relações gays são consideradas crime em 38 das 54 nações africanas.
Desemprego e preconceito

Apesar de ser sinônimo de esperança para homossexuais ao redor da África, o país sul-africano possui uma realidade um pouco mais amarga do que as aparências levam a acreditar.

O advogado Guillain Koko, que oferece apoio e consultoria para refugiados gays na Cidade do Cabo, afirma que a Constituição liberal e inclusiva nem sempre reflete o comportamento da população.

"Eles (refugiados) sofrem preconceito, são alvos de ataques xenofóbicos e muitas vezes não encontram emprego", acusa quem afirma ter recebido em seu escritório pelo menos cem pessoas somente no ano passado.

Segundo pesquisa realizada pela organização Passop (Pessoas contra o Sofrimento, a Opressão e a Pobreza), 90% dos refugiados sexuais não conseguem encontrar emprego fixo no país. O relatório indica que a principal razão é discriminação e 51% dos entrevistados relatou que a falta de documentação também dificulta a procura por trabalho. "Muitos aguardam o status de asilado há mais de quatro anos", reclama Koko.

Em depoimento oficial, o Departamento de Assuntos Internos da África do Sul afirmou estar revendo seus procedimentos e tomando medidas para processar os pedidos de asilo de forma mais "eficiente e justa".

A ministra do Departamento de Assuntos Internos Nalendi Pandor aposta em parcerias com organizações internacionais, incluindo o ACNUR: "É importante para nós que os refugiados continuem a ver a África do Sul como um país que respeita as diferenças e representa esperança para um futuro melhor".
A realidade de quem foge

"Entre morte e prisão, viver com preconceito acaba se tornando o menor dos males". É essa a visão de um refugiado congolês quando questionado pela BBC Brasil sobre o porquê de ter escolhido a África do Sul como refúgio. Marc Kadima acabou emprestando nome e rosto ao dilema vivênciado por milhares de gays africanos.

Durante oito meses, o congolense de 25 anos enfrentou chuva, fome e frio. Em busca de liberdade, Kadima percorreu o sul do continente a pé e se escondeu em caminhões de carga até chegar a terras sul-africanas. "Eu sabia que iria morrer se continuasse no Congo", conta ele, que foi perseguido pelos próprios amigos e familiares. "Um grupo de conhecidos me levou para a rua e o espancamento começou. Consegui correr e fugi sem olhar para trás", relembra.

Apesar das dificuldades de adaptação que experimentou na África do Sul, onde vive há cinco anos, Kadima é grato pelo país que o recebeu. "Ainda existe homofobia no país e eu sofra por isso, eu não corro mais o risco de ser preso ou assassinado só por ser gay", diz.

Uganda foi um dos países africanos que aprovou leis impondo penas duras contra gays

Tiwonge Chimbalanga concorda. "Eu escuto insultos na rua, mas não estou mais presa", comemora ela, que há cinco anos se encontrava atrás das grades. Em 2009, o governo do Malauí condenou a transexual a 14 anos de prisão e trabalho forçado como punição por ter realizado uma festa tradicional de noivado com um homem.

Depois de quase um ano encarcerada, onde afirma ter sofrido torturas físicas e humilhações diárias, a transexual de 24 anos foi libertada pelas as autoridades do Malauí, que acabaram cedendo à pressão da comunidade internacional. "Aproveitei a atenção da mídia e pedi asilo para a África do Sul pelo fato de ser um país livre e próximo da minha aldeia natal. Eu sabia que se continuasse no Malauí acabaria sendo morta", explica.

O sofrimento de Tiwonge não é um caso isolado. Em relatório publicado em junho de 2013, a Anistia Internacional declara que ataques homofóbicos têm atingido níveis perigosos na África e que as autoridades vêm adotando cada vez mais novas leis para criminalizar a relação entre pessoas do mesmo sexo.

"Essa abordagem passa a ideia 'tóxica' de que pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais são criminosas", diz o documento da Anistia Internacional titulado "Fazer do amor um crime".

Fonte: BBC Brasil, Da Cidade do Cabo, África do Sul, 13/04/2014

#Clarina: Maioria dos telespectadores quer Clara e Marina juntas

segunda-feira, 14 de abril de 2014 0 comentários

A maioria dos telespectadores as quer juntas

Ao contrário do que pensam os conservadores, não existem verdades permanentes. Tudo muda inevitavelmente, inclusive nas novelas. Pensar que, em 1998 (há 16 anos apenas), o destino dos casais de mulheres, na telinha e no cinema também, continuava sendo trágico, a exemplo da novela Torre de Babel (1998/99), onde as personagens de Christiane Torloni e Silvia Pfeifer morrem numa estranha explosão. Hoje, os casais de homens ou de mulheres homossexuais não só não morrem nas novelas como até mesmo estão segurando a audiência da teledramaturgia da Globo. A última novela, Amor à Vida, teve como ponto alto o relacionamento entre os personagens Félix e Nico, com uma enorme torcida por um final feliz com direito a beijo de verdade. E rolou. 

Agora, na letárgica Em Família, de Manoel Carlos, é o romance entre Marina e Clara que tem despertado (literalmente) a atenção da audiência, com torcida para que o flerte chegue logo aos finalmentes e as belas fiquem juntas. Ao som do bonito tema Só Vejo Você (ouvir abaixo), na voz da cantora Tânia Mara, as atrizes Tainá Müller e Giovanna Antonelli, com delicadeza e sensualidade, têm construído uma versão bem consistente de duas mulheres mutuamente apaixonadas. Rola química entre elas. O resultado pode ser conferido pela enquete que o GShow fez sobre com quem Clara deve ficar, onde Marina ganha de goleada de Cadu (marido de Clara). Confira abaixo texto do GShow, sobre o caso Clarina (junção de Clara e Marina), e também vote para o romance das duas se concretizar.

Míriam Martinho

#Clarina! Atrizes exaltam romance, e Antonelli dá pitaco sobre beijo das duas
Sob holofotes dos telespectadores e com quase 80% de aprovação dos internautas, Giovanna Antonelli e Tainá Müller comentam história de amor


Com uma resposta muito positiva do público, o romance entre Marina (Tainá Müller) e Clara(Giovanna Antonelli) tem sido mais do que aguardado pelos telespectadores de Em Família. Na enquete que está sendo realizada pelo Gshow, na qual os internautas devem responder com quem acreditam que Clara deve ficar, a fotógrafa ganha com um número bastante expressivo de Cadu (Reynaldo Gianecchini), o marido de Clara.

No início das gravações, Giovanna disse que pretendia contar uma história de amor que fosse muito além das questões sexuais. E ela acredita que tem feito esse trabalho. "Estamos conseguindo, mas ainda acho que está cedo. O beijo (das personagens) é o de menos. Se chegar lá, é porque as pessoa estão acreditando na história", aponta a atriz que dá vida a Clara. Ela ainda completa: "O casal está trilhando o caminho que a gente construiu desde o começo".

Tainá, que afirmou não criar expectativa quanto à resposta do público antes de a novela estrear, se diz satisfeita com o retorno que tem recebido e compartilha da opinião da companheira de cena. "As pessoas têm me abordado nas ruas e o mais surpreendente é que, além dos jovens, muitas pessoas mais velhas falam comigo, sejam elas a favor do romance ou não. Isso é uma confirmação de que a ideia está sendo comprada. É uma demonstração de que o público comprou essa história. Eu, como atriz, fico muito feliz com isso”, revela a intérprete de Marina.

Além das ruas, Giovanna e Tainá contam que acompanham as redes sociais e estão a par da torcida de “Clarina”, nome do casal dado pelos internautas, que une as iniciais de Clara e as últimas letras de Marina. Toda esta mobilização do público tem uma explicação para Giovanna. “A última novela das 21h (Amor à Vida) abriu as portas. Acho que agora as pessoas conseguem falar mais livremente sobre o tema”, acredita a atriz.

O futuro de Clara e Marina

Com a doença de Cadu, a fotógrafa e a dona de casa caíram em mais uma encruzilhada. Tainá afirma que, certamente, é um obstáculo a ser ultrapassado, mas que não significa que seja limitador do romance. “O que faz a dramaturgia são os conflitos e, sem dúvida, esse vai ser outro grande desafio para as duas. A trama envolve essas problemáticas e precisa delas para ir se resolvendo”, explica. “A Marina já deixou muito ‘claro’ o que ela quer”, se diverte com o trocadilho. “Eu acho, inclusive, que ela está sendo muito compreensiva neste momento, dando apoio, independente das intenções que tem com a Clara. Ela tem respeitado e colocado a saúde do Cadu antes de qualquer outra coisa, sendo flexível”, defende.


Clara & Marina 49 por Lyllad

Renomado mestre zen-budista diz que quem discrimina gays e lésbicas não está feliz consigo mesmo

sexta-feira, 11 de abril de 2014 0 comentários

Abra a porta do coração

O monge vietnamita Thích Nhất Hạnh é um dos mestres budistas mais conhecidos e respeitados da atualidade, criador do chamado budismo engajado, poeta, ativista da paz e dos direitos humanos. No texto abaixo, retirado do blog Sangha Virtual - Thich Nhat Hanh - Brasil, ele fala como o preconceito contra pessoas homossexuais parte do que o Budismo chama de mente deludida porque inconsciente de que todos compartilhamos o mesmo fundamento do ser. Seguem também dois vídeos com partes de uma entrevista que Thích Nhất Hạnh deu a Oprah Winfrey.

Pergunta: Qual é a visão budista sobre a homossexualidade?

Thich Nhat Hanh: O espírito do Budismo é a inclusividade. Olhando profundamente a natureza de uma nuvem, vemos o cosmos. Uma flor é uma flor, mas se olharmos profundamente para ela, veremos o cosmos. Tudo tem um lugar. A base, o fundamento de tudo, é o mesmo. Quando você olha para o oceano, você vê diferentes tipos de ondas, muitos tamanhos e formas, mas todas as ondas têm a água como seu fundamento e substância.

Se você nasceu gay ou lésbica, o fundamento do ser é o mesmo que o meu. Nós somos diferentes, mas compartilhamos o mesmo fundamento do ser. O teólogo protestante Paul Tillich disse que Deus é o fundamento do ser. Você deve ser você mesmo. Se Deus me criou como uma rosa, então eu deveria me aceitar como uma rosa. Se você é lésbica, então, seja lésbica. Olhando profundamente em sua natureza, você vai se ver como você realmente é. Você será capaz de tocar o solo do seu ser e encontrar a paz.

Alguém que discrimina vocês, por causa de sua raça ou a cor de sua pele ou sua orientação sexual, é ignorante. Ele não conhece o seu próprio fundamento do ser. Ele não percebe que todos partilham a mesma base do ser, por isso ele discrimina. Alguém que discrimina os outros e faz com que eles sofram é alguém que não está feliz consigo mesmo. Uma vez que você tocou a profundidade e a natureza do seu fundamento do ser, você vai ser equipado com o tipo de entendimento que pode dar origem a compaixão e tolerância e  será capaz de perdoar até mesmo aqueles que o discriminam. Não acredite que o alívio ou a justiça virá através de sociedade por si só. Verdadeira emancipação reside na sua capacidade de olhar profundamente. Quando você sofre por causa da discriminação, há sempre uma vontade de falar. Mas mesmo se você passar mil anos falando, o seu sofrimento não será aliviado. Somente através da compreensão profunda e libertação da ignorância você pode ser libertado de seu sofrimento.

Às vezes, aqueles que nos discriminam agem em nome de Deus, da verdade. Podemos pertencer ao terceiro mundo ou podemos pertencer a uma raça em particular, podemos ser pessoas de cor, podemos ser gays ou lésbicas e ter sido discriminados por milhares de anos. Então como nos libertar do sofrimento de sermos vítimas de discriminação e opressão? No cristianismo, é dito que Deus criou tudo, inclusive o ser humano, e não há uma distinção entre o criador e a criatura. A criatura é algo criado por Deus. Quando eu olho para uma rosa, uma tulipa, ou um crisântemo, eu sei, eu vejo, eu penso, que esta flor é uma criação de Deus. Porque eu tenho praticado como um budista, eu sei que entre o criador e a criatura deve haver algum tipo de ligação, caso contrário, a criação não seria possível. Assim, o crisântemo pode dizer que Deus é uma flor, e eu concordo, porque deve haver o elemento "flor" em Deus, para que a flor possa se tornar realidade. Assim, a flor tem o direito de dizer que Deus é uma flor.

A pessoa branca tem o direito de dizer que Deus é branco, e a negra também tem o direito de dizer que Deus é negro. Na verdade, se você for para a África, vai ver que a Virgem Maria é negra. Se você não fizer a estátua da Virgem Maria negra, não inspirará as pessoas. Porque para os negros, "black is beautiful", de modo que uma pessoa negra tem o direito de dizer que Deus é negro, e na verdade eu também acredito que Deus seja negro, mas Deus não é só negro, Deus também é branco, Deus é também uma flor. Assim, quando uma lésbica pensa em seu relacionamento com Deus, se ela pratica profundamente, ela pode descobrir que Deus é também uma lésbica. Caso contrário, como você poderia estar lá? Deus é uma lésbica e Deus é gay também. Deus não é menos. Deus é lésbica, mas também gay, negro, branco, crisântemo. É porque você não entende isso que discrimina.

Quando você discriminar o negro ou o branco, ou a flor, ou a lésbica, você discrimina Deus, que é a bondade fundamental em você. Você cria o sofrimento ao seu redor  e cria o sofrimento dentro de si mesmo. É a ilusão, a ignorância que é a base de sua ação, a sua atitude de discriminação.

Período de adaptação: cartório usa "ele" e "ela" para casal gay

quinta-feira, 10 de abril de 2014 0 comentários

Pegou mal chamar o noivo de noiva

Cartório usa "ele" e "ela" para casal gay
Publicação oficial refere-se a um deles como mulher em Piracicaba (SP)

Um casal gay que vive em Piracicaba (SP) e está de casamento marcado para o dia 30 reclama de ter sofrido constrangimento pelo fato de um cartório de registro civil ter publicado em um jornal da cidade os dados de um deles como se fosse mulher, tratando-o no feminino como "ela", "solteira", "nascida", "filha" e "domiciliada".

Há 14 anos juntos, o engenheiro civil de 44 anos e o corretor de imóveis de 45 – que não quiseram se identificar – têm vivido situações que demonstram a falta de "adaptação" da sociedade à união homoafetiva. Apesar das dificuldades, os dois organizam uma cerimônia para 200 convidados e estão na etapa final para adoção de uma criança.

O engenheiro destacou que o processo de união é pago e, por isso, exige um tratamento apropriado. "É um serviço que estão prestando, eu paguei e quero receber tudo da maneira que escolhi. Pode não ser grave, mas criou um constrangimento", disse. Segundo o casal, a diferença na identificação dos gêneros foi tratada pelo cartório apenas como um "detalhe" – o que, na visão deles, não é.

"Não estou acusando o cartório de discriminação, mas me arrasou ver o edital de proclamas [anúncio oficial emitido pelo cartório na hora em que os noivos dão entrada nos papéis do casamento] da forma como foi feito. É um documento simples, basta modificá-lo. Sem falar que, no formulário, há questões como 'padrinhos da noiva'", afirmou o corretor.

O companheiro dele acrescentou que deve procurar o cartório para insistir que haja alteração nos documentos. "É algo relativamente simples de ser feito, então por que não fazer?".

Onde está a noiva?

Durante a preparação para o casamento, a compra de roupas, presentes e demais preparativos para a cerimônia, o casal relata ter visto outras situações similares de constrangimento. "Sempre que falamos do casamento, há perguntas como: 'Onde está a noiva?'. Passei, então, a ver um bom nicho de negócios voltado para casais homoafetivos, já que não há pessoas preparadas para atendê-los nos setores de comércio e serviços", destacou o corretor.

A cerimônia deve acontecer em um salão de festas de Piracicaba e reunirá amigos e familiares do casal. Segundo os noivos, a relação dos dois é conhecida e aceita, e eles nunca haviam sido vítimas de preconceito. Enquanto o engenheiro prefere ser identificado como gay e não como homossexual, o corretor diz que até hoje só sofreu discriminação por ser negro, nunca por sua opção sexual.

O engenheiro e o corretor já têm um contrato de união estável, mas decidiram pelo casamento com comunhão universal de bens depois que entraram na fila para adoção, há um ano. "Com relação à adoção, não tivemos entraves por sermos homossexuais. Estamos cadastrados e passamos por todas as etapas exigidas. Acredito que é muito grande o número de crianças que precisam de um lar, e não há motivo para não termos esse direito", afirmou o corretor.

Erro do sistema, correção e desculpas

A oficial substituta responsável pelo 2° Subdistrito Oficial de Registro Civil de Piracicaba, Lucila Maria Maffezoli, informou que o erro ocorreu por um problema no sistema do cartório durante a elaboração dos documentos, mas as informações foram corrigidas na mesma hora, na frente do casal, que concordou com as modificações e assinou os papéis corretos.

Sobre a publicação errada no edital de proclamas de um jornal da cidade, a oficial disse que também houve erro, mas que o engenheiro e o corretor já foram procurados na tarde de quinta-feira (3) e avisados de que o texto corrigido será publicado no dia 13 de abril. "Nós entramos em contato, pedimos desculpas e a compreensão deles, e explicamos que foi um erro do sistema e que, em nenhum momento, tivemos a intenção de constranger ninguém", justificou Lucila Maria.

Fonte: Cidade Verde, via G1, 04/04/2014

 
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