Corte Interamericana determina que 20 países reconheçam casamento igualitário

terça-feira, 10 de abril de 2018 0 comentários


Corte Interamericana determina que 20 países reconheçam casamento gay

Decisão histórica teve como base uma consulta feita pela Costa Rica sobre o tema. Corte decidiu ainda que países devem permitir a troca de identidade sexual nos registros
A Corte Interamericana de Direitos Humanos proferiu em 9 de janeiro deste ano, uma decisão que foi considerada histórica pelos defensores das minorias sexuais, ao determinar a seus países membros que reconheçam direitos plenos aos casais do mesmo sexo e permitam a troca de identidade sexual nos registros civis. O tribunal internacional, com sede em San José (Costa Rica), considerou “necessário” que a figura do matrimônio não se restrinja às uniões heterossexuais, apesar da forte resistência demonstrada por grupos conservadores que exercem sua influência nos países da América Latina e Caribe.
O Estado deve reconhecer e garantir todos os direitos que derivam de um vínculo familiar entre pessoas do mesmo sexo”, afirmou a Corte, e para isso considera pertinente utilizar a figura do matrimônio e não outros formatos legais que poderiam prolongar a discriminação. A decisão foi feita em resposta a uma consulta consulta realizada pela Costa Rica em maio de 2016.
O presidente da Costa Rica, Luis Guillermo Solís (nas eleições de 01/04/08, Carlos Alvarado Quesada se tornou o novo presidente do país), reagiu de imediato com satisfação e com o anúncio de um rápido acatamento da sentença. Centenas de pessoas foram comemorar a notícia na fonte da Hispanidad, localizada em uma rotatória na região leste da capital, à qual costumam ir os torcedores de futebol para festejar os triunfos da seleção costa-riquenha. Também houve críticas de alguns setores políticos conservadores que consideram o decreto uma violação da soberania nacional.

A vice-presidenta da Costa Rica, Ana Helena Chacón, considerada pelos ativistas a principal defensora de políticas igualitárias no Governo, comemorou emocionada a decisão por considerar que estimula os países da região a tirar da invisibilidade centenas de milhares de pessoas que se unem a outras do mesmo sexo ou que possuem uma identidade sexual diferente no Registro Civil de seu país.


Ajuste legal

A opinião consultiva da Corte Interamericana tem implicações que vão além da Costa Rica, porque seu acatamento é obrigatório para os 20 países que atualmente reconhecem a competência do tribunal internacional, alguns dos quais já reconhecem o direito ao casamento igualitário. O Centro pela Justiça e Direito Internacional(Cejil), com sede em Buenos Aires, considerou a decisão “histórica”. 
É uma jurisprudência enorme para guiar os Estados americanos no desenvolvimento de leis e políticas públicas que garantam os direitos de todas as pessoas, em igualdade, e permitam superar a realidade de discriminação e violência que sofrem as pessoas LGBTI”.
Segundo Jefferson Nascimento, assessor do Programa de Desenvolvimento e Direitos Socioambientais da ONG Conectas, a decisão da Corte Interamericana constitui inegável avanço no entendimento regional sobre identidade de gênero e matrimônio igualitário.
Associando o direito à identidade sexual e de gênero ao conceito de liberdade e possibilidade de todo ser humano de autodeterminar-se e escolher livremente as opções e circunstâncias que dão sentido a sua própria existência, a Corte IDH mandou uma mensagem forte a todos os países sob sua jurisdição sobre o caráter violador de direitos humanos de normas e práticas discriminatórias contra casais do mesmo sexo e pessoas trans".
Dentre os países que reconhecem a competência da Corte, apenas Brasil, Uruguai e Argentina reconhecem o casamento igualitário. No Brasil, desde 2011, Supremo Tribunal Federal determinou que casais homossexuais têm os mesmos direitos e deveres que a legislação brasileira já estabelece para os casais heterossexuais. Em 2017, o STF decidiu ainda equiparar os direitos sucessórios de uma união estável com a de um casamento civil, dando mais um passo no reconhecimento igualitário do direitos entre casais gays e casais heterossexuais.

Apesar dos avanços na prática jurídica, o casamento homoafetivo ainda não é reconhecido pela Constituição brasileira. O Projeto de Lei do Senado 612/2011, que altera o Código Civil para reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo e possibilitar a conversão dessa união em casamento, foi aprovado, em março de 2017, pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), e segue em tramitação.

A Argentina foi o primeiro país da América Latina a reconheceu o casamento homoafetivo, em 2010. O Uruguai seguiu o pioneirismo do país vizinho e reconheceu o matrimônio igualitário em 2013.

Os juízes da Corte destacaram a necessidade de que os países comecem logo o ajuste de normas regulamentares ou legais que permitam aplicar esse critério, apesar de ter reconhecido que pode levar tempo por dificuldades burocráticas ou políticas. Afirmou de maneira taxativa que devem ser evitadas considerações religiosas, por ser este um tema próprio dos direitos humanos e não um assunto de fé ou crenças.

Fonte: El País, Álvaro Murillo, com colaboração de Regiane Oliveira, 11/01/2018

Antes de deixar governo de SP, Alckmin vetou projeto contra a homofobia nos estádios

segunda-feira, 9 de abril de 2018 0 comentários

Governador de São Paulo toma decisão polêmica sobre  comportamento em estádios

Gritos e cânticos preconceituosos ainda fazem parte dos estádios de futebol pelo mundo, e no Brasil isso não é diferente. Tentando mudar essa realidade, o deputado Edmir Chadid (DEM-SP) escreveu o Projeto de Lei nº 1100/2017, cujo objetivo é punir financeiramente clubes e torcedores por atos homofóbicos praticados em estádios de futebol em São Paulo.

No entanto, o governador Geraldo Alckmin vetou o projeto e alegou que o Art. 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que proíbe racismo e outros atos discriminatórios nas arenas, já contempla a punição que o deputado pretendia institucionalizar.
Fonte: 90 Minutos, 06/04/2018

Criado projeto de visibilidade de gays e lésbicas no futebol brasileiro

quarta-feira, 4 de abril de 2018 0 comentários

Foto: O Mineirão presta homenagem ao dia do Orgulho LGBT. Crédito: Divulgação/Mineirão

Projeto reúne depoimentos de torcedores LGBT sobre a paixão pelo clube e pelo futebol

O futebol é uma paixão nacional. Qualquer pessoa, independentemente de religião, orientação sexual ou gênero, pode gostar e frequentar estádios sem se sentir oprimida. Foi justamente por isso que o jornalista William de Lucca, 32, resolveu denunciar em suas redes sociais os gritos de “bicha” de palmeirenses destinados ao time do São Paulo.

Reprodução/Logo do projeto criado por William de Lucca
para dar representatividade a torcedores arco-íris.
Ativista de causas LGBT há anos, ele chamou atenção ao denunciar os cantos e gritos que envolvem ofensas à sexualidade dentro do próprio estádio. A repercussão foi grande. Na postagem os comentários em apoio e os que propagam ódio e ameaças se misturam. Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, ele dá detalhes sobre o acontecimento.
Disseram que eu não poderia mais frequentar o estádio e me ameaçaram de agressão e até de morte”, conta William.
A partir do apoio e identificação de outros torcedores LGBT, ele criou o projeto ‘Eu sou, eu torço’, que divulga depoimentos sobre o amor ao clube e ao futebol.
Muita gente me mandou mensagem compartilhando suas histórias e eu achei que era legal ter uma plataforma para abrigar esses relatos”, afirma. “A ideia é dar visibilidade para gays e lésbicas no futebol, para que as pessoas saibam que eles existem e que precisam ser respeitados, já que nós só temos respeito quando não tocamos no assunto, quando fingimos que não existimos”, reflete.
O é um projeto de apaixonados por futebol que sentem orgulho de times e de suas orientações sexuais/identidades de gênero.

É um projeto para visibilizar os torcedores LGBT+ em ambientes de futebol e lutar contra a homofobia tradicional destes espaços! ❤️⚽️🌈

Hospedado na plataforma Medium, a conta do projeto já tem oito relatos publicados. O único responsável pelas postagens, por enquanto, é William, mas toda colaboração é bem-vinda.

Quem quiser enviar um depoimento deve escrever para o e-mail eusoueutorço@gmail.com, com um texto em primeira pessoa, falando sobre seu amor pelo clube ou contando alguma história que tenha marcado essa relação. É preciso informar nome, idade, onde mora, profissão, identidade de gênero e orientação sexual, além de mandar fotos com a camisa do clube de coração”, explica.
Fonte: Torcedores, 03/04/2018

Debate sobre casamento igualitário pode definir presidente da Costa Rica

segunda-feira, 2 de abril de 2018 0 comentários

Casamento gay pode decidir segundo turno na Costa Rica

O segundo turno das eleições presidenciais na Costa Rica, neste último domingo, levou o casamento gay para o centro do debate entre o candidato conservador, Fabricio Alvarado Muñoz, um pastor evangélico de 43 anos, e o representante de centro-esquerda Carlos Alvarado Quesada, ex-ministro de Desenvolvimento Social e do Trabalho, de 38 anos -- numa disputa ainda sem claro favorito. Atualização: Carlos Alvarado Quesada, ex-ministro do Desenvolvimento Social, jornalista e cientista político, tornou-se o novo presidente da Costa Rica.

Apesar de Fabricio ter saído na frente no primeiro turno, com 24,9% dos votos, as pesquisas indicam empate técnico. Uma sondagem do Centro de Investigação e Estudos Políticos da Universidade da Costa Rica (UCR) indica que o pastor do Partido Restauração Nacional (PRN) conta com 43% de apoio, empatado com o ex-ministro, do Ação Cidadã (PAC), com 42% das intenções de voto.

É a primeira vez desde 1950 que as duas forças políticas que dominaram o cenário eleitoral -- o Partido da Liberação Nacional (PLN) e o Partido Unidade Social Cristã (PUSC) -- ficam fora da disputa.
O empate vem desde o primeiro turno, quando os dois candidatos tiveram apenas três pontos percentuais de diferença, e se mantém nas pesquisas. Há uma volatilidade muito grande entre o eleitorado, que, somada à indecisão e à abstenção, fazem com que a definição deva ocorrer apenas no último minuto", disse o cientista político Rotsay Rosales, da UCR.
Alvarado Muñoz atraiu eleitores conservadores que se identificaram com sua oposição ao casamento gay, expressada depois de uma declaração da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) em janeiro, a favor da união. O pastor disparou nas pesquisas quando propôs retirar o país da Corte IDH em resposta à opinião do tribunal.

Do outro lado está o escritor, ex-cantor de rock e ex-ministro Carlos Alvarado Quesada, que apoia os direitos da comunidade LGBTI.

Durante a campanha, Fabricio prometeu combater o "estado secular" e a "ideologia de gênero". Na reta final, no entanto, em busca de alianças, o pastor diminuiu o tom do discurso e atenuou as críticas à Corte IDH, além de evitar fazer declarações sobre sua religião.

Mas analistas concordam que o voto cristão, que engloba grande parte dos indecisos, deverá ser decisivo para o resultado do pleito num país onde mais da metade da população é católica.
A campanha demonstra como a insatisfação dos eleitores com as elites políticas favoreceu a ascensão dos partidos religiosos", escreveu o ex-vice-presidente da Costa Rica Kevin Casas, em um artigo publicado no "New York Times". "Como os políticos tradicionais perderam a credibilidade, os eleitores recorrem a figuras religiosas que propõem o retorno de certezas morais que se diluíram em tempos de relativismo, ambiguidade ideológica e oportunismo".
Se nos debates Fabricio tem procurado se distanciar da religião, nos bastidores vem tentando atrair justamente o eleitor evangélico. Seu partido foi advertido nesta semana pela segunda vez pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), depois que veio à tona a gravação de uma reunião do candidato com centenas de pastores evangélicos para discutir o apoio dos religiosos na campanha.

Nas imagens, ele e seus aliados pedem "bendições" de transporte e alimentos para seus eleitores.

Seu opositor, por sua vez, criticou o programa do pastor, que chamou de carente de medidas concretas. Segundo ele, o "pulso firme" defendido pelo rival no combate ao crime serve apenas para agravar a situação. Carlos ainda voltou a defender o casamento entre pessoas do mesmo sexo. 
Eu não escondo minha posição. Fui honesto com o público, embora fosse impopular", afirmou.
Fonte: Agência Globo, 01/04/2018

Casamento igualitário volta a ser proibido em Bermudas após legalização

quinta-feira, 29 de março de 2018 0 comentários

Bermudas é o primeiro país a permitir e depois proibir a união homoafetiva

Bermudas torna-se primeiro país a proibir casamento gay após legalização

A seguir o manual de como trocar uma visão progressista por pensamentos retrógrados em um curto intervalo de tempo. A história vem das Bermudas, que depois de legalizar o casamento homoafetivo, voltou atrás, se tornando a primeira nação a proibir a união entre casais do mesmo sexo. 

Mais do que polêmica, a mudança bizarra de postura partiu do governador John Rankin que, respaldado pela Câmara, Senado e 60% de pessoas contrárias ao casamento homossexual, conseguiu derrubar a decisão efetivada pela Suprema Corte do país.

Tamanho retrocesso foi analisado por meio de uma leitura política, isso pois de acordo com John a medida era uma maneira de “equilibrar” o jogo, dando voz para setores conservadores da sociedade. 

Contudo, como o cerceamento do direito de ser de um indivíduo pode ser resumido ao jogo político entre progresso e conservadorismo? Para muitas pessoas esta é uma tática condenável, mas infelizmente cada vez mais comum, mesmo em pleno 2018. 

Aqui no Brasil, por exemplo, não faltam vozes, dentro e fora do parlamento, que insistem em colocar a orientação sexual de determinado indivíduo como fruto de uma inclinação à esquerda, por exemplo. Sim, estamos no século 21, mas ainda é necessário grifar o fato de que a relação com a sexualidade e o corpo é uma questão particular e que se desenvolve de formas distintas entre os seres humanos.
Identidades são inscritas através de experiências culturalmente construídas em relações sociais, o que é atestado pelas vivências relacionais dos entrevistados em um coletivo por afinidades em processos de lutas ou de ideias”, diz trecho do estudo Narrativas de Formação Humana de Negros Homossexuais do Coletivo Afrobixas, formado em 2015 na Universidade Federal de Brasília (UNB).
Para o governador John Rankin, a proibição do casamento gay dá voz aos conservadores

A medida radical foi criticada com veemência por organizações em defesa dos direitos humanos e grupos de ativistas homossexuais, como Ty Cobb, diretor de uma ONG de direitos humanos.
O governador Rankin e o parlamento de Bermudas vergonhosamente transformaram Bermudas no primeiro território nacional do mundo a repelir a igualdade no casamento”, afirmou o ativista.
Atualmente, nações como Alemanha e Taiwan são umas das 26 que permitem a união homoafetiva. No Brasil, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi legitimado pelo Conselho Nacional de Justiça há pouco mais de quatro anos. No período foram registrados mais de 400 casamentos, representando um aumento de 51% em relação ao primeiro ano da medida.

Fonte: Hypeness, por Kauê Vieira, 02/2018

Quando me assumi como lésbica, perdi alguns trabalhos, mas logo depois encontrei outros

terça-feira, 27 de março de 2018 0 comentários

Bruna Linzmeyer - Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Perdi alguns trabalhos”, revela Bruna Linzmeyer sobre quando tornou público que é lésbica

Bruna Linzmeyer virou notícia, recentemente, ao postar foto em que aparece beijando a namorada, Priscila Visman, durante manifestação no Rio em protesto ao assassinato de Marielle Franco. A postagem foi a mais curtida no perfil da atriz no Instagram – são mais de 138 mil likes! Em bate-papo sobre feminismo, Bruna contou ao Social1 sobre a repercussão desde que tornou público que é lésbica.

“Quando veio a público que eu sou uma mulher lésbica, alguns trabalhos publicitários foram cancelados”
, revela.

Mas, importante, relata que o posicionamento também lhe trouxe convites:

“Muitos trabalhos chegaram porque eu me coloquei nesse lugar que é meu”
.

Falou também da importância de representatividade, ou seja, de pessoas públicas com quem as pessoas se identifiquem.

“Se a gente começa a naturalizar uma coisa que é natural, isso vaza para uma sociedade inteira. É preciso falar com naturalidade sobre uma coisa natural”
, enfatiza a atriz que, neste ano, ganha as telas de cinemas em quatro filmes: O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues; O Banquete, de Daniela Thomas; O Que Resta, da Fernanda Teixeira, e Partiu Paraguai, de Daniel Lieff.

Leia na íntegra o que Bruna Linzmeyer nos falou:
Quando veio a público que eu sou uma mulher lésbica, eu perdi alguns trabalhos. Alguns trabalhos publicitários foram cancelados, mas logo depois as coisas se reencaixaram. Muitos trabalhos chegaram, também, porque eu me coloquei nesse lugar que é meu. E que, pra mim, é muito natural. Nunca teria como ser de outro jeito. 
Eu digo que é um ato político eu me dizer ‘sou uma mulher lésbica’, porque a gente precisa falar sobre isso. É através dessas caixinhas [rótulos] que a gente conversa sobre elas. E é representatividade. Eu olho pra Marielle, por exemplo, e ela era uma mulher lésbica. Além de ser uma lutadora dos direitos humanos, das pessoas que moram na favela, preta, favelada, ela também era lésbica. Eu quero olhar para pessoas lésbicas no poder, fazendo coisas. 
Muitas pessoas chegam até mim falando desse lugar [de representá-las], dizendo ‘foi a partir de uma entrevista sua que eu consegui conversar com a minha mãe, porque eu também sou lésbica’, sabe? Então, se a gente começa a naturalizar uma coisa que é natural, isso vaza para uma sociedade inteira. É preciso falar com naturalidade sobre uma coisa natural. (Bruna Linzmeyer)
Fonte: Blog Social1, por Romero Rafael, em Famosos, 26/03/2018

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