Período de adaptação: cartório usa "ele" e "ela" para casal gay

quinta-feira, 10 de abril de 2014 0 comentários

Pegou mal chamar o noivo de noiva

Cartório usa "ele" e "ela" para casal gay
Publicação oficial refere-se a um deles como mulher em Piracicaba (SP)

Um casal gay que vive em Piracicaba (SP) e está de casamento marcado para o dia 30 reclama de ter sofrido constrangimento pelo fato de um cartório de registro civil ter publicado em um jornal da cidade os dados de um deles como se fosse mulher, tratando-o no feminino como "ela", "solteira", "nascida", "filha" e "domiciliada".

Há 14 anos juntos, o engenheiro civil de 44 anos e o corretor de imóveis de 45 – que não quiseram se identificar – têm vivido situações que demonstram a falta de "adaptação" da sociedade à união homoafetiva. Apesar das dificuldades, os dois organizam uma cerimônia para 200 convidados e estão na etapa final para adoção de uma criança.

O engenheiro destacou que o processo de união é pago e, por isso, exige um tratamento apropriado. "É um serviço que estão prestando, eu paguei e quero receber tudo da maneira que escolhi. Pode não ser grave, mas criou um constrangimento", disse. Segundo o casal, a diferença na identificação dos gêneros foi tratada pelo cartório apenas como um "detalhe" – o que, na visão deles, não é.

"Não estou acusando o cartório de discriminação, mas me arrasou ver o edital de proclamas [anúncio oficial emitido pelo cartório na hora em que os noivos dão entrada nos papéis do casamento] da forma como foi feito. É um documento simples, basta modificá-lo. Sem falar que, no formulário, há questões como 'padrinhos da noiva'", afirmou o corretor.

O companheiro dele acrescentou que deve procurar o cartório para insistir que haja alteração nos documentos. "É algo relativamente simples de ser feito, então por que não fazer?".

Onde está a noiva?

Durante a preparação para o casamento, a compra de roupas, presentes e demais preparativos para a cerimônia, o casal relata ter visto outras situações similares de constrangimento. "Sempre que falamos do casamento, há perguntas como: 'Onde está a noiva?'. Passei, então, a ver um bom nicho de negócios voltado para casais homoafetivos, já que não há pessoas preparadas para atendê-los nos setores de comércio e serviços", destacou o corretor.

A cerimônia deve acontecer em um salão de festas de Piracicaba e reunirá amigos e familiares do casal. Segundo os noivos, a relação dos dois é conhecida e aceita, e eles nunca haviam sido vítimas de preconceito. Enquanto o engenheiro prefere ser identificado como gay e não como homossexual, o corretor diz que até hoje só sofreu discriminação por ser negro, nunca por sua opção sexual.

O engenheiro e o corretor já têm um contrato de união estável, mas decidiram pelo casamento com comunhão universal de bens depois que entraram na fila para adoção, há um ano. "Com relação à adoção, não tivemos entraves por sermos homossexuais. Estamos cadastrados e passamos por todas as etapas exigidas. Acredito que é muito grande o número de crianças que precisam de um lar, e não há motivo para não termos esse direito", afirmou o corretor.

Erro do sistema, correção e desculpas

A oficial substituta responsável pelo 2° Subdistrito Oficial de Registro Civil de Piracicaba, Lucila Maria Maffezoli, informou que o erro ocorreu por um problema no sistema do cartório durante a elaboração dos documentos, mas as informações foram corrigidas na mesma hora, na frente do casal, que concordou com as modificações e assinou os papéis corretos.

Sobre a publicação errada no edital de proclamas de um jornal da cidade, a oficial disse que também houve erro, mas que o engenheiro e o corretor já foram procurados na tarde de quinta-feira (3) e avisados de que o texto corrigido será publicado no dia 13 de abril. "Nós entramos em contato, pedimos desculpas e a compreensão deles, e explicamos que foi um erro do sistema e que, em nenhum momento, tivemos a intenção de constranger ninguém", justificou Lucila Maria.

Fonte: Cidade Verde, via G1, 04/04/2014

A história dos protestos e boicotes ao Firefox que levaram o homofóbico CEO da Mozilla a pedir demissão

quarta-feira, 9 de abril de 2014 0 comentários

Ex CEO da Mozilla apoiou financeiramente projeto de lei que visava proibir o casamento gay na Califórnia

CEO da Mozilla pede demissão após controvérsia com lei contra casamento gay Depois de duas semanas como presidente da Mozilla, Brendan Eich deixa cargo em decorrência de protestos indignados pelo seu apoio a lei contra casamento homossexual na Califórnia.

Mozilla anunciou que Brendan Eich, CEO da empresa e criador da linguagem de programação JavaScript, deixou o cargo na tarde de hoje – pouco menos de duas semanas de ter assumido como presidente da companhia. Eich recebeu vários protestos dos funcionários da empresa por ter apoiado financeiramente um projeto de lei que visava proibir o casamento gay na Califórnia.

“A Mozilla se orgulha de ser realizada por um padrão diferente, e, nesta última semana, nós não fizemos jus a isto. Nós sabemos o porquê das pessoas se sentirem furiosas ou machucadas, e elas estão certas: é porque nós não nos mantivemos verdadeiros a nós mesmos”, abre a executiva Mitchel Baker no anúncio oficial da empresa.

Eich, que também foi co-fundador da Mozilla, foi alvo na semana passada de diversos protestos de funcionários revoltados pela sua entrada como presidente. Segundo as acusações pelo Twitter, eles não aceitavam alguém no cargo de CEO que tivesse doado mil dólares para apoiar o Proposition 8 – um projeto de lei de 2008 contra o casamento homossexual na Califórnia.

Pouco depois dos protestos iniciarem, três dos seis diretores deixaram a Mozilla, incluindo Gary Kovacs e John Lilly, ambos que ocuparam o cargo de CEO antes de Brendan Eich. Para ampliar as manifestações, o site OKCupid organizou dias atrás um boicote ao Firefox, impossibilitando que os usuários acessassem a rede por meio do navegador da Mozilla.

Segundo diversas entrevistas com o ex-presidente durante a semana, Eich teria insistido que não renunciaria do cargo, mas acabou deixando a empresa na tarde de hoje. Quem irá assumir a vaga de presidente na Mozilla ainda é um mistério, mas a companhia pode anunciar novas informações na semana que vem.

OKCupid boicota Firefox por postura antigay do CEO Brendan Eich
Após tomar conhecimento do apoio dado pelo executivo a leis contra o casamento homossexual, rede de relacionamentos recomenda: utilizem outro navegador

Texto do boicote do site OKCupid ao Firefox devido à contração de Brendan Eich

“Olá, usuário do Mozilla Firefox. Perdão por esta interrupção da sua experiência com o OkCupid. O novo CEO da Mozilla, Brendan Eich, é um opositor dos direitos iguais para casais gays. Nós preferiríamos que nossos usuários não utilizassem softwares da Mozilla para acessar o OKCupid.

Políticas normalmente não são o negócio de um website, e todos nós sabemos que há muito mais coisas erradas no mundo do que um CEO equivocado. Dessa forma, você pode estar se perguntando por que nós estamos colocando esta declaração hoje. Eis o porquê: nós devotamos os últimos dez anos a reunir as pessoas — todas as pessoas.

Se indivíduos como o Sr. Eich tiverem alcance, então aproximadamente 8% dos relacionamentos em que nós trabalhamos duro para favorecer se tornarão ilegais. Igualdade para relacionamentos gays é algo particularmente importante para muitos de nós na OKCupid — mas é profissionalmente importante para toda a companhia.

A OKCupid trata de promover o amor. Aqueles que buscam negar o amor para, em vez disso, reforçar a miséria, a vergonha e a frustração são nossos inimigos, e nós não desejamos a eles nada além do fracasso.”

Funcionários da Mozilla pedem demissão de novo CEO
Vários empregados da companhia teriam comentado no Twitter em protesto a Brendan Eich, que teria apoiado projetos contra o casamento gay na Califórnia


Mal Brendan Eich começou a exercer seu novo cargo na Mozilla e já temos uma enorme polêmica surgindo. Isso porque ontem (27) tivemos vários empregados da empresa twittando mensagens em protesto ao CEO. “Eu sou um empregado da Mozilla e estou pedindo que Brendan Eich deixe o cargo como CEO”, disseram vários deles, entre outros comentários semelhantes.

A ação teve início com Chris McAvoy, líder do projeto Open Badges da Mozilla. Originalmente, ele teria antes comentado: “Eu amo a Mozilla, mas estou desapontado esta semana”; pouco depois, ele teria mandado o fatídico tweet mencionado anteriormente – um ato que foi seguido por outros funcionários pouco depois.

Mas o que o presidente da empresa teria feito de tão ruim para receber uma resposta tão grande em um espaço de tempo tão curto? A culpa, segundo o ArsTechnica, vem de ações anteriores de Eich: ele teria doado milhares de dólares para apoiar a Proposition 8 – uma lei que proibiria o casamento gay no estado da Califórnia – e os candidatos políticos envolvidos na proposta.

Fonte: Tecmundo, 03/04/2014

Inaugurado cemitério só para lésbicas em Berlim

terça-feira, 8 de abril de 2014 1 comentários


Berlim ganha cemitério só para lésbicas

Segundo fundação responsável, muitas mulheres gostariam de ser enterradas perto de suas namoradas e amigas, reforçando os laços com uma comunidade mesmo após a morte.

Neste domingo (06/04) foi aberto em Berlim o primeiro cemitério da Alemanha só para lésbicas. Uma área de cerca de 400 metros quadrados no cemitério luterano Georgen Parochial, no bairro de Prenzlauer Berg, oferecerá 80 sepulturas, confirmaram a Igreja Evangélica e a fundação Sappho, dedicada a prestar assistência a mulheres homossexuais.

Segundo Astrid Osterland, da Sappho, muitas lésbicas vivem sozinhas, mas gostariam de ser enterradas perto de suas namoradas e amigas. Um cemitério somente para mulheres homossexuais deixa claro, mesmo depois da morte, as escolhas feitas em relação a amigos e familiares, afirma.

A porta-voz da Igreja Evangélica do bairro Mitte, Christiane Bertelsmann, afirma que a medida não é excludente. Segundo ela, os jazigos para mulheres homossexuais podem ser comparados às sepulturas de uma família. A diferença é que o cemitério para lésbicas honra os laços da pessoa morta com uma comunidade.

A área do futuro cemitério foi cedida à fundação Sappho pelo período de 30 anos, em troca da manutenção do local. Segundo a Igreja Evangélica, a cessão da área faz parte do esforço de manutenção e recuperação do cemitério.

Fonte: DW, 04/04/2014

Berlim inaugurou 1º cemitério para lésbicas da Alemanha
Local já possui muitas covas reservadas e foi desenvolvido no terreno do cemitério evangélico Georgen Parochial, a 100 metros do conhecido terminal Alexanderplatz

A cidade-estado de Berlim inaugurou neste domingo o primeiro cemitério exclusivo para lésbicas da Alemanha, um espaço de 400 metros quadrados, com 80 vagas, situado no coração da capital.

O projeto deste inusitado cemitério, que já possui muitas covas reservadas, foi desenvolvido em uma área do terreno do cemitério evangélico Georgen Parochial, situado a 100 metros do conhecido terminal Alexanderplatz.

Em uma das áreas sem túmulos do local, próximo a um parque infantil, a promotora do cemitério para lésbicas obteve permissão para iniciar sua proposta de forma gratuita.

A fundação Sappho, que agrupa mulheres homossexuais de meia idade em Berlim, remodelou a área com um caminho em forma de espiral que passa debaixo das árvores.

"Vivemos junto às lésbicas e também queremos ser enterradas com lésbicas", explicou hoje uma porta-voz da fundação Sappho ao jornal Bild.

No entanto, Stefan Evers, o responsável da União Democrata-Cristã (CDU) para os assuntos ligados aos homossexuais, bissexuais e transexuais em Berlim, se mostrou contrário ao projeto.

Em declarações ao Bild, Evers foi claro ao rejeitar a proposta: "Essa não é minha ideia de integração e aceitação. Quem se tem como parte da sociedade em vida, não deveria se isolar na morte", argumentou.

Fonte: Terra, via EFE, 01/04/2014

Na Argentina, casal de mulheres batiza filha de acordo com a lei católica

segunda-feira, 7 de abril de 2014 0 comentários


Arquidiocese de Córdoba autoriza batismo de menina de casal de lésbicas

Na Argentina, no último sábado (05/04/2014), o pároco Carlos Varas batizou uma menina, filha de duas mulheres,  em cerimônia na catedral de Córdoba. Nascida há um mês, fruto de reprodução assitida, a bebê recebeu o nome de Umma Azul e foi registrada, na certidão de batismo, com a filiação de Karina Villarroel e Soledad Ortiz.

Casadas de acordo com a lei aprovada em 2013 na Argentina, o casal de mulheres se tornou o primeiro caso de casamento entre pessoas do mesmo sexo a batizar um filho de acordo com a lei católica.

Depois do aval do Arcebispo de Córdoba, Carlos Nuñez, que apenas pediu para haver cuidado na escolha dos padrinhos para a criança crescer na fé católica, as duas mães da criança - uma ex-polícia e uma dona de casa - pediram que a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, fosse a madrinha de Umma por ter ocorrido, durante o seu mandato, a aprovação da chamada lei da igualdade no casamento, com apoio também da oposição. Kirchner foi representada por sua assistente Claudia Fenochio.

Esta foi uma das bandeiras do Papa Francisco enquanto arcebispo de Buenos Aires. Na altura, opôs-se à lei do casamento "gay"; agora como chefe máximo da Igreja Católica tem defendido a inclusão de crianças em famílias homossexuais na Igreja, tendo pedido aos dirigentes religiosos de todo o mundo para não fornecerem a essas novas gerações uma vacina contra a fé.

Uma atitude que, na Argentina, é agora vista como a referência para o arcebispo de Córdoba autorizar este batismo, apesar de a notícia ter «irritado» os setores mais conservadores da Igreja.

Com informações de TSF, Rádio Notícias e El Clarín

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