Homofobia em alta: preconceituosos vigiam a intimidade alheia

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017 0 comentários

Leonardo Vieira (Foto: Reprodução / Instagram)
Homofobia em alta
O preconceituoso age como se os amores e a intimidade dos outros fossem de sua conta. Não são

Por Walcyr Carrasco

Todo mundo já sabe. O ator foi fotografado em uma festa beijando outro homem. Um fotógrafo clicou. As imagens se espalharam pelos sites de fofocas. Corajosamente, o ator publicou uma carta aberta ao público. Diz que é gay sim. Reage contra a homofobia. Que é estimulada pelos sites e pelas colunas onde se revela a sexualidade de famosos. Mais que isso: frequentemente os colunistas desse tipo são, eles mesmos, gays. Provavelmente com muita dificuldade em sua condição sexual, pois exercem a homofobia contra si próprios. E o público que consome avidamente essas notas também dá uma mostra de preconceito. O que cada um tem a ver com o que o outro faz?

Há anos, declarei à revista Playboy que sou bissexual. Fiz isso em respeito às diversas e muito amadas mulheres que tive em minha vida e que talvez um dia volte a ter. Eu as amei, mas também amei homens. Como escritor, levo uma vida isolada e nunca tive de bater de frente com o preconceito. Escrevi o livro infantil Meus dois pais, que fala sobre um garoto cujo pai tem um companheiro. O livro foi comprado por várias prefeituras para bibliotecas escolares. A família é a estrutura básica da sociedade. Mas muitas crianças têm dois pais ou duas mães, biológicos ou adotados. Haverá cada vez mais famílias assim. E as crianças precisam aprender a lidar com os outros. Lembro aos pais que leem esta coluna: não fiquem de cabelos arrepiados. Se seu filho ou filha abrir o coração a quem é diferente, estará seguindo um fundamento cristão. Amor ao próximo, certo? E estará sendo ético e decente – respeite o direito do outro, se esse direito não interfere nos seus. Conviver com um gay não torna alguém gay. A maioria dos gays vem de famílias de héteros convictos. É ou não é?

A reação a Leonardo Vieira foi preconceituosa e radical. Já observei isso: certa vez uma amiga de mais de 60 anos comentou que se determinado galã da TV fosse gay, seria uma grande decepção. Perguntei:

– O que vale não é o trabalho dele? Ou você tem esperança de algum dia encontrá-lo e vocês se apaixonarem?

Ela pediu desculpas.

A homofobia está em alta. Uma gerente de supermercado em Cravinhos, interior de São Paulo, matou a facadas seu filho de 17 anos, Itaberli Lozano Rosa. O padrasto ajudou a queimar o corpo num canavial. Motivo aparente: o garoto era gay. A mãe confessou. Agora mudou. Alega que o filho era usuário de drogas e a ameaçou. Tios e a avó garantem que não usava. A existência de mães que odeiam filhos devido a sua orientação sexual não é nova para mim. Em Brasília, acompanhei o caso de um rapaz, professor, de família humilde. Quando descobriu a aids, já estava em um processo irreversível. No hospital, a mãe evangélica exigia que ele deixasse de ser homossexual. Ele morreu se culpando. A mãe disse:

– Melhor que tenha morrido que ser gay. Agora está com o Senhor.

É da pensão deixada por ele que a mãe vive hoje.

Por que a orientação sexual de alguém importa tanto para os outros? Do meu ponto de vista, só importaria se eu estivesse apaixonado e quisesse tentar um envolvimento. O preconceituoso se comporta como se os amores de outra pessoa, o que ela faz entre quatro paredes, fosse de sua conta. Não é. Mas sinto um movimento conservador cada vez mais forte.

Como autor de televisão, fui o primeiro a colocar um beijo gay na novela das 21 horas, Amor à vida, pela Globo. Minha antena diz que o clima está menos favorável a esses avanços. Prova disso são os ataques homofóbicos que Leonardo Vieira sofreu após as fotos. Mas um ator não é um ator? Fico com as palavras que ele colocou em seu manifesto, um exemplo lúcido.
Sempre achei que um ator deve ser como uma tela em branco. Ali colocaremos tintas, cores, formas e sentimentos para dar vida a diversos personagens. Respeito, mas nunca concordei com atores que expõem sua vida íntima ou levantam bandeiras ideológicas, exatamente porque no meu entender isso poderia macular essa tela em branco (...). O público passa a ver o ator antes do personagem e para mim isso nunca foi bom. Um dos motivos de nunca ter feito o meu ‘outing’ (assumir a orientação sexual publicamente) foi esse e isso não é uma desculpa. Provavelmente, se eu fosse hétero, manteria a mesma postura em relação a minha vida privada.”
O texto dá um ponto final brilhante ao assunto. Personagem é personagem. Ator é ator. Cada um, em qualquer posição, tem direito a uma vida sexual e amorosa como deseja, porque isso só diz respeito a si mesmo. Cada ser humano tem direito à liberdade e a escolher sua vida. Tudo mais é preconceito.

Fonte: Época, 24/01/2016

Padre excomungado abençoa casamento gay no Recife

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017 0 comentários

O Padre Beto foi excomungado pela Diocese de Bauru, em São Paulo,
após publicar vídeos na internet nos quais discutia abertamente a moral sexual cristã

Padre excomungado abençoa casamento gay no Recife

O lema de que o amor pode surgir entre todos os seres humanos acompanha o padre Roberto Francisco Daniel, 51, mais conhecido como Padre Beto, em todas as cerimônias que celebra. Excomungado da igreja em 2013, por criticar algumas estruturas da Igreja Católica, hoje o sacerdote viaja o Brasil inteiro para celebrar a união entre casais homoafetivos. A última celebração ocorreu no dia 29 de janeiro, no Recife, entre Eliel Alves e Berg Goodman. Para ele, o amor pode surgir entre todos os seres humanos e quem ama não deve ter medo de celebrar esse sentimento.
A moral sexual da igreja precisa ser revisada como um todo, pois enxerga a sexualidade como algo negativo. Sexo não é para procriar, é para dar prazer. Se fosse só para a procriação, as pessoas só transariam duas ou três vezes. O casamento como algo indissolúvel e a impossibilidade de questionar o divórcio também são coisas que precisam ser questionadas. Desse modo, uma pessoa que se divorcia com 30 anos deve passar o resto da vida solteira por ter se separado e sem fazer sexo porque não é casada? Isso é absurdo", declara o Padre Beto, em entrevista ao JC.
O sacerdote foi excomungado em abril de 2013, pela Diocese de Bauru (SP), após ter se recusado a pedir o perdão exigido por seu bispo, que fez o pedido após o padre discutir abertamente a moral sexual cristã, sob a acusação de "ferir a Igreja com suas declarações consideradas graves contra os dogmas da Fé Católica, contra a moral e pela deliberada recusa de obediência ao seu pastor". Na época, a Diocese estabeleceu um prazo para que ele se retratasse e fizesse uma “confissão humilde de que errou quanto a sua interpretação e exposição da doutrina, da moral e dos bons costumes ensinados pela igreja". Ele se negou e foi desligado sendo acusado de "gravíssimo delito de heresia e cisma".

Para o padre, a negação da igreja em aceitar a união homoafetiva só cria ódio entre as famílias e afasta os fiéis.
Fico feliz em poder mostrar para a sociedade que os homossexuais são pessoas que têm o direito de se amarem e serem felizes. A Igreja Católica ainda mantém sua postura absurda de condenar os gays ao celibato. A igreja, ao mesmo tempo que prega o respeito e amor, rejeita e critica casais homoafetivos. A mesma coisa de dizer para um negro, eu aceito a sua cor, mas não a sua negritude. Não é algo santo e afasta as pessoas de Deus, criando o ódio nas famílias", afirma.
Fonte:  JC Online, 24/01/2017

Mulher pede namorada em casamento em museu, e reação de visitante à cena viraliza na internet

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016 0 comentários


Quando Jessica Rodriguez pediu a namorada Chelsea Miller em casamento, não imaginava que o momento se tornaria um viral nas redes. Mas o momento romântico foi testemunhado por uma senhora desconhecida, que ficou tão surpresa que roubou a cena. As informações são do site news.com.au.
Nem notamos que ela estava lá", disse Jessica ao site. "Estávamos vendo as fotos que meu amigo Ed Sanchez fez e descobrimos aquela senhora com a reação fofa".

O pedido de casamento foi feito no Art Institute of Chicago, nos Estados Unidos, e a foto foi publicada pelo irmão de Jessica, Carlos, no Twitter.
Minha irmã pediu a namorada em casamento hoje e olha a reação da senhora", escreveu o rapaz.
Em um dia o post viralizou com mais de 91 mil retuítes e 280 mil curtidas. De acordo com a jovem, cerca de 95% dos comentários e reações à foto têm sido positivos.
Eu acho que estamos progredindo no mundo para sermos mais aceitas. Nós definitivamente agradecemos por isso".
Jessica e Chelsea, que vivem em Chicago, planejam se casar no Texas dentro de um ou dois anos.


Fontes: Extra e Notícias ao Minuto, 19/12/2016

Hamburgueria LGBT inaugurada na Vila Mariana (SP)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016 0 comentários


Hamburgueria gay se inspira na Califórnia e tem altar com Cher e Bowie


Nada de bandeira do arco-íris na entrada. A Castro Burger recebe seus clientes com um "altar", onde há imagens de ídolos da comunidade gay, como Cher, Ney Matogrosso, Elke Maravilha, David Bowie e Laverne Co --atriz transexual da série "Orange is the New Black".

A hamburgueria foi aberta neste mês de dezembro na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo. A casa é voltada ao público gay, mas heterossexuais também são bem-vindos, segundo os donos. O mesmo vale para o quadro de funcionários: há gays, lésbicas, bissexuais, transexuais --e heterossexuais.

As vagas foram divulgadas em sites e grupos no Facebook focados em gays e lésbicas. Foram recebidos mais de 500 currículos e contratados 16 funcionários.
Nossa proposta é de um ambiente sem preconceitos. Queremos promover a diversidade. E a nossa convivência tem sido uma ótima experiência", diz Fausto Almeida, 40, um dos sócios.
Almeida, que é gay, foi quem concebeu o conceito da hamburgueria. Ele compartilhou sua ideia de negócio com o amigo Luiz Felipe Granata, 30, com quem trabalhava em produção de eventos, e viraram sócios. Juntos, investiram cerca de R$ 400 mil. A partir de janeiro de 2018, pretendem levar a empresa a outros lugares por meio de franquias.

Inspiração vem de San Francisco

O nome da casa vem do bairro gay Castro, em San Francisco, cidade da Califórnia (EUA) considerada a capital gay do mundo. Almeida, que é formado em jornalismo e já foi comissário de bordo, morou lá de 2002 a 2005 e diz que se encantou com a cidade.
É uma delícia. Você vê as pessoas convivendo com a diversidade e é tranquilo, é normal. A ideia da hamburgueria é repetir isso aqui."
As referências à cidade e ao mundo gay estão na decoração e no cardápio, elaborado pelo chef João Leme. Há hambúrgueres, saladas, porções, lanches no pão ciabatta e brunch aos finais de semana. 

Os hambúrgueres foram batizados com nomes de atrações turísticas de San Francisco, como Golden Gate (cheeseburger de angus com salada, custa R$ 21,50) e Union Square (hambúrguer de cordeiro com queijo feta, tomate, alface, pepino, cebola e maionese de hortelã, por R$ 35).

Os demais pratos levam nomes de musicais da Broadway, de vilãs icônicas da TV, de músicas consideradas hinos da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) e de gírias do mundo gay, como "A loka", "Tô bege" e "Bafônico".

Doações para portadores de HIV

Além de fazer parte da decoração, o "altar" com ídolos gays é um local onde os clientes podem depositar ofertas em dinheiro. Segundo os donos do bar, esses recursos serão doados a cada três meses para a casa Brenda Lee, que dá assistência a portadores do vírus HIV.

Os porta-copos e jogos americanos serão renovados a cada três meses com desenhos de artistas convidados. A primeira é a ilustradora Negahamburguer, conhecida por trabalhos que tratam da violência de gênero e outros preconceitos.

Nicho é grande, mas é preciso pensar na segurança

A consultora especializada em franquias Ana Vecchi, da consultoria Vecchi Ancona, diz que há potencial no novo negócio.
Tudo o que é voltado ao público gay é bem-vindo, pois é um nicho grande."
Porém, ela diz que é importante não restringir o público, já que a hamburgueria está localizada em um bairro residencial e familiar.
Tem que permitir que todos frequentem e que se sintam à vontade. O negócio deve estar acima da causa."
Ela diz que, se o produto for de qualidade e se o atendimento for bom, há potencial para crescer como franquia, mesmo em um ramo já explorado, como as hamburguerias. No entanto, afirma que outros aspectos devem ser considerados para a expansão.
É preciso observar o desenvolvimento do negócio e o comportamento do público antes de abrir novas unidades. Sabemos que existem pessoas homofóbicas que, ainda que não frequentem a casa, podem perseguir os clientes na saída, por exemplo."
Onde encontrar:
Castro Burger: www.castroburger.com.br

Fonte: UOL, por Larissa Coldibeli, 20/12/2016

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