Ex-BBB Angélica Morango casou em São Paulo no último sábado

terça-feira, 24 de setembro de 2013 0 comentários

Rabyta e Angélica Morango antes da festa de despedida
 de solteira (Foto: Reprodução/Instagram)

Ex-BBB Morango se casa em São Paulo: 'Sim, eu quero, te amo'
Angélica oficializou união com a comissária de bordo Rabyta neste sábado, 21.
por Bárbara Vieira


A ex-BBB Angélica Morango se casou neste sábado, 21, com a comissária de bordo Ana Angélica, mais conhecida como Rabyta. "Sim, eu quero, te amo", escreveu ela no Twitter ao postar fotos da cerimônia de união civil, em São Paulo. "É muito raro eu chorar, mas hoje foi inevitável... Um dos momentos mais emocionantes da minha vida".

Angélica foi pedida em casamento no último Dia dos Namorados pela então namorada, que não quer revelar sua identidade porque já viu colegas de empresa serem demitidos após revelarem sua orientação sexual. Já Morango se assumiu gay em 2009 durante a participação no "Big Brother Brasil".

Antes do casamento nesta manhã, Morango curtiu a madrugada com amigas em uma festa de despedida de solteira. "Ontem rolou a nossa despedida de solteiras com amigos queridos presentes e tantos outros que não estiveram fisicamente, mas em pensamento", escreveu a ex-BBB no Twitter. Morango revelou também um bafão que ocorreu na noitada.

"Ontem na nossa despedida de solteiras, a stripper foi dançar com a Rabyta e tirou a blusa dela, mas eu não achei ruim. Ia até dar gorjeta, mas não tinha onde eu colocar a gorjeta porque ela já tava peladica. 'Baphos' da noite. Quando ela pôs roupa eu agradeci pelo entretenimento."

Procurada pelo EGO, a ex-BBB contou detalhes da união. "Eu sou muito durona, difícil eu chorar. Mas hoje me emocionei, chorei mesmo", disse ela que explicou a cerimônia foi antecipada depois que alguns casamentos gays foram negados em outros estados do Brasil. Entretanto, Angélica afirmou que ainda pretende fazer uma grande festa em novembro. Rabyta também deu sua declaração: "Agora tem um papel provando que ela é minha."

Fonte EGO, em São Paulo, 21/09/2013

Enquanto espera bebê para o próximo ano, Larissa torce pela amada Lili no Circuito de Vôlei de Praia

segunda-feira, 23 de setembro de 2013 0 comentários

Lili e Larissa no casamento de ambas em Fortaleza:
três anos juntas (Foto: Reprodução/Facebook)

Larissa sofre na torcida por Lili e admite voltar para 2016: 'Dá saudade' 
Medalhista olímpica deu pausa na carreira para se dedicar ao papel de mãe, mas se empolga com Olimpíadas e cogita retorno às areias

Por Túlio Moreira*

A torcida que lotou a arena montada na praia do Camburi, em Vitória (ES), não economizou na hora de vibrar pela capixaba Lili, que disputa o Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia ao lado da cearense Rebecca. Mas uma torcedora especial se destacava em meio à multidão. Larissa, dona de um dos currículos mais vitoriosos do esporte nacional, festejava a cada ponto da esposa Lili, que avançou às semifinais neste sábado após derrotar Val e Ângela por 2 sets a 1. A partida contra Bárbara Seixas e Ágatha foi transmitida pelo SporTV bem como a final ocorrida no domingo (22/09).

Em meio à arquibancada animadíssima da "capital do vôlei de praia", Larissa admitiu que sente saudades da areia. A medalhista de bronze em Londres 2012 interrompeu a carreira no final do ano passado, para se dedicar ao desejo de ser mãe. Grávida após realizar um tratamento de fertilização, a jogadora de 31 anos acredita que poderá voltar ao esporte em 2015, a tempo de se preparar para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, no ano seguinte.

Larissa torce por Lili no Circuito Brasileiro em Vitória:
sofrimento nas arquibancadas (Foto: Tulio Moreira)

Tenho que confessar que dá saudade sim. A arena está muito bonita, o clima do vôlei de praia é muito chamativo. Eu estava sentada ali torcendo e pensando o quanto isso tudo é legal. Eu estou curtindo o momento, mas com certeza cogito voltar. O clima está propenso para isso, a renovação, a energia das pessoas, o crescimento do vôlei de praia. Dá vontade de sentir essa adrenalina. Quem sabe eu não volte em 2015, e dê tempo de me preparar para as Olimpíadas de 2016. Eu disputei o Pan de 2007 no Rio e sei como a torcida da casa é especial. Tenho certeza que vai ser muito bacana - disse Larissa.

No entanto, a campeã mundial de 2011 é cautelosa em relação ao retorno definitivo às quadras de areia. Diante do sistema de seleções adotado pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) em janeiro deste ano, Larissa reconhece que precisaria de um tempo para se readaptar ao novo cenário. Agora, os atletas são convocados pela CBV, que estipula as duplas que disputam o Circuito Mundial.

- Eu ainda não pensei em colocar isso em prática, nem estou pensando. O vôlei de praia está vivendo um novo ciclo com esse sistema de seleção brasileira, então eu teria que me adaptar. Essa é uma conversa mais para o futuro. Eu acho que esse sistema está sendo bacana, está ajudando o voleibol brasileiro e os jogadores, é isso que vale - opinou a jogadora.

Lili conta com torcida especial de Larissa na
arquibancada de Vitória (Foto: Divulgação / CBV)
Larissa não esconde a admiração por Lili, com quem se casou no início de agosto. Sempre que possível, a veterana faz questão de acompanhar a esposa, bronze no Mundial de Vôlei de Praia de Stare Jablonki. Da torcida, procura transmitir um pouco da experiência adquirida em mais de uma década de dedicação ao vôlei de praia.

- Ser técnico é muito difícil. Eu gosto muito de ensinar, cobro bastante quando estou em quadra. Mas agora, na arquibancada, é um pouco diferente. Eu tento ajudá-las da melhor maneira possível, tenho muita experiência, são muitos anos jogando voleibol e dá para passar um pouquinho disso tudo para a Lili e a Rebecca - contou Larissa.

A ex-parceira de Juliana também não conteve a emoção diante da torcida empolgada de Vitória, e festejou o retorno do Circuito Brasileiro à praia de Camburi.

- Eu nasci em Cachoeiro do Itapemirim (interior do Espírito Santo), e tenho uma ligação muito forte com Vitória. É uma cidade marcante, respira vôlei de praia, tem muitos atletas importantes. Estou muito feliz de estar aqui agora. Estou vivendo um momento especial, é uma fase importante na carreira da Lili. Estou sofrendo um pouquinho aqui na torcida - disse a medalhista olímpica.

* O repórter viajou a convite da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV)

Fonte: Sport TV, Direto de Vitória, ES

Papa surpreende ao criticar Igreja por sua obsessão com pregações a respeito do aborto, da contracepção e da homossexualidade

sexta-feira, 20 de setembro de 2013 0 comentários

Papa Francisco, mais simpático e mais aberto ao mundo atual do que seu antecessor

Papa critica obsessão da Igreja com gays, aborto e contracepção

O papa Francisco disse em entrevista que a Igreja Católica deve abandonar sua obsessão com pregações a respeito do aborto, da contracepção e da homossexualidade sob o risco de que todo o seu edifício moral desabe "como um castelo de cartas".

Em uma conversa excepcionalmente franca com uma publicação jesuíta italiana, Francisco disse que a Igreja "se fechou em coisas pequenas, em regras tacanhas" e que não deveria ser tão ávida em condenar os outros.

Os padres, disse o papa, deveriam ser mais acolhedores, e não burocratas frios e dogmáticos. O confessionário, afirmou, "não é uma câmara de tortura, e sim um lugar em que a misericórdia do Senhor nos motiva a melhorarmos".

Seus comentários foram elogiados por católicos liberais e devem ser vistos com preocupação por conservadores. O pontífice argentino, primeiro papa não-europeu em 1.300 anos e primeiro jesuíta a ocupar o cargo, não citou a perspectiva de uma mudança iminente nos ensinamentos morais.

Mas, na longa entrevista ao padre jesuíta Antonio Spadaro, diretor da revista Civiltà Cattolica, ele disse que a Igreja precisa encontrar um novo equilíbrio entre a preservação das regras e o exercício da misericórdia. "Do contrário, até o edifício moral da Igreja deve cair como um castelo de cartas."

Francisco também acenou com a possibilidade de um maior envolvimento das mulheres na Igreja, mas deixou claro que isso não incluirá a ordenação de mulheres.

SOCIALMENTE FERIDOS

Contrariando a posição de seu antecessor, Bento 16, segundo quem a homossexualidade é um distúrbio intrínseco, Francisco disse que, ao ouvir homossexuais se queixarem que sempre foram condenados pela Igreja e que se sentiam "feridos socialmente", ele respondeu que "a Igreja não quer fazer isso".

O papa reafirmou as declarações feitas inicialmente no avião que o levou de volta à Itália após visita ao Brasil, em julho, quando disse que não poderia recriminar homossexuais que tenham boa vontade e que busquem Deus.

"A religião tem o direito de expressar sua opinião a serviço da gente, mas Deus na criação nos deixou livres. Não é possível interferir espiritualmente na vida de uma pessoa", afirmou o pontífice.

A Igreja, prosseguiu, deve se enxergar como "um hospital de campanha após uma batalha", tentando curar as feridas mais graves da sociedade, sem ficar "obcecada com a transmissão de uma multidão desconjuntada de doutrinas a serem impostas insistentemente".

O diretor do grupo liberal Fé na Vida Pública, John Gehring, disse que "este papa está resgatando a Igreja daqueles que pensam que condenar gays e se opor à contracepção define o que significa ser católico real".

"É uma mudança notável e refrescante."

Francisco mencionou as críticas contra ele no meio conservador.

"Nós não podemos insistir somente sobre questões relacionadas ao aborto, o casamento gay e o uso de métodos contraceptivos. Isso não é possível. Eu não falei muito sobre essas coisas e fui repreendido por isso", disse ele.

Na semana passada, o bispo Thomas J. Tobin, de Providence, Rhode Island, falou em nome de muitos católicos conservadores quando disse que estava desapontado que o papa não tinha abordado o "mal do aborto" mais diretamente para encorajar ativistas antiaborto.

"Acho que este é o verdadeiro início de seu pontificado", disse Massimo Faggioli, teólogo da Universidade de St. Thomas em St. Paul, Minnesota. "O quadro geral é uma Igreja que não está impondo um teste às pessoas antes mesmo de pensarem se ficam ou saem."

(Reportagem adicional de Tom Heneghan, em Paris)

Fonte: Terra, via Reuters, 19/09/2013

Pastor Marco Feliciano manda prender garotas que fizeram beijaço em um de seus cultos

quarta-feira, 18 de setembro de 2013 2 comentários

Yunka Mihura Montoro (20 anos) e Joana Arrabal Alhares Pereira (18 anos)

Feliciano manda prender garotas que deram beijo na boca durante culto

Deputado mandou polícia “dar jeitinho” em jovens que se beijaram durante protesto em evento religioso na praia de São Sebastião

SÃO PAULO - A pedido do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), duas mulheres foram detidas domingo em meio a um evento evangélico porque deram um beijo na boca. Yunka Mihura Montoro, de 20 anos, e Joana Arrabal Alhares Pereira, de 18, participavam de um protesto durante a realização do V Glorifica Litoral, em São Sebastião (SP). Feliciano, que é pastor e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, criticou as jovens, chamou os manifestantes de “cachorrinhos” e pediu que a polícia as levasse algemadas do local, uma praça pública de eventos na praia. Imagens feitas por participantes mostram as jovens sendo arrastadas até um local privado, debaixo do palco. Em depoimento à polícia, as duas disseram ter sido agredidas pelos guardas municipais.

— A Polícia Militar que aqui está dê um jeitinho naquelas duas garotas que estão se beijando. Aquelas duas meninas têm que sair daqui algemadas. Não adianta fugir, a guarda civil está indo até aí. Isso aqui não é a casa da mãe joana, é a casa de Deus — disse Feliciano, ovacionado por uma plateia estimada pela prefeitura em 70 mil pessoas.

Yunka e Joana contaram que participaram de um protesto contra o deputado e que se beijaram algumas vezes durante o culto.

— Havia outros casais se beijando no meio do culto, casais heterossexuais, e não houve problema. Nosso beijo não foi obsceno e nosso protesto era de poucas pessoas. Não fizemos barulho e guardamos os cartazes. Beijar não é crime. Ele nos chamou de “cachorrinhas”. Fiquei em choque, indignada. Não acreditava que aquilo estava mesmo acontecendo. Não esqueço que ele disse que nossas famílias deveriam ter vergonha “dessas criaturas”— disse Yunka, que explicou que o beijo era de protesto, mas também de namoro.

Joana contou que ela e Yunka foram arrastadas e agredidas. Ela teria levado três tapas na cara. Algemadas e de camburão, as duas foram para a delegacia, onde prestaram depoimento e também registraram queixa de agressão e abuso de autoridade contra a guarda municipal. Ainda na madrugada, passaram por exames de corpo de delito.

— Estou com o braço dolorido, o pulso inchado e com raiva. Me senti completamente humilhada, sendo arrastadas pela guarda com uma chave de braço. Estamos com marcas roxas até nas costelas— afirmou Joana.

O advogado Daniel Galani, que representa as jovens, disse que vai processar Feliciano e levar o caso até a Câmara dos Deputados.

— Feliciano foi preconceituoso e incitou os fiéis e os guardas contra elas. Não fizemos a queixa na hora contra ele porque, por ser deputado, o pastor tem foro privilegiado. Mas vamos processá-lo e pedir, na Câmara, que ele seja julgado por quebra de decoro. Vamos procurar também a Secretaria de Direitos Humanos do governo. Levaremos esse caso até o fim porque o aumento da violência contra os homossexuais acontece por falas como as que ele fez nesse culto — disse Galani.

Enquanto guardas detinham as jovens, Feliciano continuava a falar ao público sobre o beijo e o protesto:

— Cachorrinho que está latindo é assim: você ignora, ele para de latir. Eu imagino o pai e a mãe dessas criaturas. Imagino o amor, a felicidade que um pai e uma mãe têm de saber que seus filhos estão fazendo isso no meio de praça pública — ironizou.

O GLOBO tentou contato com a assessoria de imprensa de Feliciano, mas não obteve retorno. Em seu Twitter, o deputado defendeu a ação da guarda e disse que as jovens cometeram crime, citando o artigo 208 do código penal, que prevê pena de um mês a um ano de prisão, ou multa, para quem escarnecer ou perturbar culto religioso.

“Fazem isso contra evangélicos porque somos pacatos, de paz, mas não somos trouxas! A lei será empregada sempre que ferirem nosso direito”, escreveu o deputado, que disse ainda desconfiar de que os protestos contra ele são movidos por professores ou partidos políticos para “desestabilizar a ordem”. “Já detectamos em vários lugares que tais 'ativistas' são insuflados por professores e por partidos políticos. Ganham dinheiro para isto”, continuou o deputado em seu Twitter.

Em nota à imprensa, a Prefeitura de São Sebastião informou que o caso será averiguado pela ouvidoria e pela Corregedoria da Guarda Civil, mas defendeu as detenções. “Tendo como base o artigo 208 do Código Penal Brasileiro - que prevê pena de detenção de um mês a um ano ou multa ao cidadão que zombar de alguém publicamente por motivo de crença ou função religiosa e impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso – a Guarda Civil Municipal (GCM) agiu inicialmente conversando com as manifestantes e na tentativa de retirá-las do local com segurança – tendo em vista que o grupo corria o risco de um possível mal maior por parte de pessoas que insinuavam uma agressão - um cordão de isolamento foi preparado”, diz a nota.

O texto prossegue: “O fato é que as duas mulheres foram encaminhadas ao 1º Distrito Policial e lá o delegado de plantão decidiu registrar a ocorrência apenas como averiguação. No inicio da manhã desta segunda-feira (16), o caso começou a ser averiguado tanto na ouvidoria quanto na corregedoria da GCM que já está apurando se houve excessos por parte dos guardas que estavam no local de plantão”.

Especialistas afirmam que não há crime em beijo gay em culto
Deputado Marco Feliciano diz que houve ato de anarquia e ofensa. Associações criticam detenção de duas jovens após beijo em São Paulo

SÃO PAULO - Professores de Direito ouvidos pelo jornal O Globo afirmam que as jovens que foram parar na delegacia após se beijarem em evento evangélico em que estava presente do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) não devem ser enquadradas no crime de perturbação a culto religioso. No domingo, duas jovens de 20 e 18 anos participavam de um protesto no evento V Glorifica Litoral em uma praça pública de eventos em praia de São Sebastião (SP) e deram um beijo na boca perto do palco. Ao microfone, Feliciano, que é pastor e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, disse que a Polícia Militar deveria “dar um jeito nas meninas” e afirmou que elas deveriam sair dali algemadas. Depois, chamou as jovens de “cachorrinhos”.

As garotas afirmam que foram algemadas e levadas em um camburão para a delegacia. Elas dizem ter sido agredidas por guardas municipais. Imagens feitas pelo público mostram elas sendo arrastadas.

O deputado afirma que as duas cometeram o crime do artigo 208 do Código Penal que prevê pena de um mês a um ano de prisão para quem “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”.

Na opinião do professor de Direito Processual Penal da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Fernando Castelo Branco, não há o menor cabimento em enquadrar o ato delas como crime. Segundo ele, as garotas estavam exercendo sua liberdade de expressão através de um ato que não pode ser considerado obsceno.

— (O que elas fizeram) É diferente de eu começar a satirizar a imagem de Jesus Cristo, por exemplo. Isso é vilipêndio ao culto. O fato de ter acontecido em local público é fortalecimento de que não houve crime. Se elas tivessem entrado em um templo, subido em púlpito, aí é diferente. Se fosse um homem e uma mulher poderia ter acontecido o beijo? A classificação delas nesse crime é discriminatória — afirmou Branco.

Para o conselheiro da OAB-SP e professor da PUC-SP Carlos Kauffmann, as jovens não estavam fazendo nada vedado em lei.

— É inaplicável o artigo. Duas meninas se beijarem não é proibido, elas estavam dentro das normas. Não há proibição legal nisso — disse.

Na opinião de Kauffmann, mesmo que o beijo tivesse sido cometido em local fechado, a aplicação do artigo ainda seria questionável.

— É discutível porque tudo indica que a intenção delas não era atingir a religião dele, mas o deputado federal. O artigo visa a proteção do sentimento religioso. A intenção não era atingir o culto religioso, mas a pessoa. Elas não estavam escarnecendo a crença, mas a conduta dele como deputado federal — disse Kauffmann.

Os especialistas criticaram também o fato de a Guarda Municipal ter levado as jovens para a delegacia. Segundo Branco, a Guarda não tinha competência para fazê-lo, pois a Constituição prevê que ela atue para proteger o patrimônio público. Além disso, os professores dizem que como é um crime de menor potencial ofensivo, com pena de no máximo um ano, não é possível haver prisão em flagrante.

— Ninguém pode ser em flagrante por esse crime. Se ele estivesse caracterizado, elas deveriam ter sido convidadas a ir à delegacia, assinado um termo circunstanciado e depois o caso seguiria no juizado especial — disse Kauffmann.

O deputado Marco Feliciano disse que chamou a polícia como qualquer cidadão poderia ter chamado, pois acredita que as jovens cometeram um crime. Ele afirmou que quando pegou o microfone, as jovens subiram no ombro de dois rapazes próximos ao palco e deram um beijo lascivo de 1 minuto e meio de duração. Antes, o grupo estava com cartazes. Segundo ele, o evento religioso acontece todos os anos no local, pois não há cidade área fechada grande o suficiente para comportar as pessoas que comparecem.

— Aquela praça pública se transforma numa igreja. Independente de espaço físico, onde há uma aglomeração de pessoas que cultuam se transforma em espaço de culto. O estado inteiro sabia que era local de culto. Foi um ato de desrespeito, afronta. Causou perturbação. Havia crianças, idosos, famílias e todas as pessoas sabem que todos os religiosos não aceitam esse tipo de prática, principalmente dentro de um culto — afirmou Feliciano.

O deputado afirma que fez um favor para as garotas.

— Imagine quatro pessoas fazendo isso, ofendendo 15 mil pessoas publicamente. Elas correram risco grave ali de linchamento. Acionei a Guarda, pedi que retirassem elas, pois elas estavam afrontando. Pedi que cumprissem a lei — afirmou Feliciano.

O parlamentar afirmou que o locutor do evento já havia pedido que não fossem realizadas ações contra o culto.

— (As jovens) Fizeram isso só por anarquia — disse. — O coração deles estava cheio de ódio, só pode ser isso. Querem fazer, façam no local certo, não dentro de um culto. Ali naquele momento não era uma praça pública, tinha um palco, havia sido feita ação — completou Feliciano.

Segundo o parlamentar, beijo em local de culto só é permitido na cerimônia de casamento entre homem e mulher e a Constituição Federal também protege o direito de culto. Ele comentou a possibilidade de as jovens estarem querendo atacá-lo e não a religião dele.

— É impossível protestar contra mim sem protestar contra a minha religião, porque eu defendo o que a minha religião defende. Ali não estava o deputado, estava o pastor pregando — afirmou Feliciano.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos afirmou que apenas usou uma expressão popular ao afirmar, no momento em que as jovens eram abordadas pela Guarda, que “cachorrinho” que está latindo deve ser ignorado para parar de latir. Feliciano disse que sua intenção não foi comparar ninguém a um cachorro.

— Mais uma vez estou sendo colocado como vilão da história — afirmou Feliciano.

Na segunda-feira, a prefeitura de São Sebastião, em nota à imprensa, defendeu a detenção das jovens com base na lei que condena ofensas a cultos religiosos e disse que está apurando se houve excesso por parte dos agentes.

Nesta terça-feira, entidades de defesa dos direitos de gays, lésbicas, travestis e transsexuais criticaram a detenção das duas jovens.

— Isso é um absurdo. Manifestação de afeto não é crime no país. Isso só demonstra a forma fascista como esse deputado tem se posicionado frente à nossa comunidade. A Guarda agiu errado, pois não havia nada que pudesse ser motivo de detenção — criticou Carlos Magno, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

Magno disse que pretende entrar em contato com as jovens detidas e não descarta a possibilidade de pedir a deputados que defendem a comunidade LGBT para que entrem com pedido de quebra de decoro na Câmara dos Deputados. O advogado das jovens afirmou que vai processar Feliciano e levar o caso à Câmara e à Secretaria de Direitos Humanos da presidência da República.

Para Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, o que causou mais espanto não foi a atitude do deputado, mas sim o fato de a Guarda Municipal ter levado as garotas para a delegacia algemadas.

— Marco Feliciano já mostrou que é uma pessoa desinformada, de puro preconceito. Mas o que assustou mais foi o fato de a Guarda, que tem que ficar a serviço do povo, que é paga pelo povo, acatar e prender pelo simples afeto público. Os casais heterossexuais também vão ser presos porque se beijam? Se o beijo público for um crime, nós não vamos ter mais local suficiente para prender as pessoas — afirmou Quaresma.

Na opinião de Quaresma, a detenção é grave especialmente por ter acontecido em local público:

— Se ele (Feliciano) não quer ver ninguém se beijando no culto dele, que faça o culto dentro da igreja. A rua é pública.

Na opinião do presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira, a atuação de Feliciano tem incentivado crimes contra homossexuais.

— Quem tem que ser preso é o Feliciano, porque ele tem sido uma espécie de mentor intelectual durante anos. Ele tem que ser responsabilizado por crimes que que estão sendo realizados contra a comunidade LGBT. Vivemos em um estado laico e as pessoas têm o direito de ir e vir — disse Cerqueira.

Fonte: O Globo, 17/09/2013, Tatiana Farah e Marcelle Ribeiro

Comissão moçambicana de Direitos Humanos defende legalização de associação de homossexuais

terça-feira, 17 de setembro de 2013 0 comentários

Comissão moçambicana de Direitos Humanos defende legalização da associação de homossexuais

O presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos de Moçambique, Custódio Duma, defendeu na quarta-feira, em Maputo, não haver "nenhum impedimento legal" para que o Ministério da Justiça legalize a associação moçambicana de defesa dos homossexuais.

Apesar de existir, de facto, há vários anos, a Associação Moçambicana para a Defesa das Minorias Sexuais (LAMBDA) não é juridicamente reconhecida pelo Governo moçambicano, que mantém sem resposta um pedido para a legalização do organismo.

Falando num debate dedicado ao tema "União de pessoas do mesmo sexo e os direitos fundamentais", promovido pela Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), o presidente da Comissão dos Direitos Humanos de Moçambique, entidade criada pelo Estado moçambicano, disse que não vê "nenhum impedimento legal" para que o Ministério da Justiça de Moçambique legalize a LAMBDA.

"Não encontro nenhum impedimento para o registo da LAMBDA. Se ela fosse legalizada, não poria em causa os interesses que as leis do país entendem que devem ser acautelados pelas associações, como a segurança do Estado e a harmonia social", disse Custódio Duma.

O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, considerado "inexistente" à luz da lei civil moçambicana, não seria apenas permitido pelo facto de o Estado reconhecer a existência da LAMBDA, acrescentou Duma.

"Legalizar a LAMBDA não é legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O tema casamento não vem a calhar apenas com a existência da LAMBDA", assinalou.

Para o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, a permissão do casamento homossexual em Moçambique "é uma questão de tempo", porque o país tem um quadro legal que abre portas a essa possibilidade no futuro.

Apesar de não abertamente assumidos, têm sido relatados casos de casais homossexuais moçambicanos que vão à vizinha África do Sul registar civilmente as suas uniões, dada a impossibilidade legal de o fazerem em Moçambique.

Fonte: PMA // MLL, Lusa/Fim, Agência Lusa, 11/09, 2013

Ala gay para presidiários homossexuais na Paraíba

segunda-feira, 16 de setembro de 2013 2 comentários

Joândalo Fátimo, 23, (de vermelho) com outros presos
 na ala exclusiva para homossexuais em penitenciária na Paraíba

Presídios da Paraíba têm alas exclusivas para homossexuais
Presos gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis da Paraíba têm à disposição deste o início do mês alas exclusivas nos três principais presídios do Estado.

Presos gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis da Paraíba têm à disposição deste o início do mês alas exclusivas nos três principais presídios do Estado.

A medida, inédita no país, foi adotada após denúncias de abusos sexuais e violência física e psicológica, principalmente contra os travestis.

Os abusos foram denunciados pela Comissão Estadual de Direitos Humanos, que constatou casos de violência em vistorias em maio e junho.

Numa primeira etapa, dois presídios em João Pessoa e outro em Campina Grande, no interior do Estado, ganharam essas alas separadas. Cerca de 40 presos já solicitaram ingresso aos setores.

Segundo o secretário de Administração Penitenciária, Walber Virgolino, a proposta é levar o projeto a todos os presídios (18 penitenciárias e 61 cadeias públicas) até o próximo ano, inclusive com a construção de pavilhões exclusivos.

“As pessoas têm o direito de escolher com quem querem se relacionar. Precisávamos acabar com essas violações”, afirma o secretário.

O presidente da comissão da diversidade sexual da seção local da OAB, José de Melo Neto, diz que o novo sistema possibilita “tratamento humanizado” aos presos.

Integrante dessa comissão do governo do Estado e presidente de entidade LGBT, Renan Palmeira afirma que a iniciativa é um avanço. “Com a ala separada, eles ganham cidadania e respeito. Passam a ser tratados pelo nome social e a ter direitos antes negados, como visitas íntimas.”

O advogado especialista em criminalística Sheyner Asfora disse que a iniciativa é importante, mas expõe a falta de controle estatal.”Isso deixa claro que quem determina as regras nos presídios são os próprios presos.”

‘MUITO MELHOR’

Na penitenciária do Roger, em João Pessoa, a criação de uma ala foi bem recebida pelas cinco transexuais e dois homossexuais que atualmente dividem uma cela.

Joandalo Fátimo, 23, cumpre pena de quatro anos por roubo e diz que a medida reduziu a violência na unidade.

“Estou preso pela terceira vez e já fui agredido por não aceitar fazer sexo com outro preso. Na fila do almoço, ele me empurrou contra a grade e cortou meu rosto”, afirma.

A transexual Luana Lucrécio, 30, quatro anos de prisão por assalto, diz que está “muito melhor” no presídio.

“Erramos e estamos pagando, mas temos que ser tratados com respeito. Está muito melhor, mesmo sabendo que a homofobia e o preconceito estão longe de acabar.”

Fonte: Atualidades do Direito, via Folha de São Paulo, 13 de set. 2013

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