Triângulo amoroso lésbico da Rainha Ana da Grã-Bretanha rendeu muitos ciúmes e fofocas palacianas

sexta-feira, 17 de abril de 2020 0 comentários

Pintura de Willem Wissing e Jan van der Vaardt representando a Rainha Ana
Pintura de Willem Wissing e Jan van der Vaardt representando a Rainha Ana - Wikimedia Commons

O suposto romance entre Ana da Grã-Bretanha e Lady Sarah ia bem, até que a criada Abigail Hill chegou ao palácio

Pouco se lembra sobre o governo da Rainha Ana da Grã-Bretanha. Mesmo com um reinado surpreendente, que passou por episódios como a Guerra da Sucessão Espanhola, seu legado não é considerado pelos britânicos como grandioso.

A monarca ficou no poder por cinco anos e sempre foi vista como uma mulher dura e gananciosa. O problema, todavia, é que, como qualquer história sem registros definitivos, a reputação de Ana foi construída em volta do que as pessoas pensavam sobre ela.

Nesse sentido, grande parte do estigma sem carisma da Rainha partiu de uma pessoa em especial: Lady Sarah. Foi ela que, em suas memórias, construiu um retrato rude da monarca. Por que? Bom, a resposta é mais simples que parece: vingança.

Na Inglaterra do século 18, o conceito de homossexualidade não era conhecido, muito menos discutido. Esse fato, porém, não conteve os sentimentos que Ana cultivava por Lady Sarah. No entanto, sabe-se que a rainha tinha, de fato, certas tendências lésbicas.

Isso porque a monarca teria desenvolvido uma obsessão por Sarah. Dessa forma, apaixonada pela esposa do duque de Marlborough, Ana escrevia diversas cartas, às vezes diariamente, para a sua amada. Mesmo com a existência dos documentos escritos pela monarca, não é possível provar que as duas mulheres tiveram, de fato, relações sexuais.

A história ficou mais complicada quando Abigail Hill chegou ao palácio. Com a vontade de se tornar o braço-direito da rainha, a criada se aproximou da monarca e deixou Sarah, que era conselheira, incomodada.

Para a duquesa, no entanto, a rainha não poderia sentir qualquer atração por Abigail, além de sexual, já que, aos olhos de Sarah, a novata não tinha grandes qualidades. Mesmo assim, importunada pela situação, a mulher traçou um plano.

Ainda que tivesse medo de sua relação com Ana ser descoberta, Lady Sarah acusou a Rainha de ter um caso com Abigail. No final, sem sua relação com Ana, Lady Sarah passou a transmitir uma imagem errada da monarca, descrevendo-a como rude, dura e sem carisma.

Ver também A Favorita: Rainha Anne, suas amantes e as questões de Estado

Clipping Vingança e ciúmes: o escandaloso triângulo amoroso lésbico da rainha Ana, por Pamela Malva, Aventuras na História,  09/04/2020

Faleceu Phyllis Lyon, pioneira ativista lésbica, aos 95 anos

quarta-feira, 15 de abril de 2020 0 comentários

Phyllis Lyon, Pioneering Lesbian Activist, Dies at 95
Ativista Phyllis Lyon fundou a 'Daughters of Bilitis', primeira organização lésbica americana 

Faleceu aos 95 anos, de causas naturais, em 13/04/2020, a ativista Phyllis Lyon, pioneira na luta pelos direitos homossexuais.

Phyllis, junto de sua esposa Del Martin, falecida em 2008, fundou a primeira organização de direitos lésbicos na América, o 'Daughters of Bilitis'. Juntas, elas também criaram a publicação lésbica 'The Ladder'.

Em 2004, foram o primeiro casal do mesmo sexo a trocar votos de casamento em São Francisco, nos Estados Unidos. E foram casadas pelo atual governador da Califórnia, Gavin Newsom.

O casamento foi anulado quando a Suprema Corte da Califórnia derrubou as leis contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2008, mas elas se casaram novamente.

Phyllis Lyon and Del Martin, first same-sex couple ever to marry ...
Del Martin e Phyllis Lyon tiveram um papel crucial na conquista dos direitos homossexuais

No decorrer da vida, o casal também fez campanha para que figuras políticas e religiosas se tornassem mais favoráveis aos direitos de gays e lésbicas.

Phyllis co-fundou e dirigiu o Fórum Nacional do Sexo, foi professora do Instituto de Estudos Avançados da Sexualidade Humana e, ao lado de Del, escreveu o livro 'Lesbian/Woman'.

A morte de Phyllis foi compartilhada por Gavin Newsom, que afirmou em um comunicado:
Phyllis e Del eram a manifestação do que é o amor e a devoção. Phyllis, sua coragem mudou o curso da história."
O senador da Califórnia Scott Wiener disse:
Perdemos uma gigante hoje. Phyllis Lyon lutou pela igualdade de gays e lésbicas quando não era seguro nem popular fazê-lo. Ela e sua esposa, Del Martin, tiveram um papel crucial na conquista dos direitos e dignidade de que nossa comunidade agora desfruta. Devemos imensa gratidão por seu trabalho"
Phyllis deixa uma filha e genro, dois netos e um bisneto. A família pediu que sejam feitas doações aos Serviços de Saúde Lyon-Martin de São Francisco, uma clínica nomeada em homenagem a ela e Del, que atende à comunidade de gays e lésbicas.

Clipping Morre aos 95 anos Phyllis Lyon, pioneira na luta pelos direitos LGBTQ+, UOL Universa, 13/04/2020

Angela Ro Ro encontra "maior amor de sua vida" em namorada 30 anos mais jovem

segunda-feira, 6 de abril de 2020 0 comentários

Angela Ro Ro posta primeira foto com a namorada
Angela e a namorada em Saquarema, na Região dos Lagos do Rio

Um dia após publicar a primeira foto com a namorada e revelar publicamente o romance de pouco mais de um ano com uma produtora cultural, Angela Ro Ro afirmou ao EXTRA que está vivendo, aos 70 anos, a maior história de amor da sua vida.
Ela é a pessoa que eu mais amei, junto com a mamãe. É o maior amor da minha vida. Não consigo comparar as experiências que eu tive numa vida inteira, mas é, latentemente, é a coisa mais forte que eu senti na minha vida e a mulher mais companheira", diz a cantora, que prefere não revelar o nome da amada. Ela explica:
Não quero interferir nos contatos profissionais dela. A gente ainda vive num mundo de preconceito, onde o racismo é latente contra todas as raças, e o ódio está se acumulando. A homofobia continua forte".
Angela está isolada em sua casa de praia, em Saquarema, na Região dos Lagos do Rio, na companhia da namorada (mas elas não moram juntas). Foi de lá que ela resolveu postar em suas redes sociais a primeira foto das duas juntas.
Por quê não postar um momento bonito que a gente está vivendo?. Se deixarem comentários preconceituosos, eu excluo", avisa.
A cantora revela que a namorada está quase na casa dos 40 anos e brinca com a diferença de idade entre elas:
Ela tem cara de garota, mas também não é nenhuma ninfeta. Já está indo para os 40 anos. Se o Chico Buarque pode, por que eu não posso?", questiona, gargalhando, referindo-se ao atual namoro do cantor, de 75 anos, com a advogada e doutora em Direito, Carol Proner, de 43.
Angela Ro Ro posta primeira foto com a namorada
Angela Ro Ro e namorada

Angela Ro Ro se declara para a namorada

Clipping Angela Ro Ro diz que namorada 30 anos mais jovem é o "maior amor de sua vida", Extra, 04/04/2020
 

Em dose dupla, casal de mulheres amamenta seus dois filhos

quarta-feira, 18 de março de 2020 0 comentários

Casal homoafetivo se olhando enquanto amamentam os filhos gêmeos
Depois de encararem uma fertilização in vitro, Marcela e Melanie compartilharam a amamentação dos bebês graças a indução à lactação  — Foto: Arquivo pessoal/ Igor Dalboni

"Topo. Vamos!” Essas foram duas palavras mágicas usadas pela escritora e educadora Marcela Tiboni, de 37 anos, para aceitar o desafio de compartilhar as dores e as delícias da amamentação com a esposa, a corretora de imóveis Melanie Graille, 30 anos. Juntas, elas amamentaram os gêmeos Bernardo e Iolanda, nascidos em 2018, após uma fertilização in vitro. Assunto pouco divulgado na mídia, a lactação conjunta homoafetiva também foi uma novidade na vida do casal.

O início da relação foi em 2013, durante um curso de pós-graduação, em São Paulo. Desde do começo do relacionamento, o desejo de ter filhos sempre foi latente na vida de ambas.

Em conversa com o Metrópoles, o casal comenta desde do tratamento para a produção de leite até os olhares curiosos na rua e nas redes sociais desde que decidiram pela amamentação homoafetiva.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) é apenas uma entre dezenas de entidades do setor que reforça a importância do leite materno para o desenvolvimento das crianças de até dois anos. Ela deve ser exclusiva durante os seis primeiros meses de vida. A medida reduz em 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos.

O processo de fertilização

Apesar de cogitar a adoção, o casal decidiu que queria viver a maternidade por meio da gestação. Elas concretizaram o desejo com a fertilização in vitro, método gestacional em que a fertilização do óvulo é feita em laboratório e, se a evolução for favorável, os pré-embriões são transferidos para o útero da mãe.

No caso de Melanie e Marcela, o doador do sêmen preferiu não se identificar. Antes de realizar o processo, o casal sentiu falta de informação sobre o assunto, sobretudo em um casamento gay.

A cada consulta feita pelo médico, as dúvidas sobre essa nova fase cresciam”, relata Melanie, que gestou as crianças.

Marcela, Melanie e suas crianças

Amamentação em dose dupla

A dupla amamentação veio como uma proposta descompromissada para as duas mães. Apesar de ambas saberem que o método existia, nenhuma delas tinha noção de como aquilo era viável.

Após uma longa pesquisa, o casal seguiu para as consultas com a ginecologista e obstetra Ana Thais Vargas, e a consultora de amamentação Kely Carvalho Torres.

Do quinto ao sétimo mês de gravidez, Marcela tomou anticoncepcional. A medida fazia parte do tratamento e, assim, houve um aumento de estrogênio, progesterona e prolactina. Em seguida, sua menstruação foi interrompida.

Na visão da escritora, o grande diferencial foi utilizar a bomba para ordenha cinco vezes ao dia, durante todos os meses em que Melanie estava grávida.

Hoje, os gêmeos estão com 1 ano e 5 meses e seguem com o aleitamento materno.

As dores e delícias da maternidade

Para Melanie, dividir os sintomas da gravidez com a esposa foi enriquecedor.

As duas viveram o puerpério ao mesmo tempo. Variações de humor que iam de rir muito a chorar “de soluçar” eram sentimentos compartilhados.

A história das duas mães inspirou Marcela a escrever um livro sobre o assunto, batizado de Mama: um relato de maternidade homoafetiva, e lançado no ano passado.
O Mama foi a minha gestação. Colocava nas páginas todos os meus questionamentos em relação a maternidade“, afirma Marcela.

Olhares curiosos

Marcela Tiboni observa os olhares preconceituosos como falta de conhecimento sobre o assunto. A descriminação aconteceu poucas vezes, e é mais comum virtualmente. “Quando saem matérias nas redes sociais, surgem diversos comentários homofóbicos”, garante.

Por amamentar em público, o casal nunca sofreu preconceito, mas, muitas vezes, o ato gera um desentendimento dos indivíduos.
As pessoas veem dois bebês e perguntam que é a mãe, nós respondemos que são as duas. Algumas, se interessam. Outras, viram as costas e vão embora”, conclui.
Clipping Amor sem tabu: juntas, mulheres lésbicas amamentam 2 filhos, Metrópoles, por Fernanda Suassana, 14/03/2020

Casal de mulheres denuncia funcionária do SAC que pediu identificação paterna em RG do filho das duas

segunda-feira, 16 de março de 2020 0 comentários

Casal tenta fazer RG do filho e denuncia homofobia de funcionária do SAC, em Salvador — Foto: Reprodução/TV Bahia

Caso ocorreu em Salvador. Resolução da CNJ prevê, no caso de filhos de casais homoafetivos, que é obrigado constar no documento a nomenclatura 'filiação' sem distinção de paternidade e maternidade.

Um casal de Salvador denunciou uma funcionária do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) por homofobia, na capital baiana. As mulheres contam que no momento de emitir o RG do filho, de um ano, a funcionária exigiu que uma delas se identificasse como o pai e a outra como a mãe. Além disso, perguntou a elas quem era o pai da criança.
Chegando lá no guichê, a funcionária de nome Maria de Fátima começou a preencher uns dados quando olhou a certidão de nascimento do nosso filho e viu que tinha duas mães. Ela parou, cruzou os braços e olhou para a nossa cara e falou: quem é o pai?", disse uma das denunciantes.
O caso ocorreu no início do mês fevereiro. Desde março de 2016, uma resolução da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) sobre a emissão do registro geral prevê, no caso de filhos de casais homoafetivos, que a obrigatoriedade de constar os nomes dos ascendentes não deve haver qualquer distinção quanto paternidade ou maternidade.

Apesar da resolução e da nomenclatura "filiação" na certidão de nascimento, a funcionária não cedeu aos questionamentos do casal.
A gente se assustou um pouco e respondemos:' Não tem pai. Ele é um filho de duas mulheres, inclusive foi feita uma inseminação artificial, como consta na certidão de nascimento, e ele é filho de duas mães'. Ela chegou e disse: 'Alguém vai ter que ser o pai, porque senão não será possível emitir o RG da criança', conta.
O casal disse que se abalou diante da situação e acabou se convencendo com a explicação da funcionária. "A gente ficou meio abalada na hora e falou: 'Então a senhora coloca aí a mãe Flávia e o pai Andréa", revela.

Poucos minutos depois de deixar o SAC, que funciona em um shopping da Avenida Tancredo Neves, a família recebeu uma ligação, pedindo para que retornasse para a correção de um erro.
Chegamos lá no SAC novamente fomos atendidos pelo senhor Gildo. Ele pediu apenas a certidão de nascimento, não justificou qual seria o probleminha. Aí Flávia foi perguntar para ele: 'Ô seu Gildo, é necessário mesmo ter esse nome do pai no documento da criança?' Aí ele disse: Não. Vou corrigir isso mesmo, a questão da filiação, é porque a funcionária é nova e não conhece o procedimento", conta a mãe da criança.
O caso foi registrado na delegacia e uma denúncia também foi feita no Ministério Público do Estado (MP-BA).
Desde que nós assumimos casar, ter filho, a gente sempre lutou pelos nossos direitos. Agora, com o nosso filho, vem mais essa questão de lutar pela nossa família, nossa família existe. Se uma mãe já é algo maravilhoso na vida de uma pessoa, imagina duas?", diz.
Por meio de nota, a Secretaria de Administração do Estado (Saeb) informou que respeita a orientação sexual e a identidade de gênero de todas as pessoas. O SAC lamentou o caso e disse que está apurando a denúncia juntamente com o Instituto de Identificação Pedro Mello, órgão responsável pela emissão de carteiras de identidade. Esclareceu ainda que, na carteira de identidade, não tem distinção entre pai e mãe, consta apenas a filiação.

Clipping Casal denuncia funcionária do SAC por homofobia após mulher pedir identificação paterna em RG do filho: 'Alguém vai ter que ser o pai', 11/03/2020, por TV, Bahia, G1, Bahia

Pesquisa da consultoria PwC afirma que apenas 38% das mulheres lésbicas se assumem no trabalho

segunda-feira, 9 de março de 2020 0 comentários

Glébia (à direita) e Karin, que trabalham no banco Citi, conseguiram licença-maternidade dupla, após nascimento de gêmeas Foto: Filipe Redondo
Glébia (à direita) e Karin, que trabalham no banco Citi, conseguiram licença-maternidade dupla, após nascimento de gêmeas. Foto: Filipe Redondo

Quando Karin Bulcão e Glébia Santos decidiram engravidar, em 2013, acharam melhor não comentar de imediato no trabalho. A relação homoafetiva das duas não era pública, e elas receavam sofrer alguma discriminação. Aos três meses de gestação, feita por inseminação artificial, falaram com o gestor e assumiram seu relacionamento.

O casal foi surpreendido com a reação da equipe do banco em que trabalham, o Citi, que, além de celebrar a gravidez — de gêmeas —, as incentivou a tirar licença-maternidade dupla. Atualmente, elas trabalham em esquema de home office três vezes por semana.
No entanto, Karin e Glébia fazem parte de um universo limitado. Segundo pesquisa da consultoria PwC, apenas 38% das mulheres atraídas pelo mesmo sexo se assumem no ambiente profissional, ainda que 65% se sintam confortáveis com sua sexualidade. Elas acreditam que expor sua orientação sexual pode atrapalhar a carreira, mas julgam importante se assumir para trabalhar melhor.
Melhores resultados

A fim de criar um ambiente mais inclusivo e propício à inovação, empresas de diversos setores, como Citi, Carrefour e Cargill, vêm desenvolvendo políticas de diversidade, atentas às questões do público homossexual e de outras minorias.
Conseguir balancear a vida profissional com a pessoal vale mais do que salário. Poder acompanhar o desenvolvimento das nossas filhas é essencial — diz Glébia.
“Sair do armário” no ambiente corporativo ainda é tabu entre o público feminino, segundo levantamento da PwC, que ouviu 1.270 profissionais dos setores público, privado e de organizações não governamentais (ONGs).
Quanto mais sênior uma mulher, maior seu conforto para se assumir no trabalho, o que, para 70% das entrevistadas, está associado à representatividade e ao respeito a pessoas LGBTQ+.
Para a líder de gestão de talentos da consultoria EY no Brasil e América do Sul, Cristiane Amaral, empresas que investem em diversidade têm melhores resultados:
Não adianta fazer inúmeros programas sem criar um ambiente realmente inclusivo. Não é só uma questão de crença, do que é certo ou errado. É uma questão de negócio, lucro e rentabilidade.
Desafio também racial

A pesquisa da PwC mostra ainda que funcionárias de empresas menores são 72% mais propensas a se assumir. A publicitária Priscylla Barros, de 27 anos, não sentia abertura para falar do assunto quando estava em uma grande consultoria. Agora, como diretora de arte na Agência3, onde as mulheres são 65% da equipe, sente maior abertura para se assumir como bissexual.
Em 2018, 35 empresas e ONGs, que juntas empregam mais de 110 mil pessoas no Brasil, assinaram uma Carta de Apoio à Diversidade, ao Respeito e à Inclusão de Pessoas LGBTQ+. Mas esses esforços estão concentrados em poucas empresas, diz Jacqueline Resch, consultora e sócia-diretora da Resch RH:
 A mulher heterossexual já enfrenta desafios enormes para crescer profissionalmente. O que dizer das que fogem desse padrão?
O estudo da PwC aponta que mulheres que estão em um relacionamento são 21% mais propensas a se assumirem no trabalho. Já para a técnica de enfermagem Laura Castro, o maior desafio está na questão racial:
Sempre tive receio mais por ser negra do que em relação à minha sexualidade. Já sofri preconceito racial. Um paciente alegou que não queria que eu o atendesse por ser negra. Acabou sendo cuidado por um colega gay.
Para a analista sênior de segurança e meio ambiente da Shell, Beatriz Bade, os grupos de diversidade na empresa são um espaço de diálogo e reflexão, além de uma oportunidade para planejar ações de inclusão. Lésbica e deficiente auditiva, ela acredita que o engajamento de novos funcionários ajuda a propagar a cultura do respeito:
O preconceito é o medo e o desconhecimento de não aceitar e não ser diferente. É muito bom ter o feedback de quem está chegando na empresa agora. 
Diversidade como estratégia

O Grupo Carrefour busca empregar e desenvolver lideranças de mulheres. Atualmente, 54% da equipe no Brasil é formada por mulheres, das quais 56% são negras. Entre os cargos mais sêniores, elas são 44%.

Até mesmo segmentos historicamente dominados por homens, como financeiro, óleo e gás e tecnologia, estão se engajando em prol da equidade entre mulheres e homens. No ano passado, a Ocyan (prestadora de serviços para o setor de óleo e gás) estruturou seu programa de diversidade.
A companhia já trabalha com a opção de licenças-maternidade e paternidade estendida, além de opção de carga horária parcial.
A Loft, start-up que compra, reforma e revende imóveis, surgiu no mercado há menos de dois anos e traçou a meta de preencher 50% das vagas abertas no primeiro trimestre com profissionais do sexo feminino.
Em crescimento vertiginoso, o negócio é um dos mais novos unicórnios brasileiros e almeja que 30% da área técnica sejam de mulheres. Para Flora Oliveira, responsável pelo programa de liderança feminina da Loft, equalizar as oportunidades entre os sexos faz parte dos negócios.
A Loft já nasceu com um DNA de diversidade, desde o começo da empresa, quando estruturamos o negócio. Queremos revolucionar o mercado imobiliário de tecnologia, mas também a forma como as pessoas trabalham — explica Flora.
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), em parceria com a consultoria Lee Hecht Harrison (LHH), já estrutura a segunda turma de mentoria de liderança feminina no setor de óleo e gás.
As ações precisam ser cíclicas e contínuas, segundo a gerente de desenvolvimento de talentos, diversidade e inclusão da LHH, Mara Turolla:
Não é algo que se faça uma vez, as políticas precisam de continuidade para derrubar o viés inconsciente. Não adianta ter número e não ter autonomia. Cada empresa está fazendo alguma coisa de acordo com o seu momento e sua maturidade junto ao tema.
Com informações de Apenas 30% das mulheres LGBT se assumem em ambiente de trabalho, diz pesquisa, O Globo, 08/03/2020

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