Estreia Flores Raras, filme sobre o amor entre a poetisa Elizabeth Bishop e a arquiteta Lota de Macedo

sexta-feira, 16 de agosto de 2013 0 comentários

Estreia hoje o esperado filme sobre o caso entre a poetisa Elizabeth Bishop (Miranda Otto, O senhor do anéis) e a arquiteta Lota de Macedo (Glória Pires), durante as décadas de 1950 e 1960, tendo como paisagem o Rio de Janeiro.

O diretor do filme, Bruno Barreto (O que é isso companheiro?, Dona Flor e seus dois maridos), deu as seguintes declarações sobre seu trabalho, exibido na abertura do festival de Gramado, fora de competição:

“O Brasil ainda é um país extremamente conservador”, criticou o cineasta Bruno Barreto na entrevista coletiva do filme Flores raras, sábado de manhã, no Festival de Gramado. Em seus depoimentos para a imprensa, tanto ele quanto as produtoras do filme Lucy Barreto e Paula Barreto (sua mãe e sua irmã), revelaram as dificuldades enfrentadas para se conseguir financiar o longa-metragem, que retrata o amor entre duas mulheres. “O homossexualismo é um tema importante na história. Tive que pedir empréstimo ao banco pessoalmente para conseguir terminar o filme”, revelou o diretor.

No começo da entrevista, Bruno Barreto agradeceu e parabenizou o banco Itaú e a Globo Filmes por aceitarem associar suas marcas à temática homossexual: “Foi difícil levantar recursos. Se não fosse a coragem deles, nós não estaríamos aqui.” Flores raras será lançado no Brasil em 150 cinemas simultaneamente. “Representantes de muitas empresas gostaram do projeto, mas confessaram que não queriam associar suas marcas a um filme sobre o amor entre duas mulheres”, denunciou Paula Barreto.

“Esse filme chega em um momento em que esse assunto está em alta no mundo todo”, complementou Glória Pires, que interpreta a arquiteta Lota de Macedo Soares: “Espero que o filme possa ajudar as pessoas a encararem essa situação de forma mais normal, que coloque os seres humanos com os mesmos direitos.”

Seguem também resenha de Flores Raras pelo Contardo Calligaris, trailer do filme e trecho do depoimento de Glória Pires em Gramado:

'Flores Raras'

Contardo Calligaris

Estreia (hoje) "Flores Raras", de Bruno Barreto. O filme (baseado no livro "Flores Raras e Banalíssimas", de Carmen L. Oliveira -nova edição pela Rocco) conta a história dos 17 anos (mais ou menos) que Elizabeth Bishop passou no Brasil.

Na sua chegada ao porto de Santos, em 1951, Bishop já era uma poeta reconhecida, "poet laureate" dos EUA. Nota: "poet laureate" é um cargo de poeta oficial nacional, que raramente me desapontou. Carol Ann Duffy, uma de minhas poetas preferidas, ainda é "poet laureate" do Reino Unido; Billy Collins e Louise Glück foram "poet laureate" dos Estados Unidos, sem contar Robert Frost e Joseph Brodsky. Aliás, eu descobri Collins e Duffy quando se tornaram "poet laureate" de seus países.

Enfim, Bishop estava circum-navegando a América do Sul; viajando, ela queria aliviar sua melancolia. Como Robert Lowell lhe diz lindamente no filme: ela procurava a "cura geográfica". Em Santos, a poeta desceu do barco com a ideia de passar uma semana ou duas visitando uma amiga, Mary Morse, que era então a companheira de Lota de Macedo Soares.

À primeira vista, o encontro de Elizabeth Bishop e Lota não foi muito promissor. Aos olhos de Lota, maravilhosamente interpretada ou inventada por uma inesquecível Glória Pires, Bishop devia parecer como uma chata, por grande poeta que fosse. E é provável que Bishop se assustasse pela presença expansiva de Lota. Agora, uma sugestão: é sempre bom desconfiar dos outros ou outras que seu parceiro ou parceira acha imediata e excessivamente desinteressantes.

De qualquer forma, o encontro de Elizabeth e Lota foi o começo de uma relação que é, para mim, um protótipo de história de amor que vale a pena. Alguns dirão que não acabou bem. Mas esse não é um argumento. O que importa mais é que, nos anos em que elas se amaram, cada uma delas deu o melhor de si: Bishop escreveu os poemas de "North and South" (que lhe valeram o prêmio Pulitzer), e Lota concebeu e realizou o aterro de Flamengo, no Rio de Janeiro.

É frequente que, num casamento, o cônjuge, por adorável que seja, apareça como alguém que limita nosso desejo -às vezes, ele, de fato, compete com nossa vida e domestica nossos sonhos. Esse não foi o caso de Elizabeth e Lota: cada uma potencializou o gênio da outra -essa é uma flor rara.

Detalhe crucial, "Flores Raras" não é um filme sobre um amor homossexual, simplesmente porque o fato de que se trata de duas mulheres é indiferente -o espectador não tem nem tempo nem disposição para aprovar ou para recriminar o amor de Elizabeth e Lota.

Talvez, na sociedade privilegiada e culta do Rio de Janeiro dos anos 1950-1960, pouco importasse que Lota e Elizabeth fossem duas mulheres. Não sei. O fato é que Bruno Barreto conseguiu contar a história de Lota e Elizabeth de tal forma que o gênero e a opção sexual das amantes é muito menos importante do que o amor entre elas.

Ontem, em São Paulo, no "Fronteiras do Pensamento", palestrou Anthony Appiah (professor em Princeton, autor de "O Código de Honra", Cia das Letras). Numa entrevista a Cassiano Elek Machado, na Folha de 10/8, Appiah menciona a revolução moral recente pela qual "há 20 anos, a maioria das pessoas (nos EUA) diria que a ideia do casamento gay é totalmente ridícula. Hoje, se você falar com jovens americanos, 70% deles vão defender sua aprovação".

Pois bem, "Flores Raras" não precisa caber num catálogo de "filmes homossexuais" porque cabe no dos grandes filmes de amor e porque já pertence a uma época em que a orientação sexual talvez seja, enfim, inessencial.

Não me lembro de um momento de minha vida (sequer a infância) em que a orientação sexual fosse, para mim, um fato relevante. Um pilar de minha educação moral foi minha avó, que era católica devota e moralmente preconceituosa, mas dotada de senso prático -se eu fosse homossexual, ela provavelmente se tornaria antipapal (talvez anglicana) na hora.

O outro pilar foi meu pai, para quem a própria ideia de "anormalidade" era uma bizarrice. Embora fosse especialista, tinha uma prática de médico de família: de manhã, ele visitava seus pacientes a domicílio. Quando eu estava de férias, ele pedia que eu o acompanhasse. Dizia que era para lhe fazer companhia. Suspeito que ele quisesse me ensinar a reconhecer meus semelhantes na diversidade do mundo, das casas, dos quartos e das vidas. Enfim, divago. Não perca "Flores Raras".
Fonte: FSP, 15/08/2013

Fonte: Viver em Gramado (Pernambuco.com)

Militares LGBT norte-americanos poderão incluir cônjuges nos benefícios que recebem

quinta-feira, 15 de agosto de 2013 0 comentários


Pentágono dá a casais gays os mesmos direitos dos heterossexuais
Militares norte-americanos poderão incluir os cônjuges nos benefícios que recebem, como seguro saúde

Os soldados homossexuais americanos casados entre si terão, a partir de 3 de setembro, os mesmos direitos e benefícios que os cônjuges heterossexuais, como seguro de saúde e moradia nas bases militares. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo chefe do Pentágono, Chuck Hagel.

Esta decisão foi anunciada após o reconhecimento do casamento gay pelo governo federal, como resultado da anulação em 26 de junho pela Corte Suprema de Justiça da chamada "Lei de Defesa do Casamento" (DOMA), a norma que definia o casamento como a união entre um homem e uma mulher.

Para os casais homossexuais casados, os benefícios serão aplicados em caráter retroativo em 26 de junho. Para os soldados mobilizados em alguma base dos 37 Estados americanos que não reconhecem o casamento homossexual, o Pentágono lhes concederá até dez dias para que entrem em um Estado que reconhece o casamento homossexual e se casem para serem beneficiados posteriormente dos serviços oferecidos pelo Departamento de Defesa.

"Isto permitirá um acesso expedito aos serviços disponíveis a todos os casais militares casados em todo o Departamento de Defesa", informou o secretário de Defesa em um memorando.

Como símbolo destes novos direitos, os casais homossexuais nos quais um de seus membros for militar podem ser enterrados no respeitado cemitério nacional de Arlington, perto de Washington, onde estão sepultados cerca de 400.000 soldados e seus cônjuges, assim como o presidente John Fitzgerald Kennedy.

Após a abolição do tabu gay no Exército, em setembro de 2011, que obrigava gays e lésbicas a esconder sua homossexualidade sob a pena de destituição militar, o Pentágono já tinha decidido em fevereiro oferecer alguns benefícios aos cônjuges do mesmo sexo, como a autorização de licença em caso de emergência.

Mas a maior parte dos benefícios, como o seguro de saúde para o cônjuge ou a concessão de uma moradia, eram impossíveis enquanto estivesse em vigor a lei DOMA. O Pentágono calcula que a abolição da lei DOMA abranja 5.600 militares na ativa, assim como 17 mil homens da Guarda Nacional, entre pessoal da reserva e aposentados.

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Joinville conta com dois casamentos gays por mês

quarta-feira, 14 de agosto de 2013 0 comentários

Cristiane Isabel Julião e Rosani Mendes casaram nesta
 sexta em JoinvilleFoto: Maiara Bersch / Agencia RBS

Joinville conta com dois casamentos gays por mês
Na sexta-feira, Cristiane Isabel Julião e Rosani Mendes celebraram o sexta união gay desde 16 de maio, quando entrou em vigor a resolução do Conselho Nacional de Justiça

Antes de entrar na sala, Aninha reforçou um pedido especial: ninguém poderia errar a assinatura. O casamento com a noiva Cris, ontem à tarde, em Joinville, o momento mais importante para as duas, tinha de ser perfeito, afinal, o amor que começou lá no verão de 2011, venceu. 

Na frente do juiz de paz, teriam apenas de dizer sim e assinar. Nada poderia dar errado. Aninha é Rosani Mendes, tem 36 anos e está desempregada. Cris é o apelido de Cristiane Isabel Julião, de 26. 

É com o seguro desemprego dela que as duas estão mantendo a casa que montaram juntas no bairro Paranaguamirim, na zona Sul de Joinville. 

Para elas, a luta para ficar juntas é apenas mais uma a ser vencida. O preconceito _ se existiu _ ficou para o passado. Agora, querem comprar um apartamento do Programa Minha Casa Minha Vida. Cris já foi sorteada, mas não será fácil pagar as prestações se não conseguirem emprego. 

A união de Aninha e Cris é o sexto casamento gay realizado em Joinville desde o dia 16 de maio, quando entrou em vigor a resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que obrigou os cartórios a realizarem casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Quatro deles foram realizados entre mulheres. 

Para Aninha e Cris, a celebração durou pouco mais de dez minutos. E não é que a emoção cegou a própria Aninha. Na hora de assinar, ela escreveu o nome no espaço dedicado a uma das madrinhas, que até viu o lapso, mas preferiu não interromper a cerimônia. 

— Eu que tinha pedido, né. Acontece. Importante é que estamos, enfim, casadas — disse.

Saem esposos, entram os cônjuges

A decisão tomada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não mudou apenas a vida dos casais. Até um dos momentos principais da cerimônia civil _ a hora do sim _ teve de ser adaptada. 

Antes, os juízes de paz usavam a expressão esposo e esposa ao pedir para os noivos se eles aceitavam o casamento. Agora, a palavra é cônjuge. A decisão, embora simples, foi fundamental para o trabalho do juiz de paz Adir José Buss e da escrevente Sheila Villwock Liermann. 

— A gente não poderia usar esposo e esposa, né. Agora, sim, está tudo certo — diz Adir. Foi ele que realizou todos os cinco casamentos entre pessoas do mesmo sexo até agora em Joinville. 

— Fora isso, não há nenhuma diferença nas cerimônias — diz.

A decisão

A resolução do CNJ obriga os cartórios de todo o País a celebrar o casamento civil entre homossexuais entrou em vigor no dia 16 de maio deste ano.

O tema foi proposto pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Joaquim Barbosa, que também preside o Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada por 14 votos a 1 no conselho. 

Em 2011, o STF já havia reconhecido, por unanimidade, a equiparação da união estável homossexual à heterossexual, assegurando aos casais gays direitos como herança e pensões. Mas ainda não era possível realizar o casamento nos cartórios. 

Ao ter o casamento civil autorizado em cartório, o casal gay ganha mais direitos do que os previstos na união estável.

Atualmente, 14 países, incluindo Argentina e Uruguai, na América do Sul, já legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Fonte: A Notícia, 10/08/2013

Políticos da Alemanha defendem asilo no país para homossexuais russos

terça-feira, 13 de agosto de 2013 0 comentários


Lei de Putin contra "propaganda gay" desencadeia onda internacional de repúdio. 

Deputados alemães propõem boicote a Olimpíadas de 2014 na Rússia, enquanto Cameron e Obama adotam linha mais cautelosa.

O encarregado de direitos humanos do Partido Liberal Democrático (FDP) da Alemanha, Markus Löning, classificou como "insustentável" a situação de lésbicas e gays russos. Em entrevista publicada pelo jornal Welt am Sonntag neste domingo (11/08), ele pediu aos estados alemães que atendam "de forma descomplicada aos homossexuais da Rússia que procurem asilo em nosso país".

Outros políticos alemães de peso deram declarações semelhantes ao jornal, entre eles o chefe da bancada parlamentar do partido A Esquerda, Gregor Gysi, a deputada verde Marieluise Beck e a ministra da Justiça Sabine Leutheusser-Schnarrenberger.

A ministra liberal-democrata disse que, com a "exclusão dos homossexuais", a Rússia "está dando mais um grande passo na direção de uma perfeita ditadura", enquanto Beck informou sobre as possibilidades legais de um asilo para homossexuais.

"Já existem hoje, na lei alemã, os critérios de perseguição por questões de gênero e não estatal", explicou a deputada. Portanto "há uma base legal para conceder proteção na Alemanha aos homossexuais perseguidos na Rússia, após o exame individual do caso", afirmou a parlamentar.

Governo conservador russo vem apertando cerco contra homossexuais

Jogos de Inverno na berlinda

Em junho, o governo de Vladimir Putin aprovou uma lei que prevê punição para quem se manifestar de forma positiva sobre a homossexualidade na presença de menores ou nos meios de comunicação. Estrangeiros que infringirem a lei estão sujeitos a multas equivalentes a 2,3 mil euros, assim como a penas de prisão de até 15 dias ou mesmo à deportação.

A proibição de "propaganda gay" na Rússia desencadeou repúdio não só na Alemanha, como também no resto da Europa e nos Estados Unidos. Alguns políticos conclamam ao boicote das Olimpíadas de Inverno de 2014, a se realizarem na cidade russa de Sóchi.
Volker Beck (de terno) preso em Moscou no dia 27 de maio de 2007

O parlamentar democrata-cristão alemão Jens Spahn declarou ao Welt am Sonntag que "é grotesco que o mundo seja recebido em um país onde, por lei, se faz uma campanha de agitação contra gays e lésbicas".

Volker Beck, da Aliança 90/Os Verdes disse considerar cogitável uma transferência da sede dos Jogos Olímpicos. O deputado alemão de 52 anos é ativista de longa data dos direitos dos homossexuais. Em 2007, foi agredido fisicamente e preso em Moscou por protestar em favor dos gays no país.

Reino Unido e EUA recuam

Apesar de manifestar indignação pela legislação discriminatória do Kremlin, os governos dos EUA e do Reino Unido se declararam contra o boicote ao torneio esportivo no ano que vem. "Seremos capazes de combater melhor os preconceitos se participarmos, em vez de boicotarmos os Jogos de Inverno", declarou o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

No início da última semana, referindo-se à Rússia, o presidente americano, Barack Obama, chegara a declarar que não tem "paciência" com países que promulgam tais leis anti-gays. No entanto, numa coletiva de imprensa na sexta-feira, em Washington, ressalvou que um boicote a Sóchi seria um "gesto inapropriado".

Fonte: DW via AV/dpa/afp/kna, 11/08/2013; Vídeo: Euronews

Sob pretexto de reduzir gastos com saúde pública, Espanha exclui lésbicas dos programas de reprodução assistida

segunda-feira, 12 de agosto de 2013 0 comentários

Marta Posa Albert e a pequena Blanca (Foto: BBC)

Lei que exclui lésbicas da reprodução assistida cria polêmica na Espanha

Para reduzir os gastos da saúde pública, nova norma 'exige esterilidade' para acesso a tratamentos de fertilidade.


Grupos em defesa dos direitos dos homossexuais e feministas na Espanha estão protestando contra um projeto de lei que impede lésbicas de usarem o sistema público de saúde para tratamentos de reprodução assistida.

O texto do projeto de lei define a esterilidade como a 'ausência de consecução de gravidez após 12 meses de relações sexuais com coito vaginal sem uso de métodos contraceptivos'.

Se transformada em lei, a normativa deixaria sem atendimento pelo sistema público as mulheres que pretendem ser mães mas não querem ter envolvimento sexual com um homem para a geração de filhos.

Também são critérios para ter acesso ao financiamento público a idade do paciente (a mulher deve ter no máximo 40 anos e o homem, 50 anos) e não ter se submetido antes a esterilização voluntária.

A norma foi aprovada pelo Conselho Interterritorial do Sistema Nacional de Saúde, ainda que a proposta tenha sido rejeitada por quatro das dezessete comunidades autônomas da Espanha. O texto agora segue para o Conselho de Ministros e dependerá da sanção do rei para se tornar um decreto real, passando a ser adotado em todo o país.

Na prática, algumas regiões da Espanha, como a Comunidade Valenciana e a Catalunha, há dois anos já aplicam essas restrições a mulheres que vivem sozinhas ou a lésbicas que tentam o tratamento na rede pública.


'A falta de um homem'


A polêmica cresceu ainda mais após declaração da ministra da Saúde, Ana Mato, dizendo que não considera 'a falta de um homem como um problema médico', deixando portanto aquelas que decidem ser mãe sem a participação de um parceiro masculino na geração do filho fora da cobertura da lei.

Antonio Perdomo Rodríguez, coordenador da área de famílias da Federação Estatal de Lésbicas, Gays, Transexuais e Bissexuais diz que a medida 'é claramente homofóbica e misógina', pois atenta contra os direitos das mulheres à maternidade.

'Esse critério é insultante e discriminatório, por considerar o estado civil ou a orientação sexual da mulher. É um recorte ideológico, não econômico', critica Perdomo.

Em comunicado, o Ministério da Saúde explicou que em 'nenhum momento faz-se segregação por condicionantes pessoais das pacientes' e que 'o requisito é a esterilidade ou os casos em que o tratamento é aconselhado como prevenção, para garantir a saúde (da mulher) e do futuro filho'.Núria Roch, representante do grupo de mulheres Te N'aDones, acredita que a proposta 'tira das mulheres a capacidade de decisão sobre suas vidas, negando a existência de famílias diferentes do modelo tradicional'.

Mariluz Vázquez, da Associação de Mães Solteiras por Opção, argumenta que a reprodução humana é mais que biológica, sendo também um fator social.

'No caso de mulheres sozinhas, esse desejo é visto como um capricho, mas caso sejam parte de um casal tradicional, um homem e uma mulher, se considera um projeto de vida. No entanto, o desejo de formar uma família é o mesmo.'

Mariluz lembra que, na Espanha, uma mulher viúva que tenha dois filhos já se enquadra na definição oficial de família numerosa e tem direito a ajuda econômica do governo, benefício não acessível às mães solteiras.


'Em nome da crise'

Disposta a ser mãe solteira, Marta Posa Albert, 42 anos, gestora de um centro médico, tentou fazer o tratamento de fertilidade pela rede pública. Sem sucesso, teve que recorrer à rede privada para se submeter a uma fertilização in vitro.

'Esperei ter estabilidade financeira para ser mãe, então tive sorte, porque consegui pagar o tratamento na rede privada. Tive que arcar também com o custo dos remédios, que antes era bancado pelo governo mesmo em tratamentos privados, mas o benefício já havia sido cortado', relembra ela, agora mãe da pequena Blanca, de 6 meses.

A professora Catalina Pallás, 47 anos, também foi mãe por fertilização in vitro pela rede particular. Ela e a esposa, a engenheira Immaculada Lluesma, 42 anos, contam que enfrentaram muitas dificuldades e gastaram todas as economias para conceber o filho, hoje com 6 anos. 'Na rede pública, me disseram que eu não estava doente, não era infértil', diz Catalina.

Presidente da Associação de Famílias Lésbicas e Gays da Catalunha, ela observa que a lei do matrimônio igualitário tem imposto mudanças que beneficiam os casais homossexuais e, por isso, considera a proposta do Ministério da Saúde um retrocesso.

'É ridícula a quantidade de dinheiro que a nossa exclusão, sendo um coletivo tão minoritário, poderia estar economizando para o erário. Esse recorte não se justifica em nome da crise', diz Catalina.

Em entrevista à Europa Press, o conselheiro de Saúde da Comunidade Valenciana, Manuel Llombart, respaldou a ministra Mato e disse que 'o sistema de saúde público existe para tratar problemas patológicos, senão teríamos que falar de outra carteira de serviços que estaria dentro de outra competência, não dentro da competência sanitária'.


Condenação

O Tribunal Superior de Justiça de Astúrias obrigou a saúde pública do principado a dar acesso às técnicas de reprodução assistida a uma mulher lésbica.

De acordo com a sentença, o principado de Astúrias terá ainda que devolver a ela cerca de 8 mil euros que tinha gasto em clínicas privadas.

A região de Astúrias, no norte da Espanha, é uma das que se posicionaram contra a proposta do governo espanhol.

O Ministério da Saúde informou respeitar essa sentença e concorda que não se pode obrigar a ninguém a ter relações sexuais com quem não queira.

Fonte: G1, 11/08/2013 (Via BBC)

Raven-Symoné, atriz de That's So Raven, assume namoro com a modelo AzMarie

sexta-feira, 9 de agosto de 2013 19 comentários

Raven (FOTO: Getty Images)

Raven-Symoné assume homossexualidade: "Agora posso me casar"
Atriz de séries adolescentes ficou famosa ainda quando criança, ao viver a garotinha Olivia na série de sucesso 'O Show do Cosby'

Raven-Symoné, 27, decidiu revelar sua homossexualidade nas redes sociais um mês após a Suprema Corte dos Estados Unidos declarar mais uma vitória dos direitos gays, pondo fim a uma lei que negava benefícios federais aos casais homossexuais. "Eu finalmente posso me casar! Oba governo! Estou muito orgulhosa de você!", escreveu a atriz no Twitter.
Raven estrela a série adolescente That's So Raven, e já estrelou filmes e outras atrações teen para a televisão norte-americana. Ela ficou mundialmente famosa quando criança, ao interpretar a pequena Olivia da série de sucesso O Show do Cosby.

Em maio do último ano, após rumores de sua sexualidade serem discutidos na imprensa, Raven preferiu manter o silêncio. "Estou vivendo a minha vida pessoal da maneira que me faz feliz. Em 25 anos de carreira nunca falei sobre com quem eu estava namorando. Não será agora que vou abrir a boca."

Modelo AzMarie é a namorada de Raven-Symoné, segundo a US Magazine

Fontes: Quem e Disco Punisher

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