Novo livro resgata a perseguição aos LGBT pelo nazismo

quinta-feira, 18 de julho de 2013 0 comentários


Alexandre Adoni, do blog Volta ao Mundo, fez pequena resenha sobre Branded by the Pink Triangle (Marcados pelo Triângulo Rosa) novo livro do autor canadense Ken Setterington que trata do tema da perseguição empreendida pelo nazismo contra homossexuais. Para ilustrar o assunto, seguem dois filmes completos sobre amores LGBT durante o período nazista: Bent, citado por Adoni, e Aimee y Jaguar (ver resenha Lilly e Felice: Paixão Louca na Berlim Nazista). No caso de Aimée & Jaguar, infelizmente a versão completa está com legendas em inglês, podendo ser trocada para em português, com as limitações inerentes a esse tipo de tradução (fora a dublagem). Mas vale o esforço.

Marcados pelo triângulo rosa: Novo livro fala sobre comunidade LGBT alemã antes do nazismo


“Branded by the Pink Triangle” (“Marcados pelo Triângulo Rosa”) é o mais novo livro do autor canadense Ken Setterington, lançado no primeiro semestre deste ano. Ele, que se define como “metade judeu”, foi buscar histórias da Alemanha pré-regime nazista e conta ao leitor que até cerca de 1920, o país germânico, especialmente Berlim, era um dos lugares mais tolerantes do mundo para ser homossexual.

Setterington inclusive destaca dois ativistas daquele tempo: o romancista Thomas Mann (casado com Kafka) e o físico judeu-alemão Albert Einstein (que era hétero), como figuras importantes na luta pelos direitos LGBT’s e defendiam o banimento de lei contra a homossexualidade. Cenário que mudou drasticamente com a chegada dos nazistas ao poder e a prisão e execução de judeus, ciganos e homossexuais.

Para quem pensa que a bandeira do arco-íris sempre foi o único símbolo da comunidade LGBT, o livro é leitura interessante para entender o nascimento do triângulo rosa, que era costurado nos uniformes para identificar quem era homossexual nos campos de concentração.

“Branded by the Pink Triangle” não tem edição em português e pode ser facilmente encontrado na versão original em inglês nas livrarias on-line.

PARA ENTENDER MAIS SOBRE O ASSUNTO

Assista “Bent”, peça de teatro aclamadérrima, que virou filme com Mick Jagger fazendo papel de drag nazi descendo de um balanço. É claro que é muito mais do que isso! Trata-se da história de amor entre dois prisioneiros homossexuais em um campo de concentração, bem resumidamente falando. Tem que ver!

Casamento LGBT legalizado na Grã-Bretanha com aprovação da rainha

quarta-feira, 17 de julho de 2013 0 comentários

God Save The Queen” (Deus Salve a Rainha)

A rainha Elizabeth II aprovou nesta quarta-feira o casamento gay na Grã-Bretanha. A decisão é o último passo para a legalização, que já havia obtido sucesso na Câmara do Lordes e na Câmara dos Comuns. 

A aprovação na Câmara dos Comuns do Parlamento britânico ocorreu no fim da terça-feira, após cerca de duas horas de debate. Foram 390 votos a favor e 148 contra.

"É um momento histórico, que repercutirá na vida de muitas pessoas. Estou muito orgulhosa que o tenhamos tornado possível", afirmou a ministra da Cultura, Maria Miller, cuja pasta elaborou o texto.

Os primeiros casamentos só poderão ser realizados a partir do próximo ano porque o governo tem de resolver algumas questões administrativas, como o efeito sobre as pensões.

O texto foi impulsionado pelo primeiro-ministro britânico David Cameron, apesar da oposição dentro de seu próprio Partido Conservador. O texto quase não provocou debate na opinião pública, majoritariamente favorável.

Os deputados decidiram não se opor a uma série de emendas menores ao projeto de lei propostas pela Câmara dos Lordes, e deixar assim livre o caminho para o casamento gay na Inglaterra e em Gales.

Para os britânicos, a mudança é principalmente simbólica, porque os casais gays têm os mesmos direitos de paternidade que os heterossexuais e podem adotar, recorrer à procriação medicamente assistiada e a uma mãe de aluguel, desde que não seja remunerada. Desde 2005 também existe a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

A lei permite que organizações religiosas optem por realizar casamentos gays. No entanto, a Igreja da Inglaterra e a Igreja de Gales seguem proibindo este tipo de cerimônia. A lei ainda concede proteção especial para casais transgêneros, que poderão trocar de sexo e continuar casados.

A decisão torna a Grã-Bretanha o décimo país europeu a aprovar a união entre pessoas do mesmo sexo, juntando-se a Portugal, Espanha, França, Holanda, Bélgica, Dinamarca, Noruega, Suécia e Islândia.

Fonte: Terra, 17 de Julho de 2013

Bancos mudam regras de licença paternidade para incluir gays

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Rafael Gerhardt (à esq.) e Lucimar Quadros da Silva, com seu filho João Vitor

Bancos mudam regras de licença para incluir gays

DERLA CARDOSO

Como forma de reter e atrair bons profissionais, bancos estão mudando suas políticas de licenças paternidade e adoção. O objetivo é estender o direito a funcionários homossexuais.

O HSBC anunciou no mês passado que homens que estiverem em uma união estável homoafetiva e adotarem crianças com até oito anos de idade poderão ficar 30 dias sem ter que ir ao trabalho.

Empregados viúvos e solteiros também passaram a ter o direito.

Desde de 2007, a empresa já permitia incluir o parceiro nos planos de saúde, odontológico e de previdência.

"Queremos atrair pessoas e que os funcionários que já estão aqui se sintam mais confortáveis na empresa", diz Ivana Linsingen, superintendente de RH da empresa.

No Banco do Brasil, a licença adoção é oficial desde 2009. São 30 dias para os homens e 180 para as mulheres.

"A diferença existe porque a lei já trata da questão da licença maternidade, mas não do caso dos homens", afirma Carlos Alberto Araújo Netto, diretor de gestão de pessoas da instituição.

Mas, para a diretora de diversidade da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos), Jorgete Leite Lemos, a maioria das empresas ainda não está preparada para lidar com o tema.

"Os departamentos vão se surpreender porque essa é uma demanda reprimida. Os gestores não sabem tratar desses assuntos e isso não deve mudar com um treinamento de fim de semana", afirma.

Na visão dela, o benefício é um fator de retenção de profissionais. "Hoje, se o funcionário não está contente, procura outra companhia."

Para advogado Luiz Kignel, especialista em direito de família, as corporações passaram a ser obrigadas a garantir os benefícios desde 2011, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu que pessoas do mesmo sexo podem ter regime de união estável. "Essa decisão se aplica para tudo. Os casais têm direito e essa igualdade é um caminho sem volta", afirma.

De acordo com Kignel, os funcionários que tiverem os pedidos negados devem entrar na Justiça.

Em alguns casos, o processo é demorado. Lucimar Quadros da Silva, 48, funcionário do Banrisul, adotou João Vitor quando o menino tinha três meses. Assim que o documento da adoção saiu, o analista conseguiu uma licença paternidade e ficou em casa por quatro dias.

Após o período, ele teve que entrar com um pedido de licença maternidade para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que foi negado em uma semana.

O casal recorreu e só após dois anos teve a aprovação final. Como resultado, Silva obteve uma licença de quatro meses. A empresa ainda concedeu-lhe mais 60 dias.

MUNDO NOVO

A falta de clareza nas leis deixa as empresas sem parâmetros diante dos pedidos. No Citi, existem 11 casos de união estável, mas até agora não foram registrados requerimentos de licença adoção.

"Essa não é nenhuma barreira para nós. Mas, como nunca aconteceu teríamos que consultar para checar a melhor maneira de tratar o caso", explica Andrea Aikawa, superintendente de RH da organização.

Atualmente, a empresa permite a inclusão de dependentes nos convênios.

Para solicitar os benefícios, não é preciso comunicar o chefe do departamento. Basta avisar o RH.

Guilherme Gonçalves, 26, analista de planejamento de vendas, é um dos funcionários que se beneficiam da política. Ele colocou o parceiro no plano de saúde e no seguro de vida corporativos.

Ele afirma que esses direitos estão entre os fatores que o motivam a continuar na companhia.

"No momento de tomar alguma decisão [de troca de emprego], colocaria esse aspecto na ponta do lápis."

Fonte: Folha de São Paulo, 14/07/2013

Reino Unido dá passo decisivo rumo a aprovação do casamento LGBT

terça-feira, 16 de julho de 2013 0 comentários


Câmara dos Lordes aprova casamento LGBT no Reino Unido

O projeto de lei que regulamenta a união civil e religiosa entre pessoas do mesmo sexo no Reino Unido superou ontem ((15/07/2013)) um de seus principais obstáculos ao passar na Câmara dos Lordes. Em frente ao Parlamento, o público comemorou ao saber da aprovação.

O projeto de lei volta agora para a Câmara dos Comuns, onde os parlamentares revisarão as emendas apresentadas pelo governo antes de uma nova votação.

A expectativa é de que a lei passe sem problemas, já que a Câmara dos Comuns aprovou uma versão anterior do projeto com 390 votos a favor e 148 contra.

A lei em tramitação no Parlamento britânico autoriza o casamento entre casais homossexuais tanto no civil quanto no religioso na Inglaterra e no País de Gales.


A Igreja Anglicana, no entanto, ainda está dividida sobre o tema e não promove a união entre casais do mesmo sexo. 

Fonte: Paraná Online via Associated Press, 15/07/2013

Reino Unido avança em projeto de casamento homossexual

A Câmara dos Lordes aprovou ontem (15/07/2013) o projeto de lei sobre o casamento homossexual, uma importante etapa para a sua adoção definitiva na Inglaterra e no País de Gales. O texto voltará terça-feira à Câmara dos Comuns, que já havia aprovado o projeto por 366 votos contra 161, para ser debatido antes de sua aprovação final.

A decisão dos Lordes foi recebida com festa pelos militantes dos direitos dos homossexuais, vestidos de rosa em frente ao Parlamento. "Minha vida e as de muitos outros serão mais belas hoje do que ontem", declarou o lorde trabalhista Waheed Alli, homossexual declarado. Seu colega conservador, Lord Framlingham, lamentou o fato de este projeto de "mal amados" ter superado todos os obstáculos sem dar concessões à oposição.

A Câmara dos Lordes havia rejeitado o projeto em 4 de junho, após dois dias de intensos debates. Uma emenda chamada de "demolição" possibilitou a aprovação do texto.

O casamento homossexual causou pouca agitação na opinião pública, que é majoritariamente favorável, mas segue dividindo o Partido Conservador. O primeiro-ministro David Cameron se mostrou determinado em fazer valer o casamento gay na Inglaterra e no País de Galles a partir de meados do próximo ano. As outras regiões do Reino Unido, Escócia e Irlanda do Norte, têm sua própria legislação.

Entre os britânicos, a mudança é simbólica, porque os casais homossexuais têm os mesmos direitos parentais que os casais heterossexuais. Ele podem adotar, recorrer à procriação medicamente assistida e à barriga de aluguel, desde que não seja remunerada, e podem se unir civilmente desde 2005.

Fonte: Terra via AFP, 15/07/2013

Vinte e duas mulheres apaixonadas dizem sim às companheiras

segunda-feira, 15 de julho de 2013 0 comentários

Por amor à mulher e à Polícia. Silvana Gomes casou fardada e Veronice de noiva.
 As duas agora assinam Lacerda. (Fotos: Cleber Gellio)

De vestido, buquê e apaixonadas, 22 mulheres dizem sim às companheiras
Paula Maciulevicius

A marcha nupcial deu o tom. As portas se abriram. E todos os olhares se voltaram a elas. Pelo tapete vermelho da Escola Superior da Defensoria Pública, 22 noivas cruzaram o corredor sob os desejos de felicidades de pais, amigos e familiares até chegarem ao altar e viver o momento tão esperado. Do “sim”. Desta vez, dito em coro.

De todas as noivas, apenas três seguiam o tradicional vestido branco. Nas mãos, os buquês de rosas contrastavam com as roupas, na maioria em tons claros, que elas seguravam com tanto orgulho. Os olhos passaram toda emoção de quem realizou neste domingo o sonho de menina. Serem levadas ao altar e entregues a quem vai lhes prometer amor na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.

As lágrimas que caíram não roubaram o brilho do olhar e nem tampouco borrou a maquiagem. Mãos trêmulas de nervoso e ansiedade, junto de toda luta para o grande dia, foi o que impediu que a fotografia registrasse qualquer falha. A manhã deste domingo foi perfeita, como elas sempre sonharam.

Minutos antes de o casamento começar, uma das noivas vivia o estresse que a maioria delas passou hoje. Karla Ajala, 23 anos, andava de um lado para o outro com o afilhado nos braços perguntando se todo mundo já tinha chegado.

“Não, ele não é meu filho. É meu afilhado e vai ser o pajem. Mas ‘fulano’ já chegou mesmo?”, perguntava a um dos convidados, enquanto respondia à imprensa. Sim, Karla, todos estavam ali só esperando a entrada de vocês.

A noiva mal dormiu a noite e ainda não tinha visto a futura esposa, Leilane. Mas uma coisa era certa: “ela vai estar linda”, dizia. E estava.

A expectativa, os sorrisos e a ansiedade. Elas também dividiram
estes sentimentos antes da troca de alianças.

Foi na fila para entrada dos pais que o Lado B achou o único pai que ia conduzir a filha ao altar. Elas conquistaram o direito de dizer ‘sim’, mas esbarram em muitos ‘nãos’ por aí e por conta disso, a família prefere comemorar o casamento no anonimato.

O pai da noiva é um senhor de 65 anos, que sofre de mal de Parkinson e sentia câimbras desde o início da manhã e nem por isso deixou o papel de lado. “Eu acho lamentável ser o único aqui. Todos os pais deviam apoiar a ideia dos filhos, desde que não seja droga, vandalismo, crime, essas coisas. Desde que não seja o errado. Eu só quero que elas tenham uma vivência feliz. Se está bom para a família e para os filhos, a gente deve apoiar”, dizia.

Com todo orgulho, ele exibia o que desejava à filha e à nora: a felicidade. Foi ele quem anunciou à filha que fazia questão de levar ela ao altar. “Eu falei: eu vou entrar com você e vou levar você. Ela chorou. Mas é claro que eu ia levar, eu gosto muito dos meus filhos”, revelou.

No intervalo entre os últimos minutos de solteira para os primeiros de casadas, as noivas, filha e nora do pai acima, viviam a emoção do momento que para qualquer mulher é único. Naquele período que antecede a marcha nupcial, quem segurou o choro até ali, desaba. “É uma emoção muito grande. Minha família é tudo para mim, se eles não aprovassem, eu não ia estar aqui agora”, contou. Ela casou-se de vestido, mas fugiu do branco. Preferiu um de festa, longo e de tafetá cinza. Entre os sentimentos do 'antes', estava o receio de tudo dar errado misturado a maior emoção, com exceção do nascimento dos filhos.

“Depois das minhas duas filhas este momento é único”, descrevia. A noiva dela concordou, mas as palavras mal saíam da boca. Ela foi a primeira a cruzar o corredor do casamento coletivo realizado pela Defensoria do Estado. Emoção que transbordava o limite da própria felicidade para a ruptura do preconceito e chegar a alcançar o sonho de declarar o amor no altar. “Estou realizando um sonho meu e dela. A gente lutou muito e é uma felicidade imensa”, acrescentou.

Geliane Mascarenhas, agora assina Bitencourt, com a mulher Ruth Pereira Bitencourt.
A aliança que significa vitória para o casal.

A cerimônia decorreu com um ‘sim’ em coro perante ao juiz de paz. Um casal foi sorteado para ter o nome lido da forma tradicional: ‘Geliane e Ruth’ responderam que aceitavam uma a outra como legítima cônjuge até que a morte vos separe.

Entre vestidos brancos e smookings, um traje em especial chamou atenção. A policial militar Silvana Gomes Lacerda, 33 anos, se casou fardada. Ela demonstrou amor à mulher Veronice da Silva, de 35 anos, e também à corporação. “Eu gosto de ser Polícia”, respondeu a soldado quando questionada do por quê da vestimenta. O tom de azul contrastado com o branco do vestido de Veronice deu um toque especial às fotografias.

Mantendo a postura firme, Silvana disse que estava feliz e que o nervosismo fazia parte sim, mas custou a derramar uma lágrima. A emoção foi mesmo quando a noiva entrou. Veronice chegou ao altar levada pelo filho.

“Estou muito emocionada, realizando um sonho”, disse. O menino, Jeferson Lopes Moraes, 18 anos, concordou. “Eu também estou, é o nosso sonho”. Ao Lado B falou o quanto lutou ao lado delas para que este momento chegasse.“Eu fui criado com elas, quando eu entreguei a minha mãe, não consegui falar nada. Passou um filme na minha cabeça, desde criança. Não é de hoje, elas sempre quiseram. Minha relação de sonho é ver o sonho dela realizado”.

Depois de todas sentadas perante os convidados é que se via a alegria no rosto de cada uma delas. Até a chegada do ‘sim’ de hoje, não foi só pelo pedido de casamento que elas tiveram de esperar. Foi pela decisão da Justiça de permitir a união homoafetiva. Foi de esperar que, no papel, elas pudessem concretizar o que já vivem há anos. O amor de uma pela outra.

Do casamento saíram 11 casais de noivas que têm pela frente, além dos desafios da vida de um casal, a missão diária de lidar com o preconceito. A aliança que elas trocaram hoje simboliza mais que o amor e a fidelidade. É a prova da união de duas pessoas que se amam acima de todo e qualquer preceito. “Eu tinha vontade de preencher num papel de cadastro como ‘casada’, mas não dava para por. Agora dá”, brincou a noiva Veronice.

“Foi muita emoção. Quer coisa melhor que ver minha filha feliz? Ela é aquela, a mais bonita. Foi a maior felicidade da minha vida. Se eu morresse hoje, ia morrer feliz”, finaliza a mãe de uma das noivas.

Fonte: Campo Grande News, 07/07/2013

Projeto de lei quer proibir casais LGBT na publicidade infantil

sexta-feira, 12 de julho de 2013 0 comentários

Projeto proíbe família gay em publicidade
Câmara dos Deputados discute projeto de lei que exclui famílias alternativas e obriga a publicidade adotar modelo tradicional

A família de margarina, tão criticada por muitos profissionais da publicidade, pode se tornar uma regra da propaganda brasileira. Está em análise na Câmara dos Deputados um projeto de lei (5921/2001) que regulamenta a publicidade infantil e obriga que as marcas utilizem apenas modelos tradicionais de núcleo familiar. A norma foi incluída pelo deputado federal Salvador Zimbaldi (PDT/SP) em um texto substitutivo ao projeto original, apresentado há 12 anos, pelo então deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB/PR), hoje licenciado.

De acordo com o parágrafo 4º do artigo 6º do projeto, “a família é a base da sociedade e, quando exibida na propaganda comercial, institucional ou governamental, deverá observar a unidade familiar prevista no artigo 226, §3º da Constituição Federal”. Isso significa que só poderão aparecer em propagandas famílias formadas por homem e mulher. Estariam excluídas, portanto, famílias de pais solteiros, que criam seus filhos sozinhos, ou de homossexuais, formadas por dois homens ou duas mulheres.

Segundo o relatório apresentado pelo deputado Zimbaldi, “hoje, os meios de comunicação, como a televisão, rádio e a internet representam cada vez mais um relevante papel na formação, não somente de conhecimento, como também moral das crianças” e, por isso, “é necessário que haja uma legislação específica que regule a publicidade dirigida ao público infantil”.

Entre outros aspectos, o projeto trata da linguagem da publicidade para crianças, os produtos que podem ou não ser anunciados, a veiculação em mídia, a proibição do uso de animações ou canções cantadas por crianças, ou personagens com vozes infantis.

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL/RJ) se manifestou, via Twitter, na tarde desta terça-feira, 9, contrário ao projeto. Para ele, o projeto quer transformar aqueles que não têm “família de margarina” em sujeitos “sem família alguma”. “Será que esta é a forma de tornar as pessoas mais tolerantes com o próximo e menos preconceituosas? Ou será que é apenas uma forma de reforçar os preconceitos e a intolerância contra crianças sem o nome do pai ou da mãe no documento? Ou criar uma consequência futura para crianças registradas com o nome de dois pais ou de duas mães, amparada em lei?”, perguntou Wyllys, na rede social.

Segundo o projeto – que deve entrar em tramitação na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), de acordo com o Câmara dos Deputados – podem ser penalizados caso não cumpram a lei tanto o anunciante, quanto as agências de publicidade e os veículos de comunicação. A punição prevê advertência, multa de R$ 5 mil a R$ 100 mil e imposição de contrapropaganda.

Fonte: Meio e Mensagem, 09/07/20013

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