F comme Femme - M de Mulher

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012 1 comentários


Por Míriam Martinho

F comme Femme foi um sucesso do cantor e compositor belga-italiano Salvatore Adamo no fim dos anos 60, em 1968 mais precisamente. Eu estava entrando na adolescência e não entendia nada de francês nem de mulher, mas já achava ambos lindos.

Continuo não entendendo nada de francês, só o instrumental, e embora meu conhecimento de mulheres tenha melhorado bastante com o tempo, não saberia dizer o quanto entendo destes meus inesgotáveis objetos de desejo. Quem sabe não sempre fui um homem preso no corpo de uma mulher... rsss

De qualquer forma, continuo achando ambos lindos: o idioma francês e a mulher. Por isso, num momento sessão nostalgia, postei um vídeo com a música (com cenas do Adamo), a letra original e uma tradução que parece apropriada.

Como também femme para nós, por um empréstimo via inglês, é aquela senhorita que faz par com a butch, quem quiser encarar uma dupla leitura da chanson que fique à vontade. Bon appetit!

F comme Femme

Elle est éclose un beau matin
Au jardin triste de mon coeur
Elle avait les yeux du destin
Ressemblait-elle à mon bonheur ?
Oh, ressemblait-elle à mon âme ?
Je l'ai cueillie, elle était femme
Femme avec un F rose, F comme fleur

Elle a changé mon univers
Ma vie en fut toute enchantée
La poésie chantait dans l'air
J'avais une maison de poupée
Et dans mon coeur brûlait ma flamme
Tout était beau, tout était femme
Femme avec un F magique, F comme fée

Elle m'enchaînait cent fois par jour
Au doux poteau de sa tendresse
Mes chaînes étaient tressées d'amour
J'étais martyre de ses caresses
J'étais heureux, étais-je infâme ?
Mais je l'aimais, elle était femme

Un jour l'oiseau timide et frêle
Vint me parler de liberté
Elle lui arracha les ailes
L'oiseau mourut avec l'été
Et ce jour-là ce fut le drame
Et malgré tout elle était femme
Femme avec un F tout gris, fatalité

À l'heure de la vérité
Il y avait une femme et un enfant
Cet enfant que j'étais resté
Contre la vie, contre le temps
Je me suis blotti dans mon âme
Et j'ai compris qu'elle était femme
Mais femme avec un F aîlé, foutre le camp

Salvatore Adamo

M de Mulher
Ela desabrochou numa bela manhã
No jardim triste de meu coração.
Trazia os olhos do destino,
Assemelhava-se a minha felicidade?
Oh, ela se parecia com minha alma?
Eu a colhi, ela era mulher,
Femme como "f" rosa, como flor.

Ela transformou meu universo,
Encantou toda a minha vida,
A poesia cantava no ar,
Eu tinha uma casa de bonecas.
E em meu coração ardia minha chama,
Tudo era belo, tudo era mulher," femme" com um "f" mágico,
"f" de fada.

Ela encantava-me cem vezes por dia
Com o doce arrimo de sua ternura.
Minhas cadeias estavam trançadas pelo amor,
Eu era mártir de suas carícias.
Eu era feliz... e seria eu um infame?
Mas eu a amava, ela era mulher.

Um dia, o pássaro tímido e débil
Veio falar-me de liberdade.
Ela arrancou-lhe as asas,
O pássaro morreu com o verão.
Naquele dia fez-se o drama
E, apesar de tudo, ela era mulher,
Femme com um "f" todo cinzento, de fatalidade.

Na hora da verdade
Havia uma mulher e uma criança,
Aquele menino em que eu me convertera
Contra a vida, contra o tempo.
Estou encolhido dentro de minha alma
E compreendi que ela era mulher.

tradução de Marysa Alfaia


Publicado originalmente em Contra o Coro dos Contentes em 24/09/08

Parecer integral de deputado-pastor favorável ao projeto de "cura gay"

terça-feira, 11 de dezembro de 2012 0 comentários

Pastor-deputado dá parecer favorável
 a repatologização da homossexualidade 
O deputado federal e pastor Roberto Lucena (PV-SP) deu parecer favorável ao projeto PDC nº 234/2011, de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), que visa permitir a profissionais da Psicologia “curar” homossexuais de sua orientação sexual, o que mantém o projeto em tramitação no Congresso Nacional.

Em seu parecer, publicado nesta segunda-feira, 10 de dezembro, o relator repete as balelas evangélicas que visam repatologizar a homossexualidade e capricha nos sofismas. Destaque, no trecho abaixo, para a avaliação de que seria autoritária a posição do CFP de combater o charlatanismo desses ditos psicólogos  cristãos que querem "ajudar" pacientes desejosos de deixar a atração sexual por pessoas do mesmo sexo. Considerando que tal coisa é impossível, não é difícil avaliar os danos psicológicos causados a quem, infeliz pelos preconceitos e discriminações que sofre, cai nas mãos desses vigaristas. Segue também o parecer na íntegra após o destaque. Aproveite para Assinar a petição do Conselho Federal de Psicologia pelo respeito e tolerância à diversidade sexual. 

...nenhum paciente... apresentando qualquer desordem/transtorno sexual, resultante de preferência sexual ou orientação sexual ou qualquer outra, deve ser cerceado do direito à atenção psicológica, desde que seja uma decisão voluntária, seja qual for a razão que o tenha motivado a buscar apoio junto ao profissional da Psicologia.

Fica claro que a proposição que ora analisamos apenas propõe que se sustem os excessos evidenciados nos dois dispositivos referidos, por nada ter a opor ao intuito da Resolução do Conselho Federal de Psicologia de impedir a ação autoritária e preconceituosa do psicólogo com seu cliente, como se depreende da leitura do supracitado art. 3º, quando este deseja deixar a atração sexual por pessoas do mesmo sexo.

Dessa forma, o PDC nº 234/2011 objetiva, apenas, impedir que o Conselho exerça uma ação coercitiva e de censura com os psicólogos, especialmente em suas manifestações públicas. Procura, assim, garantir o livre exercício da profissão e o inalienável direito de expressão, fundamentos basilares de um Estado democrático.

Identifica-se, portanto, um posicionamento altamente coerente na proposta em análise. Seu maior mérito está em oferecer uma relevante contribuição para impedir que prosperem, nesta área tão sensível, posições extremadas e autoritárias, que nada colaboram para o melhor enfrentamento deste tema tão importante para o ser humano que é a sua sexualidade.

Por mais que o Conselho Federal de Psicologia afirme que os homossexuais em conflito com sua orientação sexual podem ser atendidos e ajudados pelos profissionais, acolhemos a proposição em tela propondo a sustação dos efeitos dos arts. 3º e 4º da Resolução nº 01/99 do Conselho Federal de Psicologia entendendo que o órgão representativo deverá reescrever este texto de forma que fique claro que a assistência não deverá ser negada, e que assim se diminua, definitivamente, a distância entre a regra e a aplicação da regra.

Assine a petição do Conselho Federal de Psicologia pelo respeito e tolerância à diversidade sexual. 


Últimas notícias sobre o caso de André Baliera, vítima de heterrorismo

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 0 comentários

Além do inquérito policial aberto contra Diego Mosca e Bruno Portieri, por tentativa de homicídio de André Baliera, estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP), os acusados também serão processados na esfera administrativa, pela Secretaria da Justiça e Cidadania de São Paulo, com base na lei paulista antihomofobia (10.948/2001), e poderão ser condenados a pagar multa que varia de 1.000 Ufesp´s (R$ 18 mil) a 3.000 Ufesp´s (R$ 54 mil).

Também Bruno Portieri perdeu o ponto de sua loja nas dependências da Peralta Fitness por conta de sua agressão contra André Baliera. A gerência da academia localizada na Chácara Flora afirmou, em sua página do Facebook, que, indignada com o ocorrido e por repudiar qualquer tipo de agressão, homofóbica ou de qualquer outro tipo, não mais queria o aluno dentro da empresa.  

Ainda, o próprio André gravou depoimento em vídeo onde clama por justiça e denúncia que seus agressores estão tentando culpá-lo pela violência que sofreu. Segue o vídeo abaixo:

Diante de uma tentativa de homicídio, diante das mentiras que tenho lido a meu respeito pelo advogado do outro lado, diante da solidariedade das pessoas que entraram em contato comigo e em um sincero pedido de desculpas pela ausência nesses dias horrorosos que tenho vivido fiz esse vídeo pra conseguir atingir o maior número de pessoas e pedir JUSTIÇA.
 
Com informações do UOL e do blog VIPADO

Como combater os injustos sem se parecer com eles em dois vídeos

sábado, 8 de dezembro de 2012 2 comentários

Transeunte rasga banner de manifestantes da TFP contra o casamento LGBT

Por Míriam Martinho

Uma das principais críticas aos movimentos sociais, principalmente por sua vertente politicamente correta, é de que seus membros se fazem de vítimas o tempo inteiro, colocando-se como ofendidos por qualquer coisa, da mais banal a mais séria. Parte dessa crítica é procedente. Há mesmo muito "ofendidismo" circulando nos diferentes tipos de ativismo, e, como diria Hegel, quem exagera no argumento prejudica a causa.

Entretanto, algumas das forças políticas que criticam esse ativismo "excessivamente sensível" por acaso agem de forma diferente? Não se fazem de vítimas aqueles que na verdade, com base em dogmas religiosos, vivem perseguindo, por exemplo, homossexuais, lutando contra a igualdade de direitos entre as pessoas em nome de bíblias, famílias e outras tantas? Saem pregando a discriminação e posam de vítimas!? Posam sim.

No vídeo abaixo, membros da Tradição Família e Propriedade dos EUA (TFP), em campanha contra o casamento LGBT em ruas e universidades americanas (por aqui eles também saem com seus estandartes mofados), foram alvo de vários tipos de reação negativa de transeuntes, das símbólicas às físicas, o que lhes deu aval para se colocarem como pobrezinhos.

Naturalmente, a hipocrisia dessa gente faz o sangue de qualquer um(a) ferver, mas ataques contra esses tipos, sobretudo físicos, só os beneficiam. Depois eles fazem uma compilação das reações agressivas das pessoas, indignadas contra sua lixeira religiosa, como no vídeo abaixo, e posam de vítimas, falando com voz calma e postura tranquila que - tadinhos - os LGBT é que são intolerantes e contrários à liberdade de expressão. E essa imagem cola!

Quem já praticou alguma arte marcial sabe muito bem que para vencer uma luta não basta técnica mas sobretudo precisa-se de controle emocional. Campeões mantêm a cabeça fria, o coração, ameno. Aliás, a raiva é a maior inimiga do bom senso em geral. O ativismo LGBT precisa fazer um pouco de psicodrama antes de enfrentar essa conservalha pelo visto tanto nos EUA quanto no Brasil.

Nos tempos do movimento pelos direitos civis dos negros americanos (1955-1968), os ativistas, influenciados pelo pacifismo de Gandhi, faziam manifestações não-violentas contra o racismo, como os célebres sit-ins. Entravam nos lugares só para brancos, sentavam-se e lá ficavam sem serem atendidos ou sem reagir às agressões e às prisões que acabaram ocorrendo. Eles treinavam para isso, e deram fim, no médio prazo, à infame segregação pela via dessas ações.  Por isso, deixo também um vídeo sobre os sit-ins daquela época à guisa de recordação de um bom tempo onde os oprimidos sabiam se distinguir claramente de seus opressores. Quem sabe a lembrança não sirva de inspiração para se repensar formas mais justas de agir contra os injustos nos dias de hoje. Na base do olho por olho, como diz um ditado, todo mundo acabará cego.

Assine petição para pressionar os deputados da Comissão de Seguridade Social e Família a votar contra projeto de "cura gay"

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012 0 comentários


Deputados querem revogar uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) para permitir "terapias de reversão sexual". A prática clínica da "cura gay" tem sido criticada no mundo todo, por tratar a homossexualidade como doença (coisa que não é admitida nos meios acadêmicos, nem pela OMS) mas que mesmo assim ainda ocorrem, e em alguns casos, com graves denúncias de intervenções psicológicas visando à “reversão”, internação compulsória, agressão e até mesmo tortura. A população brasileira não precisa disso, não precisamos de práticas que incentivem a descriminação.

A resolução do CFP 01/99 visa alertar para os riscos e problemas das chamadas "terapias de reversão sexual"; na maioria das vezes, tais terapias são conduzidas e divulgadas por pessoas ligadas a grupos que não aceitam a homossexualidade, por vezes ligados a entidades religiosas, predominantemente influenciados por valores e crenças moralizadoras.

Não há nenhuma evidência científica – estudada pela Psicologia, Medicina ou por qualquer das disciplinas do campo da Saúde – que apoie a ideia defendida no projeto, portanto, qualquer tentativa de tratamento que vise à “cura da homossexualidade” estará embasada em pontos de vista unilaterais, enviesados e calcados na moralidade de quem defende a proposta, indo contra tudo o que tem sido defendido pelas principais entidades mundiais que estudam o tema: American Psychological Association (APA), American Psychiatric Association e a própria OMS.

Veja o que diz a resolução do Conselho Federal de Psicologia que os deputados querem revogar:

● "Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas.

● Os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.

● Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades".


Veja o Projeto de Decreto Legislativo 234/2011 na integra.

Para: 
Comissão de Seguridade Social e Família (Deputados) 
Dep. Amauri Teixeira PT/BA 
Dep. Angelo Vanhoni PT/PR 
Dep. Benedita da Silva PT/RJ 
Dep. Nazareno Fonteles PT/PI 
Dep. Rogério Carvalho PT/SE 
Dep. Darcí­sio Perondi PMDB/RS 
Dep. Geraldo Resende PMDB/MS 
Dep. Nilda Gondim PMDB/PB 
Dep. Osmar Terra PMDB/RS 
Dep. Saraiva Felipe PMDB/MG 
Dep. Teresa Surita PMDB/RR 
Dep. Eduardo Barbosa PSDB/MG 
Dep. Marcus Pestana PSDB/MG 
Dep. William Dib PSDB/SP 
Dep. Cida Borghetti PP/PR 
Dep. José Linhares PP/CE 
Dep. Fábio Souto DEM/BA 
Dep. Lael Varella DEM/MG 
Dep. Mandetta DEM/MS 
Dep. Maurício Trindade PR/BA 
Dep. Neilton Mulim PR/RJ 
Dep. Alexandre Roso PSB/RS 
Dep. Ribamar Alves PSB/MA 
Dep. Dr. Jorge Silva PDT/ES 
Dep. Sueli Vidigal PDT/ES 
Dep. Antonio Brito PTB/BA 
Dep. Celia Rocha PTB/AL 
Dep. Jandira Feghali PCdoB/RJ 
Dep. João Ananias PCdoB/CE 
Dep. Jhonatan de Jesus PRB/RR 
Dep. Dr. Paulo César PSD/RJ 
Dep. Eleuses Paiva PSD/SP 
Dep. Walter Tosta PSD/MG 
Dep. Rosinha da Adefal PTdoB/AL 

Pedimos que seja retirado de pauta e encerrado o PDL 234/2011, projeto para revogar a Resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia contra tratamentos de "reversão sexual", também conhecido como "cura gay". O projeto desrespeita a autonomia do Conselho Federal de Psicologia, respeitado órgão profissional, entidade legitimada pelo poder público para regulamentar o exercício profissional. O Projeto desafia a sua autoridade do CFP sobre o tema, não apresenta qualquer embasamento teórico-técnico e posiciona-se a partir de uma perspectiva moral, e não ética. O projeto desconsidera as correntes científicas atuais, que são explicitamente contrárias a qualquer terapia de "cura" ou "tratamento" para a homossexualidade, já que esta não constitui doença. 

Solicitamos, portanto, que os senhores, em respeito aos direitos da população de se socializar em mundo que reconheça e valorize as diferenças, promovam mais uma ação de combate ao preconceito e à discriminação no Brasil, ao envidarem todos os esforços necessários para não permitir a aprovação do referido Projeto.

Atenciosamente, 
[Seu nome]

Casal de mães lésbicas poderá oficializar casamento nos EUA

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012 0 comentários

Rene Watkins, a filha Lillian e Lauren Debelius

Casal de mães lésbicas formam família 'como as outras' nos EUA

"Somos uma família como outra qualquer", dizem enquanto cozinham Rene e Lauren, duas jovens lésbicas, mães e recém-casadas, graças a um novo direito em Maryland (este), que esperam que seja aplicado em todo os Estados Unidos em um futuro próximo.

"É fantástico! Vamos nos casar logo", comemora em declarações à AFP Rene Watkins, de 28 anos, uma baixinha de cabelos castanhos, ao começar a preparar um bolo com sua filha, Lillian, de dois anos, que decide "mexer" a mistura.

Há dez anos René Watkins conheceu Lauren Debelius, de 30 anos, quando as duas eram estudantes, e agora moram com a filha, Lillian, em uma casinha nos subúrbios de Baltimore, em Maryland.

Este estado perto de Washington é um dos três, junto com o Maine (nordeste) e Washington (noroeste), a aprovar por meio de referendo, em 6 de novembro, a legislação que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

E a Suprema Corte, a mais alta instância jurídica americana, pode logo examinar o tema, o que desperta a esperança entre as associações de homossexuais de que o casamento entre pessoas do mesmo seja autorizado em nível nacional.

Rene, que trabalha em uma associação, e Lauren, corretora de seguros, tinham organizado em 2006 uma cerimônia de noivado, mas a partir do ano que vem serão oficialmente casadas, como permite a lei que começará a vigorar em 1º de janeiro de 2013.

Na América Latina, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é autorizado na Argentina desde 2010 e na Cidade do México desde 2009, enquanto a Câmara de Deputados uruguaia prevê votar em 11 de dezembro um projeto de lei sobre o "casamento igualitário".

"É importante para nós e para nossa família", diz Rene, destacando que "o casamento permite que o casal esteja protegido. É uma vantagem enorme", assegura.

E será ainda mais para a família formada pelas duas mulheres com sua filha, concebida por inseminação artificial e que Rene levou no ventre: "Até Lillian nascer, Lauren não tinha nenhum direito legal sobre ela. Tivemos que iniciar um processo de adoção, contratar um advogado, redigir testamentos... E consultar um psicólogo!".Um quebra-cabeça

Quando o próximo filho vier, "Lauren não terá que adotá-lo": os "dois nomes aparecerão na certidão de nascimento", diz Rene, consciente também das vantagens fiscais para casadas e da reversão de um seguro de vida.

No entanto, "nossos direitos cessam quando sairmos de Maryland", disse Lauren, contando que "sua mãe vive no estado vizinho da Pensilvânia. Se Rene tiver que ser hospitalizada de emergência, perante a lei local não sou membro de sua família, portanto não posso visitá-la".

É o novo quebra-cabeça dos casais do mesmo sexo casados - cerca de 130.000 - nos estados em que o casamento homossexual é ou vai ser legal (Maryland, Maine, Washington, Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Vermont, Nova York e Washington, capital federal).

"Maryland é progressista. Somos uma família como as outras", mas "temos amigos gays que moram no Wisconsin", onde "podem ser mal vistos e não têm as mesmas garantias", lamentou Rene.

Por esta razão, Rene e Lauren ficariam encantadas se a Suprema Corte estudar o tema. Segundo pesquisa da Universidade de Quinnipac, publicada esta quarta-feira, um número crescente de americanos (48%, quando em 2008 eram 38%) se declararam a favor do casamento gay, enquanto o percentual daqueles que se opõem a ele baixou (46% contra 55% em 2008).

Tabatha Kamman, heterossexual, casada e mãe de Cooper, de dois anos e meio, é uma das amigas do casal: "As pessoas dizem, em geral, 'Olha, Lillian tem duas mães'. Em seguida emendam: 'Que bom!'. E a conversa termina aí".

"Elas querem o mesmo que nós", avalia Mia Capen, mãe de Camilla: "Ter uma vida linda e cuidar da filha".

Fonte: AFP

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