Macacas bonobas fazem sexo entre si para formar alianças e se proteger do assédio dos machos

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020 0 comentários

Duas fêmeas esfregam suas genitálias em LuiKotale, na República Democrática do Congo.
Duas fêmeas esfregam suas genitálias em LuiKotale, na República Democrática do Congo ZANNA CLAY 

Estudo inédito sobre o comportamento desses animais, considerado símios menos agressivo que os chimpanzés, revela o papel do sexo no vínculo entre as fêmeas

Os bonobos são popularmente conhecidos como os primatas hippies, por causa dos seus relacionamentos tranquilos, muito menos agressivos que os de seus primos chimpanzés. Entre os bonobos as agressões são escassas, a generosidade com os desconhecidos é espontânea, e o sexo casual é comum —um veículo muito agradável para reafirmar vínculos e relaxar as tensões sociais. Essas relações sexuais são habituais, também, entre bonobos do mesmo sexo, sobretudo entre as fêmeas da mesma comunidade. As manadas de bonobos são pacíficas, e o papel das fêmeas é muito mais decisivo, porque estabelecem alianças entre elas que cortam pela raiz qualquer esforço violento que os machos, maiores que elas, pudessem tentar. Mas até agora não se estudou com detalhe que papel o sexo entre elas desempenha nestas alianças. Um estudo recém-publicado oferece chaves interessantes, porque vincula diretamente esses episódios homossexuais com a força dos vínculos entre as fêmeas.

Visto da perspectiva da evolução dos grandes símios, incluídos os humanos, isso ajuda a entender o papel do sexo, também o homossexual, como uma prazerosa ferramenta social. "O comportamento sexual entre indivíduos do mesmo sexo está muito difundido entre os animais, o que sugere que lhes proporciona benefícios. Entretanto, até agora foi difícil determinar quais poderiam ser estes benefícios", alerta a primatologista Liza Moscovice. Além de bonobos, também há evidência de um vínculo entre o comportamento homossexual e uma maior cooperação entre sujeitos em outras espécies com cérebros muito desenvolvidos para responder perante relações sociais complexas, como os golfinhos e os humanos. Isto sugere, segundo Moscovice, que o comportamento homossexual poderia ser um veículo que estas espécies desenvolveram durante sua evolução para obter uma maior confiança entre indivíduos sem parentesco. "Nossa pesquisa ajuda a explicar por que o comportamento sexual entre sujeitos do mesmo sexo pode ser benéfico para as bonobas, já que desencadeia a liberação do hormônio oxitocina, que provoca no cérebro um aumento das sensações de confiança e proximidade, o que promove uma maior cooperação entre os casais."

Moscovice, da Universidade Emory (EUA), e seus colegas analisaram cerca de mil encontros sexuais observados ao longo de um ano e meio em uma comunidade de 40 bonobos em LuiKotale, na República Democrática do Congo. A maioria, 65%, foram relações entre bonobas, e só 1% encontros sexuais entre machos. O sexo entre fêmeas consiste em esfregar seus genitais, as vulvas inchadas (ver vídeo), o que provoca o desenlace prazeroso nelas, porque é a melhor postura para estimular mutuamente seus clitóris, abraçadas frente a frente. Em geral, embora nem sempre, as cópulas entre macho e fêmea se produzem pelas costas delas.
Se um macho tenta assediar ou perseguir uma fêmea, é comum que várias fêmeas se unam e afugentem o agressor masculino", explica a pesquisadora
O resultado fundamental do estudo, publicado na revista científica Hormones and Behaviour, é que as fêmeas permaneciam perto de seu parceiro sexual nos encontros com outras fêmeas, muito mais do que quando copulam com machos. Além disso, segregavam muito mais oxitocina, este hormônio que ajuda a reforçar os laços entre indivíduos. Por exemplo, os chimpanzés machos que vão atacar outra comunidade segregam oxitocina para estabelecer vínculos de camaradagem bélica. E a última conclusão do estudo é a mais decisiva: os pares de fêmeas que tinham mais relações sexuais entre si também se ajudavam mais em coalizões para se defenderem mutuamente e "reduzir o assédio dos machos". Defender juntas o seu acesso à comida, seu lugar na comunidade e, essencialmente, fazer frente aos esporádicos ataques dos machos.

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Bonobas: sexo e alianças contra agressões
Entre os chimpanzés, primos evolutivos dos bonobos, os machos agridem habitualmente as fêmeas como forma de garantirem seu acesso sexual, uma forma de reforçar suas chances de se reproduzir com sucesso. As bonobas, por sua vez, não têm uma época de cio definida, o que tornaria inútil essa violência dos machos. Além disso, em estudos prévios se observou que as bonobas só formam coalizões para ir contra machos, nunca contra outras fêmeas, e em todos os casos as coalizões eram vitoriosas, obrigando o bonobo a se retirar. Sozinhas, por outro lado, costumam perder a batalha, porque eles são mais fortes. As fêmeas de chimpanzé às vezes se atacam porque competem pelo interesse dos machos ou por alimentos.
"Descobrimos que a maior parte das ajudas ocorridas durante o período de estudo foi entre fêmeas e, frequentemente, contra machos", diz Moscovice, também pesquisador do Instituto de Comportamento Fisiológico de Leibniz. "Isto significa que, se um macho tenta assediar ou perseguir uma fêmea, por exemplo, para ocupar seu lugar em uma árvore e se alimentar, é comum que várias fêmeas se unam e afugentem o agressor masculino", desenvolve a primatologista. 
Pelo contrário, é raro que um bonobo macho obtenha a ajuda de outros bonobos se começar a atacar a uma fêmea.
 Isto pode explicar por que os bonobos machos mostram relativamente pouca agressividade contra as fêmeas em comparação com os chimpanzés, e por que os bonobos machos são mais propensos que as fêmeas a serem expulsos do acesso a recursos importantes, como alimentos preferivelmente", indica a primatologista. 
Portanto, embora não sejam necessárias interações sexuais para que as fêmeas cooperem entre si, as que têm mais interações sexuais entre si ficam ainda mais propensas a se ajudarem.
Talvez as fêmeas usem o sexo como uma forma rápida e fácil de indicar a outra fêmea que têm intenções amistosas e que gostariam de se associar a elas", descreve Moscovice. Desta maneira, inclusive as que não são amigas próximas podem permanecer juntas e cooperar às vezes."
Os pesquisadores descobriram que a maioria das fêmeas tem companheiras preferidas com as quais se associam mais em muitos comportamentos amistosos, mas, em lugar de apenas cooperar com estas fêmeas, as bonobas se aliaram com muitas fêmeas diferentes e tiveram relações sexuais com muitas fêmeas distintas. "Talvez as fêmeas usem o sexo como uma forma rápida e fácil de indicar a outra fêmea que têm intenções amistosas e que gostariam de se associar a elas", descreve Moscovice. E acrescenta: "Desta maneira, inclusive as que não são amigas próximas podem permanecer juntas e cooperar às vezes".

O estudo diz que inclusive a forma de realizar esses encontros sexuais entre fêmeas poderia influenciar na sua capacidade de reforçar estes vínculos. Para esfregar as genitálias, as fêmeas se abraçam frente a frente, dirigem-se mutuamente o olhar, têm que coordenar seus corpos para que o atrito seja satisfatório e, além disso, esse atrito propicia que estimulem seus clitóris, o que não costuma ocorrer nas cópulas com machos.
Diria que exige um contato social mais intenso que o típico das cópulas. O atrito genital ocorre em uma posição que pode facilitar facilmente a estimulação do clitóris", indica a autora do estudo. E acrescenta: "Em outras espécies, sabemos que o olhar mútuo e a estimulação genital estão associados a aumentos na oxitocina, por isso é provável que estes aspectos da esfregação genital também contribuam a uma maior liberação de oxitocina nas bonobas".

Clipping Bonobas praticam sexo homossexual para se proteger do assédio indesejado dos machos da mesma espécie

Suíça criminaliza homofobia via referendo

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020 0 comentários

Cartaz em Genebra faz campanha pelo "sim" à criminalização da homofobia na Suíça.
Cartaz em Genebra faz campanha pelo "sim" à criminalização da homofobia na Suíça. REUTERS/Denis Balibouse

Os suíços aprovaram por ampla maioria uma lei que proíbe a discriminação com base na orientação sexual. O tema foi votado em um referendo realizado neste domingo (9). Desta forma, o pequeno país se adapta à legislação em vigor na União Europeia, da qual não faz parte.

O "sim" venceu com 62% dos votos, durante a votação que terminou ao meio-dia (8h de Brasília), segundo o instituto GFS Bern. Mathias Reynard, o parlamentar socialista por trás dessa reforma do código penal suíço, elogiou no canal RTS-1 "um dia histórico e um sinal magnífico para todos os envolvidos".

Já Marc Frueh, do pequeno partido defensor dos valores cristãos UDF, que lançou este referendo com o apoio da União Democrática do Centro (UDC, direita populista), estimou que, apesar de seu fracasso, o recurso ao voto era justificado. A consulta "permitiu ao povo suíço tomar uma decisão", afirmou ele no mesmo canal. No entanto, Frueh acrescentou que seu partido permaneceria vigilante na aplicação da reforma.

A nova lei expande a legislação já existente sobre discriminação e ódio racial ou religioso, estendendo-a à orientação sexual. Essa reforma do código penal, adotada em 2018, encontrou oposição de círculos conservadores e populistas, que denunciaram uma "censura" e um ataque à "liberdade de expressão, consciência e comércio".

Legislação insuficiente

Os outros partidos consideraram que a proteção contra a discriminação com base na orientação sexual era insuficiente na Suíça e pediram que os suíços votassem "sim" à reforma. Os defensores do texto também se baseiam no fato de que a discriminação baseada na orientação sexual já é penalizada em outros países europeus e que o Conselho da Europa e a ONU solicitaram à Suíça que reforçasse seu aparato jurídico contra a homofobia.

A nova lei pune a ofensa pública e a discriminação de qualquer pessoa por causa de sua orientação sexual ou de qualquer atitude destinada a despertar o ódio contra ela, por meio da escrita, fala, imagens ou gestos. Por outro lado, não reprime os comentários feitos no círculo familiar ou entre amigos.

Restaurantes, hotéis, empresas de transporte, cinemas ou piscinas não podem recusar o acesso de alguém por causa de sua orientação sexual. O texto prevê multas ou penas de até três anos de prisão.

No entanto, nos círculos LGBT, teme-se que uma proteção especial os estigmatize ainda mais. "Estou lutando pela aceitação e normalização da minha sexualidade. Mas para mim, normalização também significa não exigir direitos especiais", argumentou antes da votação Michael Frauchiger, co-presidente do comitê "Direitos especiais NÃO!".

Com informações da AFP

Clipping Por referendo, Suíça criminaliza homofobia e se adapta a vizinhos da UE,  RFI, 09/02/2020

Lésbicas organizam blocos de Carnaval em São Paulo, Rio e Belo Horizonte

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020 0 comentários

Regido pela maestrina Jaqueline Cunha, a trilha sonora do Siga Bem Caminhoneira tem paródias como Ser sapatão é bom demais (Araketu é bom demais)
 Regido pela maestrina Jaqueline Cunha, a trilha sonora do Siga Bem Caminhoneira de São Paulo
                   tem paródias como "Ser sapatão é bom demais" (Araketu é bom demais)
Crédito: Divulgação

Perguntar às mulheres lésbicas organizadoras de blocos de Carnaval qual foi o principal motivo que as levou a criarem seus próprios espaços de folia esbarrou numa questão tão unânime quanto difícil de ignorar. Ninguém se sentia segura para mostrar suas afetividades e carnavalizar nas ruas durante a festa que é, ou pelo menos nasceu para ser, o auge da integração social no Brasil.
Antes de o bloco existir, sempre saímos numa turma grande de amigas e, vira e mexe, dava um probleminha na rua. Se uma já ficasse com a outra, em um bar, por exemplo, já dava uma bafafá”, conta à Tpm a DJ Renata Corr, que comanda a festa e o bloco sapa-bi Desculpa Qualquer Coisa, nas ruas do centro de São Paulo.
A cultura do assédio e do estupro – que existe o ano todo, vale lembrar – se intensifica no Carnaval. Além da censura ainda maior à liberdade de ir e vir dos corpos femininos nos espaços públicos, também existe a lesbofobia, a misoginia e o racismo. Conclusão: sair às ruas se torna sinônimo de correr perigo. Afinal, quem quer se arriscar num contexto de excessos quando seu direito à cidade sequer é garantido em dias comuns? 
Depois do nosso primeiro cortejo, no ano passado, recebemos diversos relatos de mulheres que, pela primeira vez, se sentiram estimuladas a sair para curtir o Carnaval, porque antes não estavam à vontade para ocupar esses espaços, não se sentiam representadas”, relatam Fernanda Branco Polse e Isabella Figueira, integrantes do bloco mineiro Truck do Desejo, que saiu nas ruas do bairro Barro Preto, em Belo Horizonte, com uma ala fantasiada com roupas que imitavam vaginas e ânus.
É preciso colocar vaginas na rua e colocar em pauta a genitália feminina – historicamente tão mal falada, temida e vulnerabilizada. É preciso colocar o ânus na rua também e falar sobre ele com dignidade. É o órgão sexual unissex, que nos une, afinal, quem não tem?
Folionas da Truck do Desejo desfilam pelas ruas do bairro Barro Preto, em Belo Horizonte
Folionas da Truck do Desejo desfilam pelas ruas do bairro Barro Preto, em Belo Horizonte. Crédito: Lorena Zschaber/Divulgação

Lugar de pertencimento e de não-violência

O coletivo Ilú Obá de Min, que se baseia na arte e preservação da cultura de matriz africana e afro-brasileira para empoderar mulheres, é um dos precursores na luta contra a lesbofobia no Carnaval. 

Surgimos como bloco em 2005 e não teve estranhamento”, conta Beth Beli, diretora e maestrina do grupo.
Acredito que as pessoas necessitavam de blocos assim. No começo, a gente tinha 30 mulheres. Quinze anos depois, somos 430. Muitas delas são homossexuais ou bissexuais. Além disso, muitas também se descobriram homossexuais no Ilú. Esses blocos são um lugar de tranquilidade para nós, sabe? Tem a ver com esse lugar de pertencimento e de não-violência”, continua Beth. 
Já o bloco Toco-Xona, que tem esse nome devido a fama das lésbicas de se apaixonarem depois de serem dispensadas, começou como uma reunião de amigas que só queria se divertir, mas também precisou passar por um processo de emancipação dos padrões e superação de preconceitos para, aí sim, se jogar na brincadeira.

Antes de se tornar “referência em sapatonice” no Rio de Janeiro, o grupo foi tema de uma reportagem de um jornal de grande circulação que as chamou de “lésbicas safadinhas”, causando pânico entre as integrantes – algumas ainda não tinham se assumido no trabalho ou para as famílias. 

O processo do Toco-Xona foi o mesmo que acontece com a maioria das mulheres lésbicas: um processo de aceitação. Lá em 2008, não se falava em visibilidade ou resistência”, conta Bruna Capistrano, uma das idealizadoras.
Foi preciso se assumir, se reconhecer para só então ter orgulho. Hoje, nosso desfile é transmitido pela Globo News”, diz Bruna. 
Em 2020, o Toco-Xona espera um público de aproximadamente 15 mil pessoas no Aterro do Flamengo, cartão-postal da cidade, e que foi criado por Lota de Macedo Soares, uma das primeiras arquitetas e paisagistas a assumir sua homossexualidade no país.

Cortejo do Toco-Xona, no Aterro do Flamengo, reúne 15 mil pessoas e tem transmissão pela Globo News
Cortejo do Toco-Xona, no Aterro do Flamengo, reúne 15 mil pessoas 
e tem transmissão pela Globo News,  Crédito: Divulgação

“Merecemos seguir bem e ser respeitadas”

Outra mudança positiva e muito bem-vinda que veio junto com o aumento desses blocos foi o reforço da representatividade sapatão. Se, no passado, o estado de desordem típico do Carnaval autorizava a objetificação, a fetichização e o deboche sobre os relacionamentos entre mulheres, hoje a folia é um lugar de ressignificação dos estereótipos. Nomes como Siga Bem Caminhoneira, Truck do Desejo, Siriricando e Ou Vai ou Racha evidenciam que mais do que dirigir seus blocos, as mulheres homossexuais assumiram também o controle das suas narrativas carnavalescas. 
Faz todo sentido o nosso nome. A ideia foi fazer um trocadilho pensando na forma pejorativa como algumas lésbicas que não performam feminilidade são chamadas, apropriando e ressignificando o termo ‘caminhoneira’, no intuito de mostrar que não importa quem somos, merecemos seguir bem e ser respeitadas”, afirma a dupla Leka Peres e Didi Lima, que comanda o bloco Siga Bem Caminhoneira, também em São Paulo.
Se o caminhão é a imagem alegórica que representa a força da mulher sapatão, o combustível é a música. O empoderamento que esses blocos incentivam também passa pelo repertório. Regido pela maestrina Jaqueline Cunha, a trilha sonora do Siga Bem Caminhoneira tem paródias que estão intimamente relacionadas com o imaginário lésbico, como “Ê Sapatão" (Faraó - Divindade do Egito) e "Ser sapatão é bom demais" (Ara Ketu Bom Demais).

Com uma veia mais pop, a Desculpa Qualquer Coisa vai apostar nos hits Verdinha e Amor de Que, de Ludmilla e Pabllo Vittar, respectivamente, como as prováveis músicas chiclete do Carnaval. Já no Truck do Desejo, as organizadoras apostam em músicas mais antigas, mas que sempre agitam as minas:
Me fala um bloco que toca 'Vá Com Deus', da Roberta Miranda?! É demais ver a ala da bateria e da dança cantando essa super clássico em ritmo de pagodão baiano”, adiantam.
Para quem quiser ouvir clássicos da MPB sapatônica, beijar sua menina na rua ou apenas curtir o Carnaval num espaço seguro e livre de julgamentos, os blocos lésbicos são o lugar.
Sermos mulheres que amam outras mulheres é um ato político. Vamos contra tudo o que é esperado de uma sociedade patriarcal e acreditamos que a nossa potência, juntas, e o nosso amor é muito maior que isso”, avisam as mulheres do Siga Bem Caminhoneira. 

PARA NÃO PERDER O CAMINHÃO:

SÃO PAULO

Desculpa Qualquer Coisa
15/Fev - 14h30
Consolação

Ilú Oba de Min
21/Fev - 17h00
Centro

23/Fev - 14h00
Bom Retiro

Siga Bem Caminhoneira
29/Fev - 14h
Rua Rui Barbosa, 453

RIO DE JANEIRO

Toco-Xona
23/Fev - 7h00
Aterro do Flamengo

BELO HORIZONTE

Truck do Desejo
25/Fev - 8h00
Barro Preto

Clipping Carnaval Sapatão: Blocos para mulheres lésbicas e bissexuais ganham força, por Natalia Guarato, TPM, 30/01/2020 

Lésbicas e bissexuais ainda têm problemas com ginecologistas

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020 0 comentários

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Medo de preconceito não deve impedir visitas à ginecologista


Aos 22 anos, Monica precisou de um atendimento ginecológico e foi em uma situação de emergência no pronto-socorro da rede pública da capital paulista. "Eu estava com muitas dores na barriga, com enjoo e tontura. Um ginecologista me atendeu e falei já que era lésbica (várias vezes) e que não tinha chance alguma de eu estar grávida. Ele insistiu muito, chegou a ser desrespeitoso".

Monica conta que todas as vezes que passou por um atendimento ginecológico, a experiência foi péssima.
Os médicos são despreparados para lidar com mulheres lésbicas. Na primeira consulta eu tinha 15 anos e o médico me passou anticoncepcional. No exame, senti muitas dores, foi um incômodo terrível. O aparelho podia ser menor ou apropriado", desabafa.
Ela está há muito tempo sem ir a uma consulta ginecológica pois está traumatizada.

Vida sexual ativa

E o mesmo aconteceu com a recepcionista Tatiana Silva, 26, em um dia que estava com dores na barriga.
Em todas as consultas, os médicos só perguntam se tem vida sexual ativa e se toma contraceptivo. Nesse dia foi feito exame da vulva, que consiste em avaliar as estruturas, pele e mucosas do órgão genital externo feminino, e eu sentia muita dor, pois não era algo habitual para mim. A médica me tratou com rispidez e agressividade, pedia para eu ficar quieta. Fiquei com dor o restante do dia".
Tatiana conta que nas primeiras vezes que se consultou com ginecologista — sendo homem ou mulher, não se sentia à vontade para falar sobre sua sexualidade.
Eu tinha vergonha, medo de como o médico iria reagir. Na outra vez, pediram exame de gravidez, mas eu já tinha dito que não havia chance alguma de estar grávida. Na última consulta, comentei que era lésbica, e ele disse: metade dos problemas está resolvido. Achei que ele reagiu de forma positiva. Mas só comecei na me abrir com a maturidade mesmo".
Sexualidade parece doença

Daniela Romanenko, 26, manicure de publicidade, conta que sempre teve problemas em consultas no ginecologista.
As perguntas eram as mesmas, mas eu não falava que era lésbica - não me sentia à vontade-. Só perguntavam se eu me prevenia e se estava tomando anticoncepcional, as perguntas sempre são direcionadas para quem é hétero. Cheguei a achar que minha sexualidade era doença".
Mas Daniela viu a diferença no atendimento quando se consultou em uma clínica particular.
A médica me perguntou se eu tinha parceiro ou parceira, nesse momento eu já senti a diferença. Fui acolhida e a conversa foi ótima, ela abriu a minha mente. Fiquei sabendo sobre camisinha feminina e outros detalhes. Fiz até ultrassom. Acho que atendimento deveria ser sobre vida sexual e não sobre parceiro sexual".
A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo esclarece que disponibiliza informações sobre prevenção às ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) através do aconselhamento singular de acordo com as práticas sexuais de cada mulher, tanto nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) quanto nos 26 serviços da Rede Municipal Especializada (RME) em DST/Aids. Essas unidades também ofertam tecnologias diversas de prevenção, como preservativos masculino (externo) e feminino (interno), gel lubrificante e testagem.

Assunto vira livro

Quais os aparelhos são utilizados para exames ginecológicos para mulheres lésbicas? São as mesmas para todas as mulheres? E os métodos para prevenção de doenças? Essas foram as questões que fizeram a jornalista Larissa Darc, de 22 anos, escrever um livro sobre o assunto: "Vem cá: vamos conversar sobre a saúde sexual de lésbicas e bissexuais".
Fiz o livro sobre o que tinha acontecido comigo e foi impactante para mim e para outras meninas. Existe um sistema que exclui mulheres que procuram assistência médica", desabafa. Após várias pesquisas e entrevistas com especialistas, Larissa concluiu que mulheres lésbicas e bissexuais não recebem atendimento adequado porque elas não têm acesso a dispositivos para proteção. Existe um sistema que historicamente negligenciou a saúde das mulheres e um sistema heteronormartivo e invalida todas as relações que não são hetero".
Para esclarecer

A Secretaria Municipal de Saúde informa que os métodos de barreiras tradicionais às ISTs também devem ser utilizados por mulheres que fazem sexo com outras mulheres. São sugeridas adaptações nas camisinhas externas e internas para proteção no contato com a vulva, e a utilização do preservativo também nos acessórios usados durante a relação sexual, trocando no caso de compartilhamento entre as parceiras. É importante ressaltar que o contato com o sangue da menstruação oferece grandes riscos de infecção pelo HIV e hepatites.

Após pesquisas para produção do livro, Larissa questiona a posição da Secretaria.
Esse discurso que existem métodos de barreiras de doenças - feito para mulheres que fazem sexo com mulheres -, onde orientam para recortar a camisinha, etc.. essas adaptações e "gambiarras" não são eficazes, não tem estudos que comprovem isso, pois não cobrem a vulva toda. São desconfortáveis".
Larissa acrescenta ainda que quando médicos e médicas informam que existem essas adaptações há um grande problema.
Estamos silenciando algo que está errado, pois precisam ter estudos e são focados nos métodos heteronormativos e são feitos para mulheres que fazem sexo com mulheres", afirma.
Após a publicação do livro, Larissa conta a repercussão sobre o tema.
Comecei a ser chamada para falar nos lugares em diferentes espaços para promover conversas sobre o tema. Trocar informação é uma coisa tão importante porque na escola a gente só recebe a informação da relação que é heteronomativa, só aprende sobre sexto hétero, e depois a gente não tem mais espaço para conversar sobre isso".
A Secretaria informa ainda que as mulheres lésbicas e bissexuais devem realizar, regularmente, o exame de Papanicolau. E que os aparelhos utilizados nos exames ginecológicos e proctológicos pela rede são os mesmos para todas as mulheres. As UBSs e as RME DST/Aids realizam ainda exames para HIV, sífilis e hepatites B e C. A SMS possui um Comitê Municipal LGBTI (portaria nº 499/2019), que tem por objetivo implementar a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais nas unidades de saúde.

E em relação ao exame Papanicolau, existem tamanhos diferentes de espéculos e em todos os postos de saúde deveriam oferecer.
Esses exames devem ser feitos por mulheres que nunca tiveram relação sexual e precisam fazer preventivo e mulheres que fazem relação com a penetração de um pênis também. E em relação ao HIV a troca de sangue aumenta o risco realmente, mas existem outras doenças tão importantes quanto, estamos expostas a diversas infecções".
Com relação às pesquisas sobre o tema, a SMS disponibilizou pesquisa sobre sexo seguro relacionadas à saúde da mulher lésbica ou bissexual:

> Uso de preservativo em todas as relações com homens - 45,5%;
> Uso de preservativo em todas as relações com mulheres - 2,1%;
> Motivo do não uso do preservativo:
> não viu necessidade (42,4%)
> confiança na parceira (17,3%)
> desconhecimento (16,5%)

Cuidados com a Saúde:

- 46,9% realizam consulta ginecológica anualmente;
- 53,1% não realizam consulta ginecológica anualmente;
- 62,8% realizaram teste anti-HIV

Clipping Mulheres bi e lésbicas contam o que viveram em consultas no ginecologista, Priscila Gomes, Universa, 30/01/2020

Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão envia ofícios para a CBF e o CNE a fim de que combatam a homofobia no futebol

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020 0 comentários

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Procuradoria pede fim da homofobia no futebol

Ofícios enviados aos presidentes da Confederação Brasileira de Futebol e do Conselho Nacional dos Esportes pedem a adequação de atos normativos à criminalização da homotransfobia, a realização de campanhas contra o preconceito e o aprofundamento da discussão de políticas sobre o assunto

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão enviou ofícios à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e ao Conselho Nacional dos Esportes (CNE) pedindo que os órgãos adotem uma série de ações para enfrentar e prevenir atos de homofobia e transfobia em campeonatos de futebol e competições esportivas nacionais. As medidas incluem a adequação de atos normativos à criminalização da homotransfobia, a realização de campanhas e o aprofundamento da discussão de políticas sobre o assunto.

Entre os pedidos comuns enviados aos dois órgãos está a adaptação das normas da CBF e da CNE à decisão do Supremo Tribunal Federal que equiparou a prática de homotransfobia ao crime de racismo, tornando inafiançável e imprescritível práticas que envolvam ofensas e outras formas de discriminação a gays e transgêneros.

Especificamente à Confederação Brasileira de Futebol, a Procuradoria pediu que o órgão promova campanhas de conscientização, enfrentamento e prevenção às práticas de homofobia e transfobia nos estádios, alertando sobre as consequências desses atos.

Já ao Conselho Nacional dos Esportes, o ofício solicita o aprofundamento da discussão sobre a necessidade de políticas de prevenção e enfrentamento à homotransfobia no âmbito do Plano Nacional do Desporto, que tramita no Congresso Nacional.

Os ofícios foram enviados à CBF e ao CNE por conta da denúncia de um torcedor que relatou ter sofrido ataques homofóbicos após ser filmado com seu namorado na partida entre Flamengo e Vasco realizada no dia 17 de agosto de 2019 no Mané Garricha, em Brasília. Segundo a vítima, a imagem foi postada na Internet e ‘amplamente compartilhada por torcedores do Vasco e também de outros times, com diversos comentários homofóbicos’.

Na época, página ‘Mengão minha vida é você’ compartilhou a foto para se posicionar contra a homofobia.

Penalidades a atos discriminatórios

Nos ofícios enviados à CBF e ao CNE, a Procuradoria frisou que, de acordo com o Estatuto do Torcedor, a prevenção da violência nos esportes é de responsabilidade do poder público, das confederações, federações, ligas, clubes, associações ou entidades esportivas, entidades recreativas e associações de torcedores.

Os ofícios frisam que o Código Brasileiro de Justiça Desportiva estabelece uma série de penalidades a quem ‘praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência’.

As sanções também estão estabelecidas na Lei Geral do Desporto e vão desde advertência, à exclusão de campeonato ou torneio, perda de pontos e perda de renda da partida, indica o MPF.

No ofício à CBF, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão destaca ainda que o Regulamento Geral de Competições da Confederação prevê que as ‘competições nacionais oficiais do futebol brasileiro exigem de todos os intervenientes colaborar de forma a prevenir comportamentos antidesportivos, bem como violência, dopagem, corrupção, manifestações político-religiosas, racismo, xenofobia ou qualquer outra forma de discriminação’.

O documento também registra que o Código Disciplinar da Federação Internacional de Futebol (FIFA) traz punições para atos de discriminação praticados em razão de sexo, gênero ou orientação sexual, inclusive punição do clube de futebol por atos de sua torcida.

Clipping Procuradoria pede às entidades máximas dos esportes ações contra a homofobia, Estadão, 31/01/2020

Ludmilla com a mulher na capa da revista Marie Claire e seus planos de ter filho com a amada

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020 0 comentários

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A cantora Ludmilla e sua mulher, Brunna Gonçalves, estrelas de capa da Marie Claire de fevereiro (Foto: Cássia Tabitini)

Ludmilla é a capa da edição de fevereiro da revista Marie Claire, em que aparece beijando a mulher, Brunna Gonçalves.
Cantora do ano, atração mais esperada do Rock in Rio, apresentadora de TV e mais de 20 milhões de seguidores no Instagram. Ludmilla chega em 2020 com predicados de uma carreira meteórica. Nascida na periferia, bissexual e muito bem-humorada, fala sobre o machismo no mundo do funk, conta pela primeira vez sobre um assédio, defende a legalização da maconha, revela detalhes do casamento com a dançarina Brunna Gonçalves e diz que a sua principal meta é combater a hipocrisia
Uma das brincadeiras preferidas de Ludmilla quando criança era soltar pipa no quintal dos fundos do sobrado onde morava com a mãe e o padrasto, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A graça, no entanto, começava mesmo quando a pipa voava de suas mãos. Com os punhos cerrados, simulava um microfone e transformava o terreno baldio em uma plateia imaginária. “Imaginava as pessoas gritando: ‘Ludmilla, Ludmilla’. Quando ia dormir, sonhava com isso de novo”. Em poucos anos, o sonho virou realidade. Aos 16 anos, ainda sob a alcunha de MC Beyoncé, seu primeiro nome artístico, já lotava casas de show e bailes funk em todo o Brasil. Hoje, usando seu nome de registro como público (e o acréscimo de uma letra l) tornou-se uma das principais vozes femininas do funk no Brasil. Seu canal no YouTube, por exemplo, tem cerca de 6 milhões de inscritos. Somente ali foram quase 2 bilhões de reproduções de suas músicas. No Rock in Rio do ano passado, fez um show de apenas sete minutos catártico o suficiente para levar 70 mil pessoas a entoarem “Ôh, a favela chegou”, refrão de um dos seus hits.
Foi muito foda. Tinha tanta gente correndo pra assistir ao show que parecia um arrastão na Linha Vermelha. Uma loucura. Geral muito animado”, relembra. Ludmilla se tornou então a atração mais pedida do festival de 2021, com quase metade dos votos do público, mais do que o dobro da segunda colocada.
Foi em 2019, ainda, que Lud tornou público o seu amor pela dançarina Brunna Gonçalves, com quem se casou na penúltima semana de dezembro.
Existe uma Lud antes e outra depois da Brunna”, disse nesta entrevista na sua casa, na Ilha do Governador. “Via os casais se chamando de ‘Mô’ e achava brega, careta. Falava: ‘Deus me free, nunca vou casar’. Mas comecei a amar muito a Brunna e me tornei quem mais temia: apaixonadinha.”
Decidiu que faria o pedido no dia do aniversário da bailarina. Avisou a família, que organizou a cerimônia surpresa para aquela mesma noite.
Fiquei muito nervosa, a minha mão suava. Ensaiei. Gravei vários vídeos sozinha no banheiro.” Brunna aceitou na hora. “Desde o começo a gente fica o tempo todo juntas. Não tem condição de ficar um dia longe uma da outra”, diz a dançarina de 28 anos, nascida em Nilópolis, Rio. Agora, os planos do casal incluem uma gravidez compartilhada, com o óvulo da Ludmilla no útero de Brunna.
Clipping Ludmilla fala sobre casamento com Brunna Gonçalves, sucesso e relembra infância, por Maria Laura Neves, IstoÉ, 28/02/2020
Ludmilla e Brunna Gonçalves pensam em ter filho: “Quero ter esse ano”

Bebê a bordo? A cantora Ludmilla e sua mulher, Brunna Gonçalves, casadas recentemente, já estão querendo ampliar a família.

Segundo a coluna de Fábia Oliveira, do jornal O Dia, a amada de Ludmilla falou do desejo de ter um filho. E, ainda, segundo Brunna, o herdeiro virá por meio de inseminação artificial.
Quero ter esse ano. O primeiro eu vou ter, quero gerar. Pensamos em ter os genes das duas. A gente já sabe que tem uma clínica na Barra que faz isso. Já estamos pesquisando. Depois vamos ver se adotamos. Eu quero começar o processo logo esse ano, porque eu sei que isso é algo que pode demorar e também porque eu já estou com 28 anos. Quero ter meu primeiro filho antes dos 30”, afirmou.
Clipping Ludmilla e Brunna Gonçalves pensam em ter filho: “Quero ter esse ano”, IstoÉ, 16/01/2020

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