Gamer Tye Marini quer que jogo Tomodachi Life aceite personagens LGBT

quarta-feira, 14 de maio de 2014 0 comentários

Tye Marini quer que relacionamentos LGBT sejam possíveis no jogo Tomodachi Life

A Nintendo disse que não deve ceder a pressão para permitir relacionamentos românticos entre personagens do mesmo sexo nas versões em inglês do jogo Tomodachi Life. Com isso a companhia japonesa mantém a decisão de bloquear pessoas na criação de perfis gays no game que simula a vida. Segundo o Sky News, a decisão mostra uma divisão cultural entre o Japão, onde o casamento gay não é legal, e a Europa e a América do Norte, onde a união entre casais do mesmo sexo foi legalizada em alguns países.

Uma campanha foi criada nas redes sociais pelo gamer Tye Marini, um homossexual assumido, que busca a igualdade virtual para os personagens do jogo. Marini revela que deseja casar-se com o seu noivo real no game, mas não pode fazê-lo. Em nota, a Nintendo disse que jamais teve a intenção de fazer um “comentário social” e que as opções de relacionamento no jogo representam “um mundo alternativo de “brincadeiras”, ao invés de um simulador da realidade”.

O Tomodachi Life é um sucesso no Japão, com 1,8 milhões de cópias vendidas ele foi lançado ano passado e leva os usuários para uma ilha virtual, nela eles criam seus personagens e podem fazer ações do do cotidiano, como compras, visitar parques, jogar e ir à encontros.



Use a hashtag #Miiquality para reivindicar que a Nintendo adicione relacionamentos de mesmo sexo no Tomodachi Life!

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Se ainda não viu o vídeo do Tomodachi Life Direct clique aqui: http://youtu.be/lcmx4kC0tiU

Fontes: Terra, Games, 08/05/2014; Geekosystem, por Carolyn Cox, 05/05/2014

Em estilo Bollywood, Nações Unidas faz clipe sobre casamento gay para combater preconceito

segunda-feira, 12 de maio de 2014 0 comentários

Esperavam uma noiva, mas ele trouxe um noivo

P
ela primeira vez um clipe no estilo Bollywood para os direitos dos homossexuais foi lançado pelo Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas, juntamente com uma campanha de educação pública para a igualdade LGBT.

Free & Equal é um projeto do Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas a ser implementado em parceria com a Purpose Foundation. Free & Equal trabalha para aumentar a conscientização sobre a violência homofóbica e transfóbica e discriminação, e incentivar um maior respeito pelos direitos das pessoas LGBT. O lançamento global da campanha foi na África do Sul em julho de 2013. 

De acordo com uma mensagem postada pela organização em seu site:


“Criamos o primeiro clipe Bollywood para os direitos dos homossexuais com a nossa defensora da igualdade Celina Jaitly para promover um mundo livre e igual. É uma bela lembrança de que todos devem ser muito bem recebidos pela família, não importa quem são ou quem elas amam.”


Fonte: Ms Love, 06/05/2014

Velhice LGBT: solidão e maus tratos mais preocupantes quando pessoa é homossexual

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Precaução. Jorge Barbosa, de 61 anos, planeja guardar dinheiro para morar em um condomínio de idosos no futuroFoto: Daniela Dacorso / O Globo
Precaução. Jorge Barbosa, de 61 anos, planeja guardar dinheiro para morar
em um condomínio de idosos no futuro Daniela Dacorso / O Globo

Gays idosos no país são mais propensos a sofrer de depressão
 - Pesquisa mostra que 30% dos homossexuais do sexo masculino com idade avançada no Brasil ficam deprimidos
 - Solidão e maus tratos, que acometem a população idosa em geral, são ainda mais preocupantes entre gays


BELÉM e RIO - Envelhecer e ser gay. A dupla luta contra o preconceito traz contornos próprios para um grupo que apenas nos últimos anos começou a ter mais atenção da ciência. Hoje se sabe, por exemplo, que eles são mais propensos a sofrer de depressão: 24% das lésbicas e 30%, no caso dos gays, contra 13,5% de heterossexuais. Esses dados do Brasil foram apresentados pela psiquiatra Carmita Abdo, durante o Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, realizado esta semana em Belém, no Pará. Solidão e maus tratos, que acometem a população idosa em geral, são ainda mais preocupantes entre os gays.

A tendência não é apenas brasileira. No Reino Unido, a questão da solidão é apontada num amplo estudo divulgado pela YouGov, que mostrou que homossexuais e bissexuais têm três vezes mais chances de envelhecer solteiros. Além disso, ressalta a pesquisa, apenas um quarto de gays e metade das lésbicas têm filhos, em comparação com 90% dos heterossexuais.
— Está claro que eles necessitam de mais cuidados nessa área — defendeu a psiquiatra, colunista do GLOBO e autora de livros como “Descobrimento sexual do Brasil” e “Depressão e sexualidade”.
A precaução já levou o empresário Jorge Barbosa, de 61 anos, a pensar no que fará se precisar de cuidados na velhice. Gay e sem filhos, ele diz que o plano é juntar dinheiro para morar em um local especializado no cuidado de idosos.
— Sou casado, no papel, com uma amiga, mas moramos separados a vida inteira. Já conversamos sobre um dia ir morar em um desses condomínios para velhinhos. Não quero ser um estorvo para ninguém. — conta. — Tive um namorado bem mais novo e ele brincava que, no futuro, me levaria para passear de cadeira de rodas no calçadão de Copacabana. Esse discurso é muito bonito, mas, na prática, sabemos que as coisas são bem diferentes.
Carmita enfatizou que a própria ciência precisou mudar o paradigma diante dos homossexuais e alertou que, nem sempre, os profissionais estão aptos para tratar o grupo:
— Nós, profissionais de saúde, devemos pensar se estamos cumprindo com o nosso papel de isenção diante do paciente, que tem não uma escolha, mas uma orientação sexual que ele é absolutamente incapaz de reverter. A reversão da homossexualidade há muito tempo deixou de ser motivo dos tratamentos psiquiátricos, porque resultava muito mais em suicídio, desenvolvimento de psicose, depressões seríssimas e, na verdade, não se revertia esta condição.
Há pelo menos duas décadas, a Organização Mundial de Saúde retirou da classificação geral das doenças mentais a homossexualidade, e o mesmo ocorreu na última atualização do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, na sigla em inglês), conhecida como a “Bíblia da psiquiatria. No entanto, Carmita lembra, o termo homossexualismo, cujo “ismo” remete à doença, ainda é usado, inclusive, entre profissionais de saúde, enquanto que o aceito é homossexualidade.

Mas se por um lado eles são os mais propensos a viver solitários, por outro, são os mais resistentes a adversidades. Esse grupo sofre altos níveis de violência, seja física ou emocional, além de abusos sexuais, o que os leva a desenvolver a chamada competência em crise. Ou seja, homossexuais passam por tantos desafios na experiência de se assumir que acabam desenvolvendo mais capacidade de enfrentar outras crises, no caso de doenças físicas, por exemplo, ao longo da vida.
— A estigmatização por parte da sociedade acaba sendo um fator protetor para esta população — conclui a psiquiatra.
Aos 71 anos, comemorados ontem, Orlando Almeida, organizador do Miss Gay Rio de Janeiro, concorda. Ele diz que se assumir homossexual “exige atitude”, mas acha que o preconceito tem diminuído ao longo dos anos.
— Sou bem aceito pela sociedade. Sempre tive pulso e força de vontade, por isso nunca me senti vítima dessa coisa de ser chamado de “bicha velha”. Mas sou exceção — diz Almeida, que vive com quatro gatos e um cachorro. — Não moro e nem quero morar com um companheiro, estou bem sozinho. A gente precisa se amar e se respeitar acima de qualquer pessoa.
Há dez anos, um estudo da Universidade da Califórnia, publicado na “American Journal of Psychiatry” já alertava sobre os índices de depressão em homossexuais, na época três vezes mais altos do que em heterossexuais devido a fatores como abuso de drogas e álcool e contaminação por HIV. Na ápoca os pesquisadores sugeriam melhores políticas públicas para tratar a situação. O estudo analisou dados da “Urban Men's Health Study", pesquisa de saúde feita com 2881 homossexuais de São Francisco, Nova York, Chicago, e Los Angeles — as quatro cidades respondiam por dois terços dos casos de Aids nos EUA, e sua população sofria com estigmatização e discriminação.

Maior aceitação nas novas gerações
Segundo dados do estudo apresentado por Carmita Abdo, e que foi realizado pela Universidade de São Paulo (USP), há 2,2% de homossexuais e 1,8% de bissexuais do sexo masculino com mais de 61 anos. Na juventude, este índice sobe para 11% e 3%, respectivamente. Segundo a psiquiatra, não por haver mais gays jovens, mas porque, provavelmente, são mais propensos a se assumir, o que mostra mais aceitação nas novas gerações.

A relação gay no envelhecimento também tem características próprias. Todos passam pelos mesmos problemas hormonais e de progressiva incapacitação física, mas lidam de maneira diferente diante disso. As mulheres gays, por exemplo, enfrentam menos dilemas diante da menopausa. O fato de ambas terem o mesmo desafio hormonal gera cumplicidade. 

Naturalmente, também o apetite por sexo diminui, mas elas chegam ao orgasmo com mais frequência do que as heterossexuais mais velhas. Entre os homens gays, diz Carmita, o apetite sexual se mantém ao longo da vida, já que a chamada andropausa é pouco incidente, e eles têm recursos farmacológicos para reverter uma possível disfunção erétil.

Mulheres também se cuidam menos e têm mais problemas de saúde, como a obesidade, segundo o estudo. Nos homens, percebe-se o oposto. Mais vaidosos, preocupam-se com a forma física. Em ambos os sexos, gays idosos têm mais risco de doenças cardiovasculares. O câncer de mama também tem diferenças: são 14,1% entre as homossexuais contra 11,9% entre as heterossexuais mais velhas, o que poderia ser explicado pela amamentação (tido como protetor) e hábitos de vida menos saudáveis.

* A repórter viajou a convite da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Fonte: O Globo, Flávia Milhorance e Dandara Tinoco, 02/05/2014

Casamento LGBT coletivo em Manaus no final de maio

quarta-feira, 7 de maio de 2014 0 comentários


OAB-AM promove casamento coletivo gay em Manaus
Cerca de 30 casais são esperados para a cerimônia que deve acontecer em junho; iniciativa visa fortalecer direitos dos homossexuais no Estado através da união civil, que dá direito legal à adoção e à partilha de bens

Um capítulo feliz em uma longa batalha está para ser escrito no Amazonas. Três anos após o reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do direito de união civil entre casais homossexuais, a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Amazonas (OAB-AM), promove uma cerimônia de casamento coletivo entre pessoas do mesmo sexo.

Segundo a instituição, mais de 30 casais são esperados para o evento, que deve acontecer no fim de junho. O presidente da OAB/AM, Alberto Simonetti Neto, destacou o ato como um marco na defesa da segurança jurídica da comunidade LGBT(lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) no Estado. “Essa é mais uma ação desenvolvida pela OAB com foco nesse objetivo. Nesse caso, a proposta é legitimar a união dos casais homoafetivos, que têm os mesmos direitos dos casais heterossexuais perante a legislação”, salienta. A ideia é fortalecer os direitos de gays e lésbicas no Amazonas através do casamento, que dá guarida legal em casos de adoção e guarda de menores, bem como facilita o processo de divórcio.

Por enquanto, a cerimônia está na fase preparatória, com a OAB coletando os dados dos casais interessados em participar do evento. Segundo a presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB/AM, Alexandra Zangerolame, é preciso fazer uma triagem para saber se os noivos estão em condições de concretizarem a união civil. “Pode ser que um dos parceiros já tenha sido casado, mas não formalizou a separação do antigo cônjuge, por exemplo. Nesse caso, é possível realizar somente a união estável, mas não o casamento civil”, esclarece.

A ideia é que o casamento coletivo conte com a presença de pelo menos 30 casais, cada qual com direito a dez convidados. Até o momento, cerca de 25 casais demonstraram interesse. A expectativa da Comissão é ampliar o evento. “Para isso, é necessário conquistar novas parcerias, que auxiliariam no custeio da recepção. A ideia é que os custos oficias sejam arcados pelo governo estadual. Caso não seja possível, a Comissão irá buscar patrocinadores”, disse Alexandra. Os interessados em apoiar a ação podem entrar com contato com a OAB pelos e-mails diversidade@oabam.org.br ou casamentocoletivolgbtmanaus@gmail.com.

Celebração da diversidade

A medida foi comemorada por representantes do movimento LGBT. Para Bruna La Close, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT do Estado do Amazonas, trata-se de um passo decisivo na conquista da cidadania por essa população. “Isso é o resultado da nossa luta, a conquista de direitos cada vez mais amplos para a comunidade LGBT, e, dentro disso, uma celebração da diversidade. Uma grande dificuldade é o custo de se fazer uma cerimônia desse tamanho, mas a participação da OAB está sendo decisiva, e esperamos que muitos casais, que há tanto tempo aguardam a chance de formalizar a sua união, possam desfrutar desse momento”, afirma.

Já Dartanhã Silva, militante dos direitos dos homossexuais e presidente da Associação Garotos da Noite, acredita que o casamento coletivo é um importante ato de afirmação para a comunidade no Amazonas. “Mesmo com a homofobia ainda forte no Estado, a nossa luta tem se traduzido em conquistas importantes, como o direito ao uso do nome social por travestis e, agora, à união civil. É realmente um marco, e tomara que isso aconteça muito mais vezes”, espera.

Até o momento, a ação conta com a parceria da Secretaria de Estado de Articulação de Políticias Públicas aos Movimentos Sociais e Populares (SEARP), do Cartório Follmer (8º Cartório de Registro Civil) e apoio do Fórum LGBT, este último especialmente na divulgação do evento junto à comunidade LGBT.

Casais interessados em participar da cerimônia devem entrar em contato com a Comissão, até 26 de maio, pelo e-mail casamentocoletivolgbtmanaus@gmail.com ou pelos telefones 9124-4070/3642-0016/0021. Eles irão receber as orientações necessárias sobre os procedimentos.

Documentação

No caso de quem nunca se casou, os documentos exigidos são certidão de nascimento (original ou cópia autenticada), RG, CPF e título de eleitor. Para os divorciados, é preciso apresentar a averbação do divórcio além dos documentos acima citados. Para aqueles que ainda são casados oficialmente, é obrigatório a formalização do divórcio, para entrar com a documentação do novo casamento. Nesses, Alexandra aconselha a opção pela união estável, que é basicamente uma declaração de que o casal mantém uma relação há mais de cinco anos. Pode ser feita em qualquer cartório de registro civil.

A advogada frisa que o casamento civil representa a solução para inúmeros problemas legais enfrentados por casais homoafetivos. “Já vimos casos, por exemplo, da morte de um dos companheiros, em que a família que não aprovava a relação reteve os bens do falecido, deixando o companheiro desamparado”, disse. Nas separações, um dos companheiros também pode ser prejudicado, se o patrimônio estiver, por exemplo, no nome de apenas um dos parceiros. “Quem optar pela formalização, o regime de bens está previsto no documento. Os regimes podem ser de separação parcial ou total de bens”, explica. Os que já têm bens constituídos podem fazer um acordo pré-nupcial.

Fonte: A Crítica, Renildo Rodrigues, 30/04/2014

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