Carol Machado e Kika Motta falam da filha e da família que construíram

sexta-feira, 13 de maio de 2016 0 comentários

Kika Motta, Carol Machado e Tereza (Foto: Simone Rodrigues/Divulgação)

Carol Machado e a mulher, Kika Motta, falam da família que construíram
Atriz e artista visual posaram com a filha para o projeto 'Nomes do Amor' e contaram como lidam com sua configuração familiar perante a sociedade.

A atriz Carol Machado e sua mulher, a artista visual Kika Motta, participaram do projeto fotográfico "Nomes do Amor", da fotógrafa Simone Rodrigues, e falaram sobre a família que formaram junto com a filha, a pequena Tereza. No livro que integra o projeto - que também conta com um site e um curta-metragem - o trio aparece posando junto e o casal dá um depoimento emocionado sobre a construção de sua família. O projeto conta também com depoimentos de outras 27 famílias relatando suas memórias e reflexões sobre os processos de assumir a condição homossexual e a união homoafetiva.

Confira o depoimento de Carol e Kika, que estão juntas desde 2007:
Quando nos conhecemos, costumávamos dizer uma para a outra 'Nossa, que loucura vai ser a gente como casal!'. Era realmente um sentimento de surpresa. Nós temos o mesmo signo, gostamos das mesmas coisas… Depois de alguns anos juntas, tivemos o desejo de ampliar, do casal virar família. E de novo veio essa sensação, com a mesma intensidade: 'Nossa, que família a gente vai ser!'. As pessoas costumam falar 'Como vocês são corajosas!', mas a gente não se sente assim, apenas vivemos com naturalidade. Eu não penso 'Eu tenho uma família homoafetiva'. Essa família só existe porque é natural. É impressionante como um filho legitima algumas coisas. Não há resquícios de preconceito que permaneçam. A criança vem e é só amor, a família toda se rende. Nós sentimos que agora há um respeito maior".
Apesar de sentir um acolhimento maior desde que tiveram Tereza, o casal diz que ainda percebe um certo estranhamento social: "Mas ainda há muita desinformação na sociedade, as pessoas ficam um pouco chocadas. É mais uma surpresa do tipo 'Espera aí, mas como assim?'. Algumas perguntam 'Mas como foi? Foi inseminação? Vocês adotaram?'. Fica um ponto de interrogação na cara das pessoas. Eu acho muito legal, porque pelo menos elas já verbalizam, falar sobre a questão já é um avanço".
Eu não penso 'Eu tenho uma família homoafetiva'. Essa família só existe porque é natural. É impressionante como um filho legitima algumas coisas. Não há resquícios de preconceito que permaneçam. A criança vem e é só amor, a família toda se rende. Nós sentimos que agora há um respeito maior." Carol Machado e Kika Motta
As duas admitem que elas mesmas já ficaram sem saber como lidar com a configuração da própria família.
Nós mesmas já nos pegamos na dúvida sobre como lidar com a situação. Certa vez fomos a uma loja de bebês, a Carol estava grávida e a mulher perguntou sobre o pai. Na hora deu uma preguiça de contar tudo, de entrar no assunto, aí eu rapidamente falei 'É, é, o pai é grande, sim'. Depois nós refletimos e concluímos que não podemos entrar nessa, não podemos ter essa preguiça. Porque a Tereza está aí, ela já sabe de tudo e tem que ouvir a verdade para que isso fique num lugar tranquilo", esclarece Kika.
E é falando sobre o assunto que o casal tem percebido que consegue quebrar barreiras.
Quanto mais naturalmente a gente trata a questão, mais as pessoas se abrem. Porque o preconceito parte da nossa dificuldade. Ninguém é culpado ou faz por maldade, eles simplesmente desconhecem. Quando começam a conhecer, deixam de lado essa coisa do 'diferente', porque é absolutamente igual: os sentimentos, a maneira como você vai cuidar, as dificuldades…", explicam.
Carol Machado e a filha Tereza
(Foto: Cristina Granato / Divulgação)
Carol e Kika contam que pesquisaram muito antes de terem Tereza e optarem por uma doação anônima para que a atriz engravidasse.
Quando decidimos que teríamos filhos, começamos a pesquisar, a procurar médico, a pensar se seria com um amigo ou com doador. Conversando com uma amiga que tinha tido filho com um conhecido (que ela havia liberado da responsabilidade da criação), ouvimos dela a seguinte frase: 'Na verdade eu sublinhei uma ausência'. A criança sabe que ela tem um pai, que ele existe, só que não liga para ela. E isso foi muito determinante para nós. Optamos pelo doador anônimo porque planejamos ter uma família com duas mães. Sabíamos que, na prática, essa terceira pessoa não faria parte da criação da Tereza", pontuam.
Para as duas, o preconceito religioso é o mais marcante.
O mais chocante é o preconceito de algumas religiões, como elas podam os principais valores religiosos, que são o amor, a compaixão, o respeito, e jogam com o ódio, a intolerância. Isso demonstra o quanto elas estão afastadas do ensinamento primeiro da espiritualidade, que é o amor universal, e como preferem este papel de aprisionar, de adestrar as pessoas", desabafam elas, no depoimento.
Fonte: Ego, 10/05/2016

Itália aprova união LGBT

quinta-feira, 12 de maio de 2016 0 comentários

Itália legaliza união homossexual!

O Parlamento italiano aprovou nesta quarta-feira (11) a lei que legaliza a união civil entre casais homossexuais, um direito que já existe na maioria dos grandes países da Europa ocidental. A lei foi aprovada por 369 votos a favor e 193 contra na Câmara dos Deputados, depois de ter sido aprovada em fevereiro pelo Senado, convertendo-se definitivamente em lei do Estado. O texto estabelece ajuda recíproca moral e material, pensão de sobrevivência, visto de residência para o cônjuge estrangeiro e também a possibilidade de adquirir o sobrenome do companheiro.

Depois de dois anos de negociações e de semanas de intenso debate no Senado, o governo decidiu submeter a lei ao voto de confiança e evitar qualquer mudança no texto.
Hoje é um dia de festa para muitas pessoas. Sobretudo para aquelas que se sentem finalmente reconhecidas, para todas aquelas que, depois de muitos anos, contam com direitos civis, de verdade civis", comentou o primeiro-ministro, Matteo Renzi, no Facebook.
Escrevemos outra página importante para a história da Itália que queremos. Por isso submetemos a lei ao voto de confiança, não era possível adiar novamente após anos de tentativas frustradas", comentou.
Balões em forma de coração na Parada Gay de 2015 em Roma; Itália foi um dos últimos países  da Europa ocidental a aprovar casamento gay (Foto: Filippo Monteforte/AFP)

O projeto foi impulsionado pelo governo de centro-esquerda liderado por Renzi, que se comprometeu a levar adiante a lei, mesmo com o preço de cortar a medida que permite que o casal gay adote filhos.

Fonte: G1, 11/05/2016

Tiago Abravanel condena homofobia da tia Patrícia em programa de TV

quarta-feira, 11 de maio de 2016 0 comentários

Tiago Abravanel condena homofobia no Instagram Foto: Reprodução

Acusada de homofobia após declarar no último domingo, durante o “Programa Silvio Santos”, que relações homossexuais não são normais, Patrícia Abravanel segue como um dos assuntos mais comentados do dia na internet. Sobrinho da herdeira de Silvio Santos, o cantor e ator Tiago Abravanel admitiu, em entrevista ao EXTRA, que mal conseguiu dormir após tomar conhecimento da história: “Ela foi extremamente infeliz na colocação”, afirmou, sobre a postura da tia.

Fiquei muito triste de ver esse posicionamento vindo de uma mulher que as pessoas esperam tanto que tenha uma mente aberta, e que é uma formadora de opinião, quer queira quer não. Não concordo com nada que a Pati disse. Acho que ela foi extremamente infeliz na colocação. Fiquei bem triste — repete Tiago, um dos protagonistas do seriado “Chapa quente”, na Globo: — Estava em viagem na Argentina quando vi a repercussão rolando na internet. Dormi bem mal. Ela foi infeliz mesmo. Lembro de uma matéria que saiu recentemente no programa “Altas horas”, sobre um menino criado por duas mães. Ouvir alguém falando que acha que isso não pode ser considerado normal, para mim, é abominável. Tenho amigos que são casais homossexuais com filhos: todas as crianças são incríveis, com uma educação maravilhosa. Elas crescem sabendo que isso não é diferente! Assim que tem que ser.

O ator ressaltou que ainda não comentou o caso com os familiares. “Nunca convivi com a Pati. Cresci distante dessa parte da família”, voltou a explicar.
Não sei ao certo se eu poderia dizer que fiquei decepcionado — acrescenta ele: — Não acredito que essa postura seja familiar, mesmo porque eu não penso assim. Não sei se é algo religioso... Enfim, não sei exatamente qual a questão, mas discordo em gênero, número e grau.
Na madrugada desta terça-feira, Tiago usou sua conta no Instagram para condenar a homofobia. "A incompreensão daquilo que pode parecer diferente, mas não é... Como é possível se o amor é igual pra todos?", diz o ator no manifesto.

“Não acho legal ficar considerando tudo normal”, disse a apresentadora

A polêmica com Patrícia Abravanel começou após o pai da apresentadora questionar, em rede nacional — durante o “Programa Silvio Santos” —, se os participantes da atração eram contra ou a favor de duas mulheres se amarem como se fossem um casal. A filha do dono do SBT respondeu alegando que não enxerga a homossexualidade como algo natural.
Eu não acho legal ficar considerando tudo normal. Devemos ensinar para os jovens de hoje que homem é homem, mulher é mulher. Se, por acaso, ele tiver alguma coisa dentro dele que fale diferente, aí tudo bem. Mas o que está acontecendo hoje é que estão falando que tudo é normal, tudo é bonito. O jovem, naquela vontade de experimentar tudo, acaba fazendo coisas que ele pode eventualmente se arrepender depois. Eu sou contra ficar propagando em rede nacional. Não sou contra o homossexualismo (sic), mas sou contra falar que é normal. E outra, mulher com mulher não é tão legal assim. Não tem aquele brinquedo que a gente gosta bastante”, declarou a apresentadora.
As afirmações da herdeira de Silvio Santos indignaram os internatautas. Pelo Twitter, o nome da apresentadora e a hashtag “Anormal é teu preconceito” ficaram entre os mais citados.

Apresentora pediu desculpa

A apresentadora Patrícia Abravanel se desculpou, em uma postagem no seu perfil do Instagram, pela declaração que gerou comentários nas redes sociais de que seria homofóbica.
Peço desculpa se ofendi alguém ontem no Jogo dos Pontinhos. Dei apenas minha opinião, mas fui mal interpretada. Sou a favor do amor do respeito e da tolerância”, afirmou ela, que publicou a imagem de um coração.
Fonte: Extra, 09/05/2016

Luana Piovani critica Patrícia Abravanel por declaração homofóbica #AnormalÉTeu Preconceito

terça-feira, 10 de maio de 2016 1 comentários

Luana Piovani critica Patrícia Abravanel: 'Toda forma de amor tem que ser abençoada' (Foto: AgNews/)

Luana Piovani critica Patrícia Abravanel por declaração polêmica

'Lamentável uma comunicadora privilegiada como a Patrícia dizer uma ignorância dessa' disse a atriz sobre afirmações consideradas homofóbicas.

A atriz Luana Piovani usou sua conta no Instagram nesta segunda-feira, 9, para postar uma crítica à apresentadora Patrícia Abravanel. Após a filha de Silvio Santos fazer declarações polêmicas no programa do apresentador e ser acusada de homofobia por internautas, Luana fez um vídeo para divulgar sua opinião sobre o tema.
Discordo em gênero, número e grau da Patrícia Abravanel. Acho que toda forma de amor tem que ser abençoada e aplaudida, porque o que falta no mundo é amor", disse ela no vídeo. "Se a gente tivesse mais pessoas generosas, com compaixão, ao redor do mundo, a gente não estaria vivendo tanta crueldade e violência. Acho uma coisa lamentável uma comunicadora privilegiada como a Patrícia dizer uma ignorância dessa em rede nacional", criticou.

Entenda o caso
Durante o "Programa Silvio Santos", no domingo, 8 de maio, Patrícia Abravanel falou sobre a "opção" dos jovens pela homossexualidade e causou revolta em muitos internautas.
Li numa revista que um terço dos jovens se relaciona com pessoas do mesmo sexo. Eu acho muito um terço, mesmo sem saber se a opção deles é real. Eles experimentam", disparou ela ao ser questionada pelo pai sobre a relação entre pessoas do mesmo sexo. "Acho que o jovem é muito imaturo para saber o que quer. A gente tem que firmar que homem é homem e mulher é mulher. Acho que não é legal ser superliberal", completou.
Ela seguiu com a polêmica ao dizer que o pai, o apresentador Silvio Santos, estava fazendo "propaganda indireta" do assunto e afirmou: "Você está propagando, sim. Porque não é uma coisa normal. Hoje, eu falar que sou contra, eles vão me apedrejar. Eu não sou contra o homossexualismo (sic), mas sou contra falar que é normal. E outra, mulher com mulher não é tão legal assim. Não tem aquele brinquedo que a gente gosta bastante".

Polêmica ganha as redes sociais
Nesta segunda-feira, 9, as declarações de Patrícia Abravanel na televisão amanheceram como um dos assuntos mais comentatos nas redes sociais. Seus seguidores no Instagram condenaram as declarações da apresentadora e lotaram seus posts com comentários. Em protesto contra as afirmações de Patrícia, diversos seguidores usaram a hashtag #EuSouNormal em seus comentários. Outra hashtag - #AnormalÉTeu Preconceito - começou a ser adotada na sequência por muitos internautas e por volta das 11h da manhã já ocupava o primeiro lugar nos trending topics (assuntos mais comentados) do Twitter no Brasil.

Fonte: Ego, 09/05/2015


A ausência de legislação sobre o casamento civil homossexual traz insegurança à população LGBT

sexta-feira, 6 de maio de 2016 0 comentários



“Só vamos ter paz quando houver uma lei”

Há cinco anos, STF reconheceu união homoafetiva, um marco que elevou casais gays à categoria de família e ajudou a combater estigmas. Mas ausência de legislação faz muitos temerem que seus direitos sejam postos em risco.

Um casamento pode significar amor, união e família, mas também a libertação de um preconceito. “A marca de promiscuidade que a sociedade coloca nos homossexuais é muito pesada, e o casamento tira esse estigma”, diz Flávia Marques, de 43 anos, que celebrou a união com a esposa, Vânia Cunha, de 50 anos, em 2012.

As enfermeiras tinham uma filha adotiva e viviam juntas há mais de uma década, mas a possibilidade de formalizar a relação só apareceu em 2011, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável homoafetiva – uma decisão que completa cinco anos nesta quinta-feira (05/05).

Quando soube da notícia, o casal acelerou os preparativos. “Podia ser a nossa única chance. Queríamos fazer antes que a decisão fosse revogada. Era uma questão de cidadania”, conta Flávia. Em 2013, as enfermeiras conseguiram converter a união estável em casamento.

Flávia assegura que a legalização foi um marco, que mudou até a forma como alguns parentes encaravam a relação. “Tinha uma tia que sempre torcia o nariz. Quando eu falei que ia casar, isso mexeu com a cabeça dela. Ela começou a ver a minha família com mais seriedade.”

O casamento era um sonho antigo de Flávia. Ela lembra que a festa no Rio de Janeiro, para mais de cem pessoas: teve pastor e não teve bebida alcoólica, porque as enfermeiras são evangélicas. Foram dois vestidos de noiva e dois buquês. E Luísa, a filha adotiva, entrou com as alianças.

“Foi muito emocionante. A gente já quer renovar os votos, queremos casar todo o ano”, diz Flávia, com uma gargalhada. “Estar casada é uma sensação muito boa. Às vezes eu ainda digo que a Vânia é minha companheira e ela me corrige: companheira não, esposa!”

Decisão histórica

Assim como Flávia e Vânia, milhares de casais gays assinaram papéis nos últimos anos. Em 2013 e 2014, foram celebrados 8.555 casamentos homoafetivos, de acordo com dados mais recentes do IBGE. Desde 2006, foram realizadas 9.360 uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo, segundo levantamento da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg-BR) junto ao Colégio Notarial do Brasil (CNB).

Apesar da sentença do STF ser de 2011, casais já haviam conseguido fazer a união estável em alguns estados do país. “Tinham decisões no mesmo sentido, mas elas não tinham a força de uma corte suprema, porque o STF é o responsável por interpretar a Constituição”, explica a advogada Maria Berenice Dias, presidente da comissão de diversidade sexual da Ordem dos Advogados do Brasil.

Para especialistas, o julgamento foi histórico. “Antes a sociedade tratava os gays como uma questão de sexualidade, não de afeto. Elevar à categoria de família foi muito importante”, afirma a advogada Patrícia Gorisch, presidente da comissão de direito homoafetivo do Ibdfam (Instituto Brasileiro de Direito de Família).

A partir daí, como a Constituição prevê que deve ser facilitada a conversão da união estável em casamento, vários casais gays realizaram o procedimento. Muitos pedidos foram negados até que, em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) proibiu que cartórios se recusassem a celebrar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Longa espera

A habilitação de casamento de Dália Tayguara e Eva Andrade, ambas de 45 anos, foi uma das que foram negadas nesse período. Dália, que é advogada, deu entrada no pedido em 2012, mas a aprovação só veio um ano e meio depois.

“Quando saiu o recurso, tinha um prazo de 60 dias pra casar ou a gente ia perder a habilitação. Foi uma correria dos infernos. Arrumar roupa, lugar, comida... Acabamos fazendo uma recepção para 80 pessoas, em uma segunda-feira. Teve muito parente não pôde ir e ficou xingando a gente”, diz ela, que se casou na Igreja Cristã Contemporânea, no Rio de Janeiro.

Quando formalizaram a união, Dália e Eva estavam juntas há 18 anos e tinham três filhas adotivas. “Geralmente as pessoas casam para formar uma família, nós chegamos à Igreja já quase com netos. Queríamos apenas o respeito e a dignidade de uma família”, diz Dália.

Além do reconhecimento, a advogada queria ter acesso a direitos e benefícios vinculados ao casamento, que vão desde a herança à inclusão no seguro de saúde do cônjuge.

A preocupação com a segurança jurídica é recorrente entre casais gays, que sentem seus direitos ameaçados pelo preconceito. Essa foi uma das conquistas do casamento, na opinião de Otávio de Lima, de 37 anos. Ele vivia há oito anos com o companheiro Carlos Freire, no Rio de Janeiro, quando decidiu se casar.

“Se algum dia um de nós dois faltar, parente nenhum vai vir aqui meter o pé na porta. Porque nós somos uma família reconhecida pela Justiça”, diz Otávio.

Sem lei

Apesar das conquistas, casais temem que seus direitos sejam colocados em risco. Isso porque, no Brasil, o casamento homoafetivo é reconhecido pela Justiça, mas não é previsto pela legislação. “Nós só vamos ter paz quando houver uma lei”, resume Dália.

“Entre mais de 20 países do mundo que aceitam o casamento homoafetivo, o Brasil é um dos poucos em que a decisão é da Justiça. Há uma lacuna legal, e isso é uma fragilidade”, afirma Dias, da OAB. A advogada teme a aprovação de projetos polêmicos que tramitam na Câmara dos Deputados, como o Estatuto da Família, que, na prática, impediria homossexuais de se casarem e adotarem crianças. “Seria um retrocesso enorme”, defende.

Especialistas também apontam a criminalização da homofobia como um avanço necessário e urgente. “O Brasil é campeão do mundo em crimes violentos contra LGBTs”, diz Gorisch, do Ibdfam.

Preconceito

Para as famílias, além das questões legais, é preciso enfrentar o preconceito. Elas relatam problemas recorrentes nos serviços de saúde e educação.

Dália conta que já foi convocada duas vezes na escola das filhas para explicar a dinâmica familiar. “É um ponto nervoso, porque as meninas não têm vergonha de falar que têm duas mães. Aí as professoras me chamam para saber como é criar as filhas sem uma figura paterna, se elas não vão ter nenhum abalo emocional ou problemas educacionais”, afirma.

Em centros de saúde, casais gays também passam por constrangimentos. Dália já foi obrigada a levar a certidão de nascimento da filha a um hospital, só para conseguir entrar no quarto onde a menina estava internada. E Otávio, ao ser operado de apendicite, precisou convencer a enfermeira de que seu marido não era um amigo e podia acompanhá-lo na cirurgia. “Tive muito orgulho de dizer: somos casados, ele é a minha família.”

Fonte: Terra, via Deutsche Welle, 05/05/2016

Primeiro monumento pelos direitos dos homossexuais será erguido no bairro nova-iorquino de Greenwich Village

quinta-feira, 5 de maio de 2016 0 comentários

Obama disposto a aprovar primeiro monumento aos LGBT

Obama aprovará primeiro monumento pelos direitos dos homossexuais

Washington, 3 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está disposto a aprovar o primeiro monumento nacional em reconhecimento dos direitos e contribuições sociais dos homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais, informou nesta terça-feira o jornal "The Washington Post".

Delimitado pelos espaços do histórico bairro nova-iorquino de Greenwich Village, berço da liberação e do movimento homossexual americano, o monumento ressaltará uma área urbana moderna, ao contrário da maioria dos monumentos nacionais do país, dedicados a paisagens selvagens icônicas ou locais históricos.

As autoridades federais, entre elas a secretária de Interior, Sally Jewell; o diretor do Serviço de Parques Nacionais, Jonathan B. Jarvis, e o congressista democrata por Nova York, Jerrold Nadler, participarão da próxima semana de um encontro no qual a proposta será detalhada.

Se tudo correr como esperado, segundo o jornal, Obama designará parte do bairro de Greenwich Village como Parque Nacional no próximo mês, quando se lembra o orgulho gay.

Os protestos nessa área de Nova York, que duraram vários dias, começaram na madrugada de 28 de junho de 1969, depois que a polícia fez uma batida no bar Stonewall Inn, que era frequentado pela população LGBT (em particular homens homossexuais).

A designação pode coincidir com o primeiro aniversário da decisão do Supremo Tribunal americano, de 26 de junho do ano passado, que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo no país, um marco histórico nos direitos dos homossexuais.
Fonte: Bol Notícias, 03/05/2015

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