Drama lésbico "Fale com as Abelhas" estreia nas plataformas de streaming

sexta-feira, 26 de março de 2021 0 comentários

Drama lésbico Fale com as Abelhas estreia nas plataformas de streaming

Fale com as Abelhas, drama lésbico estrelado por Anna Paquim (X-Men), chegou em várias plataformas de streaming na quinta-feira (25/3). Baseado no livro homônimo da atriz e escritora Fiona Shaw (Killing Eve), o longa estará disponível primeiramente no NOW, SKY Play, Vivo Play e Looke. A partir do dia 08 de abril, ele também poderá ser alugado na Apple TV e no Google Play.

Fale com as Abelhas conta a história da médica Jean Markham (Paquin), que após a morte de seu pai, retorna à sua cidade natal para assumir as funções dele. Quando ela conhece Charlie (Gregor Selkirk) e sua mãe Lydia (Holliday Grainger) a sua vida toma um rumo inesperado que coloca a sua carreira e reputação em risco. Uma sensível história de amor e luta contra o preconceito que movimentará uma pequena cidade escocesa na década de 1950.

Dirigido por Annabel Jankel e com roteiro de Henrietta Ashworth e Jessica Ashworth, o filme trata de temas importantes e complexos, como racismo, homofobia, aborto, violência doméstica e agressão sexual e foi exibido Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2019.

FALE COM AS ABELHAS

Tell It to the Bees
Reino Unido, Suécia , 2 0 1 9 , 1 0 8 min
Direção: Annabel Jankel
Roteiro: Henrietta Ashworth e Jessica Ashworth
Produção: Daisy Allsop , Nick Hill , Annabel Jankel , Nik Bower e Laure Vaysse
Co-produção: Sean Wheelan, Anthony Muir e Hannah Leader
Direção de fotografia: Bartosz Nalazek
Edição: Jon Harris e Maya Maffioli
Música: Claire M Singer
Elenco: Anna Paquin, Euan Mason, Holliday Grainger, Lauren Lyle , Kate Dickie , Billy Boyd, Gregor Selkirk , Joanne Gallagher




Com informações de Fale com as Abelhas, drama LGBTQ+ com Anna Paquim, chega ao streaming, por Ítalo Alves, 24/03/2021, Matinê, e Fale com as abelhas estreia no streaming dia 25 de Março, por Ketryn Carvalho, Observatório G

Casal de mulheres comove ao conseguir registrar filha no nome das duas em Guarujá (SP)

quarta-feira, 24 de março de 2021 0 comentários

Criança nasceu no dia 14 de março, mas só foi registrada após ofício emitido pela Justiça — Foto: Arquivo Pessoal

Relato das mães comoveu a web. Helena nasceu no dia 14 de março, mas só pôde ser registrada dias depois, após liberação da Justiça.

Duas mães emocionaram a web após relatarem nas redes sociais uma conquista do casal: registrar a pequena Helena Ramires Martins com o nome de ambas, em Guarujá, no litoral paulista. Em entrevista ao G1 nesta segunda-feira (22), a auxiliar de cozinha Magda Bianca Ramires Martins, de 25 anos, e a atendente Meiriely Ramires Martins, de 24, relataram o planejamento da filha.

De acordo com Meiriely, que gerou o bebê, elas se casaram há quase dois anos, e desde então pensavam em ter uma filha. Tentaram adotar, contudo, o fato de serem um casal de mulheres aumentou as dificuldades para que conseguissem. Por meio de uma reportagem, a atendente descobriu o método conhecido como inseminação caseira.

Mesmo com o atraso, o bebê nasceu saudável. “Ela já é muito amada. A gente não vai deixar faltar nada para ela. É nosso sonho realizado”, conta Bianca. A mãe ainda relata que o preconceito que tiveram de enfrentar, por serem um casal homoafetivo, machucou, mas não as fez desistir do sonho de construir uma família.
Quando postamos sobre o registro no Facebook, muitas pessoas comentaram, dizendo que o mundo está perdido, que é uma vergonha. Infelizmente, o mundo ainda é muito preconceito, as pessoas não pensam no amor, no carinho e atenção que vamos dar para essa criança, e isso machuca muito”, desabafa.
Ela ainda questiona o fato de precisarem provar à Justiça e às pessoas o amor que possuem pela filha.
Se fosse um casal hétero, não teria que provar nada, era só ir lá e registrar. Por serem duas mulheres, tivemos que provar cada passo”, lamenta.
A auxiliar de cozinha conta que ela e a esposa se conheceram enquanto trabalhavam em quiosques na praia. Viraram melhores amigas e descobriram que a relação despertava algo mais em ambas. Por isso, iniciaram um relacionamento, casaram e desejaram estender o amor que sentiam uma pela outra tendo uma filha.

Por não ter gerado a criança, Bianca relata que ficou muito alegre ao conseguir o ofício emitido pela Justiça para realizar o registro da filha.
Somos muito gratas à equipe do hospital, se não fossem eles, nossa filha estaria morta agora. Também agradeço à nossa advogada, sem ela, a Helena não teria meu nome hoje”, explica.
Uma semana após o nascimento da criança, as mães celebram a conquista juntas, garantindo que o lar em que Helena crescerá tenha muito amor. Elas também fizeram um apelo aos casais homoafetivos que passam pelo mesmo processo.
Não desistam, metam a cara mesmo, e prossigam, porque tudo dá certo. A gente é a prova viva disso”, conclui Bianca.
Ela mostrou o procedimento para a companheira, encontrou um doador de sêmen, que apresentou os exames necessários para comprovar que não possuía qualquer doença e, na segunda tentativa, conseguiu engravidar.

Desde então, os desafios começaram. Elas foram ao cartório entender como funciona o processo de registro. Por conta de a criança ter sido gerada por inseminação caseira, elas tiveram que entrar com uma ação na Justiça para receberem um ofício que autorizasse o registro da menina.

Durante o processo, segundo Meiriely, a promotora sugeriu que somente após o nascimento de Helena, e alguns meses de convivência, o casal poderia registrar a filha. No entanto, o juiz discordou, e autorizou o registro.
A nossa advogada questionou a promotora, disse que estávamos casadas há um ano e nove meses, e tínhamos certeza de que queríamos construir essa família. Até o juiz questionou a promotora, e disse 'ela [Bianca] tem direito de querer uma família'”, relata.
No dia 14 de março, Helena nasceu, porém, só pode ser registrada na última quinta-feira (18), pois o ofício só foi emitido no dia 17. Além da espera para o registro, a menina também precisou esperar mais do que o necessário para nascer. Segundo a família, uma semana antes do parto, a gestante começou a sentir fortes dores, e se dirigiu a um hospital de Guarujá, mas os médicos disseram que ainda não estava no momento.

No dia 13, ela retornou ao local por duas vezes, com sangramento e contrações, mas a equipe médica decidiu enviá-la para casa novamente. Preocupadas, elas decidiram ir até o Hospital dos Estivadores, em Santos, onde foram informadas de que a criança já estava nascendo, e que o parto já deveria ter sido realizado.

Helena Ramires Martins foi registrada em cartório de Guarujá, SP — Foto: Arquivo Pessoal

Mesmo com o atraso, o bebê nasceu saudável.
Ela já é muito amada. A gente não vai deixar faltar nada para ela. É nosso sonho realizado”, conta Bianca.
A mãe ainda relata que o preconceito que tiveram de enfrentar, por serem um casal homoafetivo, machucou, mas não as fez desistir do sonho de construir uma família.
Quando postamos sobre o registro no Facebook, muitas pessoas comentaram, dizendo que o mundo está perdido, que é uma vergonha. Infelizmente, o mundo ainda é muito preconceito, as pessoas não pensam no amor, no carinho e atenção que vamos dar para essa criança, e isso machuca muito”, desabafa.
Ela ainda questiona o fato de precisarem provar à Justiça e às pessoas o amor que possuem pela filha. 
Se fosse um casal hétero, não teria que provar nada, era só ir lá e registrar. Por serem duas mulheres, tivemos que provar cada passo”, lamenta.

A auxiliar de cozinha conta que ela e a esposa se conheceram enquanto trabalhavam em quiosques na praia. Viraram melhores amigas e descobriram que a relação despertava algo mais em ambas. Por isso, iniciaram um relacionamento, casaram e desejaram estender o amor que sentiam uma pela outra tendo uma filha.

Por não ter gerado a criança, Bianca relata que ficou muito alegre ao conseguir o ofício emitido pela Justiça para realizar o registro da filha.
Somos muito gratas à equipe do hospital, se não fossem eles, nossa filha estaria morta agora. Também agradeço à nossa advogada, sem ela, a Helena não teria meu nome hoje”, explica.
Uma semana após o nascimento da criança, as mães celebram a conquista juntas, garantindo que o lar em que Helena crescerá tenha muito amor. Elas também fizeram um apelo aos casais homoafetivos que passam pelo mesmo processo.
Não desistam, metam a cara mesmo, e prossigam, porque tudo dá certo. A gente é a prova viva disso”, conclui Bianca.
Mães celebraram conquista após meses solicitando direito de registrar criança no cartório com o nome das duas — Foto: Arquivo Pessoal

Clipping Casal homoafetivo celebra registro da filha em cartório após inseminação caseira, por Luana Chaves, Santos e Região, G1, 22/03/2021

Católicos LGBT questionam papa que não abençoa casamento homossexual

segunda-feira, 22 de março de 2021 1 comentários

Cris Serra, 44, presidente da Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT -
Anna Virginia Balloussier/Folhapress

Francisco deu aval a diretriz que proíbe padres de abençoarem união entre pessoas do mesmo sexo.

Em 2013, seu primeiro ano à frente da Igreja Católica, o papa Francisco se declarou inapto a rejeitar homossexuais que buscassem o conforto de Deus. "Quem sou eu para julgar?" A fala encheu católicos LGBT com a esperança de, enfim, serem acolhidos sem ressalvas no seio da instituição.

Oito anos depois, quem é ele para abençoar? O mesmo Francisco deu sinal verde para o Vaticano divulgar, na segunda (15), a diretriz para que clérigos não dêem sua bênção a uniões entre pessoas do mesmo sexo. Afinal, "Deus não pode abençoar o pecado", diz o documento da Congregação para a Doutrina da Fé, órgão responsável por formular normas para os fiéis da maior vertente cristã do mundo.

Poucos sacerdotes ousaram bater de frente com a orientação da Santa Sé avalizada pelo papa, ao menos abertamente. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) é exemplo de cautela. Ainda que no reservado haja críticas ao posicionamento, ninguém quer falar publicamente.

Pelo mundo, houve reações que tomaram cuidado para não avançar sinais, mas foram encaradas como um aceno aos LGBT. Uma delas partiu do arcebispo de Chicago. Blase Cupich reconheceu que a "reação compreensível de muitos será de decepção" e pede que a contrapartida seja "redobrar nossos esforços para sermos criativos e resilientes para acolher todas as pessoas LGBT em nossa família de fé".

Autor de "Building a Bridge" (construindo uma ponte), o padre James Martin foi nomeado em 2017 por Francisco como consultor da Santa Sé. Jesuíta como o papa, ele disse que "a jornada é longa, e Cristo está conosco —pessoas LGBT, famílias, amigos e aliados— e nunca nos deixará".
Somos uma igreja peregrina, aprendendo, mudando e crescendo, mesmo em meio ao que pode parecer para muitas pessoas decepções e até mesmo tristezas", disse James, que sacou o salmo 34 para consolar os desapontados: “Perto está o Senhor dos quebrantados”.
Reverendo gay e professor de teologia da Universidade Fordham, fundada pela Diocese Católica Romana de Nova York, Bryan Massingale afirmou que os padres dispostos a se engajar em ações pastorais para a diversidade “continuarão a fazê-lo, exceto que será ainda mais por baixo dos panos do que era antes".

Na Áustria, um coletivo de padres dissidentes que desafia a igreja em tabus como o celibato clerical afirmou que não seguirá a determinação do Vaticano. "Não negaremos a nenhum casal que se ame a bênção de Deus, que eles já experimentam todos os dias, também em um momento de adoração", disse o padre Helmut Schueller. ​

A decisão, porém, não é fácil de ser tomada. Sacerdotes que forem contra a decisão do alto clero podem sofrer sanções que vão desde uma advertência até o afastamento de suas funções clericais. Aconteceu em 2019 com o padre Vicente Paula Gomes, suspenso de suas funções da Diocese de Assis (a 433 km de São Paulo) após abençoar o casamento de dois homens.

Um preceito penal (espécie de sentença eclesiástica) estabeleceu que Gomes poderia voltar à paróquia no fim de 2020, mas ficou obrigado a passar um ano sem celebrar uniões e precisou fazer um curso sobre "a perspectiva teológica, jurídica e pastoral" do matrimônio.

O texto diz que o padre se mostrou arrependido da decisão "inconsequente", um "escândalo iminente". Ele também foi proibido de falar à imprensa por três anos.

A Congregação para a Doutrina da Fé tomou a decisão após ser provocada por algumas paróquias que expressaram o desejo de abençoar casais como boas-vindas aos LGBT católicos. O órgão afirmou que a posição "não se destina a ser uma forma de injusta discriminação, mas um lembrete da verdade do rito litúrgico".

O texto reitera o que está expresso no catecismo: é preciso respeitar as pessoas LGBT —sigla que engloba orientações sexuais e identidades de gênero múltiplas que a igreja, aliás, reúne sob o guarda-chuva “homossexuais”. O problema é que "há uma incoerência fundamental entre essa ressalva e a violência da afirmação 'Deus não pode abençoar o pecado'", diz Cris Serra, coordenadora da Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT.

Cris cresceu ouvindo padres lhe dizerem que "mulher com mulher é pecado". Católica praticante, do tipo que faz questão de comungar (receber a hóstia), conta que só no final da adolescência entendeu que o "sofrimento inexplicável" pela "melhor amiga" tinha nome: estava apaixonada.


Para Cris, que desde 2018 se identifica como uma pessoa não binária (que não quer ser vista num gênero exclusivo, masculino ou feminino), tachar de pecado a orientação sexual perpetua a ideia de que "a família e a igreja, que deveriam ser lugares seguros, são os primeiros lugares de violência para LGBTs".

Só não acha que a recusa do Vaticano em abençoar casais fora do conceito de "família tradicional" vá alterar o que já vemos acontecer.
Dificilmente os sacerdotes que, de maneira mais ou menos clandestina, por discernimento das suas consciências, já celebravam essas uniões deixarão de fazê-lo."
Cris propõe um outro olhar para este capítulo da igreja.
É muito significativo que a Congregação tenha tido de responder a essa pergunta. Talvez a pergunta em si fale tanto ou mais do que a resposta."
Sinal de que as paróquias querem se abrir a mais pluralidade.
Vai ficando cada vez mais difícil sustentar uma posição doutrinária segundo a qual as vidas e os relacionamentos dessas pessoas são 'intrinsecamente desordenados', como diz a doutrina. O documento é, como costuma acontecer na história da igreja, uma reação aos ventos da mudança. Ou, para colocar em termos cristãos, ao sopro do Espírito."
Também conta pontos a "linguagem mais polida", diz Felipe Marcelino, coordenador do grupo mineiro Diversidade Católica.
"Há um avanço aos pouquinhos ali. Documentos mais antigos diziam que é coisa perversa, ou má inclinação. Não se usa mais esses termos."
Outro lado positivo, segundo Edelson Soler, da Comissão Regional para o Diálogo com a Diversidade, integrada à Arquidiocese de São Paulo:
Toca no tema da bênção para casais homossexuais pela primeira vez, mostrando que a presença dos gays na igreja não pode mais ser desprezada, simplesmente condenando os atos homossexuais como pecados".
O documento é o mais recente sinal cruzado de uma fileira de posicionamentos ambíguos de Francisco sobre a participação de homossexuais, transgêneros e outras dessas minorias.

No documentário "Francesco" , de 2020, ele diz que homossexuais "são filhos de Deus e têm direito a uma família". Mas vale lembrar que, quando era arcebispo de Buenos Aires, disse que a ideia do matrimônio homoafetivo colocava "em jogo a identidade e a sobrevivência da família: pai, mãe e filhos".

Também já disse a um gay que sofreu abuso por parte de clérigos quando jovem que Deus o fez daquela forma, ama-o assim e que sua sexualidade "não importa". E que Jesus nunca mandaria embora uma pessoa só porque ela gosta de alguém do mesmo sexo. Um contraste e tanto com os antecessores João Paulo 2º e Bento 16.

Aliado da causa, portanto? Calma lá: em 2019, o pontífice apoiou a educação sexual nas escolas, por ver o sexo como "um dom de Deus, e não um monstro". Mas só se essas aulas fossem livres de "colonização ideológica". Caso contrário, "você destrói a pessoa", pregou.
"A gente deveria se perguntar qual seria a práxis de Jesus. Ele foi uma pessoa que incluía. Se você for olhar, o que há de intrinsecamente perverso numa relação amorosa? Até na concepção bíblica isso gera vida. Não é preciso gerar uma criança para gerar vida. Uma relação amorosa gera vida para as duas pessoas que estão nela", afirma Felipe Marcelino.
Outro aspecto a ser considerado, segundo ele, é a "LGBTfobia do individuo consigo mesmo, e na maioria das vezes o que está por trás disso é o discurso religioso".

Exemplos não faltam.
Já ouvi muitos relatos de gente que diz que achava que era 'um erro de Deus', olha que frase terrível", diz. "E já chorei muito, mesmo sempre tendo sido religioso, sempre me perguntando 'Deus é bom, Deus é pai, mas então Deus não é o meu pai? Sou do demônio então?'."
Clipping Católicos LGBT questionam o papa que 'não julgava' e agora 'não abençoa' casamento gay por Anna Virginia Balloussier e Angela Boldrini, 21/03/2021, Folha de SP

Com aval do Papa, Vaticano proíbe bênção a uniões homossexuais

quarta-feira, 17 de março de 2021 0 comentários

Papa só apoia união civil para casais homossexuais


Papa Francisco concordou com a decisão que proíbe padres de abençoar uniões do mesmo sexo, disse órgão do Vaticano responsável pela deliberação. Em alguns países, padres “abençoam” união, em lugar do casamento.

O Vaticano revelou nesta segunda-feira que os padres e outros responsáveis da Igreja Católica não podem aprovar uniões de casais do mesmo sexo, e que essas “bênçãos” não são permitidas. Esta deliberação surge como resposta às práticas em alguns países — tais como os Estados Unidos e a Alemanha — onde paróquias e padres começaram a “abençoar” estas uniões entre casais do mesmo sexo como uma alternativa ao casamento, bem como a pedidos feitos a bispos para institucionalizar estas práticas.

Em resposta às questões formais colocadas por um conjunto de dioceses, que se interrogavam sobre a legitimidade destas “bênçãos”, o escritório doutrinal do Vaticano, a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), emitiu o juízo: “Negativo.”

O Papa Francisco aprovou esta resposta, adiantou a CDF, acrescentando que esta decisão não tem como objetivo “ser uma forma injusta de discriminação, mas uma lembrança da verdade no ritual litúrgico”.

Este órgão avança que estas bênçãos não são permitidas, apesar de serem “motivadas por um desejo sincero de receber e acompanhar as pessoas homossexuais” e ajudá-las a crescer na fé. O documento da CDF afirma que, pelo facto de o casamento entre homem e mulher ser um sacramento e as bênçãos estarem relacionadas com o sacramento do casamento, não podiam ser alargadas a casais do mesmo sexo
Por esta razão, não é lícito transmitir uma bênção nos relacionamentos, ou uniões de fato, mesmo que estáveis, que envolvam atividade sexual fora do casamento (por exemplo, fora da união indissolúvel e aberta à transmissão de vida entre homem e mulher), como é o caso da união de pessoas do mesmo sexo”, podia ler-se na nota.
Em outubro do ano passado, o Papa Francisco defendeu a regulação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, considerando que os “homossexuais têm direito a fazer parte de uma família”. As declarações do Sumo Pontífice foram vistas como um distanciamento mais forte face ao posicionamento tradicional do Vaticano sobre esta matéria, bem como uma manifestação de apoio aos direitos da comunidade LGBT.

A Igreja Católica romana tem 1,3 mil milhões de fiéis.

Clipping Vaticano proíbe padres de abençoar uniões do mesmo sexo, Reuters e Público, 15 de Março de 2021

No Altas Horas, Ludmilla e a mulher Brunna contaram sobre aceitação familiar de seu relacionamento

segunda-feira, 15 de março de 2021 0 comentários

Ludmilla e Bruna Gonçalves

'Nós fomos sortudas', diz Ludmilla sobre família aceitar relacionamento com Brunna

Cantora comentou que a família dela já desconfiava, mas foi decisivo contar: 'foi uma coisa que não estava dando mais para disfarçar'

Ludmilla e a mulher Brunna Gonçalves falaram sobre como as famílias delas reagiram ao relacionamento de ambas durante participação no Altas Horas deste sábado, 6. O casal assumiu o namoro em junho de 2019 e se casaram em dezembro daquele ano. Ver o vídeo para o programa ao fim do texto.
Foi um processo. A minha família, desde o início, já sabia, mas fingia que não sabia. Eu também fingia que eu não sabia que eles sabiam e assim foi até eu me apaixonar, que foi pela Brunna", lembrou a cantora ao responder a pergunta de um telespectador do programa.
Quando a gente se apaixona por alguém, isso fica muito nítido no nosso olhar, no nosso jeito e foi uma coisa que não estava dando mais para disfarçar", ela acrescentou.
Ludmilla comentou que a mãe, o padrasto e a avó já sabiam, mas só foi oficializado quando ela mesma contou.
E foi de boa porque minha família é muito legal comigo, eles sempre me apoiam em tudo o que eu vou fazer, eles estão sempre comigo, então foi super tranquilo lá em casa."
Brunna também teve uma conversa tranquila com a própria família.
A minha família foi super de boa. Minha mãe, meu pai, quando eu contei para eles, eles falaram assim: 'você está feliz? Se você está feliz, eu estou feliz. E bola para frente, não liga para o que os outros vão falar da sua vida, o que importa são seu pai e sua mãe'. Foi super tranquilo, eu não tive problema nenhum, graças a Deus, com minha família", relatou a bailarina. "Nós fomos sortudas", completou Ludmilla.
As duas já trabalhavam juntas, porque Brunna faz parte do corpo de balé da cantora, quando a funkeira olhou de forma diferente para a futura mulher durante um ensaio.
Ela foi brincar comigo depois: 'e aí, vai me dar um beijo, não?'", relembrou Brunna.
Ludmilla explicou que essa atitude veio após algumas conversas entre as mulheres do grupo sobre beijar e ficar com outra mulher. A partir daí, a dançarina também passou a olhar a cantora com mais interesse.

Elas assumiram o relacionamento em junho de 2019 e Ludmilla contou que a música Espelho foi dedicada à companheira. No fim daquele ano, elas se casaram em uma festa surpresa organizada pela cantora.

Ver vídeo do programa aqui.

Clipping 'Nós fomos sortudas', diz Ludmilla sobre família aceitar relacionamento com Brunna, ESP, 07/03/2021

Depois do divórcio, mães e parceiras para criar a filha do casal

sexta-feira, 12 de março de 2021 0 comentários

Parceria pós-divórcio: Laura (à esq.) e Camila com Lavínia Rogério Pallatta/Veja SP 


“Encontrei Camila em um app de relacionamento entre mulheres chamado Brenda (hoje Wapa) em 2013. Ela foi a primeira pessoa que eu conheci na plataforma, e vice-versa. Marcamos de nos ver pessoalmente depois de uma semana, em uma balada underground chamada Milo Garage, e fomos comer em uma lanchonete após a festa. Ficamos juntas da meia-noite até as 9 horas do dia seguinte.

Em quatro meses, eu a pedi em namoro. Brinco que no ‘mundo sapatão’ isso é muito tempo. Agíamos como namoradas, mas não tinha feito um pedido oficial.

Camila, hoje com 29 anos, tinha vontade de ter um bebê aos 24, porque é a idade que a mãe dela engravidou. Eu tinha 22 e me sentia nova demais, mas também queria ter filhos. A maternidade era algo certo para nós, porém não conseguia me ver como mãe. Mudei de ideia quando vi no shopping um casal jovem descolado, cheio de tatuagens, com um bebê. Eles pareciam superfelizes. Era o tipo de gente que eu encontraria na roda de amigos. Eu me vi neles e uma chavinha virou na minha cabeça. Acho que é essa coisa da representatividade. No dia seguinte, marcamos uma consulta no ginecologista. Aos três anos de namoro, engravidamos. Decidimos pela inseminação artificial e que Camila é quem iria gerar.

Minha mãe fez uma única pergunta: ‘Eu vou ser avó?’. Por não ter sido meu óvulo, surgem essas dúvidas. Afirmei que sim. Era o sonho dela. Dos três filhos dela, eu, a mais nova e lésbica, foi quem teve filho primeiro.

Prontas para a maternidade: Camila grávida de sete meses Larissa Dare/Divulgação

Um ano antes de ter a Lavínia, hoje com 3 anos, decidimos morar juntas. Não romantizávamos a gravidez como aqueles casais de novela que ficam falando com a barriga. Éramos realistas. Criamos um canal no YouTube, Mãe no Plural, para mostrar a experiência. Há diversos vídeos sobre mulheres lésbicas que contam como se descobriram e saíram do armário — e são temas importantes —, mas não havia conteúdo sobre o que acontece depois de se assumir, ser aceita pela família e formar um casal. Como é ter um filho em um relacionamento entre duas mulheres? Precisávamos falar sobre isso.

Todo casal homossexual tem problemas para registrar o filho. Meu nome está na filiação designada ao “pai”. Eles não sabem o que fazer.

Por mais que eu não tenha gerado nossa filha, parece que nós duas entramos no puerpério (fase pós-parto em que a mulher tem modificações físicas e psíquicas). Tínhamos um apego enorme pela Lavínia, parecíamos uma família de macaquinhos. Quando a Camila se levantava para amamentar, eu ia junto. Aproveitamos essa fase porque somos autônomas e trabalhávamos em casa.

Com o tempo, começamos a ficar saturadas. Houve várias pequenas brigas. Estar o tempo todo uma com a outra era o inferno e o paraíso no mesmo lugar. Depois que a Lavínia completou 1 ano, acabamos perdendo a essência de um casal. Não estava mais fazendo bem nem para mim nem para ela.

Sou uma pessoa que demora para tomar decisões. Penso bem antes de falar ou fazer algo. Mas, quando faço, é porque tenho certeza. A princípio, eu pedi o divórcio. Com o tempo, ela percebeu que era a decisão certa.

Não quis me separar porque a odiava, mas por querer estar com ela de uma forma boa. Era o início da pandemia. Decidimos continuar morando juntas por um tempo e ir desapegando gradualmente. Foi menos abrupto para nossa filha. Explicamos a ela que teria duas casas e que nunca perderia ambas as mães. Alternamos os dias de ficar com nossa filha, e uma vez por semana passamos um tempo nós três.

Já me perguntaram quando eu pego a Lavínia ou se pago pensão alimentícia. Somos duas mães com guarda compartilhada. Nunca precisamos explicar isso para a Lavínia, mas sim que há famílias com pais também. Toda criança deveria saber sobre diversidade familiar.

Eu quero que minha filha cresça entendendo como o amor deve ser e como as pessoas devem se relacionar. Hoje, após o divórcio, eu vejo que eu e Camila damos um exemplo melhor de relacionamento do que daríamos se continuássemos juntas. Nosso carinho foi ressignificado.”

Clipping “Continuamos  depois do divórcio”, Laura Gama conta sobre sua relação com Camila Lucoveis e a parceria para criar a filha do casal, por Laura Renat a Gama de Medeiros, 27 anos, em depoimento a Fernanda Campos Almeida, Veja SP, 05/03/2021

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