Realizado, na tradição budista, primeiro casamento religioso de dois homens em Santa Catarina

quinta-feira, 31 de outubro de 2013 1 comentários

Reprodução/RICTV

Primeiro casamento religioso de Santa Catarina entre pessoas do mesmo sexo é realizado em Blumenau
Os jovens registraram a união no civil e receberam a benção no religioso

Aconteceu neste fim de semana, em Blumenau, um fato histórico para Santa Catarina. Foi realizado o primeiro casamento religioso entre duas pessoas do mesmo sexo. Dois jovens realizaram o sonho de ter a união registrada no civil e ainda de ter a benção de uma religião.

Como só o budismo aceita o casamento entre pessoas do mesmo sexo, uma cerimônia foi preparada para unir o casal

Pedro e Gabriel se conheceram há quatro anos. Na ultima semana o relacionamento deu um importante passo. Graças a uma resolução do Conselho Nacional de Justiça, publicada em maio deste ano, eles conseguiram oficializar o casamento no civil. A partir de agora, o casal tem todos os direitos que prevê a lei, como pensão e herança.

Além do respaldo no civil, Pedro e Gabriel também queriam realizar outro grande sonho: o de casar no religioso. Como só o budismo aceita o casamento entre pessoas do mesmo sexo, uma cerimônia foi preparada para unir o casal. A celebração aconteceu em uma casa de eventos de Blumenau e reuniu convidados, padrinhos e damas de honra.

A solenidade começou com uma oração. Em seguida, eles cumpriram uma tradição milenar japonesa. Cada noivo leva a taça três vezes à boca. o gesto simboliza gratidão, juramento e prosperidade. Por fim, os noivos fizeram a troca de alianças e receberam o carinho dos convidados. De acordo com os líderes budistas, esse foi o primeiro casamento religioso em Santa Catarina, entre duas pessoas do mesmo sexo. Para os amigos e familiares o casamento vai contribuir para a quebra de preconceitos e paradigmas e o sonho do casal é que o gesto estimule outras pessoas a também serem felizes para sempre.

Com informações de Danubia de Souza

Fonte: RIC Mais, 28/10/2013

Ministério Público do Trabalho da Paraíba vai fazer campanha para incentivar contratação de homossexuais

quarta-feira, 30 de outubro de 2013 1 comentários

Procurador Geral do Trabalho, Eduardo Varandas

‘Orientação sexual não deve ser empecilho para contratação’, diz Varandas e destaca campanha do MPT contra homofobia

A homofobia no trabalho ainda é uma realidade na Paraíba e o Ministério Público do Trabalho quer combater esse tipo de violência e conscientizar a população de que as pessoas não sejam discriminadas por sua orientação sexual na hora da contratação.

Em entrevista ao portal Paraíba.com.br na terça passada (22/10/2013), o procurador Geral do Trabalho, Eduardo Varandas comentou que o MPT deve lançar uma campanha em dezembro para ‘conscientizar as pessoas que a condição e orientação sexual não deve ser empecilho para a contratação’. Ele alertou para as dificuldades de LGBTs encontrarem trabalho, ‘principalmente travestis’.

“Queremos conscientizar a população para que não descrimine na hora da contratação e sim escolha pelas qualidades profissionais”, conta e exemplifica: “Você encontra hoje uma travesti trabalhando numa loja? Não. Encontra como secretária num escritório de advocacia? Não, mas encontra na zona de prostituição, um trabalho altamente perigoso e nocivo”, diz.

Para Varandas, a sociedade moderna precisa entender que as pessoas não são melhores ou piores porque assumem determinada identidade sexual. “A sexualidade só diz respeito a eles”, explica.

Serão usadas todas as mídias, campanha com VT, Outdoors e mídia impressa, além de seminários para a população com o lema: ‘Homofobia no trabalho, você não tem esse direito’. A campanha está em fase final, esperando a conclusão da produtora para marcar uma coletiva de lançamento.

O procurador destaca que esse debate é muito importante e marca uma nova página na história da Paraíba que é diminuir as desigualdades nas relações de trabalho.

Fonte: Paraíba.com.br, Marília Domingues, 27/10/2013

Atriz Mariana Ximenes defende casamento LGBT em entrevista

terça-feira, 29 de outubro de 2013 0 comentários

Foto: Paulo Giandalia/Estadão
Mariana Ximenes, 32, defendeu o casamento entre pessoas do mesmo sexo e se colocou contra os homofóbicos em entrevista para o blog de Sonia Racy no Estadão (28/10/2013). A atriz, que vive um tórrido romance com Leandra Leal em O Uivo da Gaita, declarou sobre o tema: 
Acho que as pessoas preconceituosas quanto ao casamento gay, por exemplo, deveriam se perguntar: “E se meu filho fosse gay? E se minha filha fosse lésbica? Como eu reagiria?”. Você vai deixar de dar amor, de dar afeto a eles por causa disso? Não acredito nessa possibilidade. Acredito, sim, que tem de ter discussão, aceitação, pensar no amor antes de tudo.
Segue a entrevista na íntegra.

‘Sempre fui muito intensa. Agora, estou mais no caminho da leveza’
Aos 32 anos, a atriz procura ajustar o foco com ajuda da meditação e da ioga. Ficou mais seletiva no que faz, mas continua preocupada com política e questões sociais.

No ar em Joia Rara– nova novela das 6 da Globo –, Mariana Ximenes descreve a si mesma como uma pessoa otimista e de alto astral. “Entendi que o humor transforma tudo nessa vida”, diz a paulistana, de 32 anos. Truque que aprendeu com a experiência de lidar com o sucesso desde cedo. Reservada, a atriz tem fama de workaholic. Mas diz que está em busca de uma fase mais leve – e seletiva. “Entendi, com o passar dos anos, que é preciso ter tempo. Tempo, silêncio e leveza. ” Para aguentar o tranco, faz análise, pratica ioga e meditação nas horas vagas. E um exercício diário: tentar ser mais tolerante.

Na telinha, Mariana interpreta agora a vedete Aurora Lincoln, “uma personagem solar e ambiciosa” que, na trama, terá um romance com um paraplégico, interpretado pelo paraibano Leandro Lima. “Estudei muito o assunto e vi o quanto é possível esse amor”, conta a bela, conhecida por seu engajamento político e sua atuação em causas sociais. Na telona, vive um tórrido romance com Leandra Leal em O Uivo da Gaita. “É preciso pensar no amor antes de tudo”, diz, defendendo o casamento gay. 

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Você começou a fazer novela muito cedo. Ficar famosa logo foi complicado? 

Fiz Fascinação no SBT aos 16 anos, mas minha primeira novela na Globo foi Andando nas Nuvens, em que interpretava uma freirinha. Fui morar sozinha, no Rio, com 17 anos. Lidar com assédio acabou sendo uma consequência do reconhecimento do meu trabalho. Nunca elaborei uma teoria sobre isso, simplesmente aconteceu e eu fui aprendendo a lidar na prática mesmo. Geralmente, atendo as pessoas, não me incomodo. A não ser que alguém seja muito inconveniente.

E já aconteceu de alguém passar do limite com você?

Já, sim! Na vida, você tem de aprender a se colocar, com delicadeza, educação e respeito. Ultimamente, tenho aprendido ainda mais a me colocar, para não me violar. Respeitando o limite do outro, mas, principalmente, o meu. É curioso: só com o tempo você aprende a respeitar seus limites.

Você é conhecida por ser uma pessoa reservada.

É genuíno, não é questão de estratégia. Não sou uma estrategista (risos). Tento não me privar, até porque meu material de trabalho é o material humano, é observar os diferentes comportamentos humanos.

Quem trabalha com você costuma dizer que é perfeccionista e workaholic. Verdade?

Pois é, estou em uma fase um pouco mais leve. Procurando ser mais seletiva, tanto no que diz respeito ao trabalho quanto às coisas que quero fazer. Sempre fui muito cheia de energia. Ainda sou, mas estou procurando e escolhendo canalizar essa energia para algo que realmente queira fazer, tanto no campo profissional quanto no campo pessoal. Entendi, com o passar dos anos, que é preciso ter tempo. Tempo, silêncio e leveza. Sempre fui muito intensa, agora estou mais no caminho.

Além de atuar em TV, teatro e cinema, você já produziu uma peça de teatro. Como foi?

Estou descobrindo esse outro lado. Sou produtora associada do filme Um Homem Só. É uma experiência reveladora, você acompanha todo o processo, passa a entender as etapas para chegar ao produto final. O processo criativo me fascina, mais até do que o resultado. Estou muito interessada no processo e no ser das pessoas, o que elas fazem para sua espiritualidade. E estou cada vez mais entrando em conexão comigo mesma. Não sei se é a idade, mas estou me apropriando da minha consciência.

Faz análise?

Faço. A ioga e a meditação também me ajudam muito. Outra coisa que vem muito do que tenho pensado é a tolerância. Fui às bodas de ouro da Glória Menezes e do Tarcísio Meira e fiquei muito comovida. Pensei: “Esses dois fizeram a história do cinema, da TV e do teatro brasileiros e estão juntos há 50 anos”. E o que eles falaram um para o outro foi tão comovente que me questionei: “Será que a nossa geração vai conseguir? Será que a gente vai ter tolerância para isso?”.

Em um mundo cada vez mais individualista…

Efêmero, que não discute, não tem diálogo de crise. Acho que essa nossa geração tem de pensar em tolerância, nos valores. É claro que a Glória e o Tarcísio passaram por crises, só que o amor prevaleceu. Mas o que é o amor? Como a gente lida com ele hoje em dia? Fiquei muito reflexiva com relação a isso. 

Os atores têm fama de relações instáveis. Concorda?

As pessoas olham os artistas como pessoas que não têm solidez nas relações. E aí eu falo: “Olha só a Glória e o Tarcísio”. Existe solidez, sim.

Quer casar de novo?

Sim, claro. E ter filhos, exercitar minha tolerância. Quero poder observar, ter leveza, calma e tempo para entender melhor nossa existência. Até por isso estou mais recolhida.

Tem religião?

Não. Tenho fé e estou buscando minha espiritualidade.

É vaidosa?

Dentro de um limite saudável. Sou mulher, então, de alguma maneira, a gente tem de se cuidar um pouco, até por questão de higiene e saúde. Mas não sou doente em relação a isso. Como sou atriz, tenho de estar bem sempre para a personagem – pintar o cabelo, estar com as unhas em ordem. Mas, quando estou de férias, evito até fazer as unhas. (risos)

Sua personagem na novela Joia Rara é uma vilã?

Não diria que é uma vilã. Ela é tinhosa, tem humor, é egocêntrica. Veio de Paris atrás de uma fortuna. E a Aurora (Lincoln) gosta de joias, é bem ambiciosa. Além de cantar e dançar.

Quais foram suas referências para montar a personagem?

A Ute Lemper (cantora, bailarina e atriz alemã), que é uma performer – visceral, potente quando canta e quando interpreta. Gosto muito do vídeo dela cantando Kurt Weill (compositor alemão), vi muitas vezes e me inspirou. A Aurora é sensual e usa essa sensualidade a seu favor. Ao mesmo tempo, vai viver um romance com um paraplégico, ou seja, tem um lado humano. Aliás, uma coisa bem legal na novela é abordar esse romance: uma pessoa extremamente ativa, que canta e dança, e uma pessoa que não consegue andar. Conversei com muitos casais, fiz uma pesquisa extensa e entendi que esse amor é possível. Ele tem o foco e ela, a vontade. É essa alquimia que quero descobrir nesses personagens. Conversei muito com o Marcelo Yuka (ex-baterista da banda O Rappa, ficou paraplégico em um assalto no Rio, em 2000).

Você protagonizou cenas quentes com Leandra Leal em O Uivo da Gaita. Como foi fazer o filme no momento em que o País discute homofobia e casamento gay?

Nossa, é triste. Acho que as pessoas preconceituosas quanto ao casamento gay, por exemplo, deveriam se perguntar: “E se meu filho fosse gay? E se minha filha fosse lésbica? Como eu reagiria?”. Você vai deixar de dar amor, de dar afeto a eles por causa disso? Não acredito nessa possibilidade. Acredito, sim, que tem de ter discussão, aceitação, pensar no amor antes de tudo.

Participou de alguma das manifestações que tomaram o País?

Na época (em junho, no auge dos protestos), estava em Portugal, representando o filme Os Penetras no festival de cinema de lá. Mas passei na manifestação dos professores no Rio. Estou inconformada com o que fizeram com os professores – gás lacrimogêneo, tiro de bala de borracha. Eles são educadores, formadores dos futuros cidadãos do Brasil. Não podem ser tratado dessa maneira, como criminosos.

Você é uma pessoa engajada em projetos sociais. Está envolvida em algum agora?

Tento sempre fazer parte de alguma maneira. Já participei muito do AfroReggae, da Cufa (Central Única das Favelas), do MV Bill (famoso rapper, escritor, ator, cineasta e ativista carioca).

Mantém contato com o José Júnior, do AfroReggae?

Faz tempo que não falo com ele. É impressionante o que aconteceu, fiquei chocada. Estive com o MV Bill há pouco tempo, fico feliz que ainda existam pessoas como ele, como o Celso Athayde (famoso escritor e produtor de hip hop, nascido na Baixada Fluminense), como o Júnior. São pessoas que tiveram iniciativa. Não estou tão profundamente dentro disso para poder defender alguém, quero deixar bem claro isso. Mas, de alguma maneira, são iniciativas que levam perspectiva para o jovem da favela, que permitem acesso.

Você é a favor da vinda dos médicos cubanos para o Brasil?

Meu irmão é médico, então eu vejo o tamanho da dedicação de um médico no Brasil. Pude observar muito de perto o que é a formação de um médico. E o País precisa, sim!

Já fez ou tem vontade de fazer campanha política?

Não, nunca. Tenho meus candidatos.

E revela?

Não, porque acho que o voto é secreto mesmo. Mas tenho minha posição.

Acha que a aliança Marina-Campos representa uma nova forma de fazer política – como a dupla tem propalado?

Quem sabe? Gosto muito da Marina, ela é forte, dedicada, devota. Também gosto muito do discurso dela. Quem sabe? Mas vamos esperar um pouquinho para dizer, a aliança acabou de acontecer, né?

Você é ligada em política?

Megaligada. Tenho alguns amigos no meio, como o (deputado federal do PSOL) Jean Wyllys, a (deputada federal do PCdoB) Manuela D’Ávila, Jorge Bastos Moreno (jornalista de O Globo). Fazemos encontros na casa deles para entender o panorama político atual. A gente tem de exercer nossa cidadania. É difícil? É. Não dá para saber quem é o vilão e quem é o mocinho – nem sei se existe vilão e mocinho. Existe tudo. Então, tomar partido de alguém é muito delicado. Meu pai é advogado e me ensinou isso: a gente precisa estar sempre atenta ao que está acontecendo, sempre lendo o jornal, sempre. Aliás, gosto do jornal físico, gosto de pegar. Até tenho tablet, mas…

Qual sua opinião sobre o uso das redes sociais?

Então, essa é uma questão. Não tenho Instagram, Twitter ou Facebook. Mas estou fazendo minhas páginas oficiais, porque há vários perfis falsos na rede. As pessoas estão seguindo esses perfis como se fossem meus.

É difícil manter duas vidas, uma real e uma online?

Eu vi o quanto é importante ter essa vida virtual. Para você se colocar, sabe? Para as pessoas saberem realmente o que estou pensando. Em breve, estarei lançando as minhas plataformas.

Você tem algum sonho que ainda não realizou?

Vários. Acho que a gente vive, se alimenta de sonhos, de metas. Ter metas é fundamental. Mas também gosto de deixar o acaso me surpreender. Gosto de viver o agora, estar inteira, permanecer na minha inteireza da vida. Tem um pensamento que eu adoro e diz: “Não suporto meios-termos, por isso não me doo pela metade. Não sou só meio amigo, nem seu quase amor. Ou sou tudo, ou sou nada. Sabe o que eu quero de verdade? Jamais perder a sensibilidade, mesmo que, às vezes, ela arranhe um pouco a alma. Porque, sem ela, não poderia sentir a mim mesma”. /SOFIA PATSCH

Parada gay de Taiwan comemora análise de casamento LGBT pelo parlamento do país

segunda-feira, 28 de outubro de 2013 0 comentários

A maior parada "gay" da Ásia
REUTERS/Pichi Chuang

A maior parada "gay" da Ásia

Milhares de pessoas participaram, este sábado, na Parada Gay de Taiwan, a maior do continente asiático. Com muita irreverência, foi comemorada a decisão do Parlamento do país em analisar a proposta que vai alterar código civil e permitir o casamento de pessoas do mesmo sexo.

O projeto de lei, proposto pela oposição democrata, vai ser discutido até o final do ano. A marcha contra a homofobia ganhou a adesão de estrangeiros que vivem no país, como americanos e europeus.

Taiwan é considerada um das nações mais liberais da Ásia, mas, mesmo assim, os direitos dos homossexuais ainda são limitados.

A aprovação do casamento "gay" pode ser uma grande conquista de ativistas que lutam pela causa há quase dez anos.

REUTERS/Pichi Chuang
A maior parada "gay" da Ásia

Fonte: Controlinveste, 26/102013 REUTERS/Pichi Chuang

Influência evangélica tira de pauta projeto contra a homofobia no Rio

sexta-feira, 25 de outubro de 2013 0 comentários


Influência evangélica

Os evangélicos tiveram grande influência ontem no adiamento da votação do projeto de lei na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro que prevê multa aos estabelecimentos comerciais que discriminarem gays. A proposta foi enviada para o Legislativo por Sérgio Cabral.

O pastor Abner Ferreira, até agora o maior apoio evangélico para 2014 conseguido por Luiz Fernando Pezão, disparou telefonemas para deputados pedindo o adiamento da votação. Os pastores Edino Fonseca e Samuel Malafaia também atuaram fortemente contra o projeto.

Com 117 emendas, o projeto de Cabral foi retirado de pauta.

Fonte: Lauro Jardim, Veja Online, 25/10/2013
PL que pune homofobia no RJ recebe quase 200 emendas e sai de pauta
Projeto de lei recebeu 177 emendas e será encaminhado para análise. Deputado insinuou que homossexualismo é doença; ativistas vaiaram.

O projeto de lei que pune estabelecimentos e agentes públicos por discriminação por orientação sexual, ou homofobia, entrou em pauta pela primeira vez na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na tarde desta quinta-feira (24). O projeto, de autoria do Executivo, sofreu 177 emendas e ainda será encaminhado para análise das comissões. Não há previsão para o projeto voltar à pauta da Alerj e nem para ser votado.

A sessão foi marcada por vaias ao deputado Edino Fonseca (PEN), que insinuou que o homossexualismo seria doença. Grupos em defesa aos homossexuais chamaram o deputado de “fascista” e entoaram gritos de “doente é você”. Ao todo, 50 dos 70 deputados estaduais participaram da sessão.

Pouco antes do início da discussão, o deputado Edino Fonseca pediu a palavra. “Nenhum proprietário é obrigado a deixar uma pessoa com essa patologia em seu estabelecimento”, disse o deputado. Os presentes vaiaram muito o parlamentar.

Outros deputados falaram sobre o projeto de lei e se mostraram contrários aos argumentos de Edino. “Mesmo que o homossexualismo fosse doença, e não é, não poderia ser discriminado”, argumentou o deputado Luiz Paulo (PSDB).

O projeto foi encaminhado à Alerj pelo governo do estado. Até mesmo deputados de oposição, como Marcelo Freixo (PSOL) elogiaram a proposta. “Esse projeto tem que ser elogiado mesmo tendo sido feito por este governo péssimo”, disse o deputado, sob aplausos dos presentes.

A deputada Clarissa Garotinho (PR) também se disse contrária ao projeto, apesar de ter deixado claro em seu discurso que é contra qualquer tipo de discriminação. “Tenho meus entendimentos da bíblia. Jesus pregou tolerância. O não à discriminação também é um princípio do cristianismo. Não podemos deixar que uma pessoa sofra violência por qualquer razão. Esse projeto não discute se o homossexualismo é doença ou não. Mas ele promove atitudes do gênero LGBT”, declarou a deputada.

Bolsonaro acompanha votação
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) compareceu à Alerj para acompanhar a votação do projeto de lei. Ao avistar o parlamentar, um homem de um grupo em defesa dos homossexuais fez um sinal de negativo em direção ao deputado. Bolsonaro respondeu de maneira bem-humorada abrindo os braços.

Fonte: G1, 24/10/213

Comissão de Direitos Humanos e Minorias aprova projeto que desobriga igrejas de casar homossexuais

quarta-feira, 23 de outubro de 2013 1 comentários

Bolsonaro: os homossexuais, como um todo, não querem se casar em igreja;
 essa minoria que vai lá é para provocar.
 
Alexandra Martins / Câmara dos Deputados


Direitos Humanos aprova projeto que desobriga igrejas de casar homossexuais

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias aprovou nesta quarta-feira (16) projeto (PL 1411/11) que determina que igrejas podem se recusar a realizar casamento ou mesmo a aceitar a presença de pessoas que violem seus valores, doutrinas ou crenças sem que essa conduta seja considerada discriminação.

De autoria do deputado Washington Reis (PMDB-RJ), a proposta acrescenta artigo à Lei 7.716/89, que define os crimes resultantes de preconceito. Atualmente, a lei estabelece que praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional é crime, sujeito à pena de reclusão de um a três anos e multa.

Embora não esteja explícito, a proposta deixa claro que o objetivo da medida é resguardar as instituições religiosas de serem obrigadas a realizar casamentos homossexuais.

Reis destaca que a prática homossexual está em desacordo com muitas doutrinas religiosas. Assim, em sua opinião, a preservação do direito das minorias não pode levar ao desrespeito “de outros direitos e garantias constitucionais”, no caso, das igrejas. Na opinião do deputado, a proposta está de acordo com a liberdade de consciência e de crença, cláusula pétrea da Constituição.

Inconstitucionalidade
Já para o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), o projeto fere justamente esse princípio constitucional. “É um projeto que faz um agito, talvez arrebanhe gente, tenha alguma função eleitoral futura, mas não passa no quesito da constitucionalidade, na CCJ ele não vai prosperar”, sustenta.

Chico Alencar ressalta ainda que o texto confere à autoridade religiosa, dentro da sua igreja, “um tipo de poder discriminatório que ofende, inclusive, a lei, corretíssima, contra qualquer discriminação”. Isso porque caberá ao padre ou ao pastor verificar se a pessoa se comporta ou tem valores em acordo ou desacordo com a doutrina que professa.

Legislação

O deputado se refere à Lei 7.716/89, que torna crime induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência. Para essas práticas, a lei que o projeto altera, prevê pena de reclusão de um a três anos e multa.

Tanto o autor do texto quanto o relator na comissão de direitos humanos, deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), afirmam que a tendência é a inclusão da homossexualidade no rol de condutas criminosas previstas na lei.

Provocação

Segundo Bolsonaro, que apresentou parecer favorável à matéria, há casos de casais homossexuais que procuram igrejas para se casar e, diante da recusa, processam padres e pastores. “Nós queremos descriminalizar essa atitude do pastor em defesa da linha da sua igreja, que é um direito dele não realizar aquele casamento”, argumenta.

Bolsonaro garante ainda que “ninguém quer expulsar gays de igreja”, e os indivíduos serão avaliados “pelo comportamento”, uma vez que não há outra forma de saber que é ou não homossexual.

O deputado acredita, inclusive, que “os homossexuais também, como um todo, não querem se casar em igreja”, e que “essa minoria vai lá para provocar”.

Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será avaliado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), inclusive no mérito.

Íntegra da proposta:
Reportagem - Maria Neves
Edição – Regina Céli Assumpção

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