Nova minissérie da Globo, “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, trará novo casal de mulheres

sexta-feira, 5 de abril de 2019 0 comentários


Prevista para estrear no próximo dia 15 de abril, a nova minissérie da Globo, “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, vai mostrar uma sociedade conservadora da década de 60. E, entre as diversas histórias  fora dos padrões na trama, um dos destaques será o relacionamento de Isabel (Débora Falabella) e Adalgisa (Mariana Ximenes)

Na história teremos uma das personagens como a primeira-dama da cidadezinha de São Miguel, no interior do Rio de Janeiro, casada com o prefeito Adriano (Murilo Benício), com quem vive um relacionamento de aparências. A outra personagem é uma mulher à frente do seu tempo, para 1960, num relacionamento moderno com Geraldo (Gabriel Braga Nunes), porém sem graça. 

As personagens Isabel (Débora Falabella) e Adalgisa (Mariana Ximenes) vão viver um romance que começará às escondidas, quando ambas insatisfeitas em seus relacionamentos hétero, buscam mais liberdade e aventura em suas vidas.
Fico muito contente que ela tenha um outro romance, que é misterioso. É onde ela se sente feliz e realizada, onde ela se sente mulher”, celebra Mariana Ximenes.
Eu acho que a Isabel é uma mulher que tem a ânsia de ser feliz e de furar com aquela bolha em que ela vive. O grande barato da série é esse: mostrar a sociedade que diz que é uma coisa, se coloca de uma forma superconservadora, mas todos têm teto de vidro e algo de obscuro, de secreto, de transgressor. Cada um de um jeito”, opina Débora Falabella.
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Fonte: Com informações de Vipado e EntrePop, 29/03/2019


Eleita primeira prefeita negra e lésbica em Chicago

quarta-feira, 3 de abril de 2019 0 comentários

Lori Lightfoot, prefeita eleita de Chicago vai enfrentar grandes desafios em uma das cidades mais
populosas dos EUA (Joshua Lott/Reuters)

Chicago elege a primeira prefeita negra e lésbica
Lori Lightfoot enfrentará problemas como altas taxas de criminalidade, corrupção endêmica, déficits financeiros e falta de recurso

Chicago — A democrata Lori Lightfoot foi eleita na terça-feira, 3, por esmagadora maioria, como a primeira prefeita negra e lésbica de Chicago, a terceira cidade mais populosa dos Estados Unidos.
Hoje nós não apenas fizemos história, mas iniciamos um movimento de mudança”, disse a advogada de 56 anos, que comemorou sua vitória em um hotel na cidade pouco depois do Conselho Eleitoral a declarar vencedora com 73,8%.
Quando começamos nossa campanha, ninguém confiava em nossas possibilidades. Agora vejam onde chegamos”, acrescentou a prefeita eleita, que prometeu colocar “os interesses de todos os moradores da cidade acima dos interesses de alguns poderosos”.
Lori enfrentará problemas como altas taxas de criminalidade, brutalidade policial, corrupção endêmica, déficits financeiros e falta de recursos para a educação pública. A cidade de Chicago registrou 561 assassinatos em 2018, 100 a menos que no ano anterior, porém mais que Nova York e Los Angeles – as duas maiores cidades do país -, juntas.

Essas taxas de homicídio levaram o presidente americano, Donald Trump, a ameaçar em 2017 intervir na cidade com forças federais para conter o que ele chamou de “carnificina”.

Nas eleições, Lori Lightfoot derrotou a também negra Toni Preckwinkle, presidente do Partido Democrata em Illinois, que obteve 26,2% dos votos.
Esta é claramente uma noite histórica, pois até pouco tempo atrás, duas mulheres negras em um segundo turno para a prefeitura, seria algo impensável”, disse Preckwinkle.
No pleito, apenas 29% dos 1,5 milhão dos eleitores participaram, número menor que os 34% participaram do primeiro turno, em fevereiro, quando tinha 14 candidatos na disputa. Esse número foi o resultado do abalo político que levou ao anúncio em setembro do atual prefeito, Rahm Emanuel, de não tentar um terceiro mandato.

O ex-congressista e também ex-chefe do Gabinete dos presidentes Bill Clinton e Barack Obama, que chegou ao poder com as melhores credenciais, entrou em descrédito com a população após um caso de violência policial.

O escândalo ocorreu em 2014, quando um policial branco matou um adolescente negro, com 16 disparos pelas costas. Emanuel perdeu o apoio da comunidade negra depois que seus líderes o acusaram de encobrir o crime. O policial Jason Van Dyke foi condenado a 81 meses de prisão por um assassinato em segundo grau.

Fonte: Exame, 03/04/2019

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Nadia Bochi e Silvia Henz sempre se reapaixonando

sexta-feira, 29 de março de 2019 0 comentários

Nadia Bochi e Silvia Henz (Foto: Reprodução/Instagram)

Nadia Bochi ganha beijo da namorada e se declara: "Repaixão"
Repórter do Mais Você namora Silvia Henz
Nadia Bochi, repórter do Mais Você, se derreteu toda pela namorada, Silvia Henz, na noite desta sexta-feira (15). Em suas redes, a jornalista compartilhou um clique recebendo um beijo da amada e se declarou.
É repaixão mesmo a palavra @silviahenz ?! Quando a gente ama alguém faz tempo e se apaixona de novo!", escreveu na legenda da foto.
Em junho de 2018 a jornalista fez um grande desabafo falando sobre sua homossexualidade, machismo e assédio, relembrando a época em se descobriu e assumiu lésbica.
Me reconheci lésbica numa época em que ser homossexual não tinha nenhum glamour. Não existia beijo gay nas novelas, pelo contrário as lésbicas explodiam junto com os prédios. Aliás, até no cinema era difícil demais encontrar algum tipo de casal que me representasse. Tive que inventar o imaginário que não existia fora da ficção, bem lá na realidade crua onde a palavra homossexualismo ainda era nome de doença, segundo a Organização Mundial de Saúde. Parece distante, mas isso tudo foi ontem, nos anos 90. Década em que comecei a trabalhar como jornalista em um dos canais de TV a cabo mais importantes do mundo (a HBO) e tive o a oportunidade de descobrir que era possível ser gay e viver fora do armário", dizia parte do relato.
Nadia Bochi, repórter do Mais Você, se assume lésbica (Foto: Reprodução/Facebook)

Gays e Lésbicas na terceira idade: amor, solidão e resistência

quarta-feira, 27 de março de 2019 0 comentários

Silmara e Valeria dançando Imagem: Arquivo pessoal

LGBT na terceira idade: 3 histórias inspiradoras sobre amadurecer

Uma projeção do IBGE aponta que o Brasil terá mais idosos que jovens em 2060. E, se envelhecer é tabu para qualquer pessoa, essa angústia se reforça entre a população de gays e lésbicas. 

"Isso porque existe uma possibilidade maior de essa pessoa se ver 'mais sozinha' na velhice em relação a outras pessoas", explica a neuropsicóloga Elaine di Sarno.

Há motivos variados de solidão: quem rompeu com familiares de origem há algumas décadas por conta da orientação sexual, quem não teve filhos... a psicóloga Juliana Guimarães de Araujo acredita que essa postura tem a ver com o momento em que se assume a homossexualidade. Só em 1990 a OMS retirou a homossexualidade da lista internacional de doenças.

"A pessoa que se assumiu nessa época teve uma determinada experiência. Até por conta do contexto social, cultural da época: ninguém os estimulava a se expressarem. Muitos pensavam que tinham de se moldar para serem aceitos", conta a profissional.

Mas como é a vida de pessoas de 50, 60 e 70 anos que se assumiu LGBT há algumas décadas?

Veja relatos de pessoas maduras que contam como vivem o amor (e a solidão) hoje:

Ela era o amor da minha vida

Se eu me sinto sozinha? Sim, mas por causa da ausência da Ester."
Assim começou a entrevista com a jornalista e escritora Laís de Castro, 72 anos, que acabara de enviuvar de Ester -- segundo ela, o grande amor da sua vida, com quem comemorou 28 anos de união estável em fevereiro.

Laís conta que, meses antes, as duas haviam feito check-ups e estavam com a saúde em dia - mas a companheira teve um infarto fulminante.

Física nuclear e professora, casou com o pai de seu filho aos 23 anos, mas aos 27 já estava separada e namorando uma moça. Cerca de 10 anos depois, ela e Laís foram apresentadas. "Eu não a conhecia, nunca tinha visto na vida, mas foi como se um raio caísse na cabeça das duas. Um ano depois nós estávamos juntas, e assim passamos os últimos 28 anos."

Laís se considera privilegiada pelo fato de ter uma família que sempre respeitou sua orientação sexual, assim com as suas companheiras.
Eu tenho 5 irmãos e 19 sobrinhos -- e eles são muito meus amigos. Então, tem alguns que ficaram até mais amigos dela", contou fingindo estar com ciúmes. "Minha irmã, maravilhosa, no velório [da Ester] chorou quase tanto quanto eu."
Além disso, ela trabalhava em ambientes que considerava mais abertos, relacionados à Comunicação. Por isso, acha que nunca esteve no armário.
Quando alguém me convidava para algum evento, sempre chamavam a mim e à Ester. Eu nunca cheguei e falei que era homossexual", lembra.
Por outro lado, como professora universitária e física nuclear, Ester não se sentia tão confortável.
Com o pessoal do trabalho, ela só falava do ex-marido, do filho."
Em 2013, as duas foram morar em Franca, no interior de São Paulo: Ester foi convidada para ser reitora de uma grande faculdade particular da região. Laís foi com ela, claro. Como prima.

A reitora não pode ser sapatão, né?

No armário permaneceram até 2018, quando Ester morreu -- lá em Franca, mesmo. Seu filho, então com 38 anos de idade, já era médico geriatra e foi um dos responsáveis por atestar o óbito da mãe. Ele também é descrito por Laís como um grande amigo.
Sou uma idosa autônoma: eu dirijo meu carro, compro meus remédios, vou ao médico sozinho e sou craque no computador", diz Laís. "Eu não tenho problema de saúde, meus 72 anos são só no documento. Eu vivo como uma pessoa de 60", disse ela, que não aguentou permanecer na casa onde viviam juntas e se mudou para Ribeirão Preto, também no interior paulista.
Por outro lado, tenho outras amigas LGBT também, que vivem uma realidade complicadíssima: como não têm filhos, não têm acompanhantes para levarem aos médicos e fazer exames, por exemplo", lamenta.
Conheço outras idosas lésbicas que sofrem com a solidão porque não têm um vínculo com as famílias, ou não tem boas relações com as colegas. Ficam vivendo só entre elas."
No dia 25 de março, quando a morte de Ester completa um ano, Laís lança o livro "Vida a duas - O livro do nosso amor", que ela escreveu "para que a mulher nunca seja esquecida". Ela prefere não mostrar fotos da parceira para não expor.

Se eu pudesse escolher, eu nascia era gay, de novo

"Nascido em Recife, o sociólogo Carlos Sena, 68 anos, disse que nunca
teve problemas por ser gay" Imagem: Arquivo pessoal

Nascido no interior de Pernambuco, o sociólogo Carlos Sena, 68 anos, disse que nunca teve problemas por ser gay. Veio de Bom Conselho para Recife cedo, mas quando morava lá, namorava mulheres. Depois que chegou em Recife e começou a trabalhar e a fazer faculdade, começou a notar os olhares de outros homens.
Eu sempre apresentei meus namorados com a maior naturalidade para a minha família. E sempre me senti superior a qualquer tipo de preconceito."
Sena dava aulas de psicologia social e sociologia. Um dia, uma aluna disse que estava apaixonada por ele.
Ela sabia que eu era gay, mas disse que queria me colocar no caminho certo. Eu disse que não queria."
Especializado em gestão pública em saúde, ele conta que já ocupou cargos importantes do governo de Pernambuco e sempre foi tratado com respeito, porque sempre se impôs.
Ainda tem muito preconceito dentro do mundo gay. Muitas "bichinhas" se acham melhor que as outras porque não são pintosas, ou porque têm mais dinheiro".
Apesar de ter sido casado algumas vezes, ele reclama que o problema sempre foi arrumar um parceiro que o acompanhasse no nível intelectual.
Se eu nascesse de novo e pudesse escolher, eu nascia era gay. Eu me amo e são poucas as bichas que travam o caminho de se amar", diz ele que garante não sentir solidão, apesar de estar solteiro há seis meses. "Chovia rapaz novinho na minha horta, mas eu não quero."

“Eu aprendo muito com a Sil. Com ela fui a primeira vez em um boteco.
Ela me incentivou a voltar a estudar, a me preparar para o concurso” Imagem: Arquivo pessoal


Conheci o amor da minha vida numa sala de bate-papo.

A funcionária pública Valéria Casolato, 53 anos, esteve com um homem durante 14 anos -- 2 de namoro e 12 de casamento.
De repente, me vi em um casamento falido, sem emoções, sem amizade ou companheirismo e com uma filha de menos de dez anos. Eu não tinha mais sonhos ou objetivos aos 30 e poucos anos."
Desencantada com a crise no casamento, ela procurou atividades como teatro e até salas de bate papo virtuais -- muito populares no fim dos anos 90.
Entrei em uma sala de lésbicas porque queria conversar com pessoas diferentes de mim e conheci o amor da minha vida."
Fiquei assustada, claro. Fui para a terapia para entender o que eu estava sentindo, coloquei a minha filha também. Depois conversei com o meu marido e me separei."
Formada em Relações Públicas, ela acredita que a área é mais aberta e, por isso, se deparou com poucas situações em que foi vítima de preconceito. Mas, no meio familiar, foi mais difícil.
Quando minha mãe soube, teve um pico de pressão alta e foi parar no hospital. Ela achava que eu só dividia um apartamento com uma amiga."
Mesmo sentindo que estava fazendo algo errado, Valeria percebia que estava cada vez mais envolvida com a atual esposa, Silmara.
Eu aprendo muito com a Sil. Ela me incentivou a voltar a estudar, a me preparar para o concurso", conta. Em fevereiro elas comemoraram 19 anos de relacionamento.
Até hoje durmo com ela fazendo carinho em mim. Passamos por muitas coisas juntas: falta de grana, desemprego, doenças. Mas gostamos de estar juntas e temos um trato: não dormimos brigadas."

Sitcom "One Day at a Time", que abordava homofobia, é cancelada

segunda-feira, 25 de março de 2019 0 comentários

Isabella Gomez vive Elena em "One Day at a Time"  Imagem: Reprodução/YouTube

Cancelada, "One Day at a Time" era a série de TV que melhor entendia a homofobia

Os fãs de One Day at a Time, sitcom da Netflix, lamentaram ontem a notícia do cancelamento da série após três temporadas. A produção conquistou o seu fiel grupo de admiradores não só pela excelência cômica, como também por abordar questões sociais importantes de forma sempre acertada -- entre elas, a homofobia dentro do ambiente familiar.

A decisão do cancelamento vem, pelo menos em parte, por conta do esforço da Netflix para se firmar como produtora, e não só distribuidora, de conteúdo -- One Day at a Time era fruto da parceria com a Sony, e por isso já estava em posição fragilizada dentro da plataforma.

Enquanto o estúdio promete tentar achar uma nova casa para a série, sabemos que será uma missão difícil. A Netflix tem os direitos exclusivos das três temporadas já lançadas, de forma que produzir um quarto ano de One Day at a Time não parece um bom negócio para outros serviços de streaming e canais convencionais.

É uma pena, mas pelo menos "One Day at a Time" teve tempo de contar uma das histórias sobre homofobia mais importantes dos últimos anos de TV. No decorrer de suas três temporadas, a série da Netflix mostrou Elena (Isabella Gomez) sofrendo com a rejeição do pai, Victor (James Martinez), se fortalecendo no amor do resto de sua família, e encontrando enfim uma espécie reconciliação.

Elena com o pai, Victor (James Martinez), em "One Day at a Time" Imagem: Reprodução/YouTube

O mundo fora do armário

A decisão tomada por Elena de se assumir para a sua família foi um dos momentos centrais da primeira temporada de One Day at a Time. Logo de cara, a série acertou ao não forçar uma circunstância em que a sexualidade de Elena é exposta sem sua permissão, baseando as cenas decisivas de sua saída do armário em diálogos com a família.

Penelope (Justina Machado), a mãe de Elena e protagonista da série, sabe que não há nada de errado ou imoral na sexualidade da filha -- mas, ainda assim, tem algumas dificuldades para entendê-la, acolhê-la e (com o tempo) celebrá-la. A jornada da personagem é honesta, refletindo como um pai ou mãe não preconceituosos, mas que nunca precisou pensar muito nisso, provavelmente lidaria com a descoberta de que seu filho ou filha é gay ou lésbica.

A situação é diferente quando Elena reencontra o pai, que trabalha com segurança privada fora dos EUA e vem para o país a fim de comparecer à festa de aniversário de 15 anos da filha. O "machão" Victor (James Martinez) não reage bem quando a filha se assume para ele, negando-se a reconhecer que sua sexualidade é válida ou algo além de uma fase -- argumento que muitas pessoas homossexuais já ouviram de parentes.

No episódio final da primeira temporada, Victor se enfurece com a filha por ela ter escolhido usar um terno (costurado pela avó, Lydia) ao invés de um vestido na festa de 15 anos. Ele deixa o evento antes da tradicional dança de pai e filha, levando a um dos momentos mais tocantes de One Day at a Time, provavelmente a cena pela qual a série vai ser mais lembrada: Penelope se levantando da mesa e tomando o lugar do ex-marido na dança.

Elena dança com a mãe, Penelope (Justina Machado), em "One Day at a Time" Imagem: Divulgação/IMDb

Família "remendada"

Nas temporadas seguintes da sitcom, a história de Elena e a rejeição de Victor ficaram em segundo plano. Trata-se de outro acerto de One Day at a Time: gays e lésbicas não são definidos só pelas feridas deixadas pela homofobia, e Elena era uma personagem única, cheia de dimensões, que tinha toda uma família para fortalecê-la. Quando o tema ressurgia, no entanto, a série tratava de deixar claro a profundidade destas feridas.

Isso aconteceu, especialmente, nos episódios finais da terceira temporada. Neles, Victor retorna para a vida da família a fim de anunciar que vai se casar novamente, e chamar os dois filhos para serem padrinho e madrinha na cerimônia. O pai de Elena mostra esforço genuíno para não ofender a filha, e diz que a nova namorada o guiou por um caminho de empatia e aceitação.

Onde a série acerta nesta reconciliação é em colocar o fardo sob os ombros de Victor, e não de Elena. Muito frequentemente, gays e lésbicas da ficção levam broncas ou são punidos por não procurarem fazer as pazes com aqueles que os rejeitaram, ofenderam, abandonaram ou machucaram. Em One Day at a Time, a linha desenhada é clara: Victor estava errado, e é dele a responsabilidade de reconquistar a confiança da filha.

O último momento entre os dois é simbólico. Reconhecendo o esforço do pai, Elena faz um brinde durante o casamento que o emociona, mas confessa ao irmão, Alex (Marcel Ruiz), que ainda sente a dor do abandono, de quando ele a deixou sozinha na sua festa de 15 anos. E One Day at a Time, mais uma vez não castiga ou critica Elena por este ressentimento, porque entende que ele é válido.

Ao invés disso, a série faz Victor provar seu comprometimento com a aceitação da filha ao chamá-la para dançar "De Niña a Mujer" durante a festa -- a mesma música que tocou no finale da primeira temporada da série. De todos os momentos em que One Day at a Time mostrou entender um leque de temas complicados melhor do que qualquer outra série de TV, este talvez seja o mais potente.

Fonte: Entretenimento UOL, por Caio Coletti, 16/03/2019Para mais informações sobre direitos e conquistas das mulheres em geral, acesse Contra o Coro dos Contentes

Memória Lesbiana: Morre Barbara Hammer, pioneira do cinema lésbico

sexta-feira, 22 de março de 2019 1 comentários

Foto: Susan Wides

Morre Barbara Hammer, pioneira do cinema experimental e lésbico

A pioneira cineasta americana Barbara Hammer morreu neste sábado (16), aos 79 anos. Diagnosticada com câncer de ovário em 2006, nos últimos anos ela tinha se tornado ativista pelo direito de morrer, e recentemente concedeu o que seria sua entrevista final para revista New Yorker.

Hammer é referência no cinema dirigido por mulheres e ficou conhecida internacionalmente por filmes que retratam a cultura lésbica e são marcados por experimentações narrativas. Nascida em 1939 em Los Angeles, ela começou a carreira no fim dos anos 1960 e fez curtas, longas, documentários e ficções, além de performances artísticas.

Sua obra ganhou retrospectivas no Museu de Arte Moderna de Nova York e na Tate Modern de Londres. De acordo com a New Yorker, ela “provavelmente foi a primeira artista a receber reconhecimento no mainstreampor uma vida de trabalho feito como lésbica e em grande medida sobre lésbicas.”

Em uma entrevista ao ARTnews concedida em 2018, mas não publicada, Hammer disse: “Nunca separei minha sexualidade da minha arte, mesmo se o filme não tinha nada a ver com a representação lésbica.”

Entre seus trabalhos marcantes estão Dyketatics (1973), Menses (1974), Multiple Orgasm (1976), Pond and Waterfall (1982), Snow Job (1986), History of the World According to a Lesbian (1988), The Female Closet(1998), Generations (2010), Maya Deren’s Sink (2011) e Nitrate Kisses (1992), que recentemente entrou na lista da IndieWire dos 100 melhores filmes dirigidos por mulheres de todos os tempos.

Em 2017, ela criou a Barbara Hammer Lesbian Experimental Filmmaking Grant, uma bolsa para cineastas lésbicas que é administrada pela organização sem fins lucrativos Queer|Art e que já premiou Fair Brane e Miatta Kawinzi. Em comunicado sobre a criação da iniciativa, Hammer afirmou:
Colocar o modo de vida lésbico na tela foi o objetivo da minha vida. Por quê? Porque quando comecei, não conseguia encontrar isso […] Trabalhar sendo uma cineasta lésbica não era fácil nos anos 1970 na estrutura social e na instituição educacional em que eu estava. Foi difícil. Quero que esta bolsa torne as coisas mais fáceis para as lésbicas de hoje. Para que vocês façam o trabalho que querem fazer.”
Fonte: Mulher no Cinema, 17 de março de 2019

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