Doador de esperma para casal de mulheres ter filha terá que pagar pensão para a criança

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 1 comentários


Na época da doação do esperma, os três assinaram um acordo que dizia que William não teria nenhuma responsabilidade financeira sobre a criança Getty Images


Tribunal tomou a decisão contra a vontade das mães da menina


Um tribunal do Kansas, nos EUA, decidiu que William Marotta, um mecânico de 43 anos que doou esperma para que duas homossexuais pudessem ter uma filha, terá que pagar pensão alimentícia para a criança. 

Na época da doação do esperma, os três assinaram um acordo que dizia que William não teria nenhuma responsabilidade financeira sobre a criança, que hoje tem três anos de idade. 

Pouco tempo depois, Angela Bauer e Jennifer Schreiner se separam, e Angela começou a ajudar Jennifer com as despesas. Mas Angela teve um problema de saúde que a impediu de continuar arcando com as despesas da criança, e o departamento do Kansas decidiu procurar o pai para ajudar, mesmo contra a vontade das mulheres. 

Para o juiz, o contrato que William tinha feito com Angela e Jennifer não tem validade, pois a inseminação não foi feita por um médico licenciado. 

Angela acredita que o Estado está dando um passo para trás ao insistir em cobrar dinheiro do pai biológico. 

— Cada vez mais, gays e lésbicas estão adotando e reproduzindo, e isso [a decisão judicial], para mim, é um retrocesso". 

Com informações do New York Daily News. Texto do R7

Moda para lesbianas: das lojas específicas às passarelas

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013 0 comentários

Loja Tomboy Tailors para lesbianas e afins a partir de 2 de fevereiro em São Francisco

Tadinhos dos conservadores. Decididamente, a humanidade anda querendo jogar os gêneros às favas. E não só nas escolinhas para crianças. Também ou principalmente no mundo da moda. Primeiro, foram os andróginos como Andrej Pejic ou trans como Lea T a borrar a fronteira entre os gêneros. Agora, são as modelos que começam a vestir as coleções masculinas dos grandes nomes das passarelas.

Casey Legler faz cara de bad guy

A mais nova modelo da divisão masculina da Ford Models é a nadadora olímpica e artista novaiorquina Casey Legler, 35 anos (veja vídeo com ela abaixo), e a cara da coleção masculina primavera-verão 2013 de Yves Saint Laurent é a modelo Saskia de Brauw, de 31 anos.

Saskia de Brauw lembra Mick Jagger quando jovem

Modelo da Tomboy Taylors
Paralelamente, as lojas para lesbianas e afins (gender-queer) pipocam nos EUA. A mais recente, a ser inaugurada em de 2 de fevereiro, em São Francisco, é a Tomboy Tailors (algo como Alfaiates das Molecas), idealizada por Zel Anders (47 anos).

A loja oferecerá coleções de roupas masculinas e sapatos masculinos em tamanho menor para butches, trans-masculinas e mulheres de qualquer identidade que tenham atitude.

Visa, como no caso da Androgynous, superar a limitada disponibilidade de roupas masculinas, com bom caimento, para mulheres. 

É possível conferir mais fotos das modelos na página do Facebook das alfaiates para molecas. No vídeo abaixo, também é possível ver mais modelos da loja e seus ternos bem legais. Para quem gosta de butches, um prato cheio!

Lamentamos os vídeos não serem legendados como também o fato de nenhuma brasileira ainda ter se decidido a costurar para nós (que eu saiba). Atualização: acabamos de ser informadas que surgiu uma loja no RS chamada All Expressions.

Ainda, para ver mais fotos das modelos Casey Legler e Saskia de Brauw, na versão masculina, clique nos links.



Com informações do Huf Post San Francisco, San Francisco Bay Guardian

'Pé na Cova', nova novela da Globo, terá casal de mulheres

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013 2 comentários

Mart’nália e Luma Costa serão casal em Pé na Cova

Em Pé na Cova, próxima novela da Globo, com estreia prevista para 24 de janeiro, um casal de lésbicas interpretado por Mart’nália e Luma Costa promete dar o que falar. No humorístico, escrito e atuado por Miguel Falabella, Mart’nália viverá Tamanco, trabalhadora de uma oficina, e Luma Costa será Odete Roitman, filha de Ruço, personagem de Falabella, uma stripper virtual e homossexual que sustenta a família com seu show.

Para encarnar as personagens, Mart’nália fez um workshop de mecânica e Luma Costa, aulas de pole dance e de personal fighting high que consiste em exercícios funcionais. Para compôr Odete Roitman, Luma Costa contou também com a ajuda de uma verdadeira stripper virtual que, segundo a atriz, ganha mais ou menos 8 mil reais por mês.

Na trama da novela, Ruço e outros familiares de Odete Roitman vão se chocar com o noivado entre ela e Tamanco e implicar com o romance entre as duas. Entretanto, como são todos dependentes da stripper, a situação promete vários lances cômicos. 

Para Mart’nália, que também assina a trilha de Pé na Cova junto com o rapper Renegado, o humor é uma boa ferramenta para abordar temas como a homossexualidade. De fato, mas depende de como será abordado. Veremos. 

No elenco de Pé na Cova, além de Miguel Falabella, Mart’nália e Luma Costa, Marília Pera, Lorena Comparato, Daniel Torres, Niana Machado, Maurício Xavier, Alexandre Zacchia, Eliana Rocha, Sabrina Korgut, Karin Hills, Karina Marthin e Rubens de Araújo.

Com informações de Caras, UOL Entretenimento

Egalia: construindo a igualdade entre os sexos desde a creche (e seus reflexos no combate ao heterossexismo)

terça-feira, 8 de janeiro de 2013 1 comentários

Crianças brincam na creche sueca Egalia


O que se convencionou chamar de masculino e feminino são características humanas arbitrariamente separadas entre homens e mulheres pela educação diferenciada. Crianças são adestradas a caber na forma, ou camisa de força, desses papéis sexuais, independente de suas características individuais de temperamento, caráter, propensões, habilidades. A função da educação diferenciada é conformar as crianças à seguinte fórmula: masculino + heterossexual = homem; feminino + heterossexual = mulher. O objetivo geral sempre foi o condicionamento “natural” da mulher à submissão, a dominância masculina e a restrição da sexualidade humana ao papel reprodutivo.

E os conservadores, religiosos ou não, sabem bem disso, basta ver sua histeria quanto à inserção da educação sexual nas escolas onde a homossexualidade possa ser tratada como natural. A homossexualidade é a prova de que a formulinha acima citada é fundamentalmente cultural e não natural como dizem. Se fosse natural, não ficariam tão preocupados com a possibilidade de “ensinarem homossexualismo” para seus filhos. Ao afirmarem que é possível “ensinar homossexualismo” para seus filhos, reconhecem que o “heterossexualismo” dos mesmos foi ensinado. Seu receio, portanto, é de que seu ensino para o “heterossexualismo” sofra a concorrência de outra perspectiva de educação. Naturalmente, isso na cabeça deles, porque o combate da homofobia nas escolas brasileiras visa apenas amenizar ao menos o bullying homofóbico para que os estudantes homossexuais possam se formar em paz.

Mas há outras experiências educacionais mundo a fora que podem deixar os conservadores mais ainda de cabelos em pé. São as experiências educacionais que visam educar as crianças sem papéis de gênero (gender free), de forma neutra. Em 20 de junho de 2011, em Estocolmo, na Suécia (bairro de Sodermalm) foi inaugurada uma creche pública, a Egalia, onde as crianças são educadas sem educação diferenciada, ou seja, de forma neutra quanto ao gênero. 

A creche para crianças na faixa de 1 a 6 anos é um dos exemplos mais radicais dos esforços suecos para garantir igualdade entre os sexos desde quase o berço. Lá, além das crianças brincarem com todo o tipo de brinquedo, sem a tradicional divisão de brinquedo de menina e de menino, até os pronomes de tratamento “ele” ou “ela” foram abolidos. As crianças chamam umas as outras simplesmente de “vän” (amigo ou amiga). 

Em outras situações, por exemplo, quando um(a) profissional (doutor/a, policial, electricista, etc.) está para visitar a creche a trabalho, anuncia-se sua chegada usando o neologismo “hen”, outro neutro. Segundo os funcionários da creche, isso dá às crianças a possibilidade de imaginar que pode aparecer um homem ou uma mulher, independente da profissão informada, o que lhes amplia a visão de mundo. Para a equipe da Egalia, o fundamental é que a creche possibilite que as crianças venham a ser o que desejarem em vez de preencherem as expectativas da sociedade que quer meninas boazinhas e bonitinhas e meninos durões e assertivos. E que lhes permita também encarar a sexualidade, em todas as suas variantes, como natural, a se acostumar igualmente com a ideia de casais homossexuais, com duas mães, dois pais. 

De fato, desconstruir os papéis de gênero, na Suécia, não é exclusividade da Egalia. Ocupa hoje papel central nos currículos nacionais para as pré-escolas, com base na visão de que, mesmo numa sociedade igualitária como a sueca, os garotos ainda são criados com vantagens injustas. A diferença é que, enquanto outras pré-escolas já não provocam polêmica, não falta gente para dizer que a pedagogia da Egalia é muito radical. 

Concordo em parte com essa colocação. Sou totalmente favorável à educação indiferenciada (livre de gênero) porque a tradicional só serve mesmo para mutilar o potencial das crianças ao forçá-las a se encaixar em papéis muitas vezes contrários à sua índole. As maiores prejudicadas com a educação tradicional são as meninas, em vários sentidos, mas os meninos também perdem muito com ela, entre outros fatores porque não desenvolvem a capacidade para a afetividade e a empatia. 

No entanto, não vejo sentido em se abolir os pronomes de tratamento “ele – ela”. Primeiro, porque as diferenças anatômicas e fisiológicas entre os sexos, por si só, justificam sua existência. Segundo, pelas dificuldades linguísticas que sua abolição cria, de difícil execução em muitas línguas (nas neolatinas, como a nossa, por exemplo). Terceiro, porque a sociedade ainda é majoritariamente assentada na divisão de gênero, e uma ruptura radical com ela pode levar ao oposto do que se pretende, ou seja, em vez de incluir com mais igualdade de oportunidades pode virar um fator de inadaptação. Devagar também se chega longe. 

No mais, espero morrer velhinha para poder ver a expansão das escolas livres de educação diferenciada, livres da camisa de força dos estereótipos de masculino e feminino que tanto mal nos têm feito. A educação diferenciada me lembra a deformação promovida pelo enfaixamento dos pés das chinesas em tempos idos sob a desculpa esfarrapada de que o aleijão resultante era feminino.

Fonte: site CBS News

Agressões a casais gays ficam sem punição em Alagoas

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013 0 comentários

Casais homoafetivos são vítima de violência em todos os lugares
Há uma semana, dois irmãos, de uma família de classe média de Maceió, foram agredidos quando se dirigiam a um ponto de ônibus na orla da Jatiúca, por volta da 5h da manhã. Os autores do crime foram cinco rapazes que, após agredirem verbalmente a dupla, partiram para a agressão física. A polícia trabalha com a hipótese de que o espancamento seja mais um crime motivado por homofobia.

Segundo dados do Grupo Gay da Alagoas (GGAL), ao longo do ano de 2012, mais de 50 homossexuais sofreram algum tipo de agressão, de natureza física ou moral, nas ruas ou até mesmo em estabelecimentos comerciais e locais de trabalho. E este número pode ser ainda maior, de acordo com o presidente GGAL, Nildo Correia. Segundo ele, agressões contra demontrações de afeto entre casais homoafetivos são geralmente reprimidas, não são denunciadas nem registradas.

“Nossa grande dificuldade em relação à contabilização desse número é que a grande maioria dos casos de agressões e violências não são denunciados e, pior, não são registrados como ocorrência em uma delegacia”, relata Nildo Correia.

O caso da educadora Maria Santos, de 35 anos, exemplifica as condições adversas de quem é vítima do preconceito. Ela e sua companheira foram almoçar em um restaurante na Praia da Francês, em Marechal Deodoro. Quase foram agredidas fisicamente.

“Eu chamei o garçom e reclamei por causa da demora no atendimento. Percebi que algumas pessoas na mesa ao lado estavam zombando de nós”, relata Maria. “Em certo momento, um dos homens da mesa gritou: ‘Para mesa de sapatão demora mais!’”.

Depois de ofender a educadora, o agressor – ainda segundo seu relato – chamou o gerente, pedindo para "tirar a sapatão” do restaurante. Não aceitando a agressão e defendendo seus direitos, Maria, que quase chegou a ser agredida pelo homem, ameaçou chamar a polícia e levar todos para a delegacia. Mas, por causa do receio de sua companheira, não o fez.

“Minha companheira teve medo de denunciar. Este é o maior desafio de quem sofre algum tipo de agressão: o medo”, confessa Maria. “É difícil conseguir testemunhas e ainda há o medo de se expor à desaprovação da família”. 

O presidente do GGA aponta problemas que impedem que casos de violência contra homossexuais ganhem repercussão na mídia e sejam solucionados pela polícia. O principal deles, opina Correia, é a apatia social ainda muito grande em relação a homossexualidade.

Tratamento desumano nas delegacias

O medo de represálias, a vergonha e, principalmente, o atendimento preconceituoso nas delegacias, considerado por Correia "desumano”, estão entre as principais dificuldades para se punir agressores e atitudes ligadas à violência contra homossexuais.

“Agressões verbais e não verbais a casais gays acontecem diariamente, e nada é denunciado. No caso desses dois irmãos, apesar de não se tratar de uma relação homoafetiva, só se alcançou alguma repercussão porque são jovens de classe média”, aponta Correia. “Existem muitos outros crimes, onde sequer um suspeito foi apontado pela polícia”.

O presidente do GGAL afirma que os casos de agressões registrados pela entidade têm motivação torpe e muitas vezes são praticados por pessoas que deveriam proteger a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) desse tipo de situações. “Infelizmente, muitos que estão dentro das delegacias não estão preocupados com a homofobia. Grande parte dos delegados omite informações sobre crimes homofóbicos em Alagoas”.

Quanto ao caso dos irmãos, o presidente do GGAL, questiona ainda a designação de um delegado especial, Jobson Cabral, para apurar o caso da agressão, já que existe uma grande quantidade de inquéritos contra crimes de homofobia parados nas delegacias.

Nildo Correia conta que a realidade de Alagoas é um reflexo do panorama nacional. Segundo o relatório de homicídios, produzido pelo Grupo Gay de Alagoas, o estado fecha o ano de 2012 com 22 assassinatos, um a mais que 2011. Além dos assassinatos, cerca de 50 denúncias de agressões morais foram denunciadas ao GGAL.

Alagoas reflete a realidade brasileira

O presidente do GGAL diz que a violência contra homossexuais no Estado é uma mostra da realidade social brasileira. “A impunidade dos agressores e a sensação de incerteza predominam aqui em Alagoas. Ser gay ainda é um problema”, afirma.

De janeiro a novembro de 2012, o Disque 100, serviço telefônico da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), recebeu 2.830 denúncias de violência contra a população LGBT. Em Alagoas foram 48, número que Nildo considera pequeno e irreal, já que a quantidade de denúncias ao GGAL ultrapassou 50.

O serviço Disque 100 recebe, em média, oito denúncias por dia, segundos dados divulgados recentemente, mas de acordo com o GGAL a deficiência no atendimento tem sido um grande empecilho para quem tenta denunciar uma agressão.

“Há relatos de pessoas que tiveram de esperar, penduradas no telefone, até 15 minutos sem ser atendidas e a ligação acaba caindo. É algo difícil de lidar para quem acabou de sofrer uma agressão”, comenta Correia, ao dizer que o número de denúncias seria maior caso o sistema fosse mais eficiente.

“Situações como essas acontecem sempre, até mesmo em órgãos públicos as pessoas são discriminadas e maltratadas por causa de sua orientação sexual. Infelizmente, essa é uma realidade na nossa cidade”, lamente a educadora Maria.

Fonte: TNH1

Secretário-geral da ONU pede Proteção de toda a família humana incluindo LGBTês

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013 3 comentários

Ban-ki-moon, secretário-geral da
ONU condena discriminação contra LGBT  
Destaque: Respeito plenamente os direitos dos povos em acreditar nos ensinamentos religiosos que escolheram. Isso também é um direito humano. Mas não pode haver desculpa para violência ou discriminação, nunca.

Entendo que pode ser difícil se levantar contra a opinião pública. Mas só porque a maioria desaprova determinados indivíduos, não dá direito ao Estado de reter seus direitos básicos.

A democracia é mais do que a regra da maioria. Ela exige defesa das minorias vulneráveis diante de maiorias hostis. Os governos têm o dever de desafiar o preconceito, não ceder a ele.

Proteção de toda a família humana

por Ban-ki-moon

É um ultraje que mais de 76 países sigam criminalizando a homossexualidade. Líderes deveriam enfrentar e não ceder ao preconceito.

Acabamos de comemorar os 64 anos de um documento que nasceu em dezembro de 1948 e mudou para sempre a visão de como tratamos os membros da família humana.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos provocou uma mudança fundamental no pensamento global, afirmando que todos os seres humanos, não alguns, não a maioria, mas todos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.

A luta para concretizar os ideais da declaração é o cerne da missão das Nações Unidas. A comunidade internacional tem construído um forte histórico de combate ao racismo, promoção da igualdade de gênero, proteção das crianças e quebra das barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência.

Enquanto alguns velhos preconceitos estão diminuindo, outros permanecem. Em todo o mundo, lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) são agredidos, às vezes mortos. Mesmo crianças e adolescentes são insultados por seus pares, espancados e intimidados.

Pessoas LGBT sofrem no trabalho, em clínicas e hospitais e nas escolas -os mesmos lugares que deveriam protegê-los. Mais de 76 países continuam criminalizando a homossexualidade.

Muitas vezes já falei contra esta trágica e injusta discriminação, e os desenvolvimentos positivos dos últimos anos me encorajam a seguir lutando. Foram realizadas reformas em muitos países. Na ONU, tivemos inovações históricas.

Em 2011, o Conselho de Direitos Humanos adotou a primeira resolução da ONU sobre direitos humanos, orientação sexual e identidade de gênero, expressando "grave preocupação" com a violência e a discriminação contra as pessoas LGBT.

A alta comissária publicou o primeiro relatório da ONU sobre o problema e o conselho discutiu os resultados em 2012 -a primeira vez que um organismo da ONU fez um debate formal sobre o assunto. Os ativistas ajudaram a abrir a porta. Não podemos deixar que se feche.

É um ultraje que tantos países continuem criminalizando as pessoas só por amar outro ser humano do mesmo sexo. Em alguns casos, novas leis discriminatórias estão sendo criadas. Em outros, essas leis foram herdadas das potências coloniais. Leis enraizadas em preconceitos do século 19 estão enchendo o século 21 de ódio.

Quando me encontro com líderes de todo o mundo, levanto a minha voz e peço igualdade para os membros LGBT de nossa família humana. Muitos líderes dizem que gostariam de poder fazer mais, mas apontam a opinião pública como uma barreira para o progresso. Eles também citam as crenças religiosas e os sentimentos culturais.

Respeito plenamente os direitos dos povos em acreditar nos ensinamentos religiosos que escolheram. Isso também é um direito humano. Mas não pode haver desculpa para violência ou discriminação, nunca.

Entendo que pode ser difícil se levantar contra a opinião pública. Mas só porque a maioria desaprova determinados indivíduos, não dá direito ao Estado de reter seus direitos básicos.

A democracia é mais do que a regra da maioria. Ela exige defesa das minorias vulneráveis diante de maiorias hostis. Os governos têm o dever de desafiar o preconceito, não ceder a ele.

Todos temos um papel a desempenhar. Desmond Tutu disse recentemente que a onda da mudança é feita de até um milhão de ondulações. Ao celebrarmos os direitos humanos, vamos mais uma vez lutar pela implementação da promessa da Declaração Universal: que eles sejam para todas as pessoas -como foi planejado.

BAN KI-MOON, 68, diplomata sul-coreano, é secretário-geral da ONU

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