Velma saiu do armário no desenho Scooby-Do Mistérios S.A e se assumiu lésbica

segunda-feira, 13 de julho de 2020 0 comentários

A personagem Velma é lésbica, revela produtor de 'Scooby-Doo'
Marcie e Velma são namoradas

Uma personagem do desenho Scooby-Do Mistérios S.A. acaba de sair do armário: Velma é lésbica. A afirmação foi feita pelo produtor da animação Tony Cervone em post nas redes sociais.

A postagem veio em resposta a questionamentos dos fãs que enxergavam uma possível relação amorosa entre Velma e o personagem Salsicha.
A Velma de Mistérios S. A. não é bi, ela é gay. Nós sempre planejamos a Velma agindo um pouco fora do personagem enquanto ela estava confusa consigo mesma e tinha dificuldades em entender”, escreveu ele, que postou uma imagem de Velma com as cores do arco-íris.
Ele prosseguiu dizendo que o desenho dá pistas da homossexualidade da personagem e que ela forma um casal com Marcie.
Há dicas sobre o porquê naquele episódio com a sereia e, se você seguir todo o arco de Marcie, parece tão claro quanto poderíamos fazer dez anos atrás. Eu não acho que Marcie e Velma tiveram tempo de agir de acordo com seus sentimentos durante a linha do tempo principal mas, após o reset, elas são um casal”, explicou.
Produtor do Scooby-Doo revela que Velma é lésbica e expõe sua vida ...
Velma é lésbica e não bi

No último domingo (12), James Gunn, que dirigiu o primeiro live-action de Scooby-Doo em 2002, disse que Velma, interpretada por Linda Cardellini, era gay na primeira versão de seu roteiro.
Eu tentei! Em 2001, Velma era claramente gay no meu roteiro inicial”, tuitou ele em resposta aos pedidos dos fãs de fazer Velma abertamente lésbica na próxima versão do desenho nos cinemas.
I tried! In 2001 Velma was explicitly gay in my initial script. But the studio just kept watering it down & watering it down, becoming ambiguous (the version shot), then nothing (the released version) & finally having a boyfriend (the sequel). 😐 https://t.co/Pxho6Ju1oQ
— James Gunn (@JamesGunn) July 13, 2020
Clipping Produtor de Scooby-Doo diz que Velma é lésbica e namora outra personagem, VejaSP, 13/07/2020

Pesquisa indica que 67% dos brasileiros acreditam que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade

segunda-feira, 6 de julho de 2020 0 comentários

LGBTQIA Pride
67% dos brasileiros acreditam que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade
Uma pesquisa do Instituto Pew indica que 67% dos brasileiros dizem acreditar que a homossexualidade deveria ser aceita pela sociedade, um aumento de seis pontos percentuais desde a realização da última edição do levantamento, em 2013.

Entre os 34 países analisados, o Brasil aparece no 16º lugar, atrás dos outros dois Estados latino-americanos incluídos: México (14º) e Argentina (10º). Ambos já apareciam à frente do Brasil no levantamento anterior e tiveram altas mais expressivas: 15 pontos percentuais entre os mexicanos e 10 entre os argentinos.

O país vizinho foi o primeiro entre os três a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2010, durante o governo de Cristina Kirchner. No México, esse direito varia de uma região a outra. Na Cidade do México, o casamento gay foi legalizado em 2009, mas só passou a ter validade em todos os territórios após uma decisão da Suprema Corte, em 2010.

Desde 2011, os estados de Coahuila e Chihuahua, ao norte, e Quintana Roo, ao sul, também legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo gênero. Nos pólos extremos do ranking estão a Suécia, onde 94% se disseram a favor da aceitação da homossexualidade, e a Nigéria, na qual apenas 7% dos entrevistados responderam o mesmo.

A pesquisa, realizada em 2019 e divulgada nesta quinta-feira (25), mostra que, embora mais da metade dos entrevistados em 16 dos 34 países pesquisados diga que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade, discrepâncias expressivas entre os índices nacionais persistem.

Segundo o instituto, um dos fatores que influenciou as respostas é o alinhamento político dos entrevistados: pessoas mais à direita apoiam menos o tema do que quem está à esquerda no espectro político. Nos Estados Unidos, 53% dos direitistas responderam a favor da aceitação –33 pontos percentuais atrás dos esquerdistas, que registraram 86%.

No país, pautas progressistas como a legalização do aborto e do casamento gay, e a proibição de discriminação de pessoas transexuais no ambiente de trabalho ganharam terreno graças a decisões da Suprema Corte. Os legisladores federais não conseguiram formar maioria para adotar leis sobre esses temas -nem a favor, nem contra.

Essas demandas seguem sendo altamente sensíveis entre o eleitorado americano –a proibição do aborto, por exemplo, é uma das principais plataformas do Partido Republicano. A preferência política também é acentuada nos países europeus com governos populistas de direita ou nos quais há participação expressiva de partidos com esse perfil na política nacional.

Na Hungria de Viktor Orbán, por exemplo, 40% daqueles que se identificam com a direita responderam a favor, contra 61% daqueles que se alinham à esquerda. Outro fator determinante para a percepção da homossexualidade, segundo o Instituto Pew, é a idade. Em 2 de cada 3 países analisados, os jovens se mostraram significativamente mais propensos a serem favoráveis na questão.

A diferença entre as respostas do grupo de 18 a 29 anos daquelas dos entrevistados de mais de 50 chegou a 56 pontos percentuais na Coreia do Sul, o país que mostrou a maior diferença generacional. O Japão fica em segundo lugar desse índice: a proporção de jovens favoráveis à aceitação é 36 pontos percentuais mais alta. Seul também teve a maior diferença no recorte de gênero: 51% das mulheres se dizem a favor, enquanto apenas 37% dos homens concorda com esse posicionamento.

Clipping Aceitação da homossexualidade no Brasil cresceu de 61% em 2013 para 67% em 2019, Diário de Pernambuco (via FolhaPress), por Diana Lott, 5/06/2020

O resgate do termo "sapatão" pelas lésbicas

quarta-feira, 24 de junho de 2020 0 comentários

Luciene Santos, a Sapavegana fala sobre termo sapatão - Divulgação
Luciene Santos, a Sapavegana fala sobre termo sapatão Imagem: Divulgação


"Sapatão, periférica, afrovegana". O perfil no Instagram da criadora de conteúdo Luciene Santos, a @sapavegana, já dá pista do quanto usar o termo sapatão para falar sobre a própria orientação sexual é ferramenta de autoestima, autoafirmação e resistência nas redes sociais.

A palavra que durante muito tempo foi usada como forma de xingamento por quem não respeita o jeito de viver de mulheres que se relacionam com outras mulheres vem, aos poucos, ganhando significado positivo. Mas a reviravolta veio justamente pelas atitudes de quem já sofreu preconceito. Como diz a letra daquela antiga marchinha de Carnaval, que transita entre o estereótipo e essas frases mais atuais: "O sapatão está na moda. O mundo aplaudiu. É um barato, é um sucesso dentro e fora do Brasil". Agora, elas se apropriam disso.

Só as sapatonas on-line: na internet, elas se apropriam do termo

É o caso de Luciene, que criou sua conta no Instagram em 2018 para falar sobre veganismo a partir de sua experiência de vida. Ela havia revelado que é lésbica para o mundo dois anos antes. Ouviu comentários negativos sobre ser "sapatona". "Eu cresci ouvindo 'sapatão' como ofensa de pessoas próximas. Como se fosse algo ruim". 

Quando decidiu falar na internet sobre veganismo, queria aliar outras identidades à bandeira do fim da crueldade animal. "O perfil na rede social me ajuda a me posicionar enquanto lésbica, preta, pobre. Aliás, me ensina o quanto é importante se posicionar", diz. 

Para ela, ser a @sapavegana nas redes resulta na identificação de outros públicos com suas vivências e é uma ponte entre as opressões sociais que quer combater com seu trabalho. 
O termo afasta algumas pessoas, mas também atrai: tenho seguidores que são LGBTs que me seguem mesmo não sendo veganos, e vice-versa. Isso é bom, porque eu consigo unir as pautas. Além disso, as opressões que mantêm a figura do homem branco cisgênero, heterossexual e branco no poder prejudicam as pessoas pretas, os pobres, os indígenas, os animais. Então, para mim, são essas causas que precisam ser defendidas." 
Ana Claudino Sapatão amiga - Divulgação - Divulgação
Ana Claudino, a "Sapatão Amiga", produz conteúdo no Youtube sobre sua vivência Imagem: Divulgação

Uma "sapatão amiga" no Youtube 

No Youtube, digitar "Sapatão amiga" no campo de pesquisa leva ao canal de Ana Claudino. Criadora de conteúdo na internet desde 2017, Ana também precisou dar novo sentido à palavra sapatão para que se tornasse motivo de orgulho.

"Quando eu era criança, e nem sabia que era lésbica, já me chamavam de sapatão. E eu achava que era sobre quem usava sapato grande. Aos 20 anos, passei a usá-la como uma palavra política", analisa. "Lésbica é um termo muito limpo".

Não à toa, a experiência na infância de ser xingada por sua orientação sexual influenciou também a escolha do nome do canal. "Fui uma criança no final dos anos 90, em que não tinha internet, produção de conteúdo LGBT como temos hoje. Queria que o 'Sapatão Amiga' fosse um porto seguro para as meninas que não têm, justamente, uma amiga sapatão para conversar e dizer que está tudo bem."

Sapatour fala de sapatão - Divulgação - Divulgação
Parte do grupo Sapatour, composto pelas produtoras de conteúdo: Yasmin Akutsu, Luana Aguiar, Taynara Aquino, Fernanda Xavier, Jeniffer Pereira, Thais Goto, Caroline Souza, Marina Sampaio e Patrícia Ribeiro Sanyana Amara.

E vamos de "Sapatour"

O orgulho de ser sapatão também é mote do conteúdo produzido nas redes sociais pelo "Sapatour", um grupo de pelo menos dez amigas lésbicas que migrou da vida real para a internet com entretenimento e informação LGBTs. "Sempre destacando o L, que é nossa vivência", explica a idealizadora do grupo, Yasmin Akutsu. 

Além dos vídeos da trupe, o Sapatour promove a hashtag #SomosTodosSapatour, em que seguidoras publicam fotos e vídeos de si mesmas. Para Yasmin, é um jeito de mostrar que lésbicas não estão sozinhas e aumentar a autoestima de cada uma. 
O Sapatour e a hashtag são formas de fazer com que se sintam abraçadas, seguras e unidas mesmo que de longe. Assim, elas podem ter força e coragem para mostrar à sociedade quem são e para enfrentar todo o preconceito que infelizmente existe. Isso gera uma identificação que as motiva a fazer o que realmente gostam, sem se preocupar com julgamentos", detalha. "O movimento espalha esse empoderamento". 
O nome, explica a fundadora, veio do perfil festeiro do grupo.
Quando nos conhecemos éramos todas solteiras, saíamos de segunda a segunda e nunca nos desgrudávamos. Na época a gente tinha mania de chamar todo lugar que a gente ia ou tudo que a gente fazia de 'tour'. Eu sempre gostei de compartilhar tudo nas redes e achei que seria melhor termos um nome de verdade para o grupo", explica. "Estamos sempre tentando unir diversão, informação e representatividade".
A palavra "sapatão" vem de onde? 

Usar o termo sapatão para lésbicas, segundo especialistas, pode ter sido popularizado em dois contextos históricos: "[O primeiro] remete aos poemas sobre amores lésbicos do poeta Gregório de Matos (1636 - 1696), em que aparece a figura de uma mulher chamada Luiza Sapata", analisou a doutoranda em linguística pela USP e pesquisadora do Centro de Documentação em Historiografia Linguística (CEDOCH-DL/USP) Stela Danna, em entrevista para Universa de outubro do ano passado. 

A segunda tem a ver com o uso de "sapatos masculinos" por feministas, na década de 1970, em vez dos modelos femininos. Essas mulheres, então, passaram a ser chamadas de 'sapatão'. A música citada no início da matéria, "Maria Sapatão", nos anos 80, também popularizou o termo no Brasil.

Ver também Origens do termo sapatão | Um Outro Olhar

Clipping "Sapatão, sim": por que influencers estão resgatando termo antes rejeitado, por Nathália Geraldo, Universa, 22/06/22020

Day Limns: de quase pastora a cantora abertamente lésbica

segunda-feira, 22 de junho de 2020 0 comentários

Day (Foto: Bruno Trindade Ruiz/Reprodução/Instagram)
Day Limns

Quando foi vista pela primeira vez no "The Voice Brasil 2017", do qual foi uma das finalistas, Day Lima já chamou a atenção por conta de seus dons musicais e também por conta de sua personalidade aberta. Na época, ela já aparecia com sua namorada e falava com orgulho de sua orientação sexual. Mas o caminho nem sempre foi fácil.

Igreja, conservadorismo e repressão
As pessoas falavam muito que Deus não gostava de sentimento de culpa. Eu via que as pessoas não agiam dessa forma: tudo que elas falavam era para me fazer sentir culpada. Quando comecei a ficar incomodada com a culpa que estava sentindo, falei: isso não é de Deus. Se o Deus que amo tanto e que falam que me ama deixar de me amar por ser quem eu sou, deixa de ser Deus.
A cantora não categoriza o que passou dentro da religião como uma lavagem cerebral. "Parece, mas não é", enfatiza ela, dizendo que tem mais a ver com a experiência individual de cada um e que há quem seja muito feliz na igreja. Mas, não foi seu caso: ela quase foi pastora e só não foi para um seminário nos Estados Unidos por ter seu visto negado.
Teve um momento da minha adolescência que eu estava liderando jovens e falando que tinha vencido minhas tentações homossexuais. Eu estava mentindo para essas pessoas, sabia que o buraco era muito mais embaixo, não tinha vencido nada.
O INTERCÂMBIO - DAYROL (PARADA) - ERROS E.....ACERTOS??? - Wattpad
Day e a namorada Carol Biazin

Dedicada à música

Hoje, Day está dedicada mesmo à sua música. Ela conta hoje com mais de 80 milhões de acessos em seus vídeos no YouTube, além de mais de 25 milhões de visualizações em streaming de músicas, tendo ajuda a escrever hits como "Complicado", de Vitão e Anitta. Nesta sexta-feira, ela lançou o "A Culpa é do Meu Signo". Ela conta que fala de sua sexualidade com naturalidade em sua obra, como em seu primeiro single, "Tanto Faz', cuja primeira palavra é "Mina".
Gosto de tratar tudo com naturalidade, porque realmente sou isso, não é um personagem. Eu acho que a bandeira eu levante independente de ser artista ou não, acho que se tivesse qualquer outra profissão ia levantar a bandeira, é meu dever como cidadã lésbica.
Entendo a responsabilidade que tenho por ter pessoas que me seguem, o quanto minha história inspira outras pessoas e o quanto é um privilégio inspirar outras pessoas a se aceitarem e se amarem como são.
Day também procura inspirar que outros jovens se aceitem como são, citando sua própria experiência.
Meu pai ficou de boas, minha mãe não ficou de boas de jeito nenhum. Foi um período muito doloroso da minha vida, tive que ouvir coisas da minha mãe das quais ela mesma se arrepende hoje. Ela chegou a dizer que hoje entende mais do amor de Deus do que os anos inteiros vivendo na igreja. 
A gente luta contra a homofobia desde que se entende por gente. Até mudei meu lema: os homofóbicos que lutem. Não vou deixar de ser quem sou, eu vou resistir para sempre, acho que esse mês é uma lembrança disso. Viocê precisa ter orgulho de ser quem você é, não está errado ser quem é.



Clipping Cantora que quase foi pastora e se assumiu lésbica diz que pregava mentiras, por Guilherme Machado, 21/06/2020

Personagens lésbicas cada vez mais protagonizam séries de sucesso

segunda-feira, 8 de junho de 2020 0 comentários

Cena do filme 'Você Nem Imagina', novo romance teen da Netflix com protagonismo de
personagens lésbicas Netflix/Reprodução

Ellie Chu (Leah Lewis) é uma jovem imigrante chinesa na ficcional e remota cidade Squahamish, em Washington. Sem amigos e precisando de dinheiro para pagar as contas de casa, a tímida protagonista relutantemente concorda em vender sua aptidão para escrita ao pouco inteligente Paul Munsky (Daniel Diemer) e passa a escrever cartas de amor para a menina bonita do colégio, Aster Flores (Alexxis Lemire). Os sentimentos de Ellie rapidamente se somam à trama, e o que começou como um mero ganha-pão se torna a sacada de Você Nem Imagina, recente aposta do catálogo da Netflix. Mesmo com toda a roupagem clássica de um filme teen, ele conta com um diferencial vergonhosamente atrasado: um romance entre duas garotas.

A produção atesta: a forma como personagens lésbicas são retratadas na ficção passa por mudanças notáveis. Muito aquém do legado deixado por Azul É a Cor Mais Quente (2013), o que se vê é que essas personagens invadiram o mamão com açúcar batido de comédias românticas, agora protagonizadas por duas meninas (e um rapaz sobrando). Pode parecer uma aposta boba, mas não é. Você Nem Imagina surfa em uma onda recente, em que personagens do espectro LGB driblam estereótipos e saltam do lugar de coadjuvantes para o de protagonistas, com tramas simples e comuns ao cinema e à TV, mas dominadas por héteros. Caso até dos populares super-heróis, que ganharam a companhia da estrela de Batwoman, exibida no Brasil pela HBO, a primeira super-heroína lésbica da TV, interpretada pela atriz (que também é gay) Ruby Rose.

Ruby Rose em ‘Batwoman’, nova série da HBO com super-heroína lésbica The CW/Reprodução

Dono de uma Palma de Ouro, estatueta máxima do Festival de Cannes, Azul É A Cor Mais Quente é um bom exemplo de como relacionamentos lésbicos eram retratados até pouco tempo atrás na ficção. Embora tenha sido um dos pioneiros a dar visibilidade ao “L” de LGBT, lado a lado com a série americana Orange is the New Black, o aclamado filme francês e sua famosa cena de sexo de 7 minutos (que demorou dez horas para ser gravada, provocando mais tarde reclamação das atrizes) serviam a um tipo de fetiche masculino muito mais que a uma representação romântica do público-alvo oficial. Daí a – boa – surpresa da chegada de Ellie Chu, que, além de ir na contramão dessa fetichização, nada mais é que uma garota normal, apaixonada em segredo por outra, em uma pequena cidade conservadora: cenário bem mais fértil para provocar identificação. Ellie também não é essencialmente feminina ao ostentar um perene rabo de cavalo baixo e roupas largas. E faz isso sem cair em outro estereótipo batido: o da lésbica “caminhoneira”. São essas as de cabelo curto e estilizado, porte físico forte e trejeitos masculinizados. Até então, o cinema e a TV se amparavam nesta espécie de balança, um “8 ou 80”: a lésbica da ficção ou era atraente ou o completo oposto.

Com a nova tendência, essas mulheres são retratadas num meio termo entre os dois números da escala. Sem cenas acaloradas, mas contemplando a sensualidade feminina, – dessa vez inata da personagem, não da orientação sexual –, a prima de Bruce Wayne, em Batwoman, é “sexy sem ser vulgar” e concilia a fachada de durona com uma vulnerabilidade até exigida quando se trata de heróis e heroínas dos universos da DC e da Marvel. O encaixe entre personagem e atriz foi tanto que, quando Ruby Rose anunciou sua saída da série para a já confirmada segunda temporada, na última terça-feira, 19, seu nome subiu rapidamente para os trending topics do Twitter. A colega de profissão Stephanie Beatriz, conhecida por interpretar Rosa Diaz no sitcom Brooklyn 99, despontou como um dos nomes interessados para substituir a australiana – e, assim como ela, é LGBT.

Foto do casal Pat e Terry exibida pelo documentário ‘Secreto e Proibido’, novo no catálogo da Netflix

A abertura que permitiu a chegada destas personagens, também abriu espaço para o documentário Secreto e Proibido. Recém-lançado pela Netflix, o longa conta a história de Pat Henschel e a jogadora profissional de beisebol Terry Donahue, juntas desde 1947. Por anos, o casal teve de omitir o status do relacionamento para a família e conhecidos, alternando entre desculpas para não torcer narizes em uma época em que batidas policiais em clubes e bares gays não estavam tão esquecidas da memória. Com sensibilidade e doçura, os diretores Jason Blum (de Corra!) e Ryan Murphy (de American Horror Story e Pose) deram uma guinada para longe do horror e apresentaram a trajetória das duas mulheres, permeada por cartas, fotografias e relatos antigos, sem cair nos velhos estereótipos já citados.

Demorou, mas os produtores de TV e cinema se adaptaram aos novos tempos e estão aprendendo como é tratar com respeito personagens LGB. Que essa mesma tendência siga para a vida fora das telas – tarefa um pouco mais difícil, mas não impossível.

Clipping De filme teen a Batwoman, mulheres lésbicas conquistam respeito na ficção, Veja, 25/05/2020

Nota da Editora: Killing Eve - 3 temporadas (Globoplay e em sites não oficiais como "seuseriado") é um hit internacional de humor negro que conta a história da obsessão que uma agente do serviço secreto britânico, Eve (Sandra Oh), desenvolve por uma assassina de aluguel, Villanelle (Jodie Comer), a serviço de uma organização misteriosa. Ganhadoras respectivamente  do Globo de Ouro, Bafta e Emmy, as duas atrizes que protagonizam a série têm muita química entre si, e suas personagens vivem uma relação de tensa eroticidade que, nesta última temporada, parece ter começado a virar amor. Embora esta terceira temporada da série tenha sido a mais fraquinha de todas, foi a que mais desenvolveu a proximidade entre este casal de mulheres fortes e diferentes da maioria.  Abaixo 3 cenas em que Eve e Villanelle se aproximam sem tiros e facadas, embora com algumas porradas ainda. Vale a audiência.

She-ra e Felina se beijam na nova temporada da animação na Netflix

quarta-feira, 27 de maio de 2020 0 comentários

She-ra tem romance lésbico e beijo gay em nova temporada na Netflix
Beijo lésbico em She-ra - Foto: Reprodução/Netflix

She-ra iniciou romance com a vilã Felina

O último episódio da quinta temporada de She-ra e as Princesas do Poder, na Netflix, surpreendeu os fãs da animação. A princesa Adora, que quando tem os super poderes se transforma na She-ra, e a vilã Felina protagonizaram uma cena de beijo e iniciaram um romance lésbico na história.

Os momentos finais do enredo são cercados de muitas batalhas e tensão. Após salvar a vida de Adora, Felina irá revelar que é apaixonada por ela e será retribuída com um beijo. A sequência respondeu aos questionamentos dos espectadores que desconfiavam que a rivalidade entre as duas era, na verdade, amor.

A nova versão da Netflix de She-ra, animação que fez muito sucesso nos anos de 1980 e 1990, foi massacrada por grupos conservadores logo na primeira temporada, já que os produtores optaram por dar representatividade ao universo LGB e discutir o empoderamento feminino.

Assumidamente homossexual, a responsável pela adaptação, Noelle Stevenson, declarou para jornalistas norte-americanos que quis debater a diversidade no desenho, tanto que diminuiu os seios e alterou as roupas da personagem.

Nos últimos anos, desenhos animados estão apostando em figuras gays com a alegação de que querem retratar uma sociedade mais justa e igualitária, ressaltando a importância de respeitar os próximos, como foram os casos de Steven Universo e The Loud House.

Confira a cena do beijo abaixo:

She-ra e os personagens gays

She-ra e Felina não foram as únicas personagens que engataram um relacionamento homossexual. Os pais do Arqueiro, Lance e George também eram casados e o que mais chamou atenção é o fato deles serem negros, assunto que é um grande tabu nos Estados Unidos.

As princesas Netossa e Spinnerela também viveram um romance lésbico, com direito a beijo, tiveram grande torcida entre o público para que continuasse juntas.

She-ra e as Princesas do Poder teve cinco temporadas, contabilizando 52 ao todo. A última parte da série de animação estreou no dia 15 de maio.

Clipping She-ra tem romance lésbico e beijo gay em nova temporada na Netflix, Na telinha, 21/05/2020

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