Luana Piovani critica Patrícia Abravanel por declaração homofóbica #AnormalÉTeu Preconceito

terça-feira, 10 de maio de 2016 1 comentários

Luana Piovani critica Patrícia Abravanel: 'Toda forma de amor tem que ser abençoada' (Foto: AgNews/)

Luana Piovani critica Patrícia Abravanel por declaração polêmica

'Lamentável uma comunicadora privilegiada como a Patrícia dizer uma ignorância dessa' disse a atriz sobre afirmações consideradas homofóbicas.

A atriz Luana Piovani usou sua conta no Instagram nesta segunda-feira, 9, para postar uma crítica à apresentadora Patrícia Abravanel. Após a filha de Silvio Santos fazer declarações polêmicas no programa do apresentador e ser acusada de homofobia por internautas, Luana fez um vídeo para divulgar sua opinião sobre o tema.
Discordo em gênero, número e grau da Patrícia Abravanel. Acho que toda forma de amor tem que ser abençoada e aplaudida, porque o que falta no mundo é amor", disse ela no vídeo. "Se a gente tivesse mais pessoas generosas, com compaixão, ao redor do mundo, a gente não estaria vivendo tanta crueldade e violência. Acho uma coisa lamentável uma comunicadora privilegiada como a Patrícia dizer uma ignorância dessa em rede nacional", criticou.

Entenda o caso
Durante o "Programa Silvio Santos", no domingo, 8 de maio, Patrícia Abravanel falou sobre a "opção" dos jovens pela homossexualidade e causou revolta em muitos internautas.
Li numa revista que um terço dos jovens se relaciona com pessoas do mesmo sexo. Eu acho muito um terço, mesmo sem saber se a opção deles é real. Eles experimentam", disparou ela ao ser questionada pelo pai sobre a relação entre pessoas do mesmo sexo. "Acho que o jovem é muito imaturo para saber o que quer. A gente tem que firmar que homem é homem e mulher é mulher. Acho que não é legal ser superliberal", completou.
Ela seguiu com a polêmica ao dizer que o pai, o apresentador Silvio Santos, estava fazendo "propaganda indireta" do assunto e afirmou: "Você está propagando, sim. Porque não é uma coisa normal. Hoje, eu falar que sou contra, eles vão me apedrejar. Eu não sou contra o homossexualismo (sic), mas sou contra falar que é normal. E outra, mulher com mulher não é tão legal assim. Não tem aquele brinquedo que a gente gosta bastante".

Polêmica ganha as redes sociais
Nesta segunda-feira, 9, as declarações de Patrícia Abravanel na televisão amanheceram como um dos assuntos mais comentatos nas redes sociais. Seus seguidores no Instagram condenaram as declarações da apresentadora e lotaram seus posts com comentários. Em protesto contra as afirmações de Patrícia, diversos seguidores usaram a hashtag #EuSouNormal em seus comentários. Outra hashtag - #AnormalÉTeu Preconceito - começou a ser adotada na sequência por muitos internautas e por volta das 11h da manhã já ocupava o primeiro lugar nos trending topics (assuntos mais comentados) do Twitter no Brasil.

Fonte: Ego, 09/05/2015


A ausência de legislação sobre o casamento civil homossexual traz insegurança à população LGBT

sexta-feira, 6 de maio de 2016 0 comentários



“Só vamos ter paz quando houver uma lei”

Há cinco anos, STF reconheceu união homoafetiva, um marco que elevou casais gays à categoria de família e ajudou a combater estigmas. Mas ausência de legislação faz muitos temerem que seus direitos sejam postos em risco.

Um casamento pode significar amor, união e família, mas também a libertação de um preconceito. “A marca de promiscuidade que a sociedade coloca nos homossexuais é muito pesada, e o casamento tira esse estigma”, diz Flávia Marques, de 43 anos, que celebrou a união com a esposa, Vânia Cunha, de 50 anos, em 2012.

As enfermeiras tinham uma filha adotiva e viviam juntas há mais de uma década, mas a possibilidade de formalizar a relação só apareceu em 2011, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável homoafetiva – uma decisão que completa cinco anos nesta quinta-feira (05/05).

Quando soube da notícia, o casal acelerou os preparativos. “Podia ser a nossa única chance. Queríamos fazer antes que a decisão fosse revogada. Era uma questão de cidadania”, conta Flávia. Em 2013, as enfermeiras conseguiram converter a união estável em casamento.

Flávia assegura que a legalização foi um marco, que mudou até a forma como alguns parentes encaravam a relação. “Tinha uma tia que sempre torcia o nariz. Quando eu falei que ia casar, isso mexeu com a cabeça dela. Ela começou a ver a minha família com mais seriedade.”

O casamento era um sonho antigo de Flávia. Ela lembra que a festa no Rio de Janeiro, para mais de cem pessoas: teve pastor e não teve bebida alcoólica, porque as enfermeiras são evangélicas. Foram dois vestidos de noiva e dois buquês. E Luísa, a filha adotiva, entrou com as alianças.

“Foi muito emocionante. A gente já quer renovar os votos, queremos casar todo o ano”, diz Flávia, com uma gargalhada. “Estar casada é uma sensação muito boa. Às vezes eu ainda digo que a Vânia é minha companheira e ela me corrige: companheira não, esposa!”

Decisão histórica

Assim como Flávia e Vânia, milhares de casais gays assinaram papéis nos últimos anos. Em 2013 e 2014, foram celebrados 8.555 casamentos homoafetivos, de acordo com dados mais recentes do IBGE. Desde 2006, foram realizadas 9.360 uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo, segundo levantamento da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg-BR) junto ao Colégio Notarial do Brasil (CNB).

Apesar da sentença do STF ser de 2011, casais já haviam conseguido fazer a união estável em alguns estados do país. “Tinham decisões no mesmo sentido, mas elas não tinham a força de uma corte suprema, porque o STF é o responsável por interpretar a Constituição”, explica a advogada Maria Berenice Dias, presidente da comissão de diversidade sexual da Ordem dos Advogados do Brasil.

Para especialistas, o julgamento foi histórico. “Antes a sociedade tratava os gays como uma questão de sexualidade, não de afeto. Elevar à categoria de família foi muito importante”, afirma a advogada Patrícia Gorisch, presidente da comissão de direito homoafetivo do Ibdfam (Instituto Brasileiro de Direito de Família).

A partir daí, como a Constituição prevê que deve ser facilitada a conversão da união estável em casamento, vários casais gays realizaram o procedimento. Muitos pedidos foram negados até que, em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) proibiu que cartórios se recusassem a celebrar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Longa espera

A habilitação de casamento de Dália Tayguara e Eva Andrade, ambas de 45 anos, foi uma das que foram negadas nesse período. Dália, que é advogada, deu entrada no pedido em 2012, mas a aprovação só veio um ano e meio depois.

“Quando saiu o recurso, tinha um prazo de 60 dias pra casar ou a gente ia perder a habilitação. Foi uma correria dos infernos. Arrumar roupa, lugar, comida... Acabamos fazendo uma recepção para 80 pessoas, em uma segunda-feira. Teve muito parente não pôde ir e ficou xingando a gente”, diz ela, que se casou na Igreja Cristã Contemporânea, no Rio de Janeiro.

Quando formalizaram a união, Dália e Eva estavam juntas há 18 anos e tinham três filhas adotivas. “Geralmente as pessoas casam para formar uma família, nós chegamos à Igreja já quase com netos. Queríamos apenas o respeito e a dignidade de uma família”, diz Dália.

Além do reconhecimento, a advogada queria ter acesso a direitos e benefícios vinculados ao casamento, que vão desde a herança à inclusão no seguro de saúde do cônjuge.

A preocupação com a segurança jurídica é recorrente entre casais gays, que sentem seus direitos ameaçados pelo preconceito. Essa foi uma das conquistas do casamento, na opinião de Otávio de Lima, de 37 anos. Ele vivia há oito anos com o companheiro Carlos Freire, no Rio de Janeiro, quando decidiu se casar.

“Se algum dia um de nós dois faltar, parente nenhum vai vir aqui meter o pé na porta. Porque nós somos uma família reconhecida pela Justiça”, diz Otávio.

Sem lei

Apesar das conquistas, casais temem que seus direitos sejam colocados em risco. Isso porque, no Brasil, o casamento homoafetivo é reconhecido pela Justiça, mas não é previsto pela legislação. “Nós só vamos ter paz quando houver uma lei”, resume Dália.

“Entre mais de 20 países do mundo que aceitam o casamento homoafetivo, o Brasil é um dos poucos em que a decisão é da Justiça. Há uma lacuna legal, e isso é uma fragilidade”, afirma Dias, da OAB. A advogada teme a aprovação de projetos polêmicos que tramitam na Câmara dos Deputados, como o Estatuto da Família, que, na prática, impediria homossexuais de se casarem e adotarem crianças. “Seria um retrocesso enorme”, defende.

Especialistas também apontam a criminalização da homofobia como um avanço necessário e urgente. “O Brasil é campeão do mundo em crimes violentos contra LGBTs”, diz Gorisch, do Ibdfam.

Preconceito

Para as famílias, além das questões legais, é preciso enfrentar o preconceito. Elas relatam problemas recorrentes nos serviços de saúde e educação.

Dália conta que já foi convocada duas vezes na escola das filhas para explicar a dinâmica familiar. “É um ponto nervoso, porque as meninas não têm vergonha de falar que têm duas mães. Aí as professoras me chamam para saber como é criar as filhas sem uma figura paterna, se elas não vão ter nenhum abalo emocional ou problemas educacionais”, afirma.

Em centros de saúde, casais gays também passam por constrangimentos. Dália já foi obrigada a levar a certidão de nascimento da filha a um hospital, só para conseguir entrar no quarto onde a menina estava internada. E Otávio, ao ser operado de apendicite, precisou convencer a enfermeira de que seu marido não era um amigo e podia acompanhá-lo na cirurgia. “Tive muito orgulho de dizer: somos casados, ele é a minha família.”

Fonte: Terra, via Deutsche Welle, 05/05/2016

Primeiro monumento pelos direitos dos homossexuais será erguido no bairro nova-iorquino de Greenwich Village

quinta-feira, 5 de maio de 2016 0 comentários

Obama disposto a aprovar primeiro monumento aos LGBT

Obama aprovará primeiro monumento pelos direitos dos homossexuais

Washington, 3 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está disposto a aprovar o primeiro monumento nacional em reconhecimento dos direitos e contribuições sociais dos homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais, informou nesta terça-feira o jornal "The Washington Post".

Delimitado pelos espaços do histórico bairro nova-iorquino de Greenwich Village, berço da liberação e do movimento homossexual americano, o monumento ressaltará uma área urbana moderna, ao contrário da maioria dos monumentos nacionais do país, dedicados a paisagens selvagens icônicas ou locais históricos.

As autoridades federais, entre elas a secretária de Interior, Sally Jewell; o diretor do Serviço de Parques Nacionais, Jonathan B. Jarvis, e o congressista democrata por Nova York, Jerrold Nadler, participarão da próxima semana de um encontro no qual a proposta será detalhada.

Se tudo correr como esperado, segundo o jornal, Obama designará parte do bairro de Greenwich Village como Parque Nacional no próximo mês, quando se lembra o orgulho gay.

Os protestos nessa área de Nova York, que duraram vários dias, começaram na madrugada de 28 de junho de 1969, depois que a polícia fez uma batida no bar Stonewall Inn, que era frequentado pela população LGBT (em particular homens homossexuais).

A designação pode coincidir com o primeiro aniversário da decisão do Supremo Tribunal americano, de 26 de junho do ano passado, que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo no país, um marco histórico nos direitos dos homossexuais.
Fonte: Bol Notícias, 03/05/2015

Internautas querem que Elsa, de Frozen, seja primeira princesa lésbica da Disney

quarta-feira, 4 de maio de 2016 0 comentários


Let it go! Campanha quer transformar Elsa, de Frozen, na primeira princesa lésbica da Disney

Frozen – Uma Aventura Congelante é considerada uma das produções mais empoderadas do catálogo da Disney: no enredo, não há nenhuma mocinha esperando ser salva pelo príncipe encantado. O foco é a força e a relação de amor e amizade de duas irmãs, Elsa e Anna. Uma campanha na internet quer ir além, transformando a heroína da animação de maior bilheteria da história do cinema na primeira princesaLGBT.

Usando a hashtag #GivaElsaAGirlfriend (“Dê uma namorada pra Elsa”, em português), internautas querem encorajar a Disney a apresentar a princesa como lésbica na continuação da animação. O objetivo é aumentar a representação LGBT, apelando ao estúdio considerado um dos mais atentos à causa. Um de seus principais animadores, Jonathan Groff, é abertamente gay.

Mas por que não criar outro personagem gay que não Elsa? Uma explicação possível: Let it Go, a canção-tema da personagem e sucesso estrondoso, acabou virando uma espécie de hino gay entre jovens adolescentes por ser cantado por uma musa pop, a cantora Demi Lovato.

Fonte: Donna, por Dimitriu Ritter, 02/05/2016



Personagens LGBT aparecem muito pouco em filmes de Hollywood

terça-feira, 3 de maio de 2016 0 comentários


Estudo indica que representação LGBT ainda é falha em Hollywood

Dos 126 filmes lançados por grandes estúdios em 2015, apenas 22 inclui personagens LGBT.

A Aliança contra difamação de gays e lésbicas, GLAAD, divulgou nesta segunda-feira um estudo que analisou a representatividade de personagens LGBT em filmes lançados pelos grandes estúdios de Hollywood em 2015. O Studio Responsability Index (SRI), ou Índex de Responsabilidade dos Estúdios, analisou quantidade, qualidade e diversidade dos personagens LGBT inclusos no calendário de sete grandes empresas, e os resultados são pouco animadores.


Dos 126 filmes lançados por grandes estúdios, apenas 22 (17,5%) inclui personagens que se identificam como gays, lésbicas, bissexuais ou transgêneros. Em 2014, a porcentagem havia sido a mesma, com 20 dos 114 filmes analisados promovendo a inclusão.

Além disso, a pesquisa indica que a maioria dos personagens incluídos fez aparições curtas. Quase 73% dos 22 filmes incluíam menos de dez minutos de cena para os personagens LGBT, e apenas um personagem transgênero foi apresentado entre todos eles — sendo que sua presença era somente um alívio cômico na trama em questão.

A análise inclui também um sistema de notas. Para os estúdios 20th Century Fox, Lionsgate Entertainment, Sony Columbia Pictures e Universal Pictures, a nota foi A (adequado). Já a Paramount Pictures, a Walt Disney Studios e a Warner Bros. receberam F, de falho, por não terem incluído nenhum personagem LGBT. Nenhum estúdio recebeu a nota máxima, que seria bom.

Já estúdios menores afiliados (Focus Features, Fox Searchlight, Roadsite Attractions, Sony Pictures Classics. Dos 46 filmes, 22% (dez títulos) foram inclusivos, praticamente o dobro de 2014, quando 10,6% (ou seja, 5 de 47) incluíram personagens LGBT.

O estudo cita alguns títulos lançados em 2015 que são considerados bastante ofensivos por perpetuarem clichês, e entre eles estão O Durão, Padrinhos Ltda. eA Ressaca 2. A análise foi feita através do Teste Vito Russo, cujos critérios de julgamento incluem um personagem não ser predominantemente definido pela sua orientação sexual ou identidade de gênero, e ter um arco que não possa ser removido sem um autêntico efeito na história -- para evitar que possam ser mortos apenas pelo 'valor do choque'.

Fonte: Adoro Cinema, por Laysa Zanetti, 02/05/2016 

Luana: lésbica, pobre e negra, morta após espancamento policial

segunda-feira, 2 de maio de 2016 0 comentários

Luana, morta após espancamento policial

Precisamos falar sobre Luana: lésbica, pobre e negra, morta após ser espancada por PMs

Luana Barbosa dos Reis, 34 anos, saiu de casa para levar o seu filho de 14 anos para a aula. Ela morava no bairro Jardim Paiva, em Ribeirão Preto. Na esquina de sua rua, foi abordada por policiais militares. Luana não voltou naquela noite.

De acordo com informações do G1, ela morreu na quarta-feira (13), cinco dias após ter sido internada na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE). Consta na declaração de óbito que ela sofreu uma isquemia cerebral aguda causada por traumatismo crânio-encefálico.




A vizinha da mulher, que preferiu não se identificar, afirmou ao jornal da Globo que Luana foi brutalmente agredida por pelo menos seis policiais na rua onde morava.
Foi uma coisa de terrorismo que eu nunca tinha visto na minha vida. Eles foram muito violentos. Deram bastante cacetada nela, nas pernas, mas muito. Batiam com o cassetete”.
Os PMs Douglas Luiz de Paula, Fábio Donizeti Pultz e André Donizeti Camilo, do 51 Batalhão da corporação, são os suspeitos e estão sendo investigados.

Para a irmã da vítima, Roseli, tudo aconteceu muito rápido.
Foi questão de dez minutos para começarem os gritos e os tiros. Ao abrirmos o portão, já estava uma cena de guerra, com policial apontando arma, vizinhos correndo e minha irmã gritando pedindo ajuda”.
O tenente coronel da PM, Francisco Mango Neto, ouvido pelo G1, nega as agressões e informou que o motivo da abordagem era a suspeita de que Luana dirigia naquele momento uma moto roubada.

Segundo ele, a mulher "se mostrou exaltada" desde o início da conversa com os policiais e que o uso da força foi preciso para "contê-la após xingamentos".
Eu acredito que não [tenha havido excesso]. Na realidade foi para contê-la. Tanto que os policiais estavam muito mais lesionados, com cortes, e ela não. Ela foi íntegra para a delegacia, lá foi solicitado exame de corpo de delito, o qual ela deveria passar”.
Mas a versão relatada por Roseli à Ponte Jornalismo difere bastante da do policial. De acordo com a irmã, após ameaçarem ela e sua mãe, os PMs invadiram a casa em que moravam escoltando o filho de Luana e perguntaram se ela estava envolvida com o tráfico de drogas.
Os policiais não falaram por que abordaram ela e saíram de casa sem falar o que estavam procurando. Perguntei o que tinha acontecido, falaram que ela tinha agredido um policial e que estavam fazendo um procedimento normal no bairro”.
No documento oficial da delegacia, os policiais alegam que foram desacatados e agredidos pela mulher, que estava "descontrolada". Um dos policiais disse ter sofrido ferimentos na boca e o outro teve uma lesão no pé. Já Luana foi morta, com brutalidade.

À reportagem da Ponte, um familiar relatou que Luana estava só com as peças íntimas na delegacia, tinha os olhos inchados e vomitava. Foi ele quem ajudou Luana a assinar os termos, os quais ela mal podia enxergar ou ler o conteúdo. "Ela não conseguia ficar em pé, parecia o corpo de alguém que não tinha ossos”, contou.

Além de negar as denúncias feitas pela família, o coronel afirma que foi solicitado um laudo que vai apurar se a causa da isquemia foi, de fato, a violência:
Vamos apurar se esse AVE ela teve por lesão ou se teve por um outro motivo, como drogas, anabolizantes, porque ela era uma lutadora de arte marcial, bem forte.”
Passagem pela polícia e ressocialização

Para a família de Luana, ouvida pela Ponte Jornalismo, outro fator agravante do espancamento era o fato de ela ter um registro policial anterior, quando foi acusada de porte de arma e roubo. Luana deixou a prisão em 2009 e, segundo sua irmã, ela continuou os estudos e trabalhava como faxineira, garçonete e vendedora.
Ela não pode refazer a vida? Ela não tem mais direitos e nem é ser humano por ter passagem? Não tinha nenhuma acusação contra ela. Estão tentando usar o fato de ela já ter tido passagem para convencer a opinião publica de que foi merecido. Que bandido bom é bandido morto. Por que não levaram ela presa pelo desacato? Por que fizeram tudo isso com ela? Ela já estava rendida, não tinha necessidade disso."
Lesbofobia e discriminação
Para Roseli, sua irmã foi vítima de lesbofobia.
A Luana já tinha passado por preconceito antes, em uma festa com a namorada. Ela já tinha levantado a blusa uma vez pra mostrar que era mulher e não apanhar dos caras. Talvez aquela abordagem teria sido outra se ela se vestisse de maneira diferente e tivesse outra aparência. Ela dizia que não aguentava mais ser parada nas ruas daqui. Ela pagou o preço por parecer um homem negro e pobre, ela foi abordada como outros homens da periferia são."
Luana era mulher, lésbica, negra, mãe, de periferia, com passagem pela polícia. De cara, ela foi considerada culpada. Foi vítima não somente da força dos policiais, mas de uma série de violências estruturais de nossa sociedade. Como ela, infelizmente, existem milhares de mulheres que são submetidas a situações como essa. Precisamos falar sobre Luana.


Fonte: HuffPost Brasil, 26/04/2016

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