Papa surpreende ao criticar Igreja por sua obsessão com pregações a respeito do aborto, da contracepção e da homossexualidade

sexta-feira, 20 de setembro de 2013 0 comentários

Papa Francisco, mais simpático e mais aberto ao mundo atual do que seu antecessor

Papa critica obsessão da Igreja com gays, aborto e contracepção

O papa Francisco disse em entrevista que a Igreja Católica deve abandonar sua obsessão com pregações a respeito do aborto, da contracepção e da homossexualidade sob o risco de que todo o seu edifício moral desabe "como um castelo de cartas".

Em uma conversa excepcionalmente franca com uma publicação jesuíta italiana, Francisco disse que a Igreja "se fechou em coisas pequenas, em regras tacanhas" e que não deveria ser tão ávida em condenar os outros.

Os padres, disse o papa, deveriam ser mais acolhedores, e não burocratas frios e dogmáticos. O confessionário, afirmou, "não é uma câmara de tortura, e sim um lugar em que a misericórdia do Senhor nos motiva a melhorarmos".

Seus comentários foram elogiados por católicos liberais e devem ser vistos com preocupação por conservadores. O pontífice argentino, primeiro papa não-europeu em 1.300 anos e primeiro jesuíta a ocupar o cargo, não citou a perspectiva de uma mudança iminente nos ensinamentos morais.

Mas, na longa entrevista ao padre jesuíta Antonio Spadaro, diretor da revista Civiltà Cattolica, ele disse que a Igreja precisa encontrar um novo equilíbrio entre a preservação das regras e o exercício da misericórdia. "Do contrário, até o edifício moral da Igreja deve cair como um castelo de cartas."

Francisco também acenou com a possibilidade de um maior envolvimento das mulheres na Igreja, mas deixou claro que isso não incluirá a ordenação de mulheres.

SOCIALMENTE FERIDOS

Contrariando a posição de seu antecessor, Bento 16, segundo quem a homossexualidade é um distúrbio intrínseco, Francisco disse que, ao ouvir homossexuais se queixarem que sempre foram condenados pela Igreja e que se sentiam "feridos socialmente", ele respondeu que "a Igreja não quer fazer isso".

O papa reafirmou as declarações feitas inicialmente no avião que o levou de volta à Itália após visita ao Brasil, em julho, quando disse que não poderia recriminar homossexuais que tenham boa vontade e que busquem Deus.

"A religião tem o direito de expressar sua opinião a serviço da gente, mas Deus na criação nos deixou livres. Não é possível interferir espiritualmente na vida de uma pessoa", afirmou o pontífice.

A Igreja, prosseguiu, deve se enxergar como "um hospital de campanha após uma batalha", tentando curar as feridas mais graves da sociedade, sem ficar "obcecada com a transmissão de uma multidão desconjuntada de doutrinas a serem impostas insistentemente".

O diretor do grupo liberal Fé na Vida Pública, John Gehring, disse que "este papa está resgatando a Igreja daqueles que pensam que condenar gays e se opor à contracepção define o que significa ser católico real".

"É uma mudança notável e refrescante."

Francisco mencionou as críticas contra ele no meio conservador.

"Nós não podemos insistir somente sobre questões relacionadas ao aborto, o casamento gay e o uso de métodos contraceptivos. Isso não é possível. Eu não falei muito sobre essas coisas e fui repreendido por isso", disse ele.

Na semana passada, o bispo Thomas J. Tobin, de Providence, Rhode Island, falou em nome de muitos católicos conservadores quando disse que estava desapontado que o papa não tinha abordado o "mal do aborto" mais diretamente para encorajar ativistas antiaborto.

"Acho que este é o verdadeiro início de seu pontificado", disse Massimo Faggioli, teólogo da Universidade de St. Thomas em St. Paul, Minnesota. "O quadro geral é uma Igreja que não está impondo um teste às pessoas antes mesmo de pensarem se ficam ou saem."

(Reportagem adicional de Tom Heneghan, em Paris)

Fonte: Terra, via Reuters, 19/09/2013

Pastor Marco Feliciano manda prender garotas que fizeram beijaço em um de seus cultos

quarta-feira, 18 de setembro de 2013 2 comentários

Yunka Mihura Montoro (20 anos) e Joana Arrabal Alhares Pereira (18 anos)

Feliciano manda prender garotas que deram beijo na boca durante culto

Deputado mandou polícia “dar jeitinho” em jovens que se beijaram durante protesto em evento religioso na praia de São Sebastião

SÃO PAULO - A pedido do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), duas mulheres foram detidas domingo em meio a um evento evangélico porque deram um beijo na boca. Yunka Mihura Montoro, de 20 anos, e Joana Arrabal Alhares Pereira, de 18, participavam de um protesto durante a realização do V Glorifica Litoral, em São Sebastião (SP). Feliciano, que é pastor e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, criticou as jovens, chamou os manifestantes de “cachorrinhos” e pediu que a polícia as levasse algemadas do local, uma praça pública de eventos na praia. Imagens feitas por participantes mostram as jovens sendo arrastadas até um local privado, debaixo do palco. Em depoimento à polícia, as duas disseram ter sido agredidas pelos guardas municipais.

— A Polícia Militar que aqui está dê um jeitinho naquelas duas garotas que estão se beijando. Aquelas duas meninas têm que sair daqui algemadas. Não adianta fugir, a guarda civil está indo até aí. Isso aqui não é a casa da mãe joana, é a casa de Deus — disse Feliciano, ovacionado por uma plateia estimada pela prefeitura em 70 mil pessoas.

Yunka e Joana contaram que participaram de um protesto contra o deputado e que se beijaram algumas vezes durante o culto.

— Havia outros casais se beijando no meio do culto, casais heterossexuais, e não houve problema. Nosso beijo não foi obsceno e nosso protesto era de poucas pessoas. Não fizemos barulho e guardamos os cartazes. Beijar não é crime. Ele nos chamou de “cachorrinhas”. Fiquei em choque, indignada. Não acreditava que aquilo estava mesmo acontecendo. Não esqueço que ele disse que nossas famílias deveriam ter vergonha “dessas criaturas”— disse Yunka, que explicou que o beijo era de protesto, mas também de namoro.

Joana contou que ela e Yunka foram arrastadas e agredidas. Ela teria levado três tapas na cara. Algemadas e de camburão, as duas foram para a delegacia, onde prestaram depoimento e também registraram queixa de agressão e abuso de autoridade contra a guarda municipal. Ainda na madrugada, passaram por exames de corpo de delito.

— Estou com o braço dolorido, o pulso inchado e com raiva. Me senti completamente humilhada, sendo arrastadas pela guarda com uma chave de braço. Estamos com marcas roxas até nas costelas— afirmou Joana.

O advogado Daniel Galani, que representa as jovens, disse que vai processar Feliciano e levar o caso até a Câmara dos Deputados.

— Feliciano foi preconceituoso e incitou os fiéis e os guardas contra elas. Não fizemos a queixa na hora contra ele porque, por ser deputado, o pastor tem foro privilegiado. Mas vamos processá-lo e pedir, na Câmara, que ele seja julgado por quebra de decoro. Vamos procurar também a Secretaria de Direitos Humanos do governo. Levaremos esse caso até o fim porque o aumento da violência contra os homossexuais acontece por falas como as que ele fez nesse culto — disse Galani.

Enquanto guardas detinham as jovens, Feliciano continuava a falar ao público sobre o beijo e o protesto:

— Cachorrinho que está latindo é assim: você ignora, ele para de latir. Eu imagino o pai e a mãe dessas criaturas. Imagino o amor, a felicidade que um pai e uma mãe têm de saber que seus filhos estão fazendo isso no meio de praça pública — ironizou.

O GLOBO tentou contato com a assessoria de imprensa de Feliciano, mas não obteve retorno. Em seu Twitter, o deputado defendeu a ação da guarda e disse que as jovens cometeram crime, citando o artigo 208 do código penal, que prevê pena de um mês a um ano de prisão, ou multa, para quem escarnecer ou perturbar culto religioso.

“Fazem isso contra evangélicos porque somos pacatos, de paz, mas não somos trouxas! A lei será empregada sempre que ferirem nosso direito”, escreveu o deputado, que disse ainda desconfiar de que os protestos contra ele são movidos por professores ou partidos políticos para “desestabilizar a ordem”. “Já detectamos em vários lugares que tais 'ativistas' são insuflados por professores e por partidos políticos. Ganham dinheiro para isto”, continuou o deputado em seu Twitter.

Em nota à imprensa, a Prefeitura de São Sebastião informou que o caso será averiguado pela ouvidoria e pela Corregedoria da Guarda Civil, mas defendeu as detenções. “Tendo como base o artigo 208 do Código Penal Brasileiro - que prevê pena de detenção de um mês a um ano ou multa ao cidadão que zombar de alguém publicamente por motivo de crença ou função religiosa e impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso – a Guarda Civil Municipal (GCM) agiu inicialmente conversando com as manifestantes e na tentativa de retirá-las do local com segurança – tendo em vista que o grupo corria o risco de um possível mal maior por parte de pessoas que insinuavam uma agressão - um cordão de isolamento foi preparado”, diz a nota.

O texto prossegue: “O fato é que as duas mulheres foram encaminhadas ao 1º Distrito Policial e lá o delegado de plantão decidiu registrar a ocorrência apenas como averiguação. No inicio da manhã desta segunda-feira (16), o caso começou a ser averiguado tanto na ouvidoria quanto na corregedoria da GCM que já está apurando se houve excessos por parte dos guardas que estavam no local de plantão”.

Especialistas afirmam que não há crime em beijo gay em culto
Deputado Marco Feliciano diz que houve ato de anarquia e ofensa. Associações criticam detenção de duas jovens após beijo em São Paulo

SÃO PAULO - Professores de Direito ouvidos pelo jornal O Globo afirmam que as jovens que foram parar na delegacia após se beijarem em evento evangélico em que estava presente do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) não devem ser enquadradas no crime de perturbação a culto religioso. No domingo, duas jovens de 20 e 18 anos participavam de um protesto no evento V Glorifica Litoral em uma praça pública de eventos em praia de São Sebastião (SP) e deram um beijo na boca perto do palco. Ao microfone, Feliciano, que é pastor e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, disse que a Polícia Militar deveria “dar um jeito nas meninas” e afirmou que elas deveriam sair dali algemadas. Depois, chamou as jovens de “cachorrinhos”.

As garotas afirmam que foram algemadas e levadas em um camburão para a delegacia. Elas dizem ter sido agredidas por guardas municipais. Imagens feitas pelo público mostram elas sendo arrastadas.

O deputado afirma que as duas cometeram o crime do artigo 208 do Código Penal que prevê pena de um mês a um ano de prisão para quem “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”.

Na opinião do professor de Direito Processual Penal da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Fernando Castelo Branco, não há o menor cabimento em enquadrar o ato delas como crime. Segundo ele, as garotas estavam exercendo sua liberdade de expressão através de um ato que não pode ser considerado obsceno.

— (O que elas fizeram) É diferente de eu começar a satirizar a imagem de Jesus Cristo, por exemplo. Isso é vilipêndio ao culto. O fato de ter acontecido em local público é fortalecimento de que não houve crime. Se elas tivessem entrado em um templo, subido em púlpito, aí é diferente. Se fosse um homem e uma mulher poderia ter acontecido o beijo? A classificação delas nesse crime é discriminatória — afirmou Branco.

Para o conselheiro da OAB-SP e professor da PUC-SP Carlos Kauffmann, as jovens não estavam fazendo nada vedado em lei.

— É inaplicável o artigo. Duas meninas se beijarem não é proibido, elas estavam dentro das normas. Não há proibição legal nisso — disse.

Na opinião de Kauffmann, mesmo que o beijo tivesse sido cometido em local fechado, a aplicação do artigo ainda seria questionável.

— É discutível porque tudo indica que a intenção delas não era atingir a religião dele, mas o deputado federal. O artigo visa a proteção do sentimento religioso. A intenção não era atingir o culto religioso, mas a pessoa. Elas não estavam escarnecendo a crença, mas a conduta dele como deputado federal — disse Kauffmann.

Os especialistas criticaram também o fato de a Guarda Municipal ter levado as jovens para a delegacia. Segundo Branco, a Guarda não tinha competência para fazê-lo, pois a Constituição prevê que ela atue para proteger o patrimônio público. Além disso, os professores dizem que como é um crime de menor potencial ofensivo, com pena de no máximo um ano, não é possível haver prisão em flagrante.

— Ninguém pode ser em flagrante por esse crime. Se ele estivesse caracterizado, elas deveriam ter sido convidadas a ir à delegacia, assinado um termo circunstanciado e depois o caso seguiria no juizado especial — disse Kauffmann.

O deputado Marco Feliciano disse que chamou a polícia como qualquer cidadão poderia ter chamado, pois acredita que as jovens cometeram um crime. Ele afirmou que quando pegou o microfone, as jovens subiram no ombro de dois rapazes próximos ao palco e deram um beijo lascivo de 1 minuto e meio de duração. Antes, o grupo estava com cartazes. Segundo ele, o evento religioso acontece todos os anos no local, pois não há cidade área fechada grande o suficiente para comportar as pessoas que comparecem.

— Aquela praça pública se transforma numa igreja. Independente de espaço físico, onde há uma aglomeração de pessoas que cultuam se transforma em espaço de culto. O estado inteiro sabia que era local de culto. Foi um ato de desrespeito, afronta. Causou perturbação. Havia crianças, idosos, famílias e todas as pessoas sabem que todos os religiosos não aceitam esse tipo de prática, principalmente dentro de um culto — afirmou Feliciano.

O deputado afirma que fez um favor para as garotas.

— Imagine quatro pessoas fazendo isso, ofendendo 15 mil pessoas publicamente. Elas correram risco grave ali de linchamento. Acionei a Guarda, pedi que retirassem elas, pois elas estavam afrontando. Pedi que cumprissem a lei — afirmou Feliciano.

O parlamentar afirmou que o locutor do evento já havia pedido que não fossem realizadas ações contra o culto.

— (As jovens) Fizeram isso só por anarquia — disse. — O coração deles estava cheio de ódio, só pode ser isso. Querem fazer, façam no local certo, não dentro de um culto. Ali naquele momento não era uma praça pública, tinha um palco, havia sido feita ação — completou Feliciano.

Segundo o parlamentar, beijo em local de culto só é permitido na cerimônia de casamento entre homem e mulher e a Constituição Federal também protege o direito de culto. Ele comentou a possibilidade de as jovens estarem querendo atacá-lo e não a religião dele.

— É impossível protestar contra mim sem protestar contra a minha religião, porque eu defendo o que a minha religião defende. Ali não estava o deputado, estava o pastor pregando — afirmou Feliciano.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos afirmou que apenas usou uma expressão popular ao afirmar, no momento em que as jovens eram abordadas pela Guarda, que “cachorrinho” que está latindo deve ser ignorado para parar de latir. Feliciano disse que sua intenção não foi comparar ninguém a um cachorro.

— Mais uma vez estou sendo colocado como vilão da história — afirmou Feliciano.

Na segunda-feira, a prefeitura de São Sebastião, em nota à imprensa, defendeu a detenção das jovens com base na lei que condena ofensas a cultos religiosos e disse que está apurando se houve excesso por parte dos agentes.

Nesta terça-feira, entidades de defesa dos direitos de gays, lésbicas, travestis e transsexuais criticaram a detenção das duas jovens.

— Isso é um absurdo. Manifestação de afeto não é crime no país. Isso só demonstra a forma fascista como esse deputado tem se posicionado frente à nossa comunidade. A Guarda agiu errado, pois não havia nada que pudesse ser motivo de detenção — criticou Carlos Magno, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

Magno disse que pretende entrar em contato com as jovens detidas e não descarta a possibilidade de pedir a deputados que defendem a comunidade LGBT para que entrem com pedido de quebra de decoro na Câmara dos Deputados. O advogado das jovens afirmou que vai processar Feliciano e levar o caso à Câmara e à Secretaria de Direitos Humanos da presidência da República.

Para Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, o que causou mais espanto não foi a atitude do deputado, mas sim o fato de a Guarda Municipal ter levado as garotas para a delegacia algemadas.

— Marco Feliciano já mostrou que é uma pessoa desinformada, de puro preconceito. Mas o que assustou mais foi o fato de a Guarda, que tem que ficar a serviço do povo, que é paga pelo povo, acatar e prender pelo simples afeto público. Os casais heterossexuais também vão ser presos porque se beijam? Se o beijo público for um crime, nós não vamos ter mais local suficiente para prender as pessoas — afirmou Quaresma.

Na opinião de Quaresma, a detenção é grave especialmente por ter acontecido em local público:

— Se ele (Feliciano) não quer ver ninguém se beijando no culto dele, que faça o culto dentro da igreja. A rua é pública.

Na opinião do presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira, a atuação de Feliciano tem incentivado crimes contra homossexuais.

— Quem tem que ser preso é o Feliciano, porque ele tem sido uma espécie de mentor intelectual durante anos. Ele tem que ser responsabilizado por crimes que que estão sendo realizados contra a comunidade LGBT. Vivemos em um estado laico e as pessoas têm o direito de ir e vir — disse Cerqueira.

Fonte: O Globo, 17/09/2013, Tatiana Farah e Marcelle Ribeiro

Comissão moçambicana de Direitos Humanos defende legalização de associação de homossexuais

terça-feira, 17 de setembro de 2013 0 comentários

Comissão moçambicana de Direitos Humanos defende legalização da associação de homossexuais

O presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos de Moçambique, Custódio Duma, defendeu na quarta-feira, em Maputo, não haver "nenhum impedimento legal" para que o Ministério da Justiça legalize a associação moçambicana de defesa dos homossexuais.

Apesar de existir, de facto, há vários anos, a Associação Moçambicana para a Defesa das Minorias Sexuais (LAMBDA) não é juridicamente reconhecida pelo Governo moçambicano, que mantém sem resposta um pedido para a legalização do organismo.

Falando num debate dedicado ao tema "União de pessoas do mesmo sexo e os direitos fundamentais", promovido pela Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), o presidente da Comissão dos Direitos Humanos de Moçambique, entidade criada pelo Estado moçambicano, disse que não vê "nenhum impedimento legal" para que o Ministério da Justiça de Moçambique legalize a LAMBDA.

"Não encontro nenhum impedimento para o registo da LAMBDA. Se ela fosse legalizada, não poria em causa os interesses que as leis do país entendem que devem ser acautelados pelas associações, como a segurança do Estado e a harmonia social", disse Custódio Duma.

O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, considerado "inexistente" à luz da lei civil moçambicana, não seria apenas permitido pelo facto de o Estado reconhecer a existência da LAMBDA, acrescentou Duma.

"Legalizar a LAMBDA não é legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O tema casamento não vem a calhar apenas com a existência da LAMBDA", assinalou.

Para o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, a permissão do casamento homossexual em Moçambique "é uma questão de tempo", porque o país tem um quadro legal que abre portas a essa possibilidade no futuro.

Apesar de não abertamente assumidos, têm sido relatados casos de casais homossexuais moçambicanos que vão à vizinha África do Sul registar civilmente as suas uniões, dada a impossibilidade legal de o fazerem em Moçambique.

Fonte: PMA // MLL, Lusa/Fim, Agência Lusa, 11/09, 2013

Ala gay para presidiários homossexuais na Paraíba

segunda-feira, 16 de setembro de 2013 2 comentários

Joândalo Fátimo, 23, (de vermelho) com outros presos
 na ala exclusiva para homossexuais em penitenciária na Paraíba

Presídios da Paraíba têm alas exclusivas para homossexuais
Presos gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis da Paraíba têm à disposição deste o início do mês alas exclusivas nos três principais presídios do Estado.

Presos gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis da Paraíba têm à disposição deste o início do mês alas exclusivas nos três principais presídios do Estado.

A medida, inédita no país, foi adotada após denúncias de abusos sexuais e violência física e psicológica, principalmente contra os travestis.

Os abusos foram denunciados pela Comissão Estadual de Direitos Humanos, que constatou casos de violência em vistorias em maio e junho.

Numa primeira etapa, dois presídios em João Pessoa e outro em Campina Grande, no interior do Estado, ganharam essas alas separadas. Cerca de 40 presos já solicitaram ingresso aos setores.

Segundo o secretário de Administração Penitenciária, Walber Virgolino, a proposta é levar o projeto a todos os presídios (18 penitenciárias e 61 cadeias públicas) até o próximo ano, inclusive com a construção de pavilhões exclusivos.

“As pessoas têm o direito de escolher com quem querem se relacionar. Precisávamos acabar com essas violações”, afirma o secretário.

O presidente da comissão da diversidade sexual da seção local da OAB, José de Melo Neto, diz que o novo sistema possibilita “tratamento humanizado” aos presos.

Integrante dessa comissão do governo do Estado e presidente de entidade LGBT, Renan Palmeira afirma que a iniciativa é um avanço. “Com a ala separada, eles ganham cidadania e respeito. Passam a ser tratados pelo nome social e a ter direitos antes negados, como visitas íntimas.”

O advogado especialista em criminalística Sheyner Asfora disse que a iniciativa é importante, mas expõe a falta de controle estatal.”Isso deixa claro que quem determina as regras nos presídios são os próprios presos.”

‘MUITO MELHOR’

Na penitenciária do Roger, em João Pessoa, a criação de uma ala foi bem recebida pelas cinco transexuais e dois homossexuais que atualmente dividem uma cela.

Joandalo Fátimo, 23, cumpre pena de quatro anos por roubo e diz que a medida reduziu a violência na unidade.

“Estou preso pela terceira vez e já fui agredido por não aceitar fazer sexo com outro preso. Na fila do almoço, ele me empurrou contra a grade e cortou meu rosto”, afirma.

A transexual Luana Lucrécio, 30, quatro anos de prisão por assalto, diz que está “muito melhor” no presídio.

“Erramos e estamos pagando, mas temos que ser tratados com respeito. Está muito melhor, mesmo sabendo que a homofobia e o preconceito estão longe de acabar.”

Fonte: Atualidades do Direito, via Folha de São Paulo, 13 de set. 2013

Freira larga mosteiro para casar com vendedora

sábado, 14 de setembro de 2013 0 comentários

Lúcia Janaína Pinheiro e Francineide Moura oficializaram
união estável em julho (Foto: Arquivo Pessoal)

Ex-freira se casa com companheira após seis meses de namoro no RN
Francineide Moura tomou novo rumo após anos de dedicação à Igreja. Casamento está marcado para esta sexta (6), em São José de Mipibu.

Foi um longo tempo de dedicação às orações até que a freira Maria Francineide Silva de Moura, de 43 anos, decidisse tomar um novo rumo na vida. No entanto, a decisão de deixar o mosteiro na cidade paulista de Marília para voltar ao Rio Grande do Norte só ganhou sentido de revelação quando há seis meses ela começou um relacionamento amoroso com a vendedora Lúcia Janaína Pinheiro, de 37 anos. Nesta sexta-feira (6), a nova fase será oficializada com o casamento das duas na cidade de São José de Mipibu, na Grande Natal.

"Ninguém se torna assim. Você já nasce com isso", afirma a ex-freira, que agora dá aulas a alunos do ensino fundamental de uma escola de São José de Mipibu. Potiguares de Natal e Mossoró, Francineide e Janaína se conheceram na adolescência. Porém, a paixão entre as duas só foi descoberta quando elas se encontraram na casa de uma amiga em comum. "A minha família foi aceitando com naturalidade depois de um tempo. Na dela, o impacto foi maior. A sociedade diz que não é preconceituosa, mas o preconceito aparece quando acontece dentro de casa ", relata.

Para a professora, a religião serviu como refúgio na juventude. "Foi uma forma de esconder minha sexualidade. Não me sentia atraída por meninos", explica. Francineide começou a se preparar para os serviços religiosos aos 16 anos. Com 29, o caminho foi o mosteiro de Marília, onde ficou em clausura por três anos se dedicando às orações. "Uma hora vi que aquilo não tinha nada a ver comigo", conta Francineide, que deixou a vida de freira há pouco mais de uma década (O tema desta reportagem foi sugerido ao G1 por um leitor. Encaminhe também sua colaboração pelo VC no G1).

A decisão, segundo ela, foi dolorosa. Assim como o processo para assumir a homossexualidade, o que só veio a acontecer neste ano, quando reencontrou a amiga Janaína. Tema tabu quando se trata de Igreja Católica, Francineide explica que a homossexualidade não abalou suas crenças. "Acredito nos dogmas, mas não posso viver me anulando. Só busco a minha felicidade", diz.

Para o casamento desta sexta, os planos são simples. "Vamos casar no cartório e depois haverá uma comemoração com salgados e refrigerante", diz, animada, a ex-freira.

saiba mais
'Estamos protegidos', diz casal gay com casamento reconhecido no RN

Fonte: Felipe Gibson, Do G1 RN, 06/09/2013

Namorada de Maria Gadú se declara para a cantora em foto no Instagram

sexta-feira, 13 de setembro de 2013 1 comentários

Lua Leça declarou seu amor Maria Gadú em rede social

Namorada posta foto beijando Maria Gadú e se declara para a cantora
Namorada de Maria Gadú , a
produtora de moda Lua Leça declarou seu amor pela cantora postando uma foto no Instagram das duas se beijando apaixonadamente. “Minha mulher! Quem se incomodar se retire... a vida é de alegrias sem remendo!”, escreveu Lua na rede social, no último sábado (07).

Recentemente, Gadú revelou publicamente que estava casada com Lua numa entrevista ao jornal O Dia.

“Estou casada com a Lua vai fazer um ano. Não tenho problemas em falar sobre isso. Acho supernatural, é uma coisa que a gente abre para os outros. Somos um casal mesmo, não tem o que esconder. Moramos juntas, trabalhamos juntas e saímos juntas”, declarou a cantora à publicação.

Gadú também disse que não gosta de se prender a rótulos. “Vivo uma vida normal e eu não encaro esse lance da sexualidade como notícia. Saber se sou gay, hétero ou bi não vai mudar a vida de ninguém, nem a minha”.

Produtora de moda, Lua está ajudando Gadú a reinventar o jeito de se vestir . A cantora quer abandonar o antigo look mais largado para investir num estilo mais amadurecido.

Fonte: iG São Paulo, 10/09/2013 

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