Suspeita de homofobia: duas mulheres agredidas em Brasília

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 0 comentários

Mulher agredida terá que passar por uma cirurgia no braço

Homem espanca duas mulheres que saíam de restaurante no Plano Piloto
O almoço de duas amigas no Setor Comercial Sul terminou com uma delas com o osso da perna quebrado e a outra com o braço faturado

Duas mulheres foram espancadas por um homem na tarde dessa terça-feira (25/2), na Quadra 6 do Setor Comercial Sul. Segundo a Polícia Civil, as jovens de 22 e 24 anos, almoçavam em um restaurante quando dois homens pediram para dividir a mesa. 

No momento em que uma delas se levantou para se servir, o agressor teria dito: "Fala para sua amiga 'sapatão' que ela tá pagando cofrinho", o que gerou bate-boca entre eles e fez com que as amigas mudassem de mesa.

Assim que saíram do restaurante, elas perceberam que estavam sendo perseguidas pelo homem, até o momento em que foram agredidas. Uma das vítimas conta que tudo ocorreu de repente. Por trás, o homem teria empurrado a amiga no chão. Foram chutes e socos até que ela ficasse desacordada. A jovem conta que, apesar de se um local de grande movimento, ninguém tentou impedir as agressões. 

Minutos depois, um senhor as avistou e prestou o socorro até o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Em nota, a Divisão de Comunicação Social da Polícia Civil informou que uma delas teve o osso da perna esquerda quebrado e já teve alta e a outra fraturou o braço e passará por uma cirurgia. 

A 5ª Delegacia de Polícia (Setor Central) conseguiu localizar imagens de câmeras de segurança do comércio local em que o agressor foi registrado, mas as imagens ainda não foram divulgadas. A polícia investiga o caso.

Fonte: Saulo Araújo,Thiago Soares, Correio Brasiliense, 26/02/2014

Barrado, em Portugal, referendo sobre adoção por casais LGBT

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 0 comentários

Imagem preconceituosa sobre adoção por casais LGBT

Tribunal de Portugal barra referendo sobre adoção por gays

Se quiser ouvir o que a população pensa sobre a adoção por casais homossexuais, Portugal terá de fazer não um, mas dois referendos. Para o Tribunal Constitucional, o assunto envolve situações diferentes que, se abordadas no mesmo questionário, podem causar confusão nos eleitores. Por esse motivo, a corte derrubou a proposta de referendo já aprovada pelo Parlamento.

A decisão da corte foi tomada num controle prévio de constitucionalidade da resolução sobre o referendo. A manifestação do Tribunal Constitucional foi pedida pelo presidente da República portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, antes que ele pudesse colocar em prática a consulta popular. Agora, cabe ao Legislativo desistir da proposta ou reformular as questões e dar andamento ao referendo.

O Tribunal Constitucional encontrou dois pontos controversos na consulta popular. Um deles se refere diretamente às questões feitas aos cidadãos. De acordo com a proposta, os eleitores teriam de responder às seguintes perguntas: “Concorda que o cônjuge ou unido de fato do mesmo sexo possa adotar o filho do seu cônjuge ou unido de fato?" e "Concorda com a adoção por casais, casados ou unidos de fato, do mesmo sexo?”.

Para os juízes, as duas questões tratam de situações bastante diversas e, se apresentadas no mesmo pacote, podem confundir o eleitor. A primeira pergunta se refere ao que é chamado de coadoção, que é quando um companheiro ou cônjuge adota o filho de outro. Projeto de lei nesse sentido foi aprovado no ano passado pela Assembleia Parlamentar de Portugal, mas ainda não saiu do papel por falta de acordo político.

No julgamento, o tribunal considerou que, nos casos de coadoção, está em jogo não apenas o direito de gays adotarem uma criança, mas a substituição de uma situação familiar anterior por uma nova. Já no segundo caso, a discussão parece mais simples. É basicamente se duas pessoas do mesmo sexo que vivem juntas têm o direito de adotar um filho.

O outro ponto da proposta de referendo que a corte considerou inconstitucional trata do universo de eleitores. Pela resolução aprovada, seriam ouvidos apenas os portugueses que moram em Portugal. O Tribunal Constitucional avaliou que essa restrição não é razoável, já que qualquer mudança legislativa nesse sentido pode afetar a família de portugueses que moram no exterior, pois também estão sujeitos à lei portuguesa.

A adoção por casais homossexuais tem ocupado as mesas de debate em Portugal há vários anos, mas a discussão ganhou corpo em 2010, quando foi aprovado o casamento civil entre duas pessoas do mesmo sexo. Na ocasião, não houve acordo sobre a adoção e a lei que permite o casamento gay passou a prever expressamente que a autorização para a união não significa que os homossexuais podem adotar uma criança. Desde então, grupos políticos vêm tentando aprovar novos projetos que legalizem a adoção por casais gays.

A Corte Europeia de Direitos Humanos não tem uma posição clara sobre o direito de os homossexuais adotarem uma criança, mas já julgou, em mais de uma ocasião, que pessoas na mesma situação têm de ter os mesmo direitos. Quer dizer, na teoria, se cônjuges heterossexuais podem adotar um filho, dois homens ou duas mulheres, desde que sejam casados, podem também. A legislação de Portugal ainda não foi discutida pela corte europeia.

Clique aqui para ler a decisão do Tribunal Constitucional de Portugal.

Fonte: Consultor Jurídico, Aline Pinheiro, 20/02/2014

Campanha educativa contra homofobia, racismo e intolerância religiosa no Carnaval de João Pessoa (PB)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014 0 comentários


Ouvidoria Itinerante faz campanha educativa para foliões no Carnaval 2014

O serviço itinerante da Ouvidoria Geral do Município fará campanha educativa contra homofobia, racismo e intolerância religiosa no Carnaval 2014 – João Pessoa de Todos os Ritmos. As atividades serão promovidas durante os desfiles dos blocos Picolé de Manga, Virgens de Tambaú, Muriçocas do Miramar e Cafuçú. A ação é uma parceria com a Coordenadoria Municipal de Promoção à Cidadania LGBT e Igualdade Racial.

Além da distribuição de materiais educativos, será instalada a Tenda da Folia para atender as demandas dos foliões que passarão pelo local. Na sexta-feira (21), domingo (23) e quarta-feira (26), o serviço estará localizado na Avenida Epitácio Pessoa, próximo aos camarotes. Já na sexta-feira (28), a tenda estará no Ponto Cem Réis.

O atendimento será realizado das 19h às 23h nos blocos Picolé de Manga, Muriçocas do Miramar e Cafuçú. Já nas Virgens de Tambaú, a Tenda estará aberta das 16h às 20h.

De acordo com o ouvidor geral do Município, Antônio Jácome, o objetivo da ação é sensibilizar os foliões contra qualquer tipo de preconceito e divulgar os serviços da Ouvidoria, estabelecendo um diálogo mais direto entre a administração pública municipal e a população.

“Estamos trabalhando para a mudança de mentalidades. É motivo de satisfação divulgar informações para a população, para que possam usufruir dos serviços e tomar conhecimento de nossas ações. É também uma forma de estarmos mais próximos das pessoas. Estaremos recebendo as demandas e fazendo as campanhas educativas, que começaram no ano passado, mas que estão ganhando mais força este ano”, disse o ouvidor.

O que é a Ouvidoria - A Ouvidoria Geral do Município é um órgão executivo da Secretaria de Transparência Pública (Setransp) e conta, ainda, com as ouvidorias setoriais da Saúde e da Educação.

Campanhas - Durante todo o ano, são realizadas campanhas educativas combatendo atitudes como assédio moral, homofobia, racismo e intolerância religiosa no âmbito do serviço público municipal, além da Ouvidoria Itinerante, visitando vários pontos da cidade.

Como acionar a Ouvidoria – Para atender às demandas (denúncias, reclamações e sugestões) da população, a Ouvidoria atende no primeiro andar do Paço Municipal, na Praça Pedro Américo, Centro. O demandante pode, também, acionar a Ouvidoria por meio do telefone 3218-6167 ou ainda enviar um e-mail para ouvidoria@joaopessoa.pb.gov.br.

A população pode recorrer também às ouvidorias setoriais da Saúde e da Educação. A Ouvidoria da Saúde está localizada na Avenida Epitácio Pessoa e também atende por meio do telefone 3218-7968. Já a Ouvidoria da Educação está localizada no Centro Administrativo Municipal (CAM), em Água Fria, e atende no telefone 3218-7100.

Fonte: Prefeitura de João Pessoa, 21/02/2014

Tema da Parada do Orgulho Gay de São Paulo contempla transexuais

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 0 comentários


Após pressão de transexuais, a Parada do Orgulho Gay de São Paulo mudou o tema deste ano. A 18.ª edição da festa, marcada para o dia 4 de maio, na Avenida Paulista, vai pedir a aprovação do projeto de lei de identidade de gênero que autoriza transexuais a trocar nome, foto e sexo em documentos oficiais sem a necessidade de fazer cirurgia de mudança de sexo, terapia hormonal ou autorização judicial. A Associação da Parada do Orgulho GLBT (Apoglbt) decidiu alterar o tema na noite desta quarta-feira, dia 19, durante reunião da diretoria com transexuais. De acordo com o presidente da entidade, Fernando Quaresma, ficou acordado que o lema será "País vencedor é País sem HomoLesboTransFobia! Chega de Mortes! Criminalização Já! Pela aprovação da Lei de Identidade de Gênero!".

No dia 22 do mês passado, cinco diretores da Apoglbt, após período de recebimento de sugestões de tema, haviam escolhido "País vencedor é País sem Homofobia. Chega de Mortes! Criminalização Já!". A proposta retoma o pedido de aprovação do PLC 122/2006 que pune homofobia. No dia 30, porém, uma petição foi aberta no Avaaz e, até as 14h desta quinta-feira, 20, obteve a assinatura de 6,5 mil internautas em defesa do tema "Eu respeito travestis e transexuais e quero a aprovação do Projeto de Lei João Nery!". A direção da entidade havia publicado, no dia 11 deste mês, em seu site que o tema não poderia ser alterado. No entanto, a posição foi revista. "O tema não mudou. O tema é o mesmo. Incluímos homolesbotransfobia. Acrescentamos o pedido de aprovação da Lei de Identidade de Gênero", afirmou Quaresma.

A ativista transfeminista Daniela Andrade, de 33 anos, participou da reunião que alterou o lema do evento deste ano. Foi ela quem criou a petição online. "A Parada tem 18 anos e nenhuma edição teve um tema específico para o 'T' da sigla LGBT. As transexuais e travestis, certamente, são a população mais vulnerável do ponto de vista socioeconômico. Muito da violência sofrida por 'trans' acontece porque não há o reconhecimento legal do Estado brasileiro para essa população." Para Daniela, a mobilização nas redes sociais levou à mudança. "Foi uma vitória da população trans e de seus aliados", disse.

Nome da lei

O psicólogo e escritor João Nery, de 64 anos, que deu nome à lei de identidade de gênero, é considerado o primeiro transexual masculino do Brasil. Ele comemorou a decisão da direção da Parada. "Estou felicíssimo. Afinal, lutei para isso", afirmou. "A mudança do tema da parada dá visibilidade às 'trans' e aos 'trans' com uma lei que os libertará dos constrangimentos, da doença e das obrigações cirúrgicas e terapêuticas. Dá visibilidade não mais como alegorias da parada, mas como cidadãos que somos", completou.

Fonte: Diário do Grande ABC, 20/02/2014, via Agência Estado

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