Transexualidade obrigatória no Irã para escapar da pena de morte

quinta-feira, 6 de novembro de 2014 1 comentários

Donya e seu filho vivem no Canadá: amigos que se submeteram
 à mudança de sexo tinham enfrentado "muitos problemas"

Os papéis de gênero (o que as sociedades humanas atuais, em geral, chamam de masculino e feminino e associam a ser homem e mulher) e a restrição da sexualidade humana à variante heterossexual, para fins reprodutivos, são vigas-mestre de sustentação do sistema patriarcal.  Para mantê-las, já que andam meio corroídas por cupins de liberdade, a sexologia e a ciência médica popularizaram as chamadas mudanças de sexo, que vão desde a prescrição de hormônios (inclusive para crianças) até à cirurgia de readequação genital. Ainda que não se possa negar a uma pessoa adulta o direito de dispor de seu corpo da forma que queira (cada um sabe a dor e a delícia de ser o que quer), quando mudanças de sexo passam a ser obrigatórias, elas revelam sua real natureza e se transformam em forma de arbítrio e sofrimento. Como acontece no Irã. N. E.

Gays sofrem pressão para mudar de sexo e escapar da pena de morte no Irã


O Irã é um dos poucos países em que atos homossexuais são punidos com a morte. Clérigos, no entanto, aceitam a ideia de que uma pessoa pode estar presa em um corpo do sexo errado. Gays podem ser forçados a se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo - e para evitar isso, muitos fogem do país.

Criado no Irã, Donya manteve seu cabelo raspado ou curto e usava bonés em vez de lenços. Chegou a visitar um médico para tentar interromper sua menstruação.
Eu era muito jovem e realmente não me entendia", diz. "Pensei que se pudesse parar minha menstruação, ficaria mais masculina".
Se policiais pedissem sua identidade e notassem que ela era mulher, diz, iriam censurar-lhe: "Por que você está assim? Vá mudar seu sexo".

Esta tornou-se sua ambição. "Eu estava sob tanta pressão que queria mudar meu sexo o mais rápido possível", diz.

Por sete anos, Donya submeteu-se a um tratamento hormonal que lhe engrossou a voz e lhe fez crescer pelos no rosto.

Mas quando os médicos propuseram a cirurgia, ela conversou com amigos que haviam se submetido à operação e tinham enfrentado "muitos problemas". Começou a se questionar se essa era a melhor opção para ela.
Eu não tinha acesso fácil à internet. Muitos sites são bloqueados. Comecei a pesquisar com a ajuda de alguns amigos que estavam na Suécia e na Noruega", conta.

Comecei a me conhecer melhor... Eu aceitei que era lésbica e estava feliz com isso".
Mas viver no Irã como homem ou mulher abertamente gay é impossível. Donya, agora com 33 anos, fugiu para a Turquia com seu filho de um breve casamento, e depois para o Canadá, onde recebeu asilo.

Não é uma política oficial do governo iraniano forçar homens ou mulheres homossexuais a mudarem de sexo, mas a pressão pode ser intensa.

Em 1980, o fundador da República Islâmica, o aiatolá Khomeini, emitiu uma fatwa - uma legislação islâmica - permitindo a cirurgia de mudança de sexo. Aparentemente, após ser convencido em um encontro com uma mulher que disse estar presa no corpo de um homem.

Soheil, de 21 anos, sofreu ameaças de morte da própria família

'Doentes'

Shabnam - nome fictício - é psicóloga em uma clínica estatal do Irã e diz que alguns gays acabam sendo forçados a fazer a cirurgia. Médicos são orientados a dizer a homens e mulheres gays que eles estão "doentes" e precisam de tratamento. Pacientes gays são encaminhados a clérigos para que sua fé seja fortalecida.

As autoridades "não sabem a diferença entre identidade e sexualidade", explica Shabnam.

Não há informações confiáveis sobre o número de operações de mudança de sexo realizadas no Irã. Khabaronline, uma agência de notícias alinhada com o governo, disse que os números subiram de 170 em 2006 para 370 em 2010. Mas um médico de um hospital iraniano disse à BBC que só ele realiza mais de 200 dessas operações todos os anos

Em outros países, mudar a sexualidade de uma pessoa é um processo complexo, que envolve psicoterapia, tratamento hormonal e, algumas vezes, grandes operações - durando anos.

Nem sempre é o caso no Irã.

"Eles (as autoridades) mostram o quão fácil pode ser", diz Shabnam. "Prometem te dar documentos legais e, mesmo antes da cirurgia, permissão para andar na rua vestindo o que quiser. Prometem te conceder um empréstimo para pagar a cirurgia", exemplifica.

Os defensores destas políticas oficiais salientam o lado positivo das medidas, argumentam que os transexuais iranianos recebem ajuda para ter uma vida decente e que gozam de mais liberdade do que em muitos outros países.

Mas a preocupação é que a cirurgia de mudança de sexo esteja sendo oferecida para pessoas que não são transexuais - e sim homossexuais.

"Está ocorrendo uma violação de direitos humanos", acredita Shabnam. "O que me deixa triste é que as organizações que deveriam ter um propósito humanitário e terapêutico podem estejam do lado do governo ao invés de olhar para o ponto de vista das pessoas."

Arsham Parsi criou um grupo de apoio a gays no Irã
e já ajudou cerca de mil pessoas a deixar o país


Ovelha negra

Psicólogos sugeriram uma mudança de sexo para Soheil, um jovem gay iraniano de 21 anos. A família exerceu grande pressão para que ele concordasse com a operação.
Meu pai veio me visitar em Teerã com dois parentes", diz ele. "Eles fizeram uma reunião para decidir o que fazer sobre mim. Disseram: 'Ou você muda seu sexo ou vamos te matar. Não deixaremos que você viva nessa família'"
Soheil foi mantido em casa, na cidade portuária de Bandar Abbas, sob vigilância da família. Um dia antes da operação, conseguiu escapar com a ajuda de amigos. Eles lhe deram um bilhete de avião e o jovem voou para a Turquia.

O país, que não requer vistos de cidadãos iranianos, é muitas vezes o primeiro destino de quem foge. De lá, eles muitas vezes pedem asilo em um terceiro país da Europa ou América do Norte. A espera pode levar anos e, mesmo na Turquia, eles são alvo de preconceito e discriminação, especialmente em pequenas cidades socialmente conservadoras.

Arsham Parsi, que cruzou a fronteira do Irã para a Turquia de trem em 2005, vive na cidade de Kayseri, na região central do país. Ele foi espancado e teve tratamento hospitalar para deslocamenteo de ombro negado simplesmente por ser gay. Depois disso, não saiu de casa por dois meses.
Mais tarde, Parsi se mudou para o Canadá e criou um grupo de apoio para gays iranianos. Ele diz receber centenas de pedidos de ajuda por semana. Já auxiliou cerca de mil pessoas a deixar o Irã nos últimos dez anos.

Alguns fogem para evitar a cirurgia de mudança de sexo, mas outros descobriram que ainda enfrentam preconceito apesar de se submeter ao tratamento. Parsi estima que 45% das pessoas que fizeram a cirurgia não são transexuais, mas gays.

Marie diz que a cirurgia de mudança de sexo lhe deixou
com a sensação de estar "fisicamente danificada"


'O que é ser lésbica?'

Eis um exemplo: recentemente, uma mulher o consultou com dúvidas sobre a cirurgia. Ele perguntou se ela era transexual ou lésbica. Ela não sabia responder, porque ninguém nunca havia lhe explicado o que era "ser lésbica".

Marie, de 37 anos, deixou o Irá há cinco meses. Ela cresceu como menino, Iman, mas estava confusa sobre sua sexualidade e foi declarada por um médico iraniano como sendo 98% do sexo feminino. Por isso, acreditou que precisaria mudar de sexo.

A terapia hormonal parecia ter-lhe trazido mudanças positivas, como o crescimento dos seios. "Isso me fez sentir bem", diz. "Eu me senti bonita."

Finalmente, Marie submeteu-se à operação - e veio a sensação de estar "fisicamente danificada".

Ela se casou com um homem, mas a relação terminou rapidamente. Assim como qualquer esperança de que a vida como mulher seria melhor.

Antes da cirurgia, as pessoas me viam e diziam: 'Ele é tão feminino, ele é tão feminino'", diz Marie. 
Após a operação, sempre que eu queria me sentir como mulher, ou me comportar como mulher, todo mundo dizia: 'Ela se parece com um homem, ela é viril'. (A cirurgia) não ajudou a reduzir os meus problemas. Pelo contrário."
Marie diz que, se "estivesse em uma sociedade livre, gostaria de saber se seria como sou agora e se eu teria mudado meu sexo".
 Não tenho certeza", responde.
Estou cansada. Cansada de toda a minha vida. Cansada de tudo."

No Brasil como no Reino Unido, beijos contra o preconceito (Brighton Kiss In)

quarta-feira, 5 de novembro de 2014 0 comentários


Lésbicas foram proibidas de se beijarem num supermercado e o apoio chegou com centenas de beijos

Protesto contra discriminação sexual ocupou uma loja em Brighton, a cidade mais gay-friendly no Reino Unido.

No início de outubro, um casal de lésbicas fazia compras numa conhecida cadeia de supermercados no Reino Unido quando foi abordado por uma segurança que as advertiu que teriam que abandonar a loja se voltassem a beijar-se, isto porque um cliente se tinha afirmado enojado com as demonstrações de afecto. Três dias depois, o supermercado foi invadido por manifestantes em defesa dos direitos de gays e lésbicas, que trocaram beijos em protesto.

O supermercado, que fica situado em Brighton, na costa sul de Inglaterra, uma cidade conhecida como a mais gay-friendly no Reino Unido, tinha já feito um pedido de desculpas público pelo incidente, mas sublinhou que a segurança em causa não foi directamente contratada pela empresa, mas por uma terceira entidade.

Na tarde de quarta-feira, o supermercado da Sainsbury’s, na New England Street, foi ocupado por centenas de pessoas que se indignaram com o que se passara com o casal de mulheres. Entre os manifestantes estavam Lewis Jones e o seu companheiro. Ao Guardian, lamentou que em 2014 ainda aconteçam estes incidentes, principalmente em Brighton, o que torna o caso ainda mais “ridículo”.

Fiona Spechter juntou-se à manifestação de apoio, que ficou conhecida como BigKissIn, afirmando-se chocada com o que aconteceu.
Este incidente fez-me perceber como ainda não tenho certeza se posso dar a mão à minha namorada em público. Vivi em Brighton durante muito tempo, e isso sempre pareceu normal por aqui. Então, quando acontece esse tipo de discriminação, é realmente chocante.”
O protesto foi bem recebido pelo supermercado, que disse ter ficado satisfeito por “todos se terem divertido” e realçou o quanto é “importante ser um negócio e empregador inclusivo”.

Depois de terem entrado na loja, as centenas de pessoas que aderiram à iniciativa dividiram-se entre os casais de gays e lésbicas e os que apoiam a sua causa. Durante breves momentos trocaram-se beijos e afectos e pouco depois abandonavam o local, sem que tivesse sido registado qualquer incidente.
 
Fonte: Público, 16/10/2014

No Egito, oito homens condenados a 3 anos de prisão por participarem de simulação de casamento gay

terça-feira, 4 de novembro de 2014 0 comentários

Os acusados escondem o rosto após a condenação no Cairo. / EFE

Tribunal egípcio condena oito à prisão após simulação de casamento gay

Sentenciados foram acusados de “libertinagem” e “promoção do vício”

Um tribunal do Cairo sentenciou a três anos de prisão por “libertinagem” e “promoção do vício” oito homens que apareciam em um vídeo que simulava um casamento gay. As imagens, gravadas em abril a bordo de um navio no rio Nilo, foram divulgadas no Youtube em agosto, e se tornaram um verdadeiro sucesso. Esse é o mais recente exemplo da campanha de repressão à comunidade homossexual lançada pelas autoridades egípcias que chegaram ao poder após o golpe de estado contra o presidente islâmico Mohamed Morsi.

Um dos homens negou em entrevista telefônica a um canal de televisão privado egípcio que o vídeo retratava um casamento gay e assegurou que o anel era um simples presente de aniversário. Entretanto, em uma declaração pública feita em setembro, a procuradoria afirmava que era a encenação de um casamento, e qualificava o material de “humilhante, deplorável e ofensivo a Deus”. Após a detenção de vários dos protagonistas da gravação, a procuradoria ordenou a realização de diversos exames físicos, que revelaram que os acusados não tinham mantido relações homossexuais.

A homossexualidade não está tipificada como delito no Egito. Entretanto, as autoridades, amparando-se na moral conservadora da sociedade, há anos utilizam termos vagos como “libertinagem” para perseguir judicialmente a comunidade gay. Segundo os grupos de defesa dos direitos das minorias sexuais, a perseguição policial se acentuou no último ano, e ao menos 80 pessoas foram presas.

“O Governo parece querer utilizar a perseguição da comunidade homossexual para aumentar sua popularidade entre os setores mais conservadores da sociedade egípcia, e rebater as acusações dos muçulmanos de ser um regime anti-islâmico”, diz Ibrahim, um dos responsáveis pela ONG Egypt LGBTQ, que prefere não revelar seu nome completo por questões de segurança. A nova estratégia do Executivo presidido por Abdelfatah al-Sisi para prender homossexuais consiste em preparar armadilhas marcando encontros em redes sociais como Facebook ou Grindr. Em vista disso, o próprio Grindr aconselha seus usuários no Egito a ter extrema a cautela antes de revelar a própria identidade.

Durante o ano de governo de Mohamed Morsi, um dos líderes da Irmandade Muçulmana, não houve uma especial intensificação da perseguição às minorias sexuais. “Já da época de [Hosni] Mubarak, ocorreram altos e baixos na repressão dos gays em função das necessidades políticas do Governo”, explica Ibrahim. O caso mais célebre na perseguição à comunidade homossexual no Egito aconteceu em 2001, quando 52 homens foram presos por participarem de uma festa em um navio chamado Queen. O caso teve grande repercussão internacional, provocando a condenação unânime das organizações de direitos humanos.

Fonte: El País Brasil, por Ricard González, 02/10/2014

Três famílias LGBT falam de suas relações com os filhos

segunda-feira, 3 de novembro de 2014 1 comentários


Um casal de homens, outro de mulheres e uma mãe lésbica solteira resolveram ter filhos. Mas, por quê?! Como?

Seja por adoção ou fertilização in vitro, o vídeo publicado nesta terça (21) pelo canal Põe na Roda conta as histórias de três famílias LGBT que estão orgulhosas de seus pequenos.

No vídeo, além dos pais, um médico e e um psicólogo esclarecem dúvidas e falam sobre o dia a dia das famílias, que pode acreditar: são bem parecidas com a de qualquer outra, porque afinal, amor não se explica.



Fonte: Brasil Post, 21/10/2014

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