Tribunal de Justiça do Distrito Federal condena empresa de ônibus a indenizar passageiro que sofreu homofobia

segunda-feira, 23 de julho de 2018 0 comentários

Pare a homofobia

TJDFT condena empresa de ônibus a indenizar passageiro que sofreu homofobia
A Urbi Mobilidade Urbana terá que pagar R$ 7 mil a vítima. O cobrador do coletivo disse que não era obrigado a conviver com homossexuais e ofendeu o passageiro

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) condenou a empresa Urbi Mobilidade Urbana a indenizar um passageiro em R$ 7 mil. Maurício Martins, 25 anos, sofreu homofobia por um funcionário da empresa do coletivo. O caso aconteceu em 10 de abril de 2017, quando a vítima entrou no ônibus e o cobrador da empresa disse que “não era obrigado a conviver com homossexuais” e que todos os gays “têm problemas mentais”.

À época, Maurício filmou toda ação do agressor e registrou boletim de ocorrência na 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria). De acordo com ele, as ofensas duraram toda a viagem, do início do Pistão Sul até o Taguacenter. 
Sou ativista LGBT, engajado, não sou discreto. Tenho o estereótipo, por isso eu senti que foi direcionado para mim”, disse ao Correio na época do ocorrido.
Após a ocasião, Maurício precisou fazer acompanhamento psicológico por seis meses. 
Adquiri síndrome do pânico e parei até mesmo de pegar ônibus”, afirma. 
De acordo com ele, a condenação vai servir de exemplo para os outros LGBTs, que ainda tem medo de denunciar. 
Ao pagar a indenização, sabemos que eles estão assumindo parte da culpa. O ideal seria que fossem implementados programas de combate ao preconceito dentro da empresa”, frisa.
Quando o fato ocorreu, a Urbi Mobilidade Urbana informou que repudia atitudes e discursos de ódio e intolerância dentro dos ônibus. O Correio entrou em contato com a empresa nesta sexta-feira (20/7), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
  
Confira o vídeo:

ONU cria guia para setor privado saber lidar com trabalhadores LGBT

terça-feira, 17 de julho de 2018 0 comentários


5 compromissos para empresas respeitarem direitos LGBT, de acordo com a ONU
A Organização das Nações Unidas elaborou um documento para orientar o setor privado sobre o tema. Mais de 17 companhias brasileiras demonstram apoio a iniciativa.

As ações afirmativas de empresas para a inclusão de lésbicas, gays e correlatos*  para promover o respeito à diversidade no mercado de trabalho ainda são escassas e inconsistentes. A conclusão é da Organização das Nações Unidas. A ONU reconhece que a última década trouxe avanços para milhares de lésbicas, gays e correlatos ao redor do mundo, mas ressalta que esse progresso tem sido parcial e desigual, com avanços significativos alcançados em alguns países e para algumas comunidades, compensados pela falta de progresso, ou até mesmo retrocesso, em outros lugares.
Se quisermos alcançar um progresso global mais rápido rumo à igualdade para lésbicas, gays e afins, o setor privado não apenas terá de cumprir com suas responsabilidades de direitos humanos, mas também de tornar-se um agente ativo de mudança", afirmou Zeid Ra'ad Al Hussein, Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, na abertura do relatório "Enfrentando a discriminação contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, pessoas trans e intersexo - Padrões de Conduta para Empresas".
Essas pessoas são excluídas do acesso ao meio. Se não têm acesso ao trabalho, não têm acesso a aluguel, não têm como cuidar da saúde, da sua saúde mental.Pri Bertucci, fundador do SSEX BBOX.
Os padrões de conduta foram definidos pela ONU com base em normas e boas práticas reconhecidas internacionalmente, elaborados após um ano de reuniões consultivas regionais, com representantes de empresas e da sociedade civil na Europa, África, Ásia e Américas. O documento oferece a empresas de todo o mundo – de pequeno, médio e grande porte, nacionais e multinacionais – orientações sobre como respeitar os direitos da população lésbicas, gays e correlatos dentro e fora do mercado de trabalho.

Para chamar o setor empresarial brasileiro a assumir essa responsabilidade, a campanha Livres e Iguais da ONU lançou o documento em evento em São Paulo no mês passado, como parte das comemorações do Mês Internacional do Orgulho LGBT.
É particularmente importante realizar o lançamento latino-americano dos Padrões de Conduta em São Paulo, já que o setor privado brasileiro aderiu de modo extraordinário a eles desde o início, com mais de 17 empresas na lista de primeiros apoiadores", ressaltou Fabrice Houdart, Oficial de Direitos Humanos das Nações Unidas e co-autor do relatório. Entre as signatárias estão Braskem, Gol, Natura, Jogê, entre outras (veja a lista completa abaixo). Globalmente, mais de 140 empresas já manifestaram apoio a iniciativa.
Veja abaixo quais são os cinco compromissos básicos que as empresas devem assumir para combater o preconceito e apoiar a diversidade:

Compromissos básicos das empresas:

SEMPRE

1. Respeitar os direitos humanos de funcionários, clientes e membros da comunidade LGBTI em suas operações e relações comerciais e desenvolver políticas e mecanismos para monitorar e comunicar o cumprimento das normas de direitos humanos.

NO LOCAL DE TRABALHO

2. Acabar com a discriminação contra funcionários LGBTI. As empresas devem garantir que não haja discriminação no recrutamento, na contratação, nas condições de trabalho, nos benefícios, no respeito à privacidade ou no tratamento de situações de assédio.

3. Apoiar. Indivíduos LGBTI são funcionários, gerentes, empresários, clientes e membros da comunidade, entre outros, porém muitos deles ainda enfrentam enormes obstáculos para serem aceitos e incluídos no ambiente de trabalho. Espera-se que as empresas proporcionem um ambiente positivo e afirmativo para que funcionários LGBTI possam trabalhar com dignidade e sem estigma. Este padrão requer que as empresas vão além dos benefícios igualitários e tomem medidas para garantir a inclusão, inclusive abordando as necessidades específicas das pessoas LGBTI no ambiente de trabalho.

NO MERCADO

4. Prevenir outras violações de direitos humanos. As empresas devem garantir que fornecedores, distribuidores ou clientes LGBTI não sejam discriminados no acesso aos seus produtos e/ou serviços. Em suas relações comerciais, as empresas também devem garantir que seus parceiros comerciais não pratiquem discriminação. Quando um parceiro comercial discriminar pessoas LGBTI, as empresas devem usar sua influência para buscar impedir o ato discriminatório. Isso significa ir além de evitar a discriminação para abordar questões de violência, bullying, intimidação, maus tratos, incitação à violência e outros abusos contra pessoas LGBTI nos quais uma empresa possa estar envolvida através de seus produtos, serviços ou relações comerciais.

NA COMUNIDADE

5. Agir na esfera pública e defender os direitos humanos de pessoas LGBTI nas comunidades onde realizam seus negócios. As empresas são incentivadas a usar sua influência para contribuir com o fim dos abusos contra direitos humanos nos países onde atuam. Ao fazer isso, elas devem consultar de perto as comunidades e organizações locais para identificar que abordagens construtivas elas podem aplicar em contextos em que as estruturas legais e as práticas existentes violam os direitos humanos de pessoas LGBTI. Essas medidas podem incluir incidência no debate público, ações coletivas, diálogo social e apoio financeiro e em espécie para organizações que promovem os direitos de pessoas LGBTI e questionam a validade ou a implementação de ações governamentais abusivas.

Veja outras empresas que atuam no Brasil e se comprometeram com o padrões de conduta da ONU:

Empresas brasileiras

Gol Linhas Aéreas, Braskem, Natura, Mattos Filho Advogados, Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Maria Farinha Filmes, Jogê, Fotos Públicas, Demarest, MCV Advogadas, O Panda Criativo, Trench, Rossi e Watanabe, Banca Comunicação, Moom, Lee Brock e Camargo Advogados, Grupo Sá Engenharia, Cobasi, Veirano Advogados.

Empresas multinacionais presentes no Brasil que também apoiam a iniciativa
Accor Hotels, Avianca, Calvin Klein, Johnson & Johnson, Kellog, KPMG, Levi's, Pepsi Cola, Santander, Société Générale, Sodexo, Telefônica/Vivo, Thyssen Krupp, Uber e Zara.

* Nota: Travestis, Transgêneros e Intersexuais

Fonte: Com informações de Huffpost, por Leda Antunes, 17/07/2018

Mulheres que iniciaram transição de gênero e voltaram atrás

sexta-feira, 15 de junho de 2018 0 comentários

Luck Palhano e o seu calvário trans

Elas iniciaram o processo de transição de gênero e voltaram atrás.

Ser ou não ser foi uma questão para Luck Palhano por longos 13 anos.

A tradutora, que nasceu menina, a partir dos 18 anos, perseguiu um caminho de traumáticas mudanças no corpo para virar homem (sic). Injetou, por conta própria, testosterona no corpo, teve os seios retirados de maneira clandestina - e os mamilos necrosados – e consultou médicos para tentar retirar o útero. Só que, num determinado momento dessas provações, quando tinha 31 anos, Luck começou a se sentir mal com o processo. As agressivas intervenções, psicológica e fisicamente não faziam mais sentido. E Luck decidiu parar a transição de gêneros.

Não fosse a decisão, per si, suficientemente dolorosa, Luck teve de enfrentar uma outra difícil e inesperada consequência negativa: ameaças de morte de pessoas trans, que a acusavam de "traidora" e de "fingir ser homem". A experiência dessas batalhas vai agora virar um livro, escrito pela tradutora.

Nascida em Recife e única negra de dois irmãos brancos, Luck diz que se identificou como bissexual na adolescência. Vaidosa na época, aflorou trejeitos femininos ao morar com uma tia, na Itália. Chegou a tomar aulas de maquiagem. Mas foi na Europa, que a vontade de mudar de gênero aflorou. Amante dos patins de quatro rodas, o roller, adotou roupas mais confortáveis ao esporte e aboliu de vez o salto alto. Cortou os cabelos e foi confundida com um menino. Gostou da ideia.
Fui gostando dessa transformação. Sentia que ela me dava autonomia", conta Luck, hoje aos 33 anos, coçando a barba por fazer.
A importância da avaliação psiquiátrica

O psiquiatra Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo, frisa a importância da avaliação médica e psiquiátrica antes de qualquer procedimento de readequação de gênero, justamente para não haver arrependimentos nem problemas de saúde.
Existem muitos quadros psiquiátricos que podem ter como manifestação uma questão de identidade de gênero. Eles podem, inclusive, fazer com que alguém ache que é transexual ou travesti, sem que isso seja a realidade. A distinção é muito importante. Se for transexual, a mudança corporal é muito importante; se for travesti, nem tanto", explica.
Feridas profundas, cirurgia ilegal e expulsão do consultório

Na época em que Luck tudo era feito ainda na clandestinidade – mais do que nos dias de hoje. Os hormônios masculinos que usava, conseguia na academia de ginástica, e os seios eram disfarçados por apertadas faixas que resultaram em feridas profundas na pele.

Os efeitos estéticos dos remédios apareceram em seis meses. Os problemas de saúde, que atacaram principalmente seus pulmões, segundo Lucky, perduram até hoje, três anos após interromper a hormonização.
Fiz isso tudo por uma necessidade de que os outros tivessem uma leitura masculina de mim. Quando você olha uma pessoa com barba, não vai duvidar de que é um homem. E parar de menstruar também é uma grande questão para o trans", justifica ela, que nunca conseguiu se livrar dos pelos que adquiriu no corpo.
A cirurgia de retirada dos seios aconteceu em 2008, também de forma ilegal. Um médico amigo, que cobrou R$ 6 mil pelo procedimento, sequer fez seu prontuário médico e a liberou do hospital logo após o ato, para não ser pego.
A clandestinidade me empurrou para a luta, para brigar por um atendimento mais humano para a pessoa trans. Na época, cheguei a procurar um endocrinologista para me ajudar na transição; mas ele me expulsou do consultório", diz Luck.

Grupos trans se sentiram traídos

Durante o processo de transição, Luck participou da fundação do Instituto Brasileiro de Transmasculinidade (IBRAT) e da primeira Associação Brasileira de Homens Trans (ABHT). O primeiro encontro nacional do grupo aconteceu em 2012, com oito integrantes. No de 2015 compareceram cerca de 200. Segundo Luck, a ideia era investir em pesquisas; tais como as que descobrissem os efeitos a longo prazo do uso de hormônios e também do binder, o colete usado para disfarçar os seios.

 Por causa de todo esse ativismo, não foi compreendida quando decidiu parar a transição. Mesmo explicando seus motivos, recebeu ameaças de morte, foi acusada de "fingir ser homem" e de ter se tornado feminista radical.
Eles se sentiram traídos. E ficaram com medo de perder algumas garantias de direito", justifica.
 Luck insiste que nunca pretendeu deslegitimar o movimento trans, mas que cada um tem sua vivência. No caso dela, pontua, as questões emocionais, por exemplo, não se resolveram com a transição de gênero. 
"O movimento trans é válido. Devemos olhar para essas pessoas, porque elas estão morrendo, sofrendo por falta de emprego e caindo na prostituição. Perdi muitas amigas trans".
 Luck chegou a fazer uma vaquinha virtual para se submeter a uma cirurgia de reconstrução dos seios e sessões de depilação a laser. Arrecadou R$ 935 dos R$ 4 mil desejados e conseguiu apenas fazer algumas sessões de laser no rosto. Sua pele, no entanto, não reagiu bem.
Não queria mais ser lido como homem e, para isso, precisava que me vissem como mulher", explica ela, que hoje não deseja fazer nenhuma intervenção no corpo.
Uma pessoa preta em diáspora

Mesmo identificado como homem trans, Luck conta que viveu e presenciou as mais diversas faces do preconceito. Nunca foi vista conforme desejava e identificava discursos machistas dentro do movimento. O homem trans, segundo ela, repete discursos machistas, e a mulher trans se vitimiza.

Isso é performance de gênero", analisa.

 Luck respira fundo quando é instada a identificar seu gênero. Ela não pronuncia mais seu nome ou sexo, desde a mudança.
Hoje não reivindico o lugar de homem. Nunca fui um. Jogo para as pessoas. Meu nome ou meu sexo são as coisas mais difíceis de se responder. Eu me identifico como uma pessoa preta em diáspora".
Tentativa de suicídio

Natural da região Norte do Brasil, a universitária Annanda Mello, de 21 anos, não passou pelo processo de hormonização e nem por cirurgia, mas escondia os seios tal qual Luck, e adotou a identidade masculina por dois anos. Até tentar o suicídio.

 Annanda conta que nunca esboçou traços femininos. E que as cobranças acerca da sua falta de trejeitos fizeram com que ela mesma questionasse sua sexualidade. Para a universitária, o mal-estar em relação ao gênero ocorre a partir de imposições, algumas delas, externas.
É um problema uma mulher não performar feminilidade em uma sociedade que tem tanta imposição em cima disso. Ser homem acabou sendo mais fácil, mas, com o tempo, vi que eu estava num caminho errado, de fuga", diz ela.
Annada diz que se sentiu pressionada pelo movimento LGBT a passar pela  transição de gênero, e que o processo acarretou num ódio ao próprio corpo.
Começou com situações leves como: 'Você não quer que eu te chame no masculino?', até chegar no pior dos comentários: 'Ela não assume a transexualidade'. Foi tanta imposição do meu meio social que me vi na obrigação de fazer a transição. Mas ela foi triste demais. Eu comecei a adoecer emocionalmente"
Annanda tentou o suicídio, tomando remédios, após chegar ao estágio máximo do ódio ao corpo. Como Luck, adquiriu sérios problemas de pele ao tentar esconder os seios. No lugar de binder, usava fita adesiva. Introspectiva, não procurou ajuda médica e preferiu se isolar.
Em outros países, pessoas que sofrem de disforia de gênero têm acompanhamento psicológico, psiquiátrico e jurídico. No Brasil, a carência desses cuidados é absurda; o que faz com que cresça muito o número de pessoas que se arrependem da transição", avalia.
 A estudante conta que todo o suporte que recebeu de pessoas trans para transicionar sumiu durante o caminho inverso. Segundo Annanda, pessoas do movimento LGBT a acusavam de negar sua transexualidade, e consideravam uma ofensa falar sobre destransição. 
Essa é a parte que mais me dói".
Annanda diz que, hoje, não esconde mais os seios, e que não tem a sexualidade definida. 

Eu sigo pesquisando sobre esse assunto", diz Annanda, que se relaciona com uma mulher.

Pesquisadora luta contra "naturalização" da transição de gênero

 Estudiosa do tema, a jornalista carioca Eugenia Rodrigues critica o que chama de naturalização da transição de gênero, e trava uma batalha contra a hormonização de crianças. Suas análises seriam debatidas na XI Semana de Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), nos primeiros dias deste mês. Seriam, porque na véspera do evento, foi desconvidada pela faculdade devido a pressões de grupos LGBT, conforme relata. Para eles, conta Eugênia, seu discurso é transfóbico, vai contra a luta trans e, por isso, não deveria ser propagado.

 Em nota divulgada, a UFF atestou o recebimento de diversas manifestações contrárias à presença da jornalista e cancelou as palestras que ela faria.

 Eugênia participa do debate feminista desde 2014, ano em que começou a se incomodar com o discurso sobre "crianças transgênero" na mídia. Ela considera o transativismo um "movimento violento".
O debate sobre o tema, que é urgente e necessário, está sendo silenciado por meio de ameaças, censuras e até agressões físicas. Precisamos nos engajar num diálogo aberto e racional sobre as consequências das hormonizações e cirurgias. As crianças vão cobrar mais tarde o que estamos fazendo com elas", analisa. "Acredito num caminho de aceitação e respeito do corpo".
Reversão: "a pessoa não volta a ser quem e como era"

O entendimento sobre ser ou não uma pessoa trans se dá a partir da puberdade, diz Alexandre Saadeh, do HC. Na infância, a pessoa não passa por intervenções, apenas, acompanhamento.
O diagnóstico - que não significa que haja doença - é fundamental para não haver arrependimentos".
Para as cirurgias de redesignação de gênero são dois anos de acompanhamento psiquiátrico e psicológico. Saadeh diz nunca ter atendido pessoas querendo reverter o processo.
Temos muito cuidado com os diagnósticos e as indicações de intervenções hormonais ou cirúrgicas. Não é uma questão estética. É sério e muitas intervenções não são reversíveis. O custo de uma "reversão" é alto e a pessoa não volta a ser quem e como era".
Fonte: Bol Notícias, por Luiza Souto, 15/06/2018


Casal de mulheres expulso por motorista de carro da Uber após se beijar

quarta-feira, 13 de junho de 2018 0 comentários

Alex Lovine e a namorada Emma Pichl

Casal lésbico é expulso por motorista de carro da Uber após se beijar

No último sábado (9), Alex Lovine e a namorada, Emma Pichl, estavam em um carro da Uber enquanto faziam a viagem de um restaurante para o outro, em Nova York, para comemorar o aniversário de duas amigas. No meio da viagem, elas resolveram dar um beijo rápido e a próxima coisa que se lembram é de serem expulsas do automóvel. 

Em entrevista ao BuzzFeed, Alex contou que tanto ela como a namorada estavam sentadas ao lado da janela, na parte de trás do carro, quando deram um selinho no meio do passeio. 
Alguns minutos depois disso, o motorista parou e disse: 'você não pode fazer isso'. No começo, minha namorada achou que ele estava brincando e começou a rir, mas ele logo deixou claro que estava falando sério", contou ela.
Segundo ela, o motorista passou a dizer como "era ilegal" elas se beijarem, alegando ser algo "desrespeitoso". 

Após o ocorrido, Alex prestou uma queixa à Uber e à Comissão de Direitos Humanos de Nova York. Um porta-voz da Uber disse ao BuzzFeed News que recebeu reclamações tanto da passageira quanto do motorista envolvido. A empresa disse que não poderiam especificar o que o motorista reclamou por "razões de privacidade". 
A Uber não tolera qualquer forma de discriminação, e nós contatamos o piloto em relação à sua experiência. Estamos investigando e tomaremos as medidas apropriadas ", disseram.
Vale lembrar que, há duas semanas, o perfil oficial da Uber nas redes sociais afirmou que a empresa está "orgulhosa de estar ao lado da comunidade homossexual" no Mês do Orgulho LGBT de 2018. 
Sinceramente, eu só compartilhei essa história para que exista algum tipo de consciência sobre o assunto e, para a Uber, espero esclarecer que isso não é bom para eles e espero uma atitude para impedir que futuros motoristas tenham o mesmo comportamento", concluiu.
Fonte: Alagoas Alerta via UOL, 09/06/2018

Nadia Bochi, do programa Mais Você, da Rede Globo, relata como se assumiu lésbica

quinta-feira, 7 de junho de 2018 0 comentários

Repórter Nadia Bochi e a apresentadora Ana Maria Braga | Foto: Reprodução Facebook

Repórter se assume lésbica e denuncia assédio de chefe na TVNa Rede Globo há 15 anos, repórter do programa Mais Você falou sobre o assunto nas redes sociais

A repórter do programa Mais Você, da rede globo, Nadia Bochi, publicou um texto em suas redes sociais onde fala sobre sua orientação sexual, e casos de machismo e assédio que já sofreu no trabalho.

No relato, ela diz que se reconheceu lésbica em uma época difícil em que homossexualidade era considerado doença pela Organização Mundial de Saúde.
Parece distante, mas isso tudo foi ontem, nos anos 90. Década em que comecei a trabalhar como jornalista em um dos canais de TV a cabo mais importantes do mundo (a HBO) e tive o a oportunidade de descobrir que era possível ser gay e viver fora do armário”.
A jornalista ainda contou as situações de assédio e homofobia que enfrentou no ambiente de trabalho.
Lembro da vez triste em que fui assediada por um chefe que insistia em, além de me beijar, questionar minha escolha de amar mulheres. Não permiti que o beijo acontecesse. Principalmente não deixei que aquele ato de violência colocasse em dúvida quem eu era, desabafou”.
Leia o relato na íntegra:

Me reconheci lésbica numa época em que ser homossexual não tinha nenhum glamour. Não existia beijo gay nas novelas, pelo contrário as lésbicas explodiam junto com os prédios. Aliás, até no cinema era difícil demais encontrar algum tipo de casal que me representasse. Tive que inventar o imaginário que não existia fora da ficção, bem lá na realidade crua onde a palavra homossexualismo ainda era nome de doença, segundo a Organização Mundial de Saúde. Parece distante, mas isso tudo foi ontem, nos anos 90. Década em que comecei a trabalhar como jornalista em um dos canais de TV a cabo mais importantes do mundo (a HBO) e tive o a oportunidade de descobrir que era possível ser gay e viver fora do armário.

Na HBO Brasil, um quarto da redação era queer e esses meus colegas não só amavam pessoas do mesmo sexo, como falavam sobre seus afetos ali, entre uma pauta e outra, ao telefone, no almoço. Era como se fosse fácil ser feliz e de fato era. E deveria ser assim pra todo mundo! Sei do privilégio que tive e é desse lugar que escrevo até hoje.

Em todas as empresas em que trabalhei havia um grau seguro de regras contra o preconceito e a discriminação de qualquer natureza. Mas reforço que sei que vivo a exceção.

Num país desigual como o nosso, sou consciente da sorte de ter descoberto, com 19 anos que era possível viver a minha sexualidade sem medo e tenho feito isso até hoje em todas as minhas relações afetivas. Levo essa coragem pra todos os lugares, porque felizmente aprendi cedo que é possível ser livre.

Independentemente do tipo de trabalho que realizamos, nossa alma tá ali. Não importa se nosso talento é artístico, burocrático ou técnico. Levamos quem somos pra todas as nossas ações no mundo. Por isso é tão importante poder ser o que se é.

Algumas vezes tive que colocar a prova minhas convicções. Enfrentei situações de assédio, como a maioria das brasileiras. E acreditem, quando isso acontece com uma mulher lésbica a violência é muito cruel porque além do ato ser machista é homofóbico. Lembro da vez triste em que fui assediada por um chefe que insistia em, além de me beijar, questionar minha escolha de amar mulheres. Não permiti que o beijo acontecesse. Principalmente não deixei que aquele ato de violência colocasse em dúvida quem eu era. E mais uma vez, sei e reafirmo que tive muita sorte.

Há 15 anos sou repórter da GLOBO e entro na casa de milhões de pessoas com tudo que me constitui: meu profissionalismo, sensibilidade, a voz, os ouvidos e também o meu jeito de amar.

Ando de mãos dadas com a minha namorada nas ruas. E uma das descobertas mais felizes que tive é que muitas pessoas simplesmente não se importam com isso. Sinto um prazer sem igual quando alguém para a gente no meio de um abraço pra pedir uma foto e ainda pede desculpas por interromper com tanto carinho uma demonstração de amor.

Nunca tive que esconder, nem mesmo das pessoas mais preconceituosas minha orientação sexual e me encho de alegria em dizer que na maioria das vezes tenho sido respeitada por isso.

Quando minha amiga Maô Guimarães, uma das pessoas mais brilhantes e tímidas que eu conheço me convidou pra escrever sobre como é ser gay no trabalho, achei importante contar meu caminho.

Ela igualmente escreveu a história dela e é libriana como eu. Também tem uma namorada que ela ama e um trabalho que valoriza o fato dela ser exatamente como ela é. Somos duas mulheres que tem a chance de viver nossa afetividade sem pudores. E se essa realidade ainda não é para todas e todos, é por isso que hoje escolhemos ser vozes reais. Testemunho vivo, necessário e militante! Porque é urgente poder ser tudo que somos, mais do que nunca e sem nenhum direito a menos.

Fonte: Jornal Opção, 07/06/2018 

Cantora Maria Gadú posa com namorada Lua Leça para campanha "Amor Geral" da Ellus

quarta-feira, 6 de junho de 2018 0 comentários

A cantora Maria Gadú posou com a namorada Lua Leça para a ação

Depois da campanha da CA que apoia a diversidade, a ELLUS lança um projeto especial que busca englobar o amor em geral, poucas semanas após o dia de combate à homofobia e da Parada do movimento LGBT, em São Paulo. Com a intenção de representar todos os tipos de amor, a grife selecionou famosos como Sabrina Sato, Duda Nagle, Maria Gadú e Lua Leça para retratar o amor entre casais, mas, também, o sentimento entre amigos, irmãos e pais e filhos. Com rostos conhecidos como Iza, Adriane Galisteu, Tulio e Gustavo Rocha, a ação recebe o nome "Amor Geral", o mesmo dado ao trabalho mais recente da cantora Fernanda Abreu, com quem se uniu para tornar real o programa idealizado pela diretora de branding, Adriana Bozon, e sua equipe criativa.

O projeto desenvolvido tem como objetivo principal disseminar o amor após a grife ter apurado que o mundo está cada vez mais carente desse sentimento, que é essencial em todas as relações e nas suas diversas formas de manifestações. Protagonista na campanha do Dia dos Namorados para a Mundial Calçados, assim como a C&A selecionou o casal mais cobiçado do Brasil, Sabrina Sato contou com a presença da mãe, Kika, para representar o amor entre mãe e filha. Além disso, a apresentadora também posou para fotos ao lado do noivo.

Coleção unisex

A campanha é um manifesto de amor e será propagada por um time de celebridades e formadores de opinião por todo o País durante os meses de maio a agosto. Junto com a ação elaborada, a grife apostou na criação de peças como camisetas, moletons e bonés de diversas cores estampados com a frase "Amor Geral" que variam entre o preto, branco e vermelho. O diferencial da coleção está no fato dela ser unissex, ou seja, todos poderão usar. Com a nova linha disponível para vendas online e nas lojas de todo o Brasil, a marca revela que 10% do valor arrecadado com a comercialização dos itens será revertido para a ONG Turma do Bem, que busca promover soluções de acesso à tratamentos odontológicos.

Fonte: Terra, Pure People, por Fernanda Casagrande, 06/06/2018


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