Sete marcas brasileiras declaram apoio ao casamento gay

sábado, 30 de março de 2013 2 comentários

Mulheres de mãos dadas usam bandeira do símbolo do movimento gay: marcas têm usado redes sociais para manifestar apoio ao movimento "marriage equality" (casamento igualitário)

Por Mirela Portugal*

O Ponto Frio, o Itaú, o Walmart Brasil, o Sonho de Valsa, o Halls Brasil, a Bonafont e a Contigo! usaram as redes sociais para manifestar seu apoio à união entre pessoas do mesmo sexo. Todas publicaram versões da imagem que viralizou pela internet mundial como ícone da causa, o símbolo matemático "=" com fundo vermelho.


Desde o começo desta semana, os protestos por direitos igualitários tomaram conta da web. A campanha surge com força exatamente no momento em que os congressistas norte-americanos avaliam a constitucionalidade da Proposição 8, que defende que o casamento só é legalmente possível nos EUA entre pessoas de sexos opostos. Confira as manifestações das marcas abaixo:

Itaú
O banco publicou em sua conta no Facebook no fim da tarde desta quinta-feira a imagem símbolo dos protestos. Suas cores foram alteradas para o laranja que faz parte da identidade visual da marca. Ao lado da imagem, a legenda esclareceu a intenção do post: "Defender a igualdade #issomudaomundo".
 
Divulgação

Ponto Frio.com
A empresa usou seus perfis no Twitter e no Facebook, capitaneados pelo personagem Pinguim, para declarar seu apoio com a mensagem "Igualdade sempre."

Reprodução

Sonho de Valsa
O Sonho de valsa, marca de chocolate que pertence à Lacta, também usou sua fanpage para declarar apoio à causa. A fanpage do produto postou na manhã desta quinta-feira o símbolo da campanha ao lado da legenda "Mais igualdade e mais amor".

Divulgação

Halls Brasil
A fanpage do Halls Brasil também publicou conteúdo apoiando a causa na tarde desta quinta-feira. Além da igualdade (representada por dois drops) a legenda arremata: "O importante é cada um achar seu par".

Reprodução

Bonafont
A água mineral da Danone preferiu usar o seu Facebook para manifestar-se a favor da causa. Além da foto, a marca postou o texto: "Um mundo mais igual = um mundo mais leve".


Walmart
Através do perfil no Facebook Mundo Walmart, o braço brasileiro da empresa manifestou-se: "O Walmart acredita que através da igualdade podemos Viver Melhor. E você?". A imagem a seguir ilustrou a frase.

Divulgação

Contigo!
A revista de celebridades e variedades usou seu perfil no Facebook para declarar apoio à causa. A imagem que simboliza a igualdade foi criada com o logotipo adaptado da publicação.

Divulgação

* Fonte: Exame, 28/03/2013

Revista Time (EUA): O casamento gay já ganhou. A Suprema Corte ainda não decidiu, mas a América já.

sexta-feira, 29 de março de 2013 2 comentários

Crédito: Peter Hapak


















Com a chamada O casamento gay já ganhou. A Suprema Corte ainda não decidiu, mas a América já, e capa com fotos alternativas de duas mulheres e dois homens se beijando, a revista Time apresenta, em seu site, extensa reportagem de David von Drehle sobre o tema do casamento LGBT. Sob o título How the gay Marriage Won (Porque o casamento gay ganhou), von Drehle faz um resgate do processo histórico dos direitos homossexuais nos EUA que culminou na aceitação crescente do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Elaine Harley e Mignon R. Moore fazem a melhor foto do ensaio
Segundo o autor, a América reconheceu recentemente que homens e mulheres homossexuais não são aliens apartados da sociedade. Que estão em todas as profissões e podem ser seus vizinhos ou a pessoa sentada a seu lado num banco de ônibus. Podem ser medalhistas olímpicos como Greg Louganis, bilionários como David Geffen, apresentadoras como Ellen DeGeneres, jogadores de rugby, como Mark Bingham,  e até religiosos como o Arcebispo de Milwaukee, Rembert Weakland.
A visibilidade das celebridades LGBT e hits televisivos como Queer Eye for the Straight Guy e Glee, bem como as demandas dos ativistas homossexuais, além da cabeça aberta das novas gerações, tornaram a homossexualidade mais aceitável no país, dando início ao processo de reconhecimento dos casamentos homossexuais em diferentes estados americanos.

Por sua vez, as alegres cerimônias matrimoniais dos casais LGBT igualmente têm ajudado a mudar a percepção do tema "casamento homossexual" que de marginal e inconcebível passou a consensual para boa parte dos americanos. Por isso, segundo von Drehle, mesmo que a decisão da Suprema Corte americana ainda desta vez não seja de todo favorável ao casamento LGBT (há a possibilidade dos juízes deixarem a decisão para os estados), ele já ganhou os corações da maioria dos cidadãos do país. O resultado final positivo é apenas questão de tempo.

Vale a pena checar a timeline dos direitos LGBT nos EUA pelo link Pride and Prejudice: An Interactive Timeline of the Fight for Gay Rights

Abaixo também algumas imagens do ensaio fotográfico do Peter Hapak (o mesmo das capas) chamado Retratos da Revolução do Casamento Gay e ao final o link para as demais fotos.


Fonte imagens: Behind the Covers: Portraits of the Gay Marriage Revolution by Peter Hapak

P.S. A revista Época São Paulo também vem com capa de quase beijo entre duas mulheres e matéria sobre o casamento homossexual em São Paulo. Mas errou na mão. A foto - nada natural - parece imagem de ensaio de moda com levada fetichista ou de pornô de luxo. Abaixo à guisa de comparação com as fotos da Time. E sintam o drama!

Fonte: ÉPOCA – Faz Caber » Época SP: casamento gay » Arquivo 

Smirnoff, Absolut e Microsoft pelo casamento LGBT

quinta-feira, 28 de março de 2013 1 comentários


Enquanto a Suprema Corte Americana discute, desde o início da semana, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, as marcas de vodca Smirnoff e Absolut resolveram postar no Facebook imagens onde demonstram apoio a causa.

A Smirnoff postou uma foto de três tipos de drinques divididos em pares e na legenda a frase “todo par é perfeito”. Já a Absolut vestiu uma garrafa de vermelho e declarou “apoio absoluto”.

Além delas, a Coca-Cola postou a imagem de um símbolo de igual que vem sendo usado nas redes sociais como forma defesa do casamento entre homossexuais. Na semana passada, a Microsoft postou uma campanha sobre o tema “atualize-se” destacando os novos serviços do Outlook e, indiretamente, mostrando-se a favor da causa.

Notícias sobre Feliciano e possibilidade de religiosos barrarem decisões do STF

quarta-feira, 27 de março de 2013 2 comentários


Apesar da intensa mobilização de praticamente toda a sociedade brasileira contra o atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Marco Feliciano, o PSC decidiu manter o deputado-pastor no cargo. Inclusive hoje saiu ameaçando o PT, apoiado por parlamentares evangélicos também de outras legendas, com a cobrança do igual afastamento da Comissão de Constituição e Justiça dos deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoíno (PT-SP), condenados no processo do mensalão.

A cobrança se entende porque foi graças ao "abandono" da comissão de direitos humanos pelo PT, fora outros partidos, que a presidência do órgão foi parar nas mãos do PSC. Segundo o Estadão, os partidos têm usado como critérios principais, para a ocupação das comissões, a relação com ministérios, a repercussão dos assuntos entre financiadores de campanha e a visibilidade que os temas alcançam no eleitorado. Como a Comissão de Direitos Humanos não atrai recursos e tem uma atividade mais voltada para o campo de debates do que para políticas efetivas, ela deixou de ser interessante."  

Na composição atual da CDH, não há integrantes do PMDB, PSDB, DEM, PP e PTB entre os titulares. Mesmo Luiza Erundina (PSB-SP), com tradição na CDH, preferiu ser titular do colegiado que discute Ciência e Tecnologia, ficando apenas com a suplência na Comissão de Direitos Humanos. O PT preferiu a Comissão de Constituição e Justiça, Seguridade Social e Família e Relações Exteriores e o PC do B, a recém-criada Comissão de Cultura.  O desinteresse pelo tema dos direitos humanos abriu espaço para os evangélicos ocuparem a comissão com a finalidade de obstruir   debates sobre direitos homossexuais e a legalização do aborto.

Como se não bastasse essa situação lastimável, outra ameaça ainda mais preocupante contra o Estado laico apareceu também hoje: a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (onde estão os mensaleiros petistas) aprovou, nesta quarta-feira (27), a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 99/11, do deputado João Campos (PSDB-GO), que inclui as entidades religiosas de âmbito nacional entre aquelas que podem propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal (STF). Entre estas entidades estão, por exemplo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil e a Convenção Batista Nacional.

Por fim, enquanto líderes partidários da Câmara decidiram chamar o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para uma reunião na próxima semana a fim de tentar convencê-lo a deixar a presidência da Comissão de Direitos Humanos, hoje o deputado-pastor, em meio a outra sessão tumultuada, mandou  deter um dos manifestantes, que faziam protesto contra ele durante sessão da comissão, porque o chamou de racista. Vejam no vídeo abaixo (a partir dos 1:25) a situação da comissão e as novas declarações de Marco Feliciano agora se fazendo de vítima de perseguição.

De novo conservadores franceses foram às ruas para dizer que não acreditam na igualdade social

terça-feira, 26 de março de 2013 0 comentários

Liberdade, Igualdade e Fraternidade não são para todos,
segundo conservadores franceses

Por Míriam Martinho

No último domingo, novamente reacionários franceses foram às ruas de Paris para rasgar a bandeira da França. A bandeira tricolor francesa que representa o lema da Revolução Francesa "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" não vale para todos os cidadãos do país, segundo eles. 

Em sua mentalidade antidemocrática, liberdade é o direito que eles têm de ir às ruas protestar contra os direitos civis de parte da população local, contra os direitos civis dos outros.   

Igualdade, seja de oportunidades ou perante a lei, só serve para pessoas heterossexuais.

Fraternidade é conversa mole para se ouvir nas igrejas em dia de domingo.

Como dizer isso abertamente pega mal porque contraria pilares das democracias modernas e inclusive sua hipócrita falação do "amor ao próximo", eles resgatam o velho mantra conservador da defesa da família (que estaria supostamente ameaçada, desta feita pelo casamento homossexual) para justificar seus ataques. Atacamos porque estamos sob ataque. 

Mas de fato não é a família tradicional que está ameaçada e sim o conceito de família como exclusivamente nuclear e heteropatriarcal que está mudando. Os conservadores se ressentem da perda do monopólio do conceito de família pela simples expansão do mesmo. Não há grupos terroristas do arco-íris ameaçando pais e mães de família nem esquadrões Rainbow lançando bombas sobre bairros familiares. Os milhares de casamentos homossexuais que já se realizaram mundo afora e começam a ser feitos no Brasil em nada alteraram nem alterarão a vida dos casais heterossexuais.

Esses conservadores simplesmente ainda não aprenderam a viver em democracia e acham que conceitos religiosos devem reger estados laicos. Muitos gostariam, se pudessem, de trocar a constituição pela bíblia tanto na França quanto no Brasil. Mesmo os que se dizem não religiosos se saem com um samba do conservador doido e misturam o casamento homossexual, pleito de igualdade perante a lei (princípio liberal), com supostas armações comunistas, socialistas, esquerdistas, etc. a fim de destruir a civilização ocidental (sic).

Mas o pleito do casamento LGBT de fato conta com apoio de gente de diferentes doutrinas e ideologias, em várias partes do mundo, tanto entre os de esquerda, centro-esquerda, centro-direita, e até conservadores, como o premiê britânico David Cameron, além de alguns membros do partido republicano americano (para ficar nos exemplos mais conhecidos). Sobretudo, o casamento igualitário conta com o apoio da maior parte das pessoas de bom senso e de bom coração.

Abominação mesmo é ver gente fazendo manifestações não para reivindicar direitos ou protestar contra perda de direitos mas sim para protestar contra a igualdade de direitos, contra os direitos alheios. Neste último domingo, inconformados com os avanços democráticos que o presidente francês, François Hollande, resolveu encampar, os reaças se instalaram nos Campos Elísios, onde a manifestação estava proibida. A polícia teve que usar gás lacrimogênio e bastão para desalojá-los. Furiosos, muitos manifestantes pediram a demissão de Hollande e gritaram Liberté, Liberté!

Não tive pena deles. Não merecem respeito. E no dia 4 de abril, quando o projeto de lei sobre o casamento homossexual for analisado pelo senado francês, espero que o primeiro casamento homossexual a ser oficializado seja entre duas senhoras muito conhecidas dos franceses, Madames Liberté e Egalité (Liberdade e Igualdade), que alguns insistem em separar mas que realmente só funcionam se estiverem casadas.

Abaixo vídeo da manifestação dos conservadores contra a igualdade entre os seres humanos.

Com informações da EuroNews

Em entrevista a Sabrina Sato, pastor Feliciano diz que só se morrer sai da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

segunda-feira, 25 de março de 2013 0 comentários


Apesar de protestos generalizados contra sua permanência na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara (até a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil chamou de "retrocesso" ter o pastor Feliciano na CDH), o deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP) afirmou, em entrevista a Sabrina Sato, que não renuncia para não assinar atestado de culpa e que só sai da comissão morto porque foi eleito por acordo partidário, e acordo partidário não se quebra (melhor seria dizer acordo mafioso). Seguem abaixo comentário do Josias de Souza sobre o tema e, ao fim da postagem, o vídeo com a entrevista do famigerado pastor (em particular, a partir dos 02:30).

Feliciano diz que só a morte o tira de comissão
Josias de Souza

O deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP) não exibe a mínima intenção de deixar a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Em entrevista a Sabrina Sato ele disse: “Uma renúncia minha agora é como se eu assinasse um atestado de confissão.”

Como não se considera nem racista nem homofóbico, Feliciano deseja “provar isso” mantendo-se na poltrona. “Fui eleito por um colegiado”, ele declarou. “É um acordo partidário. E acordo partidário não se quebra. Só se eu morrer.” A conversa foi gravada na semana passada e levada ao ar na noite deste domingo (24).

Decidido a deixar claro que não mudou de ideia, Feliciano convidou os seus seguidores no Twitter a assistir à entrevista. Fez mais: pendurou em seu site um texto no qual informa que “prepara viagem oficial à Bolívia”. Coisa para os “próximos dias”.

Feliciano irá interceder em favor dos 12 corintianos recolhidos a uma cadeia boliviana depois da morte de um adolescente na partida do Corinthians contra o San Jose, no dia 20 de fevereiro. Para preparar a viagem, informa o texto, o deputado esteve com o embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Justiano Talavera.

Tomado pela movimentação, Feliciano vai remar na contramaré de compromissos assumidos por dirigentes do seu partido com Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara. Reuniram-se com Henrique o deputado André Moura (SE) e o pastor Everaldo Pereira –respectivamente líder e vice-presidente do PSC.

A dupla comprometeu-se com o presidente da Câmara a providenciar no final de semana a saída negociada de Feliciano. Desde que foi alçado ao comando da Comissão de Direitos Humanos, o deputado-pastor não consegue realizar sessões. Militantes de movimentos gays não permitem.

No dizer de Henrique Alves, chegou-se a uma situação que é “ruim pra todo mundo: para o Feliciano, para o PSC, para a comissão e para a própria Câmara.” Ele espera receber uma resposta dos dirigentes do partido de Feliciano até esta terça (26). Do contrário, levará a encrenca à reunião que costuma realizar semanalmente com todos os líderes partidários.

Há um entrave regimental para a destituição de Feliciano. O pastor foi eleito pela maioria da comissão. Não pode simplesmente ser arrancado da cadeira à revelia. Der resto, nunca é demasiado recordar que as grandes e médias legendas da Câmara –PT, PMDB, PSDB e PSB, por exemplo— foram cúmplices no descalabro.

Mais: PT e PMDB chegaram mesmo a ceder ao PSC assentos que detinham na comissão, permitindo que se formasse a maioria que ratificaria o nome de Feliciano. Pior: PT, PCdoB e o bloco PV-PPS tiveram a oportunidade de indicar um de seus deputados para cuidar dos Direitos Humanos. Preferiram escolher outras comissões.

Com isso, um colegiado que há 18 anos era comandado por legendas ditas de esquerda caiu nas mãos do Partido Social Cristão. O PSC ambicionava outra comissão, a de Fiscalização e Controle. De repente, ganhou de presente a possibilidade de levar à vitrine seu conservadorismo religioso em matéria de costumes. Cometeu, porém, um equívoco. Ao indicar Feliciano, esqueceu de maneirar.

Fonte: Blog do Josias de Souza, 25/03/2013

Maioria de americanos apoia casamento gay, apontam pesquisas

sábado, 23 de março de 2013 0 comentários

O casamento gay na Califórnia e a questão dos direitos federais para os casais homossexuais casados legalmente serão debatidos terça e quarta-feira na Suprema Corte

A maioria dos americanos apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a igualdade de direitos para todos os casais, segundo as pesquisas publicadas nesta sexta-feira, quatro dias antes que a Suprema Corte dos Estados Unidos examine o tema.

O casamento gay na Califórnia e a questão dos direitos federais para os casais homossexuais casados legalmente serão debatidos na próximas terça e quarta-feira na Suprema Corte.

Segundo a pesquisa do Instituto Público de Pesquisa de Religião (Public Religion Research Institute, PRRI), 52% dos entrevistados disseram ser a favor do casamento gay e 42% afirmaram ser contrários. Na Califórnia, o apoio atinge 57%.

Por outro lado, um a cada dois americanos quer que o estado federal reconheça o casamento homossexual, que está legalizado em nove estados, além de Washington DC.

O estudo do PRRI aponta grandes diferenças em função da idade, religião e posição política.

Dessa forma, sete jovens (entre 18 e 29 anos) a cada dez são a favor do casamento gay, dos quais 58% afirmam ser republicanos. Em troca, entre os idosos acima de 65 anos, apenas 36% aprovam, dos quais 14% afirmam ser republicanos.

"Estamos em um ponto de inflexão no tema do casamento gay, impulsionado principalmente por um enorme apoio entre os jovens, mas também de maneira mais geral por uma mudança de opinião", disse em um comunicado Robert P. Jones, presidente de PRRI.

No plano religioso, o casamento gay é apoiado principalmente pelos judeus (81%), pelos que não têm afiliação religiosa (76%), pelos católicos hispânicos (59%), pelos católicos brancos (58%) e pelos protestantes (55%). Se opõem os brancos evangélicos (71%), os protestantes hispânicos (65%) e os protestantes negros (57%).

Em uma pesquisa do Instituto Gallup, 54% dos americanos afirmam, no entanto, que votariam a favor de uma lei que conceda aos casais do mesmo sexo benefícios iguais que casais heterossexuais.

Esta pesquisa, como muitas outras nas últimas semanas, mostra uma tendência crescente da opinião pública americana a favor da união gay.

Fonte: Exame via APF

Associação de Pediatria nos EUA apoia o casamento gay

sexta-feira, 22 de março de 2013 0 comentários


NOVA YORK - A Associação Americana de Pediatria, órgão médico dos Estados Unidos, declarou se posicionou pela primeira vez a favor do casamento gay, ao afirmar que é do melhor interesse dos filhos que o casamento entre pessoas do mesmo sexo seja legalizado. A nova política da academia diz que a aprovação ajuda a garantir direitos, benefícios e segurança a longo prazo para as crianças, apesar de reconhecer que não garantem o acesso a benefícios federais. O apoio dos pediatras se soma agora ao já declarado pelos médicos de família, psiquiatras, psicólogos e enfermeiras.

A revisão da literatura científica da instituição começou há quatro anos. O resultado é um relatório de 10 páginas, com 60 citações - entre elas algumas pesquisas que mostram que o bem-estar de uma criança é muito mais afetado pela força das relações entre os membros da família e seus recursos sociais e econômicos do que pela orientação sexual dos pais.

"Há um consenso cada vez maior, com base na extensa revisão da literatura científica sobre o tema, que mostra que crianças que crescem em famílias chefiadas por gays ou lésbicas não estão em desvantagem em qualquer aspecto significativo em relação aos filhos de pais heterossexuais", disse a instituição em nota. "Se a criança tem dois pais ativos e capazes que escolheram criar um vínculo permanente com o casamento civil, é do melhor interesse da criança que as instituições legais e sociais apoiem eles(as), independentemente de sua orientação sexual".


Para os pediatras americanos, o casamento oferece maior segurança à criança, que passa a ter seus pais cobertos por diversas leis de proteção social, que vão de descontos de impostos à autorização de viagens, e também por motivos de saúde, como o direito à acompanhante e a tomada de decisões médicas em casos de emergência. Quando o casamento não é uma opção, segundo a instituição, as crianças não devem ser privadas de acolhimento ou adoção por pais solteiros ou casais, independentemente da sua orientação sexual.

- Se os estudos são diferentes em forma e amostragem, mas os resultados continuam a ser parecidos, isso dá aos cientistas mais fé no resultado - disse Ellen Perrin, coautor da nova política e professor de pediatria na Tufts University School of Medicine.

Outros cientistas, no entanto, disseram que o endosso da academia foi prematura. Loren Marks, professora de estudos da criança e família na Louisiana State University, em Baton Rouge, disse que não havia dados suficientes para apoiar a posição da instituição em relação ao casamento homossexual.

- A política nacional deve ser informada por dados nacionalmente representativos. Estamos caminhando na direção de dados de alta qualidade nacionais, mas o processo ainda é lento.

Um estudo realizado no Reino Unido comparou 39 famílias chefiadas por mães lésbicas, com 74 formadas por pais heterossexuais e 60 de mulheres solteiras heterossexuais. Não foi encontrada nenhuma diferença entre os grupos em relação a envolvimento emocional, comportamentos anormais relatados por pais ou professores ou transtornos psiquiátricos em si. Mas mães e professores relataram mais problemas de comportamento entre as crianças em famílias monoparentais do que em famílias formadas por casais, qualquer que seja sua orientação sexual.

- O casamento fortalece as famílias e gera mais benefícios ao desenvolvimento da criança. E sensação de de competência e segurança dos pais também aumenta quando eles são capazes de criar os filhos sem estigma - disse Nanette Gartrell, principal autor do estudo e pesquisador visitante na Faculdade de Direito da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

A pesquisa tem limitações, segundo alguns especialistas, incluindo o tamanho das amostras, relativamente pequenas, de pais gays ou lésbicas, mesmo em estudos de longo prazo. Muitos contam com avaliações dos próprios pais, e há relativamente poucos dados sobre o bem-estar de crianças criadas por gays comparado com os criados por lésbicas.

Ryan Timm-Young, um pai de 48 anos de idade, casado e pai de Zélia, 6, encontrou apoio da academia no casamento entre pessoas do mesmo sexo.

- Sempre que uma instituição formal confirma que uma família com pais gays é válida, e não há aspectos negativos que possam ser medidos ou discutidos, isso significa um grande negócio, francamente - disse.

Travis Kidner, um cirurgião de 36 anos de Los Angeles, e Hernan Lopez, um executivo de meia-idade, se casaram em 2008 e tiveram a adoção de Nicolau e Zoe aprovadas.

- É importante para as crianças saberem que estão em um lar estável e que seus pais são casados - disse o médico.

A associação de pediatras tem o histórico de se posicionar em assuntos polêmicos: desencorajou famílias com filhos a terem armas em casa e pediu aos pediatras que prescrevam, com antecedência, pílulas do dia seguinte para adolescentes.

Fonte: Agência O Globo

Eleição de Feliciano foi erro político, diz diretor de sucursal do Estadão

quinta-feira, 21 de março de 2013 0 comentários

João Bosco Rabello

Para João Bosco Rabello, diretor da sucursal do Estadão em Brasília, a situação do pastor Marco Feliciano(PSC-SP), frente à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, fica cada vez mais insustentável.

De fato, é praticamente um consenso, entre as pessoas civilizadas do país, exceção feita ao jornalista de Veja, Reacionaldo Azevedo (num raciocínio distorcido, ele vê as manifestações democráticas contra o pastor como ataques a liberdade de expressão do mesmo) que o pastor, não por ser pastor, mas por pregar contra os direitos civis de homossexuais e outros, é incompatível com o cargo que ocupa. Diga-se de passagem, fora da comissão, ele continuará exercendo sua liberdade de expressão de disseminar a ignorância e o preconceito nos  inúmeros canais de comunicação de que dispõem os pastores evangélicos no Brasil. 

No vídeo abaixo, Bosco fala, com calma e clareza, das razões porque  Feliciano deve cair em breve (o PSC foi convocado a assumir uma posição sobre a saída do pastor até terça que vem). Aula de democracia do jornalista. Ouçam também o famigerado Feliciano dizendo que da comissão ele não sai, ninguém o tira. Veremos! 

Microsoft lança comercial com casamento de duas mulheres

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Campanha sobre renovações no Outlook expõe o assunto de forma normal


A Microsoft acaba de colocar no ar nos Estados Unidos uma campanha que expõe o casamento entre duas mulheres, de maneira simples, bem trabalhada e despretensiosa. A ação criada pela Deutsch, de Nova York, tem objetivo de chamar a atenção para o serviço de atualizações do Outlook.

A primeira cena do comercial mostra um homem que está em um caminhão que explode e em seguida ele atualiza o seu perfil no Outlook para profissão dublê. Uma amiga vê a cena do trabalho e o parabeniza, ao mesmo tempo ela vê duas amigas lésbicas se casando e também envia congratulações para o casal.

Quando uma marca trata de um assunto, muitas vezes delicado, dessa maneira significa que já está acontecendo uma grande mudança na sociedade. Recentemente a Amazon lançou um filme para o seu Kindle que também fazia menção ao casamento.

Com informações do Adweek via Meio e Mensagem

 

Consciências fragmentadas: direitos humanos x direitos dos manos

quarta-feira, 20 de março de 2013 1 comentários

Fla-flu esquerda x direita gera esquizofrenia política *


Por Míriam Martinho

Nas últimas semanas, muita gente foi às ruas e a sessões da Câmara Federal protestar contra a indicação do pastor Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. Obscurantista profissional, com falas absurdas contra negros e homossexuais, sua nomeação faz parte do festival de escárnios com que a classe política dos país nos brinda cotidianamente. Cumpre ressaltar, aliás, antes de seguir adiante, que essa nomeação é fruto da saída do PT (da comissão da qual sempre foi titular) e de outros partidos, em benefício do PSC, partido de Feliciano, como resultado das negociatas entre os integrantes da base aliada do governo Dilma

Mas voltando ao festival de escárnios, só para listar alguns dos últimos insultos ao povo brasileiro,  também foram nomeados para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara), os mensaleiros João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), condenados, pelo STF, a anos de prisão por formação de quadrilha. 

Para a presidência da CMA (Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle do Senado) foi indicado o ex-governador do Mato Grosso Blairo Maggi (PR-MT), tido como um devastador do meio-ambiente por muitos ecologistas. 

Para a Comissão de Finanças, o deputado João Magalhães (PMDB/MG) que responde a três inquéritos no Supremo Tribunal Federal – por peculato, tráfico de influência e crime contra o sistema financeiro, tendo por isso os bens bloqueados. 

E, na presidência do Senado, ficou Renan Calheiros (PMDB-AL), denunciado pelo procurador da república, Roberto Gurgel, ao Supremo Tribunal Federal (STF), por desvio de dinheiro público, falsidade ideológica e uso de documento falso. Segundo o Ibope, que ouviu mil pessoas entre os dias 3 e 4 de março, 74% dos brasileiros gostariam que o Senado exigisse a renúncia de Calheiros da presidência do órgão, mas até hoje isso ainda não resultou em qualquer ação concreta. 

Como se não bastasse, agora a Procuradoria da Câmara quer controlar a internet para tirar do ar vídeos e comentários que desagradam aos parlamentares, particularmente o conteúdo publicado no portal Blogger e no site de vídeos Youtube, duas das maiores marcas pertencentes ao Google. 

Em resumo, nossa democracia está muito ruim das pernas e protestar é mesmo preciso. Mas por que esses protestos são tão seletivos? Por que os que agora protestam contra a presidência de Feliciano também não protestam contra a participação dos mensaleiros na comissão de justiça e cidadania e, em geral, nunca participaram das marchas contra a corrupção? Por que os que nessas manifestações contra Feliciano levantaram cartazes com os dizeres "Eu tenho fé. Eu tenho fé nos direitos humanos" não estiverem presentes também na defesa da blogueira cubana Yoani Sánchez, quando em visita ao Brasil, impedida de falar em várias ocasiões por uma turba de brucutus autoritários? 

Yoani Sánchez defende os direitos humanos em seu país, às voltas com a mais antiga ditadura da América Latina. Pelo contrário, registrou-se inclusive a presença de ativistas LGBT, como uma tal de Yasmim Nóbrega (que afirmou pertencer à Liga Brasileira de Lésbicas), na manifestação da livraria Cultura, em SP, contra o direito da blogueira falar. Seguramente essa mesma ativista é contrária à presidência de Feliciano na comissão de direitos humanos da Câmara por este ser contra os direitos humanos (sic). Aliás, alguém viu “feministas” se manifestarem contra esses ataques fascistóides que atingiram uma mulher como elas? Alguém viu a Ministra da Justiça, Maria do Rosário, se pronunciar contra os ataques à blogueira? E a OAB e a ABI? Algum comentário? Nada. Silêncio gritante. 

Contra o acossamento a Yoani Sánchez se pronunciaram apenas a chamada direita liberal, alguns poucos da esquerda democrática, os simplesmente civilizados e os oportunistas. Alguns conservadores também encheram a boca para falar na vergonha alheia que sentiam pelo tratamento dado à ilustre visitante cubana, embora os mais extremistas não concordassem em apoiá-la por considerá-la agente de desinformação comunista (há mais estupidez entre a esquerda e a direita do que sonham as vãs filosofias). 

Por outro lado, agora diante da kafkiana nomeação de um paladino contra os direitos humanos para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, alguns dos que se horrorizaram com o tratamento dado a Yoani defendem as falas absurdas de Feliciano, negando, à revelia dos fatos, que sejam racistas ou homofóbicas, alegando que o pastor é vítima da esquerda, dos gays e dos politicamente corretos. O colunista do site da Veja, Reinaldo Azevedo, cada vez mais incoerente, chegou ao ponto de acusar de intolerantes os que foram às ruas protestar contra o descalabro de um discriminador numa comissão destinada a combater a discriminação contra minorias. Para ele, a verdade é que os manifestantes querem cassar a liberdade de expressão (sic) do pastor, tadinho.

É necessário reaglutinar os setores realmente democráticos da sociedade brasileira sob a bandeira do conceito de universalidade dos direitos humanos, aqueles direitos inerentes a quaisquer indivíduos, não importando sua doutrina ou ideologia, a que partido pertença, em que país viva, seu sexo, etnia, orientação sexual ou crença religiosa.

Vale salientar que o conceito de liberdade de expressão se transformou, na boca de muitos ditos conservadores, num termo bombril que, entre suas mil e uma utilidades, também se presta a passe livre para o incitamento ao ódio a segmentos da população mais vulneráveis, sobretudo os homossexuais. Incitamento ao ódio que conspira – diga-se de passagem - contra a harmonia social e resulta em ações contra os direitos civis de parte da população brasileira. Não custa lembrar que foi com discursos de ódio que os totalitários nazifascistas e comunistas pavimentaram o caminho rumo aos campos de concentração e às execuções em massa de populações por eles estigmatizadas. Palavras não são meras bolhas de sabão. Muitas funcionam como cimento na construção das barbáries várias que mancham a história da humanidade. Basta que elas cheguem ao poder de Estado para que se transformem de opiniões que devemos respeitar, por mais que as detestemos, em ações concretas contra  bodes-expiatórios de ocasião. Há que se refletir sobre isso. 

É certo que o clima para o debate civilizado sobre liberdade de expressão em nosso país está anuviado pelas permanentes ameaças contra a imprensa vindas do PT, de setores da esquerda autoritária e de seus movimentos sociais amestrados, com os tais “marcos regulatórios da mídia”, “democratização das comunicações”, toda essa novilíngua que tenta esconder a simples intenção de censura. Fora todo o contexto latino-americano de claro cerceamento à liberdade de opinião. Entretanto, também é certo que muitos obscurantistas estão se valendo desse mau tempo para sair desopilando seus fígados cirróticos às custas de segmentos da população a que se acostumaram a ver como Genis, contra os quais se pode jogar josta impunemente, sob a desculpa esfarrapada de que o autocontrole imprescindível à vida em sociedade é de fato um cerceamento à liberdade de expressão. Não, não é não. 

Em resumo, a sociedade brasileira engajada em política vive um quadro esquizofrênico. Os direitos humanos foram substituídos pelos direitos dos manos. Se uma causa ou a vítima de alguma violência é tida como de “esquerda”, protestam os que se identificam como de “esquerda”. Os de “direita” se omitem contra os abusos (sobre o caso Feliciano, ouvi de um mané :“essa briga é entre evangélicos e gays, não é minha”,) ou buscam banalizar a violência, ou até justificá-la, ou desmerecer a causa em questão. Se uma causa ou a vítima de alguma violência é tida como de “direita”, protestam os que se identificam como de “direita”. Os de “esquerda” se omitem ou buscam banalizar a violência, ou até justificá-la, ou desmerecer a causa em pauta (“essa Yoani Sánchez é porta-voz da mídia de direita, agente da CIA, mercenária, por isso que se dane se a impedem de falar”). 

Enfim, de verdadeiros defensores dos direitos humanos esses opostos que quase se tocam não têm nada. São consciências fragmentadas atuando em curraizinhos doutrinários e ideológicos na defesa apenas de seus manos de “direita” ou de “esquerda”. Chama a atenção como criticam nos seus opostos o comportamento que é comum a ambos, buscando justificar sua parcialidade no trato da questão dos direitos humanos com base na igual parcialidade de seus inimigos políticos. Esse posicionamento pareceria simples birra de criança mimada não tivesse consequências nada pueris: “como você não é da minha turma, não pensa como eu, não vou defender nada do que você defende”. Se o que um lado ou outro defende tem fundamento não importa porque, como quadrúpedes, os defensores dos direitos dos manos levam viseira e só enxergam numa direção. 

Faz tempo que a consciência dessa esquizofrenia vem crescendo em minha mente e me deixando angustiada pela falta de alternativas a que ela leva o Brasil. Felizmente, parece que não estou sozinha nessa percepção. Nesta última sexta-feira, o jornalista Fernando Gabeira escreveu um artigo para o Estadão, intitulado É o fundo do poço, é o fim do caminho que vai na mesma direção da minha reflexão. Diz o jornalista sobre a nomeação de Feliciano (atentar para meus sublinhados): 

“Não foi um relâmpago em céu azul, mas resultado de um longo processo de degradação que transformou o Congresso desenhado por Niemeyer numa espécie de caverna sombria, com lógica oposta à da sociedade, que a mantém. Ao longo desses anos a comissão sempre foi dirigida pela esquerda. Partidos de outros matizes não se interessam por ela, associando, erradamente, direitos humanos à esquerda. A longa hegemonia de um setor acabou enfraquecendo o tema, uma vez que o viés ideológico tende a enxergar humanidade apenas no seu campo político.

Um grande mérito dos direitos humanos é sua universalidade. São direitos de um indivíduo, não importa a que partido pertença, em que país tenha nascido ou viva. Quando Lula comparou os presos políticos de Cuba aos traficantes do PCC, o movimento não reclamou. Quando comparou os opositores em luta no Irã a torcidas de futebol, novo silêncio. Há pouca solidariedade com as populações que vivem sob o controle armado do tráfico. E uma tendência histórica é ver o policial apenas como um transgressor dos direitos humanos, ignorando até os que morrem em atos de bravura. 

Abandonada pelos grandes partidos, a comissão foi, finalmente, rejeitada pelo PT. A esquerda não compreendeu integralmente o conceito de universalidade e a direita, ao ignorar os direitos humanos, joga fora o bebê com a água de banho.

Não foram nossos erros no movimento de direitos humanos que trouxeram Feliciano ao centro da cena. Ele não chegou ao topo à frente de uma onda racista e anti-homossexual, apesar de suas declarações bombásticas. Ele triunfou porque é cafajeste, e essa condição hoje é indispensável para o ascender no Congresso. Expressa um longo processo de degradação impulsionado pelo PT. 

Exato. Repito e acrescento: a longa hegemonia da esquerda sobre a área dos direitos humanos acabou enfraquecendo o tema, uma vez que o viés ideológico tende a enxergar humanidade apenas no seu campo político. A esquerda não compreende integralmente o conceito de universalidade, e a direita, ao ignorar os direitos humanos, joga fora o bebê com a água suja da bacia. Toda essa situação expressa um longo processo de degradação impulsionado pelo PT, de fato o grande beneficário de toda essa fragmentação das consciências que leva à corrosão das estruturas democráticas.

Basta ver que, por trás das agressões à Yoani Sánchez, esteve o petismo em conluio com o embaixador cubano em nosso país, num atentado à soberania nacional. Basta ver também que foi, principalmente graças à vacância do PT da comissão de direitos humanos, da qual o partido sempre foi titular, em benefício do PSC de Feliciano, que o dito chegou à presidência dessa instância. Que petistas estejam agora participando de protestos contra a presença de Feliciano na comissão de direitos humanos não espanta. À parte seu proverbial cinismo, essas participações também funcionam como cortina de fumaça a escamotear as nomeações dos mensaleiros petistas Genoíno e Paulo Cunha, para a comissão de Justiça e Cidadania, e sobretudo como forma de não perder o controle sobre os movimentos sociais a quem encabrestraram faz tempo. (Nas fotos das manifestações contra Feliciano, viram-se também cartazes contra Renan e Baggi, mas nada sobre Genoíno e Paulo Cunha).

Gabeira termina seu texto desconsolado, dizendo desconhecer como reconstruir a ruína em que se transformou o Congresso Nacional e que estreita o horizonte do país. Concordo que a situação é desoladora, mas prefiro apontar para uma possível solução a mergulhar na desesperança: é necessário reaglutinar os setores realmente democráticos da sociedade brasileira sob a bandeira do conceito de universalidade dos direitos humanos, aqueles direitos inerentes a quaisquer indivíduos, não importando sua doutrina ou ideologia, a que partido pertença, em que país viva, seu sexo, etnia, orientação sexual ou crença religiosa. Salientando que o conceito de universalidade dos direitos humanos não é mero blá-blá-blá a fim de mascarar as desigualdades para eternizá-las e fomentar o conformismo entre os discriminados. Buscar igualdade de oportunidades para todos perante a vida e igualdade perante a lei são essenciais para a efetivação do ideal da universalidade dos direitos humanos.

É imprescindível, portanto, lançar uma ponte sobre as consciências fragmentadas dos participantes desse fla-flu de bregas de esquerda versus jecas de direita, pois estes apenas se retroalimentam dos próprios excessos, hipocrisia, ódio e discórdia às custas do futuro da sociedade brasileira. Não há outra saída.

* Fotomontagem a partir da capa do livro La mente dividida, La Epidemia de los trastornos psicosomáticos

Ex-secretária de Estado Hillary Clinton apoia casamento LGBT

terça-feira, 19 de março de 2013 1 comentários


Em 2008, quando era senadora e disputava a indicação do Partido Democrata às eleições presidenciais, ela havia manifestado posição diferente sobre o tema.

A ex-secretária de Estado americana Hillary Clinton, possível candidata presidencial em 2016, disse que apoia o direito de gays norte-americanos se casarem. Em um vídeo gravado para o grupo Human Rights Campaing de defesa dos direitos dos gays, Hillary disse que apoiava o casamento gay "pessoalmente e como uma questão de política e de lei".

Norte-americanos gays, lésbicas, bissexuais ou transexuais "são nossos colegas, nossos professores, nossos soldados, nossos amigos, nossos entes queridos, e são cidadãos iguais e plenos e merecem os direitos da cidadania. Isso inclui o casamento", disse Hillary.

As declarações apontam uma mudança de discurso, uma vez que em 2008 Hillary se opôs ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Naquele ano, quando disputou as primárias democratas, mas acabou não sendo indicada como candidata presidencial do partido, ela afirmou que apoiava as uniões civis para homossexuais, mas que as decisões sobre a legalidade do casamento deveriam ficar a cargo dos estados.

Até o ano passado, o presidente Barack Obama tinha posição semelhante. Em maio, no entanto, declarou publicamente seu apoio ao casamento gay, que é permitido em nove estados americanos e na capital Washington.

No início deste mês, o marido de Hillary, o ex-presidente Bill Clinton, também comentou a questão, dizendo que a lei que ele assinou em 1996 definindo o casamento como entre um homem e uma mulher era inconstitucional e deveria ser derrubada.

O Partido Republicano se opôs ao casamento gay em sua plataforma da convenção do ano passado, mas alguns republicanos famosos discordaram. Entre eles o senador por Ohio Rob Portman, que na sexta-feira tornou-se o parlamentar republicano mais proeminente a respaldar o casamento gay – segundo ele, porque seu filho é homossexual. Líderes republicanos, no entanto, foram rápidos em reiterar sua oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Explicando como sua opinião tinha mudado, Hillary mencionou seu trabalho na área de direitos humanos durante seus quatro anos como a principal diplomata dos EUA e sua própria crença. Ela também citou a felicidade que ela e o marido sentiram quando a filha deles, Chelsea Clinton, se casou alguns anos atrás. "Desejo que todos os pais sintam aquela mesma alegria", disse.

Fonte: Veja Online e Human Rights Campaign

Republicano passou a apoiar casamento LGBT após descobrir que filho é gay

segunda-feira, 18 de março de 2013 1 comentários

Rob Portman assinou lei que definia casamento como união só entre homem e mulher,
mas, ao saber que o filho é gay, mudou de ideia sobre o assunto 
(JONATHAN ERNST/REUTERS)

Os defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos EUA ganharam um aliado tão importante como inesperado. O senador republicano Robert "Rob" Portman, visto no ano passado como um dos mais fortes candidatos a correr ao lado de Mitt Romney contra Barack Obama e signatário da lei que definiu o casamento como uma união entre um homem e uma mulher, em 1996, mudou radicalmente de opinião.

A decisão, anunciada num texto publicado no diário The Columbus Dispatch, foi motivada pela descoberta de que um dos seus filhos, Will Portman, é homossexual. "Acredito agora que se duas pessoas estão preparadas para assumirem um compromisso de vida para se amarem e cuidarem uma da outra, nos bons e nos maus momentos, o Governo não deve negar-lhes a oportunidade de se casarem", escreveu o senador eleito pelo estado do Ohio, que chegou a trabalhar na primeira administração de George Bush, na viragem das décadas de 80 e 90, e foi nomeado para dois cargos importantes por George W. Bush.

Depois de o seu filho ter assumido a sua orientação sexual, Rob Portman iniciou um período de reflexão familiar, que terminou nesta semana com o anúncio público da sua decisão. Uma decisão baseada na mesma fé que o levou a rejeitar o casamento igualitário em 1996: "Em última análise, tudo se resumiu aos temas abrangentes da Bíblia sobre o amor e a compaixão e à minha crença de que todos somos filhos de Deus."

No texto publicado no The Columbus Dispatch, o senador republicano explicou todo o processo que o levou a mudar de opinião: "Há dois anos, o meu filho Will, que frequentava então o primeiro ano da universidade [em Yale], disse-me a mim e à minha mulher, Jane, que é gay. Disse-nos que já tinha consciência desse facto há muito tempo e que a sua orientação sexual não tinha sido uma escolha sua; era apenas uma parte daquilo que ele é. A Jane e eu ficámos orgulhosos com a sua honestidade e a sua coragem. Ficámos surpreendidos por ele ser gay, mas sabíamos que ele continuava a ser a mesma pessoa que sempre fora. A única diferença é que passámos a ter uma imagem mais completa do filho que amamos."
O filho, Will Portman, agradeceu as palavras do pai através da sua conta no Twitter: "Hoje, sinto-me particularmente orgulhoso do meu pai", escreveu, juntando um link para o texto publicado no jornal.

O anúncio do influente senador republicano surge a apenas duas semanas da decisão do Supremo Tribunal sobre a contestação à Lei de Defesa do Casamento, aprovada há 17 anos – até ao final do mês, o Supremo irá decidir se o casamento entre pessoas do mesmo sexo deixará de ser proibido a nível federal.

Numa entrevista à CNN (ver abaixo), Portman revelou que falou com o antigo vice-presidente Dick Cheney, cuja filha Mary se casou com a sua companheira Heather Poe em Junho do ano passado em Washington, DC – o casamento entre pessoas do mesmo sexo é reconhecido na capital dos EUA e em nove estados. Cheney, vice-presidente de George W. Bush, é um dos mais conhecidos defensores do casamento igualitário no interior do Partido Republicano.

A decisão de Portman motivou uma reação seca por parte do republicano Newt Gingrich, antigo presidente da Câmara dos Representantes: "Podemos dizer: acredito tanto nos meus princípios, que vou expulsar-te de casa. Podemos dizer: continuo a acreditar nos meus princípios, mas amo-te. Ou podemos dizer: amo-te tanto, que vou mudar os meus princípios. O Rob escolheu a terceira via. É um direito que ele tem."

Fonte: Público.Pt

Cidades onde haverá manifestações contra Marco Feliciano neste final de semana!

sexta-feira, 15 de março de 2013 0 comentários


Manifestantes contrários à nomeação do pastor Marco Feliciano (PSC), para a presidência da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, prometem realizar protestos em cidades brasileiras no sábado, domingo e até na segunda, na parte da manhã e à tarde, a exemplo do já ocorrido no final de semana passado. Também estão previstos atos de brasileiros que moram no exterior (Londres, na Inglaterra, em Buenos Aires, na Argentina e em São Francisco, nos Estados Unidos). 

Esperam-se grandes manifestações sobretudo em São Paulo e no Rio, mas pelo menos outras 15 cidades também têm eventos programados contra o pastor e seu partido (o PSC). Os atos estão sendo divulgados nas redes sociais e devem contar com a presença de grupos ligados a movimentos da cultura negra, de religiões africanas, de combate à homofobia e também da sociedade civil organizada.

Confira a data, o horário e o local (em ordem alfabética) desses eventos no Facebook: 

Neonazistas ameaçam casal de lésbicas no interior de São Paulo

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Movimento Homofobia Já (MHJ) de olho em você!


Gays e negros são lixo, diz carta com símbolo nazista a casal de lésbicas
Bilhete, assinado por movimento, ameaça mulheres de Santa Bárbara (SP). Queremos vocês fora daqui. Vão ser felizes no inferno', relata a mensagem.

Duas mulheres, de 25 e 33 anos, que vivem juntas em Santa Bárbara D'Oeste (SP) receberam uma carta com conteúdo homofóbico e ameaças no sábado (9). A mensagem, de autoria de um grupo que se autodenomina Movimento Homofobia Já (MHJ), foi digitada e traz ainda a imagem de uma suástica, símbolo do nazismo. "Queremos vocês fora daqui. Vão ser felizes no inferno. Gays e negros são lixo. Coisas vão acontecer", relata o documento.

Conforme o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, o casal vive há dois anos no bairro Mollon 4. Na carta, o grupo diz que as mulheres são vigiadas 24 horas por dia e reclama ainda de músicas em volume alto, gritarias e beijos entre pessoas do mesmo sexo no local. O G1teve acesso ao boletim nesta segunda-feira (11).

O bilhete também traz insinuações relacionadas à filha de uma das vítimas, de nove anos de idade. "A polícia e o Conselho Tutelar vão adorar saber que existe uma criança que vive no meio de orgia e drogas", escreveu o grupo na carta, entregue no final da tarde de sábado na casa das vítimas.

Uma das mulheres procurou a Polícia Civil horas depois para registrar ocorrência. Ela informou desconhecer quem possa ter enviado a mensagem. À polícia, a mulher também negou as acusações contidas na carta. O caso será investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher de Santa Bábara. O G1 não conseguiu contato com o casal até a publicação deste texto.

Confira trechos da carta, conforme o registro policial:

"Primeiro aviso: nossa comunidade não admite mais estas atitudes imorais em nosso bairro. O Mollon, que sempre foi um bairro de família respeitado com seus idosos e crianças, hoje está habitado ou empesteado por gays, lésbicas, sapatões, seja lá que merda for."

"Já conseguimos ficar livres de duas casas assim, temos nossos métodos. Vocês estão sendo vigiadas 24 horas pela vizinhança. Conhecemos todos que frequentam esta pocilga. Os vizinhos não aguentam mais som alto com músicas de baixo calão, brigas e gritarias até altas horas. Se isso não bastasse, temos fotos e filmes de lésbicas se beijando em frente da casa."

"Como já disse, temos crianças e pessoas de família que não são obrigadas a conviver com isso. Se esta é a vida que escolheram viver, vão ter que sofrer as consequências da repugnação das pessoas de bem. Queremos vocês fora daqui. Vão ser felizes no inferno."

"Em sua casa nada vai acontecer, mas quando saírem na rua prestem atenção. A polícia e o Conselho Tutelar vão adorar saber que existe uma criança que vive no meio da orgia e drogas. Como eu disse, temos fotos de tudo isso, não somos amadores. Sempre tem um primeiro aviso, depois ação. Gays e negros são lixo. Coisas vão acontecer."

Fonte: G1, 11/03/2013

Colegiado Buddhista Brasileiro (CBB) protesta contra nomeação de Feliciano (PSC) para diretoria da Comissão dos Direitos Humanos

quinta-feira, 14 de março de 2013 0 comentários

Como budista, não poderia deixar de registrar, com alegria, a Declaração Pública do Colegiado Buddhista Brasileiro (CBB) contra a kafkiana nomeação do pastor Marco Feliciano para a presidência da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara Federal. Segue abaixo. Vale a leitura!

Vale ressaltar que também, ainda ontem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a
pós ministrar aula magna para calouros da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), afirmou que a indicação do parlamentar era "um absurdo". "Achei a mesma coisa que todos os brasileiros de bom senso: que é um absurdo".

Decididamente, só a bancada evangélica e obscurantistas congêneres continuam defendendo esse acinte, contra a democracia e os direitos humanos, que é a nomeação de um pregador da intolerância social como presidente de uma comissão  que deveria tratar de formas de combater as discriminações várias que vitimam tantos brasileiros!

Declaração Pública

O Colegiado Buddhista Brasileiro (CBB) vem nesta expressar sua profunda preocupação com a indicação e com a nomeação do Deputado Marcos Feliciano (PSC) para a diretoria da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da câmara. 

Nossa preocupação se deve ao inequívoco discurso intolerante e alienador que caracteriza as ideias do referido deputado. Suas palavras e atitudes de fundo racista e segregador o tornam um claro exemplo de tudo o que deveria ser denunciado pelo mais importante órgão de promoção e defesa dos direitos humanos em nosso país. Que as lideranças políticas brasileiras, por força de omissão ou deliberada troca de favores, permitam a tal pessoa assumir a coordenação da CDHM, demonstra um preocupante cenário de alienação ética no Brasil.

Acreditamos que a pregação do ódio contra quaisquer grupos étnicos, comunidades sociais ou instituições religiosas motiva com frequência atos de violência contra indivíduos e contra essas mesmas organizações e minorias. O CBB entende que, ao citar "comunidades sociais" deve-se considerar quaisquer grupos e comportamentos que não violentam os direitos alheios, entre os quais a comunidade LGBT. O CBB rejeita implicitamente as declarações homofóbicas do deputado citado juntamente com todas as outras manifestações discriminatórias. Esta cultura de ódio e fanatismo, sendo ela mesma fruto de uma profunda falta de consciência e grande desrespeito humano, torna-se ao final desse processo destrutivo e ignorante um câncer a devorar mentes e corações em todas as camadas sociais, atingindo a todos sem exceção. Tais práticas são essencialmente incompatíveis com qualquer proposta construtiva e unificadora para toda sociedade humana fundamentada em direitos e liberdades, base do estado laico e do próprio estado de direito.

O Colegiado Buddhista Brasileiro, fundamentado na tradição do Dharma de Buddha, entende que o bem comum em uma sociedade somente prevalece quando suas instituições políticas e sociais são capazes de criar condições para que o diálogo, a compreensão, a compaixão, a justiça social e o verdadeiro exercício da tolerância sejam não apenas possíveis a todos os seus cidadãos, mas adequadamente exemplificados pelos seus mais altos representantes.

Neste sentido, a atual condição da gestão política brasileira tem reiteradamente sido um demonstrativo de grave desprezo aos mais fundamentais elementos éticos e de justiça ao permitir que indivíduos alienados em suas crenças pessoais e tacanhos em suas opiniões assumam posições em que a consciência, o equilíbrio e a clareza de visão são qualidades essenciais.

É preciso que haja uma real mudança de atitudes no congresso brasileiro, e que os direitos humanos sejam exercidos e definidos com sabedoria e correção. A nomeação do deputado Marcos Feliciano apenas reflete a medíocre interpretação dos modos e fundamentos que integram o conceito legislativo da sociedade brasileira por parte de seus representantes políticos. Ela também simboliza a assustadora corrupção de valores que domina os poderes políticos atuais em nosso país, que distorce a democracia para favorecer interesses escusos. 

O Brasil, já há muito tempo, é liderado e legislado por parcialidades. Doutrinas populistas e manipuladoras da ignorância e das carências sócio-educacionais neste país estão cada vez mais assumindo nichos políticos essenciais, e defendendo por meio de suas visões particulares a sustentação da cobiça dos poderosos. 

O CBB repudia esta cultura da mediocridade, este desrespeito aos valores de consciência e coerência que grassa na sociedade brasileira, e conclama aos seus representantes políticos a terem mais visão e dignidade, mais honestidade e valor humano. Que seja revertida a nomeação do deputado Marcos Feliciano para coordenação da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara, e que seja realizada uma ampla reforma ética nas ações políticas de nosso país.

Colegiado Buddhista Brasileiro

Diretoria
Presidente Rev. Shaku Haku-Shin
Rev. Genshô Sensei
Dhammacariya Dhanapala
Shaku Hondaku
Rev. Miklos Kômyô
Presidente do Conselho do CBB
Rev. Prof. Dr. Ricardo Mário Gonçalves

Conselho
Lama Chagdud Khadro
Rev. Monge Rinchen Khienrab
Rev. Heyla Downey
Ven. Uttaranyana Sayadaw
Rev. Shaku Sogyo
Rev. Monja Sinceridade
Rev. Coen Sensei

À vista mais uma "nova" redação para o projeto contra a homofobia!

quarta-feira, 13 de março de 2013 0 comentários

Com quantas redações se faz um projeto de lei?

Paim quer dar nova redação ao projeto que criminaliza a homofobia

O relator no Senado diz manter diálogo tanto com ativistas gays, quanto com religiosos, e que pretende que a nova lei combata a violência e o ódio em coerência com os direitos humanos

O senador Paulo Paim (PT-RS) está disposto a dar uma nova redação à proposta que criminaliza a homofobia, em tramitação no Congresso há quase 12 anos. Paim é relator da proposta que está na Comissão de Direitos Humanos da do Senado.

“A minha intenção é construir um substitutivo. Houve o projeto original, a Marta Suplicy (PT-SP) fez outra redação e eu estou me propondo a fazer outra redação. Se me perguntarem qual é o texto do projeto, eu ainda não posso te dizer. Só digo que vou construir na seguinte linha: combate à homofobia, combate à violência e ao ódio”, disse o senador que tem se reunido com grupos contrários e a favor da proposta.

Paim tem obtido êxito ao propor ou relatar propostas polêmicas como a Lei das Cotas e o Estatuto da Igualdade Racial. Por isso, ele acredita que poderá obter a aprovação de seu relatório na comissão e até no Plenário do Senado ainda neste ano. “Vou buscar parceria com todos, os que pensam de uma forma e o que pensam de outra forma”.

Todos, na definição de Paim, são os grupos LGBTs interessados na aprovação da proposta e seus opositores, na maior parte das vezes grupos religiosos.

“Trata-se de um projeto que não divide governo e oposição. As posições foram radicalizadas entre aqueles que são favoráveis à livre orientação sexual e aqueles que são contra, por uma questão de fundo religioso”, disse o senador.

Além disso, Paim espera aproveitar as discussões sobre o novo Código Civil, que ocorreram no Senado, para detalhar o conceito de homofobia. “A comissão que vai elaborar o novo Código Civil vai discutir a questão da homofobia, qual é a abrangência da homofobia, até onde isso vai. Nessa discussão pode existir algo que vai nos ajudar a refazer esse debate”, justificou.

A ideia de tornar crime a discriminação devido a orientação sexual, da mesma forma que é crime a discriminação por motivo racial, está em tramitação no Congresso desde 2001, quando a proposta foi apresentada pela deputada Iara Bernardi. (PT-SP).

Aprovada no Plenário da Câmara em 2005, a proposta prevê punições para situações como dispensa de empregados por motivo de sexo, orientação sexual e identidade de gênero, proibição de ingresso ou permanência em qualquer ambiente público ou privado, discriminação em sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional, a recusa de hospedagem, além de impedimento ou restrição de manifestação de afetividade homossexual, quando estas expressões e manifestações forem permitidas aos demais cidadãos.

No Senado, o PLC 122/2006, já foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Caso seja aprovado na Comissão de Direitos Humanos, terá que ter o aval da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, antes de seguir para o Plenário.

Desde o início, os ânimos exaltados marcaram as discussões sobre o assunto, nas diversas audiências públicas realizadas na Câmara e no Senado.

“Eu não pretendo fazer audiência pública, eu acho que não rende mais. Só eu já presidi mais de uma dúzia. Eu pretendo conversar, reunir, dialogar com muita gente aqui, mas repito, falar, falar muito, na linha dos direitos humanos. O que vai pautar a minha redação final vai ser a linha dos direitos humanos”, enfatizou o senador.

Fonte: Último Segundo

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