No dia contra a homofobia, a França ratifica o casamento LGBT e Portugal a co-adoção por casais homossexuais

sábado, 18 de maio de 2013 0 comentários

Por que não duas mães?

Para celebrar com estilo o dia internacional de combate à homofobia, ontem o Conselho Constitucional francês anunciou a aprovação da lei que autoriza o casamento e a adoção por casais do mesmo sexo na França e o parlamento português deu um passo importante na legalização da co-adoção de crianças por casais homossexuais. Abaixo, seguem dois artigos sobre esses temas e o vídeo da aprovação da adoção de crianças por casais homossexuais pelo parlamento português.

Lei do casamento gay é aprovada por Conselho Constitucional francês

PARIS, 17 Mai 2013 (AFP) - O Conselho Constitucional francês anunciou nesta sexta-feira a aprovação da lei que autoriza o casamento e a adoção por casais do mesmo sexo na França, o que deverá permitir as primeiras celebrações nas próximas semanas.

O presidente François Hollande promulgará o texto no sábado. Uma vez promulgado, as primeiras uniões poderão ser realizadas após o prazo legal para a publicação em Diário Oficial, que leva dez dias.

O Parlamento francês aprovou no dia 23 de abril o casamento civil e a adoção para homossexuais por uma votação solene dos deputados, após semanas de debates acalorados, o que fez da França o 14º país a reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A oposição de direita imediatamente contestou no Conselho Constitucional a compatibilidade da legislação com a Constituição francesa e o direito internacional.

Em resposta, o Conselho decidiu que o casamento gay é "uma escolha legislativa" e "que não viola qualquer princípio constitucional".

Mesmo que "a legislação republicana anterior a 1946 e suas leis posteriores definam o casamento como a união de um homem e uma mulher, esta regra não fere os direitos e liberdades fundamentais, nem a soberania nacional, nem a organização dos poderes públicos" e "não pode, portanto, constituir um princípio fundamental", acrescentou a decisão do Conselho.

Ao validar o direito de adoção para os casais homossexuais, o Conselho ressalta que o texto não reconhece o "direito ao filho", e que o princípio a ser seguido para qualquer adoção é "o interesse da criança.".

Fonte: UOL Notícias, 17/05/2013

Por que não dois pais?

Portugal torna-se o quinto país a aprovar co-adopção por casais homossexuais

Depois de Áustria, Finlândia, Alemanha e Israel, Portugal é o quinto país onde a co-adopção de crianças por casais homossexuais foi aprovada. O Parlamento português aprovou na generalidade esta medida nesta sexta-feira, por uma magra vantagem, num cenário inesperado. Para a co-adopção ser uma realidade, no entanto, é ainda necessária uma votação final global (após a discussão na especialidade) e a promulgação pelo Presidente da República.

O projecto de lei português passou com 99 votos a favor, 94 votos contra e nove abstenções. Votaram 202 dos 230 deputados, vários abandonaram o hemiciclo antes do início da votação. PSD e CDS deram liberdade de voto.

Além daqueles cinco países, a co-adopção é legal em três estados dos EUA, na Tasmânia (Austrália) e na Gronelândia (Dinamarca). Quanto à adopção plena por casais homossexuais, que não é permitida pela legislação portuguesa, ela está legalmente regulada em 14 países, 21 estados dos EUA, duas regiões do México e três estados australianos.

O diploma legislativo sobre co-adopção por casais ou unidos de facto do mesmo sexo tem como primeiros subscritores os deputados socialistas Isabel Moreira e Pedro Delgado Alves. O objectivo é que seja possível estender o vínculo de parentalidade de um dos elementos do casal (pai ou mãe biológica ou adoptante) ao seu cônjuge. O Parlamento discutiu ainda mais dois projectos do BE e um do PEV sobre adopção plena por casais homossexuais, mas todos foram reprovados.

No projecto do PS pode ler-se que "quando duas pessoas do mesmo sexo sejam casadas ou vivam em união de facto, exercendo um deles responsabilidades parentais em relação a um menor, por via da filiação ou adopção, pode o cônjuge ou o unido de facto co-adoptar o referido menor". Nos termos do diploma legislativo agora aprovado, podem co-adoptar pessoas com mais de 25 anos e nas situações em que não exista "um segundo vínculo de filiação em relação ao menor". 

Votaram a favor as bancadas do BE, PCP, PEV, a maioria dos deputados do PS e 16 deputados do PSD. Abstiveram-se três deputados do PS, três do PSD e três do CDS. E votaram contra a maioria dos deputados do PSD e do CDS, assim como dois deputados do PS.

Teresa Leal Coelho, Luís Menezes, Francisca Almeida, Nuno Encarnação, Mónica Ferro, Cristóvão Norte, Ana Oliveira, Conceição Caldeira, Ângela Guerra, Paula Cardoso, Maria José Castelo Branco, Joana Barata Lopes, Pedro Pinto, Sérgio Azevedo, Odete Silva e Gabriel Goucha foram os sociais-democratas que votaram a favor do diploma do PS.

Abstiveram-se os deputados do PS Pedro Silva Pereira, Miguel Laranjeiro e José Junqueiro, os deputados do PSD Duarte Marques, João Prata e Sofia Bettencourt, e os deputados do CDS João Rebelo, Teresa Caeiro e Michael Seufert.

Os dois socialistas que votaram contra foram António Braga e João Portugal.

No dia mundial contra a homofobia, Isabel Moreira defendeu, na apresentação do projecto, que o país deveria dar luz verde à co-adopção por casais do mesmo sexo. "Um passo civilizacional" que recusa "uma orfandade legal" que existe e que não acolhe o superior interesse da criança. Isabel Moreira referia-se assim a um projecto de lei que "chega atrasado para pais e mães e para crianças que muitas vezes na sua inocência desconhecem que o Estado desconsidera um dos seus pais".

A socialista pediu que se preenchesse um vazio legal que não responde às situações que já existem. E ilustrou com o caso de uma família homossexual com uma criança de dez anos, em que, morrendo o progenitor, o seu cônjuge não tem qualquer poder legal relativamente à criança com quem vive, muitas vezes, desde o nascimento. A criança, frisou, fica sem os dois pais ou as duas mães. "É uma família destruída", disse Isabel Moreira.

"É hoje o dia de usar o voto para, mais do que nos imaginarmos no lugar do outro, sermos o outro", apelou Isabel Moreira.

Também a deputada do BE Cecília Honório disse ser o dia em que se pode pôr fim aos "direitos pela metade dos homossexuais".

"Todas as famílias contam, não há famílias de primeira e de segunda", argumentou a deputada bloquista, que acrescentou que é a capacidade de "acolhimento e de amor" que deve ser critério para a adopção, em detrimento da orientação sexual dos pais. "A orientação sexual não pode contar como critério impeditivo da adopção", pediu Cecília Honório.

No mesmo sentido, a líder parlamentar do PEV pediu a protecção do "superior interesse da criança". Também o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, anunciara que a bancada comunista iria votar a favor do projecto do PS, por considerar que é preciso proteger os laços afectivos das crianças. "Não ignoramos as situações concretas existentes de famílias constituídas", disse o deputado.

Já a deputada Carla Rodrigues, do PSD, considerou que "a defesa dos direitos humanos está no património genético do PSD", mas que, pela matéria sensível em causa, a bancada social-democrata terá hoje liberdade de voto, para que cada deputado exerça "em consciência" o seu mandato. A deputada do CDS Teresa Anjinho observou que o assunto não foi ainda suficientemente debatido na sociedade.

A aprovação da co-adopção já foi saudada por activistas gay, embora considerem que este é "um passo pequenino numa escadaria enorme".

Fonte: Público

Histórico do 17 de Maio e a programação da MTV contra a homofobia

sexta-feira, 17 de maio de 2013 0 comentários


Histórico do Dia Internacional Contra a Homofobia

Em 17 de maio de 1990, a Assembléia Geral da Organização Mundial de Saúde aprovou a retirada do código 302.0 (Homossexualidade) da Classificação Internacional de Doenças, declarando que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”. A nova classificação entrou em vigor entre os países-membros das Nações Unidas em 1993.

Em 2003, em homenagem a esse evento significativo para os direitos da população LGBT, a Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA) estabeleceu a data como Dia Internacional contra a Homofobia.

Abaixo programação da MTV contra a Homofobia e vídeo da ONU que expõe a natureza das violações de direitos humanos sofridas por pessoas LGBT em todo o mundo.

Programação da MTV contra a homofobia

Toda a programação da MTV Brasil de hoje celebra o Dia Internacional Contra a Homofobia e brada um sonoro #homofobiaNÃO!

A programação especial conta com série de promos, drops do MTV1, faixas especiais de clipes, cobertura do site e programas ao vivo.

Às 18h, começa o Especial MTV #homofobiaNÃO apresentado por Chay Suede, Juliano Enrico, Didi, Gaia, Titi e Chuck. O programa terá música ao vivo na rua, artistas convidados e todos os VJs que se engajaram na causa.

A audiência não fica de fora. Ela participa dos shows que acontecerão na porta da emissora, conta suas histórias por email e telefone, e ainda participa de um grande 'Beijaço', que acontecerá na nossa calçada. Quem não for de São Paulo também pode participar instagramando seu beijo com a hashtag #BeijaçoMTV!

Os shows gratuitos acontecerão a partir das 18h, com o Vanguart, Vivendo do Ócio, Guilherme Arantes, Pollo, Cachorro Grande, Vespas Mandarinas e Marcelo Jeneci  na porta da MTV Brasil nesta sexta-feira (17), como parte da programação do Dia Internacional Contra a Homofobia.

A partir das 20h, o programa dá espaço para um debate, mediado pelo VJ Didi Effe, em que o cartunista Laerte, PC Siqueira, o colunista do UOL Vitor Ângelo, o advogado Dimitri Salles da OAB, entre outros, discutem as mudanças da sociedade, os avanços e desafios do movimento contra a homofobia.

Às 21 horas, será exibido o documentário 'VOZ MTV - HOMOFOBIA NÃO', produzido pela própria MTV Brasil, com diversos depoimentos e participação do historiador João Silvério Trevisan.

Serão 3 horas, ao vivo, de muita música e informação.

Vamos todos nos divertir, ajudar a acabar com a Homofobia e também nos informar!

PARTICIPE
Se você já foi vítima da homofobia, física ou moralmente, ou conheça alguém que já tenha passado por isso, conte pra gente. Envie sua história para o email homofobianao@mtv.com.br. Mande também seu número de telefone pra gente fazer contato. Você poderá participar ao vivo de nossa programação!

Também chame sua galera, seu coletivo, grupo organizado, e venha à porta da MTV para participar dessa com a gente!
Ficamos na Av. Prof. Alfonso Bovero, 52 - Sumaré - SP (Linha verde do metrô).

Contato: casting@mtvbrasil.com.br ou (11) 3871-7112

O Enigma: Mensagem do escritório de direitos humanos da ONU contra a homofobia

76 países ainda criminalizam as relações homossexuais consensuais e as pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Neste vídeo do escritório de direitos humanos da ONU, pessoas de diversas origens fazem perguntas diretamente para o espectador para expor a natureza das violações de direitos humanos sofridas por pessoas LGBT em todo o mundo. O vídeo inclui o secretário-geral da ONU e a alta comissária para os direitos humanos, Navi Pillay. A mensagem da ONU é de que direitos LGBT são direitos humanos. Juntos, vamos construir um mundo que é livre e igual.

Casamento LGBT entra em vigor

quinta-feira, 16 de maio de 2013 0 comentários


Resolução que obriga cartórios a celebrar casamento gay entra em vigor 

Thais Leitão
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que proíbe cartórios de recusar a celebração de casamento civil de pessoas do mesmo sexo ou de negar a conversão de união estável de homossexuais em casamento foi divulgada na edição de hoje (15) do Diário de Justiça Eletrônico. A medida só será considerada publicada amanhã (16), primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação, a partir de quando passará a valer para cartórios de todo o país.

A proposta, apresentada pelo presidente do conselho e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, foi aprovada ontem (14), por maioria de votos, pelo plenário do CNJ. A decisão foi baseada no julgamento do STF, que considerou inconstitucional a distinção do tratamento legal às uniões estáveis homoafetivas, e ainda na decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que julgou não haver obstáculos legais à celebração de casamento de pessoas do mesmo sexo.

Durante a 169ª sessão do colegiado, nessa terça-feira, o ministro Joaquim Barbosa classificou a recusa de cartórios de Registro Civil em converter uniões em casamento civil ou expedir habilitações para essas uniões como "compreensões injustificáveis".

Também ficou definido que os casos de descumprimento da resolução deverão ser comunicados imediatamente ao juiz corregedor responsável pelos cartórios no respectivo Tribunal de Justiça.

Edição: Juliana Andrade
Fonte: Agência Brasil


RESOLUÇÃO N. 2626, DE MAIO DE 2013

Dispõe sobre a habilitação, celebração de casamento civil, ou de conversão de união estável em casamento, entre pessoas de mesmo sexo.

O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, no uso de suas atribuições constitucionais e regimentais,

CONSIDERANDO que o Supremo Tribunal Federal, nos acórdãos prolatados em julgamento da ADPF 132/RJ e da ADI 4277/DF, reconheceu a inconstitucionalidade de distinção de tratamento legal às uniões estáveis constituídas por pessoas de mesmo sexo.

CONSIDERANDO que as referidas decisões foram proferidas com eficácia vinculante à administração pública e aos demais órgãos do Poder Judiciário.

CONSIDERANDO que o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do RESP 1.183.378/RS, decidiu inexistir óbices legais à celebração de casamento entre pessoas de mesmo sexo.

CONSIDERANDO a competência do Conselho Nacional de Justiça, prevista no art. 103-B, da Constituição Federal de 1988.

RESOLVE:
Art. 1º - É vedada às autoridades competentes a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento entre pessoas de mesmo sexo.

Art. 2º - A recusa prevista no artigo 1º implicará na imediata comunicação ao respectivo juiz corregedor para as 
providências cabíveis.

Art. 3º - Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 14 de maio de 2013

Ministro Joaquim Barbosa
Presidente do Conselho Nacional de Justiça

Cartórios aprovam decisão do CNJ e dizem que vão cumpri-la
Presidente da Federação Brasileira de Notários fala em trocar juiz se necessário
THIAGO HERDY

SÃO PAULO - O presidente da Federação Brasileira de Notários e Registradores (Febranor) e da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg), Rogério Portugal Bacellar, classificou a resolução do Conselho Nacional de Justiça que manda os cartórios registrarem os casamentos homoafetivos como “necessária para atender à demanda da população que necessitava disso”. Para Bacellar, juízes de paz que se recusarem a realizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo deverão ser afastados de suas funções.

— Se um juiz de paz se recusar a fazer o casamento, seja por crenças pessoais ou religião, troca-se o juiz de paz, o que se pode fazer? — disse Bacellar, para quem a resolução agiliza o processo do casamento civil e garante “cidadania de forma igual”.

Ontem mesmo a Anoreg divulgou comunicado aos filiados lembrando que, com a resolução, os cartórios poderão converter a união estável homoafetiva em casamento sem a necessidade de enviar o pedido ao Poder Judiciário.

A necessidade de apreciação pelo magistrado continua prevista apenas para quando houver impugnação do oficial do cartório, do Ministério Público ou de terceiros.

— Alguns estados já estendiam a decisão do STF sobre a união homoafetiva e faziam isso. Outros, não, as pessoas estavam em dúvida, agora melhorou a situação — disse Bacellar.

Levantamento informal feito pela Anoreg apurou terem sido registradas, pelo menos, 1,7 mil uniões estáveis homoafetivas em 14 estados brasileiros desde maio de 2011, quando o STF decidiu sobre o tema.

Beto de Jesus, dirigente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, elogiou a decisão do CNJ:

— Não estamos mais presos a interpretações de oficiais de cartório baseadas em homofobia e desrespeito. Se o STF decide sobre um direito, ele deve ser aplicado por quem tem condições de aplicá-lo.

Segundo Jesus, a falta de um entendimento único levava a uma “desigualdade regional, motivada pelo conservadorismo de alguns donos de cartório”. Ele disse que considera importante a adoção de um parâmetro para se respeitar uma “decisão tomada em instância superior”.

Autora de ofício enviado em dezembro do ano passado ao ministro Joaquim Barbosa solicitando a “padronização e solução das controvérsias” relacionadas ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família (Ibdfam), Maria Berenice Dias, contou que a indefinição sobre o tema vinha obrigando casais a viajar a outros estados para ter a união reconhecida:

— Além do significado simbólico, os casais têm mais um motivo para garantir o direito a um documento público que torna a união inquestionável.

Apesar da jurisprudência de vários tribunais estaduais já considerar a união estável muito semelhante ao casamento, do ponto de vista jurídico, algumas diferenças tornam relevante a decisão do CNJ.

— O efeito certificatório do casamento garante ao casal todos os seus direitos. Mesmo relatada em documento, a união estável precisa ser pública, contínua e duradoura — afirmou a especialista, para quem o próximo passo é a discussão do tema no âmbito do Legislativo, a exemplo do que ocorre em outros países.

Fonte: O Globo, 14/05/2013

Pressão de evangélicos derrubou decreto contra a homofobia no DF

quarta-feira, 15 de maio de 2013 0 comentários


Governador do Distrito Federal chegou a avisar líder do governo sobre a publicação da regulamentação de uma lei publicada em 2000. Movimento LGBT promete recorrer ao Ministério Público
Por MARIO COELHO E MARIANA HAUBERT

Em um intervalo de poucas horas, deputados e pessoas ligadas a grupos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) foram da euforia à depressão em Brasília. O motivo foi a publicação e depois revogação de um decreto regulamentando lei de 2000 estabelecendo punições para quem discriminasse homossexuais em estabelecimentos comerciais. Neste caso, a pressão de parlamentares e representantes conservadores junto ao governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, teve efeito rápido.

A justificativa oficial do governo é que houve um erro na tramitação do decreto. O texto não teria passado pela área jurídica do governo. Em nota distribuída na quinta-feira (9), a Secretaria de Comunicação Social do DF afirmou que foram identificados vícios formais, “que precisam ser corrigidos”. “Por isso, o assunto será encaminhado à área jurídica para os ajustes necessários”, diz a nota.

No entanto, o Congresso em Foco apurou com pessoas próximas ao governo que o decreto passou pela área jurídica e estava pronto para publicação. Foi estudado e enviado para deputados distritais da base. Alguns chegaram a fazer sugestões, que acabaram rejeitadas. No dia anterior ao da publicação, quarta-feira (8), de acordo com duas pessoas ouvidas pelo site, Agnelo ligou para a deputada distrital Arlete Sampaio (PT), líder do governo na Câmara Legislativa.

Agnelo informou para a deputada, que atua na área de direitos humanos, que o decreto seria publicado no dia seguinte. Quando decidiu revogar a publicação, o governador afirmou que não sabia do assunto. O Congresso em Foco apurou que, logo após a publicação, o chefe do governo local recebeu deputados conservadores, religiosos e pessoas contrárias ao decreto. O encontro não estava na agenda oficial. A Secretaria de Comunicação não confirma a reunião.

Para o coordenador da ONG Elos LGBT DF e Entorno, Evaldo Amorim, a explicação oficial é inaceitável porque o governador sabia de todo o processo em torno da regulamentação. “Acompanhamos a equipe que estava trabalhando neste decreto e sabemos como isso estava sendo desenvolvido. A revogação, no nosso entendimento, aconteceu por pressão da bancada evangélica e do setor conservador do governo”, disse ao Congresso em Foco.

“Isso é inaceitável, inexplicável. O governador estava apenas cumprindo a legislação”, disparou a deputada Erika Kokay (PT-DF). Ela lembrou que a Lei nº 2.615, de 31 de outubro de 2000, previa 60 dias para regulamentação. Passaram quatro governos – Joaquim Roriz, José Roberto Arruda, Rogério Rosso e agora Agnelo – e todos falharam em regulamentar a legislação.

Erika adiantou ontem ao Congresso em Foco que ela e grupos LGBT vão recorrer ao Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) na tentativa de revogar a decisão de Agnelo. “Ele [o governador] se curvou a posições homofóbicas. Ele tem que saber que não é Luís XIV”, disparou a petista, em referência à frase do monarca francês, que disse “eu sou a Lei, eu sou o Estado”.

De acordo com o texto, discriminação é “qualquer ação ou omissão motivada pela orientação sexual da pessoa, seja ela lésbica, gay, bissexual, travesti ou transexual”, que envolva exposição ao rídiculo, proibição de ingresso em atendimento diferenciado ou selecionado, entre outros casos. Os comerciantes ficariam sujeitos a penalidades como multas e suspensão do alvará de funcionamento.

Justificativa

Em entrevista à Agência Brasília, o consultor jurídico do DF Paulo Guimarães explicou que o governo pretende reexaminar o decreto revogado em até 60 dias, mas não disse se o texto será novamente publicado. Ele explicou que o decreto envolvia atos de competência das administrações regionais mas não explicitava suas ações. O texto também previa apenas uma instância recursal enquanto outra lei distrital garante a possibilidade de até três instâncias.

Segundo o consultor, essa mudança significaria “uma restrição a direitos legais” dos cidadãos. O decreto em questão regulamentava a lei 2.615, de 2000, que proíbe a qualquer pessoa física ou jurídica e aos órgãos e entidades da administração pública do Distrito Federal que, por seus agentes, empregados, dirigentes, propaganda ou qualquer outro meio promovam ou permitam a discriminação de pessoas em virtude de sua orientação sexual. O governo ainda não se pronunciou sobre quando ou se deverá publicar o texto novamente.

Em entrevista à imprensa na manhã de ontem, em Taguatinga, Agnelo elevou o tom contra a proposta. Afirmou que a lei sancionada em 2000 tem absurdos, ações ineficientes e invade outras prerrogativas, como a cassação de alvarás e entra na “atividade privada das pessoas”. “Tem absurdos inconcebíveis, por isso a revogação imediata. A área jurídica está examinando”, disse.


Veja a íntegra da nota do GDF

Fonte: Congresso em Foco, 11/05/2013

Matérias dos principais sites de notícias sobre a obrigatoriedade da conversão das uniões estáveis LGBT em casamento civil

terça-feira, 14 de maio de 2013 0 comentários

Direitos igualitários: cartórios serão proibidos de se recusarem a celebrar casamento civil homoafetivo

CNJ obriga cartórios a celebrar casamento entre homossexuais
Uniões estáveis homoafetivas terão de ser convertidas em casamento civil, mesmo sem previsão legal para isso

Felipe Recondo - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Os cartórios de todo o Brasil serão obrigados a celebrar casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os cartórios terão de converter as uniões estáveis homoafetivas em casamento civil, mesmo que ainda não haja previsão legal para isso.

A proposta foi apresentada pelo presidente do CNJ, Joaquim Barbosa, que também preside o Supremo Tribunal Federal (STF), e aprovada por 14 a 1. A conselheira Maria Cristina Peduzzi foi a única a votar contra a aprovação da resolução, sob o argumento de que, para permitir o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, o Congresso teria de aprovar um projeto de lei. Há projetos em tramitação no Congresso sobre o casamento civil de pessoas do mesmo sexo.

A resolução aprovada pelo CNJ diz que: "É vedada às autoridades competentes a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento entre pessoas de mesmo sexo". E acrescenta que, se houver recusa dos cartórios, será comunicado o juiz corregedor para "providências cabíveis".

O presidente do CNJ afirmou que a resolução remove "obstáculos administrativos à efetivação" da decisão do Supremo. "Vamos exigir aprovação de nova lei pelo Congresso Nacional para dar eficácia à decisão que se tomou no Supremo? É um contrassenso."

O subprocurador da República, Francisco de Assis Sanseverino, manifestou-se contra a aprovação da resolução e citou os votos dos ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, que foram favoráveis ao reconhecimento da união homoafetiva, mas deixaram claro que a decisão não legalizava o casamento.

Fonte: Estadão, 14/04/2013

Decisão do CNJ obriga cartórios a fazer casamento homossexual
Conselho também determinou conversão de união estável em casamento. Decisão é passível de questionamento no Supremo Tribunal Federal.

Mariana Oliveira
Do G1, em Brasília

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou nesta terça-feira (14), por maioria de votos (14 a 1), uma resolução que obriga os cartórios de todo o país a celebrar o casamento civil e converter a união estável homoafetiva em casamento.

Os cartórios não poderão rejeitar o pedido, como acontece atualmente em alguns casos. A decisão do CNJ poderá ser questionada no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o presidente do CNJ e autor da proposta, Joaquim Barbosa, que também é presidente do STF, a resolução visa dar efetividade à decisão tomada em maio de 2011 pelo Supremo, que liberou a união estável homoafetiva.

Conforme o texto da resolução, caso algum cartório se recuse a concretizar o casamento civil, o cidadão deverá informar o juiz corregedor do Tribunal de Justiça local. "A recusa implicará imediata comunicação ao respectivo juiz corregedor para providências cabíveis."
saiba mais

A decisão do CNJ valerá a partir da publicação no "Diário de Justiça Eletrônico", o que ainda não tem data para acontecer.

Reportagem publicada pelo G1 nesta terça mostrou que, no último ano, pelo menos 1.277 casais do mesmo sexo registraram suas uniões nos principais cartórios de 13 capitais, segundo levantamento preliminar da Associação de Notários e Registradores do Brasil (Anoreg-BR).

Atualmente, para concretizar a união estável, o casal homossexual precisa seguir os trâmites em cartório. Até agora, para o casamento, eles pediam conversão da união estável em casamento e isso ficava a critério de cada cartório, que podia ou não conceder.

Agora, a conversão passa a ser obrigatória e efetivada por meio de ato administrativo, dentro do próprio cartório. O cartório, embora órgão extrajudicial, é subordinado ao TJ do estado.

O casamento civil de homossexuais também está em discussão no Congresso Nacional. Para Joaquim Barbosa, seria um contrassenso esperar o Congresso analisar o tema para se dar efetividade à decisão do STF.

"Vamos exigir aprovação de nova lei pelo Congresso Nacional para dar eficácia à decisão que se tomou no Supremo? É um contrassenso."

De acordo com Barbosa, a discussão sobre igualdade foi o "cerne" do debate no Supremo. "O conselho está removendo obstáculos administrativos à efetivação de decisão tomada pelo Supremo e que é vinculante [deve ser seguida pelas instâncias inferiores]."

Inicialmente, o conselho discutiu apenas a conversão, mas, posteriormente, a assessoria do CNJ distribuiu o documento da proposta que mostra que é "vedado" aos cartórios recusarem a "habilitação, celebração de casamento civil ou conversão de união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo".

O subprocurador-geral da República, Francisco Sanseverino, que não vota, opinou contra a proposta do conselho. "Com respeito ao posicionamento da proposta, embora louvável, salvo melhor juízo em face dos fundamentos e dos objetos das ações diretas de constitucionalidade, a conversão automática da união estável em casamento não foi imposta naquelas ações."

O único voto contrário do CNJ foi da mais nova conselheira, Maria Cristina Peduzzi. Para ela, definir o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo é tarefa do Congresso.

"Não tenho dúvidas de que a união homoafetiva foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal e ali se afirmou a constitucionalidade dessas uniões e assegurados os efeitos civis produzidos pelas respectivas uniões. [...] Penso que isso é questão que estaria afeta ao Congresso Nacional."

O conselheiro Silvio Rocha divergiu. "Nós removemos a diversidade de sexos que não mais se coloca como requisito de que as pessoas tenham um direito fundamental, que é o casamento. Me parece que o conselho faz isso em precedentes jurisprudenciais (decisões judiciais anteriores) e amparado no próprio texto constitucional."

O conselheiro Gilberto Martins, ao votar favoravelmente ao projeto, destacou que, apesar de a decisão do STF sobre a união estável homossexual ter sido unânime, três ministros do Supremo foram contrários à possibilidade de a corte assegurar no julgamento o casamento civil: Cezar Peluso, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski.

Recurso

A decisão pode ser questionada no STF. Se isso ocorrer, o questionamento poderá ser feito por meio de um mandado de segurança, tipo de ação que é feita para questionar ato do poder público.

O processo seria distribuído para algum ministro relatar, e o interessado poderia solicitar suspensão da resolução por meio de liminar (decisão provisória). Nesse caso, o relator decidiria entre suspender provisoriamente ou levar direto para discussão no plenário.

União estável x casamento civil 
Segundo Rogério Bacellar, presidente da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg), união estável e casamento civil garantem os mesmos direitos sobre bens.

Nos dois casos, há um contrato assinado em cartório. A diferença é que, pela união estável, o cidadão continua solteiro no estado civil.

"Atualmente, se os direitos são estabelecidos no contrato, é a mesma coisa que um casamento. Se convenciona o que cada um tem dever, que os bens adquiridos antes e durante não comungam (se dividem) ou se todos os bens comungam."

Ao abrir uma conta bancária, por exemplo, um cidadão oficialmente solteiro, mesmo que tenha união estável, não precisa indicar os dados do companheiro. Já o casado, precisa.

"O casamento é uma união formal. É possível se estabelecer comunhão parcial, comunhão total ou separação parcial. Mas se houver um contrato, a união estável dá os mesmos direitos."

Em maio do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu o direito da união estável para casais do mesmo sexo. A decisão serve de precedente para outras instâncias da Justiça.


Fonte: G114/04/2013

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) aprovou nesta terça-feira (14) uma resolução obrigando todos os cartórios do país a celebrar casamentos gays.
O tema foi proposto pelo presidente do conselho, ministro Joaquim Barbosa, e aprovado por 14 votos a 1.

Em 2011, o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu, em decisão unânime, a equiparação da união homossexual à heterossexual. Com isso, casais gays de todo o país têm diversos direitos assegurados.

De acordo com o artigo primeiro da resolução: "É vedada às autoridades competentes [no caso, os cartórios]a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento entre pessoas de mesmo sexo". E continua. "A recusa prevista no artigo 1° implicará a imediata comunicação ao respectivo juiz corregedor para as providências cabíveis".

Editoria de Arte/Folhapress

Se o cartório recusar a realizar o casamento, o caso será levado para as corregedorias locais, pois o cartório estará descumprindo uma medida do CNJ e, depois, será enviado direto para o Conselho. A decisão desta terça-feira passa a valer a partir da publicação no "Diário de Justiça", que deve acontecer ainda esta semana. A resolução pode ser questionada ao STF e o assunto deve voltar a ser discutido entre os ministros.

O assunto, no entanto, é polêmico, pois está em discussão atualmente no Congresso Nacional. No país, alguns Estados celebram casamentos civis de casais gays, mas muitos outros afirmam que isso só poderia acontecer se o Legislativo editar uma lei específica sobre o assunto.

A única conselheira a votar contra a resolução proposta por Barbosa foi Maria Cristina Peduzzi, para quem a regra não poderia ser estabelecida pelo CNJ sem uma previsão legal.

Quando o Supremo analisou a união estável entre homossexuais, alguns ministros chegaram a afirmar que, na prática, ao reconhecer a igualdade em relação aos heterossexuais, o tribunal também estava reconhecendo o direito ao casamento civil.

Outros, no entanto, argumentavam que isso não havia sido especificamente tratado e deveria ser avaliado pelo Congresso ou em outra decisão do próprio tribunal.

Fonte: Folha de São Paulo, 14/04/2013

Cartório agora é obrigado a celebrar casamento gay
Nova resolução do CNJ obriga cartórios de todo o país a celebrar casamentos de pessoas do mesmo sexo. Decisão ainda pode ser questionada no STF

São Paulo – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou nesta terça-feira resolução que proíbe os cartórios do Brasil de se recusarem a celebrar casamento civil entre gays e converter união estável em casamento.

De acordo com o CNJ, a resolução funciona como reforço à decisão de 2011 do Supremo Tribunal Federal (STF) de liberar a união estável homoafetiva. Desde então, o problema para casais do mesmo sexo ficava na hora de oficializar o casamento.

Isso acontecia porque os cartórios são subordinados aos Tribunais de Justiça de cada estado, que vinham adotando diferentes posições sobre a questão, obrigando muitos casais a ingressarem na justiça.

Apenas os TJs de doze unidade da federação (Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Piauí, São Paulo, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia, Santa Catarina e Distrito Federal) orientavam os cartórios a celebrar as uniões. 

Com a decisão do CNJ, nenhum cartório no Brasil terá opção de se recusar a celebrar o casamento civil homoafetivo ou a conversão de união estável em casamento.

Segundo o texto da resolução, qualquer recusa "implicará em imediata comunicação ao respectivo juiz corregedor para as providências cabíveis".

A aprovação pelo CNJ de uma medida que, na prática, libera o casamento gay, ocorre antes da análise de projeto semelhante no Congresso Nacional. Uma das conselheiras do CNJ votou contráriamente à resolução alegando justamente que caberia ao Legislativo aprovar a medida.

A decisão ainda pode ser contestada no STF e só passa a valer após publicação no Diário de Justiça, o que ainda não tem data para acontecer.

Fonte: Exame, 14/04/2013

CNJ determina que cartórios têm de fazer casamento gay
Com resolução, cartórios também ficam proibidos de recusar a conversão de uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo em casamento civil

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, na manhã desta terça-feira, uma resolução que proíbe os cartórios de se recusarem a realizar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. A decisão também os obriga a aceitar os pedidos de conversão de uniões estáveis em casamentos. Atualmente a concessão do direito fica a critério de cada cartório e muito casais precisavam levar seus pedidos à Justiça. A decisão ainda pode ser contestada no Supremo Tribunal Federal (STF).

O texto diz que "é vedada às autoridades competentes a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento entre pessoas de mesmo sexo". E acrescenta que, se houver recusa dos cartórios, será comunicado o juiz corregedor para "providências cabíveis".

A proposta foi apresentada pelo presidente do CNJ, Joaquim Barbosa, que também preside o STF, e aprovada por 14 a 1. A conselheira Maria Cristina Peduzzi foi a única a votar contra a aprovação da resolução, sob o argumento de que, para permitir o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, o Congresso teria de aprovar um projeto de lei. Há projetos em tramitação no Congresso sobre o tema.

Uma das justificativas apresentada por Barbosa na proposta de resolução é tornar efetiva decisão do STF de maio de 2011 que reconheceu a união civil entre homossexuais, assegurando a eles os mesmos direitos dos casais heterossexuais. Apesar de ser um grande passo, a falta de regulamentação fazia com que os pedidos em cartórios fossem avaliados caso a caso, e muitas vezes um juiz precisava autorizar ou não o casamento – resultando em decisões diferentes pelo país. Os Tribunais de Justiça de alguns estados, como São Paulo, já haviam determinado aos cartório a aceitação dos pedidos de conversão de uniões estáveis em casamentos civis.

A resolução passa a valer a partir da publicação do Diário de Justiça, o que ainda não tem data definida.

Fonte: Veja, 14/04/2013

CNJ obriga cartórios a converterem união estável gay em casamento
Resolução tira poder dos juízes para decidir sobre assunto. Quem não cumprir, poderá ser punido

Gustavo Gantois
Direto de Brasília

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou nesta terça-feira resolução que obriga os cartórios de todo o País a converterem uniões estáveis homoafetivas em casamentos civis. Com a decisão, os homossexuais que não tiverem seus pedidos de casamentos oficializados poderão comunicar o caso ao juiz corregedor do Tribunal de Justiça local, que avaliará punições aos cartórios.


“A recusa implicará imediata comunicação ao respectivo juiz corregedor para providências cabíveis”, aponta o texto da resolução, proposta pelo presidente do CNJ, ministro Joaquim Barbosa, e aprovada por 14 votos a um pelo colegiado.

Barbosa afirmou que a decisão serve para dar efetividade ao julgamento realizado em 2011 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que acabou liberando a união estável homoafetiva. Apesar de o instituto estar liberado, ainda cabe ao juiz responsável decidir pela conversão em casamento. Agora, a decisão será administrativa e tomada dentro dos próprios cartórios, sem a interferência direta dos magistrados.

Saiba Mais

“O conselho está removendo obstáculos administrativos à efetivação de decisão tomada pelo Supremo e que é vinculante [deve ser seguida pelas instâncias inferiores]”, completou Barbosa.

A decisão do CNJ valerá a partir da publicação no “Diário de Justiça Eletrônico”, o que ainda não tem data para acontecer.

Fonte: Terra, 14/04/2013

Globo News

Show no Circo Voador: Artistas contra o preconceito no Rio

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Show no Circo Voador mobiliza artistas contra o preconceito
Caetano, Ney, Frejat, Zélia e outros grandes nomes da MPB lançam campanha da coordenadoria especial da Diversidade Sexual

Por Sílvio Essinger
RIO - Espelhando-se em outras mobilizações públicas envolvendo grandes artistas da música brasileira, como a do movimento Diretas Já, em 1984, a coordenadoria especial da Diversidade Sexual da prefeitura prepara um evento especial para lançar sua campanha anual Rio Sem Preconceito. Na próxima quarta-feira, dia 15, às 21h30m, um show reúne, no palco do Circo Voador, nomes como Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Frejat, Fernanda Abreu, Zélia Duncan e Preta Gil para cantar contra todas as formas de discriminação, com uma banda arregimentada pelo percussionista e cavaquinista Pretinho da Serrinha.

— Em função do que está acontecendo no país, a gente quis que a campanha falasse de preconceito como um todo, e que englobasse todas as formas de arte — conta o coordenador especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio, Carlos Tufvesson. — A questão da homofobia está sendo demonizada, com um discurso que pouco tem a ver com a realidade. Queremos mostrar que o mesmo preconceito que eu, por exemplo, sofro como gay, é o que sofre uma criança obesa na escola. É um espetáculo para lembrar que todos somos responsáveis pela mudança. Se você não se preocupar com o preconceito, ele vai chegar até você.

Segundo Tufvesson, nada foi por acaso. Nem a escolha do local para sediar o evento, o velho Circo Voador (espaço fechado pelo poder público em 1997, depois de um entrevero entre o vocalista dos Ratos de Porão, João Gordo, e o então recém-eleito prefeito Luiz Paulo Conde), nem a do elenco (composto por artistas notoriamente ligados, seja nas canções ou na atuação política, à defesa das liberdades individuais) nem a data, que está entre o dia 13 (da Abolição da Escravatura) e o 17 (Dia Internacional contra a Homofobia).

Ingressos no Facebook

— Todos estão participando de maneira voluntária, são cidadãos expressando seus direitos civis — diz o coordenador. — Não há mais tanques nas ruas, mas os índices dos crimes de ódio estão em alta. Cabe aos cidadãos suscitar uma nova discussão, principalmente sobre se devemos ou não aceitar que pessoas imponham suas regras pessoais como políticas públicas.

— O Rio de Janeiro sempre foi uma cidade progressista e referência de convivência das diferenças para o resto do Brasil. Está na hora de reafirmarmos isso — defende Roberto Frejat.

— Quando fui convidada para participar do evento, aceitei prontamente — diz a cantora Preta Gil, que fez da canção “Sou como sou”, muito popular em seus shows, um hino contra a intolerância e a discriminação. — Desde sempre, estive na luta contra todos os tipos de preconceito. Sou carioca e não podia deixar de estar junto nesse momento tao significativo. Será uma honra participar ao lado de artistas tão respeitados, juntos pela mesma causa.

— Sou negro, e vivo num país em que não é fácil ser negro. Existe um preconceito que não é evidente, mas que você percebe nas falas, nas atitudes das pessoas. Então, eu estou junto, essa era uma causa que eu tinha que apoiar — explica Pretinho da Serrinha, que montou uma banda básica para acompanhar os artistas em suas músicas. — Como não vai dar pra reunir todos os cantores para os ensaios, pedi as músicas com os tons e peguei uma turma de músicos que já se conhece, que é para não ter complicação na hora.

No repertório da festa haverá muitas músicas que de alguma forma falam de liberdade ou tocam no tema do preconceito, como “Gatas extraordinárias” e “Meu corpo quer você” (com Preta Gil), “Toda forma de amor” e “Imorais” (com Zélia Duncan). Os ingressos serão oferecidos através de um concurso cultural promovido pela página da CEDS-Rio o Facebook (https://www.facebook.com/CEDSRIO).

Fonte: O Globo, 9/05/13

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