Tratamento discriminatório contra casal de mulheres em restaurante de Santo André (SP)

quarta-feira, 17 de julho de 2019 0 comentários

Discriminação na Churrascaria Novilho na Brasa

A produtora de casting Thábata Mendes resolveu fazer um desabafo nas suas redes sociais após passar por situação constrangedora em um restaurante em Santo André, São Paulo.

Ela e a companheira Amanda foram jantar em um restaurante (Churrascaria Novilho na Brasa) que fazia uma promoção de jantar para casais. Ao efetuar o pagamento, porém, foi informada, pelo garçom, de forma irônica, que o benefício era somente para casais heterossexuais, com ênfase em “casal formado por homem e mulher.” Thábata decidiu reclamar com o gerente que, vendo sua irritação, chegou a pedir desculpas pelo garçom, o que amenizou a situação, mas não diminuiu a indignação do casal.
“É chato. Todos nós que somos da bandeira LGBT sabemos o quanto é chata essa situação”, disse Thábata no vídeo do desabafo (ver abaixo).
A produtora também relatou outro caso de preconceito que viveu poucos dias depois, dentro de seu próprio condomínio, quando estava lavando o carro na porta de casa. Segundo Thabata, os vizinhos de sua casa se reuniram próximo a ela  para comentar que “gay era motivo de desgosto pra família", "que era extremamente desagradável conviver com gay, "que era uma aberração isso.”

Thábata afirmou ainda que, quando essas situações de preconceito acontecem, as pessoas ficam de imediato meio sem ação, mas que, depois, ela procurou tomar algumas medidas em relação à atitude do estabelecimento, denunciando-o através do Procon. Informou ainda que denunciou o ocorrido nas suas redes sociais para visibilizar a falta de profissionalismo e de humanidade do pessoal do restaurante.   

Irlanda do Norte libera aborto e casamento igualitário, mas leis não entram em vigor de imediato

segunda-feira, 15 de julho de 2019 0 comentários

"Não pise em mim", diz o cartaz
Irlanda do Norte: Liberalização do aborto e casamento gay

Com 332 votos a favor e 99 contra, o Parlamento britânico aprovou a liberalização do aborto na Irlanda do Norte. Paralelamente, os deputados também deram "luz verde" à liberalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo (383 votos a favor e 73 contra), mas as propostas não entram automaticamente em vigor.

As mudanças só terão efeito se o executivo regional da Irlanda do Norte não for reestabelecido até 21 de outubro. No entanto, impõem ao Governo britânico a introdução da respetiva legislação.

Para alguns ativistas este é um momento decisivo. Outros consideram um passo adicional para Westminster ampliar o governo direto sobre a região.

A Irlanda do Norte tem autonomia legislativa, mas está sem executivo desde 2017 devido à falta de entendimento entre o Partido Democrático Unionista e o Sinn Féin para formar uma coligação, obrigatória nos termos do processo de paz para o território.

Esta é a única região do Reino Unido em que o casamento gay não está permitido. O aborto é considerado crime a não ser em casos em que a vida da mãe está em risco.

Na vizinha Irlanda, a legalização do aborto foi aprovada em referendo no ano passado. As negociações entre o Partido Democrático Unionista (DUP) e o Sinn Féin destinadas a restabelecer o executivo têm sido infrutíferas.

Fonte: Euronews, 11/07/2019


Processos administrativos por discriminação contra gays, lésbicas e outras minorias levam à condenação em São Paulo

quarta-feira, 10 de julho de 2019 0 comentários

Paulo Dimas Mascaretti, secretário da Justiça de São Paulo — Foto: Cíntia Acayaba/G1

Um em cada três processos administrativos por discriminação contra LGBTs termina em condenação em SP
Comissão da Secretaria da Justiça de SP dá andamento a processos desde 2002. Em 17 anos, foram pagos ao governo de São Paulo 21.500 UFESPs em multas, cerca de R$ 570 mil.

A Secretaria da Justiça e Cidadania de São Paulo instaurou 404 processos administrativos por discriminação em razão de orientação sexual e identidade de gênero nos últimos 17 anos. Desses, 136 resultaram em condenação, com a determinação do pagamento de multa – ou seja, cerca de um em cada três casos. É o que mostram dados do governo estadual obtidos pelo G1.

Os processos são baseados na Lei Estadual 10.948/2001, que prevê punição a "toda manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra cidadão homossexual, bissexual ou transgênero", praticadas por pessoas físicas e jurídicas. As punições vão desde advertência, passando por pagamento de multa até a cassação de licença estadual de funcionamento de uma empresa, por exemplo. Desde 2002, foram pagos ao governo de São Paulo 21.500 UFESPs, cerca de R$ 570 mil.

Só nos últimos anos, a Ouvidoria da Secretaria da Justiça e Cidadania recebeu, de janeiro de 2017 até março de 2019, 199 denúncias por discriminação sexual.

75 denúncias em 2017
99 denúncias em 2018
25 denúncias até o final de março de 2019


Dentre essas denúncias, 112 foram registradas por pessoas entre 25 e 50 anos. Desse total, 82 foram por orientação sexual e 30 por identidade de gênero.

As cidades paulistas de onde partiram o maior número de denúncias foram:

São Paulo: 53 denúncias
Ribeirão Preto: 7 denúncias
Campinas: 3 denúncias
Carapicuíba: 3 denúncias
Santos: 3 denúncias
São Bernardo do Campo: 3 denúncias


A partir dessas denúncias, a Comissão Especial de Discriminação em Razão de Orientação Sexual ou Identidade de Gênero instaurou:

26 processos em 2017
14 processos em 2018
5 processos até março de 2019

Questionado sobre por qual motivo as vítimas fazem a denúncia mesmo sabendo que o valor das multas não será repassada a elas, o secretário da Justiça e Cidadania, Paulo Dimas Mascaretti, afirmou que elas buscam "dignidade".
A maior parte das vítimas quer preservar a dignidade, essas pessoas querem ser ouvidas e ressarcidas pela humilhação passada. As pessoas vêm pela dignidade. Como a punição não reverte para o ofendido, ele vem mesmo para buscar a dignidade, por um reconhecimento de políticas públicas", diz Mascaretti.
Um dos processos que terminou em condenação foi o caso que ficou conhecido como "agressão com lâmpada na Avenida Paulista"

Secretaria da Justiça, no Páteo do Collegio, onde tramitam os processos administrativos por discriminação
 contra LGBTs — Foto: Cíntia Acayaba/G1

Em novembro de 2010, um estudante de jornalismo, na época com 23 anos, foi agredido por um grupo de 5 pessoas, quatro menores de idade e Jonathan Lauton Domingues, então com 19 anos, enquanto voltava de uma balada na Avenida Paulista. O estudante foi atingido por uma lâmpada fluorescente no rosto, quando reagiu e continuou sendo agredido pelo grupo.

Segundo testemunhas, os agressores gritavam frases como “suas bichas”. A condenação administrativa foi feita pela Secretaria de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania após representação da Defensoria Pública de São Paulo com base em uma lei estadual que prevê punições para pessoas físicas e jurídicas por atos de preconceito por orientação sexual.

Na mesma noite, o grupo teria agredido outras três pessoas na região da Paulista. Os agressores foram condenados pelo crime de homofobia e tiveram que pagar uma multa de R$ 25,7 mil cada.

Em abril de 2015, a Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo condenou a torcida de futebol Camisa 12, do Corinthians, e seu presidente a pagarem multa de R$ 20 mil por atos homofóbicos em 2013 contra o beijo gay do jogador Emerson Sheik.

Em 2013, Emerson Sheik postou foto dando um beijo em um amigo
 — Foto: Reprodução

Naquela ocasião, os torcedores da Camisa 12 discriminaram e ameaçaram o atacante corintiano por ele ter beijado a boca de um amigo e postado foto do "selinho" na internet. Revoltada, a torcida organizada levou faixas com as frases "Viado não" e "Vai beijar a P.Q.P., aqui é lugar de homem" ao Centro de Treinamentos do Corinthians, na capital paulista.

Como tramita uma denúncia de discriminação sexual em SP — Foto: Wagner Magalhães/G1

A comissão que analisa as denúncias foi instaurada em 2001, com base na lei estadual. Ela é formada por cinco integrantes da secretaria.

A denúncia é feita pela ouvidoria, pela própria secretaria ou outro órgão encaminha para a comissão. Como não se trata de um processo judicial, não há a necessidade de registro de boletim de ocorrência.

Quando a pessoa relata o fato, um expediente é gerado e, a partir daí, o coordenador da comissão verifica se é o caso de tentar uma mediação antes da abertura do processo. A audiência é realizada por mediadores capacitados.
Os mediadores são servidores que passam por um curso de capacitação para a mediação e conciliação, normalmente, a própria escola de magistratura realiza esses cursos", diz o secretário.
Se há conciliação, o processo não é aberto.
O nosso percentual de mediações com bom resultado chega a quase 70%", afirma.
Se não há acordo, o secretário expede uma portaria para abertura. A partir do momento que a pessoa ou a empresa é citada, ela deve apresentar sua defesa, testemunhas são ouvidas e as provas analisadas. A comissão decide se apresenta a denúncia ou não para a abertura do processo administrativo.
Normalmente o que se prioriza é ouvir testemunhas. Às vezes, a denúncia se dá por rede social e a pessoa pode documentar as publicações. Em alguns casos, a prova documental é suficiente para apresentar a ocorrência", explica.
Depois, a comissão decide se aplica advertência, multa ou suspensão. O requerido pode e o secretário avalia se é o caso de manter a multa ou substituir por uma advertência, por exemplo.

A vítima é preservada durante todo o processo, que é sigiloso e somente as partes ou representantes legais das partes têm acesso aos autos do expediente.

A Secretaria lembra que a tramitação do processo administrativo não impede que a vítima procure a Justiça comum. A pasta também analisa casos de racismo, por meio de outra comissão, mas o número é menor: para cada 3 denúncias homofóbicas há uma racial.

Foto do dia do casamento de Paulo (à esquerda) — Foto: Arquivo pessoal

Segundo o secretário Dimas Mascaretti, os casos de discriminação que mais chegam à comissão são os relacionados ao ambiente de trabalho.
O que tem gerado mais denúncia são relacionadas a situações corporativas. Há muitas audiências de mediações", afirma.
Esse é o caso de Paulo Henrique, 28 anos, que se casou em dezembro de 2018 e, após a cerimônia, passou a receber comentários homofóbicos no ambiente de trabalho.
Pessoas me ligaram e contaram que a supervisão da BASF e operadores de produção estavam fazendo comentários homofóbicos a meu respeito, por conta do meu casamento”, afirma.
Paulo informou que os comentários tomaram uma grande proporção, vindos, inclusive, de parte da supervisão da empresa. A gerência convocou uma reunião com os funcionários, informando que a organização não tolera comportamentos de homofobia. Paulo procurou o canal de ética da empresa para denunciar o comportamento dos colegas de trabalho. A BASF informou que desligou o supervisor diretamente envolvido (leia mais abaixo).

Em fevereiro deste ano, Paulo procurou a Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual da Secretaria da Justiça e Cidadania, para fazer a denúncia. Ele teve que se afastar do trabalho por conta de problemas psicológicos que foram desenvolvidos em decorrência da situação de constrangimento.

A denúncia foi feita e protocolada pela internet no canal da secretaria.

Foi enviado juntamente os atestados médicos, laudos e demais provas nas quais comprovaram todo o episódio de assédio sofrido”. Depois da denúncia, Paulo afirma que a situação piorou e que passou a receber telegramas em casa sugerindo que ele abandonasse a empresa. “Emocionalmente estou desestruturado.”

Nota da BASF
A BASF informa que repudia veementemente e não tolera qualquer ato de violência ou discriminação. Assim que tomou conhecimento dos comentários inapropriados, contrários às políticas da empresa, realizados a um colaborador em uma de suas áreas produtivas, imediatamente ofereceu apoio ao colaborador e iniciou rigorosa apuração para tomar as medidas corretivas cabíveis.
Além de desligar o supervisor diretamente envolvido, a companhia advertiu os demais colaboradores da área de produção em questão e reforçou internamente suas políticas de diversidade pautadas pelo respeito que exige dos seus funcionários e parceiros. Apesar do apoio oferecido ao colaborador, bem como a possibilidade de transferência para outras localidades, mesmo fora de São Paulo, o colaborador não aceitou e, lamentavelmente, segue afastado com apresentação de atestados médicos.
Até o momento, a empresa não foi notificada sobre qualquer processo na Secretaria de Justiça e Cidadania de São Paulo. A companhia reforça ainda que realiza treinamentos e reorienta constantemente suas equipes, a partir dos seus valores e da sua sólida política de diversidade, que há anos conta com grupos de afinidade para desenvolver inúmeras iniciativas internas e externas voltadas à valorização e à inclusão das pessoas. Ao lado de outras empresas, aderiu desde o início à carta ‘10 Compromissos da Empresa com a Promoção dos Direitos LGBTI+’, elaborada pelo Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, do qual é signatária."
Alberto Roggenbuck apresentou denúncia de agressão por homofobia — Foto: Arquivo pessoal

Albert Roggenbuck procurou a Secretaria após sofrer uma agressão na entrada do banheiro do terminal Parque Dom Pedro, no Centro de São Paulo. Ele estava voltando para casa quando foi enforcado por um homem, que o agrediu com socos e chutes.
Se eu fosse, digamos um ser humano ‘normal’, ele [agressor] não teria se incomodado com a minha pessoa e isso não teria acontecido. Eu deduzi que ele se sentiu incomodado porque quando eu virei as costas e saí, ele já me deu um mata-leão”, conta.
Mas, por falta de provas, segundo Albert, que comprovassem a agressão e indicassem um autor, o processo não foi instaurado.

Fonte: 

Síndica ofendida por ser lésbica receberá indenização de 15 mil reais

quarta-feira, 26 de junho de 2019 0 comentários


Moradores pagarão R$ 15 mil a síndica ofendida por ser homossexual

A responsabilidade civil independe da criminal. Por isso, pode ser reconhecida mesmo que o alegado ato ilícito não tenha gerado condenação penal ao acusado. Com esse entendimento, a 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul reformou sentença que negou dano moral e o consequente pagamento de indenização a uma síndica hostilizada por sua orientação sexual.

Vítima de injúria, difamação e discriminação sexual, ela receberá R$ 15 mil, reparação a ser paga, solidariamente, por dois condôminos, que ligaram a suposta má administração do condomínio à homossexualidade da síndica. Segundo os autos, eles se referiam à autora como ‘‘machorra’’, ‘‘mulherzinha’’, ‘‘filha da puta’’, ‘‘bosta’’ e ‘‘ladrona’’, insinuando desvio de dinheiro.

Na ação indenizatória, a autora contou que, desde que se mudou para o condomínio, vem sofrendo com a conduta discriminatória de alguns moradores, embora de maneira velada. Disse que, depois que assumiu a função de síndica, a discriminação sexual passou a ser mais acentuada, especialmente por parte de três moradores, insatisfeitos com sua atuação. Afirmou que os boicotes, as ofensas e as atitudes discriminatórias não só a impediram de implementar algumas mudanças de gestão como ainda lhe causaram abalo psicológico, tanto que desenvolveu quadro depressivo.

No primeiro grau, a 1ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de Porto Alegre julgou a indenizatória totalmente improcedente. O juiz Sylvio José Costa da Silva Tavares entendeu que os crimes contra a honra só têm repercussão na área cível, ressalvadas as excepcionalidades, se antes houver a responsabilização penal. Assim, no caso dos autos, se houvesse injúria, difamação e discriminação sexual, como afirmado na inicial, a autora deveria ter apresentado a respectiva queixa-crime na polícia.
Contudo, inexiste notícia de que a demandante [a autora] tenha promovido a ação penal privada. Desinteressando-se a parte autora pela repercussão principal que se daria na esfera criminal, tenho que não se legitima a reparação na esfera cível. Não fosse apenas isso, a prova produzida nos autos pela parte autora não foi suficiente à comprovação da versão inicial’’, definiu o julgador.
Esferas independentes

O relator da apelação na 10ª Câmara Cível do TJ-RS, desembargador Paulo Roberto Lessa Franz, reformou o julgado, por entender que a responsabilidade civil, nos termos do artigo 935 do Código Civil, independe da criminal. Além disso, ele considerou que a prova oral colhida na instrução processual corrobora a inicial, evidenciando a conduta preconceituosa de dois dos três réus arrolados na ação.

Conforme o voto de Franz, a autora deixou consignado em ata da assembleia geral do condomínio que estava se afastando do cargo de síndica por, nas palavras dela, não estar ‘‘mais conseguindo dar andamento ao [...] trabalho em função de comportamento hostil de um grupo de condôminos”, os quais tornaram inviável a administração ‘‘em função de homofobia, calúnias e difamação”.

Também ressaltou o teor dos depoimentos de funcionários, que confirmaram o uso de palavras agressivas e preconceituosas contra ela. Um dos réus, segundo testemunha, chegou a dizer que a autora, “por ser machorra, não estava fazendo um bom trabalho”.

Para o relator, a palavra ‘‘machorra’’ carrega preconceito e nítido conteúdo pejorativo, causando humilhação e ‘‘imensurável abalo’’ à honra e à imagem da autora, bens personalíssimos merecedores de proteção jurídica (artigo 5º, inciso X, da Constituição).
Ademais, eventuais divergências existentes entre os moradores quanto à administração do condomínio, e até mesmo eventual má gestão por parte da síndica — o que sequer está sendo discutido na presente demanda — não justificam, de modo algum, o comportamento preconceituoso dos réus’’, afirmou.
Clique aqui para ler a sentença.
Clique aqui para ler o acórdão.
Processo 001/1.16.0011552-8 (Comarca de Porto Alegre)

Fonte: Conjur, por Jomar Martins, 23/06/2019

Conheça os casais de mulheres da copa do mundo feminina

segunda-feira, 24 de junho de 2019 15 comentários

Casais da seleção (Foto: Reprodução/ Instagram)

Conheça os casais da copa do mundo feminina


A revista Quem reuniu o time de jogadoras lésbicas e bissexuais que estão arrasando na Copa do Mundo Feminina que acontece na França.


Cristiane Rozeira, atacante da Seleção Brasileira, namora a advogada Ana desde fevereiro. As duas vivem trocando declarações nas redes sociais. A jogadora foi destaque no jogo do Brasil contra a Jamaica, em que marcou os três gols da partida.



Isabell Herlovsen, atacante da Noruega, é casada com Christine Porsmyr. O casal enfrentou uma fase difícil em 2017, quando perdeu filhos gêmeos durante a gestação. A jogadora e a mulher têm o fofíssimo Henrik, que nasceu em julho do ano passado.



Defensora dos Estados Unidos, Tierna Davidson conheceu a namorada, Alison Jahansouz, na faculdade. As duas jogavam no time de futebol da Universidade de Stanford e vivem trocando declarações nas redes sociais.



Por conta da competiação, Bárbara Micheline, a goleira da Seleção Brasileira, comemorou o Dia dos Namorados longe da amada, Lidiane. A jogadora publicou uma declaração no Instagram para registrar a data especial.



Rachel Daly é atacante da Inglaterra. Ela e a namorada, Kristie Mewis, jogam juntas no Houston Dash, time de futebol dos Estados Unidos.



Jogadora da Austrália, Sam Kerr participou recentemente de um documentário e falou abertamente sobre o apoio da namorada, Nikki Stanton, quando sofreu uma lesão em 2015. As duas jogam juntas no Chicago Red Stars, time de futebol dos Estados Unidos.



A maior artilheira em Copas do Mundo, Marta, atacante da Seleção Brasileira, namora a jogadora Toni Pressley. As duas jogam juntas no Orlando Pride, time dos Estados Unidos.



Debinha, meia da Seleção Brasileira, namora a também jogadora Meredith Speck. Elas jogam juntas no North Carolina Courage, time dos Estados Unidos.



Megan Rapinoe, meia dos Estados Unidos, ganhou destaque além do campo. A jogadora virou manchete ao não cantar o hino americano nos jogos da Copa. "Como uma americana gay, eu sei o que significa olhar para essa bandeira e não tê-la como símbolo de proteção à sua liberdade. É algo pequeno que eu poderia fazer e planejo continuar fazendo para tentar espalhar uma discussão importante sobre isso", afirmou a jogadora em 2016 para a Associated Press. A atleta namora a jogadora de basquete Sue Bird.

Lorena Benítez joga pela Argentina. Ela é casada com Veronica Rivero com quem tem dois filhos, Ezequiel e Renata, que nasceram em maio deste ano.

Destaque da seleção da Itália, Manuela Giugliano namora Ambra Capotosto. A jogadora de apenas 21 anos faz parte do time A.C. Milan. O relacionamento já dura mais de um ano.

Fonte: Revista Quem, 19/06/2019

Jovens lésbicas fogem de casa por intolerância familiar

segunda-feira, 17 de junho de 2019 1 comentários

Pam Mariano, 33, Foto: Gilvan de Souza

Jovens lésbicas fogem da intolerância familiar e aumentam estatística de desaparecidos

Desde 2015, 3.084 adolescentes desapareceram de casa. Entre as meninas, titular da DDPA aponta que a recusa dos pais em aceitar a sexualidade é o principal motivo


Aos 14 anos de idade, Pam Mariano foi avisada que um cartaz com o seu rosto estava colado em um poste de Copacabana, com uma única palavra: 'Desaparecida'. O telefone de contato era o de sua mãe, que um ano antes havia sentenciado que não queria uma filha homossexual em casa. Expulsa após uma surra, virou moradora de rua e encontrou na prostituição a única maneira de sobreviver.


Sua história não é exceção. A recusa de pais em aceitar a sexualidade dos filhos tem repercutido nas estatísticas de jovens desaparecidos. É o que indica levantamento da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) obtido por O DIA. Desde 2015, 3.084 adolescentes, entre 12 e 17 anos, 
desapareceram de casa no Município do Rio, sendo que 2.817 foram encontrados.
Entre as meninas dessa faixa etária que localizamos, a maioria disse que saiu de casa porque os pais não aceitavam a sua opção sexual, seja a bissexualidade ou o lesbianismo. Os adolescentes estão conscientes do que querem e, quando decidem fugir ou são expulsos, raramente querem voltar", afirmou a titular da especializada, delegada Ellen Souto.
Passados 20 anos, Pam faz terapia para sanar as marcas deixadas na alma.
Ainda criança, sentia atração por meninas. Me sentia suja ao ter que deitar com homens por dinheiro. Aos 30 anos, entrei em depressão profunda. Ao sair de casa, passei todos esses anos somente sobrevivendo. Não tinha como estudar. Sinto que minha adolescência foi toda perdida, simplesmente pelo preconceito, pois quando você não tem casa, perde a base principal para conseguir evoluir", afirmou.
Para se reerguer, ela contou com a ajuda de grupos de apoio LGBT. Atualmente, trabalha como massoterapeuta, é percussionista e tem grupos musicais voltados para o público homossexual, como o Sapagode (trocadilho entre sapatão e pagode), que faz eventos de pagode somente para o público lésbico. É fã da percussionista Lan Lan, noiva da atriz Nanda Costa.

Pam conta que largou a prostituição ao conseguir seu primeiro emprego fixo, aos 18 anos. Desde então, já vendeu pastel, fez mudanças, foi auxiliar de secretaria e cuidou de gatos e plantas.
Há uma luz no fim do túnel. Ainda sofro, mas encontrei na música uma forma de me reerguer. Digo para todas que estão nessa situação: busquem apoio em redes do movimento, muitas anjinhas vão te ajudar".
Seu contato com a mãe é esporádico.
Eu a perdoei. Vejo que ela somente reproduziu o que aprendeu. É um ciclo, que precisa ser quebrado. Por isso, mostro meu rosto. A gente não tem que se esconder, não temos que ter vergonha", disse.
A Prefeitura do Rio ajuda, através da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDs), a todo o público gay que se encontra vulnerável. "Oferecemos abrigo, encaminhamento para emprego. Mas antes disso, buscamos apoio com amigos, outros familiares. Os abrigos não são hotéis", contou Nélio Georgini, coordenador da CEDs.

A assessora representante da Pauta L (Lésbicas) na CEDs, Caroline Caldas, não se surpreendeu com o resultado da estatística feito pela delegacia.
Elas não fogem de casa: o ambiente se torna tão hostil que é impossível viver naquele local. Muitas vezes sofrem, além da violência psicológica e física, a violência sexual, com estupros que os agressores chamam de corretivos", relatou. 
Com receio de expor a família, N.N, de 25 anos, conversou com a reportagem sem se identificar. Contou que foi expulsa de casa aos 21 anos, após revelar para a mãe, evangélica, que era lésbica.
Havia descoberto que minha namorada tinha me traído. Estava chorando e minha mãe perguntou o motivo. Contei e ela disse 'você está louca, você é da igreja'". 
"Existe uma luz no fim do túnel", diz Pam Mariano, para quem sofre com preconceito por ser lésbica - Gilvan de Souza / Agencia O Dia

Na mesma noite, seu padrasto ordenou que ela fizesse as malas e saísse de casa.
Ele me criava como filha desde os seis anos. Mas mostrou um cabo de vassoura, ameaçou me bater e disse que era para ir embora. Saí somente com uma mala, sem dinheiro algum", relembrou, lacrimejando.
Após ficar sem paradeiro certo por dois anos, recebeu a notícia de que uma tia havia sido assassinada e resolveu ir ao enterro.
Fiquei dois anos afastada de casa e, apesar de ter contato com minha minha mãe e irmão, tive que trancar a faculdade, tinha a vida desestruturada. Resolvi ir ao enterro para me despedir da minha tia. Meu padrasto, então, me abraçou. Choramos juntos. Acredito que isso fez com que ele percebesse que poderia me perder em definitivo. Ele me aceitou de volta em casa", contou. Atualmente, ela está casada com outra mulher em sua casa própria, retomou a faculdade e tem um emprego fixo. 
Para reatar os laços entre os familiares e os jovens, a delegacia criou uma parceria com a Cruz Vermelha. Um núcleo de psicologia e psiquiatria foi criado para tratar somente casos de desaparecidos.

São pais que querem melhorar a sua relação com os jovens, parentes de idosos com doenças mentais que fogem, além do tratamento do luto. Todos os pacientes para esse núcleo foram encaminhados pela delegacia", contou a delegada.

Perfil dos Desaparecidos: raptos, fuga com amantes e doenças estão entre os motivos

Nos primeiros cinco meses deste ano, 815 casos de registros de desaparecidos, de todas as faixas etárias, foram feitos na DDPA. Desse total, 610 foram localizados; outros 21 estavam mortos.
Gráfico mostra porcentagem de desaparecidos por faixa etária - Infografia O DIA

Desde 2015, o perfil dos desaparecidos registrados na delegacia é separado por faixa etária. Os das crianças entre 0 e 4 anos (93 casos) ocorreram devido a questões de guarda compartilhada, em que um dos pais não aceitava a decisão da Justiça e houve rapto. As de 5 a 11 anos (706 casos) foram solucionados como resultados ou de abuso sexual ou de não aceitação da guarda. Entre os jovens de 12 a 17 anos, além da fuga para exercer sua sexualidade, estão casos em que jovens fogem após abusos serem cometidos.

Já entre os adultos de 18 a 60 anos (5.191 casos), os desaparecimentos ocorreram para o uso de drogas ou por saída espontânea. "São comuns os casos em que mulheres ou homens desapareceram para ficar com amantes e depois voltaram dizendo que foram vítimas de algum crime. Entre os homens, há casos em que fogem para não pagar pensão alimentícia. E, há os casos em que os adultos não querem mais contato com outros familiares. Os encontramos, mas não podemos dizer o paradeiro, pois a pessoa tem esse direito de cortar os vínculos", explicou a delegada.

Entre os idosos, que somente este ano foram 96 casos, todos ocorreram por perda de memória ocasionada ou por depressão ou outros tipos de doenças, como Alzheimer. Para quem convive com idosos, a delegada frisa que uma solução simples pode ajudar na localização de um desaparecido: uma pulseira ou colar com o nome e número de identidade. "É importante não colocar o número de telefone. Aliás, isso serve para qualquer desaparecido, quando um familiar confecciona cartazes com números pessoais. Isso é um chamariz para trotes e até casos de extorsão. Somente com o número do RG, qualquer unidade de saúde ou da polícia vai conseguir localizar os familiares", afirmou.

Núcleo trabalha 24 horas para localizar desaparecidos

Caso uma pessoa sem documentação ou contato de familiares seja internada em qualquer unidade de saúde do estado, há um plantão na DDPA para tentar localizar seus familiares. Chamado de Núcleo de Comunicação, a unidade funciona 24h em contato com a rede de saúde para identificar anônimos internados.
Isso ajuda de duas formas: a primeira é localizar o parente e evitar, assim, que ele faça o registro de ocorrência de desaparecido ou uma possível peregrinação desse familiar pelos hospitais. A outra, é ajudar a rede pública a liberar leitos hospitalares. Isso porque uma pessoa internada, que tenha perdido suas referências de lar, não pode receber alta mesmo sadia", explicou a delegada Ellen Souto.
O núcleo identificou, por exemplo, um homem que foi internado no Hospital Municipal Souza Aguiar, após um atropelamento no Centro, através de suas tatuagens. A mãe foi localizada e conseguiu se despedir. Uma semana após sua internação, ele faleceu.

Também no Souza Aguiar, uma história de reencontro, mas com final feliz: uma idosa de 81 anos que havia perdido a memória e estava como moradora de rua foi internada. Ela lembrava somente do primeiro nome da irmã. Foi através de cruzamento de dados que a polícia conseguiu localizar a irmã, que a procurava desde 2014. Após ela receber alta, voltou ao convívio de seus familiares.

Fonte: O Dia, por Bruna Fantti, 10/06/2019

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