Um Outro Olhar
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
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André Cardoso Baliera: agredido gratuitamente por ser gay
André Cardoso Balieira foi agredido por dois homens na zona oeste de São Paulo (rua Henrique Schaumann, Pinheiros) por volta das 19:00 de ontem (3). De acordo com uma das testemunhas que viu a cena ao sair do trabalho, a vítima andava pela calçada com fone de ouvido quando rapazes, dentro de um carro, começaram a insultá-la.
Como André retrucou, os agressores desceram do automóvel e passaram a agredi-lo. Os suspeitos foram detidos e indiciados por tentativa de homicídio. Segundo testemunhas, ataque teria motivação homofóbica.
Em declaração à CBN, tia do rapaz diz não ter dúvidas de que a agressão foi homofóbica. Ainda segundo a CBN, transeuntes tentaram linchar os agressores, sendo contidos pela PM. Vejam abaixo vídeo e áudio sobre o caso.
Um Outro Olhar
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
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Algum distúrbio psicológico eles têm
A Associated Press retirou de seu Style Book (livro de estilo), entre outros, os termos “homofobia,” “Islamofobia” e “limpeza étnica”, alegando serem imprecisos.
O Style Book agora determina que palavras compostas pelo sufixo “-fobia” não devem ser usadas em "contextos políticos e sociais", devendo se referir somente à forma de doença mental caracterizada pelo medo irracional, incontrolável, de alguma coisa. “Limpeza étnica", por sua vez, passa a ser considerado um eufemismo que “deve vir entre aspas, claramente indicado e explicado.” Segundo Dave Minthorn, editor de normas de redação da AP:
“'Limpeza étnica" é um eufemismo para atividades bastante violentas, "fobia" é o termo médico-psiquiátrico para uma grave doença mental. Estes termos tem sido usados de forma genérica, e concluímos que isso não é adequado. Sobretudo em relação ao termo "homofobia" tem havido muitas extrapolações. Chamar alguém de homofóbico significa lhe imputar uma deficiência mental, algo que não temos como confirmar. Sendo o caso, em vez desse termo, passaremos a usar outros mais neutros como anti-gay ou algo equivalente. Queremos ser mais precisos e neutros em nossa redação.”
O pai da palavra “homofobia,” Dr. George Weinberg, que cunhou o termo em seu livro Society and the Healthy Homosexual (Sociedade e o Homossexual Saudável, 1972), não concorda com a decisão da AP:
Para os conselhos municipais e outras pessoas, com quem comentei sobre essa decisão da AP, o termo faz toda a diferença. Resume todo um sentimento e ponto de vista. Disseminar a palavra foi difícil, como pode imaginar. Até me custou ameaças de morte. A homofobia é sempre baseada em medo? Pensava e continuo pensando que sim. Pode ser baseada em inveja também em alguns casos. Mas essa é uma questão psicológica. Todo o cão que rosna o faz por medo? Provavelmente. Mas isso não importa no caso. O fato é que não temos um outro termo para o que buscamos descrever com "homofobia", e a palavra já se tornou bem conhecida (inclusive dicionarizada).
E você o que acha? Concorda com a decisão da Associated Press, em sua busca de precisão, ou acredita que o termo "homofobia" faz jus à falas de alguns pastores evangélicos, sobre a homossexualidade, inclusive em seu sentido técnico de doença mental?
Um Outro Olhar
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
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Encontro com Fátima Bernardes
Dois vídeos mostram que, apesar dos conservadores, sobretudo religiosos, e sua cabeça tacanha, a mentalidade inclusiva se expande no Brasil.
O primeiro, do programa Encontro com Fátima Bernardes, apresenta um casal de mulheres, juntas há 10 anos, que fala de sua vida e luta contra os preconceitos.
O segundo, da RBS TV, Matéria Jornal do Almoço, apresenta mães, seus filhos homossexuais e o processo de aceitação mútua entre eles.
No geral, o tom de ambos os vídeos é da validade da luta contra a discriminação e da superação do preconceito pelo afeto. São demonstrações de que os conservadores ladram - e alto - mas a humanidade passa!
Um Outro Olhar
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
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Debatedores divergem sobre abordagem psicológica da homossexualidade
Reportagem – Maria Neves Edição – João Pitella Junior
No debate, foram abordados temas como critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Em audiência tumultuada na Comissão de Seguridade Social e Família, nesta terça-feira (27), com participantes quase expulsos diversas vezes, debatedores ligados a igrejas evangélicas e a movimentos de defesa dos direitos dos homossexuais discordaram, em praticamente tudo, sobre a oferta de tratamento para a homossexualidade, proibida pelo Conselho Federal de Psicologia desde 1991. O Projeto de Decreto Legislativo 234/11, do deputado João Campos (PSDB-GO), tema do debate, pretende revogar essa proibição.
Assim como os demais defensores do projeto, João Campos argumentou que a resolução extrapola a competência do conselho e fere a autonomia de psicólogos e pacientes.
Ainda segundo Campos, a medida contraria princípios como o da razoabilidade e do livre arbítrio do ser humano de procurar o profissional que quiser. “Não podemos permitir que essa norma que fere direitos fundamentais persista”, asseverou.
O deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), homossexual assumido e veementemente contrário ao PDC, destacou que a Constituição confere poderes ao Congresso apenas para sustar atos do Executivo que extrapolem sua competência de legislar. “O conselho não integra o Executivo; então, a Câmara não tem competência para revogar [a resolução]”, afirmou.
Já o deputado Pastor Eurico (PSB-PE) disse haver “psicólogos reclamando da resolução, que os impede de fazer seu trabalho”. Esse também foi um argumento utilizado pelo pastor Silas Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo. “Todo paciente adulto com saúde mental tem direito de decidir sobre seu próprio corpo”, asseverou. De acordo com Malafaia, a resolução do conselho deve ser “jogada no lixo”.
Tendência internacional
O presidente do Conselho Federal de Psicologia, Humberto Cota Verona, ressaltou que a Resolução 1/99, alvo do projeto de João Campos, “está afinada à posição internacional de não reconhecer a homossexualidade como doença, mas como uma das possibilidades de expressão da sexualidade humana”. Desde 1991, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade do rol de doenças.
Verona lembrou que a Lei 5766/71 estabeleceu, ao criar o conselho, que ele “tem poder supremo único” para definir o limite de competência do exercício profissional. “Para que servem então os conselhos e o que fazer das leis que os criaram e definiram suas funções?” questionou.
Porém, a psicóloga Marisa Lobo Alves defendeu mudanças na resolução para que as pessoas possam “receber ajuda quando a procurarem”. Segundo ela, existem, sim, ex-homossexuais. Dentre as causas que levam alguém a pensar que é homossexual sem ser, a profissional afirma estar o abuso na infância. “Ele pode ter comportamento semelhante ao de travesti como forma de defesa ou de compensar marcas decorrentes”, afirmou.
Honestidade
Já as deputadas Erika Kokay (PT-DF) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) pediram “honestidade no debate”. Feghali ressaltou que a resolução apenas proíbe o tratamento como patologia de comportamentos ou de práticas homoeróticas, assim como terapias não solicitadas.
Ela avaliou que, no debate, todos concordaram que qualquer pessoa com dificuldades pode procurar um psicólogo. “Ou todos concordam que há convergência de opinião ou explicitem o conteúdo homofóbico das suas posições”, sustentou.
Kokay ressaltou que a resolução 1/99 somente reafirma princípios adotados pela OMS, segundo a qual homossexualidade não é doença e, portanto, não pode ser tratada. “Alguns querem esconder seus argumentos homofóbicos em outros argumentos que não se sustentam; nós precisamos ter honestidade”, afirmou.
Para o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Toni Reis (ABLGBT), o PDC tem de ser “imediatamente” arquivado. “Se [homoafetividade] for doença, todos têm de ter aposentadoria compulsória”, argumentou.
Para assistir a vídeo, clique na seta abaixo.
Para assistir outros trechos do evento, clique aqui
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terça-feira, 27 de novembro de 2012
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A Comissão de Seguridade Social e Família realiza hoje, às 14h30, no Plenário 7, audiência pública para debater o tratamento psicológico da homoafetividade. Os interessados em participar da discussão poderão enviar perguntas por meio do portal e-Democracia. As perguntas serão encaminhadas ao presidente da Mesa, durante a audiência, que se encarregará de fazer os questionamentos aos participantes.
A audiência foi solicitada pelo deputado Mandetta (DEM-MS). O objetivo é debater o Projeto de Decreto Legislativo 234/11, do deputado João Campos (PSDB-GO), que suspende resolução do Conselho Federal de Psicologia que impede os psicólogos de exercer qualquer ação que transforme a orientação sexual de alguém em patologia. Ou seja, pela resolução do Conselho, de 1999, não é possível tratar e tentar curar a homossexualidade. O projeto quer sustar o texto, sob a alegação de que extrapola a competência da instituição.
Apesar de antiga, a norma do Conselho de Psicologia ainda divide opiniões. Na Câmara, o assunto já foi debatido em duas audiências públicas da Comissão de Seguridade, onde o projeto está sendo analisado. O relator é o deputado Roberto de Lucena (PV-SP).
Para esta audiência, foram convidados:
- o pastor Silas Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo;
- o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Toni Reis (ABLGBT);
- o presidente do Conselho Federal de Psicologia, Humberto Cota Verona; e
- a psicóloga Marisa Lobo.
Enviem para os deputados e as deputadas e-mails reivindicando a não aprovação deste projeto absurdo. Abaixo, segue a lista de e-mails dos deputados e deputadas da Câmara Federal:
Um Outro Olhar
domingo, 25 de novembro de 2012
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Luciana (à esquerda), Thaís e seus bebês
Após o desastroso artigo de J. R. Guzzo, Parada gay, cabra e espinafre, onde o autor tentou, por todas as falácias, desqualificar a luta das pessoas homossexuais por igualdade de direitos, sob a desculpa esfarrapada de que estas já não vão presas, portanto, não há mais nada a reivindicar, a VEJA publica, na edição desta semana, matéria de Gabriele Jimenez sobre um estudo feito pelo demógrafo Reinaldo Gregori a respeito de casais homossexuais, tratando o tema novamente com naturalidade, como vinha fazendo até o caprino artigo guzzento. Segue abaixo.
Um novo estudo feito sobre dados populacionais coletados em 2010 mostra uma particularidade dos casais homossexuais brasileiros: eles tendem a ter filhos
por Gabriele Jimenez
Uma das mudanças recentes mais notáveis na sociedade mundial de que o Brasil não ficou de fora é a naturalidade em encarar o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. Estimulados por leis, livros, filmes e novelas que tratam da homossexualidade como um fato da vida, os gays assumem sua orientação sexual sem constrangimento. Há um forte componente de classe nesse fenômeno Quanto mais ricas e mais instruídas são as pessoas, maior tende a ser entre elas a proporção de casais que se declaram gays. Um estudo feito pelo demógrafo Reinaldo Gregori, de são Paulo, tendo como base os dados do Censo 2010, confirma essa percepção — e revela uma surpreendente taxa de casais do mesmo sexo no Brasil que já têm filhos. Eles são 20%, em comparação com os 16% verificados nos Estados Unidos.
O Censo 2010 foi o primeiro levantamento desse tipo feito no Brasil que tinha no formulário a pergunta sobre o sexo do cônjuge. A resposta era optativa. Ainda assim, cerca de 68000 pessoas — 0,18% dos casais — declararam ter um parceiro do mesmo sexo. "O censo mostrou que esse novo arranjo familiar está se tornando menos incomum no Brasil", diz Gregori. É presumível que seja expressivo o número de casais gays que, em 2010, preferiu optar por não revelar sua condição. O censo confirma a tendência de que os casais gays assumidos são mais numerosos entre os níveis sociais mais altos, com escolaridade e renda acima da média brasileira.
Os dados computados pelo demógrafo Gregori mostram que, enquanto apenas 34% dos chefes de família heterossexuais possuem mais de dez anos de estudo, entre os casais homossexuais declarados esse número chega a 67% e seu rendimento médio, de 5 200 reais, é quase o dobro. A musicista Thais Musachí, 26 anos. e a pediatra Luciana Avelar, 38, juntas há cinco anos, encaixam-se perfeitamente nessa amostra, tanto no que se refere à renda e escolaridade quanto na tendência de ter filhos. Elas conseguiram superar as barreiras biológicas à reprodução recorrendo a um banco de esperma. Luciana gestou em seu útero dois embriões. Um deles foi produzido com a junção de um óvulo dela e o espermatozoide doado. O outro óvulo foi retirado de Thais. Elas curtem agora um casal de filhos de 11 meses. Laura é mais parecida com Thais e Lucca lembra mais Luciana. "Para nós, nunca foi importante saber quem gerou quem, nem fizemos exames de DNA para descobrir", diz Thais. que espera uma permissão judicial para colocar na certidão de nascimento das crianças o seu nome ao lado do de Luciana.
O caminho escolhido por Luciana e Thais para terem filhos é complexo, caro e, portanto, menos frequente. O mais comum é adotar. Mas para homossexuais as dificuldades são maiores do que aquelas enfrentadas por casais heterossexuais. Segundo uma pesquisa do Ibope feita no ano passado, 55% dos brasileiros consideram imprópria a adoção por gays. "A ideia prevalente ainda é que os gays são promíscuos e propensos a abusar sexualmente das crianças", diz a psicóloga Mariana Farias, autora de livros sobre o assunto. Mariana lembra que a maioria das pessoas acredita erradamente que, por influência da situação doméstica, as crianças adotadas por gays fatalmente se tornarão homossexuais. Conclui Mariana: "São conceitos desmentidos em estudos científicos, mas que continuam a ter forte influência".
O psicólogo Carlos Henrique da Cruz, 51 anos, e seu parceiro, o professor Wagner da Matta, 49, foram confrontados com toda a carga de preconceito quando tentaram incluir o nome deles no cadastro de adoções em Natal, no Rio Grande do Norte, em 2004. O pedido de inclusão foi negado. "Disseram que nós não poderíamos ser considerados uma família", conta Cruz. Eles conseguiram seu intento dois anos depois, no Recife, mas pelo cadastro individual feito por Cruz. Desde 2006. são pais de Pérola, 11 anos, e Pétala, 9,
As pesquisas apontam para o fato de que os casais gays não fazem as exigências que, em geral, são colocadas como condição para adotar. entre elas que a criança seja ainda um bebé. sem problemas de saúde e da mesma etnia dos futuros pais. Duas decisões tomadas recentemente pela Justiça também contribuem para aumentar a chance de pessoas do mesmo sexo formarem uma família. Em 2010, o Superior Tribunal de Justiça autorizou a adoção de uma criança por um casal de mulheres. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal aprovou a união estável para os homossexuais. A falta de legislação específica ainda deixa espaço para interpretações diferentes, mas a situação começa a mudar. A enfermeira Cecília de Ávila, de 53 anos, de Uberaba. Minas Gerais, havia colocado apenas seu nome nos pedidos de adoção de dois dos quatro filhos que cria com a artesa Ana Cláudia Santos. 45. Por sugestão do próprio promotor, iniciou os outros dois processos junto com Ana.
Claro que não se pode exigir que todas as pessoas reajam com naturalidade diante de casais do mesmo sexo. Embora as estatísticas mostrem crescimento, esse arranjo ainda é novidade para muitos. Faz parte do cotidiano dos casais homossexuais lidar com doses diversas de estranheza. "Quando saímos os quatro juntos, as pessoas olham com muita curiosidade. Na escola nos apresentamos como pais adotivos, sem maiores explicações. Mas as meninas falam abertamente que têm dois pais e alguns coleguinhas acham que é mentira", relata Cruz, o pai de Pérola e Pétala. A artesa Ana Cláudia conta que Laura, a filha mais velha, passou por uma situação difícil. "Uma menina disse que não ia mais ser amiga dela por nossa causa. Informamos a diretora, que conversou com a aluna." Laura, de 10 anos. vive há cinco com suas duas mães e aprendeu a driblar esse tipo de obstáculo. Diz ela: "No começo, sentia um pouco de vergonha, mas hoje eu gosto de contar que tenho duas mães".
Fonte: Veja, n. 48, 28 de novembro, 2012, p. 103-104