Bofinhos e Ladies fazem sucesso na Tailândia

segunda-feira, 27 de março de 2017 0 comentários


O país onde garotas estão em evidência por se vestir de homens

A produtora Beary está sentada no bar. Percebe que outra jovem se aproxima para puxar papo. "Amei sua camisa. Quantos anos você tem?", a garota pergunta. "Vinte e dois", Beary responde, num agudo bem feminino. A moça então dá uma desculpa qualquer e vai embora. "Isso acontece o tempo todo", diverte-se Beary. "As pessoas acham que sou um cara por causa da minha aparência."

Beary, que prefere não revelar o nome completo, nasceu e mora na Tailândia --líder mundial em cirurgias de troca de sexo e conhecida por aceitar e receber com naturalidade as transgêneros e as "krathoeys", palavra local com significado próximo ao de travesti.
Eu sou uma tom", explica a produtora. Isso quer dizer que Beary se identifica com o gênero feminino, mas se veste e se comporta como homem.
A palavra vem do inglês "tomboy" (menina que gosta de atividades associadas a homens). As toms namoram as dees, abreviação de "ladies" (senhoritas, em tradução livre do inglês), meninas que fazem questão de manter o estilo "princesa" bem feminino: cabelos longos, roupas justas e unhas pintadas.
Cultura tailandesa

Segundo a pesquisadora Georgia Megan Sinnot,  a aceitação das lésbicas no país começou com mudanças na tradição do casamento. Até a década de 1970, as mulheres se casavam muito jovens e o casamento era uma convenção. Como o sexo antes do matrimônio poderia arruinar a reputação da mulher, muitas passaram a explorar a sexualidade entre si. Mais tarde, com o crescimento econômico do país, começaram a trabalhar nas grandes cidades, alcançaram autonomia financeira e não precisaram mais se casar tão cedo nem esconder sua orientação sexual.

Além disso, a percepção do relacionamento entre os tailandeses também contribuiu para melhor aceitação dos casais toms e dees. Isso porque na cultura tailandesa um casal deve ser composto por uma figura masculina e uma feminina, não importando que ambas sejam do mesmo sexo. Por outro lado, a relação entre duas toms ou duas dees pode ser considerada um desvio, inclusive dentro do próprio grupo.

Para a dee Masraphinath Ratkotchakornkirasiri, o fator essencial para que ela se apaixone pelas toms é a compreensão feminina. 
"Elas têm a sensibilidade para me entender como mulher, o que falta em um homem", afirma.
Popularidade
A editora da revista 'TomAct' diz querer
ajudar a nova  geração de lésbicas
Imagem: Arquivo pessoal

A notoriedade das toms e dees levou ao nascimento, em 2007, da revista "Tom Act", especializada no estilo de vida "tomboy". A editora Nathnarath Ratchakodchakinasiri, de 53 anos, diz ter vivido na pele a revolução silenciosa promovida pelas lésbicas tailandesas e afirma querer hoje ajudar a nova geração.
A revista é um guia para garotas que ainda não sabem como agir, para sentirem que não estão sozinhas", afirma.
A existência da revista se deve também a uma demanda de mercado. A publicação busca um nicho formado pelas Um dos marcos para esse público foi o lançamento do filme "Yes or No", em 2011, que se tornou sucesso entre garotas lésbicas ao retratar uma história de amor entre uma tom e uma dee --enredo próximo ao do filme brasileiro "Hoje eu Quero Voltar Sozinho" (2014), de Daniel Ribeiro, que trata de descobertas amorosas entre dois meninos adolescentes.

Com o fenômeno cada vez mais popular, celebridades também se sentem à vontade para assumir a sexualidade. A miss Tailândia 2006, Lalana Kongtoranin, trocou a coroa pelo boné no início de 2014 --agora ela se veste como uma tom, ainda que diga não gostar de rótulos. Atualmente é seguida por quase 1 milhão de pessoas apenas no Instagram.

Preconceito



Apesar da aceitação, a Tailândia ainda registra casos de preconceito contra lésbicas. Em 2012, uma garota de 14 anos denunciou o próprio pai à polícia por estuprá-la durante quatro anos seguidos. Ele não queria que a filha saísse com as amigas toms por temer que ela se tornasse homossexual. Em 2009, duas meninas foram encontradas mortas na cidade de Chiang Mai. O casal foi esfaqueado mais de 60 vezes por um homem que gostou de uma delas e sentiu repulsa pela relação homossexual.

Entre 2006 e 2012, 15 mulheres homossexuais foram assassinadas no país, de acordo com relatório feito pela Comissão Internacional de Direitos Humanos de Gays e Lésbicas (IGLHRC, na sigla em inglês). É difícil calcular o número exato de mortes depois dessa data porque a lei tailandesa não classifica os assassinatos como crimes de ódio. Eles são catalogados, na maioria, como passionais.

Além disso, direitos básicos, como o de alterar o nome nos documentos e a união civil entre casais do mesmo sexo, ainda são negados à população LGBT do país.

É nas escolas onde o bullying é mais frequente. Um em cada três estudantes LGBT da Tailândia diz ter sofrido algum tipo de agressão por causa de gênero ou orientação sexual, segundo levantamento da ONG Plan International, Unesco e Universidade de Mahidol.

Anjana Suvarnananda, de 59 anos, lésbica e uma das principais ativistas do país, trabalha para que as instituições de ensino se tornem ambientes inclusivos. Mas, como no Brasil, a tarefa esbarra em setores conservadores da sociedade, que se refletem na política.
Eles acham que a Tailândia ainda não está pronta para discutir o tema", afirma.
Fonte: UOL via BBC, por Vinicius Tamamoto, 25/03/2017

Novo “Power Rangers” trará primeira heroína lésbica do cinema!

sexta-feira, 24 de março de 2017 0 comentários

A Ranger Amarela, Trini, interpretada por Becky G, está se descobrindo na história

Novo “Power Rangers” trará primeira heroína lésbica do cinema!

Marvel e DC são gigantes no quesito heróis no cinema, mas ainda não vimos nenhum personagem gay nas adaptações dos quadrinhos. Pois quem trará diversidade ao universo dos super-heróis será o novo filme da Lionsgate, o reboot de “Power Rangers”.

A Ranger Amarela, Trini, interpretada por Becky G, está se descobrindo na história, segundo o diretor Dean Israelite, que falou com o The Hollywood Reporter.

Há uma cena onde ela está se questionando sobre problemas com o namorado, mas na verdade Trini percebe que essa questão está relacionado a uma garota e não a um garoto. É um pequeno momento, mas Israelite chama de “fundamental” para todo o filme.
Para Trini, ela realmente está se questionando muito sobre quem é. Ela ainda não entendeu muito bem o que está acontecendo, é o que eu acho ótimo nessa cena e no que ela vai propiciar para o restante do filme é: ‘Está tudo bem’. O filme está dizendo: ‘tudo bem’ para todas as crianças que estão tentando entender quem são e querem encontrar sua tribo”
O primeiro Ranger Azul, o ator David Yost, que é gay, deixou a série nos anos 90 depois de enfrentar assédio por conta de sua orientação sexual. Ele elogiou essa inclusão no novo filme!
Eles finalmente fizeram alguma coisa! Acho que muitas pessoas na comunidade LGBTQI vão ficar entusiasmadas por ver essa representação”
Lionsgate segue os mesmos passos da Disney, que teve seu primeiro personagem abertamente gay nos cinemas com o novo “A Bela e a Fera”.

Enquanto isso, a diversidade nos quadrinhos de heróis existe, sim! Mulher-Maravilha, Mulher Gato, Batgirl e Arlequina e Hera Venenosa estão estre as personagens representantes da comunidade LGBT. Mas até agora, todas foram retratadas como hétero nos filmes. Já o mutante Northstar, do X-Men, foi o primeiro personagem gay dos HQs, introduzido nas histórias em 1992.

Fonte: Papel Pop, por Raíssa Basílio, 20/03/2017

Eva Green e Gemma Arterton viverão a história de amor entre as escritoras Virginia Woolf e Vita Sackville-West.

quinta-feira, 23 de março de 2017 1 comentários


Escaladas atrizes que viverão casal em filme sobre Virginia Woolf

As atrizes Eva Green (O Lar das Crianças Peculiares, Penny Dreadful, 300: A Ascensão de um Império) e Gemma Arterton (Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo) foram escolhidas para protagonizar o filme Vita & Virginia, que vai tratar da história de amor da romancista Virginia Woolf com a escritora e designer de jardim Vita Sackville-West. As informações são do site do jornal britânico The Guardian.

Eva como Virginia

Eva Green vai interpretar Virginia e Gemma ficará com o papel de Vita. O filme será dirigido por Chanya Button (Burn Burn Burn) com base em uma peça de teatro escrita por Eileen Atkins, chamada Vita and Virginia, que estreou em 1992. O roteiro do longa foi escrito pela própria Eileen em 2000.

Gemma e Vita

O relacionamento entre as duas escritoras começou em 1922 e durou por cerca de uma década, apesar de elas terem continuado amigas até a morte de Virginia, em 1941. O livro Orlando – Uma Biografia (publicado no Brasil pela Companhia das Letras), lançado por Virginia em 1928, foi dedicado a Vita.

Superior Tribunal de Justiça entende que lésbicas e gays podem adotar crianças de qualquer idade

quarta-feira, 22 de março de 2017 0 comentários


Homossexuais podem adotar criança de qualquer idade, define STJ


O fato de uma pessoa ter uma relação homoafetiva não impõe qualquer limite para que adote menores de idade, bastando que preencha os requisitos do Estatuto da Criança e do Adolescente. Assim entendeu a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça ao negar pedido do Ministério Público do Paraná, que queria impedir um interessado em adotar crianças de até três anos de idade.

O MP-PR entendia que o limite deveria ser de 12 anos, por ser “peculiar a condição do adotante, em homenagem ao princípio da proteção integral, a oitiva do adotando surge como obrigatória”. Em primeiro grau, porém, o juízo de primeiro grau afirmou que não faria sentido limitar “a habilitação de requerente homoafetivo”, com base nos princípios da igualdade. O Tribunal de Justiça gaúcho manteve o entendimento, por unanimidade.

Para o ministro Raul Araújo, relator do caso no STJ, não existe previsão legal limitando a faixa etária do adotando apenas porque o adotante é homossexual, “devendo o pretendente, sempre e em qualquer situação”, preencher os requisitos estabelecidos no ECA (Lei 8.069/90), como oferecer ambiente familiar adequado.

Ele afirmou que, conforme relatório juntado em primeira instância assinado pela equipe multidisciplinar do juízo, “o requerente encontra-se apto a exercer a responsabilidade que requer os cuidados de uma criança ou adolescente”.

O ministro apontou ainda que a 3ª Turma da corte já seguiu a mesma tese, por unanimidade, em 2015, ao rejeitar pedido do próprio MP-PR (REsp 1.540.814/PR). O voto de Araújo também foi seguido sem divergência. O ministro Antonio Carlos Ferreira apresentou voto-vista, mas acompanhou o relator.

Clique aqui para ler o voto do relator, ainda sem revisão.

REsp 1.525.714

Fonte: Conjur, 17 de março de 2017 

Em vídeo, meio-irmão de Luciano Huck fala sobre homossexualidade

terça-feira, 21 de março de 2017 0 comentários

O cineasta Fernando Grostein Andrade e o namorado, o ator Fernando Siqueira

Em depoimento, meio-irmão de Luciano Huck fala sobre homossexualidade

Assumir a homossexualidade é um passo difícil para a maioria das pessoas por um único motivo: o preconceito. Por isso, em meio a notícias assustadoras de casos de homofobia, é importante também divulgar aquelas que dão força e coragem para aqueles que ainda não conseguiram se assumir.

A história de Fernando Grostein, autor de documentários como "Quebrando o Tabu", publicou um vídeo em seu canal do YouTube em que fala sobre sua sexualidade. O depoimento de 15 minutos contextualiza sua infância, sua primeira experiência amorosa - tanto hétero como homossexual - e os preconceitos que sofreu.

Quando criança, se sentia diferente por não compartilhar dos mesmos interesses dos amigos. Enquanto eles falavam de futebol, Grostein gostava de cultivar orquídeas e fazer hipismo. Seus hobbies, então, se tornaram motivo de piada entre seus colegas.
Aos 14 anos tive um sonho com um amigo e comecei a sentir vergonha dos meus amigos, da minha família, de tudo, me fechar. Tinha certeza que eu tinha que ter uma namorada, comecei a me obrigar a ver 'Playboy', para ver se a coisa ia, na força, no jeito", contou.
Mais tarde, no entanto, teve sua primeira experiência homoafetiva com um amigo e não foi nada positiva. "Ele tava bêbado, eu também. Depois disse: 'Se você contar para alguém eu te mato, jogou uma bomba na minha casa'".

Essa situação, ao mesmo tempo que o fechou mais ainda, se tornou um incentivo para ele se assumir para a família no futuro. A reação dos parentes não foi das melhores, mas eles foram entendendo aos poucos e hoje mantém uma boa relação.

Ao final do vídeo, Grostein dá uma mensagem emocionante aos gays que sofrem para admitir a própria sexualidade. 
Na minha época fez falta alguém dizer para mim assim 'olha, tá tudo certo em ser gay, olha, não tem problema nenhum, olha, ser gay não é sinônimo de dar errado'", desabafou. E completou com um recado encorajador: "É muito bom você estar em paz, vale a pena se assumir. Pode acreditar, pode confiar, é difícil no começo... mas passa".
Veja o vídeo abaixo:

Fonte: Catraca Livre, 14/03/2017


Jovem lésbica afirma que discriminação familiar e social está longe de acabar

segunda-feira, 20 de março de 2017 0 comentários

Jéssica diz que se ama do jeito que é. Jovem quer ajudar outras lésbicas e garantir direitos das mulheres (Foto: Quésia Melo/G1)

'Respeito é só no papel', diz lésbica que sofreu preconceito da família
Jovem diz que ficou com marcas no corpo e pediu medida protetiva à Justiça. Jéssica Farias faz parte de associação e quer garantir direitos das mulheres.

Foi dentro de casa que a estudante Jéssica Farias, de 20 anos, sofreu preconceito pela primira vez ao contar que era lésbica. A agressão verbal e física partiu de um tio. A jovem conta ficou com marcas no corpo e pediu uma medida protetiva que mantém o agressor distante. No mês em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, Jéssica pede respeito às lésbicas e lamenta ainda ser chamada de "sapatão" dentro do ônibus.
Desejaria que, de fato, o respeito existisse, pois o respeito é só no papel e nas redes sociais. Não tenho medo de ser quem sou, mas enfrento piada dentro de ônibus, sou chamada de 'sapatão' e a frase que mais ouço é "'tu nunca pegou um homem que faça gostoso como eu'. As pessoas não se colocam em nosso lugar, tudo o que querem é fazer julgamentos", lamenta.
Jéssica faz parte da Associação de Mulheres do Acre Revolucionárias (Amar-AC), que atualmente atende ao menos 17 mulheres profissionais do sexo, lésbicas e em situação de vulnerabilidade. A estudante afirma que descobriu a orientação sexual aos oito anos de idade durante uma brincadeira com as primas. Desde então, foi apoiada e julgada por familiares e amigos.
Não digo que descobrir e entender isso foi fácil, mas eu me aceitei fácil, pois na minha família há outros homossexuais e até eles são preconceituosos. Uma pessoa da minha família que é gay não me aceita como lésbica e já chegamos a ir para a Justiça por causa disso. A primeira a saber que eu era lésbica foi minha avó. Quando contei, ela respondeu: 'minha filha seja feliz'", conta.
Jovem conta que mora com namorada há mais de um ano e que é chamada de sapatão diariamente (Foto: Quésia Melo/G1)

Relacionamento

Jéssica namora há mais de um ano e diz que ela e a companheira buscam ser respeitadas diariamente. As duas se conheceram no Facebook. A estudante relata que quando estão em público se tratam como amigas para preservar a privacidade do casal e evitar comentários preconceituosos.
Acredito que a nossa intimidade é assunto da nossa casa para dentro. Infelizmente, as outras pessoas não têm a cabeça aberta que ela, as pessoas que convivem conosco e eu temos. Lembro que a vi no Facebook e a achei muito bonita, mandei mensagens na cara de pau, tomei a iniciativa, ela me enrolou um mês até nos conhecermos pessoalmente", lembra.
Preconceito 
A jovem ainda lembra a sensação que sentiu ao sofrer preconceito pela primeira vez. Quando segurava as lágrimas, Jéssica disse que prometeu a si mesma que não teria vergonha de assumir quem era e do que gostava. Junto da Amar-AC diz que quer buscar maior visibilidade para as lésbicas e as necessidades dessas mulheres.
Quando sofri preconceito pela primeira vez, senti um desconforto que não tem explicação, me senti mal, quis chorar e me segurei. Sempre digo para minhas amigas que se pudesse andar com uma placa escrito 'sapatão', eu andaria. Me amo do jeito que eu sou e me acho maravilhosa dessa forma. Se pudesse mudar algo em mim, seria me tornar ainda mais visível como a mulher gay que sou", finaliza.
Jéssica faz parte de associação que atua ajudando profissionais do sexo, lésbicas e mulheres em situação de vulnerabilidade (Foto: Quésia Melo/G1)

Fonte: G1 AC, Quésia Melo, 15/03/201


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