Depois das noivas da revista Elle, foi a vez das noivas da grife Chanel

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013 0 comentários

A grife Chanel também respondeu aos 350 mil reaças que combatem o casamento LGBT

Os 350 mil caretas franceses que foram às ruas de Paris, no dia 13, protestar contra a igualdade de todos perante a lei, ao combater o casamento LGBT, fizeram uma demonstração de força antidemocrática. Mas a resposta não demorou a tardar, vindo de vários pontos da sociedade francesa como as revistas femininas Elle e a tradicional grife Chanel. 

O final do desfile da Chanel Haute Couture, no dia 22 de janeiro, teve duas noivas acompanhadas de um garotinho. Inspirada no romantismo alemão, a poderosa imagem foi a forma do estilista Karl Lagerfeld expressar seu apoio ao casamento igualitário.

Falando com a imprensa após o show, Lagerfeld declarou:

"Não entendo mesmo essa polêmica. Desde 1904 a Igreja e o Estado são separados. Por que duas pessoas que vivem juntas não podem ter a mesma segurança que os burgueses casados ?"


Com informações do site OUT e Reuters

Nos EUA, até cantora country já anuncia gravidez com esposa a tiracolo

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013 0 comentários

Chely Wright e Lauren Blitzer anunciaram que esperam bebê para junho

A cantora country (country equivale a nossa música caipira) Chely Wright e sua esposa (nestes termos) Lauren Blitzer anunciaram, via o show virtual Gwissues, que Chely está grávida, e que o casal espera gêmeos para junho.

Chely ganhou as manchetes quando se tornou a primeira artista de música country a sair do armário. Ela registrou seus conflitos para assumir no documentário Wish Me Away.

Em Agosto de 2010, Chely e Lauren casaram em Connecticut. Segue a entrevista abaixo em vídeo, infelizmente sem legendas. Mas tem também a entrevista legendada da estrela à apresentadora Oprah. Apreciem esses novos tempos, apesar dos conservadores da vida.

Com informações do site She Wired, 23/01/2013

"Família no Papel"' sobre adoção LGBT selecionado para Prêmio Maguey do Festival Internacional de Cinema de Guadalajara

terça-feira, 29 de janeiro de 2013 0 comentários

Documentário já venceu Festival Rio Gay de Cinema 2012


Documentário catarinense é selecionado para festival do México

Filme, de 52 minutos, aborda a adoção por casais homoafetivos no Brasil. Este é o único filme 100% brasileiro que vai concorrer ao Prêmio Maguey.

O documentário catarinense 'Família no Papel', dirigido pelas jornalistas Fernanda Friedrich e Bruna Wagner, foi selecionado para o Prêmio Maguey do Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México, que ocorre entre os dias 1 e 9 de março. Este é o único filme 100% brasileiro a entrar na mostra oficial, entre 18 filmes do mundo todo.

O filme de 52 minutos, contemplado com o incentivo do Edital Cinemateca Catarinense 2009, aborda a adoção por casais homoafetivos no Brasil, mostrando as histórias de sete famílias e suas lutas pelo direitos de adotarem crianças, em diversas regiões do país (ver trailer abaixo).

Realizado pela segunda vez dentro do Festival Internacional de Guadalajara, o Prêmio Maguey abre espaço para produções audiovisuais relacionadas aos temas: lésbico, gay, bissexual, transexual, transgênero, travesti e intersexual (LGBTTTI). O objetivo é promover a diversidade e a tolerância através da cultura e do cinema diferenciado e inovador, que parte dos problemas que vêm acompanhados de uma orientação sexual aberta e diversa.

Para a diretora Fernanda Friedrich, a seleção foi uma surpresa, mesmo após o filme ser o grande vencedor do Festival Rio Gay de Cinema 2012, um dos maiores do país no gênero, pelo júri popular. "É uma grande honra ter o filme selecionado entre tantos pelo mundo, num dos festivais mais importantes que abrem espaço para discussões envolvendo os temas homossexuais", afirmou.

Estão selecionados filmes de países como Argentina, Estados Unidos, Espanha, Canadá, Chile, França, Reino Unido, Israel, Suécia, Dinamarca, Alemanha e México. O Prémio Maguey ocorre de 1 a 4 de março, dentro da programação do festival.

Fonte: G1 SC, 23/01/2013

Senado pode autorizar casamento gay ainda em 2013

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Senado pode autorizar casamento gay ainda em 2013

Se aprovado sem recurso, o projeto segue para votação na Câmara dos Deputados

Senadores podem concluir a partir da volta do recesso parlamentar, que termina na próxima sexta-feira, projeto que altera o Código Civil relativo à união estável entre casais do mesmo sexo. A matéria depende agora de votação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) para seguir para análise dos deputados na Câmara, caso não haja nenhuma alteração no Senado.

Atualmente, o Código Civil reconhece como entidade familiar “a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”. Com o projeto, de autoria da senadora liceneciada Marta Suplicy, que ocupa o cargo de ministra da Ciltura, a lei pode ser alterada para estabelecer como família “a união estável entre duas pessoas”, mantendo o restante do texto do artigo.

Se aprovada a proposta, a união estável entre pessoas do mesmos sexo “poderá converter-se em casamento, mediante requerimento formulado dos companheiros ao oficial do Registro Civil, no qual declarem que não têm impedimentos para casar e indiquem o regime de bens que passam a adotar, dispensada a celebração”.

Relator deu parecer favorável

Em seu voto favorável, o relator do projeto na CCJ, senador Roberto Requião (PMDB-PR), lembra decisão de 2011 do Supremo Tribunal Federal (STF), reconhecendo o direito à formalização da união entre casais homossexuais. Ele concorda com argumento da autora do texto, quanto à necessidade de modificação no Código Civil para incluir a previsão, como forma de conferir segurança jurídica à matéria.

Conforme observa Requião, cabe ao Legislativo adequar a lei em vigor ao entendimento consagrado pelo Supremo, “contribuindo, assim, para o aumento da segurança jurídica e, em última análise, a disseminação da pacificação social”.

Caso a matéria seja aprovada na CCJ e não seja apresentado recurso para exame pelo Plenário, o texto segue para análise da Câmara dos Deputados.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo já é reconhecido em alguns países, como Bélgica, Argentina e África do Sul, mas ainda provoca polêmica em muitos outros. Na França, por exemplo, manifestações contra e a favor da legalização, reunindo milhares de pessoas, têm sido noticiadas nos últimos dias.

Em seu discurso de posse para o segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se colocou a favor da legalização, posição também defendida pelo governo da Inglaterra.

Com informações do Estado de Minas via Agência Senado, 28/01/2013

Estratégia de confronto irado com conservadores é tiro no pé!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 0 comentários

Ativistas destemperados acabam dando razão à TFP

Por Míriam Martinho

O Instituto Plínio Correia de Oliveira (IPCO) é a versão atual da antiga TFP (Tradição, Família e Propriedade), organização ultraconservadora católica que fez história por ter apoiado a deposição de João Goulart pelos militares, em 1964, dando início à chamada ditadura militar (de 1964 a 1984).

Como parte da reação conservadora à hegemonia das esquerdas no Brasil e às demandas dos movimentos sociais, a TFP parece ter renascido das cinzas recentemente e, com as roupinhas e estandartes característicos, seus membros voltaram a circular pelas ruas do país com o mesmo discurso embolorado de sempre.

No final da tarde de segunda-feira(14), no centro de Curitiba (PR), lá estavam eles em mais uma de suas Cruzadas pela Família, quando foram cercados por jovens, entre os quais vários homossexuais, que reagiram iradamente à sua hipócrita cantilena. O problema é que esse protesto - justo em essência - foi realizado sem o devido preparo democrático, ficando maculado por xingamentos, gestos obscenos e cusparadas contra os membros do IPCO que, bem treinados, não reagiram. Até pedras atiraram contra os caras, tendo ferido na cabeça um deles que registrou queixa na primeira DP. Lastimável!

Em 8 de dezembro de 2012, fiz uma postagem, intitulada Como combater os injustos sem se parecer com eles em dois vídeos  sobre a reação de transeuntes contra outra manifestação da TFP, daquela feita nos EUA (a organização é internacional). Na postagem, eu alertava sobre o erro de se protestar contra esse pessoal de forma agressiva:


"Naturalmente, a hipocrisia dessa gente faz o sangue de qualquer um(a) ferver, mas ataques contra esses tipos, sobretudo físicos, só os beneficiam. Depois eles fazem uma compilação das reações agressivas das pessoas, indignadas contra sua lixeira religiosa, como no vídeo abaixo, e posam de vítimas, falando com voz calma e postura tranquila que - tadinhos - os LGBT é que são intolerantes e contrários à liberdade de expressão. E essa imagem cola!"

E como cola. Agora foi a vez da filial da TFP curitibana fazer a compilação das reações agressivas que sofreram e posar de cristã perseguida como nos tempos de Roma. Aliás, notar a semelhança entre a edição americana e a brasileira (posto a americana novamente abaixo), o que dá a impressão de coisa orquestrada, de armadilha para ativistas destemperados depois serem apresentados estritamente como agressores.  

Tanto que, ao comentar o causo, o jornalista Carlos Ramalhete, colunista do site Gazeta do Povo, se referiu aos manifestantes, contrários aos tfpistas, como neofascistas:

"Poucos dias atrás, uma manifestação pacífica do IPCO em Curitiba foi atacada por militantes “gay”, em outra demonstração clara da índole fascista deste movimento. Não lhes basta a tolerância; esta, aliás, lhes é estranha. Para eles, vale tudo para calar qualquer voz discordante.

A agressão, desavergonhadamente gravada por um dos que a perpetraram, pode ser vista na internet. É assustador: blasfêmias e berros obscenos a centímetros do rosto, empurrões e ofensas, respondidos apenas com orações e silêncio. Uma pedrada, registrada no 1.º DP, atingiu um dos rapazes do IPCO, que precisou ir ao hospital e receber três pontos de sutura na cabeça. É a ação covarde do neofascismo. 

Não interessa se estamos ou não de acordo com o que diz o IPCO. Eu mesmo não concordo com tudo o que pregam. Eles têm, contudo, o direito de defender em público pacificamente o que querem preservar. E é isto que os neofascistas “gay” estão tentando impedir." (Ataque neofascista)

Como eu dizia no artigo Como combater os injustos sem se parecer com eles em dois vídeos, os oprimidos precisam se distinguir claramente de seus opressores, repensar formas mais justas de agir contra os injustos nos dias de hoje. Na base do olho por olho, como diz o ditado, todo mundo acabará cego.

Protestos contra esses ultraconservadores absurdos  têm mesmo que ser feitos, mas sem palavrões, baixarias, sobretudo sem agressões físicas. Essas situações tendem a se repetir. Melhor pensar em estratégias para o confronto pacífico com esse povo do IPCO e congêneres. Caso contrário, eles - que são os algozes - passarão por vítimas, e os LGBT que são vítimas de suas discriminações é que passarão por algozes, fundamentando a conversa mole da "ditadura gay". Lembrar que imagens sempre valem mais do mil palavras. Nestas abaixo os LGBT ficaram bem mal na fita! 
  

Bem melhor: hoje franceses foram às ruas pelo casamento LGBT

domingo, 27 de janeiro de 2013 1 comentários

Partidários do casamento gay saem às ruas da França

Protesto ocorre 2 dias antes de discussão de projeto de lei. França pode legalizar casamento gay e adoção por homossexuais.

Manifestante segura bonecas Barbie em marcha pelas ruas de Paris pelo casamento gay (Foto: Reuters)
                               
Milhares de partidários do "casamento para todos" saíram às ruas de Paris neste domingo (27), dois 
dias antes da Assembleia Legislativa começar a debater um projeto de lei governamental legalizando o casamento gay e a adoção de crianças por homossexuais.

"Anunciaram uma chuva para esta tarde, mas até o sol está conosco", disse uma jovem, Chloé, de 28 anos, que participava da manifestação envolvida em uma bandeira com as cores do arco-íris. "Eu não sou gay, mas minhas melhores amigas são, e quero demonstrar minha solidariedade", afirmou.

Franceses participam de manifestação à favor do casamento gay neste domingo (27) em Paris (Foto: Thomas Samson/AFP')



                                                                                                                                               No protesto, que começou na Praça Denfert Rochereau, ao sul da capital, e que se dirige à cêntrica Praça da Bastilha, os manifestantes agitavam cartazes onde se lia "Eu milito pelos direitos de todos", "Pela igualdade agora" e "Mais vale um casamento gay que um triste".

"Eu não ia vir, mas ao ver a manifestação de duas semanas atrás e ouvir tantos comentários horríveis, cheios de preconceito, e até de ódio, senti que tinha que estar hoje aqui", disse um jovem que se apresentou apenas como Joss.

O protesto deste domingo certamente será comparado à grande mobilização dos opositores ao casamento gay, que foi apoiada pelo principal partido da oposição de direita, a União por um Movimento Popular (UMP), pela Igreja Católica e pela comunidade muçulmana na França, que chega a 5 milhões de pessoas.

Mulheres posam como noivas em protesto à favor da legalização do casamento gay na França (Foto:BenjaminGirette/AP)

Os partidários do casamento e da adoção para todos tentaram esclarecer que o objetivo da manifestação deste domingo, realizada sob o slogan "igualdade para todos", não é superar os números da mobilização dos opositores ao projeto, que reuniu 800 mil pessoas, segundo os organizadores, e 340 mil, de acordo com a polícia.

O que buscam, segundo os organizadores da marcha, é superar os números da manifestação em apoio ao projeto que ocorreu em meados de dezembro, e que reuniu cerca de 80 mil pessoas.

O governo do presidente socialista francês, François Hollande, também saiu na frente de qualquer polêmica sobre os números, indicando que o projeto do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da adoção por homossexuais será decidido na Assembleia Nacional, e não nas ruas da França.

Homem se veste de Estátua da Liberdade em protesto pelo casamento gay na França (Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters)
Fonte: G1 via France Press, 27/01/2013

Manifestação pró casamento LGBT em Paris deve aumentar apoio à lei já em 63%

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Apoiadores do casamento gay fazem manifestação em Paris


As associações favoráveis ao casamento gay na França realizarão neste domingo uma manifestação para expressar seu apoio a um projeto de lei para legalizá-lo que começará a ser debatido terça-feira e que provocou há duas semanas um grande protesto contra a medida em Paris.

Os organizadores asseguram que a passeata de hoje não é uma resposta à manifestação que no dia 13 de janeiro reuniu 340.000 pessoas, segundo a polícia, e um milhão de participantes, de acordo com os organizadores.

Mas será inevitável fazer comparações em função da polêmica que o casamento homossexual gerou no país. "Não é o mesmo se manifestar contra algo do que a favor de algo", disse a porta-voz do governo, Najat Vallaud-Belkacem, que poderá ser um dos rostos políticos que desfilarão hoje pelas ruas de Paris.

Para o porta-voz do coletivo de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT), Nicolas Gougain, o autêntico objetivo da manifestação é "lembrar ao governo seus compromissos" diante da pressão dos grupos contrários à lei, que foram recebidos pelo presidente, François Hollande, no palácio do Eliseu na sexta-feira passada.

Apesar do encontro, que durou apenas meia hora, Hollande mostrou sua intenção de seguir adiante com a aprovação de uma lei que representa cumprir uma de suas promessas eleitorais e que "constitui um grande avanço para a igualdade entre todos os cidadãos", indicou o Eliseu.

Em entrevista publicada hoje no semanário Le Journal du Dimanche, a ministra da Justiça, Christiane Taubira, autora do projeto de lei, assegurou que com a iniciativa o governo regulariza "uma realidade social e humana" e que o texto "vai proteger as famílias e os direitos das crianças".

O direito à adoção é o ponto que gera mais controvérsia e divide a opinião dos franceses, amplamente favoráveis ao casamento gay.

O projeto de lei que chegará na terça-feira ao Parlamento engloba o direito dos casais homossexuais adotarem um filho, mas não inclui a possibilidade de que um casal de lésbicas tenha um filho mediante fertilização artificial. Este direito, amplamente reivindicado pelas associações homossexuais e que Hollande se comprometeu a adotar, o governo deverá contemplar em uma lei apresentada em março.

Fonte: Terra via Agência Effe

Pesquisa mostra que 63% dos franceses apoiam casamento entre homossexuais

Reuters - 26/01/2013 16:26

PARIS, 26 Jan (Reuters) - O número de pessoas que aprovam a legislação para casamento entre pessoas do mesmo sexo na França subiu apesar de grandes protestos no início deste mês contra as reformas planejadas pelo governo, mostrou uma nova pesquisa do instituto Ifop encomendada por um site de notícias francês.

A proporção de entrevistados que apoiam a mudança na lei subiu para 63 por cento ante os 60 por cento no início de janeiro e em dezembro.

O apoio ao direito de casais gays adotarem crianças também subiu 3 pontos percentuais, embora o país permaneça dividido nesta questão, com 49 por cento a favor, de acordo com a pesquisa.

O governo francês reforçou sua determinação de pressionar por uma reforma na lei no início deste mês, mesmo depois que quase meio milhão de pessoas marcharam por Paris em 13 de janeiro em oposição à proposta.

A pesquisa mais recente do Ifop ouviu 1.026 pessoas de mais de 18 anos e foi realizada entre 22 e 24 de janeiro.

(Reportagem de James Regan e Catherine Lagrange)

Obama afirma: "Nossa jornada não estará completa até que nossos irmãos e irmãs gays sejam tratados como todos os outros pela lei.”

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Obama e seu histórico apoio aos LGBT
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tomou posse, na segunda-feira (21), para um segundo mandato, com uma festa popular. Ele pediu a união dos americanos, e, durante o discurso, defendeu o direito de igualdade das mulheres, dos imigrantes e dos gays.

O espaço em frente ao capitólio começou a ficar cheio logo cedo, com americanos e visitantes do restante do mundo querendo ver o presidente Barack Obama, aos 51 anos de idade, iniciar o segundo mandato na Casa Branca.

Obama jurou preservar, proteger e defender a Constituição. Neste domingo, ele já tinha feito o juramento oficial na Casa Branca, obedecendo à data prevista na lei, o dia 20 de janeiro.

Na primeira posse, Barack Obama assumiu o cargo quando os Estados Unidos estavam à beira de uma catástrofe financeira. Hoje, a economia está mais estável, ele é muito mais experiente, e o fato de ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos deixou de ser novidade. Nem por isso, os quatro anos que ele tem pela frente serão fáceis.

Nesta segunda, diante de um público de mais de 600 mil pessoas, Obama afirmou que a fidelidade aos princípios que servem de base aos Estados Unidos requer novas respostas e, principalmente, união.

“Uma década de guerra está terminando, e a recuperação econômica começou”, disse. “Essa é a nossa hora, e vamos aproveitar, desde que aproveitemos juntos.”

Ele advertiu que um país não é bem sucedido quando cada vez menos pessoas prosperam e a grande maioria luta para sobreviver.

“Acreditamos que a prosperidade americana tem que se basear em uma classe média crescente", afirmou.

Obama prometeu resolver as diferenças com outras nações de forma pacífica e responder às ameaças das mudanças climáticas. O presidente lembrou ainda que o país terá escolhas difíceis para reduzir os gastos com a saúde e o déficit fiscal.

Em um dos momentos mais emocionantes do discurso, Obama afirmou que a geração dele tem obrigação de continuar a luta iniciada pelos pioneiros na defensa dos direitos civis. Em uma referência ao pastor Martin Luther King, que lutou pelos direitos dos negros, Obama citou a igualdade entre homens e mulheres, a imigração dos que veem os Estados Unidos como uma terra de oportunidades, a criação de empregos e o casamento entre homossexuais.

"Nossa jornada não estará completa até que nossos irmãos e irmãs gays sejam tratados como todos os outros pela lei.”

Para encerrar a cerimônia diante do capitólio, a cantora Beyoncé cantou o hino nacional.

Depois de um almoço com políticos dos partidos democrata e republicano, Obama e a primeira-dama Michele percorreram a Avenida Pensilvânia até a Casa Branca.

Fonte: Jornal Nacional, 21/01/2013

Heterrorismo avança na Rússia: aprovada lei contra "propaganda homossexual"

sábado, 26 de janeiro de 2013 1 comentários

Duas mulheres se beijam em frente ao parlamento russo
 em protesto contra a nova lei

A vida das pessoas homossexuais nunca foi fácil na Rússia. Na época da URSS, durante o período stalinista, artigos contra a homossexualidade foram introduzidos em todos os códigos penais das Repúblicas Soviéticas. Como justificativa para a perseguição, o comissário do povo para a "Justiça", Nikolai Krylenko, afirmava que o "homossexualismo" era  produto da decadência das classes exploradoras ociosas e que não havia lugar para tais pessoas em uma sociedade democrática fundada sobre princípios sadios (sic).

Na Rússia atual, o ex-agente da KGB, Vladimir Putin, não esqueceu os tempos totalitários e vem, desta feita com a ajuda da Igreja Ortodoxa (quando digo que essa gente ironicamente tem muito em comum...), não só investindo na destruição da democracia local, a fim de perpetuar-se no poder, como também reproduzindo, como nos velhos tempos, a criminalização da homossexualidade.

Num crescendo de ataques aos direitos humanos dos LGBT, agora o parlamento russo também aprovou um projeto que proíbe a chamada "propaganda da homossexualidade". Em nosso país, a conservalha brasileira gostaria de fazer o mesmo, porque os direitos homossexuais fariam parte de uma conspiração comunista (sic) para acabar com a sagrada família cristã.

Abaixo, notícia da Folha de São Paulo sobre o assunto e, ao fim da postagem, vídeo do Globo News, de antes da aprovação da lei, que deixa claro que Putin está usando os homossexuais como bodes expiatórios por supostamente contribuírem para destruição dos valores tradicionais russos que fomentam as críticas ao seu governo autoritário. Depois vídeo do The Huffington Post com imagens da repressão aos ativistas que protestavam contra a lei em frente ao parlamento.

Parlamento da Rússia aprova lei contra 'propaganda homossexual'


O Parlamento da Rússia aprovou ontem (dia 25/01), em primeira leitura, o projeto de lei que proíbe a chamada "propaganda da homossexualidade", que limita atos públicos e manifestações dos gays.

A medida faz parte de uma série de leis criadas pelo governo do presidente Vladimir Putin diminuindo os direitos dos homossexuais na Rússia, um dos países mais preconceituosos em relação à orientação sexual da Europa.

A proposta foi aprovada com 388 votos a favor, um contra e uma abstenção. O projeto de lei ainda passará pela Câmara alta do Parlamento antes de ser enviado à sanção de Putin.

Caso aprovada, permitirá a cobrança de multas de até 50 mil rublos (R$ 3.379) por manifestações, atos de campanha e ativismo pelo fim da discriminação de homossexuais.

Durante o debate no Parlamento, o deputado do governista Rússia Unida Serguei Dorofeyev disse que era preciso proteger crianças e adolescentes do que chamou de "consequências da homossexualidade".

A deputada Elena Mizulina, do Rússia Justa, considerou que a exposição das crianças demonstrações afetivas com pessoas do mesmo sexo "limitam o direito dos menores a se desenvolverem livremente".

Os homossexuais sofrem forte discriminação na Rússia, um dos países mais homofóbicos da Europa. Até 1993, ter relações com pessoas do mesmo sexo era crime e até 1999 era considerado uma doença mental.

PROTESTOS

Enquanto acontecia a sessão no Parlamento, ativistas gays e cristãos ortodoxos entraram em confronto pela segunda vez nesta semana. O estopim das agressões foi o beijo dado por duas mulheres na porta da casa legislativa.

Em seguida, os simpatizantes da lei começaram a jogar ovos, tinta, e tentaram atacar o grupo, mas foram impedidos pela presença policial. Os agentes prenderam os manifestantes mais exaltados e os militantes foram dispersados.

A Igreja Ortodoxa Russa pediu para que a nova lei seja estendida por toda a Rússia, ela que já vigora em outras cidades, como São Petesburgo, a segunda maior do país.




São Paulo, uma das cidades mais LGBT do mundo

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013 2 comentários


Como hoje é aniversário de São Paulo, além de parabenizá-la, vale lembrar que, no ano passado, ela foi eleita, por uma pesquisa do portal GayCities.com, em parceria com a companhia aérea American Airlines, um dos melhores destinos gay friendly - receptivo ao público LGBT - em todo o mundo. Na época, a capital paulista apareceu em quarto lugar, com 6% dos votos. Tel-Aviv (43%), em Israel, ficou no topo da lista. Nova York (14%), nos Estados Unidos, ficou em segundo lugar. Em seguida, vem Toronto (7%), no Canadá. Madri e Londres ficaram em quinto lugar, com 5% dos votos.

A pesquisa também avaliou outros oito quesitos das cidades, entre eles melhor gastronomia, moda e vida noturna. São Paulo foi citada novamente no quesito "Cidade do Orgulho Gay". Ficou em segundo lugar, com 12% dos votos, atrás de São Francisco, nos Estados Unidos, que liderou a lista, com 29% das citações.

Naturalmente, o título Cidade do Orgulho Gay se deve a Parada do Orgulho LGBT que atrai turistas tanto de outros estados do Brasil como do exterior (49,8% de outros Estados  e 2,1% de estrangeiros, de acordo com o Observatório do Turismo da Cidade da SPTuris).  Boa parte dos turistas de outros países é dos Estados Unidos, Inglaterra, África do Sul e Itália. Segundo pesquisa feita pela SPTuris, os turistas LGBT são atraídos principalmente pelo entretenimento e pelas compras. 

Também, segundo  Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat-GLS), o roteiro cultural de São Paulo também é outro dos grandes atrativos para homossexuais, por ser repleta de museus, teatros e cinemas.

Vamos registrar ainda que São Paulo é candidata a sediar os Gays Games de 2018 pelo Brasil. No site dos organizadores dos Gay Games, você pode descobrir como apoiar a ideia dos jogos em nossa Sampa querida. Acesse o site e sua página no Facebook e saiba como.

Falta agora dar mais segurança aos LGBT nas ruas da cidade, pois tem havido alguns casos de agressões a gays extremamente lamentáveis, inclusive em pontos considerados nobres da cidade, como Pinheiros (vide caso recente envolvendo André Baliera). Mas ainda chegaremos lá!

Para um roteiro LGBT de Sampa, clique aqui. E (re)veja o vídeo abaixo, que apresenta São Paulo, como a cidade da diversidade, o que ela é mesmo.

Pelo direito de criticar o "homossexualismo"

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013 3 comentários

Projeto assegura a líder religioso liberdade de criticar homossexualismo


A Câmara analisa o Projeto de Lei 4500/12, do ex-deputado Professor Victório Galli (PMDB-MT), que garante a liberdade de expressão religiosa quanto a questões envolvendo a sexualidade. De acordo com a proposta, os líderes religiosos poderão ensinar a doutrina professada pela sua igreja quanto à sexualidade, de acordo com os textos sagrados.

Victório Galli afirma que o objetivo da medida é assegurar o direito constitucional de livre manifestação do pensamento. O temor é de que o projeto de lei que criminaliza a homofobia (PLC 122/06, que tramita no Senado) possa vir a prejudicar o ensino religioso de que o homossexualismo é pecado. Segundo o autor, se o PLC for aprovado, o líder religioso que ensinar que o homossexualismo é pecado correrá o risco de ser preso.

Victório Galli
“O cerceamento da liberdade de expressão durante a realização dos cultos representaria interferência indevida do poder público na atividade das igrejas, impedindo o pleno funcionamento dessas cerimônias e rituais religiosos, em ostensiva violação do mandamento constitucional”, diz Victório Galli.

Tramitação

A proposta tramita em conjunto com o PL 6314/05, que será votado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e pelo Plenário.

Íntegra da proposta: 

Reportagem – Oscar Telles
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Agência Câmara Notícias 23/01/2013 (Clique no link da Agência para votar na enquete sobre esse projeto)

Em Vale Tudo, censura vetou falas de lésbicas, mas liberou maconha

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Laís e Cecília, na novela Vale Tudo, sem final feliz

Agora que está para estrear uma nova novela com um casal de mulheres, onde uma delas inclusive se chama Odete Roitman, a vilã da novela Vale Tudo, vale a pena lembrar que, nessa história também havia um casal de lesbianas, um dos primeiros a aparecer na telinha e que, como de praxe na época, acaba separado pela morte de uma das parceiras.

No texto abaixo, do site 180 graus, especula-se se Cecília teria sido morta por pressão da censura. Ao fim dos texto, vídeo com cena das namoradas na novela Vale Tudo.

Teria Cecília (Lala Deheinzelin) sido morta por pressão da censura, como se especulou durante anos?

Além do assassino da vilã Odete Roitman (Beatriz Segall), a novela "Vale Tudo" (1988) deixou alguns outros mistérios a serem resolvidos quando terminou como um sucesso de audiência e de crítica em janeiro de 1989. Um deles é sobre o casal de lésbicas da trama. Teria Cecília (Lala Deheinzelin) sido morta por pressão da censura, como se especulou durante anos?

Durante a pesquisa feita nos arquivos da Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) em Brasília, pôde se constatar que os autores Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Básseres estavam falando a verdade quando disseram que a morte de Cecília já estava prevista desde o início da novela.

De acordo com o perfil do personagem enviado aos censores, Cecília tinha "45 anos, bonita, simpática, irmã de Olivério [esse era o nome provisório do personagem Marco Aurélio, interpretado por Reginaldo Faria]. Mora há 15 anos com uma amiga, Fátima [esse era o nome provisório de Laís, vivida por Cristina Prochaska]. As duas têm uma pousada em Búzios e vivem lá. [...] Morre por volta do capítulo 50. Participação especial."

A subtrama pretendia discutir uma questão que ainda não foi totalmente resolvida no Brasil: quem tem direito à herança quando um dos integrantes de uma relação homossexual morre? Na novela, Laís acabou herdando a pousada, embora Marco Aurélio, por pura ganância, quisesse tomar conta da herança que, por lei, lhe era de direito.

Mesmo assim, os censores ficaram de olho no desenvolver da história. Nos arquivos de "Vale Tudo", é possível encontrar diálogos inteiros a respeito do assunto que foram veementemente vetados. Em outro desdobramento da história, especulava-se sobre a homossexualidade de Tiago (Fábio Villa Verde). Ele era filho de Heleninha (Renata Sorrah) com Marco Aurélio e sofria com as pressões do pai machista. O personagem, no entanto, não era gay. Apenas era mais sensível que outros meninos e iniciaria sua vida sexual com sua namorada também virgem.

Em um das cenas vetadas, Cecília e Laís perguntam a Heleninha (Renata Sorrah) se ela aceitaria que se seu filho Tiago fosse homossexual. Categórica, a personagem que se tornou notória por seus porres na novela, responde que só queria que seu filho fosse feliz.

Em outro diálogo, a mesma Heleninha comenta com Ivan (Antonio Fagundes) que não sabe se pode chamar isso [a suposta homossexualidade do filho] de problema. Em ofício do dia 21 de julho de 1988, o diretor da DCDP, Raymundo Eustáquio de Mesquita, justifica o corte da cena.

"A fala da personagem Helena não mostra apenas ‘um desabafo de mãe’, mas apresenta um desvio de comportamento de forma absolutamente natural, isento de problemas, o que sabemos está longe de corresponder à realidade."

Cristina Prochaska, a Laís, conversou com a reportagem sobre o episódio. Segundo ela, as cenas escritas sugeriam que as atrizes demonstrassem intimidade, mas que o clima de autocensura nos bastidores era maior.

"A gente era levada a fazer a cena com sensualidade menos evidente para evitar uma censura maior. Lembro de ter lido cena de beijo na boca, selinho, mas não lembro de ter gravado. O público, no entanto, torcia pela Laís. Diziam que sentiam muito e que o direito da herança era ‘meu’. A Laís conquistou o público porque era uma fofa, não era uma sapatão maluca."

Maconha e cacofonia

O rigor dos censores no corte de cenas era outro dos mistérios de "Vale Tudo". Por exemplo, nos diálogos de Marco Aurélio e de César (Carlos Alberto Riccelli), dois personagens amorais da trama, os autores sempre colocavam a interjeição "porra!" ao início ou ao fim da fala. A censura ia lá e cortava. "Puta", "piranha" e "bicha" também não eram toleradas. A linguagem vulgar tinha a intenção de sublinhar o mau caráter de ambos.

Os autores então, por pura provocação, apelaram para a cacofonia para driblar a tesoura. Não adiantou. Em um dos laudos, os censores exigem corte das falas de Poliana (Pedro Paulo Rangel) em que ele diz: "Pô... Raquel... Pô... Raciocina..."

"Foi a época mais criativa da TV brasileira. Não digo que era uma coisa boa, mas, sob pressão, havia um diálogo permanente com a censura. Do tipo: ‘vamos ver se isso você deixa passar’.", contou o autor Aguinaldo Silva, satisfeito ao saber que pelo menos uma de suas provocações funcionou.

Em uma das cenas da novela, César aparece manipulando um punhado de maconha. Ao fim da cena, seu amigo Olavo (Paulo Reis) diz: "Passa a bola!". A censura não viu problema por não haver close na droga. Aguinaldo Silva explica o porquê da cena: "Ele era michê, estelionatário, ladrão, golpista e não puxava fumo? Colocamos isso para dar mais veracidade ao personagem."

"Vale Tudo" foi a última novela a ser censurada pela DCDP. O órgão foi extinto com a aprovação da Constituição de 1988.

Fonte: 180 graus

Pérola Negra: Ellen Oléria, talentosa e assumida

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013 0 comentários

Ellen Oléria
Seguindo a tradição de que praticamente todas as cantoras brasileiras são lésbicas, embora a maioria não se assuma, a brasiliense Ellen Oléria, vencedora do The Voice Brasil, em dezembro último, cantou, encantou e assumiu sua orientação sexual sem neuras nem sustos. Tanto que suas namorada e mãe foram focadas pelas câmeras da Globo, na plateia do programa, em vários momentos.

Ellen, ganhou prêmio  de R$ 500 mil, carro e direito a gravação de um CD pela Universal que, se depender dela, chegará às lojas ainda neste primeiro semestre de 2013.

A cantora cogita incluir no disco algumas das canções que mais entusiasmaram o público ao longo do programa da Globo, como Maria Maria, Taj Mahal e Anunciação, mas, no geral, promete novidades e um CD festivo e cheio de balanço


Como não podia deixar de ser, além do talento, Ellen Oléria chamou a atenção no “The Voice” por ser negra e homossexual assumida. Em entrevista ao O Globo, de sábado último (19/1), comentou sobre o assunto: 

"- Não sei o que acontece que as pessoas gostam tanto de falar da minha negritude, mas acho maravilhoso. Creio que cabem pra mim todos os rótulos que eu escolher carregar. Sou negra, sou lésbica... E espero que eu possa inspirar as pessoas com essa minha maneira de lidar com as coisas, sejam elas negras ou não, lésbicas ou não."

Esperamos que ela realmente inspire outras lesbianas a seguir sua maneira de lidar com essas coisas. Passa da hora de tratar o assunto de forma natural. E (re)vejam abaixo Ellen cantando Anunciação e uma entrevista dela ao Cadão Volpato, em 2011, no programa Metrópolis, bem antes do sucesso no The Voice, onde seu talento já era reconhecido. 


Com informações de O Globo

Índia proíbe homossexuais de recorrer à barriga de aluguel

terça-feira, 22 de janeiro de 2013 0 comentários

Ativistas homossexuais: cada vez mais casais homossexuais ou solteiros
estrangeiros  recorrem a barrigas de aluguel para se tornarem pais na Índia

Nova Délhi - A Índia proibiu os casais homossexuais e os solteiros estrangeiros de recorrerem à barriga de aluguel no país, indicou um comunicado do ministério do Interior, no qual se especifica que os pais adotivos deverão ser "um homem e uma mulher, casados há ao menos dois anos".

O setor das barrigas de aluguel remuneradas está em pleno crescimento na Índia e cada vez mais casais homossexuais ou solteiros estrangeiros recorrem a elas para se tornarem pais.

As novas regras, transmitidas às embaixadas estrangeiras no fim de 2012, estabelecem que os casais de outros países que desejarem recorrer a uma barriga de aluguel na Índia deverão ser "um homem e uma mulher, casados há ao menos dois anos".

A diretiva também informa que o pedido de um visto autoriza a entrada no país dos pais adotivos de um bebê nascido de uma barriga de aluguel na Índia para evitar que estas crianças depois sejam vítimas de um vazio jurídico.

Os casais também precisarão solicitar um visto médico, e não um visto turístico, segundo as novas regras.

Estas mudanças passaram desapercebidas durante os últimos dias de 2012 e acabam de ser publicadas pela imprensa indiana.

Não se sabe o número de mulheres indianas que atuaram como barrigas de aluguel em troca de remuneração, mas, segundo médicos e especialistas, são cada vez mais. Um projeto de lei está em andamento para regular esta atividade.

Algumas pessoas consideram que a falta de legislação neste âmbito favorece uma economia da barriga de aluguel e facilita a exploração das mulheres mais pobres.

Fonte: Exame via AFP

Moralidades anacrônicas e o histórico fascista da Igreja Católica

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013 0 comentários

Em pacto com a Igreja, Mussolini criou o Estado do Vaticano
 e tornou o catolicismo religião de Estado

Por Míriam Martinho

Ainda na esteira das manifestações contra o casamento LGBT em Paris, segue abaixo entrevista, publicada no Estadão de sábado (19/1), com o sociólogo Ricardo Mariano, sobre a ofensiva da Igreja Católica e outras denominações cristãs (também judias e muçulmanas) contra a modernidade, as liberdades individuais e a isonomia de direitos.

E já que essa instituição nefasta insiste em posicionar-se contra a universalização e a equalização de direitos, cabe a todos os democratas lembrar um pouco o histórico recente da dita. Nem vamos retornar à Idade Média onde a "santa" reinou despoticamente sobre a Europa, dando início ao terror como forma de subjugação dos povos, via torturas e execuções de pessoas - sobretudo mulheres - afogadas ou queimadas vivas em praças públicas.

Lembremos apenas do passado recente desta "santa" e seu apoio, no século passado, ao nazifascismo. Lembremos que foi para simbolizar o pacto entre o Fascismo e a Igreja, que Mussolini assinou o famoso tratado de Latrão, em 1929, criando o Estado do Vaticano e tornando o catolicismo religião de estado. Em retribuição, as associações católicas, com raras exceções, passaram a integrar as organizações fascistas e, em 1932, o papa outorgou ao Duce a Ordem da Espora de Ouro, a mais alta distinção concedida pelo Estado do Vaticano.

Lembremos também que, na Alemanha, em março de 1933, o partido católico Zentrum, liderado por um prelado católico (padre Kaas), votou a favor de dar plenos poderes a Hitler, permitindo que o tirano pudesse atingir a maioria de dois terços necessária para suspender os direitos garantidos pela Constituição alemã. 

Bandeira do Deutschen Christen
Lembremos ainda que Hitler também foi apoiado pela igreja protestante, a ponto dessa igreja criar o movimento nazi-protestante chamado Deutschen Christen liderado pelo pastor Ludwig Müller. Müller e outros religiosos (católicos e protestantes) se tornariam membros do NSDAP (partido nazista). 

O Führer, que se dizia católico, retribuiu a gentileza, tornando obrigatória uma prece a Jesus nas escolas públicas alemãs (como os evangélicos tentam fazer aqui no Brasil), e reintroduziu a frase Gott mit uns (Deus está conosco) nos uniformes do exército alemão.

Hitler saúda padre e o pastor luterano Ludwig Müller

Por fim, ver, ao final da entrevista do sociólogo Ricardo Mariano, um vídeo sobre as ligações da Igreja Católica com o nazifascismo e outros governos autoritários do século passado. Em alguns momentos, é preciso pausar o vídeo para ler o texto (há descompasso entre as imagens e o texto), mas vale a pena.

Não era novidade para mim as intimidades da Igreja com o nazifascismo, mas admito que não sabia de tantos detalhes. Quando disse, em meu texto sobre a marcha dos reacionários franceses, no dia 13 último, que se tratava de uma manifestação fascista, me referia naturalmente ao fato de ser uma manifestação antidemocrática, pois que contra a igualdade de todos perante a lei, contra os direitos de um determinado grupo social.

Fica claro, contudo, por essas informações sobre a relação da Igreja e de pastores com o nazifascismo, que a expressão fascista, no referente à Igreja, tem também um lastro histórico e que a oposição da mesma ao comunismo não se deu pela questão dos direitos humanos, tão infringidos pelos regimes totalitários comunistas, mas sim apenas porque o comunismo atentava contra seus interesses como instituição (os regimes do gênero perseguiram as religiões e os religiosos em geral).

Daí que concluo repetindo mais uma vez o meu mantra: entre socialistas e conservadores, sobretudo religiosos, o páreo é duríssimo para saber quem ganha o prêmio de maior autor de crimes contra a humanidade.

Com informações de CMI Brasil, A cumplicidade da igreja com o fascismo  

‘Moralidades anacrônicas’

Para sociólogo, apesar da resistência da Igreja Católica, a modernidade aponta para novos modelos de família


Hoje não levantam mais os bracinhos,
mas a mentalidade fascista permanece a mesma

Destaque: Recorrem a fantasias delirantes de que, no caso da legalização das adoções por casais gays, a sexualidade dos pais poderá influenciar a sexualidade das crianças, prejudicando-as pela ausência de uma referência de gêneros. Como se não bastasse, acusam, absurdamente, os homossexuais de serem responsáveis pelo aumento dos casos de pedofilia. A partir de preconceitos infundados, leituras bíblicas fundamentalistas, teologias de matiz integrista e moralidades religiosas extemporâneas, defendem a discriminação de pessoas por suas orientações sexuais, propondo publicamente que o Estado as trate de modo desigual. Portanto, opõem-se à isonomia de direitos. Essa é justamente a reivindicação dos movimentos LGBT: igualdade de direitos. Só querem assegurar o direito jurídico de casar e de adotar crianças, como qualquer outra família.

Por séculos, a Igreja Católica lutou contra as liberdades de expressão e de pensamento, contra o princípio da tolerância, contra a modernidade. Mas mudou muito, sobretudo a partir do Vaticano II, ao sucumbir e se adaptar a valores, princípios e instituições da democracia liberal. Nas últimas décadas, seus pendores conservadores falaram alto, ficando obcecados pela defesa da família e da vida. A garantia do Estado laico depende da vigilância e da mobilização política constante por parte dos defensores da laicidade.

Paris parou. Desta vez não foram intelectuais e críticos franceses hasteando incendiárias bandeiras liberais na Champs-Elysées. Foram milhares de manifestantes religiosos - católicos, evangélicos e muçulmanos, entre outros - em marcha contra o casamento gay, que o presidente François Hollande pretende legalizar. “Foi uma reação de diferentes forças da direita francesa - e nada melhor que escolher Paris para conferir visibilidade ao movimento político”, comenta o sociólogo Ricardo Mariano nesta entrevista.

No paralelo, no mesmo domingo, militantes feministas fizeram topless mirando a janelinha de Bento XVI, em Roma. Contra o Angelus que recitava o papa, as ativistas do Femen mostraram corpos ilustrados com provocativos slogans como In Gay We Trust - e foram rapidamente cobertas por policiais e fiéis. “Foi uma resposta, uma provocação. Ali, na sede da Santa Sé, a manifestação não passaria em branco”, diz Mariano. 

Para o sociólogo, a hierarquia eclesiástica católica tem como ideal de modelo familiar o núcleo formado por um casal heterossexual, unido pelo casamento monogâmico, e sob a autoridade masculina. “Mas tal modelo está em rápido declínio. Crescem as uniões estáveis, as famílias monoparentais, os casais sem filhos”, afirma. 
Onze países reconhecem o casamento gay, como Argentina, Bélgica, Canadá, Holanda, Islândia, Noruega e Suécia. No Brasil, desde as rodadas de discussões no Supremo Tribunal Federal em 2011, é reconhecida a união civil homoafetiva. Nos últimos tempos, Estados Unidos e França parecem caminhar nessa linha, para legalizar o casamento gay. “Aos poucos, os políticos estão perdendo o medo de se insurgirem contra moralidades anacrônicas”, continua Mariano, um estudioso das relações espinhosas entre política e religião, e autor de Laicidades em Debate (EdiPUCRS) e de Neopentecostais: Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil (Loyola). De Porto Alegre, ele falou ao Aliás.

Mussolini, com as bençãos de Deus
No domingo passado, uma manifestação massiva contra o casamento gay tomou as ruas de Paris. Isso pode ser interpretado como uma ofensiva da Igreja Católica? 

Foi uma reação que mobilizou diferentes forças da direita francesa - e nada melhor do que escolher Paris para conferir visibilidade a qualquer movimento político reivindicativo. Entre essas forças, a Igreja Católica, zelosa defensora da discriminação estatal das minorias sexuais. Historicamente, as direitas se posicionam contra a universalização e a equalização de direitos. A hierarquia eclesiástica católica e a maioria dos grupos protestantes têm como modelo familiar ideal o núcleo formado por um casal heterossexual, unido pelo casamento monogâmico (que se pretende indissolúvel, pois sagrado), com ou sem filhos, sob a autoridade masculina. Porém, tal modelo está em rápido declínio. Crescem as uniões estáveis, as famílias monoparentais, os casais sem filhos. E as famílias resultantes das mais diversas recomposições de indivíduos divorciados e seus filhos de outras uniões. Além disso, o casamento religioso e civil não é mais o principal vínculo das relações conjugais. Atualmente, o que une os casais são os laços afetivos, independentemente de qualquer rito religioso ou documento. E a área do direito da família, cada vez mais secularizada, tem isso em alta conta. Mas lideranças católicas e evangélicas tendem a considerar legítimos - quer dizer, “normais” e “naturais” - o casamento heterossexual e a família nuclear, que seriam inspirados por Deus. Salvo algumas exceções (como as igrejas evangélicas compostas por gays), as lideranças consideram as práticas homossexuais antibíblicas, imorais, patológicas, pecaminosas e promíscuas. Inferiorizam, estigmatizam e discriminam as minorias sexuais. Assim, estabelecem hierarquias de gênero. 

Por quê? 
Esses grupos religiosos acreditam que as práticas sexuais e os arranjos familiares dos gays atentam contra normas e valores cristãos, culturalmente dominantes. Normas e valores que consideram universais, os únicos corretos e desejados por Deus. Recorrem a fantasias delirantes de que, no caso da legalização das adoções por casais gays, a sexualidade dos pais poderá influenciar a sexualidade das crianças, prejudicando-as pela ausência de uma referência de gêneros. Como se não bastasse, acusam, absurdamente, os homossexuais de serem responsáveis pelo aumento dos casos de pedofilia. A partir de preconceitos infundados, leituras bíblicas fundamentalistas, teologias de matiz integrista e moralidades religiosas extemporâneas, defendem a discriminação de pessoas por suas orientações sexuais, propondo publicamente que o Estado as trate de modo desigual. Portanto, opõem-se à isonomia de direitos. Essa é justamente a reivindicação dos movimentos LGBT: igualdade de direitos. Só querem assegurar o direito jurídico de casar e de adotar crianças, como qualquer outra família. 


Que impacto isso causa na sociedade? 

Esses grupos religiosos legitimam a homofobia. No Brasil, o Projeto de Lei 122/2006 (que propõe a criminalização da homofobia) provocou diversas reações contrárias e homofóbicas de grupos cristãos, principalmente evangélicos. Entre outros absurdos, dizem que os homossexuais querem estabelecer uma “ditadura gay” no País. Nas suas igrejas, tentam “libertar” as supostas vítimas do demônio da homossexualidade, tentam curá-las por intervenção divina e práticas psicoterápicas proibidas, pois anticientíficas e antiéticas, segundo o Conselho Federal de Psicologia. Frente às mudanças culturais, aos novos e pluralistas arranjos familiares e ao surgimento do movimento gay nas últimas décadas, os grupos cristãos conservadores reagiram fortemente, mobilizando-se para fazer lobbies e pressionar partidos, parlamentares e governantes, para impor obstáculos morais e políticos a quaisquer mudanças jurídicas a respeito do casamento, da família, da união civil. 

Le Monde cita uma ofensiva midiática do Vaticano, tanto que o papa estreou no Twitter. Bento XVI está tentando se modernizar? 

Decididamente, os dois últimos pontificados não se preocuparam nem agiram para empreender nenhuma espécie de novo aggiornamento, muito menos no plano da moralidade sexual e da família. Ao contrário. Eles parecem voltados a um passado menos pluralista e menos democrático. Desconectado com seu tempo e com suas urgências, João Paulo II se manteve firme, vetando o uso da camisinha em pleno auge da epidemia da aids. A moral sexual defendida pela Igreja Católica tem se mantido reacionária, marcada por posições tradicionalistas, em crescente descompasso com o avanço dos direitos humanos nessas matérias. Quanto aos jovens, a defesa de abstinência sexual para solteiros, por exemplo, está a anos-luz de constituir uma estratégia razoável para conquistá-los. Proposta de um anacronismo infindo, ainda mais diante da crescente emancipação individual e individualizante em relação a moralidades e instituições religiosas tradicionais. 
O sociólogo argentino Juan Marcio Vaggione diz que a política é uma dimensão constitutiva da Igreja Católica. Bento XVI tem sido acentuadamente político? 

Não me parece que o pontificado de Bento XVI seja mais político e politizado que o de seus antecessores. A questão é que a Igreja Católica, assim como outras instituições religiosas tradicionais, está cada vez mais pressionada pela secularização desenfreada de diversas áreas da vida, com o avanço do pluralismo cultural, os desafios éticos impostos pelas descobertas científicas, os outros movimentos religiosos, as rápidas transformações comportamentais e culturais, etc. Por certo, a rápida descatolicização da Europa e da América Latina vem pesando na forte reação defensiva e conservadora da Igreja contra quaisquer mudanças legislativas na família e na moralidade sexual. Na modernidade, um dos principais redutos das instituições religiosas tem sido justamente a esfera da moralidade focada na vida privada. Mas convenhamos que, na prática, as instituições religiosas perderam há tempos o poder que outrora tinham sobre a conduta dos indivíduos. Basta observar que a Igreja Católica não tem mais poder sobre as mudanças demográficas na América Latina para questões como o uso de métodos contraceptivos, os novos padrões de relacionamento afetivo e namoro, os hábitos sexuais. Tais mudanças comportamentais agora passam a ser legitimadas em diferentes países. Pipocam aprovações da união civil de homossexuais. Aos poucos, os políticos estão perdendo o medo de se insurgirem contra moralidades sexuais anacrônicas. Em plena campanha presidencial norte-americana, Barack Obama se manifestou favorável ao casamento gay. Agora, na laica república francesa, é a vez de François Hollande bancar a ideia. 
Enquanto milhares desfilam em Paris contra o casamento gay, a Catedral Nacional passará a realizar essas uniões em Washington... 

Atualmente, a Igreja Católica é internamente bastante diversificada - apesar de correntes teológicas conservadoras serem hegemônicas no momento. Por séculos, a Igreja Católica lutou contra as liberdades de expressão e de pensamento, contra o princípio da tolerância, contra a modernidade. Mas mudou muito, sobretudo a partir do Vaticano II, ao sucumbir e se adaptar a valores, princípios e instituições da democracia liberal. Nas últimas décadas, seus pendores conservadores falaram alto, ficando obcecados pela defesa da família e da vida. A garantia do Estado laico depende da vigilância e da mobilização política constante por parte dos defensores da laicidade. 

A religião deve ocupar o espaço público? 

A democracia moderna é agonística por natureza. Em sociedades pluralistas, espera-se que ocorram divergências, disputas, conflitos entre diferentes atores sociais que sustentam distintos interesses, ideologias, moralidades e valores. As instituições e autoridades públicas devem resguardar a paz, a ordem social, o cumprimento da lei e o próprio direito fundamental de todos para manifestar livremente suas ideias, suas preferências e seus valores no espaço público. Se se quer assegurar a democracia, não se pode negar o direito dos grupos religiosos de vir a público para defender seus interesses, protestar contra atos do governo, politizar suas demandas. É constitutivo da democracia. Além disso, os grupos religiosos não são intrinsecamente conservadores na política, nem tradicionalistas na moral. Por exemplo, as seitas protestantes desempenharam destacado papel na formação da democracia norte-americana, enquanto as igrejas protestantes dos negros foram fundamentais na luta pelos direitos civis. Por sua vez, a Igreja Católica também passou por mudanças teológicas e políticas consideráveis. A partir da década de 1960, após o aggiornamento promovido pelo Concílio Vaticano II, que reconheceu o direito à liberdade religiosa e deu relativa abertura ao princípio da laicidade, a ala católica progressista avançou celeremente na América Latina. Disseminou a Teologia da Libertação, as comunidades eclesiais de base, as pastorais sociais. Quatro anos depois do golpe militar no Brasil, a Igreja Católica rompeu com a ditadura e se tornou um baluarte da defesa das liberdades civis, dos direitos humanos e da redemocratização. A guinada ideológica da Igreja Católica demonstra empiricamente que não se pode definir qualquer religião, incluindo aí as distintas vertentes islâmicas, como intrinsecamente conservadoras ou incompatíveis com a democracia e os princípios basilares da modernidade. 

Encíclicas de João Paulo II e Bento XVI criticam a modernidade. Numa mirada de longo prazo, o sr. diria que o Vaticano vem mesmo na linha da politização? 

Na primeira carta de seu pontificado, no dia 25 de dezembro de 2005, Bento XVI afirma que “a justa ordem da sociedade e do Estado é dever central da política”. Após reconhecer a distinção entre Estado e Igreja, o papa admite que a política não pode ser encargo imediato da Igreja. Para o pontífice, “a Igreja não pode nem deve tomar nas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível”. Mas, a seu ver, não pode ficar à margem na luta pela justiça. Essa observação preconiza a atuação da Igreja na esfera pública lato sensu, embora não necessariamente na política partidária. Porém, para definir a justiça, o Estado precisa recorrer à razão. O inconveniente disso é que a razão, a seu ver, tende a padecer de uma “cegueira ética, derivada da prevalência do interesse e do poder que a deslumbram”. Por isso, para o pontífice, cabe à fé católica o papel de descortinar novos horizontes para além do âmbito da razão e purificá-la de sua cegueira. No intento de colaborar para a construção de uma sociedade justa, atribui à Igreja um papel de mediadora da política. Assim, apesar de salvaguardar, parcialmente, a moderna autonomia do Estado e da política em relação aos poderes religiosos, Bento XVI defende um papel decisivo da Igreja na confirmação da ética. Com sua “laicidade sã”, o papa procura mobilizar e municiar doutrinariamente suas bases para lutar a fim de manter a Igreja influente na esfera pública. A perspectiva de Bento XVI repousa numa crítica tipicamente conservadora aos preceitos racionais e seculares das esferas jurídica e política e à razão científica, numa visão religiosa que deprecia a modernidade. 

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