28 escolas de ensino médio de Pernambuco combatem o machismo e a homofobia

quinta-feira, 25 de julho de 2013 0 comentários

Na Escola Professor Trajano de Mendonça, balões e cartazes decoram a Semana Rosa e Lilás

PE: alunos discutem homofobia e machismo para romper preconceitos
Núcleos de estudo de gênero criados em 28 escolas de ensino médio de Pernambuco ajudam a combater a discriminação

As discussões sobre machismo e homofobia estão nas redes sociais, na TV, nos jornais e não poderiam ficar muito tempo longe da escola. Com o objetivo de promover ações de formação e pesquisa em gênero e educação e incentivar alunos e professores a debaterem estes temas, Escolas Referência de Ensino Médio (Erems) de Pernambuco implementaram, desde o ano passado, Núcleos de Estudos de Gênero e Enfrentamento da Violência Contra a Mulher. Fruto da articulação entre a Secretaria da Mulher e a Secretaria de Educação com as escolas de nível médio, a iniciativa já alcança 28 instituições de ensino do Estado.

Localizada em Jardim São Paulo, na zona oeste do Recife, a Erem Professor Trajano de Mendonça é uma das participantes do projeto. Professores e alunos de diferentes séries e disciplinas formaram o Grupo Margarida Maria Alves de Estudos de Gênero. Coordenadora do grupo e professora de português da instituição, Rosário Leite explica que a escola já tinha um projeto que tratava do tema desde 2011 e, por conta disso, recebeu o convite da Secretaria da Mulher para implantar o núcleo ainda no ano passado. "Ele nasceu com a proposta de discutir a violência contra a mulher, já que o Estado de Pernambuco tem um alto número de casos de agressão contra mulheres, inclusive com mortes. Conforme fomos angariando parceiros, ampliamos o debate para questões de outros gêneros", conta.

Segundo Rosário, o núcleo ainda está em fase inicial. As reuniões ocorrem quinzenalmente, em contraturno, e não são obrigatórias. "É uma atividade voluntária", comenta. Nos encontros, os alunos debatem temas como machismo e homofobia a partir de filmes, notícias, leituras e relatos de experiência. A temática não fica restrita aos debates. "A ideia é trazer essa discussão de gênero para a sala de aula também de forma que perpasse todas as disciplinas, fazendo pontos de intersecção. Queremos trazer para o dia a dia mesmo, pois quanto mais presente a discussão, mais fácil combater a violência", afirma.

A escola também incentiva que os alunos participem de concursos de redação sobre temáticas de gênero. "É muito importante participar de eventos escolares, fazer debates nas salas, oficinas, seminários e palestras", diz Rosário. O marco das discussões, de acordo com ela, é março, na Semana da Mulher, um período especial, com atividades envolvendo toda a escola. "Ampliamos o foco, saímos da questão da violência doméstica e passamos a abordar a diversidade sexual e a questão da igualdade de gêneros. Com o núcleo, os alunos passam a ser sujeitos dessa ação, a ideia é que se transformem em multiplicadores dessa questão contra a violência", completa.

Na Trajano de Mendonça, este período ficou conhecido como Semana Rosa e Lilás, na qual alunos e professores usam peças de roupa nestas cores, além de decorar a escola com balões e cartazes. "Também é realizada uma série de encontros. Nós trazemos voluntários para darem palestras. Neste ano, por exemplo, a semana foi aberta com a discussão sobre homofobia, e finalizamos discutindo violência de gênero no mundo inteiro", diz.

Dos cerca de 700 alunos da escola, entre turmas do nono ano e do ensino médio, participam regularmente dos encontros quinzenais em torno de 20. "Nem sempre são os mesmos. O grupo todo trabalhando chega a 90 alunos diretamente engajados, fora os professores", afirma Rosário. Além disso, a escola mantém um grupo de discussões no Facebook, onde os alunos postam e comentam sobre temas relacionados.

A mudança no tratamento entre os colegas, bem como a conscientização e a formação de multiplicadores contra a violência de gênero, são o resultado da implantação do núcleo. "Isso se reflete até nas famílias, muitos pais passaram a apoiar o projeto", diz. As reuniões auxiliam no desenvolvimento dos alunos e na formação social. "É muito importante para nós que todos participem. Os professores, por exemplo, vão sempre vestidos de rosa na Semana Rosa e Lilás. Ver outros homens usando esta cor, já faz esses alunos enxergarem a questão de outra forma", relata. 

Rosário conta que ainda há brincadeiras e provocações eventualmente na sala de aula ou no intervalo. "Isso acaba repercutindo entre os alunos e vira debate. Os estudantes tornam-se vigilantes. E queremos isso: que conversem sobre o tema, que não seja necessário uma advertência do professor", aponta.

Futuro com menos preconceito

Hoje aos 18 anos, Emanuela Sibalde participou do núcleo desde sua implantação. "Adquiri conhecimento sobre o assunto. A violência contra a mulher é uma realidade que muita gente desconhece. Com o núcleo, debatemos isso e formamos nossa opinião", avalia. A jovem nota que os meninos passaram a respeitar mais as mulheres e as próprias meninas após a discussão em sala de aula. Também acredita que incentivar o debate irá diminuir o preconceito. "Para o futuro, vai ser melhor. Tendo consciência de que somos todos iguais, acredito que vai diminuir o preconceito e a violência contra a mulher", opina.

Os números que indicam o preconceito contra homossexuais, porém, ainda assustam, conforme as estatísticas do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN). Levantamento realizado em 26 escolas públicas, em junho, mostrou que mais da metade dos entrevistados, com entre 14 e 20 anos, não são favoráveis à união homossexual, enquanto 30,9% são a favor e 14,8% são indiferentes ao tema.

Cura gay em clínicas e comunidades terapêuticas católicas e evangélicas

quarta-feira, 24 de julho de 2013 0 comentários

No Lar Cristão Ala Feminina, no Mato Grosso,
“lésbicas são levadas a deixar a homossexualidade”


Clínicas prometem tratamento de ‘cura gay’

  • Pelo menos seis entidades no país afirmam fazer a chamada ‘conversão da sexualidade’, aponta relatório


SÃO PAULO - O jovem F.G., de 21 anos, dormia quando três enfermeiros entraram em seu quarto e o imobilizaram. A pedido de sua mãe, o então jogador de futebol foi levado sedado de Belo Horizonte para o interior de São Paulo, onde foi internado de maneira involuntária em uma clínica de reabilitação para viciados em drogas. O atleta, que nega ser dependente químico, acusou a mãe de tê-lo internado apenas pelo fato de ser homossexual. O namorado do jovem foi impedido pela família de vê-lo no tempo em que permaneceu no local. Ele ficou na clínica por mais de dois meses, nos quais chegou a permanecer por algum tempo em uma espécie de “solitária”.


O caso, que desde 2009 tramita em segredo judicial e foi levado ao Ministério Público, não é a única denúncia feita por violação de direitos humanos a homossexuais contra clínicas de reabilitação ou comunidades terapêuticas. Um relatório produzido pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), com a colaboração da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), revela indícios de que instituições que oferecem tratamento a dependentes químicos no país tratam com preconceito gays e lésbicas e, algumas delas, inclusive submetem os internos a processos de conversão da sexualidade.

Ao todo, segundo o documento, há indícios de que pelo menos seis delas realizam o que chamam de “libertação” de internos homossexuais.

As unidades são, na sua maioria, de orientação religiosa — evangélicas e católicas — e estão distribuídas em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e Sergipe. O relatório aponta, por exemplo, que na Associação Beneficente Metamorfose, em Goiás, “os casos de diversidade sexual são estimulados a ser libertados”.

Na Fazenda Esperança, no Sergipe, a instituição “recebe homossexuais que, por motivos pessoais, desejem se internar para tentar deixar esta orientação sexual”. No Esquadrão da Vida, no Mato Grosso do Sul, “a instituição não permite nem a manifestação nem a prática da homossexualidade e realiza um trabalho religioso para converter o interno”.

‘Trabalho de libertação’

O relatório aponta, por exemplo, que no Lar Cristão Ala Feminina, no Mato Grosso, “lésbicas são levadas a deixar a homossexualidade”. Em conversa pelo telefone, uma funcionária confirmou ao GLOBO que a entidade aceita homossexuais que não necessariamente sejam dependentes químicos.

— No caso, é só um trabalho de libertação. São quatro cultos por dia e tem um culto à noite. Aí vai trabalhando, vai libertando — relatou uma funcionária, sem se identificar.

O coordenador da Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFP, Pedro Paulo Bicalho, atribui os casos de violação de direitos humanos ao fato de a maioria dessas instituições ser gerida por religiosos, e não por profissionais de Saúde. Na avaliação dele, gera preocupação que entidades que se proponham a oferecer reabilitação a viciados em drogas reproduzam suas crenças religiosas no tratamento médico. Ele observa que, em muitas dessas entidades, não há nem profissionais de Saúde nem psicólogos.

— Esses profissionais, de um modo geral, não dizem claramente o que fazem, então é difícil identificar casos em que a identidade de gênero é violada. Mas a gente sabe que eles existem. E existem com muito mais presença e força que um relatório é capaz de identificar — afirmou.

Segundo resolução do CFP, é proibido oferecer tratamento ou cura para a homossexualidade. Em face das denúncias, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) informou que enviou o conteúdo do relatório ao Ministério Público Federal, para que sejam abertas investigações contra as clínicas e comunidades.

Organizações negam que convertam homossexuais

Procuradas pelo GLOBO, clínicas de reabilitação e comunidades terapêuticas, citadas no relatório do Conselho Federal de Psicologia, negaram que oferecem tratamento de conversão da sexualidade a internos homossexuais. Em nota, o presidente da Fazenda Esperança, em Sergipe, Maurício Bovo, argumentou que sempre cumpriu com o determinado na legislação e afirmou que “não há nenhum tipo de segregação e preconceito com o homossexual que procura a entidade, o qual é bem acolhido como todas as pessoas”. “A proposta de mudança de vida não que dizer que a pessoa tenha que deixar de ser homossexual. Ela é livre em sua escolha”, afirmou.

A presidente da Associação Beneficente Metamorfose, em Goiás, Sônia Maria Borges, negou que a clínica ofereça conversão a homossexuais e alega que a mensagem da entidade de recuperação a dependentes químicos foi mal interpretada pelo Conselho Federal de Psicologia.

— Nós colocamos a palavra de Jesus: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. Para nós, a conotação é essa. Na minha clínica, a palavra “livre” se refere a livre das drogas, da depressão, do que eles querem ser livres. Eu não disse do homossexualismo, eu disse do que eles quiserem ser livres. Se é do homossexualismo, que seja do homossexualismo. A gente prega a liberdade de ser feliz — disse.

A vice-presidente do Esquadrão da Vida, Magali Rodrigues, disse que os indícios presentes no relatório são mentirosos, ressaltou que não há discriminação na entidade e afirmou que a clínica aceita dependentes de álcool e drogas que queiram se recuperar apenas do vício. A presidente do Lar Cristão Ala Feminina, Helen Cristine, não respondeu ao pedido de entrevista.

O procurador regional do Direito do Cidadão em São Paulo, Jefferson Aparecido Dias, explicou que, nos casos de violação de direitos humanos, cabe o ingresso pelo Ministério Público de pedido judicial que pode resultar no fechamento da clínica. Ele lembrou que, em São Paulo, o Ministério Público conseguiu lacrar entidades para tratamento de dependentes químicos que foram alvo de denúncias de preconceito contra homossexuais.

— Normalmente, as entidades que recebem as denúncias não deixam de cumprir apenas uma legislação. Elas não só discriminam, mas também acabam violando leis que envolvem o tratamento que se esperaria dessas instituições, o que pode também resultar no fechamento — disse.

Fonte: O Globo via Clipping Seleção de Notícias, 21/07/03

Homens e mulheres que se assumiram homossexuais e viraram amigos dos ex-parceiros héteros

terça-feira, 23 de julho de 2013 0 comentários

Os estilistas Daniela Rosário e Dieferson Gomes

Meu namorado se assumiu gay e virou meu melhor amigo

Famosa no Brasil por interpretar uma babá de voz esganiçada no seriado “The Nanny”, a comediante Fran Drescher levou uma curiosa história de sua vida para a ficção, na série “Happily Divorced”, exibida no Brasil pelo Comedy Central. A personagem autobiográfica dela é uma florista que tem como melhor amigo o ex-marido, que se assumiu como homossexual com o fim do casamento.

A história de Fran não é tão incomum como muitas pessoas possam imaginar. Quem comprava isso são os ex-casais ouvidos pelo iGay, que viveram a mesma dinâmica da relação da atriz. Os estilistas Daniela Rosário , 27, e Dieferson Gomes, 24, por exemplo, foram namorados antes de ele se dar conta de sua verdadeira orientação sexual. Desta maneira, a relação que era romântica se transformou em uma profunda amizade.

“Quando ele me contou, eu falei: ‘qual a novidade?’. Eu sempre soube que ele era gay, desde a época que namorávamos. Sempre gostei dele como pessoa, a orientação sexual não fazia diferença na época e não faz hoje”, observa Daniela.

Fran Drescher e o ex-marido Peter Marc Jacobson: casamento
de 21 anos 
 terminou quando ele 'saiu do armário' (Getty Images)

A maneira receptiva com a qual a amiga recebeu a notícia só fez a cumplicidade entre os dois aumentar. “A Dani vai estar sempre junto de mim, não sei se no mesmo bairro ou no mesmo prédio, mas vai estar”, projeta Dieferson. Atualmente, os dois vivem e trabalham juntos num apartamento no centro São Paulo, no qual eles produzem vestidos de noiva.

Daniela se relaciona bem com atual namorado de Dieferson, mas confessa que ainda sente ciúmes das mulheres que se aproximam dele. “Cada mulher com o seu gay, já estou cultivando esse tem sete anos, fico fula da vida quando a mulherada chega nele, mesmo que elas queiram só amizade”, brinca a estilista.

Nos planos do casal, ou melhor, dos amigos Dieferson e Daniela há um projeto importante. “Quero um filho, e se tudo der certo vai ser com a Dani. Não sabemos como, mas acho que nada seria mais perfeito do que ter um filho dela”, constata o estilista.

Divórcio não acabou com amizade

A dona de casa Emanuela da Ponte , 37, e o designer de interiores Gláucio Veiga , 38, ficaram casados por 11 anos e tiveram dois filhos. “Nós nos dávamos muito bem, tínhamos uma cumplicidade muito grande, um casamento sólido. Vivíamos para as crianças, sempre curtindo a vida e viajando”, conta ela.

Mas quando o casamento se desgastou, o designer passou a conversar com outros homens na internet, conhecendo um rapaz com quem teve um encontro. “Logo depois, voltei pra casa, peguei minhas coisas e me separei, não foi pra ficar com ele nem nada, só achei que ela não merecia a traição”, lembra Glauco.

Emanuela da Ponte e Gláucio Veiga foram casados
11 anos até ele se assumir gay (Arquivo pessoal)

Como era de se esperar, a separação causou turbulência na vida de ambos, mas aos poucos eles conseguiram se recuperar, mantendo inclusive a amizade. Ela se casou novamente e teve outro filho. O designer fez questão de dar apoio à ex-mulher e amiga. “Foi um parto muito arriscado, passei muito tempo abraçando o Gláucio, ele ficou ao meu lado até a hora de ir para a sala de cirurgia”.

“Transformamos o amor de homem e mulher numa relação de amizade, qualquer problema de relacionamento nos abrimos um com o outro. Temos uma compreensão mútua que não acabou com o divórcio”, pontua Gláucio.

Camila Scatolini e Ricardo Virginilli. Ela namorou com ele
e depois se assumiu gay (Arquivo pessoal)

Amigo de todas as horas

No caso do ex-casal Camila Scatolini, 21, eRicardo Virginilli , 24, foi ela quem se assumiu gay e depois acabou virando a melhor amiga do antigo parceiro, com quem namorou por quatro anos. Camila se descobriu lésbica ao se apaixonar por uma colega da faculdade de Engenharia.

Camila recorda que foi difícil falar sobre assunto com Ricardo, que estuda Enfermagem. “Eu expliquei que precisava terminar com ele e me assumir lésbica. Ele ficou triste e chocado. E eu fiquei triste por magoá-lo, mas ele venceu a dor da separação ficando próximo a mim e continuando meu amigo. Ele sabia que se continuássemos eu estaria mentindo tanto para ele quanto pra mim”, observa a estudante.

Ricardo não nega que ficou realmente chocado. “Eu queria que ela voltasse atrás, chorei”, admite o estudante, que acabou aceitando a situação posteriormente. “Vi que estava sendo um idiota no começo”, constata.

Hoje, dois anos depois do rompimento, Camila e Ricardo continuam com uma amizade intensa, apesar da distância, já que amiga dele mudou para a França com a namorada.

“O Ricardo é meu companheiro, amigo para todas as horas. É alguém com quem eu posso conversar de tudo, que gosta das mesmas coisas que eu. Do mesmo modo como ele quer me ver feliz, eu quero vê-lo feliz, nunca conseguiríamos deixar de ser amigos”, conclui Camila.

FONTE: IG, 21/07/03

"Beijaço LGBT" para o papa em seu primeiro discurso da Jornada Mundial da Juventude

segunda-feira, 22 de julho de 2013 0 comentários

Local: No Largo do Machado!!!
Concentração e Oficina de Cartazes: 14hs!!! 
Saída em direção ao Palácio Guanabara: 17hs!!!!

Grupo organiza "beijaço LGBT" durante primeiro discurso do papa na Jornada

No dia em que chegar ao Rio de Janeiro para dar início à Jornada Mundial da Juventude --a segunda-feira (22)--, o papa Francisco terá uma cerimônia oficial de boas-vindas no Palácio Guanabara, sede do governo estadual. Mas também terá de enfrentar um protesto contra a homofobia.

Do lado de fora do Palácio, um grupo está programando um "beijaço LGBT" durante as primeiras palavras de saudação do papa para os peregrinos da Jornada. Segundo a organização da manifestação, o protesto será realizado em função do crescimento da homofobia e do fundamentalismo religioso no Brasil.

"O protesto foi pensado a partir do ano passado, quando o antigo papa Bento 16 fez o discurso de final de ano e disse que a família homoafetiva é uma ameaça ao mundo, que somos o mal do mundo", explica um dos líderes da organização do Beijaço, que prefere não se identificar por medo de "ataques de fundamentalistas religiosos".

"Desde o início, o Beijaço foi pensado para a semana da JMJ. (...) Em termos estratégicos é imprescindível demarcarmos a legitimidade das nossas sexualidades nesse momento", afirma outra líder do movimento. "A própria reação dos religiosos na página do evento [no Facebook] demonstra como o imaginário e o conservadorismo católico e cristão se traduzem em atitudes e discursos violentos e intolerantes contra as sexualidades não-normativas".

A concentração do ato será feita no Largo do Machado, zona sul da cidade, às 14h, a menos de 1,5 km da sede do governo. De lá, os manifestantes seguirão em direção ao Palácio Guanabara, onde pretendem chegar às 17h. Até a quarta-feira (17), cerca de 1.500 pessoas haviam confirmado presença pelo Facebook.

"O beijo - expressão de amor ou prazer - será a nossa forma de protestar dessa vez. Chega desse falacioso discurso moral e do atropelo de nossos direitos fundamentais! Vocês vão ter que nos engolir! Toda forma de amor vale a pena!", diz a organização do protesto.

O grupo afirma que não pretende se reunir com o papa e sim "dar visibilidade à opressão que a população LGBT sofre nas ruas, alertando para o perigo de discursos religiosos fundamentalistas".

"Não há nenhum interesse de reunião com o papa, não temos o que reivindicar à Igreja. Não queremos e não precisamos que nenhuma religião legitime nossas sexualidades, queremos apenas que elas sejam respeitadas. (...) As pessoas em geral não conectam as declarações religiosas com a morte das Travestis e Transexuais, com as agressões físicas à lésbicas e homossexuais. Como se as violências físicas não encontrasse nos discursos religiosos que atacam as nossas sexualidades o respaldo moralista", explica.

Os organizadores do "beijaço LGBT" afirmam ainda que o medo de uma maior repressão policial por conta da JMJ é o mesmo de repressões homofóbicas sofridas todos os dias.

"O cotidiano do LGBT é repleto de incertezas e inseguranças. Porque além da violência sofrida por qualquer cidadão, assalto e etc, temos um tipo de violência específica que ataca diretamente a nós, que é pelo fato de não nos enquadrarmos nos perfis hetenormativos que esperam da gente", explica um dos líderes.

Fonte: UOL Notícias Cotidiano, 18/07/2013 e Beijaço LGBT na JMJ 2013

Estrategista de Bush sai do armário e tenta mudar visão republicana sobre gays

sábado, 20 de julho de 2013 0 comentários

Presidente George W. Bush (E) é visto com Ken Mehlman durante jantar da
Comissão Nacional Republicana em Washington (25/10/2005)

Estrategista de Bush sai do armário e tenta mudar visão republicana sobre gays
Mehlman defende que casamento gay é consistente com valores conservadores e bom para Partido Republicano

A recente discussão da Suprema Corte dos EUA sobre o casamento gay transformou a vida de Ken Mehlman, um dos estrategistas republicanos que orquestraram a reeleição de George W. Bush em 2004 com uma plataforma que incluía a oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.



Agora, Mehlman, um executivo de Manhattan, empenha-se no que pode ser sua batalha final: convencer colegas republicanos de que o casamento gay é consistente com valores conservadores e bom para o partido. Após uma reviravolta pessoal, ele segue sua jornada para apagar o que um dos seus novos amigos do movimento de direitos gays chama de “o incrivelmente destrutivo” legado de Bush.

Ele se mantém polêmico; é aplaudido por uns, tido como vilão por outros. Para a esquerda, ele é um herói improvável ou covarde hipócrita. Na direita, alguns republicanos o abraçam, outros o chamam de traidor.

Para Mehlman, sair do armário foi um pouco “como o funeral de Tom Sawyer, quando você aparece em seu próprio funeral e ouve o que as pessoas pensam de verdade”, afirmou. “Uma grande parte do cérebro que era usada para se preocupar com ser descoberto agora está livre para se preocupar com coisas muito mais produtivas.”


Aos 46 anos, Mehlman continua o estrategista ativo e reservado que era na época Bush, com o mesmo hábito de não olhar nos olhos das pessoas. Ele evita a maioria das entrevistas e se esquiva de perguntas pessoais, como fez no passado quando surgiram rumores a respeito de sua sexualidade.

“Tenho uma vida feliz hoje, e tinha uma vida feliz antes”, disse. Livre do fardo do segredo, ele mora em um bairro com uma grande comunidade gay. Um outro amigo diz que ele “está a cada dia mais confortável em ser quem é”, que tem encontros, mas não está pronto para se casar.

Mehman se recusa a falar sobre uma eventual culpa pela forma como conduziu a campanha em 2004, quando Bush, para atrair os evangélicos, propôs uma proibição federal ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e, com isso, subiu nas pesquisas.

Apesar de seu passado, ou talvez por causa dele, Mehlman construiu um raro nicho republicano na comunidade gay, que é esmagadoramente democrata.


Permanecendo nos bastidores a maior parte do tempo, ele trabalhou com a Casa Branca para o fim da política homofóbica no Exército , fez lobby entre os legisladores para aprovar o casamento gay nos Estados de Nova York , Minnesota e New Hampshire, serviu como conselheiro informal de senadores republicanos como Rob Portman, de Ohio, que apoiou o casamento entre pessoas do mesmo sexo depois de descobrir que seu filho era gay, e ainda ajudou a levantar milhões em doações para causas gays, incluindo uma campanha antibullying.

Mehlman também fundou uma pequena ONG para fazer pesquisas de opinião que tenham apelo para os conservadores.

Ao defender seu ponto de vista para os conservadores, Mehlman evoca o termo “casamento civil” como forma de lembrar que ele está falando de “casamento pela lei, como algo diferente do casamento como um sacramento religioso”. Ele usa palavras amigáveis aos republicanos, como “liberdade” em vez de “igualdade”.

Mas nacionalmente a batalha é imensa. Pesquisas mostram que dois terços dos republicanos se opõem ao casamento entre pessoas do mesmo sexo – o número só é melhor no grupo com menos de 30 anos.

É difícil determinar quanta diferença seu trabalho está fazendo para a causa gay. Mas Karl Rove, o grande estrategista republicano, já disse que consegue imaginar um republicano pró-casamento gay concorrendo à presidência em 2016.

Por Sheryl Gay Stolberg

Fonte: IG via The New York Times

Backstreet Boys canta 'In a World Like This' que celebra casamento igualitário

sexta-feira, 19 de julho de 2013 0 comentários


Backstreet Boys volta com clipe que celebra casamento gay; veja 'In a World Like This'
Com formação original, o grupo lança novo disco neste mês

Fenômeno no final dos anos 90 e começo dos anos 2000, os Backstreet Boys estão de volta! Estreou nesta quinta (18) o clipe da nova música de trabalho do grupo, In a World Like This.

No vídeo, cenas dos 5 integrantes aparecem intercaladas com cenas que celebram marcos na história dos EUA, como a chegada do homem à lua e as decisões favoráveis ao casamento gay nos EUA.

"Queremos mostrar nosso apoio à comunidade LGBT. Acreditamos que duas pessoas do mesmo sexo devem ter o direito de se casar", diz A.J. McLean (o segundo na foto, da direita para a esquerda).

In a World Like This, a música, é uma parceria com Max Martin, o produtor responsável pelos maiores hits dos Backstreet Boys, como I Want It That Way, Everybody (Backstreet's Back) e As Long As You Love Me, e faz parte do 8º disco da carreira do grupo, que leva o mesmo nome.

Com data de lançamento marcada para 30 de julho, é o primeiro trabalho lançado com a formação original desde 2006, quando Kevin Richardson abandonou a carreira, antes de voltar atrás.

Veja letra e clipe abaixo.

In a World Like This
You got me wide open, wide open now I'm yours
You found me heartbroken
Heartbroken on the floor
Became my salvation, salvation through the war (yeah)
You got me wide open, wide open now I'm sure

In a world like this where some back down
I, I know we gonna make it
In a time like this when love comes round
I, I know we gotta take it
In a world like this when people fall apart
In a time like this when nothing comes from the heart
In a world like this, I've got you

And now I'm free falling, free falling in your eyes
You got me still calling, still callin' no surprise

I never knew I could love 'til the end of time (yeah)
And now I'm free falling, free falling by your side

In a world like this where some back down
I, I know we gonna make it
In a time like this when love comes round
I, I know we gotta take it
In a world like this when people fall apart
In a time like this when nothing comes from the heart
In a world like this, I've got you

Yeah, in a world like this

You got me wide open wide open, yeah
And now I'm free falling, free falling

Hey yeah, yeah (yeah, yeah!)
You're all I, you're all I (you, you)
You're all I need!

In a world like this where some back down
I, I know we gonna make it
In a time like this when love comes round
I, I know we gotta take it
In a world like this when people fall apart
In a time like this when nothing comes from the heart
In a world like this, I've got you

Fonte: Capricho online e Vagalume

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