A repercussão do beijo entre Bruno Gagliasso e João Vicente

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015 0 comentários

Bruno Gagliasso e João Vicente de Castro

A repercussão do "selinho" que Bruno Gagliasso deu em João Vicente de Castro, do Porta dos Fundos, ganhou mais uma página nesta sexta: o perfil no Facebook do deputado federal e ex-BBB Jean Wyllys. O baiano compartilhou a foto do beijo entre os atores e, junto a ela, escreveu um pequeno texto, criticando os comentários homofóbicos em torno do fato. Ele diz que heterossexuais também podem sofrer preconceito ao atravessar fronteiras de gênero e elogia a atitude, que ele classifica como "espontânea". No fim, Wyllys ainda se convida para o próximo beijo: 
O próximo será triplo (entre nós três), pois homens héteros têm direito a expressar afeto entre si e podem expressar afeto em relação a homens gays sem abrirem mão de sua orientação sexual", escreve.
Veja o post completo aqui

Na foto postada por Gagliasso em seu Instagram, o cantor sertanejo César Menotti havia feito um comentário crítico à atitude, dizendo que se considera "homem com H" mesmo se recusando a realizar o mesmo gesto que os atores.

Em contrapartida, o dramaturgo Walcyr Carrasco fez um post com uma foto ao lado de Gagliasso, em que defendia e elogiava a atitude do ator. Carrasco foi o autor do primeiro beijo gay da história das novelas da Globo, quando Thiago Fragoso (Carneirinho) e Mateus Solano (Félix) se beijaram no último capítulo de Amor à Vida.

O beijo entre Gagliasso e Castro aconteceu na premiação de uma revista no Rio de Janeiro. Algumas horas depois, o ator postou a foto em seu Instagram com a legenda: 
Aos machistas de carteirinha, hipócritas de plantão e preconceituosos... O nosso carinho e o nosso amor de homem com H! Que venha 2016".
Fonte: Veja, 27/11/2015

Portugal se tornou o 24.º país a permitir a adoção de crianças por casais LGBT

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015 0 comentários


Portugal é o 24.º país a permitir a adoção por casais gay


Maioria dos países que já o permitem é europeia. Igreja defende "referência masculina e feminina de geração ou adoção"

Matias ouviu  as mães dizer-lhe que as famílias arco-íris tinham ganho e perguntou-lhes o que é que elas tinham perdido antes para agora terem ganho. O que ganharam, explicou-lhe a mãe Mariana Martins, foi o direito de adotar crianças enquanto casais. Uma reivindicação que passou pelo Parlamento cinco vezes até ser aprovada, fazendo que o país seja o 24.º do mundo a permitir a adoção por casais homossexuais. "Agora estamos do lado certo da história", diz Isabel Advirta, presidente da Associação ILGA Portugal.

A aprovação da adoção plena de crianças por todos os casais foi conseguida com os votos da esquerda toda, do PAN e mais 19 deputados sociais-democratas (com duas abstenções também na bancada do CDS). Nas votações feitas ao final da manhã, a esquerda apresentou-se no essencial unida, enquanto no PSD se verificaram, conforme os casos, entre 15 e 19 deputados "dissidentes", votando ao arrepio do sentido oficial definido pelo partido e juntando-se assim à esquerda.

No caso da adoção gay, os cinco projetos foram aprovados pelas bancadas de PS, BE, PCP, PEV, PAN e 19 deputados do PSD. Verificaram-se duas abstenções (uma deputada do PS, Isabel Oneto, e outro do PSD, Duarte Marques). No caso do projeto socialista, verificaram-se mais três abstenções: duas deputadas do CDS (Ana Rita Bessa e Teresa Caeiro) e a social--democrata Ana Sofia Bettencourt. As deputadas do PSD Teresa Leal Coelho e Paula Teixeira da Cruz (ex-ministra da Justiça) acompanharam os aplausos de pé das bancadas da esquerda e do PAN.

Esta transversalidade parlamentar mereceu elogios da ILGA.
Foi um passo histórico votado pela larga maioria dos deputados, incluindo um número significativo de elementos do PSD, o que prova que esta é uma questão de direitos humanos e não de ideologia de esquerda ou de direita. Trata-se de reconhecer os direitos das famílias e das crianças e isso foi visível na votação", diz Isabel Advirta.
Agora, os projetos de lei que foram aprovados vão ser discutidos na especialidade e depois submetidos à votação final global, para aí passar a ser uma decisão definitiva e poder ser aplicada. Algo que Mariana Martins e a mulher Marta esperam que aconteça antes de Maria Mar nascer, daqui a dois meses. "Gostaríamos que quando ela nascer já seja possível fazer logo tudo e passarmos a ser as duas mães." Já que isso não aconteceu com Matias, de 3 anos, que aguarda a nova lei para ver reconhecido no papel que tem duas mães. "É a primeira coisa que vamos fazer mal a lei seja publicada. Para nós e para a nossa família, quando isso acontecer será uma felicidade imensa", adianta Mariana.

Depois disso só falta a barreira da procriação. Já que tanto a professora como a mulher tiveram de recorrer à inseminação artificial em Espanha para engravidar. Pois o acesso à procriação medicamente assistida em Portugal apenas é acessível a casais heterossexuais - o que deve mudar já na próxima semana, quando forem votados os projetos de lei dos partidos de esquerda nesse sentido.

Ao permitir a adoção plena, Portugal entra no leque reduzido de países que reconhecem este direito. A Holanda foi, em dezembro de 2000, o primeiro na Europa, que é também o continente com mais leis a favor. A Colômbia foi o país mais recente a entrar para este grupo, pouco antes de Portugal, a 5 de novembro, embora aí o casamento gay não seja permitido.

A decisão não agrada à Igreja

O facto de passar a ser legal não significa que a lei agrada a todos. Contra continuam não só a maioria dos deputados do PSD e do CDS, como demonstram as votações, mas também a posição da Igreja se mantém. "A adoção deve ser feita apenas por casais, e um casal é um homem e uma mulher. Essa é a linha da Igreja, do patriarca e do Papa", frisou o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Manuel Barbosa.

Remetendo para o discurso de D. Manuel Clemente na última reunião da CEP, no início deste mês. "Trata-se, em suma, de salvaguardar a vida humana em todas as suas fases, da conceção à morte natural; da valorização da vida familiar e da educação dos filhos, com referência masculina e feminina de geração ou adoção", referiu o patriarca de Lisboa.

Sem diferença para as crianças

Do ponto de vista da vida das crianças que esperam ser adotadas, o sociólogo Fausto Amaro acredita que não se vão registar mudanças significativas - embora se criem condições para aumentar o número de adoções. Em primeiro lugar porque "não há muitos casamentos entre pessoas do mesmo sexo" e porque "a lei vai servir, para já, para legitimar situações de casais que já tinham filhos mas a lei não os reconhecia como sendo dos dois".

Do lado dos serviços de adoção que vão aplicar a lei, o especialista em questões de família está confiante: "Os técnicos não estão isentos de preconceitos, mas estão lá para cumprir a lei e encontrar a melhor família para cada criança e se for uma família homoparental não vão deixar de o fazer."

A própria Ordem dos Psicólogos no estudo que fez, em 2013, para o Parlamento sobre o impacto da adoção gay para as crianças defendia que não existem diferenças entre as crianças educadas por famílias heterossexuais e por famílias homossexuais.

Fonte: Diário de Notícias, 21/11/2015

Daniela Mercury lança clipe com imagens de seu casamento para combater homofobia

terça-feira, 1 de dezembro de 2015 0 comentários


Contra a homofobia, Daniela Mercury lança clipe com imagens de seu casamento

Daniela Mercury está firme no seu propósito de combater a homofobia. Na semana passada, ela revelou a capa de seu novo álbum, o Vinil Virtual, onde aparece nua ao lado de sua esposa, a jornalista Malu Verçosa, recriando a icônica imagem de John Lennon e Yoko Ono. Agora, ela lança um clipe com imagens de seu casamento para uma campanha de combate à violência contra homossexuais. 

No último dia 20, Daniela e Malu participaram de um evento na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, que debatia os direitos da comunidade LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais) na América Latina.

Na ocasião, as duas, casadas há dois anos, trocaram o primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo na ONU e divulgaram um vídeo com imagens do casamento para a campanha Livres & Iguais (vídeo abaixo), que visa promover a igualdade e o respeito aos direitos das pessoas LGBT.

A música escolhida é “Maria Casaria”, que estará no próximo disco da cantora baiana e foi escrita pela própria, em homenagem à esposa. Ela e Malu receberam o título de “Campeãs da Igualdade” e discursaram no evento da ONU.
Falar da gente mesmo, acho que essa é a grande diferença. Usar o nosso testemunho pessoal, falar do cotidiano de nossas vidas, eu acho que esse é o elemento transformador. E usar o nosso amor como exemplo de que a sociedade precisa mudar rapidamente o seu olhar sobre as famílias homoafetivas e acolher toda a diversidade da sociedade”, comentou Daniela.
Atualmente, o Brasil lidera o ranking de países que mais matam homossexuais, travestis e transexuais. Um vídeo sozinho não mudará um cenário tão triste, mas é ótimo que Daniela Mercury use sua plataforma para levar uma mensagem de amor e respeito a um grupo que ainda luta pelo direito à vida em determinados espaços.

Confira abaixo o clipe de “Maria Casaria”, dirigido por Ju Bacelar:

Casal de mulheres reprimido por se beijar em casa de show de Piracicaba (SP) presta queixa na polícia

segunda-feira, 30 de novembro de 2015 0 comentários

A técnica de enfermagem Elizabete Ramos (esq.)
 e a vigilante Gisele Anibal em foto nas redes sociais
Mulheres acusam segurança de casa de show de homofobia em Piracicaba

Um casal de mulheres relatou ter sido vítima de homofobia praticada por um funcionário de uma casa de shows de Piracicaba (SP). Segundo as vítimas, elas estariam se beijando dentro do estabelecimento quando foram abordadas por um segurança, que teria dito, aos gritos, que elas estariam "assediando os homens com essa atitude" e que, se quisessem, "deveriam procurar outro lugar apropriado". 

O caso ocorreu na madrugada do sábado (21), mas só foi registrado na noite de segunda-feira (23).

De acordo com a versão das vítimas dada à Polícia, depois de acompanharem, com familiares, a um show do cantor Amado Batista, a técnica de enfermagem Elizabete Ramos, 35, e a vigilante Gisele Anibal, 34, que são casadas oficialmente há seis meses, foram a um bar na região central da cidade.

Logo após chegarem ao Bar Celeiro, ainda acompanhadas de familiares, elas se beijaram e foram logo em seguida abordadas por um segurança.
Estávamos lá com minhas irmãs e outras amigas. Estava tudo tranquilo, havia vários casais se beijando. O segurança disse que aquilo era errado, que estávamos assediando os outros homens", disse Elizabete.
Elas procuraram a gerência do estabelecimento para relatar a atitude do funcionário, mas foram atendidas somente pelo chefe da segurança, que as informou que se tratava de uma pessoa recém-contratada.

Elizabete contesta. "Já estive lá (no bar) outras vezes, e o mesmo rapaz estava lá trabalhando".

Segundo Elizabete, é a primeira vez que ela e sua esposa passam por uma situação de discriminação.
Antes disso acontecer, eu tinha uma visão de que isso estava acabando. Olha aqui mesmo, em Piracicaba, quantos casamentos de pessoas do mesmo sexo não foram feitos desde a mudança da lei?", questionou.
E agora a gente fica recuada, não sei nem se posso pegar na mão da minha esposa na rua", disse ela. 
Boletim

As duas foram até a delegacia, onde o delegado Edson Gardenal registrou um Boletim de Ocorrência por difamação. A Polícia Civil informou que irá apurar o caso e que o próximo passo é a oitiva das testemunhas. Se condenado, o autor da ofensa pode pegar até dois anos de prisão, além de pagar multa. O estabelecimento comercial também pode ser multado. Até o momento, o autor da abordagem não foi oficialmente identificado.

A reportagem do UOL tentou entrar em contato com o proprietário do estabelecimento comercial para comentar o ocorrido, mas não obteve retorno até o início da noite de quarta-feira (25).

Em entrevistas à imprensa de Piracicaba, o proprietário do bar Celeiro, que não quis se identificar, negou os acontecimentos e relatou que ambas "estão querendo arrumar briga na Justiça para ganhar dinheiro".

Fonte: UOL, por Eduardo Schiavoni, 26/11/2015

Casamento LGBT entra em vigor na Irlanda

quarta-feira, 18 de novembro de 2015 0 comentários

Casamento gay: "Sentia que não podia dizer que estávamos casados,
mas agora vou falar toda vez que tiver oportunidade"

Lei sobre casamento gay entra em vigor na Irlanda

A Irlanda reconheceu legalmente o casamento gay a partir desta segunda-feira, e autorizará os matrimônios entre pessoas do mesmo sexo, com a entrada em vigor de uma lei que permite a união, aprovada num referendo em maio.
Sentia que não podia dizer que estávamos casados, mas agora vou falar toda vez que tiver oportunidade", disse Vivian Cummins, morador de Dublin de 57 anos, que se casou com o companheiro Erney na África do Sul em 2009.
Em maio, a Irlanda aprovou a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo com 62,1% dos votos, o que encerrou um longo percurso pela igualdade em um país muito católico, onde os atos homossexuais foram considerados ilegais até 1993.

Fonte: Exame, 16/11/2015


Daniela Mercury recria com Malu Verçosa a célebre capa de John Lennon e Yoko Ono para a Rolling Stone

terça-feira, 17 de novembro de 2015 0 comentários

Daniela Mercury resolveu parodiar a célebre capa de John Lennon e Yoko Ono para a Rolling Stone

Daniela Mercury copia foto clássica e fica nua com a mulher na capa de CD
Cantora recria, ao lado de Malu Verçosa, icônica imagem de John Lennon e Yoko Ono
Para quem mandou eu me esconder, eu me mostro nua. Não tenho vergonha de amar. Teria vergonha de odiar.”
O recado de Daniela Mercury é curto, direto, e vai para quem patrulha seu casamento com a jornalista Malu Verçosa Mercury. A nudez à que se refere a cantora e compositora baiana está exposta na capa de Vinil Virtual, 15º álbum da discografia solo da artista. O clique elegante de Célia Santos mostra Daniela deitada, nua, ao lado da esposa. A foto estampa a capa do primeiro disco inteiramente autoral da artista e a imagem pode ser vista em primeira mão nesta segunda, 16, no site da Rolling Stone Brasil.
Já fui convidada diversas vezes para posar nua para a [revista] Playboy e nunca quis. Agora, uso meu corpo, minha nudez, para fazer um manifesto pacifista e político na luta contra a homofobia. O intuito não é chocar”, garante a cantora. 
No mercado a partir de 27 de novembro, com distribuição da gravadora Biscoito Fino, Vinil Virtual tem capa inspirada na icônica foto de John Lennon e Yoko Ono para a edição número 335, de 22 de janeiro de 1981, da Rolling Stone EUA (em janeiro de 2011, a capa também estampou uma versão de colecionador da Rolling Stone Brasil, veja a imagem na galeria acima). O ensaio da publicação norte-americana foi realizado pela renomada Annie Leibovitz no dia em que Lennon foi assassinado.
O meu intuito com essa capa é me posicionar de uma forma bela. É usar essa imagem como uma expressão da minha vida, da minha arte, do meu amor. O amor é o grande elemento da transformação. Fiz uma capa linda que representa um manifesto feminista num momento em que as mulheres ainda precisam se afirmar. Através dessa capa, eu me conecto com John e Yoko em suas manifestações de paz e amor, contra qualquer tipo de violência. Cabe a nós, artistas, sermos os pacificadores, quebrando fronteiras e preconceitos”, explica a artista, que conheceu Yoko em 2014 em evento pela paz mundial realizado pela ONU, em entrevista exclusiva à Rolling Stone Brasil.
Aos 50 anos de idade, completados em julho passado, Daniela quebrou preconceitos em 3 de abril de 2013 quando postou uma foto com Malu Verçosa nas redes sociais e assumiu publicamente o relacionamento homoafetivo. "Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar", dizia a legenda da foto. A coragem de expor socialmente a relação com Malu mobilizou o Brasil, país onde há muitas cantoras homossexuais com posturas discretas sobre a própria sexualidade. A exposição do amor de Daniela chegou a ser pauta no Jornal Nacional daquele dia, rendeu entrevista no programa Fantástico e virou capa de duas das três principais revistas semanais do Brasil. De lá para cá, Daniela virou uma porta-voz da defesa das causas das minorias representadas pela sigla LGBT, que abarca lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Daniela e Malu são embaixadoras da campanha Livres & Iguais, da ONU.
A luta LGBT não é diferente da luta dos negros, das mulheres e dos seres humanos que não se sentem devidamente respeitados e representados na nossa sociedade machista. Eu sou uma humanista, uma artista do mundo que dialoga com as minorias desse mundo. E a violência que vem do coração de algumas pessoas mais duras não é o que vai me deter”, avisa a “Iansã Guerreira”, conforme foi definida em um artigo de Nelson Motta, em 1992, quando Daniela explodiu com seu canto solar, trazendo axé para um Brasil na época dominado por sertanejos românticos e pagode sem raízes no samba.
Daniela Mercury também marca posição com Vinil Virtual, o álbum de 15 músicas inéditas e autorais que produziu com Yacoce Simões. “O disco é um manifesto”, conceitua Malu Verçosa. No primeiro disco solo de estúdio da cantora desde Canibália (2009), Daniela declara seu amor por Malu ao musicar dois poemas escritos para sua esposa, “Maria Casaria” e “Sem Argumento”. Mas a manifestação de amor é global. Se “América do Amor” acena para a irmandade pacífica da América Latina, “Antropofágicos São Paulistanos” celebra no ritmo do axé a geleia geral de São Paulo, cidade decisiva na trajetória profissional de Daniela. Afinal, foi na tropicalista Sampa que a cantora literalmente parou o trânsito da Avenida Paulista, no início da tarde de 5 junho de 1992, ao reunir cerca de 20 mil pessoas em show apresentado no vão livre do Masp, o Museu de Arte de São Paulo. A proeza chamou atenção da gravadora Sony Music, que contratou Daniela para gravar o disco O Canto da Cidade, trabalho que fez a voz dela ecoar em todo o Brasil.

O canto de várias cidades está representado no repertório de Vinil Virtual. Daniela cai até no suingue do black Rio de Janeiro para saudar a cidade maravilhosa em “O Riso de Deus”, faixa que dialoga com o pancadão funk dos bailes cariocas. Mas são os sons da Salvador natal que mais estão entranhados nos sulcos de Vinil Virtual. “Senhora do Terreiro (Mãe Carmem)” manda um axé para a ialorixá Carmem Oliveira da Silva, filha e espécie de sucessora da ialorixá conhecida como Mãe Menininha do Gantois na hierarquia do Candomblé da Bahia. “De Deus, de Alah, de Gilberto Gil” pede a benção ao cantor e compositor baiano, de cuja banda Daniela foi vocalista na década de 1980, antes de começar sua carreira fonográfica. Gil cai no suingue da faixa com Daniela. Já o samba-reggae “Alegria e Lamento” concilia a percussão de Márcio Victor com takes inéditos da percussão do falecido Neguinho do Samba, um dos fundadores do bloco Olodum e músico que sintetizou a batida do samba-reggae, à qual já recorreu ídolos de alcance mundial como Michael Jackson. Cidadã do mundo, Daniela também canta em inglês em “Frogs in the Sky”, composta com seu filho, Gabriel Póvoas.

Vinil Virtual chega ao mundo com a esperança de dias melhores. Todas as 15 músicas têm a assinatura de Daniela, sendo que dez foram compostas sem parceiros. Há duas com Marcelo Quintanilha, duas com Gabriel e uma com Yacoce Simões. “Os compositores que mandaram canções para mim não traduziram o que eu queria dizer nesse momento”. Está dado o recado, mais uma vez de forma direta. Daniela Mercury não se esconde dentro de nenhum armário.

Fonte: Rolling Stone, 16/11/10 e Época (Bruno Astuto)


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