“Elisa y Marcela”, drama lésbico de época, causa polêmica no Festival de Berlim por ser da Netflix

segunda-feira, 15 de abril de 2019 0 comentários

Atrizes Natalia de Molina (esq.) e Greta Fernandez, de 'Elisa y Marcela', no Festival de Berlim - Fabrizio Bensch/Reuters

Drama lésbico causa controvérsia em Berlim por ser produção da Netflix


Assim que o logotipo da Netflix pintou na telona, as vaias irromperam na sala do Berlinale Palast, onde os filmes do Festival de Berlim são exibidos.

“Elisa y Marcela”, drama de época da espanhola Isabel Coixet, é a cizânia da vez. Por ser uma produção da empresa americana de vídeo sob demanda, a sua escalação para competir ao Urso de Ouro é controversa.

Redes alemãs de cinema protestaram contra a presença da obra nesse que é um dos eventos mais importantes do mundo. Numa carta aberta enviada à organização e ao Ministério da Cultura alemão, 160 exibidores independentes exigiram que o filme de Coixet fosse retirado da disputa. “O festival defende a tela grande, a Netflix defende a tela pequena.”
A diretora espanhola Isabel Coixet
A diretora disse que o documento é um “desrespeito” ao seu trabalho e ao da equipe de filmagem.
Entendo as razões das salas de cinema, mas não é justo dizer que o filme não mereceria estar aqui”, falou aos jornalistas. “O futuro passa pela convivência das várias plataformas.”
Diretor do festival, Dieter Kosslick se negou a retirar o longa da competição e afirmou que as grandes mostras cinematográficas precisam chegar a um entendimento comum sobre como lidar com a presença de produções do streaming em suas respectivas programações.

Cannes é inflexível e não permite produções que não passarão pelas telas dos cinemas. Veneza é bastante aberta a isso, tanto é que “Roma”, de Alfonso Cuarón, estreou por lá e saiu com o prêmio principal. Berlim adotou uma postura intermediária. Kosslick disse que permitiu a participação de “Elisa y Marcela” porque o filme será, ao menos, exibido nas salas espanholas.
Se ele for bem na Espanha, espero que viaje para outros países e passe no Brasil, onde estão prestes a banir o casamento gay”, disse Coixet. Ela se refere possivelmente à onda conservadora na política nacional.
“Elisa y Marcela” empunha a bandeira da união entre pessoas do mesmo sexo. A história, baseada num caso real ocorrido no começo do século 20, acompanha a relação entre duas mulheres que desafiaram os tabus de um vilarejo na região da Galícia para ficarem juntas.

Rodado num solene preto e branco, o longa mostra como as duas protagonistas se conheceram numa escola católica e logo se apaixonaram. Para ficarem juntas, Elisa chega até a sair da cidade e voltar disfarçada de homem para conseguir se casar com Marcela. O truque, contudo, não ilude ninguém, e as duas passam a enfrentar ameaças crescentes.
O que me interessava era mostrar como essas personagens se relacionavam e descobriam o que era o sexo num ano como 1901, antes de existir qualquer referência ‘queer’”, diz a cineasta.

Pessoas homossexuais correm mais risco de sofrer solidão quando envelhecem

sexta-feira, 12 de abril de 2019 0 comentários



Risco de solidão é maior para a comunidade de gays, lésbicas e outras minorias que envelhece

Falta de apoio de amigos e familiares é uma preocupação para os idosos gays

Relatório mundial divulgado no dia 19 de março mostra que a relação homossexual ainda é crime em 70 países, sendo que seis deles preveem pena de morte. O levantamento chama-se “Fobia de Estado” e está em sua 13ª. edição. Inclui apenas membros da ONU, entre os quais 35% criminalizam a homossexualidade – a maioria na África. É realizado pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexuais (Ilga em inglês). Segundo a organização, em 1969, 74% das pessoas viviam em nações onde ser gay era crime; atualmente, esse percentual é de 23%. Um caso emblemático é o da populosa Índia, onde a prática foi descriminalizada ano passado. Aproveito para voltar ao assunto porque, se envelhecer é um desafio para todos, pode ser bem mais difícil para os homossexuais.

Muitos desafios relacionados ao envelhecimento são comuns a todos: imaginar quem cuidará de nós se ficarmos muito frágeis ou avaliar qual será nossa reserva financeira depois da aposentadoria. Há outros que angustiam os homossexuais, como mostrou pesquisa nacional realizada no ano passado pela AARP, a Associação de Aposentados dos EUA, entidade que reúne quase 38 milhões de afiliados. De acordo com o levantamento, 57% dos homens gays acima dos 45 anos são solteiros e 46% vivem sozinhos. Entre as lésbicas, os percentuais são menores: respectivamente, 39% e 36%.

A solidão tem um enorme impacto negativo no bem-estar e, quanto mais vulnerável o círculo de relacionamentos de uma pessoa, pior. Na falta de cônjuges e filhos, essa rede de proteção diminui e mesmo o número de potenciais cuidadores é afetado, ainda mais se o indivíduo se afastou do seu núcleo familiar. A mesma pesquisa mostra que os adultos LGBTQ se preocupam de não ter apoio de amigos e familiares ao envelhecer. Um outro estudo, do Williams Institute, ligado à Universidade da Califórnia, relatou que quase 60% de idosos homossexuais se ressentem da falta de companhia e 50% se sentem isolados. Enquanto o aumento do número de centros comunitários voltados para o segmento homossexual já é uma realidade na Califórnia, no Brasil mal engatinha.

Fonte: G1, Bem Estar, por Mariza Tavares, 28/03/2019

Na Polônia, populistas de direita elegem os gays como seus maiores inimigos

quarta-feira, 10 de abril de 2019 0 comentários



Populistas da Polônia escolhem os gays como seus maiores inimigos
Sigla governista e líderes católicos se dizem contrários a direitos para comunidade LGBT
Quando Maciej Gosniowski estava crescendo numa cidade pequena no sul da Polônia, parte de uma família religiosa e de uma comunidade conservadora, as pessoas viviam dizendo que havia algo de errado com ele.
Seria melhor eu mudar meu jeito de ser”, ele se recorda de ouvir de seus professores. “Seria melhor se eu me comportasse mais como menino. Isso facilitaria minha vida.”
Gosniowski levava surras de outros alunos, que o xingavam usando palavrões homofóbicos que ele ainda não entendia. Ele não quer que outras crianças ou adolescentes sofram como ele sofreu, por isso saudou a decisão do prefeito de Varsóvia, no mês passado, de fazer uma declaração promovendo a tolerância.

Mas as reações contra a declaração o deixaram abalado.

O partido governista da Polônia, Lei e Justiça, aproveitou a declaração e toda a questão dos direitos dos gays na campanha que está fazendo para as eleições de representantes na União Europeia, em maio, e para as eleições nacionais, no próximo outono.

No passado o partido atacava migrantes, vendo-os como ameaça à alma do país. Mas nas últimas semanas os homossexuais viraram seu inimigo público número um.

Isso espelha uma tendência crescente na Europa central e do leste, onde partidos nacionalistas e populistas vêm cada vez mais recorrendo a questões culturais –e a ataques a gays— para mobilizar seus seguidores.

Desde a Romênia, onde o governo tentou mas não conseguiu emendar a Constituição para proibir o casamento homossexual, até a Hungria, onde homossexuais são vilipendiados e descritos como ameaça à família tradicional, a sigla LGBT vem sendo repudiada. Isso ocorre no contexto de uma luta mais ampla contra o que nacionalistas e populistas descrevem como “valores europeus”.

Jaroslaw Kaczynski, líder do partido Lei e Justiça e político mais poderoso da Polônia, usou a convenção da sigla em março para declarar que a guerra à homossexualidade é uma guerra que a Polônia precisa vencer para poder sobreviver.
Como hoje já sabemos, trata-se da sexualização das crianças desde a primeira infância”, ele disse. “Precisamos combater isso. É preciso defender a família polonesa. Precisamos defendê-la furiosamente, porque esta é uma ameaça à civilização, não apenas da Polônia mas da Europa como um todo, uma ameaça a toda a civilização baseada no cristianismo.”
O chamado mobilizou as bases do partido.
Acho que a Polônia vai se tornar uma região livre de LGBTs”, comentou Elzbieta Kruk, candidata do partido a uma cadeira no Parlamento Europeu. “Espero que sim.”
Outras organizações ecoaram os ataques, muitas vezes usando linguagem mais radical.

Durante uma partida de futebol no mês passado os torcedores de um dos clubes mais populares do país, o Legia Varsóvia, agitaram uma bandeira contendo um insulto homofóbico. Nada foi feito contra a bandeira durante o jogo. O clube disse mais tarde que não queria se envolver em “disputas políticas e ideológicas” e que a bandeira “não reflete a posição do Legia”.

Lideranças polonesas na Igreja Católica, ela própria abalada por revelações sobre abusos sexuais cometidos por clérigos, também aderiram à campanha.

O conhecido padre católico e educador Marek Dziewiecki disse a uma emissora de rádio local em entrevista recente que o sinal de “+” na sigla LGBTQ+ representa “pedófilos, zoófilos, necrófilos” e que o objetivo final é “converter as pessoas em “erotomaníacas inférteis”.

Quando 1.500 seguidores de organizações de direita radical foram a Czestochowa, o maior santuário religioso da Polônia, este mês, o reverendo Henryk Grzadko avisou as pessoas reunidas no local que a Polônia vive “uma invasão civilizacional”.

Durante sua homilia numa missa no encontro ele disse: “Eles agitam uma bandeira de arco-íris e procuram roubar nossos valores internos, como verdade, amor, vida humana, família baseada no matrimônio e moralidade fundamentada no Evangelho e nos Dez Mandamentos”.

Rafal Trzaskowski, o prefeito de Varsóvia, que divulgou a declaração de tolerância, disse que já previa uma reação cínica do governo mas acha preocupante o tipo de propaganda política produzida por emissoras públicas.


Segundo ele, foi esse mesmo tipo de material carregado de ressentimentos e ódio que levou um homem a apunhalar o prefeito de Gdansk, Pawel Adamowicz, na televisão ao vivo este ano, o matando.
Eles baseiam sua política no medo”, ele disse em entrevista dada na sede da prefeitura. “Começaram alguns anos atrás com refugiados, pintando um quadro assustador, dizendo que seríamos invadidos por centenas de milhares de migrantes que iam estuprar nossas mulheres e introduzir doenças na Polônia. Estão fazendo exatamente a mesma coisa agora.”
Mas Trzaskowski acha que não vai funcionar. Em 2015, quando o partido Lei e Justiça chegou ao poder, uma maioria avassaladora de poloneses concordou com a ideia de que era preciso fazer mais para proteger as fronteiras da Europa contra a chegada de migrantes.

Essa ameaça em grande medida já desapareceu, e a questão dos migrantes não mobiliza as pessoas como mobilizava antes, segundo sondagem de opinião divulgada na semana passada pelo Conselho Europeu de Relações Externas.
A migração ainda é importante para alguns eleitores, mas não é o único campo de batalha onde se disputarão votos antes das eleições para o Parlamento Europeu”, disse a entidade em comunicado à imprensa.
Trzaskowski, o prefeito de Varsóvia, não acredita que atacar gays seja uma arma tão eficiente quanto a campanha contra os migrantes.
A maioria da população polonesa não vai aceitar a ideia de que os homossexuais colocam nossa cultura e nossos valores em risco”, ele opinou.
Um candidato abertamente gay, Robert Biedron, formou um novo partido liberal e vem encontrando apoio amplo para sua mensagem, mesmo fora dos centros urbanos.

Uma pesquisa recente de opinião pública conduzida pela Ipsos para o site OKO.Press concluiu que 56% dos poloneses não são contra as uniões civis; dois anos atrás, eram 52%.

Ao mesmo tempo, porém, os poloneses continuam a se opor à adoção de crianças por casais gays: apenas 18% das pessoas são a favor da ideia.

Oktawiusz Chrzanowski, 36, que teve uma participação crucial na redação da declaração de Varsóvia, e seu companheiro, Hubert Sobecki, disseram que um dos elementos mais ofensivos da campanha do governo foi o esforço para retratar a homossexualidade como um perigo para as crianças.
O mais chocante e revoltante é o modo como alegam que os membros da comunidade LGBT são pedófilos”, disse Sobecki.
A declaração de Varsóvia prevê educação sexual nas escolas que siga as diretrizes da Organização Mundial de Saúde e determina a criação de um abrigo na cidade para pessoas rejeitadas e expulsas por suas famílias e comunidades.

Chrzanowski espera que algum dia no futuro não distante todas as escolas contem com a figura de um “guia”, alguém a quem os estudantes possam pedir conselhos e orientação sem o receio de serem julgados.

Gosniowski, que decidiu sair do armário depois de ser espancado no colégio e que é uma das poucas drag queens do país, disse que hoje sente-se confiante em sua sexualidade.

Num almoço recente em um café de Varsóvia, ele usou moletom cor-de rosa e brincos dourados de argola, com os cabelos loiros compridos. É uma tomada inequívoca de posição em um país onde o inconformismo ainda pode ter custo elevado.

Fonte: Folha de SP, por Marc Santora, Tradução de Clara Allain, 09/04/2019

Filhos de casais de mesmo sexo poderão ser batizados em Igreja Mórmon

segunda-feira, 8 de abril de 2019 0 comentários

Mulher posa para foto com uma bandeira de arco-íris enquanto pessoas se reúnem para uma renúncia em massa à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em Salt Lake City, nos EUA, em 2015. — Foto: Rick Bowmer/AP

Mórmons permitirão batismo de filhos de casais LGBT
Impedimento determinado em 2015 tinha afastado 1.500 membros da congregação, segundo relatório. Mudanças foram promovidas pelo presidente da Igreja, Russell Nelson, a fim de 'reduzir o ódio e os conflitos tão comuns na atualidade'.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias informou nesta quinta-feira (4) nos Estados Unidos que permitirá que filhos de casais de mesmo sexo sejam batizados.

Em comunicado, a igreja anunciou esta mudança nas políticas internas envolvendo fiéis membros da comunidade LGBT, especificamente a anulação de uma medida de 2015 que impedia que filhos de casais do mesmo sexo fossem batizados e recebessem bênçãos, assim como que também não vai classificar como "apostasia" as uniões de casais homoafetivos.
Os filhos de pais que se identificam como lésbicas, gays ou outras minorias podem ser batizados sem a aprovação da Primeira Presidência se os pais com custódia derem permissão para o batismo", diz o comunicado, divulgado dois dias antes da conferência anual dos mórmons no estado de Utah, nos Estados Unidos.
O anúncio, feito por Dallin Oaks, da Primeira Presidência, explica que o novo enfoque não representa uma modificação na doutrina a respeito "do casamento ou dos mandamentos de Deus sobre castidade e moralidade". Isso significa, especificou Oaks, que espera-se que os mórmons LGBT "atuem conforme as doutrinas da Igreja".

A regra estabelecida em 2015, segundo relatórios, provocou o afastamento de 1.500 membros da comunidade LGBT da congregação.

As mudanças foram promovidas pelo presidente da Igreja, Russell Nelson, que assumiu o cargo há um ano, a fim de "reduzir o ódio e os conflitos tão comuns na atualidade".

Há algumas semanas, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que é a frequentada pela maioria dos moradores de Utah, deixou de se opor à inclusão da comunidade gay em uma medida legislativa de combate aos crimes de ódio no estado, abrindo o caminho para que a iniciativa se tornasse lei.

Fonte: G1, via Agência Efe, 04/04/2019

Nova minissérie da Globo, “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, trará novo casal de mulheres

sexta-feira, 5 de abril de 2019 0 comentários


Prevista para estrear no próximo dia 15 de abril, a nova minissérie da Globo, “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, vai mostrar uma sociedade conservadora da década de 60. E, entre as diversas histórias  fora dos padrões na trama, um dos destaques será o relacionamento de Isabel (Débora Falabella) e Adalgisa (Mariana Ximenes)

Na história teremos uma das personagens como a primeira-dama da cidadezinha de São Miguel, no interior do Rio de Janeiro, casada com o prefeito Adriano (Murilo Benício), com quem vive um relacionamento de aparências. A outra personagem é uma mulher à frente do seu tempo, para 1960, num relacionamento moderno com Geraldo (Gabriel Braga Nunes), porém sem graça. 

As personagens Isabel (Débora Falabella) e Adalgisa (Mariana Ximenes) vão viver um romance que começará às escondidas, quando ambas insatisfeitas em seus relacionamentos hétero, buscam mais liberdade e aventura em suas vidas.
Fico muito contente que ela tenha um outro romance, que é misterioso. É onde ela se sente feliz e realizada, onde ela se sente mulher”, celebra Mariana Ximenes.
Eu acho que a Isabel é uma mulher que tem a ânsia de ser feliz e de furar com aquela bolha em que ela vive. O grande barato da série é esse: mostrar a sociedade que diz que é uma coisa, se coloca de uma forma superconservadora, mas todos têm teto de vidro e algo de obscuro, de secreto, de transgressor. Cada um de um jeito”, opina Débora Falabella.
Para mais informações sobre direitos e conquistas das mulheres em geral, acesse Contra o Coro dos Contentes

Fonte: Com informações de Vipado e EntrePop, 29/03/2019


Eleita primeira prefeita negra e lésbica em Chicago

quarta-feira, 3 de abril de 2019 0 comentários

Lori Lightfoot, prefeita eleita de Chicago vai enfrentar grandes desafios em uma das cidades mais
populosas dos EUA (Joshua Lott/Reuters)

Chicago elege a primeira prefeita negra e lésbica
Lori Lightfoot enfrentará problemas como altas taxas de criminalidade, corrupção endêmica, déficits financeiros e falta de recurso

Chicago — A democrata Lori Lightfoot foi eleita na terça-feira, 3, por esmagadora maioria, como a primeira prefeita negra e lésbica de Chicago, a terceira cidade mais populosa dos Estados Unidos.
Hoje nós não apenas fizemos história, mas iniciamos um movimento de mudança”, disse a advogada de 56 anos, que comemorou sua vitória em um hotel na cidade pouco depois do Conselho Eleitoral a declarar vencedora com 73,8%.
Quando começamos nossa campanha, ninguém confiava em nossas possibilidades. Agora vejam onde chegamos”, acrescentou a prefeita eleita, que prometeu colocar “os interesses de todos os moradores da cidade acima dos interesses de alguns poderosos”.
Lori enfrentará problemas como altas taxas de criminalidade, brutalidade policial, corrupção endêmica, déficits financeiros e falta de recursos para a educação pública. A cidade de Chicago registrou 561 assassinatos em 2018, 100 a menos que no ano anterior, porém mais que Nova York e Los Angeles – as duas maiores cidades do país -, juntas.

Essas taxas de homicídio levaram o presidente americano, Donald Trump, a ameaçar em 2017 intervir na cidade com forças federais para conter o que ele chamou de “carnificina”.

Nas eleições, Lori Lightfoot derrotou a também negra Toni Preckwinkle, presidente do Partido Democrata em Illinois, que obteve 26,2% dos votos.
Esta é claramente uma noite histórica, pois até pouco tempo atrás, duas mulheres negras em um segundo turno para a prefeitura, seria algo impensável”, disse Preckwinkle.
No pleito, apenas 29% dos 1,5 milhão dos eleitores participaram, número menor que os 34% participaram do primeiro turno, em fevereiro, quando tinha 14 candidatos na disputa. Esse número foi o resultado do abalo político que levou ao anúncio em setembro do atual prefeito, Rahm Emanuel, de não tentar um terceiro mandato.

O ex-congressista e também ex-chefe do Gabinete dos presidentes Bill Clinton e Barack Obama, que chegou ao poder com as melhores credenciais, entrou em descrédito com a população após um caso de violência policial.

O escândalo ocorreu em 2014, quando um policial branco matou um adolescente negro, com 16 disparos pelas costas. Emanuel perdeu o apoio da comunidade negra depois que seus líderes o acusaram de encobrir o crime. O policial Jason Van Dyke foi condenado a 81 meses de prisão por um assassinato em segundo grau.

Fonte: Exame, 03/04/2019

Para mais informações sobre direitos e conquistas das mulheres em geral, acesse Contra o Coro dos Contentes

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