Myrian Rios, de liberada a conservadora, emplaca lei liberticida

sábado, 19 de janeiro de 2013 4 comentários

Myrian Rios, quem te viu quem te vê
Por Míriam Martinho

Já faz um tempo que digo aqui no blog e alhures que não são apenas os ditos socialistas que ameaçam a democracia brasileira. Os conservadores também, principalmente os religiosos. São ambos liberticidas, socialistas e conservadores, e brigam uns com os outros para ver quem consegue empurrar seus dogmas por nossas goelas abaixo compulsoriamente. Sua briga é por poder, não para criar um Brasil mais democrático, menos ignorante, atrasado e corrupto.

Da mesma forma que a esquerda petista busca sempre cooptar e aparelhar até batizado de criança, e sobretudo aparelhar o Estado, os conservadores, em particular pela via evangélica, fazem o mesmo. É sobejamente conhecido que esses pastores evangélicos - a maioria vigarista como a maioria dos petistas - vem se elegendo para o parlamento e transformando lugares públicos (câmaras, assembleias legislativas e até o congresso nacional) em locais de culto evangélico. Do topo de suas bancadas evangélicas, atacam o direito de escolha de uns, em vários âmbitos, e os direitos civis de outros (em particular dos homossexuais). E isso se dá com a conivência de outros parlamentares que deveriam zelar por um dos pilares da democracia que é o Estado laico. A política brasileira está cada vez mais uma verdadeira casa da mãe joana.

Agora, para completar o quadro de zona total da política, a deputada do PSD, Myrian Rios, atriz e missionária da Renovação Carismática Católica, conseguiu emplacar o projeto que institui no Estado do Rio o nebuloso "Programa de Resgate de Valores Morais, Sociais, Éticos e Espirituais". O absurdo foi sancionado quinta-feira pelo governador Sérgio Cabral (PMDB), aquele conhecido santo carioca.

O jornalista e escritor Guilherme Fiuza comentou a nova lei e apontou outras tentativas de interferir em nossas liberdades individuais como a proibição da exposição da trilogia 50 Tons de Cinza em Macaé. O Brasil atual cada vez parece mais com o dos tempos da ditadura militar.

Lei Myrian Rios é interferência do Estado na vida privada das pessoas


Guilherme Fiuza
Em uma clara interferência do Estado na vida privada dos cidadãos, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, sancionou o “Programa de resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais” na última quinta-feira, 17 de janeiro. A deputada Myrian Rios (PSD), autora do polêmico projeto de lei, acredita que cabe ao governo definir o que as pessoas podem e não podem fazer. O Executivo estadual pretende controlar o comportamento das pessoas por meio da classificação arbitrária e maniqueísta de certo e errado, bom e ruim.

O jornalista e escritor Guilherme Fiuza disse que a única consequência da “Lei Myrian Rios” será enriquecer o anedotário da política nacional. “É uma lei retórica, patética e inócua, sem nenhuma chance de ser aplicável seriamente”.

O texto do projeto não deixa claro como a lei será aplicada, limita-se apenas a dizer que ele será posto em prática através de parcerias com prefeituras e sociedade civil. Segundo o governador, caberá a secretaria estadual de Assistência Social e Direitos humanos “promover o resgate da cidadania, o fortalecimento das relações humanas e a valorização da família”.

Fiuza sugere uma modificação na redação da lei para que ela tratasse especificamente dos valores morais e éticos do poder público em suas relações com a empreiteira Delta, sobre as quais o Rio de Janeiro e o Brasil precisam tanto saber.

Em outra tentativa de controle das liberdades individuais no estado, a 2ª Vara da Família, da Infância, da Juventude e Idoso de Macaé proibiu as livrarias da cidade de expor a trilogia “Cinquenta tons de cinza”, de E.L. James, em suas prateleiras sem lacres. Desde a última sexta-feira, 11 de janeiro, foram recolhidos 64 volumes considerados “impróprios”.

Fonte: IMIL

Capa da Elle francesa, com casal de noivas, declara: Casamento para Todos!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 0 comentários


Após a manifestação dos reacionários franceses contra a igualdade de direitos entre héteros e homos, no dia 13 de janeiro, a revista Elle (versão francesa) deixou claro que está do lado da democracia e estampou duas noivas, na capa de sua edição desta semana, com a chamada "Mariage pour Toutes" (Casamento para todos)! 

A editora da revista, Valérie Toranian, argumenta: "60% dos franceses apoiam o casamento para homossexuais. Fiel às promessas de campanha, o governo de François Hollande apresenta seu projeto de casamento para todos. Fiéis às fundações de nossa companhia, baseadas na liberdade individual e na igualdade de todos perante a lei, a Elle também apóia a iniciativa."

E o casamento igualitário divide até os casais hétero franceses. Na edição da Vogue francesa de dezembro, a ex-primeira dama Carla Bruni disse que discordava de seu marido conservador Nicolas Sarkozy sobre o assunto e se posicionava a favor tanto do casamento igualitário quanto da adoção de crianças por casais homossexuais.

"Sou a favor porque tenho muitos amigos - homens e mulheres - que estão nesta situação e porque não vejo nada de instável ou perverso em famílias com pais e mães homossexuais."

O projeto de lei de Hollande deve ser votado em fevereiro ou março e, se passar, representará um dos maiores avanços para os direitos homossexuais em mais de uma década.

Com informações do The Huffington Post Gay Voices e da Elle Magazine

Casal de mulheres afirma ter sido expulso de bar após beijo

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013 0 comentários

Mariana Correia foi expulsa de restaurante após beijar a namorada (Foto: Priscilla Moraes/CBN)

No sábado, dia 12, as estudantes Mariana Correia, de 24 anos, e Caroline Pavão, de 21, afirmam que foram expulsas do  restaurante Victor, na Lapa, no Centro do Rio de Janeiro, por um homem de cabelos brancos, após pedirem uma cerveja e se beijarem. O homem teria sacudido Mariana pelo ombro e exigido que as duas saíssem do local, pois, segundo ele, aquela era uma atitude proibida.

Reportagem da rádio CBN que esteve no restaurante Victor, na Rua do Riachuelo, número 32, na companhia de Mariana Correia, não conseguiu encontrar o referido agressor, que, segundo o gerente da casa, não trabalha no estabelecimento nem seria cliente do local.

Mariana e Caroline ficaram de registrar o boletim de ocorrência e de serem recebidas pelos advogados do Centro de Referência LGBT ontem, quarta-feira (16), para formalizar a denúncia na Secretaria de Estado do Governo.

O coordenador do Centro de Referência LGBT, Almir França, afirmou que o restaurante é responsável pela situação, pois só sendo funcionário do local, ainda que não registrado, alguém teria autonomia para expulsar clientes do estabelecimento. No caso então o estabelecimento é que é denunciado porque a agressão em seu interior.

Ouça reportagem completa abaixo.

Governo francês mantém decisão de aprovar casamento LGBT este ano

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013 0 comentários

Reacionária francesa contra
 a igualdade de direitos entre todos
Abaixo texto sobre a decisão do governo francês de submeter, ao Parlamento, o projeto do casamento para todos em 29 de janeiro. Antes, em 27 de janeiro, está prevista uma manifestação favorável à reforma a ser sancionada em junho.

Destaque:
A porta-voz governamental Najat Vallaud-Belkacem, que também é ministra para assuntos femininos, disse à rádio Europe 1 que nada mudou e que a intenção do governo continua sendo a de submeter o projeto ao Parlamento neste mês e sancioná-lo até junho.

O governo está totalmente determinado a promover essa reforma, esse progresso histórico que não é a vitória de um campo sobre outro, e sim um progresso para toda a sociedade", afirmou Najat Vallaud-Belkacem. "Levamos a manifestação em conta, mas isso será discutido pelo Parlamento, e não na rua."

Ministros franceses sinalizaram na segunda-feira que a manifestação do fim de semana contra a legalização do casamento gay e das adoções por casais formados por pessoas do mesmo sexo não abalou a determinação do governo francês de aprovar em breve essas medidas. A porta-voz governamental Najat Vallaud-Belkacem, que também é ministra para assuntos femininos, disse à rádio Europe 1 que nada mudou e que a intenção do governo continua sendo a de submeter o projeto ao Parlamento neste mês e sancioná-lo até junho.

"O governo está totalmente determinado a promover essa reforma, esse progresso histórico que não é a vitória de um campo sobre outro, e sim um progresso para toda a sociedade", afirmou Najat Vallaud-Belkacem. "Levamos a manifestação em conta, mas isso será discutido pelo Parlamento, e não na rua."

Num dos maiores protestos das últimas décadas no país, quase meio milhão de pessoas fizeram uma passeata em Paris no domingo exigindo que o presidente François Hollande retire o projeto de lei e promova um debate nacional sobre qualquer mudança na definição de casamento. Muitos manifestantes disseram a jornalistas que decidiram sair às ruas em um dia tão frio porque não se conformam com o fato de o governo não realizar um debate amplo antes de promover reforma, especialmente a respeito dos direitos de adoção para os homossexuais, rejeitados por uma estreita maioria da opinião pública.

O ministro do Interior, Manuel Valls, disse ao jornal Le Monde que "sempre pensamos que o comparecimento seria forte, e foi ... o que é mais uma razão para estarmos focados no objetivo de aprovar a lei".

Jerome Fourquet, especialista em pesquisas do instituto Ipsos, disse que, embora a manifestação tenha sido um sucesso para a oposição, Hollande não poderá se dar ao luxo de recuar, especialmente depois de se mostrar inesperadamente resoluto, no mesmo fim de semana em que ordenou que as Forças Armadas francesas combatessem militantes islâmicos no Mali. "Por outro lado, (o protesto) pode sinalizar novos problemas para o governo com a futura lei que lidar com a reprodução assistida", afirmou Fourquet.

Deputados socialistas pretendiam fazer uma emenda à atual lei do casamento de modo a incluir o acesso a técnicas de reprodução assistidas para lésbicas, mas desistiram quando notaram que isso causaria mais polêmica e poderia prejudicar a aprovação do casamento homossexual. O governo agora planeja incorporar a questão a um projeto de lei da família que será aprovado em março pelo gabinete.

Tugdual Derville, um dos líderes do protesto de domingo, disse que a oposição poderá novamente organizar um protesto quando o novo projeto for definido. O protesto foi organizado principalmente por católicos, alguns muçulmanos e evangélicos.

Fonte: AFP via Terra, 14/01/13

Ao receber prêmio pelo conjunto da carreira, Jodie Foster agradeceu a ex-mulher e disse ser assumida desde a idade da pedra

terça-feira, 15 de janeiro de 2013 1 comentários

Jodie Foster faz discurso emocionante ao receber prêmio
Cecil B. DeMille pelo conjunto da carreira

Abaixo texto de O Globo sobre o emocionante discurso de Jodie Foster após receber o prêmio Cecil B. DeMille, pelo conjunto da obra, anteontem (domingo, 13/01). Segue também a fala em vídeo e link com sua transcrição (em Inglês).

Enquanto um bando de reaças saia no domingo pelas ruas de Paris para protestar contra a igualdade  de direitos entre as pessoas hétero e homo, essa bela e talentosa mulher fazia publicamente um agradecimento a sua ex-mulher, por sua vida em comum, e se dizia orgulhosa de sua família moderna. Ela teve dois filhos, que estavam na plateia, quando casada com a ex Cydney Bernard, de 1993 a 2008. Merecidíssimo prêmio pela carreira. Devia receber outro pela dignidade de seu discurso. E ela tem razão: privacidade é uma coisa muito importante principalmente em tempos de reality shows de todo o tipo e culto a celebridades. 

'Não vou sair do armário aqui', diz Jodie Foster ao levar Globo de Ouro

'Já fiz isso mil anos atrás', declarou atriz sobre orientação sexual. Ela levou prêmio pela carreira neste domingo; discurso emocionou plateia.


A atriz Jodie Foster provocou risos (ao dizer que não pretendia "sair do armário") e choro (ao agradecer a sua "família moderna" e mencionar a mãe doente) quando passou pelo palco do Globo de Ouro na noite deste domingo (13), em Los Angeles. Ela recebeu prêmio Cecil B. DeMille, pelo conjunto da obra. Durante sua fala fala de agradecimento, Foster brincou: "Eu espero que vocês não fiquem desapontados com o fato de que não vou sair do armário aqui nesta noite. Já fiz isso mil anos atrás."

Ao chegar à frente do público, Jodie Foster inicialmente estabeleceu certa tensão, começando seu discurso em tom ironicamente ameaçador. "Enquanto estou aqui nessa posição tão confessional, acabo de ter uma súbita vontade de dizer algo que nunca fui capaz de dizer em público", revelou.

"Estou um pouco nervosa quanto a essa declaração. Não tão nervosa quanto minha agente, hein, Jennifer? Mas, você sabe, tenho de colocar isso para fora. Orgulhosamente e alto. Vou precisar da sua ajuda. Eu sou... solteira", completou. E logo emendou: "Estou brincando".

Em seguida, Jodie lembrou ter abordado a própria orientação sexual em ocasiões anteriores – "na idade da pedra", exagerou. "Naqueles dias muito pitorescos, quando uma garota frágil escolhia se abrir com amigos confiáveis, e com a família, assim como com colegas de trabalho e depois, gradualmente, orgulhosamente, com todo mundo que a conhecia. Mas agora aparentemente se espera que toda celebridade dê detalhes de sua vida privada em entrevistas coletivas", comparou Foster. "Privacidade. Em algum dia no futuro as pessoas vão olhar para trás e se recordar de como isso era bonito."

Por diversas vezes ao longo do discurso, Jodie Foster fez referência aos dois filhos adolescentes, que estavam na plateia. "Tenho muito orgulho da minha família moderna, dos meus filhos. Tudo isso, meninos, é para vocês", comentou. Ela agradeceu, ainda, à sua ex-companheira, Cydney Bernard, com que esteve entre 1993 e 2008, segundo informação do portal IMDb.

O instante de comoção mais notável veio quando a atriz se dirigiu à mãe, que tem demência. "Eu te amo, eu te amo, eu te amo, e espero que, dizendo três vezes, isso vai entrar mágica e perfeitamente na sua alma, encher você de graça e alegria por saber que fez o bem nesta vida. Você é uma grande mãe. Por favor, leve isso você quando estiver finalmente pronta para partir." Foster deixou o palco sob aplausos, e as câmeras mostravam que parte do público chorava.

Ao longo da carreira, ela já ganhou dois Globos de Ouro de melhor atriz, por "O silêncio dos inocentes" (1991) e "Acusados" (1988), trabalhos que também lhe renderam estatuetas do Oscar. Comparada a outros ganhadores do Cecil B. DeMille, Jodie Foster é relativamente nova: tem 50 anos idade. Seus predecessores no prêmio são nomes como Steven Spielberg, Al Pacino, Judy Garland, Harrison Ford, Walt Disney, Frank Sinatra, Bette Davis, Lucille Ball e Morgan Freeman.

Antes de misturar ironia, crítica à cultura de celebridades e declarações à mãe e à família na noite deste domingo, ela brincou no Globo de Ouro dizendo que estava sem o "andador", referindo-se ao aparelho que costuma auxiliar pessoas idosas ou com dificuldade de locomoção.

Fonte do texto: O Globo  Link para transcrição do discurso de Jodie

Milhares de reacionários, gente tacanha e mesquinha, protesta contra casamento igualitário na França

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 0 comentários

Reacionários heterossexuais querem o monopólio do instituto do casamento civil

Gente profundamente tacanha, mesquinha e má, mobilizada sobretudo pela infame Igreja Católica, reuniu-se em Paris ontem (dia 13) para combater o casamento igualitário. Sobretudo, gente contrária à democracia porque se nega a aceitar a igualdade de todos perante a lei, no que se resume o casamento igualitário.

Esse papo de que casamento homossexual vai destruir a família é bem delirante. A não ser que alguém consiga provar como o ato de duas pessoas irem a um cartório assinar um documento que só diz respeito a elas próprias pode afetar a vida seja de quem for a não ser a delas mesmas. Fora a piada de dizer que casamento homossexual visa destruir a família quando os homossexuais estão querendo formar família.

Depois esses conservadores enchem a boca para falar de democracia. Tentar impedir a igualdade de todos perante a lei é democracia? E reclamam que a esquerda é que quer acabar com a democracia. Na briga para ver quem menos entende de democracia, o páreo entre os bregas de esquerda e os jecas da direita é duríssimo.

Destaque da notícia: Registro. A união civil de casais gays é autorizada na França desde 1999. Os opositores do projeto de lei querem impedir que a união civil homossexual adquira o status de matrimônio, para que pessoas do mesmo sexo não possam registrar filhos. Pesquisa da revista Le Nouvel Observateur mostra que o país está dividido sobre essa questão: 50% são contra a adoção de crianças por casais homossexuais. Apesar do peso do protesto de ontem, o governo Hollande promete não recuar.
Para o porta-voz da ONG Inter-LGBT, que defende gays, lésbicas e transexuais, Nicolas Gougain, a mensagem dos organizadores do protesto de ontem embute uma homofobia implícita. “O projeto de lei não propõe alterar os direitos das famílias heterossexuais, e sim reconhecer os das famílias homossexuais”, disse Gougain.

Milhares protestam contra casamento gay em Paris

Manifestação reúne pessoas contrárias a uma polêmica reforma que o presidente François Hollande promete executar em junho


Com a participação de jovens, idosos e famílias inteiras, boa parte de caravanas do interior do país, milhares de franceses marcharam neste domingo, 13, nas ruas de Paris para protestar contra um projeto de lei do governo do presidente François Hollande que autoriza o casamento gay e - o que mais tem atraído oposição - permite que casais de pessoas do mesmo sexo possam adotar crianças.

O protesto, que teve apoio da Igreja Católica, contou com cerca de 350 mil pessoas, de acordo com cálculos da polícia - o que o torna a maior manifestação em Paris em 20 anos -, ou 800 mil pessoas, segundo anunciaram os organizadores, da frente Manif pour Tous (“Manifestação para Todos”).

Os manifestantes vieram para a capital francesa em cinco trens de alta velocidade, 900 ônibus e inúmeros comboios de carros. A marcha partiu de três pontos diferentes de Paris e, após 6 quilômetros, os grupos convergiram para a frente da Torre Eiffel, exibindo faixas como “Não ao casamento unissex” e “Somos guardiães do Código Civil”, e outras bem-humoradas, exibidas por crianças, como “Feito por papai e mamãe”.

“Nada temos contra diferentes formas de viver, mas achamos que uma criança precisa crescer com um pai e uma mãe”, disse Philippe Javaloves, um professor de literatura que participou de uma caravana de 300 pessoas da Província de Franche-Comté, no leste do país.

A humorista Frigide Barjot leu um manifesto exigindo de Hollande a retirada do projeto de lei e pedindo um debate nacional antes de a lei ir à votação.

Além da hierarquia católica, uma coalizão híbrida composta de famílias religiosas, políticos conservadores, muçulmanos e evangélicos acabou minando nos últimos meses o apoio ao projeto de lei do governo, que deve ser votado no fim do mês na Assembleia Nacional. Pesquisas feitas em agosto apontavam em torno de 65% de apoio à lei, índice que caiu para 52%, segundo sondagem divulgada neste domingo.

Hollande contava com a maioria parlamentar para aprovar a lei sem maiores sustos. Mas a mobilização nos últimos meses, centrada no veto à adoção e no registro de crianças concebidas por meio de inseminação artificial por casais gays, ameaça a aprovação do projeto de lei.

Registro. A união civil de casais gays é autorizada na França desde 1999. Os opositores do projeto de lei querem impedir que a união civil homossexual adquira o status de matrimônio, para que pessoas do mesmo sexo não possam registrar filhos. Pesquisa da revista Le Nouvel Observateur mostra que o país está dividido sobre essa questão: 50% são contra a adoção de crianças por casais homossexuais. Apesar do peso do protesto de ontem, o governo Hollande promete não recuar.
Para o porta-voz da ONG Inter-LGBT, que defende gays, lésbicas e transexuais, Nicolas Gougain, a mensagem dos organizadores do protesto de ontem embute uma homofobia implícita. “O projeto de lei não propõe alterar os direitos das famílias heterossexuais, e sim reconhecer os das famílias homossexuais”, disse Gougain.

Protesto no Vaticano. Também na manhã deste domingo quatro integrantes do Femen, grupo conhecido pela ousadia de suas manifestações sobre os mais variados assuntos, foram detidas durante a missa dominical realizada pelo Papa Bento XVI na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Com dizeres 'in gay we trust' (em gays confiamos), em contraposição ao tradicional 'in God we trust' (em Deus confiamos), escritos nas costas e no tórax, as ativistas se manifestaram a respeito da publicação do Jornal do Vaticano que condenou a adoção por homossexuais depois que a Justiça garantiu a uma mãe homossexual a custódia de seu filho.

Fonte: Estadão, 13/01/13

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