Fernanda Souza descobriu em amiga de infância seu grande amor

quarta-feira, 29 de junho de 2022 1 comentários

Eduarda Porto e Fernanda Souza celebram relacionamento nas redes sociais

Em entrevista à revista Harpeer’s Baazar, a atriz Fernanda Souza revelou que parte do processo em se descobrir apaixonada por Eduarda Porto veio do estudo e do autoconhecimento. A estrela global era amiga de Porto há vários anos, mas elas só começaram a se relacionar no último ano.

“Duda”, apelido dado por Fernanda à sua namorada, é amiga da atriz desde a infância. A amizade delas continuou mesmo durante o casamento entre Souza e Thiaguinho.

De acordo com Fernanda, o ano de 2019 foi crucial para compreender melhor sua própria vida. Longe das câmeras, ela pode voltar a estudar e se dedicar a si mesma.
Estudar me faz compreender que o que aprendo sobre mim e me ajuda muito a entender como agir em relação à cada coisa, em todas as esferas da minha vida”, contou ao Harpeer’s Bazaar.
Ela afirma que agora está de volta ao trabalho. E que o relacionamento com Duda Porto está no meio de sua volta às câmeras. Para Fernanda Souza, a descoberta dessa paixão e o reconhecimento de sua identidade como LGBTQIA+ ocorreu por conta de todo o trabalho de autoconhecimento iniciado há três anos atrás.
Quando meu dia seguinte está menos cheio, vou dormir na casa da Duda. Foi por causa do autoconhecimento que eu entendi o quanto falar sobre esse assunto me faz bem, iluminou completamente a minha relação com a minha família e até me ajudou a acolher a descoberta de um novo amor. O tempo investido em olhar pra dentro traz transformações amorosas e potentes. Quando você se conhece e se ama, você banca quem você é”, disse a atriz.

Clipping Fernanda Souza diz que autoconhecimento ajudou a descobrir amor por Eduarda Porto: ‘Você banca quem é, Hypeness, 29,06/2022

Orgulho Lésbico: o happening político do Ferro's Bar

sábado, 25 de junho de 2022 6 comentários


Sumário

Perfil Míriam Martinho 
Histórico do lançamento do dia do orgulho e apresentação do material deste resgate.
Memória 19/08/83: Panfleto “Pra você que frequenta o Ferro’s”
Memória 19/08/83: texto Democracia também para lésbicas: uma luta no Ferro’s Bar
A Manifestação do Ferro’s em fotos: nota de esclarecimento.
Memória 19/08/83: A Manifestação do Ferro’s em fotos.
Memória 19/08/83: A noite em que as lésbicas invadiram seu próprio bar.
Memória 19/08/83: Panfleto A democracia depende de nós
Memória 19/08/83: Moção nº 248/83, apoio da Câmara Municipal de São Paulo
Rosely Roth - (21/08/59.-28/08/90)
Onde foi parar o Movimento Lésbico Internacional?
O surgimento das teorias de gênero e a homossexualidade virando atração por gêneros
Movimento Lésbico Internacional parou nas teorias de gênero, mas não se deu por vencido.
Onde foi parar o Movimento Lésbico no Brasil (breve histórico).
Lançamento do Dia do Orgulho Lésbico e da Caminhada Lésbica em texto e fotos
2003: Um divisor de águas para pior: as matrioskas da cooptação.
Movimento Lésbico internacional não se deu por vencido. E o do Brasil?

Casal de mulheres ganha presente duplo feito por filha na creche

sexta-feira, 13 de maio de 2022 0 comentários

                              Elis, de 1 ano e doze meses, entregou presente para as duas mães;                                 post com foto chegou a mais de 100 mil curtidas no Twitter

Quem tem filhos que frequentam creche ou escolinha sabe que possivelmente receberá, em alguma data comemorativa, um presente personalizado feito pela criança durante a aula. Nesta sexta (6), foi a vez de a biomédica Tainá Maia e a servidora pública Keite Valença entrarem para esse time: mães de Elis, de 1 ano e 11 meses, elas viram a menininha chegar com duas almofadas, cada uma desenhada para uma das mães.

Juntas há 12 anos, elas vivem o que é chamado dupla maternidade. O casal acredita que falar sobre mães lésbicas e outras configurações de família que não sejam apenas pai e mãe é importante. Por isso, Keite foi ao Twitter celebrar o mimo enviado pela creche. A foto das três conquistou os usuários da rede social: até a publicação desta reportagem, haviam sido 113 mil curtidas e mais de mil compartilhamentos do conteúdo celebrando a imagem.
Ficamos felizes com a repercussão. Falta a discussão de que família não é só pai e mãe, existem várias conformações do que é família", comentou a servidora pública em entrevista para o site Universa.

 Dupla maternidade e o presente de Dia das Mães

As mães, que moram no Rio de Janeiro, se surpreenderam
com o presente entregue pela creche de Elis Imagem: Arquivo pessoal

Keite e Tainá viverão o segundo Dia das Mães com a pequena Elis nos braços. Neste ano, no entanto, o presente das mães foi garantido pela creche: a menina usou carimbos de coração para enfeitar uma almofada com o nome dela e a mensagem "Mamãe, te amo".

A servidora pública diz que antecipadamente já sabiam que a escola era "preocupada com a inclusão e com as particularidades de cada criança". Mas o mimo foi uma surpresa.
Essa consideração da creche nos deixou muito felizes. Lá, eles também fazem o Dia das Famílias e não fazem festinhas de Dia das Mães ou Dia dos Pais, para não ficar uma situação de constrangimento para as crianças que não têm essa configuração familiar com pai e mãe."
Tainá conta que foi buscar a filha na escola e a professora comentou:
Se ela tem duas mamães, tem que levar dois presentes".
Para ela, o episódio é um pequeno movimento em uma extensa luta para o fim do estigma que recai sobre diferentes configurações de família.
Quando começamos a nos relacionar, não era permitido nem casar, que dirá ter dupla maternidade. Hoje, quando o bebê nasce já é possível até colocar o nome das duas mães na certidão. É um avanço, mas ainda temos um caminho longo."
Para Keite, o fato de a foto da família ter recebido tantos elogios no Twitter também indica essa mudança comportamental e novos caminhos na representação de mães lésbicas.
Vi meninas lésbicas dizendo que daqui a uns anos querem isso para elas. É uma representatividade que não tínhamos há 20 anos."

Gestação foi realização de um desejo das duas mães; hoje, Elis tem quase dois anos
Imagem: Arquivo pessoal..

Keite e Tainá contam que estão numa fase de viver "a delícia que é criar um ser humaninho" como Elis.
Sempre quis ser mãe, nos programamos para isso. E nós duas participamos de tudo ativamente, Tainá até conseguiu amamentar nos primeiros meses de vida da nossa filha [é possível fazer tratamento para indução de produção de leite materno]", diz a servidora pública.
Para este domingo, a família terá uma programação agitada: vai visitar avós e bisavós e celebrar a maternidade entre elas.
Queremos dar atenção a todas essas mulheres que ajudaram a nos formar e que, com certeza, já estão ajudando a formar Elis", explica Keite.
Clipping Ela tem duas mamães': casal ganha presente duplo feito por filha na creche, por Nathália Geraldo, Universa, UOL, 07/05/2022

Apesar de 47.000 registros de crianças por duas mães, a lei ainda não é igualitária para as lésbicas.

quarta-feira, 11 de maio de 2022 0 comentários

A decisão de quem vai gestar o bebê é particular,
mas as tentativas costumam ser duplas.
Imagem: Depositphotos

Mesmo com mais de 45 mil registros em certidões de nascimento por duas mães nos últimos nove anos, leis do país não garantem direitos

Hoje é cada vez mais comum acompanhar o processo de gravidez que envolve duas mulheres. De perfis nas redes sociais a casais de famosas como Nanda Costa e Lan Lanh, mulheres lésbicas compartilham a realidade da chamada dupla maternidade. De acordo com a Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg/BR), entre 2013 e fevereiro de 2022, foram realizados 47.124 registros de crianças por duas mães em todo o Brasil.

Se por um lado, a dupla maternidade tem ganhado as redes sociais e os lares brasileiros, a legislação ainda está longe de contemplar esse modelo familiar. Abaixo entrevista do site Nós com a advogada Lucila Lang do escritório Lang & Michelena Advogadas que atende, em especial, casos de pessoas LGBTQIA+, que relatou os principais desafios enfrentados por mulheres lésbicas na hora de ter filhos.

Lei ainda é restrita para quem gesta

A decisão de quem vai gestar o bebê é muito particular. Pode ser quem nutre um maior desejo ou quem está mais apta sob a perspectiva de saúde física e mental, por exemplo. Em muitos casos a tentativa é dupla, com ambas as mães passando pelos processos para engravidar. No entanto, na maioria dos casos, apenas uma das mulheres do casal engravida, o que faz com que automaticamente, as leis sejam exclusivas para elas.
Culturalmente nossa sociedade parte do princípio que o lugar da maternidade está ligada à gestação e essa visão é geral e não só da lei", explica Lucila.
Licença-maternidade e salário-maternidade são os principais direitos quando se fala em parentalidade e, em geral, estão atrelados.
São coisas diferentes mas que acontecem juntas. A licença é o período de afastamento do trabalho, já o salário significa a verba disponibilizada durante o período de afastamento", explica a advogada.
Para quem gesta, a legislação prevê 120 dias; já quem não, tem direito a cinco dias na chamada licença-paternidade, que não conta com remuneração. Outro benefício também exclusivo de quem gesta é a estabilidade, que proíbe a empresa de desligar a pessoa quando retornar ao trabalho.
Essa falta de suporte faz com que muitas mulheres não confrontem as empresas que trabalham, afinal não existe nenhuma garantia de suporte financeiro ou de que seguirão contratadas após a licença", relata.
Esse possível confronto se dá, em especial, porque com a falta de legislação cabe às empresas o estabelecimento de políticas que beneficiem quem não gesta, sendo necessária a ação de vários agentes: se o RH está disposto a comprar a briga dentro da empresa, quais são as políticas já estabelecidas desta organização, se a gestão apoia ou não a causa e assim por diante.

Mãe e Mãe

Outro desafio encontrado pelas mães é o próprio registro do bebê. O provimento 63/2017 do Conselho Nacional de Justiça prevê a lavratura do registro de duas mães em caso de reprodução assistida, desde que se apresente uma série de documentos, incluindo laudos da clínica de fertilização, o que já exclui automaticamente casais que optam por outras formas de reprodução como inseminação caseira. 
Existe a certidão de nascido vivo que é emitida pelo hospital, que depois de muita luta passou a trazer recentemente os campos de genitor(a) 1 e genitor(a) 2, ao invés de pai e mãe, e mesmo com essa certidão e os documentos da fertilização tem cartório que recusa o registro", detalha a advogada, revelando que o mesmo não acontece com casais heterossexuais.
Para registrar o bebê com dupla maternidade as mães enfrentam uma série de burocracias Foto: iStock

A legislação também só autoriza o nome de ambas as mães na certidão de nascimento se o casal for legalmente casado, porém, caso um homem chegue no cartório sem nenhuma relação formal com a mulher que deu à luz, não é exigida nenhuma documentação específica.
São processos burocráticos completamente diferentes e sem nenhum motivo", aponta a advogada.
No momento, segue na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 5423/20, proposto por Maria do Rosário (PT-RS), que busca garantir o direito de registro de dupla maternidade ou paternidade a casais homoafetivos que tiverem filhos independentemente do estado civil, mas sem previsão de avanço nas tramitações.

Falta de acesso acentua desigualdade

Lucila aponta que nunca tomou conhecimento de um caso de inseminação caseira em que as mães conseguiram o registro, e consequentemente acesso aos direitos, sem judicialização.
Conforme vai se criando jurisprudência o caminho encurta e hoje já vemos casos onde os pedidos judiciais se dão no começo da gestação e ao nascer já há um parecer, porém, por anos acompanhei crianças com três, quatro anos de idade sem o registro das duas mães", relata, lembrando ainda que o casal precisava apresentar uma série de laudos de assistência social e psicólogos para conseguir o direito de registrar o filho ou filha.
Ainda que o país conte com um programa de reprodução assistida público, via SUS, o tempo médio de espera é de quatro anos, o que faz com que muitas pessoas não consigam esperar, inclusive pelo fator etário, que pode inviabilizar a gestação. Para uma pessoa de 30 anos, a taxa de sucesso do procedimento de fertilização assistida é de 34%. Já aos 45 anos, essa taxa cai para 12%.
Todo o processo é muito caro, desde o acesso a medicação, passando pelo rastreamento genético e chegando aos procedimentos em si. E isso faz com que a questão do direito reprodutivo seja uma questão de classe, raça e território", finaliza Lucila, fazendo referência ao fato de que apenas oito dos 27 estados oferecem o serviço gratuitamente ou a um custo razoável: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Bahia, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.
Clipping Os desafios legais da dupla maternidade, por Iran Giusti, Terra (Nós), 07/05/2022

Espaço de acolhimento para lésbicas na favela da Maré

sexta-feira, 15 de abril de 2022 0 comentários


Espaço será também o primeiro em território de favela a contar com abrigo temporário para lésbicas faveladas

A laje da Casa Resistências ficou pequena para receber as cerca de 50 mulheres que estavam em festa para a inauguração do espaço localizado na Vila dos Pinheiros. A Casa Resistências será a sede da Coletiva Resistência Lésbica da Maré, formado por cerca de 15 mulheres, que atua desde 2016. O espaço será também o primeiro em território de favela a contar com abrigo temporário para lésbicas faveladas que foram expulsas de suas casas por lesbofobia. Além do lugar de acolhimento, a casa será um pólo de produção de arte e cultura, com viés na produção de direitos humanos para lésbicas de favela.

O evento teve mesa de abertura com mediação de Paloma Marins, integrante da Coletiva Resistência Lésbica da Maré. Participaram da conversa Lazana Guizzo, arquiteta; Dayana Gusmão, coordenadora da Casa Resistências; Beatriz Adura, psicóloga e coordenadora de acolhimento da Casa Resistências; Flavinha Cândido, educadora e coordenadora do grupo de trabalho do mandato da deputada estadual Renata Souza; Mãe Lenira D’Óxum, matriarca da Casa Resistências e Camila Felippe, integrante da Coletiva Resistência Lésbica da Maré e coordenadora de segurança alimentar da Casa Resistências. A festa contou com a presença da vereadora Mônica Benício, viúva da também vereadora Marielle Franco.

Nos discursos, ficou evidente a necessidade de mulheres lésbicas de favela se organizarem para lutar por seus direitos.
Percebemos que a unidade de pessoas lésbicas de favela é forte. No Brasil, faltam casas como essa, pois quando se pensa em acolhimento, às existentes são fora da favela. Essa casa veio para mostrar que a favela é acolhedora, que ninguém precisa sair do seu território para ser cuidada”, diz Beatriz Adura.
Para Paloma Marins, a inauguração é a realização de um sonho coletivo.
Juntas foi possível criar um espaço só nosso, da mulher lésbica. Um local onde uma vai cuidar da outra, sendo uma casa que vai ser o pontapé inicial na vida dessa mulher”, conta.
No evento também foi mencionado que toda mulher lésbica de favela que queira somar na luta é bem-vinda. “Pelo que sabemos, essa é a primeira casa de acolhimento lésbica numa favela na América Latina. Hoje realizamos um sonho de uma casa com felicidade, esperança e afetividade”, lembra Camila Felippe. A casa terá infraestrutura onde as acolhidas terão um cômodo escritório para criação de currículo e estudo.
Não será uma casa só de afeto, mas de cuidado com alimentação e a saúde da mulher A união é prioridade, pois sabemos que para as mulheres pretas, pobres e lésbicas a vida é muito mais difícil”, comenta.
Colaborar para a casa continuar de braços abertos

A casa tem a capacidade de receber até oito mulheres, como um domicílio de passagem onde a mulher permanece pelo período de seis meses.
A ideia nasceu na pandemia de uma demanda que recebemos de muitas. Aqui, após sair de casa, vão ser acolhidas para fazer algo mais objetivo e prático. Um local de apoio para superar o momento, mas não só isso, aqui é um espaço de resistência cultural”, expõe Dayana Gusmão.
A integrante da Coletiva Resistência Lésbica da Maré, Marcela Ferreira, moradora do Parque Maré, estava contente com a conquista.
É uma vitória da favela que agora me sinto representada por essa casa que vai acolher e abraçar essa mulher lésbica que passa por um momento difícil”, conclui.
Todas as mulheres presentes deixaram claro que a manutenção da casa só será possível com a ajuda de todo mundo. O imóvel está alugado e apesar da inauguração ainda precisa de reformas. No futuro, o grupo pensa na compra do local. Quem desejar conhecer a Casa Resistências, pode fazê-lo pelo Instagram: @resistencialesbica ou fazendo uma visita ao local, que fica na Via A/1, número 91, na Vila dos Pinheiros. 

Clipping Mulheres lésbicas terão espaço de acolhimento dentro da Maré, por Hélio Euclides, editado por Jéssica Pires, Maré de Notícias Online,05/04/2022

Elayne Baeta, autora de romance juvenil lésbico, diz que falta presença lésbica nos gêneros literários

quarta-feira, 13 de abril de 2022 0 comentários


Autora de romance lésbico juvenil: 'Falta de representatividade me cansou

Desestimulada por sempre encontrar casais hetero  nos romances, Elayne Baeta resolveu escrever sua própria história. "O Amor Não É Óbvio" (Galera Record), primeiro romance lésbico juvenil a integrar a lista de mais vendidos da revista Veja, chegou primeiro nas plataformas digitais antes de ganhar espaço em uma grande editora.
Me sentia frustrada demais por não achar livros sobre mim, então fiz esse romance lésbico clichê. Mas não imaginava que me tornaria escritora depois disso", contou Elayne em entrevista a Universa.
Segundo a autora, durante o seu período de descoberta de orientação sexual, fez falta conseguir achar um livro que narrasse histórias sobre ela, por isso fez a escolha de ajudar adolescentes a ter o que ela não teve: referências. "Eu adorava ler mas só tinham histórias de casais héteros. Eu fui parando de ler por causa disso. Até tentava, na minha cabeça, trocar a sexualidade dos personagens, mas a falta de representatividade me cansou. Comecei a escrever por isso. Talvez fosse tarde demais para mim, mas não era para muitas meninas", diz Elayne.

Como o sucesso de vendas do livro, ficou claro que ela está dialogando com muita gente além do público jovem. E pela experiência da Elayne com o público é bem isso que acontece: para o bem e para o mal. Enquanto há pais que proíbem a leitura, rasgam e jogam fora o livro, outros a agradecem por existir um caminho para que consigam entender melhor os filhos.
De mães, avós a leitoras com a idade da minha mãe me mandam mensagem. Algumas me agradecem por ajudá-las a abrir a cabeça. Na sessão de autógrafos que fiz na Bienal do Livro do Rio de Janeiro a fila era bem diversa. Tinham meninos gays, mãe de leitora, pai de leitora. Claro que também recebo muitas histórias tristes, de pais que proibiram ou rasgaram o livro", conta.
Muitos pais alegam não querer que os filhos tenham a sexualidade afetada pela história - um dos grandes absurdos da homofobia.

Elayne Baeta, autora de romance juvenil lésbico

O clichê que faltava

Quantos beijos lésbicos você já viu em livros de romance? Se pesquisar, consegue encontrar livros digitais com protagonistas gays, mas até eles priorizam os homens. E, quando se encontra, a pegada é mais erótica do que romântica. Entre os livros impressos em grandes editoras é quase impossível de localizar algo sobre o tema.
Não temos conteúdos com essa vibe de colégio como em 'O Amor não é Óbvio'. Livros com homens gays já conquistaram mais espaço, mas falta muito para as outras siglas. Espero que mais livros lésbicos surjam e que a gente consiga alcançar mais espaço na literatura atual. Não conheço nenhum além do meu. Eu pretendo publicar muitos livros sobre o assunto. Minha meta é que estejamos em todos os gêneros literários. Quero ver lésbicas na fantasia, por exemplo", diz Elayne.
E foi essa ausência nas livrarias que a fez escolher escrever uma história água com a açúcar e clichê: é para ser fofinho como vários livros com outros personagens que encontramos por aí.

Além disso, a autora tinha como foco conseguir dialogar com o público que mais precisa se sentir acolhido em um momento de descoberta, as adolescentes.
Só conseguia pensar que se eu tivesse encontrado esse refúgio quando jovem, meu processo de descoberta teria sido diferente e eu não teria me sentido tão sozinha nesse momento que é muito solitário. Todos precisamos de apoio e representatividade. A nossa trajetória, traumas, inseguranças e até a coragem interna se definem a partir disto. Por isso, minha história fala de uma personagem jovem, saindo do armário e passando por situações semelhantes a algumas que eu vivenciei", diz Elayne.
Apesar do sucesso, essa não é a única obra da autora. Ela também está lançando "Oxe, baby", um livro de poemas.
Ele já pré existia. Eu fiz uma seleção do que eu já tinha escrito para a publicação. Foi para a editora depois, mas na minha vida de escritora veio antes do romance", conta.

N.E. Elayne deve se referir aos romances lésbicos para o público juvenil porque, literatura lésbica de fato, existe no Brasil desde Cassandra Rios há uns 50 anos. 

Clipping "Autora de romance lésbico juvenil: 'Falta de representatividade me cansou, por Rafaela Polo, Universa (UOL),07/04/2022 

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