Empreendedorismo sapatão para comemorar o dia do orgulho lésbico

quarta-feira, 25 de agosto de 2021 0 comentários

Cerveja Sapatista: criada por uma mulher lésbica e premiada em uma indústria masculina. 
(Foto: Renata Fetzner)

Uma coisa interessante que as lésbicas das últimas gerações fizeram foi ressignificar positivamente a palavra sapatão, considerada pelas gerações passadas de lésbicas uma palavra só pejorativa, usada pela sociedade preconceituosa para agredir as mulheres que amam mulheres. Houve até quem quisesse tirar de circulação a marchinha Maria Sapatão do Chacrinha, que popularizou o termo. Pessoalmente, nunca vi nada demais na marchinha que inclusive diz :

"O sapatão está na moda
O mundo aplaudiu
É um barato
É um sucesso
Dentro e fora do Brasil"

Parece que o Chacrinha previu que as sapatas fariam sucesso (ver Origens do termo sapatão) inclusive no mundo do empreendedorismo. Sapadaria, Sapatista, Sapanavalha, Sapa Mística são os nomes dados aos negócios das lésbicas que a Hype entrevistou pelo Dia do Orgulho Lésbico deste ano. O texto que reproduzo abaixo é da jornalista Veronica Raner.

Míriam Martinho


Sapadaria, Sapatista, Sapanavalha, Sapa Mística. Os nomes de empreendimentos liderados por mulheres lésbicas não escondem o orgulho que existe por ser quem se é. Elas atuam nos mais variados ramos e usam seu talento — seja para entender os astros, fazer pães ou fermentar cervejas — também como uma forma e levantar a bandeira do Orgulho Lésbico todos os dias.

Neste 19 de agosto, Dia do Orgulho Lésbico, o Hypeness conta a história de 7 “mulheres sapas” que decidiram empreender na cara e na coragem, sem esquecer da militância.

O dia do Orgulho Lésbico é comemorado no dia 19 de agosto por conta de um fato ocorrido em 1983. Naquele ano, a ativista lésbica Rosely Roth e outras militantes ocupara o Ferro’s Bar, em São Paulo, para protestar contra agressões lesbofóbicas que vinham ocorrendo nas semanas anteriores. (De fato, invadimos o bar porque nos proibiram de vender o ChanacomChana lá)

Roberta Pierry já ganhou prêmios com a Cervejaria Sapatista

Roberta Pierry toca a Cervejaria Sapatista praticamente sozinha. Sem um espaço próprio para a produção de suas “geladas”, ela passa as receitas e o material para fábricas devidamente registradas e recebe o produto finalizado.

Entre os rótulos, cujos designs foram feitos por uma amiga, faz homenagens a mulheres importantes na luta feminista. A exemplo disso está a Maria da Penha, feita com polpa de butiá. A cerveja foi premiada com a medalha de bronze no Concurso Brasileiro de Cervejas, o maior do ramo no país. “Quando anunciaram que quem podia comemorar também era a Cervejaria Sapatista… Nossa! É sobre isso, sabe? Ser destaque naquele salão cheio de macho. Dar lugar e visibilidade é uma forma de quebrar preconceitos em vários lugares”, ressalta.

Roberta conta que sempre foi muito envolvida com movimentos sociais. “Acho que eu misturei um pouco de todos esses desejos, aprendizados e formas de se posicionar no mundo dentro do que é a Sapatista. O nome vem da minha identidade sapatão, de mulher sapatão, mas também carrega o trocadilho com o Movimento Zapatista.”

Para a empreendedora, o nome da marca também ajuda a quebrar estigmas sociais e a mostrar que ninguém, diferente da cerveja, ninguém precisa usar um rótulo.
Eu quis trazer essa pegada de mulher sapatão justamente para quebrar o estereótipo de que mulher precisa ser a mulher feminina. E também trazer mulheres para esse meio da cerveja. Você pode ser mulher do jeito que você quiser e você pode beber o que quiser.”
A carioca Alessandra Calado e suas criações: cuecas femininas.

Alessandra Calado criou marca de cuecas femininas a partir de uma necessidade pessoal

A carioca Alessandra Calado (@librtaoficial) conta que a Librta nasceu de uma necessidade pessoal. Por experiência própria, ela sempre teve muita dificuldade em comprar peças íntimas. As cuecas que usava nunca ficavam confortáveis o suficiente ou “eram muito feias”, como ela mesma diz.

Durante anos, ela pensou em colocar o negócio em prática: fazer suas próprias cuecas. Mas foi apenas durante a pandemia que o negócio saiu do papel. Hoje, a Librta é uma micro empresa que fabrica e comercializa cuecas para mulheres, feitas por mulheres. Inclusive, quem faz as embalagens dos produtos é a mãe de Alessandra, a quem ela chama carinhosamente de “gerente de tudo”.
Eu passei uma boa parte dessa caminhada estudando qual seria o tecido, se teria um forro, se não teria. Eu não sou desse ramo, sou formada em administração e tenho pós nessa área, mas tudo nasceu de uma paixão”, lembra.
Foi no curso de pós-graduação que Alessandra conheceu uma pessoa que trabalhava na indústria têxtil. Só então que a empreendedora começou a estudar tipos de tecido e a entender como fazer seus modelos de cueca.
A Librta me trouxe muito isso: pessoas que compraram o meu sonho”, diz.
Atualmente, as vendas da Librta são feitas por estoque, mas aos poucos a empresa vai passar a trabalhar por demanda.
A gente tem cinco coleções e estão vindo mais duas aí. Em um ano, a gente já atendeu quase todos os estados do Brasil.”

Catharina Fischer passou a investir em panificação durante a pandemia.

Catharina Fischer abriu a Sapadaria durante a pandemia

A pandemia também fez Catharina Fischer (@_sapadaria) a investir em um antigo sonho. Cozinheira há quase dez anos, ela já havia trabalhado em diversos restaurantes — inclusive fora do país, na Indonésia — mas nunca tinha se aventurado na panificação. Até que o isolamento a obrigou a ficar em casa e testar receitas de pães se tornou uma válvula de escape para o ócio dentro de casa. Foi assim que surgiu a Sapadaria.

Eu já comia muito pão porque minha avó panifica há mais de 40 anos, mas eu nunca tinha estudado para fazer. Até que eu e minha ex-namorada começamos e fazer pão juntas e surgiu a ideia de criar a Sapadaria”, diz.
Na medida em que as receitas foram dando certo, Catharina fez alterações na estrutura da própria casa para viabilizar a produção, mas logo sentiu a necessidade de ir para um outro espaço. Por estar habituada com cozinhas de restaurantes, sabia que poderia pensar em formas melhores de produzir suas fornadas.

Catharina calcula que faz entre 100 e 150 pães por mês. As vendas acontecem pelo Instagram, algo que ela pretende mudar em breve. No cardápio, há o pão tradicional, o pão multigrãos (sucesso de vendas), pão de azeitonas, além de focaccias, rolinhos de canela, coco, goiabada e ainda um brownie com receita criada por ela mesma.

Luanda e os avós, dona Joaninha e seu José Alberto Carignato.

Linguiça Carignato: receita de família feita a seis mãos

Luanda Carignato (@linguica.carignato) é formada em Letras, pela Universidade de São Paulo, e também atuou 12 anos na área de Tecnologia da Informação. Mas só encontrou realização profissional ao buscar dentro de sua casa a receita do sucesso. Literalmente. Veio dos avós, Joaninha e José Alberto Carignato, ambos com 85 anos, o passo a passo para fazer uma linguiça artesanal de primeira qualidade, em São Paulo.

Nasceu assim a Linguiça Carignato, negócio que Luanda toca com a ajuda dos avós. A família tinha o costume de fazer as tradicionais linguiças uma vez ao ano, quando todos se encontravam. Até o dia em que, durante a pandemia, Luanda procurou por linguiças artesanais em São Paulo e encontrou apenas dois lugares que entregavam.

No processo de produção da família, cada um tem a sua função. Às quartas-feiras, eles preparam almôndegas. Às quintas, é a vez do carro-chefe: as linguiças. De acordo com Luanda, elas não têm conservantes, o que é um diferencial no mercado. “A única coisa que tem é o sal de cura. O alho é fresco, a pimenta é fresca. O cheiro verde eu compro da feira”, explica.

Na hora de colocar a mão na massa, dona Joaninha é quem cuida do preparo dos ingredientes. Seu José Alberto se encarrega do corte do alho. Na hora de ensacar, também é ele quem ajuda Luanda a mexer na máquina.
Eles estão juntos no processo comigo. Eu vivo falando que a gente precisa contratar uma pessoa, mas eles acham um gasto desnecessário”, ri a empreendedora.
Ana Paula Munari e Victoria Gallo: inauguração de queijaria trouxe liberdade para o casal.


Ana Paula Munari e Victoria Gallo se ‘libertaram’ ao criar a Queijaria Vermú

“A queijaria saiu de um desespero”, desabafa Ana Paula Munari, de 29 anos, sobre a Vermú (@vermuqueijaria). Ela e a namorada Victoria Gallo (28) foram pegas de surpresa quando a demissão veio por conta da pandemia. As duas prestavam consultoria para uma outra queijaria quando se viram sem emprego, em um momento em que o trabalho que faziam estava sendo reconhecido até mesmo pela imprensa. “Nós fomos pegas de calça curta”, define Vic.

Se em um primeiro momento a demissão causou espanto e incerteza, logo tudo se transformou em afeto e apoio. Ana e Vic criaram laços tão fortes com os fornecedores da queijaria em que trabalhavam, que quando eles souberam das demissões, correram para incentivar que o casal montasse o próprio negócio.

Eles começaram a procurar a gente no Instagram”, contam. Movidas pelas palavras de força, o casal decidiu começar do zero. Elas abriram a queijaria dentro do apartamento onde moram, na Vila Buarque, em Higienópolis. Lá, equiparam um quarto com freezer, geladeira e uma parte que funciona como um estúdio para fazer fotos de divulgação.
Todos os fornecedores deram prazo para a gente pagar em 45 dias. Eles apostaram de verdade no nosso trabalho, não é todo mundo que faz isso. São empresas e parceiros que não fazem isso com qualquer pessoa e a gente entendeu que o que a gente vende vai muito além do produto, são as relações que a gente constrói e isso a gente leva para onde for”, observa Vic.
Atualmente, a Vermú trabalha com mais de 30 tipos de queijos de São Paulo, do interior de Minas Gerais e do Paraná. Muitos deles frutos do trabalho de produtoras mulheres.Ana reflete que a abertura da Vermú foi também um passo de liberdade. Na loja anterior, ela e Vic não podiam deixar às claras que eram um casal. Segundo Ana, o público da queijaria em que elas trabalhavam era “mais conservador”.
A gente sentia um pouco de medo (de se assumir) porque o negócio não era nosso. E aí a gente decidiu que não ia mais se esconder atrás disso. E também que há clientes que a gente não quer atender. Quem não quiser comprar com a gente, tudo bem.”

Poder trabalhar e ser quem você é, fazer o que você gosta, sem ter que se esconder, é a melhor parte”, completa Vic. “Hoje nós não somos a Ana e a Vic, somos a AnaeVic, entendeu? É como se a gente fosse uma pessoa só mesmo, as pessoas associaram a Vermú ao casal”, brinca Ana.

A diretora e astróloga Maria Fernanda Batalha.

Maria Fernanda Batalha mergulhou na astrologia por meio do codinome Sapa Mística

A avó da astróloga Maria Fernanda Batalha (@sapa_mistica), conhecida como Sapa Mística, contava às netas que havia andado em uma nave espacial. O misticismo e a crença nos astros sempre estiveram no sangue da família. Tanto que, aos 15 anos, Sapa Mística foi levada pela mãe para fazer seu primeiro mapa astral oficial.
Ali eu já me interessei e comecei a estudar”, conta. “Minha mãe e minha avó tinham um monte de livro e eu fui pesquisando. sempre tive esse atravessamento da astrologia na minha vida. Ela é uma das nossas formas de ler o mundo”, explica a paulistana de 33 anos.
Aos poucos, o talento herdado da família foi se enraizando na vida de Maria Fernanda, que também é dramaturga e diretora e usa as redes sociais para divulgar o seu trabalho de forma bastante esclarecedora. Além dos mapas astrais, ela também faz leitura de oráculo. 
São ferramentas de autoconhecimento profundo, que revelam coisas que a gente não sabe que estão acontecendo. Eu não acredito que uma leitura de oráculo ou de mapa astral te dê uma sentença de vida. É uma tendência. Importante é a gente trabalhar com as escolhas”, observa.
Recentemente, ela trocou o nome de sua conta no Instagram e incorporou de vez sua alcunha profissional. A intenção foi direcionar o conteúdo ao mesmo tempo em que colocaria em voga a questão da visibilidade lésbica.
Existe um apagamento da letra L. As pessoas não dão muita bola, se perguntam ‘o que é isso de empreendedorismo lésbico?’ Eu acho de extrema importância que a gente leve isso à frente porque às vezes a gente está produzindo conteúdo que vem dessa vivência, mas que são para todas as pessoas. Se eu pude a vida inteira me identificar com conteúdo hétero na televisão, porque as pessoas não podem se identificar com a minha”, reflete.
A minha clientela no Rio era 90% LGBT

Sapa Navalha: da Lapa, no Rio, para Itacaré, na Bahia

“O fruto não cai muito longe da árvore.” O ditado popular vem muito a calhar para falar de Sapa Navalha (@sapanavalha), professora de teatro e cabeleireira de Florianópolis, radicada por muito tempo no Rio de Janeiro e que hoje vive em Itacaré, na Bahia.
Minha avó e minhas tias eram cabeleireiras, meu avô barbeiro, então eu cresci muito dentro do salão. Adorava ficar vendo quando era criança”, conta. Apesar da ligação próxima com a profissão, Navalha, como gosta de ser chamada, acabou optando por fazer a graduação em artes cênicas.

Ela dava aulas em uma escola estadual em Florianópolis, mas decidiu se mudar para a cidade maravilhosa quando o contrato acabou. Sua fama de cabeleireira logo correu a cidade maravilhosa.

Na época eu estava no grupo Maracatu Baque Mulher e sempre depois dos ensaios eu ficava cortando o cabelo das mulheres. Eu comecei a cortar o cabelo na rua, na Lapa, nos bares…”, relembra sobre a trajetória.
Eu não tinha a pretensão de ser cabeleireira profissional, eu fazia mais para gastar uma onda na Lapa. Saía para beber e cortava o cabelo das pessoas”, se diverte.
Com a pandemia, ela decidiu mais uma vez se reinventar. Passou a fazer telecortes — cortes de cabelo feitos por chamada de vídeo, auxiliando a pessoa que desejar cortar os fios — e se mudou para Itacaré. Lá, Navalha conta que seus clientes são cerca de 90% heterossexuais, algo que não acontecia no Rio de Janeiro. 
A minha clientela no Rio era 90% LGBT”, conta.
Em Itacaré, ela sente a resistência das pessoas de falarem o nome da marca “porque elas acham que podem estar ofendendo”.
Eles querem saber logo o meu nome e aí só me chamam de Julia”, conta. “E aí eu tenho que explicar que não estão me ofendendo, pelo contrário, é um lugar de afirmação mesmo”.
Clipping De queijos a cuecas femininas: 7 negócios de mulheres lésbicas para comemorar o Dia do Orgulho, Hypeness, 19/08/2021

Benedetta, cheio de sexo lésbico e blasfêmias, estreará nos EUA em dezembro e será distribuído no Brasil pela Imovision

segunda-feira, 23 de agosto de 2021 0 comentários


"Benedetta", o novo filme do provocante cineasta Paul Verhoeven ("Instinto Selvagem"), virou o mais falado do Festival de Cannes deste ano graças a cenas de sexo lésbico em um convento e sonhos explícitos com Jesus Cristo.

Exibido nem 9/7, o longa foi aplaudido por cinco minutos pelo público francês, numa ampla demonstração de aprovação, mas a crítica internacional reclamou sem parar do excesso de nudez e sexo, e até de blasfêmias.

As cenas de sexo são tão picantes quanto as de "Azul É a Cor mais Quente", que venceu o Festival de Cannes em 2013, mas causaram especial desconforto por incluírem um brinquedo sexual esculpido em uma figura de madeira da Virgem Maria.

Além do sexo, também há muita violência em "Benedetta", do tipo vista em "A Paixão de Cristo". Mas sem, claro, que os mais religiosos considerem as conexões entre os dois filmes.


Durante a entrevista coletiva sobre a obra, o diretor holandês chamou os críticos de puritanos.
Não se esqueçam que, em geral, as pessoas, quando fazem sexo, tiram as roupas", ele apontou. "Então, estou basicamente chocado com o fato de que não quererem olhar para a realidade da vida. Por que esse puritanismo foi introduzido? Na minha opinião, está errado. 
Verhoeven também se irritou com a sugestão de que o filme é uma blasfêmia.
Eu realmente não entendo como você pode blasfemar sobre algo que aconteceu… Não se pode mudar a História depois do fato. Você pode dizer que aquilo era errado ou não, mas não pode mudar a História. Acho que a palavra blasfêmia para mim, neste caso, é estúpida", explicou.
De fato, "Benedetta" é baseada numa história real. Com roteiro de David Birke, que volta a trabalhar com Verhoeven após a parceria em "Elle" (2016), o filme adapta o livro "Atos Impuros: A Vida de uma Freira Lésbica na Itália da Renascença", da historiadora Judith C. Brown.

A trama se passa no final do século 15, enquanto a peste assola a Europa, e Benedetta Carlini ingressa no convento de Pescia, na região italiana da Toscana, como uma noviça que desde muito cedo parece fazer milagres. Seu impacto na vida da comunidade é imediato e chama atenção do Vaticano. Mas logo sua pureza é confrontada pela chegada de uma jovem tentadora ao convento (Daphne Patakia), que decide seduzi-la.

A história, que mistura religião com erotismo e polêmica, se encaixa perfeitamente na filmografia do diretor holandês de "Louca Paixão" (1973), "Conquista Sangrenta" (1985), "Instinto Selvagem" (1992), "Showgirls" (2005) e "Elle" (2016).

A estrela Virginie Efira, intérprete de Benedetta, lembrou deste detalhe ao defender o ponto de vista do diretor.
A sexualidade é um assunto interessante. Não há muitos diretores que saibam filmá-la. Paul Verhoeven sabe. É alguém que lidou com este tópico importante desde o início e de uma forma incrível. A nudez não tem interesse quando não é retratada de uma maneira bonita, não é isso que Paul faz. Tudo foi muito alegre quando tiramos nossas roupas", ela descreveu.
"Benetta" também estreou comercialmente na França em julho. Agora, segundo o Deadline, estreará nos Estados Unidos em 03 de dezembro de 2021, tendo sua primeira exibição comercial no IFC Center, em Nova York, e no The Royal e no The Alamo Draft House em Los Angeles. A Imovision anunciou a distribuição de Benedetta no Brasil, mas ainda não definiu a data do lançamento.

Clipping Benedetta" vira filme mais falado de Cannes por cenas de sexo e "blasfêmias", Pipoca Moderna, Terra, 0/07/2021

Memória lesbiana: o dia do orgulho lésbico já havia sido pensado em 2000 para homenagear Rosely Roth

sábado, 21 de agosto de 2021 0 comentários


Míriam Martinho

Hoje, dia 21 de agosto, seria aniversário de Rosely Roth
a quem eu já havia dedicado o 19 de agosto (dia da manifestação no Ferro's Bar), como dia do orgulho lésbico brasileiro, em outubro de 2000, na revista Um Outro Olhar 33 (ver abaixo). A ideia foi retomada por Luiza Granado (da Rede) e Neusa Maria de Jesus, 45, da Coordenadoria Especial de Lésbicas (CEL), da Associação da Parada GLBT (SP) em junho de 2003. 

Na entrevista que deram à Folha de São Paulo, elas disseram porque decidiram lançar o dia do orgulho lésbico. 

Assumir a identidade de lésbica é difícil na família, no trabalho, na igreja. É difícil também quando se trata de saúde", diz a economista Luiza Granado, 42, coordenadora da Rede de Informação Um Outro Olhar. 

A iluminadora de teatro Neusa Maria de Jesus, 45, da Coordenadoria Especial de Lésbicas (CEL), da Associação da Parada GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), diz que a criação de um dia do "orgulho lésbico" é uma identificação para as mulheres. "Nós queríamos um dia específico para nós", afirma.

Na revista Um Outro Olhar 33, eu disse:

[...] em sua homenagem, decidimos marcar o dia 19 de agosto, dia da manifestação do Ferro's Bar, chamado pelos ativistas da época de nosso pequeno Stonewall Inn, como Dia do Orgulho Lésbico Brasileiro. Assim também prestamos nosso tributo ao Ferro's, fechado no começo de setembro (2000), que, por 38 anos, foi palco de tantas histórias de amor, de tantas histórias políticas e culturais das lésbicas não só paulistanas como de todo o país. 

Recordar é viver! 
 


Memória Lesbiana: Míriam Martinho e o processo de produção dos boletins ChanacomChana e Um Outro Olhar

terça-feira, 17 de agosto de 2021 0 comentários

Exemplares 1, 4 e 11 do boletim Chanacomchana © Coleção Chanacomchana. Míriam Martinho  

Míriam Martinho*
uoo@umoutroolhar.com.br

Chanacomchana e Um Outro Olhar foram boletins que produzi e editei de dezembro de 1982 até 1994 para dois dos grupos dos quais fui cofundadora (Grupo Ação Lésbica Feminista – GALF) e Rede de Informação Lésbica Um Outro Olhar. O boletim Um Outro Olhar se transformou em revista, que também produzi a partir de maio de 1995, com 16 edições (22-38), até dezembro de 2002.

Chanacomchana: um título debochado por libertárias até sérias

CCC 0

O boletim ChanacomChana teve um precedente, o CCC 0, en formato tabloide, impresso em janeiro de 1981 e lançado pelo Grupo Lésbico-Feminista, coletivo que antecedeu o GALF, em março de 1981, durante o III Congresso da Mulher Paulista. Embora conste um histórico do Lésbico-Feminista de minha autoria nesse trabalho, porque dele também fui uma das cofundadoras, não tive participação em sua produção e edição. Como sempre me pedem referência de quem o produziu, deixo aqui o nome da ex-integrante do Grupo Lésbico-Feminista, Maria Teresa Aarão, mais conhecida como Teca, que deve poder indicar quem o realizou.

Retomando, após a desarticulação do coletivo Lésbico-Feminista, em meados de 1981, duas de suas ex-integrantes, eu mesma e Rosely Roth, com algumas colaboradoras, fundamos o Grupo Ação Lésbica Feminista (GALF), sob o codinome de Grupo Ação de Liberação Feminista, em outubro de 1981 (estatutariamente, 17/10/1981). No período entre a dissolução do coletivo anterior (LF) até o início do GALF (julho a outubro de 81), que apelidei de período de limbo, eu e Rosely tentamos reunir ex-integrantes do LF e lésbicas de outros grupos feministas, para ao menos produzir uma nova edição do tabloide ChanacomChana. Pelos registros da época, foram feitas duas tentativas nesse sentido, ambas fracassadas. Na segunda tentativa, quatro lésbicas apareceram, incluindo uma ex-integrante do LF, mas nada de concreto surgiu desse encontro.

A ideia de retomar o ChanacomChana foi adiada então para outro momento. O primeiro ano do GALF foi de dificuldades, já que só eu e Rosely nos assumíamos publicamente ao menos nos Movimentos Feminista e Homossexual da época. As demais integrantes do grupo desse período apenas colaboravam com pequenas tarefas internas e financeiramente. Fora isso havia o problema da manutenção da sede do GALF, pensada para ter sido do extinto LF, que morreu na praia. Fomos salvas pelo gongo (de perder a sede), quando o grupo gay Outra Coisa veio nos propor dividir o espaço em meados de 1982.


Com essa parceria, a mais frutífera e harmoniosa de toda a minha militância, os dois grupos começaram a realizar várias atividades conjuntas na sede (também externamente) que voltaram a mobilizar mais pessoas para seus objetivos. O GALF, em particular, começou a receber um maior afluxo de mulheres a partir de outubro de 1982. Com mais estabilidade financeira e maior afluxo de pessoas para suas atividades, a ideia de produzir uma publicação para a entidade foi retomada. Considerando que o GALF encampou o histórico do grupo lésbico-feminista como seu (um grande equívoco, aliás), a retomada do título ChanacomChana também pareceu natural.

Como o coletivo do GALF não tinha condições financeiras para publicar outro tabloide como o ChanacomChana 0, decidiu-se partir para a confecção de um fanzine com os parcos recursos gráficos existentes. Assumi então a tarefa hercúlea (ou melhor amazônica) de produzir os fanzines ChanacomChana, confeccionando as matrizes (bonecos) das publicações com textos datilografados, num layout pop-pobre que misturava colagens de fotos, textos, letras adesivas, guache, nanquim, corretivos, etc, aproveitando um pouco de minha experiência com artes plásticas. Apesar do resultado sofrível em particular dos primeiros números, o boletim foi encampado pelas lésbicas de então sem problemas, mais interessadas em ler alguma publicação que falasse de suas vivências do que com questões estéticas. Em termos de conteúdo, os primeiros números do Chana, em especial, trazem fundamentalmente contribuições das próprias integrantes do coletivo do GALF da ocasião, que eu revisava na medida do possível. Na parte de edição, fora a escolha das imagens, desde os primeiros números, passei a definir e produzir as seções do CCC, como as de informes (com traduções de notícias internacionais inclusive), poesias, cartas de grupos e cartas pessoais para correspondência (troca-cartas).

  Após a bem-sucedida invasão do Ferro’s Bar, em 19 de agosto de 1983, para poder romper com o veto do dono do bar à venda do Chana no local, o GALF já se tornou mais conhecido publicamente, processo amplificado pela participação de Rosely Roth em dois programas da Hebe Camargo, de grande audiência nacional, em 1985 e 1986. Como resultado, com nosso incentivo, um número maior de contribuições de lésbicas de todo o país passou a chegar à caixa postal do grupo, me dando maiores possibilidades de escolha de textos para publicação. Concebi o ChanacomChana, em consonância com outras integrantes do grupo, com a perspectiva de, por um lado, torná-lo um veículo de comunicação do GALF e sua militância, e, de outro, como um espaço de reflexão das lésbicas em geral sobre suas vivências e sofrências. Esse segundo objetivo visava também conscientizar as lésbicas sobre a necessidade de se mobilizar por seus direitos.

Para a impressão do Chana, Rosely Roth ficava encarregada de levar as matrizes dos boletins às gráficas dos diretórios acadêmicos de faculdades e da Câmara Municipal de São Paulo, neste último caso para serem impressas nas cotas de parlamentares, como a da sempre solidária vereadora Irede Cardoso, de saudosa memória. A tiragem era de 500 exemplares, tida como cota mínima para impressões em offset, mas seu escoamento, entre vendas e doações, ficava na metade disso. Posteriormente, após a invasão do Ferro’s, Rosely também passou a batalhar anúncios entre os donos e as donas dos bares e boates de lésbicas da época. A venda do boletim, da qual eu também participava, se dava nesses locais e através de assinaturas. 


Um Outro Olhar: homenageando o LesbRadar e buscando um público mais amplo

Após 12 edições, o ChanacomChana foi substituído pelo boletim Um Outro Olhar, em setembro de 1987, ainda no período de vigência do GALF. Esse nome surgiu de forma curiosa, numa conversa, a partir da tradução errada, feita por uma das integrantes do GALF, Luiza Granado, do título de um filme húngaro de temática lésbica chamado “Um Outro Jeito (Another Way)”. Ela lembrou do filme como Um Outro Olhar, eu pensei nas diversas possibilidades semânticas desse ‘um outro olhar”, e ele virou nome do novo boletim e, posteriormente, nome também da Rede de Informação Um Outro Olhar (o terceiro grupo do qual fui cofundadora).

No lançamento do Dia do Orgulho Lésbico, em 2003, a plateia ainda riu do Chanacomchana

No editorial que fiz para o primeiro número do Um Outro Olhar, eu destaco que o GALF queria, com seu novo título, espelhar o jeito especial que as lésbicas tinham de se olhar (LesbRadar) e trazer de fato novas maneiras de ver não só as relações entre mulheres como também o próprio “ser mulher” na muito patriarcal sociedade brasileira, buscando autoimagens mais positivas e perspectivas mais amplas em todas as direções. Embora não citado nesse editorial, buscávamos também com o novo título ampliar nosso público-alvo, já que o debochado título ChanacomChana incomodava parte das lésbicas da época. Prova disso é que, mesmo em 2003, durante o lançamento do dia do orgulho lésbico, quando lembramos do histórico da manifestação no Ferro’s Bar, o nome do Chana ainda provocou risos da plateia  e exclamações de que o título Um Outro Olhar fora uma mudança para bem melhor. Hoje, observo curiosamente uma maior simpatia pelo título Chanacomchana.

No boletim Um Outro Olhar, mantive parte das seções já iniciadas no ChanacomChana como as clássicas “Poesias”, “Troca-cartas”, “Cartas na Mesa“, e as seções “Em Movimento” e “Histórias de Heterror”, e acrescentei a “Deu no Jornal” e a “Publicações Recebidas” (ou material recebido). Como as contribuições das colaboradoras do GALF cresceram bastante, em nível nacional, e a biblioteca do grupo também cresceu expressivamente com publicações recebidas do Brasil e do exterior, o trabalho de edição desse material para publicação se tornou maior e mais complexo, me tomando um bom tempo de trabalho. Nesse sentido, para aliviar a sobrecarga, publiquei, ao longo das edições tanto do Chana quanto do UOO, pedidos de ajuda para a datilografia dos textos e a diagramação dos boletins, obtendo sucesso na diagramação de 9 números dos 21 produzidos (de fato 20, já que os números 19 e 20 vieram numa única edição), apesar de detestar o resultado estético dessa delegação. Nesse sentido, também solicitava que as colaboradoras enviassem o material já datilografado para nos poupar o trabalho de ainda ter que datilografar os textos. Embora em escala bem menor do que no Chanacomchana, tal fato explica a colcha de retalhos de tipos gráficos que ainda se vê em alguns números do Um Outro Olhar.
A venda do boletim Um Outro Olhar passou a se dar pelo sistema de associação do GALF e, posteriormente, a partir do número 11, em meados de 1990, pelo da Rede de Informação Um Outro Olhar, poupando o trabalho de venda em bares e boates. Eram feitas cópias do boletim original, em copiadoras, pagas com antecedência, como uma encomenda, o que explica haver  poucos exemplares remanescentes dessa publicão, com exceção do número 1 que foi feito ainda em offset. Em média eram produzidas 200 cópias dos UOO para as associadas do GALF e da RILUOO, mais conhecida como Rede, embora tenha havido caso de edições com mais cópias. Assim como o CCC, o UOO também era enviado para associações congêneres do Brasil e do exterior na base da permuta com as publicações dessas organizações ou simplesmente como cartão de visitas.


O boletim Um Outro Olhar teve 21 edições, publicadas de setembro de 1987 a janeiro de 1994 (edição verão-outono), evoluindo para o formato de revista a partir de 1995 (exemplo acima). Neste período  a Rede de Informação Um Outro Olhar passou a receber financiamento governamental para seus projetos sobre saúde da mulher lésbica e da mulher em geral, originando outro boletim, Ousar Viver, que foi encartado na revista Um Outro OLhar. Mas a revista e o encarte serão temas de outra radiografia.

Digitalizações dos boletins ChanacomChana e Um Outro Olhar

Iniciei as digitalizações das publicações que produzi, para os grupos dos quais fui cofundadora, no final de 2017, atendendo inclusive a demanda de pesquisadores e pesquisadoras por acesso a esses materiais. Até então, fazia cópias dessas publicações e vendia os números da revista Um Outro Olhar para os interessados. Nesse período, contudo, tive uma série de questões pessoais a resolver que interromperam essa atividade. Deixei então apenas as revistas para digitalizar numa copiadora, já que não exigiam qualquer trabalho de reedição gráfica e as disponibilizei no Google Drive da Um Outro Olhar no início de 2018. No caso dos boletins, porém, havia vários problemas a solucionar nos originais derivados do desgaste do tempo, como perda das letras adesivas e das colagens de imagens que ilustravam as matérias, muitas manchas, páginas totalmente amareladas, algumas com vários apagamentos, etc.. Neste ano, enfim, tive condições de encarar esse trabalho e começar, enfim, a reeditar graficamente parte dos boletins, em particular algumas capas do CCC, as mais lesadas pelo tempo. Embora se trate de trabalho ainda em andamento, já disponibilizei o material para consulta.

Linha do tempo dos dispositivos de escrita com que foram  feitos o CCC e o UOO

Reeditar graficamente os boletins foi como tomar o túnel do tempo para a época em que os produzia daquela forma tão precária dos anos 80 e 90 que descrevi neste texto. Só que, desta vez, tive como auxiliar o mui famoso e poderoso Photoshop que transforma em beldades até as mais feias das criaturas. Aliás, a evolução gráfica do CCC, UOO e da revista Um Outro Olhar bem poderia servir também para traçar uma linha do tempo dos avanços tecnológicos da grande revolução da informação que, nas últimas décadas, permitiu a qualquer pessoa ter um veículo individual ou coletivo de comunicação quase sem custo na vastidão da Internet. Não pude deixar de pensar no que teria feito com os recursos técnicos de hoje para a produção dos CCC e UOO. Os primeiros CCC eram feitos ainda com máquinas de escrever antigas, depois com máquinas de escrever elétricas, assim como o Um Outro Olhar, depois com os editores de texto dos primeiros PC (baseados em DOS), com saída via impressoras matriciais, depois, já, na era Windows,  com os aplicativos de editoração de páginas, como o Page Maker, até chegar, na editoração e layout feitos pelas próprias gráficas onde a revista Um Outro Olhar e outros materiais da Rede foram impressos.

Conclusão

Hoje existe um esforço no sentido de individualizar as pessoas que atuaram nos grupos de gays e lésbicas na década de 80 e início da década de 90 ou colaboraram com eles, na base do quem era quem e fazia o quê. Segundo me disse um historiador, para “homenagear todas vocês que lutaram tanto por nossos direitos que estão novamente ameaçados”. No caso dos grupos de lésbicas, mais do que dos gays, o anonimato ou anonimato parcial se devia fundamentalmente à ditadura da heterossexualidade obrigatória quase hegemônica. Trocando em miúdos, 99% das lésbicas viviam no armário, incluindo feministas homossexuais e até as que migraram do lésbico-feminista para outros grupos feministas. No caso específico do GALF, em menor caso da Rede, além do armário prevalente, para a indistinção do que fazia cada ativista, colaborava ainda a tola visão meio anarquista e coletivista reinante no grupo que secundarizava as atuações individuais, forçando plurais de modéstia em prol de um coletivo amorfo, pois transeunte ou intermitente, encarnado numa sigla.

Espero, portanto, com esta radiografia dos CCC e UOO, ter contribuído um pouco para esse esforço de individualização. Ainda que meu nome apareça como editora, em boa parte dos números dessas publicações, faz-se necessário sem dúvida esse esclarecimento para coibir usurpações. Em termos legais, significa que detenho exclusivamente  a titularidade dos direitos autorais sobre as coleções ChanacomChana e Um Outro Olhar (Lei  nº 9.610/98, artigos 24, 17, parágrafo segundo). 

E boa leitura!

O material abaixo é estritamente para leitura e consulta. Para quaisquer outras finalidades, entre em contato direto comigo pelo e-mail uoo@umoutroolhar.com.br 
Os créditos das coleções ChanacomChana e Um Outro Olhar boletins e revistas devem ser dados a Míriam Martinho com link para esta página. 

Sumário ChanascomChanas
ChanacomChana: do 1 ao 12
© Coleção Chanacomchana. Míriam Martinho 

Boletim Um Outro Olhar: do 1 ao 21 (acompanha complemento desta edição)

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*Miriam Martinho é uma das fundadoras do Movimento Homossexual brasileiro, em particular da organização lésbica, tendo co-fundado as primeiras entidades lésbicas brasileiras, a saber, Grupo Lésbico-Feminista (1979-1981), Grupo Ação Lésbica-Feminista (1981-1989) e Rede de Informação Um Outro Olhar (1989....). Editou também as primeiras publicações lésbicas do país, como o fanzine ChanacomChana (década de 80) e o boletim e posterior revista Um Outro Olhar (década de 90 até 2002). Atualmente administra as páginas Um Outro Olhar e Contra o Coro dos Contentes. 

Fundou igualmente o movimento de saúde lésbica no Brasil, em 1994, realizando a primeira campanha de prevenção às DST-AIDS para mulheres que se relacionam com mulheres, em 1995, e editando as primeiras publicações sobre o tema desde essa época (em 2006 publicou a 4 edição da cartilha Prazer sem Medo sobre saúde integral para lésbicas e bissexuais). Participou da organização do I EBHO (1980), organizou dois encontros LGBT nacionais (VII EBLHO/93 e IX EBGLT/97) e foi sócia-fundadora da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT-1995). Participou igualmente de vários encontros internacionais com destaque para a 8ª Conferência Internacional do Serviço de Informação Lésbica Internacional-ILIS (Genebra, Suiça, 28 a 31/03/1986), o I Encontro de Lésbicas-Feministas Latino-Americanas e do Caribe (Cuernavaca, México, 1987) e a Reunião de Reflexão Lésbica-Homossexual (Santiago, Chile/ nov. 1992).

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