Proibido no Quênia, filme lésbico faz história em Cannes

quarta-feira, 16 de maio de 2018 0 comentários

 (Emma McIntyre/Getty Images)

Filme lésbico do Quênia faz história ao ser exibido em Cannes
No Quênia a homossexualidade pode ser punida com até 14 anos de prisão. Batizado de "Rafiki", o filme foi banido do país por conta disso.

O filme “Rafiki” – que significa “amigo(a)” em swahili – entrou para a história como o primeiro representante do Quênia no Festival de Cannes, o que já seria um grande feito por si só. Mas o longa dirigido por Wanuri Kahiu representa muito mais do que isso, já que ousa falar sobre lésbicas num país onde a homossexualidade é contra a lei.

No Quênia o filme foi proibido de ser veiculado. O Comitê de Classificação de Filmes do país baniu a distribuição do longa chegou a dizer que ele poderia ter sido aceito, caso as personagens demonstrassem remorso por seus atos no final. 
A moral da história no filme é a de legitimar o lesbianismo no Quênia. Qualquer tentativa de introduzir e de normalizar a homossexualidade no Quênia vai contra a legislação e a constituição e isso deve ser vetado”, declarou o comitê.
Naquele país, quem é pego tendo relações com pessoas do mesmo sexo pode ser preso por até 14 anos. Para se ter uma ideia, em 2016, o Tribunal Superior de lá defendeu que é totalmente aceitável realizar exames anais em homens, para identificar se eles transam com outros homens. Em 2017, um oficial do governo queniano virou notícia no mundo inteiro por conta de uma declaração não apenas homofóbica, mas também muito ignorante. Ao saber que dois leões machos agiam como casal em um zoológico do país, Ezekiel Mutua disse que obviamente aqueles animais estavam imitando as ações de homens gays que circulam pelo parque, ou que estavam possuídos por forças malignas.

Mapa publicado pela Deutsche Welle mostra a penalidade prevista para homossexuais em países africanos (Deutsche Welle/Reprodução)

E o Quênia está longe de ser o único país africano que ainda criminaliza a homossexualidade, como mostra o mapa abaixo, publicado pela Deutsche Welle. Somália, Sudão, Mauritânia e Nigéria até hoje preveem pena de morte para quem se relaciona com pessoas do mesmo sexo.

Voltando ao filme, “Rafiki” representa um marco histórico para a comunidade LGBT na África e é o longa com mais peso político no Festival de Cannes esse ano. Realizar um filme homossexual em países como o Quênia é um ato que leva a palavra “resistência” a um outro patamar. Fazer com que ele chegue a uma das premiações mais importantes do mundo é uma conquista histórica.

O filme fez sua estreia no festival nessa quarta-feira (9) e vem colhendo bons frutos junto à crítica. Ele conta a história de Kena (Samantha Mugatsia) e Ziki (Sheila Munyiva), duas garotas que se conhecem pelas ruas de Nairobi e vivem um romance proibido. Além de escancarar a realidade homofóbica do país, “Rafiki” também mostra a dificuldade das duas em relação às famílias e a influência que a igreja exerce sobre a comunidade em que vivem.

Segundo a crítica do Screen Daily, o filme peca por abranger coisas demais, mas apresenta um trabalho carregado de alma e sensibilidade. O longa também é descrito como dinâmico e cheio de vida. 
A performance carismática de Samantha Mugatsia e Sheila Munyiva faz você acreditar nas personagens e se envolver no romance. Quando a realidade se intromete no sonho de amor delas, o impacto emocional é incrivelmente profundo”, aponta o crítico.
Infelizmente, ainda é cedo para saber se a gente vai poder ver “Rafiki” nas salas de cinema daqui. No IMDb – a maior base de dados sobre audiovisual do mundo – não há nem informações sobre a estreia do filme nos Estados Unidos, que dirá no Brasil. Mesmo assim, é justo dizer que a repercussão em Cannes já colocou o longa no radar das distribuidoras. Se for premiado, aumentam as chances de ele ser lançado comercialmente em breve. E nós já estamos torcendo, lógico! Saiba mais: Presidido por Cate Blanchett, Cannes terá júri majoritariamente feminino

Enquanto isso, olha como as atrizes e a diretora estavam maravilhosas no tapete vermelho do festival. É o sorriso no rosto de quem sabe que está fazendo história!

Fonte: M de Mulher, 10/05/2018

Professora afastada de escola após mostrar foto com a esposa aos alunos

terça-feira, 15 de maio de 2018 0 comentários

 (Stacy Bailey/Acervo pessoal)

Professora é afastada de escola após mostrar foto com a esposa aos alunos
A foto simplesmente mostra a professora e sua esposa usando fantasias de "Procurando Nemo" no Halloween.

No Texas, a professora de artes Stacy Bailey está movendo um processo contra a escola em que lecionava, por tê-la afastado de suas funções. Stacy foi transferida depois de mostrar aos alunos uma foto em que ela e a esposa, Julie Vazquez, aparecem vestidas com fantasias de “Procurando Nemo”. A foto, que não mostra nada de inadequado, foi apresentada às crianças durante uma aula de apresentação, junto com imagens da família de Stacy e de sua infância. 

Na época, o diretor do colégio chegou a dizer à professora que recebeu a reclamação do pai de um aluno. Esse pai alegou que ela estava “promovendo a agenda homossexual” nas aulas. A informação foi dada pelo New York Times, que teve acesso ao processo.

O mesmo pai teria reclamado a respeito de uma aula sobre o artista Jasper Johns. Isso porque a professora revelou aos alunos que ele era casado com o também artista Robert Rauschenberg.

A foto mostrada aos alunos foi tirada no Halloween (Stacy Bailey/Acervo pessoal

A escola e o distrito de Mainsfield, responsável por sua gestão, se defendem dizendo que a orientação sexual de Stacy nunca foi um problema e que a decisão de afastá-la surgiu porque as atitudes dela mudaram no último ano. Ainda segundo o New York Times, o texto do processo diz que ela estava tratando de temas controversos com os alunos.
Os professores não devem usar a sala de aula para transmitir suas crenças pessoais a respeito de política e questões sectárias”, aponta o documento.
Stacy foi instruída a não falar publicamente sobre o caso, mas a esposa dela concedeu uma entrevista à imprensa essa semana.
É chocante e entristecedor o fato de que os membros do distrito de Mainsfield trataram minha esposa de maneira diferente quando ela falou sobre sua família, assim como qualquer professor faz. Ela foi afastada simplesmente porque seu cônjuge é uma mulher”.
A professora deixa claro que seu maior desejo é voltar a lecionar na antiga escola, onde ela trabalhava desde de 2008 e foi eleita como Professora do Ano duas vezes.
Eu acho que isso seria algo imenso. Mostraria que ela não fez nada de errado e que o distrito percebeu isso. E a colocaria de volta na família escolar dela, o que é algo muito importante”, finalizou a esposa, Julie Vazquez.
Fonte: M de Mulher, 11/05/2018

Bailarina do Faustão e namorada se casam em Santa Rita de Jacutinga (MG) sob as bençãos de pastor gay

segunda-feira, 14 de maio de 2018 0 comentários

Bailarina do "Domingão do Faustão", Karina Barros se casa com Camila 

Bailarina do Faustão e namorada se casam em cerimônia com pastor gay 

Benfica Bailarina do "Domingão do Faustão", Karina Barros se casou neste final de semana com a esteticista de animais Camila Benfica. Elas namoram há mais de dois anos, e a dançarina de 20 anos pediu a namorada em noivado durante um passeio romântico na Pedra Bonita, no Rio, em janeiro de 2017.

Karina Barros e Camila Benfica se casaram em Santa Rita de Jacutinga (MG), no fim de abril, sob a bênção do pastor André Cally, gay e líder do MilC (Ministério Inclusivo Livres em Cristo), destinado a evangélicos homossexuais.

Bailarina do "Domingão do Faustão", Karina Barros se casa com Camila Benfica
Sou grato a Deus e muito feliz em poder celebrar mais uma união de amor, uma nova família que se constituiu, dessa vez as amadas Karina Barros e Camila Benfica. Glória a Deus por esse amor, por essa dignidade que motivam muitos e muitos outros a serem felizes, sem reservas e paradigmas. Amo vocês!", comemorou o pastor.
A cerimônia, realizada no último sábado de abril (28), foi divulgada com moderação pelas noivas, que prometeram publicar fotos e vídeos futuramente, mas parentes e amigos próximos deixaram vazar algumas imagens do casamento, realizado ao ar livre, e da decoração, com as iniciais "K&C" espalhadas pela festa religiosa.

Bailarina Karina Barros se casa com Camila Benfica
Em uma das únicas fotos publicadas pelo casal, foi possível ver as daminhas de honra tapando os olhos na hora do beijo, aparentemente um protesto das noivas contra a intolerância.
Fonte:  UOL, 30/04/2018

Casal de mulheres executado na frente da filha de dois anos no Pará

quarta-feira, 25 de abril de 2018 0 comentários


Casal homossexual é executado na frente da filha de dois anos

Duas mulheres foram mortas a tiros dentro da casa delas, no início da tarde desta quinta-feira (19), na rua Santa Clara, no bairro do Icuí-Guajará, em Ananindeua (Pará). A filha de uma delas, de dois anos, presenciou o crime.

De acordo com informações iniciais da Polícia Militar, o duplo homicídio ocorreu por volta das 13h30. As duas vítimas - identificadas como Ana Beatriz e Ana Clara, que seriam um casal - tiveram a casa invadida. O portão foi arrebentado, e elas foram mortas dentro do imóvel.

Segundo testemunhas, os responsáveis eram quatro homens que estavam dentro de um carro vermelho.

A menina, de apenas dois anos de idade, que presenciou a cena de violência, foi resgatado por policiais militares e encaminhada para o Conselho Tutelar.

(DOL com informações de Denilson D’Almeida/Diário do Pará)

Fonte: Diário do Pará Online, 19/04/2018

Vítima de homofobia em supermercado de BH será indenizada em R$30 mil

terça-feira, 24 de abril de 2018 0 comentários

A PM foi acionada, e as duas funcionárias abandonaram o local, negando-se a oferecer explicações. (Reprodução)

Vítima de homofobia em supermercado será indenizada em R$ 30 mil
Caso ocorreu no Carrefour da unidade Vitório Marçola, no Bairro Anchieta.
A sociedade brasileira como um todo precisa amadurecer, e muito, no respeito para com as diferenças de cada um, cumprindo ao próprio Estado reprimir toda e qualquer forma de preconceito e inferiorização das ditas minorias. Especialmente considerando os estudos apontados, que mostram resultados assustadores acerca da homofobia no Brasil: sete em cada dez homossexuais brasileiros já sofreram algum tipo de agressão, seja física ou verbal. Cresce violência contra pessoas LGBT; a cada 25 horas, uma é assassinada no País.”
Com essas considerações, o desembargador Luiz Artur Hilário, da 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), proferiu voto condenando o Carrefour Comércio e Indústria Ltda., na unidade Vitório Marçola, no Bairro Anchieta, a pagar indenização de R$ 30 mil por danos morais a um consumidor, ofendido por funcionárias do hipermercado. Em seu voto, ele foi seguido pelos desembargadores Amorim Siqueira e José Artur Filho. A decisão confirmou sentença proferida pela 30ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte.

O consumidor narrou nos autos que em 28 de fevereiro de 2015 estava no hipermercado com a mãe, não havendo guichês suficientes para atendimento adequado ao público. Afirmou que “longas filas de espera se formavam” e, após esperar por mais de 60 minutos na fila de um dos caixas, ao chegar sua vez, foi informado pela balconista que não poderia efetuar o pagamento ali, uma vez que aquele caixa somente processava as compras com pagamento em dinheiro.

O consumidor afirmou que tentou efetuar a transação com o cartão Carrefour e tentou resolver o impasse conversando com a funcionária, mas ela foi incisiva em não receber o pagamento, mesmo depois que ele demonstrou que no local não existia nenhuma sinalização de que naquele caixa o pagamento somente seria efetuado com dinheiro em espécie.

De acordo com o consumidor, a partir daí a funcionária começou a hostilizá-lo, orientando-o a ingressar em outra fila e afirmando que ele teria ingressado naquela fila “porque quis” e porque era “intrometido”. A certa altura, passou a questionar se ele era “cego” ou “surdo”, até que a funcionária do caixa ao lado disse que ele, além de “cego e surdo”, era “bicha”. 

Os insultos teriam sido acompanhados de chacotas, risadas e imitações caricatas da voz dele, na presença da mãe e de várias pessoas. A PM foi acionada, e as duas funcionárias abandonaram o local, negando-se a oferecer explicações. Um subgerente o teria acompanhado na diligência.


Em sua defesa, o supermercado afirmou que os fatos narrados pelo consumidor não tinham sido devidamente comprovados. Afirmou ainda que não admitia falhas de seus funcionários “no que tange ao tratamento e atendimento aos seus consumidores”, não merecendo crédito os relatos registrados em boletim de ocorrência.

Contudo, em primeira instância, a 30ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte condenou o supermercado a pagar ao consumidor indenização por danos morais no valor de R$ 30 mil. O estabelecimento comercial recorreu, reiterando suas alegações e afirmando que a sentença teria se baseado em “meras e infundadas alegações”.

Responsabilidade objetiva

Ao analisar os autos, o desembargador relator, Luiz Artur Hilário, observou que o caso deveria ser tratado à luz do Código de Defesa do Consumidor (CDC), tendo em vista a relação de compra e venda de mercadoria entre as partes. “A responsabilidade civil de supermercados/hipermercados por atos praticados por seus prepostos é objetiva e somente pode ser afastada pelas excludentes previstas no CDC, dentre elas, ‘culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros’", indicou.

Na avaliação do desembargador, cabia ao supermercado o dever de indenizar o consumidor, uma vez que os fatos narrados pelo cliente haviam sido “devidamente comprovados” nos autos por meio do boletim de ocorrência e “prova testemunhal firme e clara quanto à situação manifestamente constrangedora a que o autor foi submetido”.

O desembargador afirmou ser improcedente a afirmativa de que o boletim de ocorrência não era documento hábil a comprovar os fatos, especialmente considerando que o próprio gerente do supermercado registrou sua narrativa dos fatos perante a Polícia Militar. “Ademais, o boletim de ocorrência não é prova única dos fatos narrados, cujo teor ali descrito foi ratificado fielmente pelos depoimentos colhidos na instrução processual”, acrescentou.

O magistrado observou ainda que a empresa não trouxe nos autos qualquer filmagem interna do estabelecimento que pudesse demonstrar a inexistência de tumulto ocorrido no dia. “Tudo indica que os arquivos não foram apresentados propositalmente, a fim de se esquivar de eventual condenação”, afirmou o relator.

Iguais perante a lei

Entre outros pontos, o relator afirmou que os fatos comprovados nos autos confirmavam a presença de dano moral: “Observa-se claramente que as prepostas buscaram, em público, humilhar e desrespeitar a parte autora, direcionando a ela palavras como ‘você é burro ou surdo?’ ou, ainda, ‘só poderia ser bicha mesmo’, demonstrando a intenção de ofender o consumidor perante terceiros”.

O relator afirmou ainda caber ao TJMG “reprimir de forma firme e dura a conduta ilegal praticada pela ré, de forma a tentar reparar, ao menos minimamente, os danos morais ocasionados à parte autora e, ao menos, levar a apelante à reflexão acerca da necessidade de aprimoramento do treinamento de seus colaboradores”.

Julgando adequado o valor fixado em primeira instância, tendo em vista, entre outros aspectos, as peculiaridades do caso e as condições da vítima e do ofensor, ele manteve o valor de R$ 30 mil a título de indenização por dano moral.

TJMG

Fonte: Dom Total, 22/04/2018

Casal de mulheres impedido de registrar seu bebê na Itália

segunda-feira, 23 de abril de 2018 0 comentários

Chiara Foglietta e o filho Niccolò Pietro (Facebook/Reprodução)

Vereadora italiana é impedida de registrar filho por ser lésbica
Itália só permite registros de bebês de casais heterossexuais estáveis

TURIM — As autoridades da cidade de Turim, no Norte da Itália, se recusaram a registrar um bebê de um casal de mulheres concebido por inseminação artificial. Chiara Foglietta, uma vereadora do Partido Democrático (PD), realizou o procedimento na Dinamarca e deu à luz na última sexta-feira ao menino Niccolò Pietro.
Que o mundo saiba recebê-lo na melhor das maneiras, pequeno Niccolò Pietro", escreveu Chiara em uma publicação em seu perfil do Facebook na última sexta-feira.
Como a lei italiana é restrita para o tratamento de fertilidade e só permite registros de bebês de casais heterossexuais estáveis, a vereadora e sua mulher, Micaela Ghisleni, não puderam registrar Pietro no cartório da cidade.

Chiara Foglietta e Micaela Ghisleni

A equipe (do cartório público) me disse:
Você deve declarar que teve união com um homem para registrar seu filho. Não há fórmula que permita você dizer que teve inseminação artificial", escreveu Foglietta no Facebook. "Para registrá-lo no cartório, tenho que contar uma mentira. Toda criança tem o direito de conhecer sua própria história, a combinação de eventos que a criaram", acrescentou.
A prefeita de Turim, Chiara Appendino, afirmou que a "lei atualmente não prevê o reconhecimento dos filhos e filhas de casais homossexuais na Itália". Ao jornal "Corriere della Sera", Appendino afirmou que mesmo sendo "a favor" do registro de Pietro, "os direitos dos pais e das crianças não podem ser garantidos".
Eu e Micaela vamos lhe dar as mãos a cada instante e lutaremos para que possa ter tudo o que sonha. Bem-vindo", afirmou a vereadora na rede social.
Muitos procedimentos de fertilidade permitidos em outros países da União Europeia são proibidos na Itália como, por exemplo, triagem ou congelamento de embriões. Os tratamentos fornecidos no país são disponibilizados apenas para "casais heterossexuais" que se mostram clinicamente inférteis.

Fonte: G1, 20/04/2018, via ANSA


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