Casais de mulheres recorrem à reprodução assistida

quinta-feira, 2 de abril de 2015 0 comentários

Natalie Drew e Ashling Phillips, idealizadoras da clínica
"The Gay Family Web Fertility Centre". Foto/Reprodução 

MÃES HOMOSSEXUAIS RECORREM À REPRODUÇÃO ASSISTIDA
Antes mesmo da aprovação da união civil de casais homoafetivos no Brasil, o Conselho Federal de Medicina já havia aprovado no início do ano o texto que garante a todos os cidadãos o acesso à reprodução assistida, ou seja, casais homoafetivos também podem ser pais e mães não só de coração, mas também biológicos.
Hoje há maior aceitação nesses casos. Antes, casais homoafetivos sofriam muito com questões emocionais, muito mais que casais heteroafetivos", afirma Dr. Arnaldo Cambiaghi, médico especialista em reprodução humana da clínica IPGO - Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia. Segundo o especialista, muitos profissionais ainda se recusam a atender casos como esses.
O casal Natalie Drew e Ashling Phillips, 36 e 32 anos respectivamente, Natalie e Ashling disseram terem sentido na pele o descaso e o preconceito quando decidiram ter um bebê, há cinco anos.

Hoje elas têm dois filhos, Gianna, de cinco anos, e Kai, de dois. Natalie gerou Gianna e Ashling engravidou de Kai. O casal afirma que o desgaste emocional e financeiro foi muito grande. Segundo as inglesas, elas foram orientadas a fazer procedimentos muito caros e desnecessários. E depois disso decidiram abrir em março deste ano a própria clinica de reprodução (The Gay Family Web) especializada em atendimento a casais do mesmo sexo.

Aqui no Brasil, a principal mudança diz respeito à permissão da utilização de útero temporário.
O casal pode solicitar que uma mulher da família, até segundo grau, ceda o ventre temporariamente", afirma o Dr. Arnaldo. Em casos como esses, mães, irmãs e primas podem gerar os bebês. "É importante lembrar que obrigatoriamente o óvulo deve ser de uma doadora anônima. A parenta somente irá gerar o feto", esclarece o especialista.
O mesmo vale para casais de mulheres. O espermatozóide deve vir do banco de sêmen. A fecundação é feita in vitro, depois o óvulo fecundado é introduzido no útero da parceira que irá gerar.
Há um caso em que a mãe de um dos rapazes aceitou muito bem a relação do filho. Ela cedeu seu útero para gerar o neto", revela Dr. Arnaldo.
Utilizar o sêmen do irmão de uma das parceiras para fecundar o óvulo da outra também é um pedido comum, já que a intenção do casal é que a criança traga a carga genética das duas mulheres. Entretanto, isso é proibido. Os doares, em todos os casos, devem ser desconhecidos.

Em Portugal, por exemplo, procedimentos como esses são permitidos desde 2006. Com a legalização de casamento entre pessoas do mesmo sexo, a reprodução assistida também passou a ser permitida. Antes somente casais heteroafetivos legalmente casados podiam recorrer a esses tratamentos.

Homoafetivos podem enfrentar mais uma dificuldade após o nascimento do filho. Para registrar a criança no nome do casal é preciso autorização legal. Segundo o especialista não é comum que esta autorização seja negada nestes casos, mas é importante ressaltar mais esta diferenciação entre casais homos e heteros.
O direito da família e o da procriação pertence a todos e é reconhecido na Declaração dos Direitos Humanos, que destaca que, além da igualdade e dignidade, o ser humano tem direito a fundar uma família. O que deve ser feito? O que é certo ou errado? Isso não cabe a mim dizer. É tempo de reflexão", finaliza o especialista.
Fonte:  VillaMulher, por Bianca de Souza (MBPress)

Distrito de Shibuya, em Tóquio, primeiro a reconhecer a união de casais homossexuais

quarta-feira, 1 de abril de 2015 0 comentários

O casal Hiroko Masuhara e Koyuki Higashi exibe faixa agradecendo ao distrito de Shibuya, em Tóquio,
 por ser o primeiro a reconhecer a união de casais homossexuais no país nesta terça-feira (31)
(Foto: Yoshikazu Tsuno/AFP)

Distrito de Tóquio se torna o primeiro a reconhecer uniões gay no Japão

O distrito de Shibuya, em Tóquio, aprovou nesta terça-feira o reconhecimento dos casais do mesmo sexo, com o que se transformou no primeiro município do Japão que dá um passo rumo à equiparação legal das uniões homossexuais.

A iniciativa entrará em vigor amanhã e permitirá a expedição de certificados de união civil a casais homossexuais, o que assenta um importante precedente em um país onde a legislação civil não reconhece direito algum para os casais homossexuais.

Segundo a ordenança aprovada hoje pelo consistório local, estes certificados reconhecerão os casais do mesmo sexo como uniões diferentes ao casamento e não serão legalmente vinculativos.

No entanto, a ordenança inclui medidas para garantir que as uniões homossexuais recebam um status similar ao dos casamentos no momento de receber benefícios fiscais, serviços sociais ou contratos a título partilhado.

Deste modo, o consistório local evitou o empecilho da Constituição japonesa que define o casamento como "união baseada só no consentimento mútuo de pessoas de diferente sexo".

A decisão desse distrito de Tóquio foi recebida com satisfação pelos defensores dos direitos dos homossexuais e por políticos envolvidos na causa, embora também tenha sido criticada por setores mais conservadores e inclusive pelo governo central.

O prefeito de Shibuya, Toshikate Kuwahara, declarou que corresponde agora ao Estado central "atuar para evitar a discriminação dos homossexuais", em entrevista coletiva organizada na semana passada.

Por outro lado, o secretário-geral do governante Partido Liberal-Democrata (PLD), Sadakazu Tanigaki, destacou hoje que a iniciativa de Shibuya "poderia afetar os alicerces do sistema social" do país.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, também se mostrou reticente a legalizar o casamento homossexual e pediu "cautela" para tratar a questão, já que, segundo sua opinião, "afeta à noção de como devem ser as famílias", segundo disse em um debate parlamentar no último dia 19.

Outros municípios de Tóquio, como o de Setagaya, começaram também a tramitar o reconhecimento das uniões homossexuais.

Fonte: Terra, 31/03/2015

Casais de mulheres e de homens e seus filhos constituem as "novas famílias"

terça-feira, 31 de março de 2015 0 comentários

Família Motta Machado

As novas famílias
Conheça as histórias, repletas de alegrias e conflitos, que representam algumas das configurações familiares cada vez mais comuns no Brasil

Por Roberta Salomone

Marcos amava Fabio que sonhava em ter um filho. Sem planejar, o casal acabou adotando dois. Carol queria ser mãe, e Kika também. Lilian não tinha namorado ou marido, mas resolveu engravidar. A mãe foi a companhia em todas as consultas médicas. Com Adriano, não conhecer pessoalmente os sogros e ter tido uma educação bem diferente da mulher, a canadense Eve, não foram motivos para impedir o casamento deles. Fabiana tinha dois filhos; Gian, outros dois. Foram morar juntos com os quatro, a mãe dela, e ainda tiveram mais dois meninos. Estas histórias, que você conhece aqui embaixo, talvez até sejam difíceis de serem entendidas logo de primeira, mas representam algumas das configurações familiares cada vez mais comuns no Brasil, que já ultrapassam, segundo o último Censo do IBGE, o tradicional núcleo mãe, pai e filho.

— São arranjos que, de uma forma ou de outra, já existiam, mas não eram expostos ou as pessoas preferiam não comentar — analisa a psicanalista Mônica Donetto Guedes, autora do livro “Em nome do pai, da mãe e do filho’’, que destaca a importância do debate dentro e fora do contexto familiar. — Acho que só assim é possível amenizar os problemas, que serão inevitáveis em formações tão diversas e complexas.

Se antes eram assunto tabu, as novas famílias servem de inspiração para novelas como “Babilônia”. Em contrapartida aos fatos reais e da ficção, um polêmico projeto de lei, denominado Estatuto da Família e “ressuscitado” na Câmara dos Deputados, determina que somente a união entre um homem e uma mulher pode constituir uma família, proibindo a adoção por casais homoafetivos. O resultado de uma enquete do portal da Câmara, no ar desde o mês passado, mostra que 53% dos que responderam concordam com a definição de família proposta pelo projeto.

— Os desafios tendem a ser minimizados ao longo do tempo, mas o preconceito existe e é preciso um cuidado especial com as crianças que têm famílias fora do convencional — diz Junia Vilhena, professora de Psicologia Clínica da PUC-Rio.

Enquanto isso, internautas se mobilizam contra o estatuto usando hashtags como #emdefesadetodasasfamílias e #nossafamiliaexiste.

— O casamento não deve ser encarado como uma questão de gênero. O elo do afeto é que caracteriza uma família — opina Carlos Tufvesson, coordenador especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio, casado há 20 anos com o arquiteto André Piva.

— Não dá para fechar os olhos para a realidade. Estas famílias existem, estão solidificadas e merecem respeito — afirma a advogada Patrícia Gorisch, presidente da Comissão Nacional de Direito Homoafetivo do Instituto Brasileiro de Direito de Família.

Carol e Kika com a filha Tereza

Família Motta Machado

A chegada de Tereza foi exatamente como o planejado: em casa, no bairro de Laranjeiras, numa tarde de agosto. Sob a supervisão da enfermeira obstétrica Heloísa Lessa e ao som de Frédéric Chopin, Carol sentiu as primeiras contrações durante a manhã. Ao longo de três horas, andou de um lado para o outro, se acalmou sentada na cadeira de balanço e achou conforto em cima de uma bola de pilates. Ao lado dela durante todo o trabalho de parto, sem anestesia, estava Kika, também mãe de Tereza.

— Era tanta expectativa e emoção que não dá nem pra descrever o que sentimos — conta a atriz e artista visual Kika Motta, de 33 anos, mãe de primeira viagem, como a mulher, a atriz e bailarina Carol Machado.

Carol é facilmente reconhecida. Fez sucesso em novelas como “Top Model” e “Vamp”, exibidas pela TV Globo entre o fim dos anos 80 e início dos 90, quando ainda era uma adolescente. Na novela que tinha Malu Mader como protagonista, ela era Jane Fonda, uma das filhas do surfista Gaspar, divertido personagem do ator Nuno Leal Maia.

Carol e Kika se conheceram tempos depois, quando eram vizinhas, mas só começaram a namorar após um reencontro, entre uma e outra postura nova aprendida numa aula de ioga. Há oito anos, dividem o mesmo teto.

— Sempre pensamos em ser mães e ficar grávidas. Por uma questão de idade, a escolhida para engravidar primeiro fui eu — explica Carol, de 39 anos, que se submeteu a três inseminações com esperma de doador anônimo.

O tratamento teve início três anos atrás numa clínica em São Paulo. Na primeira tentativa, Carol engravidou, mas perdeu o bebê aos quatro meses de gestação. A segunda não deu certo e, na terceira, veio Tereza, uma linda e sorridente menina de olhos azuis, que nasceu com três quilos e 49 centímetros.

— Como não conhecíamos outro casal que tivesse passado pelo mesmo processo, o caminho foi bem mais difícil— lembra Kika.

As duas revelam que têm forte ligação com seus respectivos pais e que pensavam muito em como seria criar uma criança sem a figura paterna. Estudaram muito, consultaram especialistas e fizeram novas amigas e amigos com histórias semelhantes.

Antes do nascimento da filha, prepararam um verdadeiro dossiê, organizado com a ajuda do pai de Kika, que é advogado. Na mesma pasta, reuniram a união estável das duas e relatórios dos profissionais que acompanharam o tratamento e o parto, além de menções aos casos de famílias formadas por casais gays que, em outros estados do Brasil, conseguiram, sem qualquer dificuldade, a certidão de nascimento dos filhos no nome deles.

— Fomos o primeiro casal homoafetivo do Rio a conseguir o registro de nascimento direto no cartório, sem precisar recorrer à Justiça. Foi uma conquista e tanto — comemora Carol, que deu à Tereza os sobrenomes menos conhecidos das mães: Rezende Eichler.

Aos 7 meses, Tereza Rezende Eichler começa a engatinhar e descobrir novos cantos da casa onde a família mora com os gatos Café, Cuca e Gaia. Tereza dorme num futton no chão do quarto, que foi decorado pelas mães com diferentes peças de artesanato, como os planetas comprados em Londres que estão pendurados no teto e personagens do Circo Nacional da China, presente de um amigo, que enfeitam a parede. Em cima de uma cômoda ficam várias fotos das três.

Enquanto Carol amamenta e curte a licença-maternidade bem pertinho da filha, Kika, que adora cozinhar, faz o último ano do curso de Escultura na UFRJ. As duas têm uma companhia de teatro e dança, a Finis Cinis, e planejam trabalhos juntas.

Com Tereza, elas vibram com cada novidade, como a chegada do primeiro dentinho e a estreia na aula de natação, na semana passada. Mas também não escondem que ainda ficam desconfortáveis ao falar da vida pessoal.

— A gente não tem obrigação de ficar o tempo todo dando satisfação pra todo mundo. Dependendo da abordagem, pode incomodar, sim — conta Carol, lembrando do dia em que pensaram que Kika era babá de Tereza ou quando ela mesma foi questionada sobre “quem era o que da menina’’.

— As pessoas precisam entender que a família tem um significado muito mais amplo e que envolve um sentimento lindo: o amor — resume Kika, que já se prepara para engravidar no ano que vem. — Agora vai ser a minha vez.

Família Gladstone Canuto


Família Gladstone Canuto

Já era noite de uma quarta-feira quando Fabio Inácio Canuto saiu do trabalho, na Cinelândia, rumo à Lapa. Não demorou a encontrar o lugar que procurava, no terceiro andar de um antigo sobrado da Rua Mem de Sá. Um tanto desconfortável, sentou-se numa das últimas filas. A pregação já tinha começado e ele ouviu com atenção cada frase dita pelo pastor. Era a primeira vez que pisava numa igreja em que, segundo ele, era recebido sem qualquer questionamento ou recriminação.

— Foi uma sensação de alívio e acolhimento que nunca tinha sentido antes — lembra o administrador de 35 anos sobre a primeira vez na Igreja Cristã Contemporânea. — Tinha uma noiva e nasci numa família evangélica. Fiz tudo que você pode imaginar para achar uma “cura” e, durante muito tempo, fui obrigado a esconder a minha homossexualidade.

Na igreja da Lapa, gays eram muito bem-vindos, e as visitas de Fabio se tornaram cada vez mais frequentes nos meses seguintes. Ele fez novos amigos e acabou também arrumando um namorado: o pastor.

— Não foi exatamente amor à primeira vista, mas um encontro especial que virou um compromisso de um ano e meio, noivado e casamento — diz Marcos Gladstone, de 39 anos, que fundou a igreja em 2006 e hoje tem a ajuda do marido nos cultos e na administração dos nove templos, no Rio, em Belo Horizonte e em São Paulo.

O casório dos dois, o primeiro entre pastores homossexuais do país, aconteceu em novembro de 2009. Os dois reuniram 300 convidados numa casa de festas no Alto da Boa Vista, com direito a decoração com flores, bolo de dois andares e lua de mel na Costa do Sauípe, na Bahia. No ano seguinte, Fabio convenceu Marcos de que já era hora de dar continuação à família, e entraram juntos com um processo de adoção. Na primeira reunião, eram os únicos declaradamente homossexuais entre outros 30 casais. Eles dizem que “chegou a bater um desânimo”, mas, apenas duas reuniões depois, receberam uma ligação falando de Felipe.

Quando definiu o perfil da criança que estava disposto a adotar, o casal não fez restrição de sexo e cor, mas teria que ter até 7 anos — idade que o menino completaria em 15 dias. Correram para conseguir a autorização para visitá-lo num abrigo em Santa Teresa, que fecharia em breve, e onde também estavam quatro outros garotos. A aproximação foi lenta e cercada de desconfiança por parte de Felipe, que fora abandonado pela mãe anos antes.

— Ele falava pouco e era muito observador. No primeiro fim de semana que ficamos juntos, perguntei se ele tinha reparado que a nossa família seria diferente, sem uma mãe. Ele respondeu que sim e que não se importava. Foi o dia mais feliz da minha vida — conta Fabio.

Um mês depois, um telefonema de um funcionário da Vara da Infância, Juventude e Idoso avisava que outro garoto do abrigo estava entrando em processo de depressão desde a saída de Felipe. Não era plano de Marcos e Fabio, mas não é que Davidson também foi adotado?

Hoje, os quatro e o buldogue francês Hugo, de 8 meses, moram num apartamento alugado num condomínio na Barra, onde cada um dos meninos, de 11 e 12 anos, tem seu quarto. Felipe e Davidson estudam em escolas particulares, fazem aulas de futebol três vezes por semana, amam jogos eletrônicos e são cercados de mimos pelas duas avós, que se revezam nos fins de semana na ajuda com os netos. No dia a dia, nem tudo é só alegria. Pai Fabio e pai Marcos (como os dois são chamados) são alvo de crítica e preconceito.

— A gente sempre é a atração do aeroporto. É um tal de chamar supervisor e mostrar documento que você não acredita. É um parto para embarcar — diz Marcos, também advogado e integrante da Comissão de Direito Homoafetivo da OAB/RJ.

Para os patriarcas da família Gladstone Canuto, uma rotina com regras bem definidas é fundamental.

— Não dá para negar que nossos filhos têm histórias de muita dor e sofrimento. Por isso, fazemos terapia em família uma vez por semana. Falaram para a gente que a ordem tinha que ser instaurada já no início, porque senão os dois dominariam a casa. Viramos dois sargentos, mas no fim de semana a brincadeira é liberada — garante Fabio, que agora sonha em adotar uma menina. — Só falta uma bebê para a família ficar completa. Mas se vierem mais, tudo bem também.

Fonte: O Globo, 29/03/2015 (Para ler o restante da matéria e ver o vídeo clique aqui)

Centenas em praça do Rio contra a homofobia

segunda-feira, 30 de março de 2015 0 comentários

Ato contra a homofobia contou com batucada, teatro, projeção de frases
 contra a homofobia e beijaço de casais homoafetivos
Fernando Frazão/Agência Brasil

Ato contra homofobia reúne centenas em praça do Rio
Centenas de pessoas se reuniram na noite de 27/03, na Praça São Salvador, em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, para um ato contra a homofobia, que contou com batucada, teatro, projeção de frases contra a homofobia e beijaço de casais homoafetivos. Eles jogavam muita purpurina, com gritos de "olê, olê, olê, olá, se a violência não acabar, na praça eu vou beijar".

A manifestação foi marcada após uma agressão ocorrida na madrugada do dia 1º de março, quando dois jovens jogaram uma garrafa em um casal homoafetivo que se beijava no local e direcionaram xingamentos. Outros casais que estavam dentro do Bar Casa Brasil reagiram com um beijaço e começou grande confusão, na qual foram atirados copos e garrafas.

Membro do Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual, Victor Comeira explica que o protesto desta sexta foi direcionado ao bar, porque o estabelecimento, na avaliação dos manifestantes, falhou em garantir a segurança dos frequentadores. "O protesto é contra a LGBTfobia e também contra o estabelecimento, porque a postura deles foi irresponsável por continuar o serviço de bar com os instrumentos de vidro que eram usados como arma".

O representante jurídico do bar, Marcos Fontenele, nega que o estabelecimento tenha tido alguma responsabilidade no episódio. "Não procede, é inimaginável que a gente desse copo para agredir outras pessoas. Algumas vezes as pessoas saem da mesa e vão fumar um cigarro lá fora, porque aqui dentro é proibido, e levam os copos".

Frente de Combate à LGBTfobia promove ato em repúdio a toda e qualquer agressão e violência à comunidade LGBT na Praça São Salvador, em Laranjeiras (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Na manifestação também foi lançada a plataforma online Tem LocalFernando Frazão/Agência Brasil

Ele explica que a casa mudou o procedimento depois da confusão. "A partir de agora está vedado, se sair vai levar copo de plástico. Os dois grupos estavam aqui dentro, mas a confusão se deu lá na praça. O nosso posicionamento é contra qualquer tipo de discriminação. Colocamos aqui uma faixa de apoio à manifestação, coloquei uma nota na página da manifestação".

O psicólogo Eliseu de Oliveira Neto citou dados do Grupo Gay da Bahia, segundo os quais em 2014 foram registrados 326 assassinatos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros no país, dos quais 22 no Rio de Janeiro.

"É muito importante ver a sociedade civil se mobilizando, protestando, participando de um evento como este, dizendo que chega, que a gente não aguenta mais ficar escondido, que a gente agora tem coragem de vir para a rua, de enfrentar, mostrar, tem toda uma população relegada ao preconceito, ao crime, à humilhação. Não é só morte, mas uma humilhação simbólica de não poder se beijar, se tocar, estar próximo do outro, e isso tem que ser combatido", ressaltou.

Na manifestação também foi lançada a plataforma online Tem Local, que pretende mapear os locais onde ocorrem atos de agressão e homofobia. "A gente está em contato com São Paulo, para estabelecer o mapa da homofobia, onde as agressões têm se concentrado, para poder fornecer essas informações tanto para que as autoridades combatam quanto para que a comunidade LGBT [lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros] saiba onde estão, para poder garantir a sua segurança, já que a segurança do Estado está tão precária", destacou Victor Comeira.

Fonte: Agência Brasil, 27/03/2015

Deputada evangélica Júlia Marinho quer alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para proibir a adoção de crianças por casais homoafetivos.

sexta-feira, 27 de março de 2015 0 comentários

Integrante da bancada evangélica, Júlia quer
 evitar que casais homoafetivos adotem

Deputada quer proibir adoção por casal homoafetivo

Em proposta apresentada na Câmara, Júlia Marinho alega que família composta por dois pais ou duas mães “não logra ampla aceitação social” e pode gerar “desgaste psicológico e emocional” na criança adotada. Ex-ministra vê retrocesso

A deputada Júlia Marinho (PSC-PA), integrante da bancada evangélica da Câmara, apresentou um projeto de lei com o intuito de alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de maneira que seja proibida a adoção de crianças por casais homoafetivos. A proposição foi apresentada no dia 6 de março e tramita na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara.

O projeto de lei pretende incluir mais um parágrafo, dentro do artigo 42 do ECA. Esse dispositivo estabelece regras para a adoção de crianças no Brasil. Hoje, para ser pai ou mãe adotiva, a pessoa precisa ter 18 anos, ter pelo menos 16 anos a mais que o adotado e garantir a segurança da criança ou do adolescente. Mas a parlamentar quer incluir mais uma condicionante para as adoções: “É vedada a adoção conjunta por casal homoafetivo”, aponta o projeto.

Júlia afirma, no documento, que “o reconhecimento jurídico de união homoafetiva não implica automaticamente a possibilidade de adoção por estes casais, matéria que, a toda evidência, dependeria de lei”. A parlamentar alega, no projeto de lei, que família composta por dois pais ou duas mães “não logra ampla aceitação social” e “pode gerar desgaste psicológico e emocional” na criança adotada.
Assim, até que estudos científicos melhor avaliem os possíveis impactos sobre o desenvolvimento de crianças em tal ambiente e que a questão seja devidamente amadurecida, por meio de discussão no âmbito constitucionalmente previsto para tanto – o Parlamento, deve ser vedada a adoção homoparental”, defende a deputada.
O regramento legal da adoção não se sujeita ao das uniões civis ou ao do casamento. Cuida-se de instituto especial, que visa ao atendimento dos interesses do adotando, não se podendo alegar que sua vedação a casais homossexuais seja discriminação no acesso a um direito”, justifica a congressista.
É na família que as primeiras interações são estabelecidas, trazendo implicações significativas na forma pela qual a criança se relacionará em sociedade. O convívio familiar é o espaço de socialização infantil por excelência, constituindo a família verdadeira mediadora entre a criança e a sociedade”, afirma Júlia, logo em seguida. “O novo modelo de família, contrário ao tradicional, consagrado na referida decisão judicial, encontra ainda resistência da população brasileira”, justifica.
A proposta enfrenta resistência na Câmara. Ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) vê o projeto de lei como um retrocesso num país que tem garantido igualdade de direitos a todos os gêneros. 
Na última semana, a ministra Cármen Lúcia [do Supremo Tribunal Federal] tomou uma decisão inédita que assegurou a constituição da adoção por um casal homoafetivo. Essa garantia é um direito que ela assegurou às crianças. Lugar de criança não é em abrigo”, disse a petista. “Nessa decisão, a ministra também assegurou o direito a essas pessoas adultas que, como brasileiros, de ter uma família, de ter os seus filhos”, complementou.
Além dessa proposta, a bancada evangélica aposta em outro projeto que também inviabiliza, na prática, a adoção de crianças por casais homoafetivos, o chamado Estatuto da Família. O texto, que tramita em comissão especial, reconhece como família apenas a união entre um homem e uma mulher.

Na próxima sexta-feira (27), “beijaço” contra homofobia na praça São Salvador no Rio

quinta-feira, 26 de março de 2015 0 comentários

"Beijo na Praça" contra LGBTfobia acontece nesta sexta-feira (27)Reprodução / Facebook

Grupo organiza “beijaço” contra homofobia na praça São Salvador, no Rio

Um casal de homens teria sido agredido com copos de vidro durante um beijo no local

A comunidade LGBT organiza um beijaço para a próxima sexta-feira (27) na praça São Salvador, em Laranjeiras, zona sul do Rio. Segundo a organização, o ato surge como resposta a um episódio de homofobia que aconteceu no dia 1º de março no mesmo local. Um casal de homens teria sido agredido por outros dois frequentadores da praça com copos de vidro durante um beijo.

O casal teria buscado ajuda com guardas municipais e policiais militares que estavam próximos ao local, sem sucesso. A reação de alguns dos presentes na praça foi realizar um “beijaço” instantâneo, em apoio ao casal.

Segundo Thiago Bassi, um dos apoiadores do ato do dia 27, a reação gerou mais ódio.

— Quando esse grupo de 10, 12 pessoas, começou a se beijar, as pessoas jogaram mais copos e garrafas de vidro.

De acordo com o relato, os policiais militares só se dispuseram a levar o casal até a delegacia quando a multidão que assistia à c enaproferiu palavras de contra-agressão e vaias. As vítimas teriam sido questionadas sobre a possibilidade de ir na mesma viatura que os supostos agressores, o que não foi aceito.

Bassi afirma que a agressão aconteceu em frente ao bar Casa Brasil, que teria fornecido mais copos e garrafas para que a agressão não fosse interrompida. Procurado pelo R7, o bar afirmou que soube do caso, mas que não teria acontecido próximo ao estabelecimento.

Nas redes sociais, mais de 300 pessoas já confirmaram presença no “beijaço”. Bassi afirma que vários coletivos já declaram apoio ao evento. No manifesto da página, a organização explica que a frente de combate à LGBTfobia reúne “coletivos e ativistas que advogam por uma sociedade livre de exploração e qualquer tipo de preconceito”.

Em resposta ao preconceito contra a comunidade LGBTI, a frente de coletivos criou o site Tem Local, que reúne locais ditos lgbtfóbicos. O mapa colaborativo será lançado no dia do “beijaço”.

A concentração do ato começa às 18h. A partir das 20h haverá beijaço de hora em hora até as 23h. Haverá apresentação da banda da Orquestra Voadora, “guerra de purpurina” e presença de diferentes coletivos do movimento LGBT.

No dia 1º de abril também haverá uma nova ocupação, na rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, zona sul do Rio. Bassi afirma que houve relatos de lesbofobia no local, que será ocupado com purpurina e panfletos com manifestos contra o preconceito.

Fonte: R7 Notícias, 23/03/2015

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