Remadora lésbica da Nova Zelândia busca sucesso olímpico para incentivar atletas LGB

segunda-feira, 27 de julho de 2020 0 comentários

Charlotte Mizzi e Emma Twigg em sua cerimônia de casamento (02/2020) - Img: Women's Day (NZ)

Quando a remadora neozelandesa Emma Twigg se deu conta de que era lésbica, não planejou servir de exemplo para ninguém.

Mas um afastamento do remo após a Olimpíada do Rio 2016, onde quase conquistou uma medalha de bronze, e o apoio que recebeu de amigos e colegas quando se casou com sua companheira no início deste ano mudaram o cenário.
Sempre tive a postura de querer ser conhecida como Emma, a remadora incrível, antes de Emma, a remadora gay", disse a atleta, de 33 anos, à Thomson Reuters Foundation, em uma entrevista por telefone.
Sinto que tenho muita sorte por sempre ter estado cercada por pessoas que nunca mostraram nenhum tipo de desrespeito, e minha sexualidade não é um ponto focal de minha carreira esportiva", acrescentou.
Emma Twigg – World Rowing Female Rower of the Year - worldrowing.com
Emma Wigg se prepara para as Olimpíadas de Tóquio

A Nova Zelândia legalizou as parcerias civis em 2004 e o casamento homossexual nove anos mais tarde, e foi depois de se casar, em janeiro, que Twigg percebeu que gostaria de usar sua plataforma como atleta para defender pessoas LGB menos privilegiadas do que ela.
Não é algo que, assim que percebi que era gay, fiquei à vontade fazendo. Com certeza exigiu algum tempo, e quanto a isso cada um tem sua jornada", disse.
À medida que cresci, percebi o poder de meu perfil e a oportunidade de fazer o bem usando o trabalho duro que dediquei ao meu esporte".
Ela se aposentou temporariamente após a Rio 2016, e sua volta ao esporte foi motivada em parte por seu desejo de mostrar a jovens e a atletas LGB que "a vida continua".
Se, ao ler sobre minha história, alguém se sentir mais confiante, será ótimo", disse ela, que aproveitará o adiamento da Tóquio 2020 para treinar.
Clipping Remadora gay da Nova Zelândia busca sucesso olímpico para "lançar luz" sobre injustiças, Por Seb Starcevic, 24/07/2020, UOL Esportes via Reuters

Madonna lembra quando recebeu multa por defender direitos LGBT na Rússia e não pagou

terça-feira, 21 de julho de 2020 0 comentários

Madonna defende o direito dos gays
Na Rússia, é proibido fazer “propaganda homossexual”.
Madonna usou suas redes sociais na última segunda-feira (20) para relembrar uma situação de 2012. Ela estava em turnê com a The MDNA Tour e, durante os seus shows na Rússia, que aconteceram em agosto, ela acabou fazendo um discurso pelas direitos da comunidade LGB. Por ser na Rússia, no entanto, isso vai contra as leis – é proibido fazer apologia ao tema. Por isso, ela foi multada por mais de 1 milhões de dólares. Atualmente, em reais, isso daria mais de 5 milhões. No entanto, ela afirmou que nunca pagou e nem pagará.

Eu fiz esse discurso em um show em São Petersburgo, há 8 anos. Fui multada em 1 milhão de dólares pelo governo por apoiar a comunidade gay. Eu nunca paguei”, escreveu ela, apoiando a liberdade de expressão. Junto, ela postou um trecho de seu discurso.
Assista
Não tenham medo. Nós queremos lutar pelo direito de sermos livres. É um tempo muito estranho no mundo e eu sinto no ar que as pessoas estão com mais medo, já que as pessoas estão mais intolerantes. Mas podemos mudar isso, nós temos o poder. E não precisamos fazer isso com violência, faremos apenas com amor“, disse ela, enquanto o público segurava a bandeira do arco-íris.
 Estou aqui para dizer que a comunidade gay e os gays, aqui e em todo o mundo, têm os mesmos direitos (como todos os outros) … os mesmos direitos de serem tratados com dignidade, com respeito, com tolerância, com compaixão, com amor“, completa.
Levantando a bandeira

Madonna sempre foi defensora da comunidade LGB e foi homenageada pelo GLAA Awards por seu ativismo contínuo no ano passado.

Na Rússia, não é proibido ser gay, mas há leis que proíbem a “apologia”. A homofobia tem sido patrocinada pelo governo por meio das próprias leis e por programas televisivos e propagandas. 

Nos canais estatais os homossexuais são apresentados como pervertidos, agentes pervertidos, agentes estrangeiros infiltrados ou pessoas doentes que devem ser curadas”, diz a ativista Svetlana Zakharova, membro do conselho da Russian LGBT Network (Rede Russa LGBT), uma das maiores organizações do setor no país, como afirma a revista Veja.

Em 2017, o mundo se escandalizou ao descobrir que, na Chechênia, policiais e autoridades mantinham um “campo de concentração gay”, onde ocorriam torturas, estupros e assassinatos. Na Rússia, a homossexualidade foi considerada um crime até 1993 e uma doença mental até 1999.

Ela não foi a única

Em 2019, Christina Aguilera confrontou governo da Rússia e abençoou casamento gay. Christina faz dois shows no país – em São Petersburgo e Moscou, metrópoles onde se assumir gay ainda é difícil, mas um pouco mais seguro que no interior.

De volta para 2013, Lady Gaga usou seu Twitter para criticar a Rússia. Assim como Madonna, Lady Gaga foi processada pelo governo da Rússia pela realização de seu recente show no país e por falar abertamente sobre a liberdade dos homossexuais por lá.
Por que vocês não me prenderam quando tiveram a chance, Rússia?”, escreveu Lady Gaga. “Porque vocês não queriam ter que responder ao mundo?”
Clipping Madonna relembra episódio em que foi multada pela Rússia após discurso em prol de LGBTQIA+: “nunca paguei”, by Caian Nunes, 21/07/2020

Personagem lésbica de Naya Rivera em 'Glee' ajudou público LGB a se autoaceitar

quarta-feira, 15 de julho de 2020 0 comentários

Naya Rivera como Santana Lopez em Glee (Foto: Divulgação)
Atriz interpretou Santana Lopez na série, que foi ao ar de 2009 a 2015, marcada
pela celebração da diversidade e da autoaceitação

A morte de Naya Rivera, atriz que interpretava Santana Lopez em Glee, chocou os fãs na última quarta-feira (8), principalmente pela importância da personagem em suas vidas pessoais. Naya sumiu durante um passeio de barco com o filho de 4 anos de idade, Josey, no Lago Piru, nos Estados Unidos, e as buscas por ela mobilizaram uma equipe de cerca de 100 pessoas até seu corpo ser encontrado na segunda-feira (13).


Glee ficou marcado na história da TV como uma série que celebrava a diversidade e a autoaceitação. Os discursos abordados nos episódios desde homossexualidade, preconceito, gordofobia, racismo, padrões de beleza, entre outros, destacava a série como precursora em 2009, quando foi lançada. Na série, Santana lidou com a aceitação da própria sexualidade e ajudou o público LGB que também enfrentava essa questão, além do preconceito.

Naya Rivera em Glee como Santana Lopez (Foto: Reprodução)
Naya Rivera em Glee como Santana Lopez (Foto: Reprodução)

Naya Rivera marcou uma geração com Santana, mostrando a importância de se aceitar como é!", escreveu um internauta no Twitter. "Hoje felizmente 90% das séries que vejo tem personagens não héteros. De Jane the Virgin pra cá, o número de séries com personagens latinos aumentou muito. Dez anos atrás, a realidade era outra. Ver uma personagem como a Santana Lopez foi de extrema importância pra mim", comentou outro. Além de Santana, Glee também tinha outros personagens LGB como Britanny (Heather Morris), Kurt (Chris Colfer) e Blaine (Darren Criss).
Estaria mentindo se dissesse que Santana Lopez não foi um personagem que me ajudou e influenciou em certo momento lá atrás", falou um fã. "Quem me conhece sabe o quanto eu sou fã dessa mulher, e quão importante pra mim foi a trajetória dela em Glee, série essa que me ajudou a me aceitar como um homem gay", disse um rapaz.
A personagem tem atitudes duvidosas ao longo da série e pode até ser considerada uma das vilãs. No final da última temporada, Santana e Britanny, que eram namoradas no ensino médio, se casam. A cena é uma das mais importantes da produção.



Clipping Personagem lésbica de Naya Rivera em 'Glee' ajudou público LGBTQIA+ com autoaceitação, por Isabela Pacilio, Quem, 10/07/2020               

Velma saiu do armário no desenho Scooby-Do Mistérios S.A e se assumiu lésbica

segunda-feira, 13 de julho de 2020 0 comentários

A personagem Velma é lésbica, revela produtor de 'Scooby-Doo'
Marcie e Velma são namoradas

Uma personagem do desenho Scooby-Do Mistérios S.A. acaba de sair do armário: Velma é lésbica. A afirmação foi feita pelo produtor da animação Tony Cervone em post nas redes sociais.

A postagem veio em resposta a questionamentos dos fãs que enxergavam uma possível relação amorosa entre Velma e o personagem Salsicha.
A Velma de Mistérios S. A. não é bi, ela é gay. Nós sempre planejamos a Velma agindo um pouco fora do personagem enquanto ela estava confusa consigo mesma e tinha dificuldades em entender”, escreveu ele, que postou uma imagem de Velma com as cores do arco-íris.
Ele prosseguiu dizendo que o desenho dá pistas da homossexualidade da personagem e que ela forma um casal com Marcie.
Há dicas sobre o porquê naquele episódio com a sereia e, se você seguir todo o arco de Marcie, parece tão claro quanto poderíamos fazer dez anos atrás. Eu não acho que Marcie e Velma tiveram tempo de agir de acordo com seus sentimentos durante a linha do tempo principal mas, após o reset, elas são um casal”, explicou.
Produtor do Scooby-Doo revela que Velma é lésbica e expõe sua vida ...
Velma é lésbica e não bi

No último domingo (12), James Gunn, que dirigiu o primeiro live-action de Scooby-Doo em 2002, disse que Velma, interpretada por Linda Cardellini, era gay na primeira versão de seu roteiro.
Eu tentei! Em 2001, Velma era claramente gay no meu roteiro inicial”, tuitou ele em resposta aos pedidos dos fãs de fazer Velma abertamente lésbica na próxima versão do desenho nos cinemas.
I tried! In 2001 Velma was explicitly gay in my initial script. But the studio just kept watering it down & watering it down, becoming ambiguous (the version shot), then nothing (the released version) & finally having a boyfriend (the sequel). 😐 https://t.co/Pxho6Ju1oQ
— James Gunn (@JamesGunn) July 13, 2020
Clipping Produtor de Scooby-Doo diz que Velma é lésbica e namora outra personagem, VejaSP, 13/07/2020

Pesquisa indica que 67% dos brasileiros acreditam que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade

segunda-feira, 6 de julho de 2020 0 comentários

LGBTQIA Pride
67% dos brasileiros acreditam que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade
Uma pesquisa do Instituto Pew indica que 67% dos brasileiros dizem acreditar que a homossexualidade deveria ser aceita pela sociedade, um aumento de seis pontos percentuais desde a realização da última edição do levantamento, em 2013.

Entre os 34 países analisados, o Brasil aparece no 16º lugar, atrás dos outros dois Estados latino-americanos incluídos: México (14º) e Argentina (10º). Ambos já apareciam à frente do Brasil no levantamento anterior e tiveram altas mais expressivas: 15 pontos percentuais entre os mexicanos e 10 entre os argentinos.

O país vizinho foi o primeiro entre os três a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2010, durante o governo de Cristina Kirchner. No México, esse direito varia de uma região a outra. Na Cidade do México, o casamento gay foi legalizado em 2009, mas só passou a ter validade em todos os territórios após uma decisão da Suprema Corte, em 2010.

Desde 2011, os estados de Coahuila e Chihuahua, ao norte, e Quintana Roo, ao sul, também legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo gênero. Nos pólos extremos do ranking estão a Suécia, onde 94% se disseram a favor da aceitação da homossexualidade, e a Nigéria, na qual apenas 7% dos entrevistados responderam o mesmo.

A pesquisa, realizada em 2019 e divulgada nesta quinta-feira (25), mostra que, embora mais da metade dos entrevistados em 16 dos 34 países pesquisados diga que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade, discrepâncias expressivas entre os índices nacionais persistem.

Segundo o instituto, um dos fatores que influenciou as respostas é o alinhamento político dos entrevistados: pessoas mais à direita apoiam menos o tema do que quem está à esquerda no espectro político. Nos Estados Unidos, 53% dos direitistas responderam a favor da aceitação –33 pontos percentuais atrás dos esquerdistas, que registraram 86%.

No país, pautas progressistas como a legalização do aborto e do casamento gay, e a proibição de discriminação de pessoas transexuais no ambiente de trabalho ganharam terreno graças a decisões da Suprema Corte. Os legisladores federais não conseguiram formar maioria para adotar leis sobre esses temas -nem a favor, nem contra.

Essas demandas seguem sendo altamente sensíveis entre o eleitorado americano –a proibição do aborto, por exemplo, é uma das principais plataformas do Partido Republicano. A preferência política também é acentuada nos países europeus com governos populistas de direita ou nos quais há participação expressiva de partidos com esse perfil na política nacional.

Na Hungria de Viktor Orbán, por exemplo, 40% daqueles que se identificam com a direita responderam a favor, contra 61% daqueles que se alinham à esquerda. Outro fator determinante para a percepção da homossexualidade, segundo o Instituto Pew, é a idade. Em 2 de cada 3 países analisados, os jovens se mostraram significativamente mais propensos a serem favoráveis na questão.

A diferença entre as respostas do grupo de 18 a 29 anos daquelas dos entrevistados de mais de 50 chegou a 56 pontos percentuais na Coreia do Sul, o país que mostrou a maior diferença generacional. O Japão fica em segundo lugar desse índice: a proporção de jovens favoráveis à aceitação é 36 pontos percentuais mais alta. Seul também teve a maior diferença no recorte de gênero: 51% das mulheres se dizem a favor, enquanto apenas 37% dos homens concorda com esse posicionamento.

Clipping Aceitação da homossexualidade no Brasil cresceu de 61% em 2013 para 67% em 2019, Diário de Pernambuco (via FolhaPress), por Diana Lott, 5/06/2020

O resgate do termo "sapatão" pelas lésbicas

quarta-feira, 24 de junho de 2020 0 comentários

Luciene Santos, a Sapavegana fala sobre termo sapatão - Divulgação
Luciene Santos, a Sapavegana fala sobre termo sapatão Imagem: Divulgação


"Sapatão, periférica, afrovegana". O perfil no Instagram da criadora de conteúdo Luciene Santos, a @sapavegana, já dá pista do quanto usar o termo sapatão para falar sobre a própria orientação sexual é ferramenta de autoestima, autoafirmação e resistência nas redes sociais.

A palavra que durante muito tempo foi usada como forma de xingamento por quem não respeita o jeito de viver de mulheres que se relacionam com outras mulheres vem, aos poucos, ganhando significado positivo. Mas a reviravolta veio justamente pelas atitudes de quem já sofreu preconceito. Como diz a letra daquela antiga marchinha de Carnaval, que transita entre o estereótipo e essas frases mais atuais: "O sapatão está na moda. O mundo aplaudiu. É um barato, é um sucesso dentro e fora do Brasil". Agora, elas se apropriam disso.

Só as sapatonas on-line: na internet, elas se apropriam do termo

É o caso de Luciene, que criou sua conta no Instagram em 2018 para falar sobre veganismo a partir de sua experiência de vida. Ela havia revelado que é lésbica para o mundo dois anos antes. Ouviu comentários negativos sobre ser "sapatona". "Eu cresci ouvindo 'sapatão' como ofensa de pessoas próximas. Como se fosse algo ruim". 

Quando decidiu falar na internet sobre veganismo, queria aliar outras identidades à bandeira do fim da crueldade animal. "O perfil na rede social me ajuda a me posicionar enquanto lésbica, preta, pobre. Aliás, me ensina o quanto é importante se posicionar", diz. 

Para ela, ser a @sapavegana nas redes resulta na identificação de outros públicos com suas vivências e é uma ponte entre as opressões sociais que quer combater com seu trabalho. 
O termo afasta algumas pessoas, mas também atrai: tenho seguidores que são LGBTs que me seguem mesmo não sendo veganos, e vice-versa. Isso é bom, porque eu consigo unir as pautas. Além disso, as opressões que mantêm a figura do homem branco cisgênero, heterossexual e branco no poder prejudicam as pessoas pretas, os pobres, os indígenas, os animais. Então, para mim, são essas causas que precisam ser defendidas." 
Ana Claudino Sapatão amiga - Divulgação - Divulgação
Ana Claudino, a "Sapatão Amiga", produz conteúdo no Youtube sobre sua vivência Imagem: Divulgação

Uma "sapatão amiga" no Youtube 

No Youtube, digitar "Sapatão amiga" no campo de pesquisa leva ao canal de Ana Claudino. Criadora de conteúdo na internet desde 2017, Ana também precisou dar novo sentido à palavra sapatão para que se tornasse motivo de orgulho.

"Quando eu era criança, e nem sabia que era lésbica, já me chamavam de sapatão. E eu achava que era sobre quem usava sapato grande. Aos 20 anos, passei a usá-la como uma palavra política", analisa. "Lésbica é um termo muito limpo".

Não à toa, a experiência na infância de ser xingada por sua orientação sexual influenciou também a escolha do nome do canal. "Fui uma criança no final dos anos 90, em que não tinha internet, produção de conteúdo LGBT como temos hoje. Queria que o 'Sapatão Amiga' fosse um porto seguro para as meninas que não têm, justamente, uma amiga sapatão para conversar e dizer que está tudo bem."

Sapatour fala de sapatão - Divulgação - Divulgação
Parte do grupo Sapatour, composto pelas produtoras de conteúdo: Yasmin Akutsu, Luana Aguiar, Taynara Aquino, Fernanda Xavier, Jeniffer Pereira, Thais Goto, Caroline Souza, Marina Sampaio e Patrícia Ribeiro Sanyana Amara.

E vamos de "Sapatour"

O orgulho de ser sapatão também é mote do conteúdo produzido nas redes sociais pelo "Sapatour", um grupo de pelo menos dez amigas lésbicas que migrou da vida real para a internet com entretenimento e informação LGBTs. "Sempre destacando o L, que é nossa vivência", explica a idealizadora do grupo, Yasmin Akutsu. 

Além dos vídeos da trupe, o Sapatour promove a hashtag #SomosTodosSapatour, em que seguidoras publicam fotos e vídeos de si mesmas. Para Yasmin, é um jeito de mostrar que lésbicas não estão sozinhas e aumentar a autoestima de cada uma. 
O Sapatour e a hashtag são formas de fazer com que se sintam abraçadas, seguras e unidas mesmo que de longe. Assim, elas podem ter força e coragem para mostrar à sociedade quem são e para enfrentar todo o preconceito que infelizmente existe. Isso gera uma identificação que as motiva a fazer o que realmente gostam, sem se preocupar com julgamentos", detalha. "O movimento espalha esse empoderamento". 
O nome, explica a fundadora, veio do perfil festeiro do grupo.
Quando nos conhecemos éramos todas solteiras, saíamos de segunda a segunda e nunca nos desgrudávamos. Na época a gente tinha mania de chamar todo lugar que a gente ia ou tudo que a gente fazia de 'tour'. Eu sempre gostei de compartilhar tudo nas redes e achei que seria melhor termos um nome de verdade para o grupo", explica. "Estamos sempre tentando unir diversão, informação e representatividade".
A palavra "sapatão" vem de onde? 

Usar o termo sapatão para lésbicas, segundo especialistas, pode ter sido popularizado em dois contextos históricos: "[O primeiro] remete aos poemas sobre amores lésbicos do poeta Gregório de Matos (1636 - 1696), em que aparece a figura de uma mulher chamada Luiza Sapata", analisou a doutoranda em linguística pela USP e pesquisadora do Centro de Documentação em Historiografia Linguística (CEDOCH-DL/USP) Stela Danna, em entrevista para Universa de outubro do ano passado. 

A segunda tem a ver com o uso de "sapatos masculinos" por feministas, na década de 1970, em vez dos modelos femininos. Essas mulheres, então, passaram a ser chamadas de 'sapatão'. A música citada no início da matéria, "Maria Sapatão", nos anos 80, também popularizou o termo no Brasil.

Ver também Origens do termo sapatão | Um Outro Olhar

Clipping "Sapatão, sim": por que influencers estão resgatando termo antes rejeitado, por Nathália Geraldo, Universa, 22/06/22020

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