First Kill descontinuada: assinantes protestam contra fim de séries lésbicas na primeira temporada

quarta-feira, 10 de agosto de 2022 0 comentários

First Kill foi descontinuada após o lançamento da primeira temporada

Outras produções com protagonistas lésbicas e bissexuais também ficaram sem final

"Vou assistir a série pelo conteúdo. O conteúdo? Mulheres se beijando". Quem se entendeu lésbica ou bissexual antes da popularização dos streamings, sabe como era difícil encontrar séries que trouxessem representatividade e acolhimento. Ver The L Word em baixíssima resolução ou caçar a temporada de Naomi e Emily em Skins era uma forma de encontrar na ficção uma referência para a vida real.

Além da dificuldade de achar produções que retratassem o amor entre mulheres, quando essas figuras apareciam, geralmente tinham um final trágico. Mortes, doenças, traições e separações são comuns nessas tramas.

Alguns anos atrás, quando ainda estava conquistando espaço no mercado do audiovisual, a Netflix chamou a atenção ao produzir uma série protagonizada por uma personagem bissexual que era presa na mesma penitenciária que a ex-namorada. Orange Is The New Black recebeu, na época, o posto de série mais assistida da plataforma.

O enredo terminou após 7 temporadas em 2019. E essa foi a última vez que a companhia concluiu uma narrativa sáfica. Everything Sucks? Cancelada. I Am Not Okay With This? Ficou sem continuação. Feel Good? Também esquecida no churrasco.

Pouco tempo após o lançamento, saiu a notícia de que First Kill também não teria um desenvolvimento. A série, que ficou conhecida como o "crepúsculo lésbico", terminou com um final aberto e não será continuada pela plataforma de streaming.

Apesar dos efeitos toscos e da cenografia duvidosa, o enredo havia conquistado uma parcela considerável do público. Com poucas opções de produções focadas no amor entre mulheres, a série conseguiu entregar entretenimento e representatividade. No mês de lançamento, a trama ficou entre as mais assistidas, com 100 milhões de horas de reprodução.

Revoltados com a decisão da companhia, os assinantes subiram uma hashtag no Twitter para reclamar sobre o cancelamento da produção. "#CancelNetflix" ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter nesta quarta-feira (3).

Os fãs esperam que a empresa mude de opinião e decida criar um desfecho para o romance entre a caçadora e a vampira. E que, nas próximas produções, pare de assassinar as séries com protagonistas lésbicas e bissexuais logo na primeira temporada. Essa não foi a primeira morte, mas pode ser a última.

Comediante Gabô Pantaleão inspira lésbicas que não performam feminilidade

quarta-feira, 27 de julho de 2022 0 comentários

Gabô Pantaleão - Fotografia: Woulthamberg

Ela tem mais de 1 milhão de seguidores no TikTok, sangue alagoano e é "sapatão caminhoneira" assumida. Gabô Pantaleão não esconde seus posicionamentos políticos e garante: "Comédia é política".

De uma infância livre e feliz em Maceió aos vídeos virais de humor, Gabô precisou enfrentar alguns obstáculos. Lésbica, gorda e nordestina, disse ao Yahoo que bullying fez parte de sua infância e foi um longo caminho até conseguir se assumir.
Tinham medo de falar lésbica. É uma palavra que soa como uma doença. Tinham medo de falar 'sapatão ou sapatona'. Então, eu achava que era errado, achava que eu ia para o inferno".
Hoje, a ferida já cicatrizou e Gabô usa dessas histórias e experiências para conscientizar seu público. 
Quando eu comecei a me ver na Internet, vieram muitos comentários também. Abala, mas a gente não agrada todo mundo. Se me perguntar hoje se eu tenho hater, eu acho que muito pouco! O povo se identifica muito comigo, principalmente as lésbicas que não performam feminilidade".

Clipping "Sapatão caminhoneira", Gabô Pantaleão fala sobre humor e representatividade, Yahoo Vida e Estilo, 11/07/2022

Parlamento alemão vai homenagear as vítimas homossexuais do regime nazista no Dia Internacional da Memória do Holocausto

segunda-feira, 25 de julho de 2022 0 comentários


Dia Internacional da Memória do Holocausto é celebrado todo ano no dia 27 de janeiro


O Parlamento alemão vai homenagear as vítimas do regime nazista que foram perseguidas e mortas por sua orientação sexual pela primeira vez no ano que
vem, disse o presidente do Bundestag na sexta-feira.

Em 27 de janeiro, Dia Internacional da Memória do Holocausto, os legisladores alemães colocarão essas vítimas "no centro da cerimônia de comemoração", disse Baerbel Bas ao diário alemão Tagesspiegel.

Desde 1996, a Alemanha celebra oficialmente o Dia da Memória do Holocausto com uma cerimônia solene no Bundestag que inclui o discurso de um sobrevivente e comemorações em todo o país.
Infelizmente não há sobreviventes para o memorial às vítimas LGB — disse Bas, acrescentando que as autoridades parlamentares estão conversando com a Federação Alemã de Lésbicas e Gays (LSVD).
Ativistas trabalham há anos para estabelecer uma comemoração parlamentar oficial das vítimas do regime nazista que foram perseguidas por sua identidade sexual ou de gênero.
Essas vítimas ainda não têm seu próprio memorial. Para tirar as devidas lições de todas as suas diferentes facetas, a história deve ser mantida viva — disse Henny Engels, membro do conselho de administração do LSVD.

Clipping Parlamento alemão homenageará vítimas LGBT+ do nazismo, por Por AFP — Berlim, via O Globo, 

Tenista Daria Kasatkina revela que tem namorada e denuncia homofobia na Rússia

sexta-feira, 22 de julho de 2022 1 comentários

Daria Kasatkina assume que tem namorada 
(Image: Instagram @kasatkina / YouTube Vitya Kravchenko)


Russa número 12 do mundo confirma em entrevista publicada pelo Youtuber Vitia Kravchenko que tem uma namorada

A tenista russa Daria Kasatkina, número 12 do mundo, assumiu seu relacionamento amoroso com outra mulher em uma entrevista publicada nesta segunda-feira, na qual também denunciou a homofobia na Rússia.
"É difícil e não adianta nada ficar muito tempo no armário", afirmou Kasatkina na entrevista, publicada pelo Youtuber Vitia Kravchenko, na qual ela diz ter uma namorada.

Daria Kasatkina
"Enquanto você não assume, você não se sente bem. Depois, fica claro que cada um deve escolher como quer se abrir e até que ponto. O mais importante é estar bem consigo mesmo", acrescentou a tenista de 25 anos nascida em Toliatti, cidade às margens do rio Volga no sul da Rússia, muito próxima da fronteira com o Cazaquistão.
Kasatkina lamenta que a homossexualidade esteja "proibida" na Rússia.
Existem outras coisas mais importantes que são proibidas, por isso não é nada surpreendente".
A tenista admite que "escolher ser gay" torna a vida mais difícil, "especialmente na Rússia", onde nesta segunda-feira um grupo de deputados apresentou um projeto de lei para proibir a difusão de informações "sobre as relações sexuais não tradicionais" entre qualquer pessoa.

Em 2013, foi aprovada uma lei que proíbe o mesmo, mas no caso de essas informações serem dirigidas a um público menor de idade.

Várias ONGs de defesa de gays e lésbicas denunciam que essa lei serve para perseguir abertamente os homossexuais, em um país onde seu presidente, Vladimir Putin, e a igreja ortodoxa defendem os valores tradicionais frente ao "degenerado" Ocidente.

Poucas horas depois da entrevista, Kasatkina publicou em sua conta no Instagram uma foto ao lado de uma mulher, com apenas um coração como legenda.

Vencedora de quatro torneios na carreira, o último em 2021, a tenista russa entrou pela primeira vez no Top 10 do ranking da WTA em 2018. Seu melhor resultado em Grand Slam foi na edição deste ano de Roland Garros, onde caiu nas semifinais para a polonesa Iga Swiatek.

Tenista Daria Kasatkina revela homossexualidade e denuncia homofobia na Rússia

Cerimonialista não aceita oficiar casamentos homossexuais

segunda-feira, 18 de julho de 2022 0 comentários

Ao orçar o matrimônio, Isabella e Bianca tiveram pedido recusado por empresário
 que só casa heterossexuais.

Nos preparativos para o casamento previsto para daqui a dois anos, o casal Bianca dos Santos Ventura, de 23 anos, e Isabella Santiago Pereira, de 21 anos, procuravam cerimonialista para realizar o sonho do matrimônio no litoral. O inesperado aconteceu na ultima quinta-feira, quando um empresário se negou a passar o orçamento por elas não serem um casal heterossexual. A atitude do celebrante chocou as noivas, que vão denunciar a violência sofrida.
Procurando por casamentos completos no litoral, numa busca bem genérica mesmo, me deparei com o serviço do Omar Zaracho. Olhei as fotos, o cerimonial dos casamentos e achei tudo muito bonito. Então entrei em contato e foi aí que recebi a resposta negativa, de que não realizava casamento de homossexual. Não foi bacana o que ele fez, então resolvi postar no Instagram para mostrar aos meus amigos o que aconteceu comigo. E foi ai que chave virou, de que o que ele fez era crime — contou Isabella.
Omar Zaracho oferece serviço de realização de cerimônias, não contendo buffet e nem decoração. A justificativa do ministro celebrante para se negar a fazer o orçamento para o casal é de que não realiza casamentos homoafetivos.
Em nenhum momento ofendi, julguei a opção delas ou faltei com o respeito. Se elas estavam procurando um buffet ou local de festa procuraram errado. Eu sou apenas um ministro celebrante de cerimônias heterossexuais, como já diz no meu site que é minha especialização. Falta de respeito seria se eu fizesse um serviço para o qual não tenho experiência e nem qualificações. Como não eram clientes que eu iria preencher as expectativas, encerrei o atendimento para evitar constrangimentos pelos quais passei outras vezes de receber insultos e xingamentos — explicou Zaracho.
Nas redes sociais, poucas horas depois de responder Bianca e Isabella, o cerimonialista fez um post afirmando que "a procriação só é possível entre um homem e uma mulher", mencionando Deus e trechos da Bíblia.

A pedagoga Isabella, namorada da engenheira Bianca há dois anos, disse que a resposta de Zaracho foi logo em seguida da informação do nome delas, conforme mostra o print abaixo feito pela noiva da conversa entre eles.

Sem acreditar eu fui olhar o site dele com mais atenção. Eu só tinha feito uma leitura dinâmica, não tinha me atentado aos detalhes. E foi nessa segunda leitura que eu vi na própria descrição do site ele falando que não realizava casamentos homossexuais. Isso é um caos. Na hora pensei "não é possível, sério que isso tá acontecendo?" eu fui dormir pensando naquilo — contou Isabella, acrescentando que ao compartilhar a história encontrou outro casal de amigas que sofreram uma situação parecida, o que mostrou a gravidade da situação que não era um caso isolado.
Enfatizando a exposição da conversa particular e privada, Zaracho diz que precisou privar o perfil da empresa devido aos insultos e que "não podem obrigar um prestador de serviços aceitar um serviço ao qual não está preparado para realizar":
Grupos LGBT começaram a me atacar e xingar. Assédio psicológico é crime. Na cerimônia hetero consigo expor o gênesis da criação, que é o projeto de Deus para o casamento e a família. Na homoafetiva não tem como usar essas bases da cosmovisão judeu cristã, a própria natureza nega a reprodução entre casais do mesmo sexo. Eu não tenho preparo para fazer uma cerimônia sem essas bases. Prefiro não fazer, mas respeito a liberdade de escolha das pessoas — ressaltou o cerimonialista, que já deixa explicito na descrição dos serviços no site que realiza "apenas cerimônias heterossexuais".
Print feito por Isabella da descrição do site do celebrante — Foto: Reprodução

A pedagoga compartilhou a imagem com amigos no seu perfil do Instagram, que questionaram Zaracho fazendo comentários na publicação dele.


Montagem com print da publicação e de uma das respostas de Omar nos comentários
 — Foto: Reprodução/Instagram

Omar Zaracho, reverendo formado em teologia pelo Instituto Bíblico Rio de la Plata, de Buenos Aires, e em aconselhamento pela University of the Nations, bilíngue e que realiza especialmente cerimônias de casamento em praias na região de Búzios, fez outra publicação. Desta vez no Twitter, comentando a repercussão do caso e que está "sofrendo perseguição da ditadura gay".











As noivas, Isabella e Bianca, disseram ainda que, com a repercussão do caso, foram procuradas por um advogado que se propôs a pegar o caso e dar prosseguimento a denúncia para processa-lo:

Não vamos deixar isso quieto, homofobia é crime — afirmaram.

Clipping Cerimonialista se nega a realizar casamento de lésbicas: 'só caso homem e mulher', por  Thayssa Rios, O Globo, 14/07/2022

Amor lésbico em estética vintage por Jenifer Prince

segunda-feira, 11 de julho de 2022 0 comentários

Crédito: Jenifer Prince

Duas mulheres se encaram, muito próximas, de olhos fechados. A de pele escura e cabelo longo, preso numa trança, acaricia o rosto da outra, de pele clara, cabelo curto e bicolor. Essa foi a ilustração que fez com que Jenifer Prince, de 29 anos, decidisse dedicar-se definitivamente ao ofício de artista. Era 2016 e aquela, uma de suas primeiras artes digitais, foi escolhida como cartaz da Dyke March, marcha anual de lésbicas de São Francisco, nos Estados Unidos, onde a brasileira fazia intercâmbio.
Quando vi aquelas mulheres incríveis segurando meu pôster, percebi que queria me representar e representar outras como eu”, conta.
Hoje, seu trabalho é construir “narrativas sáficas com estética vintage”, desenhos únicos que lembram quadrinhos antigos, com os quais conquistou uma legião de fãs (mais de 258 mil, para ser exata) no Instagram e no Twitter. Jenifer começou a desenhar ainda criança, em Guaxupé, sua cidade natal em Minas Gerais, de pouco mais de 50 mil habitantes. Nos seus primeiros esboços havia, sobretudo, mãos femininas entrelaçadas. Olhando para trás, ela vê nesses rascunhos um reflexo de seus desejos e sentimentos inconscientes.

Eu não tinha referências de pessoas que viviam sua sexualidade publicamente. Para mim, a possibilidade de ser uma mulher lésbica não existia, mas a chance de ilustrar o que sentia me ajudou muito a me entender como tal”, diz.

Também eram escassos ou inexistentes os exemplos de pessoas que conseguiam fazer da arte uma profissão. Ainda assim, Jenifer decidiu mudar-se para Juiz de Fora, onde estudou cinema, moda, artes e design num único curso. “Tendo crescido sem acesso à internet, meu conhecimento era bem limitado. Lembro do quanto me surpreendi quando descobri que existiam outros tipos de papel além do sulfite”, ri. À medida que aprendia, ela se profissionalizava, construindo uma identidade estética inconfundível, que mescla referências do pop contemporâneo com as pulp novels, revistas impressas em papel e tintas baratas com narrativas “de emoção”, por vezes sensacionalistas, muito famosas nas décadas de 1980 ou 1990.

A principal diferença é que, em vez de um homem forte e viril carregando nos braços uma donzela indefesa, a arte de Jenifer é protagonizada por mulheres que expressam amor e desejo umas pelas outras.
Desde muito nova, eu ilustrava minhas experiências e levava, de alguma forma, as minhas relações para a ilustração, mesmo que não de forma explícita. Foi na Dyke March que vi a possibilidade de fazer uma arte que fosse menos sobre mim e mais sobre todas nós. Quero contar histórias que outras pessoas vivem ou que eu gostaria que existissem”, reflete.
Recentemente, ela chamou a atenção da Netflix, que a convidou para ilustrar a campanha de divulgação da série Primeira Morte, trama adolescente sobre uma vampira e uma caça-vampiras que se apaixonam. Uma narrativa leve sobre relacionamentos entre mulheres que a própria Jenifer desejava ter assistido enquanto crescia.
Apesar de ter me entendido cedo como não-hétero, demorei a me entender como lésbica porque, enquanto consumia todo tipo de série e filme que encontrava sobre relacionamentos assim, aos 14 ou 15 anos, só via histórias sobre a dificuldade em sair do armário. Felizmente, temos visto mais enredos sem todas as batalhas para existir e ser aceita”, celebra.
Crédito: Jenifer Prince

Amor e além

As cenas ilustradas por Jenifer são, frequentemente, trocas de carinhos e palavras de afeto entre suas personagens, mas não faltam duplos sentidos e um erotismo refinado, muito distante da hiperssexualização que ainda recai sobre mulheres lésbicas em em muitas narrativas da cultura de massas.
Sempre fiz arte erótica e sempre tive cuidado em representar pessoas para além daquele casal lindo e dentro dos padrões de beleza”, conta.
A diversidade racial e de corpos é uma prioridade no seu processo criativo. “Quando comecei, eu mesma tive dificuldade em encontrar representações de lésbicas não brancas”, acrescenta ela, cujas principais referências, além de todo o universo pop, são os filmes antigos de Hollywood e as canções românticas da década de 1950 (ainda que também seja fã de Taylor Swift). Jenifer se diz feliz ao perceber que, lentamente, as narrativas  tornam-se mais inclusivas.

E ela quer contribuir com seu grão de areia nesse processo. Enquanto continua a criar suas artes digitais, desenvolve um livro e tenta não se deslumbrar com o sucesso nas redes.

No começo, sentia a pressão dos likes, mas faço terapia para não ficar aflita com isso. O que ela quer é continuar representando, com beleza e honestidade, a paixão entre mulheres.

Clipping Jenifer Prince e a arte de ilustrar o amor lésbico em estética vintage, por Joana Oliveira,  Claudia, 08/07/2022

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